Daylight
5 A boa filha a casa torna
Notas iniciais
Por Sakura
Finalmente chegou o grande dia... pra variar eu não preguei o olho a noite toda. Meu voo partia às 10:00h, mas ainda eram 06:30h da manhã. Tentei ler um livro, ver alguma série ou até tentar tirar um cochilo, mas foi tudo em vão porque eu não consegui me concentrar.
Resolvi levantar de uma vez e tomar um banho gelado pra vê se aliviava a tensão, mas foi sem sucesso. É Sakura, não tá fácil... Resolvi colocar uma música pra tocar e selecionei a pasta de música pop do meu iPod, uma música mais agitada ia melhorar meu nevrosismo.
Mas não estava tranquilo e muito menos favorável pra mim... quando a música começou a tocar senti meu estômago embrulhar. A música que tocava era “This Love” do Maroon 5, eu amava essa música até ela se resumir na minha história e esfregar na minha cara que eu sussurrei um adeus, entrei num avião e nunca mais voltaria, há nove anos. Parece até conspiração, vou te contar.
— Ah vá pra puta que pariu... — eu disse pra meu quarto que tinha apenas a minha presença desisti da pasta pop, fui pra pasta de rock e logo começou a tocar “The Pretender” do Foo Fighters, a letra também soava como uma indireta, mas a batida dessa musica era simplesmente sensacional e Dave Grohl parecia exterminar todos os seus demônios enquanto cantava e gritava, eu também estava prestes a fazer isso... expulsando os demônios do meu passado – muito melhor — disse vitoriosa!
Depois de muito Foo Fighters, Guns N' Roses, AC/DC, Queen, Arctic Monkeys, Nivana e Pearl Jeam eu já estava devidamente pronta e arrumada. Da minha casa até o aeroporto era cerca de 30 minutos. Não consegui comer nada e nem iria insistir, meu estômago nem lembrava que existia. O táxi já se encontrava na portaria do meu condomínio e essa era a minha deixa. Olhei pra minha sala, que por algum milagre se encontrava arrumada e me despedi do meu recanto de solidão.
Quando o avião decolou minha garganta apertou, me senti sufocada, eu estava muito nervosa e ansiosa, mas era hora de seguir e de alguma forma eu sabia que aquilo seria bom pra mim, mesmo que eu estivesse com medo.
Pensei em tudo que teria de fazer hoje quando chegasse a Konoha e isso inclua ir ao Jardim do Centro Comunitário e visitar o papai no hospital, ainda não estou pronta pra retornar a minha casa, por isso ir ao hospital é a melhor opção. Mas antes disso eu ficaria um pouco com meus amigos.
Fico feliz de Naruto e Hina irem me buscar, vou aliviar a tensão matando a saudade deles. Enfim o avião pousou, por mais que o piloto dissesse que o avião pousou antes do previsto parecia que a viagem tinha durado umas vinte horas. Não consegui comer e nem beber de tão ansiosa que eu estava, tinha horas que eu suava frio.
Já fora do avião eu me dirigia a esteira pra poder pegar minha mala, que não demorou muito parar aparecer no meu campo de visão. Respirei fundo, peguei a mala e fui até o encontro dos meus amigos.
Naruto e Hinata não existem mesmo, eles me esperaram com uma plaquinha rosa na mão, nela tinha escrito “Sakura, a convidada mais aguardada”, eu não consegui me conter e lágrimas discretas escorreram sobre meu rosto. Quando Naruto pôs os seus olhos em mim começou a gritar o que eu sabia que não seria diferente, mas não foi só ele, Hina também se jogou na gritaria.
— SAKURA-CHAN!!!! – os dois gritaram ao mesmo tempo e vieram correndo em minha direção;
— Sim, sou eu! — Os abracei com força e nem ligava para as minhas lágrimas mais — Naruto e Hina, que saudade de vocês;
— Que bom que está aqui – disse Hina que se afastou um pouco porque o loiro ainda me abraçava.
— Naruto, eu não vou fugir, eu disse que vinha – ele estava me amassando mesmo e quase não conseguia respirar;
— Eu sei Saky, mas nem parece que é verdade aí eu preciso dar meu abraço de urso pra saber que é real – finalmente ele se afastou abrindo um sorriso gigante.
— Obrigada por isso, irmão – falei enxugando as lágrimas e com a voz um pouco embargada – Hina, você está mais linda ainda – e de fato ela estava. Seus olhos perolados estavam com um brilho lindo e seu cabelo azulado estava maior, meio óbvio né Sakura?!
— Saky, linda está você – é tão fofa essa minha amiga – Obrigada, por estar aqui. Eu estou muito feliz.
— Obrigada a vocês por esse convite especial, eu não poderia estar em outro lugar que não fosse aqui... Eu também estou muito feliz – e no fundo era verdade, eu sentia muita falta de Konoha e das pessoas daqui. A vida lá em Tóquio sempre foi muito solitário e eu acabei me acostumando com a solidão, mas agora eu estou aqui;
— Então, vamos pra casa? — Naruto me perguntou;
— Por favor, preciso de um banho – falei sorrindo;
— Então vamos – falou Hina e me puxou pelo braço.
Eu estava muito contente por estar de volta, mas estava preocupada com as coisas que estão por vir. Papai tentou conversar comigo algumas vezes em Tóquio, ele conhecia boa parte dos meus professores, mas no fim a gente sempre brigava, porque ele sempre insistia para que eu voltasse o que naquela época não tinha a menor chance. Depois de um tempo ele parou de me procurar, eu o amo, mas eu precisava de espaço e ele nunca mudava de ideia mesmo que eu repetisse que não queria alguém desenhando um futuro que pertencia somente a mim.
O trajeto até a casa de Naruto foi silencioso, eles me conheciam bem pra saber que eu precisava de um tempo pra digerir as coisas. Olhava as ruas e várias lembranças vieram a minha mente. Naruto, Sasuke e eu sempre fomos muito unidos, não existiam um canto de Konoha que não conhecíamos. Corremos por várias daquelas ruas e depois o grupo de amigos foi aumentando.
Passamos em frente ao Centro Comunitário, a restaurantes da minha infância e adolescência, cinema, shopping e então, passamos pelo Hospital Mebuki Haruno. Nessa hora meu peito apertou e não pude conter o choro. Senti os olhos de Naruto em mim através dos espelho e foi reconfortante não ter que me esconder, ele me entendia muito bem. Seus pais tinham falecido quando ele era pequeno e ele foi criado por Umino Iruka, um primo distante do seu pai. Mas meu amigo nunca foi amargo por isso, pelo contrário ele sempre foi o mais feliz de todos nós.
Chegamos em casa e eles me mostraram o quarto, desarrumei a mala e fui tomar um banho. Ainda não acreditava que estava aqui, toda hora surgia um flash em minha cabeça de tudo o que eu vivi e o porque da minha partida. Depois do banho um tanto reflexivo me arrumei e desci. Quando cheguei na sala, um cheiro bom de comida surgiu e meu estômago lembrou que existe.
— Que cheiro bom é esse? — indaguei;
— É lámen, Hina está preparando pra nós – Naruto me respondeu contente, era seu prato favorito. Ele tinha muita sorte já que a família Hyuuga era dona de uma rede de restaurantes. Todos da família sabiam cozinhar muito bem. Quando éramos criança, Neji que cozinhava pra gente. Itachi e ele revesavam pra tomar conta de nós. Hina ganhou Naruto pelo coração e também pelo estômago;
— Que delícia esse cheiro, sempre que posso eu vou no restaurante dos Hyuuga, lá em Tóquio — era verdade, eu aproveitava e matava um pouco de saudade daqui;
— Jura, Saky? — perguntou Hinata;
— Sim, Hina-chan – sorri, eu precisava mudar de assunto, não queria falar da minha solidão na capital – Como estão os preparativos para o casamento?
— Está tudo certo já, mas deu um trabalhão. Se eu soubesse disso tinha só morado junto mesmo – ela falou já olhando pra cara de Naruto e eu não pude conter o riso;
— Meu amor, como que você diz isso? — disse enquanto colocava a mão no peito fingindo estar ofendido, dramático como sempre – Ia perder a chance de mostrar seu marido a todas? — passou a mão nos cabelos e soltou uma piscadela pra Hina, eu revirei os olhos diante daquela cena;
— Melhore, Naruto – falei jogando um pano na sua cabeça e Hina não pode conter as gargalhadas;
— Pronto, agora eu me lasquei mesmo... Essas mulheres da minha vida eu não sei não – é muito drama em um ser humano só;
— Own, tadinho do meu futuro marido – disse Hina selando um beijo em meu amigo – Eu jamais teria feito diferente disso. Eu te amo seu bobo;
— Viu, Saky?! Ela me ama – falava como se eu não soubesse – Te amo, minha Hina – Começaram a se beijar na minha frente;
— GENTE, POR FAVOR! — gritei fingindo pavor – Falta pouco para o casamento, segurem a onda de vocês! — Naruto e Hina riram alto. Esses dois foram feitos um para o outro, não tem jeito mesmo;
— Ainda bem, nem sei se aguentaria mais – disse o loiro entre risos e não pude conter uma risadinha e pra variar Hina corou!
— Mudando um pouco de assunto... Naruto gostaria de te pedir um favor – falei nervosa, espero que ele possa ajudar;
— Diga, Saky – acho que ele percebeu meu nervosismo;
— Eu preciso resolver umas coisas por aqui hoje, será que você poderia me emprestar o seu carro... Não tive tempo de alugar um – falei um pouco envergonhada, eu não queria abusar;
— Mas é claro Sakura – chan e a senhorita não precisa alugar carro nenhum. Pode ficar com o meu o tempo que precisar, posso usar o de Hina – respirei aliviada quando ele me disse isso.
— Obrigada, irmão. Sou excelente motorista, devolvo inteirinho – disse-lhe dando uma piscadela.
— Vou fingir que acredito em você. Boa sorte, hoje – Me disse enquanto tocava o meu ombro.
— Besta — dei a língua pra ele – Obrigada.
O lámen estava maravilhoso, como sempre Hina uma cozinheira de mão cheia. Conversamos um pouco, eles me perguntaram como era minha vida em Tóquio e a rotina no hospital. Depois foi a minha vez, perguntei como estavam todos. Descobri que Temari e Shikamaru estavam esperando um bebê que estava prestes a nascer porque ela já estava com oito meses. Tsunade e Jiraya resolveram se entender, mas daquele jeito quase matando um ao outro, os restaurantes Hyuuga estão indo muito bem, a academia de luta do Naruto é um sucesso, ou seja, todo mundo bem e feliz.
Depois de muita conversa eu precisava realmente sair dali, não podia adiar mais. Deixei os pombinhos em casa. Dirigindo pelas ruas Konoha fui ao destino da minha primeira parada: Jardim do Centro Comunitário de Konoha.
Chegando lá, meu coração batia a mil por hora. Fui na minha cerejeira preferida, depois de tanto tempo eu ainda sabia aonde se localizava. Ela estava linda, bastante florida e a marca que fiz há tantos anos estava presente, um pouco gasta, mas estava ali. Não pude deixar de passar a mão sobre ela e me recordar o momento em que eu e Sasuke a fizemos. Depois a lembrança de nove anos atrás surgiu, foi quando vim aqui jogar as cinzas de mamãe, nessa momento eu chorei mais uma vez e agradeci mentalmente por não ter ninguém por perto.
— Mamãe, sinto tanto a sua falta. Às vezes, me pergunto se não fiz tudo errado indo embora daqui, deixei tanta coisa pra trás e o vazio que a senhora deixou nunca fora preenchido e nunca será. Agora estou de volta e preciso consertar uma parte dos meus erros. De onde estiver me ajude e me mande forças. Eu te amo, pra sempre. — disse querendo que ela estivesse do meu lado para poder me ouvir.
Fiquei mais um pouco naquele lugar que me trazia uma paz sem igual, o cheiro das flores estava sensacional, o casamento dos meus amigos será o mais bonito que Konoha verá. Não podia mais me prolongar por ali, poderia voltar outra hora depois.
Agora é hora da minha segunda parada: Hospital Mebuki Haruno, é hora de encontrar papai. Não estava preparada para encontrá-lo em casa, uma coisa de cada vez pensei comigo mesma. Saí sem muita pressa do jardim pegando o carro e indo em direção ao hospital.
Estacionei e fiquei me perguntando se devia mesmo fazer aquilo. No fundo eu sabia que deveria, não podia encontrar papai no casamento e ficar um clima chato, mais chato, entre nós dois. Saí do carro e entrei no hospital, que estava um pouco diferente do que eu lembrava, mas não me atentei tanto aos detalhes, eu tinha um objetivo a cumprir.
Algumas pessoas me olhavam surpresas, eu acabava sorrindo sem graça não tinha muito o que fazer. Passei por elas apressada, peguei o elevador e fui em direção a sala do papai, ainda era no mesmo lugar, papai sempre foi muito metódico. A secretária dele era outra, essa com certeza não me conhecia, parecia ser mais nova que eu. Em seu crachá dizia que seu nome era Yukiko.
— Yukiko, boa tarde. Gostaria de falar com o Kizashi-sama – disse chamando atenção da mulher que lixava as unhas, quando me viu me olhou dos pés a cabeça e fez uma cara de indiferença;
— A senhorita tem hora marcada? — bem educada, só que não.
— Não, ele irá me receber sem hora marcada. Sou a filha dele, Haruno Sakura – falei em tom seco, pra uma grossa, outra.
— Você está louca? Kizashi-sama não tem filho – falou de forma grossa, quase dizendo que era alguma burra;
— Filho ele realmente não tem, mas filha ele tem, que sou eu – eu estava simplesmente furiosa;
— É melhor você ir embora agora ou chamarei os seguranças – falou gritando. Ótimo, tudo o que eu queria chamar atenção, mas que filha...
— Sakura? — antes que eu falasse algo, alguém me interrompeu. Era uma voz familiar – É você?
— Sim, sou eu Tsunade – disse me virando pra ela, que estava com um semblante surpreso ao me ver – preciso falar com meu pai e essa louca tá dizendo que ele não tem filha.
— Tsunade-sama, essa maluca de cabelo rosa tá dizendo que é filha de Kizashi-sama – eu vou dar na cara dessa Yukiko.
— Ela é sim, Yukiko. Haruno Sakura, filha única de Haruno Kizashi – disse dando um olhar mortal pra ela. 1X0 pra Tsunade, que continuava fofa como sempre, se é que vocês me entendem;
— Como assim? Ela nunca veio aqui – agora ela estava desesperada.
— Se você fizesse seu trabalho direito, em vez de ficar lixando a unha, saberia. — 2x0 pra Tsunade.
— Mas Tsunade-sama.?
— Nada de mas. Eu levarei Sakura a sala de seu pai – falou e me puxou pelo braço – Sakura, você está bem? — me perguntou enquanto nos afastávamos da maluca lá;
— Estou sim, fiquei um pouco nervosa, mas estou bem – Tsunade caiu do céu. Ela é obstetra aqui do hospital, melhor amiga da mamãe e minha madrinha. O parto de todos os meus amigos foi feito por ela;
— Que surpresa boa você por aqui, que novidade é essa? — perguntou curiosa me dando um abraço;
— Eu vim para o casamento do Naruto e Hinata, e estou aproveitando pra resolver algumas coisas, como visitar o papai – disse dando de ombros tentando espantar meu nervosismo;
— Ele vai adorar te encontrar. Eu acho que você já sabe, mas todos sentimos a sua falta. Bem-vinda de volta – disse me abraçando de novo;
— Obrigada, madrinha e desculpa por tudo – não sei porque, mas achei que deveria pedir desculpa;
— Não tem que pedir desculpas, a vida é feita de escolhas e essas escolhas nos leva a caminhos inimagináveis e também a consequências... Bom, eu tenho algumas crianças pra por no mundo hoje, em breve teremos bastante tempo pra conversar vamos até a sala do seu pai – disse me dando a mão.
— Tudo bem, melhor assim – eu precisava ver papai logo, pra acabar logo com essa agonia que atormentava o peito.
Então ela bateu na porta antes de abrir e uma voz familiar a mandou entrar, nessa hora meu coração veio parar na garganta. É agora, mamãe me ajuda.
— Kizashi, tem uma pessoa aqui fora que precisa falar com você.
— Estou muito ocupado, não lembro de ter nenhuma reunião agora – porra pai, colabora comigo;
— Não se trata de reunião, mas é uma pessoa muito importante e garanto que você não irá se arrepender em recebê-la – isso madrinha;
— Não acho que tenha pessoa tão importante, mas já que você insiste, mande-a entrar – é hora da verdade. Assim que entrei na sala, seus olhos se arregalaram ao me fitarem;
— Oi papai... — disse com a voz embargada ;
— Sakura? — ele não acreditava no que via — É você mesmo minha filha?
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