Daylight
4 Adeus Konoha
Notas iniciais
06 de Dezembro 2006
Por Sakura
Até que enfim este ano chega ao fim, foi um dos anos mais difíceis da minha vida. Aqui em casa, as coisas só pioraram e o papai ficou pior a cada dia.
Ser filha de médicos não era tarefa fácil, pior ainda quando eles eram dono do maior hospital da cidade o Mebuki Haruno, sim ele levava o nome da mamãe, foi uma homenagem do papai.
Eu já sabia que queria ser médica, os dois me mostraram a beleza da profissão e também as dificuldades que eu teria de enfrentar. Mas Kizashi-sama, meu pai, insistia que eu deveria me formar na Universidade Konoha, queria que eu estagiasse no hospital pra me inteirar também da parte administrativa . Ele teve a brilhante ideia de que depois que eu me formasse assumiria o hospital. Ele dizia que ele e mamãe precisavam descansar e eu teria que cuidar do patrimônio da família daqui pra frente.
Eu não gostava dessa pressão que ele fazia. Assumir um hospital, sem um pingo de experiência? Ele nem ao menos perguntava o que eu queria, ele simplesmente moldava o meu futuro a partir da visão dele. Era muita loucura pra mim e o ano só foi ficando pior.
Minha situação com Sasuke também não estava lá essas coisas. Me perguntava se namorar com meu amigo foi uma decisão correta. Não me entendam mal, eu o amo, mas nós somos muito diferentes. Sasuke estava insuportável de tão ciumento, até ciúme dos nossos amigos em comum ele tinha. Ele nunca me pareceu inseguro e agora tinha horas que se comportava que nem criança. Pra melhorar ainda tinha aquele conflito com relação a universidade, eu queria a capital e ele não. Até pensei em um namoro à distância, mas nunca chegamos a um denominador comum.
Eu queria muito dar um tempo de Konoha, um pouco mais de liberdade, com o aumento da pressão dor parte de meu pai essa vontade ficava cada vez maior. Mas pra varia ele queria ficar aqui, sempre foi muito apegado aos seus amigos e sua família, mesmo que sua relação com Fugaku-san, seu pai, não fosse das melhores. Itachi e a Mikoto-san, seu irmão e sua mãe, eram loucos no Sasuke, mimavam até onde não podia mais, mas ele não cresceu nojento, pelo contrário sempre foi um menino tranquilo menos com surtos de ciúme, não queiram ver o Sasuke com ciúmes.
Tirando o seu ciúme, ele sempre foi carinhoso comigo e isso às vezes era motivo para brigarmos, eu não sabia corresponder desse jeito fofo e carinhoso dele e sentia que isso o incomodava, mesmo ele sempre me dizendo que não. No fundo acho que me incomodava porque eu queria ser algo pra ele que eu não conseguia. Ele fazia eu me sentir única, mas eu não sabia se conseguia fazer o mesmo com ele.
Mas o momento mais difícil desse ano foi quando mamãe descobriu que estava doente. Ela tinha câncer de colo de útero. Estava no início, mas com o passar do tempo ela não respondia muito bem aos tratamentos e eu vi minha mãe definhar e não podia fazer nada. Esconder as coisas dela não ajudavam, ela era médica e sabia o que estava sentindo. Eu vi papai perder a alegria de viver e o encontrei várias vezes bebendo, mas eu precisava me manter forte pelos três, apenas Sasuke me via chorando. Era seu colo que eu buscava, ele praticamente estava morando aqui em casa.
Mesmo com a doença da mamãe meu pai não deu trégua, a gente não brigava na frente dela sempre fingíamos que estava tudo bem, mas minha mãe os conhecia bem. Toda vez que ela tentava puxar assunto com relação a isso eu desconversava. Já tinha muita coisa pra ela se preocupar.
Amanhã é a minha formatura do ensino médio e eu não estou nem um pouco animada. Minha mãe colocou na cabeça que vai, mesmo estando com a saúde frágil. Disse que um momento especial desse ela não poderia perder. Agora eu vejo da onde eu puxei a teimosia.
Ela me ajudou a escolher o vestido e disse que eu seria a mais linda das formandas. Por ela eu ficaria feliz.
08 de Dezembro de 2006
Por Sakura
A formatura foi linda, meus amigos estavam lá e nossas famílias também. Dançamos, brincamos, bebemos sakê escondidos e agradecemos por não termos mais que pisar na escola. Sasuke estava lindo naquele smoking e eu quase tive um pré-infarto com tanta beleza em um ser humano só. Tinha uma monte de menina nem sem noção cobiçando o namorado alheio, mas nada que uma cara de assassina contornasse a situação.
Convencemos mamãe a ir de cadeira de rodas pra que ela não fizesse tanto esforço, ela relutou no início, mas aceitou. Ela estava linda, mas bem diferente da Mebuki-sama que todos conheciam e percebi que ela não gostava dos olhares de pena que recebia. Ela e papai só ficaram para o evento solene, pouco antes de começar a festa eles foram embora.
Depois da festa fui pra casa de Sasuke e claro eu não resisti a ele vestido com aquela roupa. A noite foi maravilhosa, com o toque a mais da bebida eu fiquei mais ousada que o normal. Espero que meus sogrinhos e meu cunhado não tenham ouvido nada.
No dia seguinte almocei na casa dos Uchihas e fiquei mais um pouco por lá, voltando pra casa no fim da tarde. Mamãe tinha consulta no dia seguinte e eu estava indo a todas que podia, Itachi e Sasuke que me levaram até em casa e eu tive que ouvir piadinhas o caminho todo de Itachi.
— Vocês precisam ser mais silenciosos a pessoas gostam de dormir à noite – disse Itachi tentando conter o riso;
— Vá a merda, Itachi – Sasuke não gostava quando o irmão começava com essas brincadeiras;
— Meu sono é sagrado, maninho – ele disse dando risada e o caçula mostrou o dedo do meio;
— Cunhandinho, o nome disso é inveja, porque seu irmão mais novo transa e você não – falei e dei um tapinha em seu ombro. Sasuke explodiu em risadas e eu não pude deixar de admirar aquela cena;
— Pensar que te vi crescer... — ele fazia cara de indignado;
— As pessoas crescem e transam cunhadinho, mas você não faz nenhum dos dois – Sasuke explodiu em risada mais uma vez e eu não pude deixar de fazer o mesmo.
— Pirralha ousada – disse Itachi por fim, mas eu e Sasuke continuamos a gargalhar
10 de Dezembro de 2006
Por Sakura
Eu não acredito que isso está acontecendo, recebi a pior notícia da minha vida e não sei o que fazer. O médico da mamãe falou conosco ontem e disse que ela continuava a não corresponder ao tratamento, estava muito debilitada e o câncer tinha se espalhado até o intestino grosso. Ele disse que não tinha mais o que fazer.
Papai desabou ao ouvir a notícia, dessa vez choramos juntos e não sabíamos o que fazer. Mas achei melhor falarmos com a mamãe, não achava justo esconder isso dela, ela sempre foi forte e sempre encarou essa doença mesmo com todas as dificuldades. Pedimos ao médico para darmos a notícia , mas eu não conseguia encarar a mamãe naquele mesmo dia e deixei para falar no dia seguinte. Papai estava no hospital resolvendo algumas coisas , então eu resolvi conversar sozinha com a mamãe. Foi uma das piores conversas da minha vida:
— Mãe, está acordada? Preciso falar com você – falei entrando em seu quarto, tentando parecer calma;
— Oi, meu amor... Estou sim, venha aqui – falou num sussurro que apertou meu coração;
— Oi, mãe como senhora está se sentindo? — eu precisava falar, mas não sabia como;
— Eu estou bem, minha Sakura... Por que está com esses olhos inchados, brigou com o Sasuke? — perguntou preocupada, como que pode se preocupar tanto quando se encontra nesse estado?
— Não mamãe, eu e Sasuke estamos bem, mas eu preciso te dizer uma coisa e não sei como falar – lágrimas escorriam;
— É sobre minha doença, não é? — mamãe me lia muito fácil;
— Sim, mãe. O médico disse – as lágrimas não paravam de escorrer, ela pegou em minha mão, sua mão estava gélida e tão áspera – ele disse que... a senhora tem pouco tempo de vida – não aguentei, deitei em seu colo e chorei como se tivesse 05 anos;
— Minha Sakura, fique calma, por favor. Eu já sabia, seu pai já tinha conversado comigo. Eu vou ficar bem, onde quer que eu esteja, estarei sempre olhando por vocês – ela passava a mão em meus cabelos e falava de forma calma – Sua mãe te ama muito!
— Mas mamãe... — eu não conseguia dizer nada, só chorar;
— Eu sei meu amor, eu sei – ele dizia de forma tão serena – Tive uma ideia, será que você pode me ajudar? — continuei chorando e então ela prosseguiu – que tal se anteciparmos o natal? É minha festa favorita – ela falava sorrindo, mamãe é incrível;
— T-t-tudo b-b-em-m – falei soluçando – T-tudo q-que-e a s-senhora q-quiser – eu não podia negar esse último pedido a ela;
— Vamos por a estrela juntas como fazíamos quando você era pequena – ela disse sorrindo, me passando confiança, eu apenas não sabia o que dizer e continuei em seu colo chorando.
Aquilo tinha acabo comigo, passei o resto do dia com Sasuke, eu liguei e ele veio pra minha casa. Dei a notícia e fiquei abraçada a ele chorando. Ele não me dizia nada e nem fazia perguntas, sabia que eu não queria conversar, só queria colo e ele me dava e bom grado.
Por Sasuke
Aquele ano estava uma loucura, o clima aqui em casa com meu pai não melhorava em nada, ele queria que eu seguisse sua profissão de engenheiro civil, mas nunca foi meu forte. Desde pequeno sempre quis saber como as máquinas funcionavam, tinha fascínio por carros, adorava montar coisas, observar sistemas de produção. Então descobri o que queria do meu futuro e era engenharia mecânica.
Meu pai não gostou muito e tentou me convencer do contrário, mas eu fui mais forte que ele. Minha mãe e meu irmão me apoiaram pra desgosto do meu pai e esse apoio foi fundamental. Não é todo dia que se dobra Uchiha Fugaku.
Eu já sabia o curso e onde queria estudar, visitei o campus da Universidade de Konoha e conversei com alguns alunos e professores, isso só serviu ainda mais pra eu ter certeza do queria fazer. Descobri que tem uma fábrica de carros aqui perto de Konoha e boa parte dos estudantes de engenharia mecânica da universidade daqui estagiavam lá. Além disso eu queria ser professor universitário. Eu amo minha cidade e sou muito ligado a todos daqui.
Minha rosada pensava diferente de mim, ela queria fazer faculdade de medicina em Tóquio. De vez em quando eu me pegava pensando que loucura foi essa transição de amigo pra namorado, mesmo que eu sempre tenha desejado isso, sempre fui apaixonado por ela. Eu sei que ela me ama, do jeito dela, mas ama.
Só tínhamos duas coisas em comum: o amor e a birra com nossos pais. Engraçado que meu pai adora a Sakura e o pai dela me adora. Tem o orgulho e a teimosia também, mas eu prefiro ignorar essa parte
Esse ano as coisas estavam complicadas entre nós, discordávamos em muitas coisas, ainda tinha a pressão dos pais por ser o último ano do colegial e pra piorar Mebuki-san ficou muito doente. Isso afetou muito a Sakura, mesmo que ela não deixasse transparecer. Só tinham quatro pessoas na vida que já tinha visto ela chorar, os pais dela, eu e a Ino. Quando ela ficava assim, eu perguntava apenas o suficiente colocava-a em meu colo e deixava que as lágrimas escorressem, na maioria das vezes ela ficava com sono e eu a deixava dormir em peito, mesmo que o momento fosse triste ter Sakura em peito era umas das melhores sensações do mundo tê-la ali sob minha proteção.
Agora estamos assim neste exato momento, ela me ligou mais cedo em prantos, nem conseguia falar direito eu vim o mais rápido que eu pude. Quando cheguei ela me contou o que aconteceu, me abraçou, chorou e agora dormiu. Não gostava de vê-la daquele jeito, já temia pelos próximos acontecimentos. Sakura sempre foi durona, mas é só uma casca que ela usa pra que os outros pensem que ela é assim. Ficarei ao seu lado durante todo esse tempo, já estou praticamente morando em sua casa do tanto que eu fico aqui com ela, ainda bem que seus pais não se incomodam e nem os meus. Eles sabem que o momento é delicado. Cheirei seus cabelos e adormeci com ela em meus braços.
20 de Dezembro de 2006
Por Sakura
Mamãe se foi, eu não sabia o que fazer e ainda não sei. A dor é insuportável... comemoramos o natal com ela no dia 15 de dezembro, foi uma reunião pequena mamãe, papai, eu, Sasuke, seus pais, Itachi, Ino, Naruto e Hina. Meus amigos amavam a mamãe e ela os adorava, quando estava bem de saúde amava quando eles vinham aqui em casa, preparava coisas gostas e sempre conversava com a gente. Ela exigiu que eles estivessem nesse “natal”, deu presente a cada um deles. A mim ela deu o seu estetoscópio rosa que eu amava. Meus olhos encheram de lágrimas e me permitir chorar na frente de todos.
Três dias se passaram e então ela se foi, estava em casa conosco. O médico lhe deu remédio para que não sentisse dor e disse que ela não iria mmais acordar. Eu e papai seguramos em sua mãe até que os aparelhos nos comunicassem o que mais temíamos, ela tinha nos deixado. Abracei meu pai e choramos por alguns minutos. Dei um beijo na testa da mamãe e disse que a amava. Corri para meu quarto e me joguei nos braços de Sasuke que entendeu tudo sem que eu precisasse dizer alguma coisa. Desabei como uma criança pequena e indefesa.
O velório durou por todo o dia e adentrou a madrugada. No manhã seguinte mamãe foi cremada, assim como era seu desejo. Ela pediu a mim e a papai pra que jogássemos suas cinzas nas cerejeiras ao redor do hospital e nas cerejeiras do jardim do Centro Comunitário, onde ela sempre me levava.
Pediu pra fazermos isso sozinhos e separados. Papai ficou com o hospital e eu com o Jardim do Centro Comunitário. Foi até melhor, eu queria um momento sozinha. A cada passo que eu dava Sasuke surgia e papai estava sendo forte por mim, mas eu sabia ser forte sozinha.
Aqui estou, no jardim que passei a maioria dos meus momentos felizes. Mas agora não era um deles, mas eu precisava fazer aquilo por mamãe e o fiz. Depois que lancei as cinzas, sentei na minha cerejeira favorita, ela tinha um S + S riscado dentro de um coração. Eu e Sasuke fizemos aquilo em nosso primeiro ano de namoro e prometemos ficar juntos para sempre.
Reli mais uma vez a carta da mamãe: Minha flor de cerejeira, me desculpe por deixar você nesse momento, se eu pudesse escolher teria sido diferente, mas tem coisas que nos escolhem e foi isso o que aconteceu. Eu gostaria de te fazer três pedidos... o primeiro deles é que você jogue as minhas cinzas sobre as cerejeiras do Jardim do Centro Comunitário de Konoha. Era o lugar que sempre íamos juntas, o nosso preferido, portanto não existe lugar mais perfeito. O segundo pedido é que tenha paciência com seu pai, sei que vocês estão brigando ultimamente, mas no fundo ele só quer te proteger. O terceiro pedido é o mais importante, minha filha nunca desista do que você quiser ser, não ligue pra opinião dos outros e nem ceda à vontade deles. Você é única e chegará ainda mais longe do que você consegue imaginar. Estarei te observando daqui de cima agora e cuidarei sempre de você. Tenho orgulho da mulher que você se tornou e do seu futuro brilhante. Te amo, minha menina!
A cada vez que lia a carta eu sentia um golpe em meu peito. Mesmo por todas as situações que a mamãe passou ela nunca deixar de pensar em mim e agora que não está mais aqui, mesmo sabendo que ela nunca me deixaria. Eu só tinha a agradecer por ela e seguir o que ela me pediu.
Assim que cheguei em casa, um vazio me abateu... Ela estava presente em todos os cantos, tudo ali era a mamãe e eu não estava sabendo lidar com a situação. Na mesinha lateral encontrei umas correspondências e nela tinham duas cartas direcionadas a mim. Envelopes branco e com brasões que eu conhecia bem. Um era da Universidade e Konoha e o outro da Universidade de Tóquio. Fui aceita nas duas, as aulas em ambas começariam em pouco mais de um mês. Eu precisava me decidir, conversaria com o Sasuke e com o papai.
10 de Janeiro de 2007
Por Sakura
Eu estava indo embora de Konoha, nem Sasuke e nem papai concordaram comigo. Papai não facilitou, só disse que pagaria minha faculdade se eu estudasse na universidade daqui, tivemos uma enorme discussão por conta disso, mas eu consegui um financiamento pra estudar na Universidade de Tóquio. Teria que trabalhar, pouco me importava, queria sair dali o quanto antes.
Estava cheia daquela situação em casa, meu pai querendo mandar em minha vida e tomar decisões por mim. Eu tentei ser paciente como mamãe pediu, mas ele estava impossível.
Ainda tinha os olhares de pena que eu odiava receber das pessoas e todo mundo me perguntando se eu estava bem, lógico que eu não estava, minha mãe tinha morrido, mas que porra.
A conversa com Sasuke não tinha sido nada boa, ele também foi aprovado nas duas, mas queria ficar em Konoha e queria que eu também ficasse, mas não dava pra mim tentei argumentar e não adiantou.
— Sakura, você não pode fazer isso! As pessoas que te amam estão aqui – disse gritando.
— Quem diz o que eu posso fazer ou não, sou eu. Já basta meu pai, você também não — gritava com lágrimas nos olhos.
— Mas Sakura... e a gente? — ele falava olhando pra baixo.
— Eu estou pedindo pra você ir comigo, por isso estou aqui – coloquei a mão em seu rosto e ele se inclinou sobre ela.
— Eu não posso Sakura, minha vida está aqui – uma lágrima escorreu em sua face;
— Quem não pode mais sou eu. Esses olhares de pena, as pessoas perguntando o tempo todo como eu estou, a situação com meu pai... eu não suporto mais. — disse com raiva e mais lágrimas surgiram;
— Esse seu orgulho ainda vai acabar com você, Sakura. Você simplesmente afasta todos a sua volta e não sabemos como te ajudar. — ele disse em forma acusatória e num tom agressivo;
Aquelas palavras feriram o meu coração mais do que ele já estava ferido, meu corpo ardia em sinal de raiva e eu tive que me controlar para mais lágrimas não caírem. Sasuke nunca tinha falado comigo daquele jeito ou me magoado daquela forma. Ignorei por completo a racionalidade e deixei toda a fúria comandar o meu corpo.
— Eu não quero que ninguém me ajude, quero que me deixem em paz. Quero que vá comigo porque eu te amo, mas isso não é o suficiente, acabamos por aqui – disse com toda raiva que podia;
— Mas Sakura, como você pode falar isso assim? E tudo que a gente viveu e... — ele não conseguia me entender
— Relacionamentos começam e terminam, chegou a vez do nosso. Não quero ser um peso pra ninguém. Obrigada por tudo, mas eu vou embora – disse e saí do seu quarto.
Quando eu estava saindo pela porta da sua casa ele segurou meu braço, aproximou nossos rostos e suplicou pra que eu não fosse.
— Minha decisão está tomada. Adeus Sasuke, seja feliz – disse secamente e saí porta afora.
Chorei da casa dele até a minha, tinha de partir no dia seguinte e o fiz. Deixei uma carta para papai, sei que não foi a melhor das atitudes, mas eu precisava ir embora. Tinha umas economias, dava pra pagar um hotel mais ou menos em Tóquio e o vôo até lá. Chegaria dois dias antes do previsto para a liberação dos dormitórios da Universidade. Peguei um avião às 07:00h e cheguei em Tóquio 11:00h. O vôo demorou mais por conta das três escalas que foram feitas. Chorei boa parte do percurso, trouxe na mala poucas roupas e uma caixa de recordações. Tinha uma foto minha com mamãe e papai, a segurei com força e mais lágrimas escorreram. Adormeci e quando acordei já estava na capital.
Por Sasuke
Ela me abandonou e não me deu nem chance de argumentar. No fundo eu teria ido, mas eu queria que ela tivesse ficado, ela estaria protegida aqui, cercada de pessoas que a amam, mas seu orgulho maldito a impediu.
Por que Sakura? Por que? Fui na casa dela no dia seguinte tentar conversar com a cabeça fria, pensei até em dizer que seguiria com ela, mas para minha surpresa ela já tinha ido embora. Deixou uma carta pra seu pai e pediu que ninguém a seguisse, que iria seguir sua vida sozinha.
— Kizashi-san, será que eu poderia falar com Sakura? — perguntei assim que entrei na residência dos Haruno;
— Sinto muito Sasuke, mas Sakura foi embora – ele disse com a voz embargada e tinha uma expressão cansada;
— Como assim, embora? — perguntei, mas não sei se eu queria saber a resposta;
— Veja com seus próprios olhos – disse e me entregou uma folha de papel.
“Papai, tentei conversar com o senhor de todas as formas, mas só conseguimos brigar. Eu quero ser médica sim, mas nunca quis herdar o hospital ou me tornar responsável por ele, nem sei que especialização eu escolherei pra mim. Eu te pedi diversas vezes pra não definir um futuro pra mim e o senhor nunca me escutou. Infelizmente, mamãe nos deixou e eu não posso fazer nada quanto a isso, mas eu posso tomar as rédeas da minha vida a partir de agora. Estudarei Medicina da Universidade de Tóquio, não se preocupe comigo. Eu te amo muito, mas por favor, não venha à minha procura... Eu preciso disso. Adeus...
Sakura Haruno”
Depois de ler a carta a devolvi ao pai de Sakura e saí de sua casa sem ao menos me despedir. Eu nem lembrei em ser educado, estava em estado de choque, me perguntando se aquilo era real e o porque dela ter feito isso.
Não me permiti chorar, já estava cansado de tudo, eu fiz tudo que estava ao meu alcance, mas não foi o suficiente e ela foi embora. Cerrei os punhos pela raiva que tomava conta do meu corpo.
Se ela quer ficar sozinha, sozinha então estará. Eu estava esgotado, eu a amava, mas aquilo foi demais. Ela simplesmente fugiu e não se importou com mais ninguém além de si mesma. Eu seguirei a minha vida e vou fingir que ela nunca existiu pra mim. E o amor que eu guardava no peito foi substituído por raiva e ódio. Nunca mais a veria. Itachi tentou me convencer do contrário, mas não conseguiu.
— Sasuke, ela precisa de um tempo. Olhe por tudo o que ela passou — disse inutilmente.
— Eu sei, eu estava lá todo o tempo, mas ela resolveu ir embora — falei entredentes
— Irmão, isso vai passar e vocês vão ficar bem – tentou mais uma vez – vocês ainda podem se entender...
— PORRA ITACHI, EU JÁ DISSE QUE NÃO QUERO SABER MAIS DA SAKURA... ela preferiu ir embora – gritei com raiva e lágrimas surgiram. Tentei secar, mas foi em vão...
— Tudo bem. Eu te amo e estou aqui para o que precisar – ele disse e tocou com dois dedos a minha testa.
Ele saiu do meu quarto e eu fiquei deitado em minha cama enquanto fitava o teto. Eu tentava entender Sakura, mas a raiva consumia meu ser e meu orgulho falava alto.
— Eu nunca mais quero você na minha vida de novo – disse fazendo uma promessa pra mim mesmo.
I was so high I did not recognize
Eu estava tão chapado que não reconheci
The fire burning in her eyes
O fogo queimando em seus olhos
The chaos that controlled my mind
O caos que controlava minha mente
Whispered goodbye and she got on a plane
Ela sussurou "adeus" e entrou num avião
Never to return again
Pra nunca mais retornar
But always in my heart
Mas para sempre em meu coração
(This Love – Maroon 5)
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