Notas iniciais
Terça é dia de que? Capítulo novo o/ Você estão prontas crianças? Nesse capítulo tem narração de Sakura e Naruto ;) Iene* = moeda japonesa Meus amores eu gostaria muito de agradecer a todos, cada dia que a passa fic vem crescendo e eu estou muito feliz. Devo isso a vocês ♥ Sem mais delongas, lá vamos nós... Boa leitura...

Por Sakura

Eu não pude acreditar na cena que via, meu pai estava bem ali na minha frente, eu queria abraçá-lo, mas os meus pés me traíam mantendo-se presos ao chão, não conseguia mexer minhas pernas e parece que papai também não.

Ele tinha me feito uma pergunta, mas eu não conseguia responder devido ao nó que se formava em minha garganta. Era tudo muito estranho, eu queria aquilo, mas não sabia como agir. Respirei fundo, contei mentalmente até dez, mas parecia ser até o cem.

— Sim papai, sou eu – falei rápido demais para que minha voz não me traísse;

— Minha filha, eu não acredito que estou te vendo aqui – papai estava nervoso igual a mim, nesse momento eu senti que precisava ser forte e continuar;

— Acredite, porque é verdade – suspirei tomando coragem — Eu sei que as coisas entre nós não estão das melhores, mas já estava na hora de resolvermos isso – Eu não podia perder o fio da meada, estava quase atropelando as palavras pela voz embargada;

— Mas filha... — ele me interrompeu;

— Papai, por favor me deixe falar tudo de uma vez, eu preciso – ele assentiu – o senhor sabe porque eu saí daqui... eu tentei de todas as formas te convencer, mas eu não consegui e fui embora. Naquela época foi a melhor decisão pra mim;

— Sim, filha... Eu sei – papai falava e olhava pras suas mãos;

— Pois então, aquela Sakura que foi embora não é a mesma que está aqui em sua frente. Hoje eu sou adulta, médica, independente e dona da minha vida, mas ainda possuo assuntos pendentes. Eu não iria conseguir assumir essa Sakura adulta senão os resolvesse. Eu gostaria de te pedir desculpa por tudo que eu fiz de errado, mesmo que na minha cabeça estivesse certo – respirei fundo – Gostaria de ter o senhor em minha de novo, será que o senhor também me aceita na sua?

— Sakura... — papai sem palavras era muito raro – Eu sei que eu nunca fui o melhor pai do mundo, mas é lógico que eu quero minha filha de volta a minha vida, você não sabe o quanto eu esperei por este momento.

Antes que ele falasse mais alguma coisa corri até ele, me joguei em seus braços e desabei todos o choros guardados da saudade que eu sentia dele. Demorei, mas entendi que papai foi tão vítima do destino quanto eu, ou até pior. Além de perder sua mulher, ele também tinha perdido sua filha, mas por escolha minha que decidi ir embora.

Quando eu cheguei a essa conclusão me senti tão cruel, me culpei durante muito tempo, mas culpa não resolve as coisas erradas que fazemos, ela nos mostra que não devemos fazer aquilo mais uma vez. Tudo na vida é aprendizado... Mamãe sempre me dizia que na vida aprendíamos as coisas por duas formas, pelo amor e pela dor, mas no fim tudo será aprendizado. Culpa é dor e eu convivo com ela desde quando fui embora.

— Me perdoa papai, por favor – chorava em seus braços – naquela época eu não sabia o que eu sei hoje. Me desculpa por tudo;

— Meu amor, a flor de cerejeira mais bonita do meu jardim é claro que eu te perdoo. Você é minha filha – papai também chorava, mas de forma discreta, do seu jeito – eu também poderia ter facilitado as coisas, ter enxergado o seu lado, mas eu fiquei cego pela dor da perda de sua mãe e pela minha teimosia;

— Eu te amo papai, eu senti muito a sua falta;

— Eu te amo, minha menina – colo de pai era tudo que eu precisava agora – saudade é pouco perto do que eu senti.

Eu e papai conversamos por um bom tempo e sobre várias coisas. Ele perguntou onde eu estava e falei que estava na casa do Naruto e expliquei pra ele os motivos, e ainda bem que ele entendeu, um desafio de cada vez, eu disse.

Falei que o queria na minha vida o mais presente possível, sempre que eu pudesse eu viria a Konoha e sempre que ele pudesse ele iria a Tóquio. A vida de médico é apertada, mas daríamos um jeito. Conversamos sobre a profissão e ele dizia que tinha muito orgulho de mim, ele guardou todos meus artigos publicados e sempre pergunta de mim aos seus colegas da capital que trabalham no mesmo hospital que eu.

— Filha, vamos visitar o hospital, muita coisa mudou por aqui e eu gostaria de te mostrar – ele me dizia empolgado e me cortava o coração ter que negar, mas eu ainda não estava pronta;

— Papai, eu cheguei hoje de viagem e estou um pouco cansada. Estou de férias e tenho um tempinho pra ficar aqui em Konoha, podemos fazer isso depois do casamento de Naruto e Hinata? Eu prometo que visitarei tudo que o senhor quiser – sorri pra ele;

— Tudo bem minha filha. Vou organizar tudo por aqui para que possamos fazer isso – papai abria o maior sorriso do mundo pra mim.

— Está certo, pai. Agora eu preciso ir, fica bem, tá? — dei um beijo em sua testa – te amo!

— Te amo, minha pequenina – fez um carinho em minhas bochechas;

— Ah, só mais uma coisa, você irá ao casamento? — perguntei antes de sair;

— Eu não ia, mas agora eu tenho motivos de sobra – ele me deu um sorriso caloroso;

— Então, nos veremos lá – dei mais um abraço apertado – Tchau pai, te amo!

— Tchau meu amor... Papai também ama você – não pude controlar a vontade de chorar ele não falava assim comigo desde os meus 10 anos. Me deu um beijo na testa e eu parti.

Saí dos hospital extasiada, eu estava tão feliz, menos de 24 horas em Konoha e eu já tinha passado por um turbilhão de emoções. Acho que eu conseguiria resolver tudo que deixei pra trás, mas minha mente me traiu e eu me lembrei dele.

Ele não estará aqui na minha estadia, talvez seria melhor pra nós dois. Eu magoei demais o Sasuke e ele não mereceu metade do que eu fiz. Talvez ele seria o único a não me perdoar por motivos óbvios.

Mas não era hora pra pensar sobre aquilo, então eu afastei meus pensamentos porque eu ainda precisava ir em outro lugar, uma porca teria uma surpresa. Era pra eu ter ligado pra ela, mas no calor das emoções esqueci completamente, espero que ela esteja em casa.

Eu tinha o endereço da nova casa da Ino, nunca pensei que o usaria, mas ela me deu na esperança de que um dia eu a visitasse e finalmente esse dia chegou. Não é tão distante do hospital logo estacionei o carro, bati em sua porta e ela me atendeu

— TESTUDA!!! – aquela filha da mãe gritou quando me viu, com Naruto e Ino eu ficaria surda logo;

— PORCA IMUNDA!!!! – eu gritei eufórica foi ela que pediu;

— Não acredito que você está aqui – me fitou com os olhos surpresos, como se ela não soubesse que eu viria a Konoha, eu só não dei tantos detalhes de quando chegaria;

— Porra, se eu ganhasse um iene* por cada pessoa que me disse isso hoje, eu estaria rindo de vocês em Paris — acho que eu exagerei um pouco, esse meu lado atriz às vezes fala mais alto;

— Talvez seja porque você ficou sumida por muito tempo – ai, essa doeu.

— É, eu sei... — acabou saindo triste – mas agora eu estou aqui – sorri;

— Tudo bem, testuda, eu te entendo — ela me abriu um sorriso – entra aqui, pra depois você não me chamar de mal educada – me deu língua, minha amiga tinha 25 anos, mas sua idade mental era de 05.

— Até que enfim, porca mal educada – gargalhei.

A casa de Ino era bem sua cara, tudo de acordo com as novas tendências, ou eu achava que era assim, nunca liguei muito pra esse tipo de coisa, ao contrário de Ino, então eu apostei que tudo aquilo vinha das revistas de decoração.

Ela era dona de uma loja de floricultura famosa aqui de Konoha, ela sempre amou flores. Se formou em biologia, mas fez especialização em botânica. Já estava casada com Sai há quatro anos, ele é advogado por isso vivi sempre correndo, mas ela estava feliz e era isso que importava.

— E por que você não está na sua loja agora? — perguntei.

— Saky, preciso te contar uma coisa – lá vem – eu estou grávida – minha amiga corou, nunca achei que esse momento chegaria – por conta da gravidez estou enjoando muito com cheiro das flores;

— O que? Como assim? — não acreditei no que tinha ouvido, grávida???

— Porra, você é a médica e pergunta como assim – ela ria – prefere a história da cegonha ou da sementinha?

— Idiota – cerrei os olhos pra ela;

— Estávamos tentando há algum tempo – ela confessou – e agora conseguimos – me deu um sorriso feliz e com olhos brilhantes – já estou com três meses — só depois que ela falou isso, eu pude notar um pequeno volume através de sua blusa;

— Estou tão feliz por você, nunca imaginei você... mãe – sorri pra minha amiga que parecia estar nas nuvens, mas ainda descrente daquela possibilidade;

— Obrigada, Saky... eu também nunca imaginei, mas a vida sempre muda – ela não parava de sorrir – Pensei que não conseguiria engravidar por causa da minha endometriose, mas nada que Tsunade-sama não resolvesse.

— Minha madrinha sempre maravilhosa, mas por que você nunca me contou sobre isso? Você e Sai seguraram essa barra sozinhos – indaguei.

— Saky, você sabe que não sou de falar da minha vida por aí. Tentei te contar algumas vezes, mas eu tinha medo, se não desse certo quanto menos pessoas soubessem, melhor – confessou cabisbaixa e aquilo me apertou o peito;

— Minha porca – puxei seu queixo para que seus olhos me encarassem — não faça mais isso. Eu estou aqui sempre pra tudo que precisar – lhe abracei – você nunca desistiu de mim e eu faria o mesmo por você;

— Obrigada, testuda – ela bateu na minha testa – então, me conte mais sobre sua visita.

— Bom, eu aproveitei o casamento de Naruto e Hina pra poder resolver minha vida por aqui. Já fui no jardim das cerejeiras, visitei o papai e agora estou aqui. Encontrarei o restante do pessoal no casamento mesmo. Hina tá surtando e eu quero ajudar esses dias que antecedem a cerimônia;

— É,você tem muita coisa pra resolver mesmo – ela parou pra me analisar, esse jeito de Ino ainda me assusta — Mas não está faltando nada? Ou alguém? – Ino não deixava nada escapar e eu não pude deixar de revirar os olhos pra ela, porca intrometida;

— Eu sei do que você esta falando, ou melhor de quem, mas ele não estará aqui. Naruto me disse que ele está fazendo Mestrado nos EUA e não teria como vir ao casamento. Talvez seja até melhor assim – falei mas nem eu acreditei no que disse e provavelmente nem Ino;

— Você quer enganar quem, Sakura? — eu sabia – Uma pena que ele não estará aqui, Naruto deve estar uma fera por isso.

— Eu não quero enganar ninguém – falei, mas sabia que não engava Ino. Ela sabia que eu estava triste e eu também – Naruto não entrou em muitos detalhes comigo, ele sabe que esse assunto é delicado pra mim.

— Eu sei – disse por fim, ainda bem que ela não insistiu nisso.

Conversamos sobre minha visita a papai, sobre minha vida no hospital, minhas tentativas frustradas de engatar um relacionamento, sobre minhas pretensões daqui pra frente.

Ino era insaciável, mas eu estava com saudade daquela peste. Quando eu saí de sua casa já era de noite, Naruto e Hina podiam estar preocupados e eu não queria incomodar. Saí da casa de Ino e fui em direção a casa dos meus amigos.

Por Naruto

— Hina-chan, eu estou preocupado com essa situação. Sasuke e Sakura vão se encontrar no casamento e eu disse aos dois que eles não se encontrariam – Sakura ia me matar e Sasuke também, minha mulher seria viúva antes de casar, eu tinha que apelar por Hinata;

— Meu amor, você não mentiu no todo. Quando mandamos o convite a Sakura, Sasuke tinha nos avisado que não poderia vir devido ao curso – realmente aquilo era verdade;

— Mas ele ligou logo depois, podíamos ter falado a ela quando descobrimos e eu podia ter contado a ele que ela viria;

— Naruto-kun, se falássemos ela poderia desistir de vir. Não gosto de ser dona do destino e nem nada do tipo, mas já está na hora desses dois se encontrarem e se resolverem de uma vez. Saky veio para o nosso casamento, mas não foi só por isso que ela veio a Konoha e você sabe disso. Nosso casamento foi o empurrãozinho final – ela disse e me deu uma piscadela charmosa;

— Eu amo aqueles dois teimosos, mas eu vi como o Sasuke ficou – lembrei de como meu amigo ficou triste naquela época – Espero que eles não se matem e me matem;

— Eles não fariam isso, eu não deixaria – aquela mulher sabia me convencer como ninguém, que sorte a minha;

— Obrigada, meu amor. Te amo.

— Te amo – depois de tantos anos e ela ainda corava, eu podia ficar admirando aquilo a vida toda.

Eu espero que eles não me matem mesmo, precisava ligar pra Itachi pra ele me ajudar, vou contar que Sakura está aqui. Sasuke não comentou com ninguém que voltaria além de mim, Hina porque eu falei, seu irmão e seus pais. Ele achou melhor assim, Sasuke sempre foi muito reservado e depois que Sakura foi embora piorou. O fato dele gostar de estar sempre com os amigos não significava que ele contasse a sua vida pra eles.

— Amor, sei de uma pessoa que pode me ajudar – disse chamando a atenção de Hinata;

— Quem meu amor?

— Itachi – disse por fim;

— Itachi? — perguntou surpresa;

— Sim, ele conhece os dois tão bem quanto eu – tirei o celular do bolso – ele vai me ajudar a resolver essa situação;

— Se você diz meu amor, confio em você – ela se levantou do sofá – vou preparar o jantar então – selou nossos lábios e foi em direção a cozinha.

Encarei meu celular por alguns minutos, no fundo eu pedia mentalmente aos deuses que Itachi me ajudasse, senão eu morreria sozinho. Porra Naruto, você tá foda de tão dramático, esse período pré-cerimônia ainda vai me deixar maluco. Me afastei desses pensamentos vibe novela mexicana e liguei pra Itachi que não demorou pra atender.

— Naruto? — ele parecia surpreso com a minha ligação;

— Oi Itachi, sou eu – minha voz saiu cansada;

— Que voz é essa baka?

— Preocupação – falei derrotado;

— Que merda você fez, Naruto? — ele me perguntou preocupado;

— Preciso de sua ajuda – pedi com urgência;

— Não foi isso que te perguntei – Itachi quando queria era impaciente igual a Sasuke, puta que pariu;

— Vai dar no mesmo – puxei o ar e a coragem junto – Sakura está em Konoha – disse bem baixinho;

— Naruto, acho que eu não ouvi direito – ele ouviu, só não estava acreditando;

— SAKURA ESTÁ EM KONOHA – gritei;

— Puta que pariu – ele suspirou – como isso aconteceu?

— Eu a convidei pra meu casamento e ela veio – disse por fim;

— Eu não posso acreditar – ele disse num sussurro;

— Mas é verdade, ela está hospedada aqui na minha casa;

— Não posso acreditar... — disse mais uma vez e suspirou – chego aí em 15 minutos;

— Itachi, você tá louco? — ele nada me disse porque não estava mais na linha.

Parabéns, Naruto agora você fez uma cagada magistral... Sakura vai me matar duas vezes se é que isso é possível. Tô na merda!

Por Sakura

Cheguei na casa do Uzumaki por volta das 20:35h, ainda bem que não era tão tarde. O dia foi de grande surpresas, agora eu precisava de um banho, comida e depois cama. Ao deixar o carro devidamente estacionado na garagem fui entrar na casa e percebi que a porta estava entreaberta.

Ouvi vozes, todas familiares, mas uma chamou minha atenção e meu coração parou. Eu conhecia aquela voz... Mas o Naruto disse que era impossível... será? Antes que eu percebesse minhas pernas foram mais rápidas que meus pensamentos e eu já entrava na sala.

— Até que enfim, Sakura-chan – gritava Naruto me recepcionando e então o rapaz de cabelos negros se virava pra mim;

— Sakura? — me fitou surpreso e meu coração acelerou — Não acredito nos meus olhos – disse como se fosse impossível eu estar ali;

— Cun... – me interrompi, sério Sakura? — Ita-kun?! — consertei minha burrada, estava surpresa em vê-lo — Meu Deus, é mesmo você – corri e fui abraçá-lo.

Ele e Sasuke são extremamente parecidos e na voz não era diferente, por um momento eu achei que fosse ele, ou eu queria acreditar que fosse, mas também fiquei feliz por quem era. Menos a parte de quase chamá-lo de cunhadinho. Eu sei que não passou desapercebido por ele, mas vou fingir que nada aconteceu

— Eu que o diga – correspondeu ao meu abraço me apertando e me tirando do chão.

— Que saudade – minha voz estava meio embargada, mas segurei as lágrimas. Itachi sempre foi como meu irmão mais velho e eu sentia uma falta imensa dele.

— Eu também estava morrendo de saudade da minha irmã rosada — disse afagando meus cabelos;

— Vamos parar com esse abraça, abraça? – o loiro nos interrompeu — Tô com ciúme já – Naruto sempre muito dramático;

— Deixe disso baka, ela tá na sua casa, você pode abraçá-la o tempo todo– disse Itachi dando um tapa na cabeça de Naruto;

— Eu sei, mas mesmo assim – mostrou a língua, mas é muito adulto mesmo;

— NARUTO, VEM AQUI NA COZINHA – gritou Hina, sem falar nada ele foi. Agradeci mentalmente a ela por isso.

— E, então... quer dizer que minha irmãzinha é médica? — Itachi esperou Naruto saí da sala e voltou sua atenção a mim;

— Sim -sorri pra ele — e você terminou seu curso de engenharia civil? — perguntei

— Terminei sim – me deu uma piscadela e ajeitou a gola da camisa, com uma das mãos enquanto a outra segurava um copo, com um ar de superioridade disse — e já assumi a Construtora Uchiha – me deu um sorriso, mas logo ficou sério — Mas então, o que faz de volta a nossa humilde Konoha? — me perguntou. Mas será possível, de novo essa pergunta?! Itachi é pior que Ino, ele só não grita;

— Vim para o casamento de Naruto e Hina oras – dei um soquinho em seu ombro direito, espero que ele acredite;

— Sakura, por favor, né? – me fodi – Desembucha logo – falou impaciente e tomou um gole da sua bebida;

— Bom, eu vim para o casamento deles obviamente – apontei pra Hina e Naruto na direção da cozinha — e consertar minhas burradas que fiz antes de ir embora daqui – era melhor falar logo mesmo, e no fundo eu sempre gostei de conversar com Itachi;

— Hum... e como está indo? — ele não deixaria passar nada.

— Estou indo bem, hoje fui no jardim de cerejeiras, revi o papai, visitei a Ino... pra menos de um dia aqui, já fiz bastante coisa – abri um sorriso que não abalou Itachi, ele sempre foi um amor comigo, mas também sabia ser frio;

— Realmente, bastante coisa – circulou a borda do copo com o dedo e me encarou — Mas acho que falta uma pessoa – ele dizia e me olhava curioso esperando a minha reação;

— Eu sei, tá Itachi, mas ele não estará aqui, então não posso fazer nada – falei meio puta porque aquilo era óbvio;

— É verdade, mas isso não impede que você venha depois – ele foi o único que fez essa observação pra mim e me deixou meio sem saber o que falar;

— E-eu sei – gaguejei, ele tocou na ferida — mas não sei se devo, eu não sei se estou pronta pra isso – senti minhas pernas tremerem só com a possibilidade daquilo acontecer, Itachi não estava aliviando pra meu lado;

— E quando você estará... daqui há mais nove anos? — ele disse frio. As suas palavras foram objetivas e cortantes, senti meus olhos encherem de água e minha garganta se fechar em um nó;

— Itachi... por favor... — pedi com a voz embargada, mas ele não parou;

— Sakura, te amo como minha irmã. Te vi crescer e sei por tudo que você passou, mas eu também sei o depois de quando você foi embora — cada vez que ele abria a boca lágrimas brotavam dos meus olhos e mesmo assim ele continuou – Não quero te cobrar nada, mas eu acho que meu irmão merece ao menos uma conversa e um pedido de desculpas;

— Eu sei – suspirei e sequei meu rosto — assim que ele voltar eu darei um jeito de falar com ele, no fundo eu preciso disso também. – por mais angustiante que fosse era uma alívio poder conversar sobre Sasuke com alguém que o conhecesse tão bem — Obrigada;

— Tudo bem, agora para de chorar que hoje é dia de alegria, você está aqui – ele disse abrindo um sorriso que tanto amo e me abraçou;

— Te amo, boboca – falei;

— Eu também te amo, minion – afagou meus cabelos;

— Minion? — não entendi

— Aqueles bichinhos amarelos do desenho, que usam macacão e óculos– lembrei de uns bonequinhos que as crianças brincavam no hospital e recordei que uma delas tinha me dito que os bonecos eram minions e gostavam de banana;

— Mas o que eles têm a ver comigo? — eu realmente queria entender;

— Você tem o mesmo tamanho que eles – ele gargalhou;

— Vai se foder, Itachi – ele riu mais ainda com minha cara de raiva;

— Com a mão esquerda ou direita? — perguntou entre risos;

— Você ainda tá nessa vida de punheta? — perguntei fingindo incredulidade era minha vez de sacanear – adultos transam, sabia? — gargalhei;

— Haruno Sakura, eu ainda sou mais velho que você e exijo respeito – eu revirei os olhos e mostrei os dois dedos do meio;

— Mais velho que não transa e vem descontar sua frustração na minha falta de altura – gargalhei e nem ele conteve o riso.

Apesar das palavras que Itachi me disse foi muito bom conversar com aquele baka. Eu sentia muita falta dele e muito culpada por tê-lo abandonado também. Mas o mais engraçado de tudo é que parecia não ter se passado nove anos, porque conversávamos e brincávamos da mesma forma que antes.

Conversamos mais um pouco e logo Hina nos chamou pra jantar. Falamos besteiras e demos muitas risadas, mas o que Itachi me falou martelou durante o jantar e está martelando até agora. No fundo, ele tinha razão, eu precisava falar com Sasuke.

Me despedi de Itachi, Naruto e Hina, estava cansada precisava de um banho e dormir, amanhã iria sair com Hina pra resolver umas pendências do casamento e claro organizar a despedida de solteira dela, tinha falado com Ino e ela me ajudaria.

Depois de um bom banho me joguei na cama, mas por mais cansada que eu estivesse o sono não me abraçava. Repassei mentalmente todo o meu dia, mas eu sempre parava nas palavras de Itachi “E quando você estará... daqui há mais nove anos?”. Toda vez que aquela frase ecoava em minha mente era como se uma faca fosse enfiada em meu peito, parecia uma tortura particular que eu não conseguia me afastar, talvez pelo fato da culpa me abraçar.

Quando isso acontece comigo eu ouço música e dessa vez não foi diferente. Levantei-me da cama e peguei meu iPod na bolsa. Coloquei a música bem alta pra abafar meus pensamentos, mas de novo a música me traía. Selecionei uma pasta aleatória e a batida leve me envolveu, reconheci de prontidão aquela banda... era Coldplay, então a voz doce e acolhedora de Chris Martin ecoou em meus ouvidos dominando minha mente, mas em nenhum momento calando as vozes que me atormentavam.

Come up to meet you, tell you I'm sorry

Vim pra lhe encontrar, dizer que sinto muito

You don't know how lovely you are

Você não sabe o quão amável você é

I had to find you, tell you I need you

Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você

And tell you I set you apart

E te dizer que eu escolhi você

Tell me your secrets, and ask me your questions

Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas

Oh let's go back to the start

Oh, vamos voltar pro começo

Running in circles, coming up tails

Correndo em círculos, perseguindo a cauda

Heads on a science apart

Cabeças numa ciência à parte

(The Scientist — Coldplay)

A música externalizava aquilo que eu carregava em meu peito, talvez se eu a cantasse pra Sasuke ele compreenderia o que eu queria dizer, mas será que eu teria coragem pra isso? Ou melhor ele iria me perdoar? Como seria nosso encontro depois de tantos anos? Nesse mar de incertezas e melodia lenta eu adormeci mergulhando em um olhar cor de ônix que era a minha perdição e a minha salvação.

Notas finais
E, aí gente... Gostaram? Itachi chegou chegando pessoal... Curtiram a narrativa de Naruto? Amo quando vocês comentam ♥ Sexta tem capítulo novo ;D Beijinhos da Jessi-chan ;**