Daylight
12 A valsa e o excesso de álcool
Notas iniciais
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz
(Só sei dançar com você — Tulipa Ruiz)
Por Sasuke
Eu não estava preparado pra encontrar Sakura e acho que nem ela estava pronta pra isso... Hoje nós somos adultos, deveríamos portanto sermos maduros para tal possibilidade de um encontro. Mas parece que as coisas entre nós nunca houve um final realmente.
É um tanto difícil de explicar e assimilar. Se eu disser que não guardo mágoas ou ressentimentos eu estaria mentido, mas se eu disser que não fiquei feliz em vê-la eu seria um belo de um idiota e claro, mentiroso.
Aconteceu tudo muito rápido, nos vimos, depois tivemos que entrar juntos como padrinhos... Nove anos de distância e agora estávamos de braços dados. As pessoas nos olhavam com surpresa e curiosidade, eu entendo, mas eu não gostei, foi desconfortável. O único que parecia se divertir com a situação foi Itachi, aquele ser não pode ser meu irmão, ele estava achando graça de tudo aquilo, mas nem eu e nem Sakura deixamos de lançar nossos olhares mortais.
Outra coisa que não gostei foi o olhar daquele sobrancelhudo do Lee pra Sakura, não sei como ela não secou com ele a olhando daquele jeito, com certeza a sobrancelha atrapalhou. Depois de tanto tempo e ele não desiste. Eu entendo que Sakura está linda, mas por favor vamos maneirar, nem eu que sou ex-namorado olhei pra ela daquele jeito.
Ela ficou inquieta boa parte da cerimônia e até chorou na frente de outras pessoas. Eu sei o quanto pra ela isso era difícil, Sakura nunca foi muito sentimental, mas como é um casamento, deve provocar isso nas pessoas.
— Quem diria, Sakura chorando com uma plateia em volta... — eu disse num tom engraçado, mas foi para afastar a surpresa diante da cena;
— Cala a boca, Sasuke – ela disse e me deu uma cotovelada, mas ela não estava chateada, tanto que sorriu, aquele sorriso que ilumina tudo por onde passa;
— Sempre doce – fingi indignação e revirei os olhos, e para minha surpresa ganhei outro sorriso. Essa mulher se não me matar hoje, não me mata nunca mais.
Quando eu achei que não poderia ficar melhor eu vi Sakura corar quando Hinata lhe entregou o buquê, ela tentou disfarçar, mas nada passa sob meu olhar e eu não pude deixar de sorrir com aquela cena.
Depois da cerimônia fomos para a mesa dos noivos, Sakura e eu sentamos lado a lado porque marcaram nossos lugares, tô começando a implicar com essa organização. Mas pelo menos eu ganhei uma visão privilegiada da rosada que está um verdadeiro espetáculo. Ela fez até uma tatuagem grande na costela, eram vários galhos de cerejeira, quem diria, ficou bem sexy devo admitir. Foco Sasuke, foco!
— Estou me sentindo um pedaço de carne – murmurou Sakura tirando-me dos meus devaneios;
— O que Sakura? — perguntei, achando que ela falava comigo;
— As pessoas... nos olhando – ela disse meio resistente e confirmando que estava tão incomodada quanto eu;
— Te incomoda? — perguntei, mas eu sabia que era isso;
— Eu não gosto das pessoas me olhando desse jeito – deu de ombros;
— Impossível não olhar, você está linda – eita boca que não se controla Sasuke, mas era verdade;
— Obrigada, você também – ela hesitou um pouco — está muito elegante – toma aí pra vê se aprende, Sakura sempre muito fofa, só que não;
— Dia de festa, não poderia menos que isso – disse e dei uma piscadela pra ela não perceber que me afetou;
— Convencido – ela me disse e eu não pude deixar de sorrir.
Antes que eu dissesse mais alguma coisa Naruto e Hinata chegaram na mesa em que estávamos, dei parabéns aos dois e Naruto foi logo me puxando pra conversar enquanto Hinata e Sakura conversavam um pouco distantes de nós dois.
— O que foi baka? — perguntei rude, ele sabe que eu odeio que me puxem pelo braço;
— Mais doce que isso só chupando limão — ele disse rindo sozinho dessa merda de piada — você não tem jeito mesmo;
— Fala logo o que você quer Naruto? — custa falar logo?
— Tá – hesitou — como é que vocês estão? — ele me perguntou;
— Normal, a gente não conversou muita coisa – dei de ombros;
— Não conversou, mas em compensação você secou Sakura até onde não podia mais – ele disse rindo, fui pego... ótimo;
— Mentira sua, ela tá só bonitinha – que mentira mais deslavada;
— Você nunca foi bom em mentir, Teme – ele me disse segurando o riso;
— Hn — queria dar um murro nele;
— Tudo bem, conversamos outra hora – ele disse por fim.
E antes que eu pudesse responder fomos interrompidos por Amaya, a menina do buffet, falando que era a hora dos discursos para os noivos. Todos que estiveram no altar tinham de discursar, que ótimo, mais essa.
Eu era o penúltimo, pelo menos dava tempo pra eu pensasse em alguma coisa. Sakura também não gostou da ideia e ficou mais impaciente do que eu. Não prestei muita atenção no discurso dos outros, eu precisava pensar no meu, logo depois de Tsunade era minha vez e ela não demorou muito a chegar.
Aquelas pessoas me olhando não tornou nada muito fácil, se um dia eu casar pouparei as pessoas desse momento constrangedor.
" Naruto e Hinata, o que falar desses dois? — aquilo era uma verdade, odeio falar sobre as pessoas, pra piorar, ainda mais na frente das delas — Sempre estive tão perto de vocês, compartilhei dessa felicidade e desse amor desde quando vocês ainda eram apenas amigos e tentavam disfarçar de que não existia algo mais ali, mas todos os nossos amigos sabiam, vocês são péssimos em disfarce – não pude deixar de sorrir, tudo aquilo era verdade e a plateia me acompanhou dando gargalhadas — Hoje na verdade eu só tenho a agradecer. Obrigada por ser padrinho e testemunha do amor de vocês – Dona Mikoto sempre me disse: Quando você não souber o que falar, agradeça que sempre dar certo. Foi o que eu fiz — obrigada por me fazer acreditar no amor de verdade, aquele que nos enxerga além do que aparentamos mostrar, aquele que entende os nossos defeitos e valoriza as nossas qualidades... Vocês são a prova viva de que ele existe.” – eu não pretendia dizer isso, mas saiu sem que eu percebesse e meu olhar foi direto pra Sakura, que ficou surpresa com minha ação e minhas palavras, pra falar bem a verdade nem eu estava me entendendo muito bem. Mas no fundo eu sabia que nosso amor sempre foi de verdade, mesmo que ela tenho ido embora sem mais e nem menos.
No caminho de volta pra mesa eu e Sakura nos esbarramos e ficamos algum tempo nos encarando. Sakura chorava mais uma vez, ela parecia uma menina frágil e eu senti uma vontade enorme de lhe dar um abraço e deixá-la chorar em meu peito, mas antes que a racionalidade me deixasse eu passei por ela indo em direção à mesa.
Assim que eu cheguei na mesa Naruto e Hinata me deram um abraço e agradeceram pelo discurso, mas minha atenção voltou logo a Sakura. Seu rosto estava vermelho e seus olhos bem inchados, me arrependi de não ter dado o abraço, mas foi mais forte do que eu.
"Bom — ela começou, mas ainda parecia buscar as palavras certas, Sakura nunca gostou muito disso – desculpa o palavrão, mas é foda ficar por último quando todo mundo já disse coisas lindas a vocês— lógico que ela ia xingar, sinal de que ela está nervosa – De todos os casais aqui presente, vocês dois foram o que deu mais trabalho— isso foi verdade, ô casal devagar — Pense num casal que sempre se amou, mas não sabia como falar um pro outro? Acertou quem disse Naruto e Hinata — todos riram, mas desse vez eu me mantive sereno olhando pra ela e seus olhos encontraram os meus, estávamos estudando um ao outro –Eu vi o amor de vocês nascer e acreditem é um privilégio pra mim está aqui hoje, presenciando isso. Eu sei que fiquei afastada por um tempo – não acreditei quando ela falou aquilo, nem parece a Sakura que eu conhecia - A vida às vezes nos leva a caminhos que nem podemos imaginar— eu ainda estava surpreso, mas aquilo não parecia mais um discurso, e sim uma explicação e foi nesse momento que ela me encarou, eu fui fraco e não consegui sustentar o olhar esmeraldino, senti um aperto no peito – Eu só queria dizer que estou muito feliz por estar aqui, desejo que o amor de vocês cresça ainda mais e que vocês sejam tão felizes até explodir o coração, mas não no sentido literal— eu ri junto com os convidados, mas eu estava nervoso como aquele discurso – obrigada por não desistirem de mim, eu amo vocês— eu não pude acreditar no que eu ouvia, depois disso eu tive certeza de que ela estava se justificando. Ela não conseguiu conter as lágrimas, parecia de novo uma menina pequena.
Ela saiu correndo do palco em direção a nossa mesa, Naruto e Hinata a esperavam em pé. Eu não consegui me mexer. Assim que ela chegou, eles a abraçaram e ela mais uma vez chorava, só que agora ela também soluçava, mesmo preocupado eu não conseguia sair do lugar.
— A gente jamais desistiria de você Sakura-chan, é isso que fazem os amigos – Naruto dizia pra ela, mas me olhava esperando que eu esboçasse algo, mas eu estava surpreso demais;
— Nós te amamos, sua boba – Agora foi a vez de Hinata falar e também me olhar.
Então Sakura ficou ali por um tempo, mas saiu do abraço e passou a me encarar. Ela esperava por alguma coisa, mas eu não sabia o que fazer, assim como eu não soube o que fazer anos atrás quando ela deixou Konoha e me deixou.
Meu peito apertou mais e eu finalmente tomei coragem pra fazer alguma coisa, mas logo fomos interrompidos por Amaya de novo. Puta que pariu, essa menina sempre chegava pra trazer notícia ruim e agora me interrompe num momento desse, parece até coisa armada vou te contar.
Que ótimo, os padrinhos terão que participar da valsa dos noivos, eu sabia que essa menina ia trazer notícia ruim, eu odeio dançar, mas que saco. Naruto me paga, o destino me castigava pela minha teimosia, eu sabia que era pra ter ficado o restante do tempo nos EUA e eu não passaria por isso, inferno!
— Primeiro serão os noivos – explicava a portadora de má notícia – depois entram os casais Iruka e Karin, Neji e Tenten, Tsunade e Jiraya, e Sakura e Sasuke – de novo, mais uma vez eu e Sakura — depois vocês revezam para dançar com os noivos.
Fomos em direção a pista de dança, Naruto e Hinata, e os demais casais foram na frente, ficando por último eu e Sakura. O silêncio entre nós estava gritante, a coragem que eu tinha arrumado foi pro ralo, mas a rosada é mais teimosa que eu.
— Por favor, não me deixe cair — ela disse quebrando aquele silêncio irritante;
— Eu te digo o mesmo – respondi dando um sorriso. Eu jamais deixaria ela cair, mas ela não precisava saber;
— Puta merda, eu queria saber quem inventou isso... — Parece que alguém seria assassinado por duas pessoas;
— Somos dois – eu até tentei passar raiva, mas eu me divertia com a ideia.
Naruto e Hinata começou com a primeira valsa e depois os demais casais entraram na pista de dança. Ficamos de frente, seus olhos logo pousaram nos meus, ela colocou a sua mão esquerda sobre meu ombro direito e eu coloquei a minha mão direita em suas costas e então eu senti a pele de Sakura mais uma vez.
Senti que ela se arrepiava sob meu toque e eu adorei aquela sensação que eu provocava nela. Correntes elétricas passaram pelos nossos corpos e estávamos com a respiração irregular. Puxamos o ar ao mesmo tempo, demos as mãos e nossos olhares se cruzaram mais uma vez.
Deslizamos pela pista de dança, nossos olhares não deixaram de se cruzar por um minuto, mas aquilo passou rápido demais pra meu gosto. Agora eu me encontrava dançando com Hinata e Sakura estava com Naruto.
— Vê se agora vocês entendem — disse Hinata chamando minha atenção;
— O que? — perguntei, mas eu tinha ouvido o que ela disse;
— Você e Sakura... tá na hora de vocês se entenderem – disse me encarando;
— Ela que foi embora – disse seco, não queria falar daquilo;
— Mas agora ela está aqui e você também – me repreendeu – não perca essa chance que o destino está dando a vocês.
Eu não queria mais falar sobre aquilo e graças ao DJ a música parou e palmas ecoaram pelo lugar. Saí dali e fui ver meus pais. Ainda não tinha falado com eles desde que cheguei.
Por Sakura
— Sakura-chan? — Naruto chamava a minha atenção em meio a valsa;
— Oi... — disse relutante tentando tirar os olhos de Sasuke;
— Obrigada e desculpa mais uma vez – acho que toda vez que ele falar comigo vai me pedir desculpas;
— Naruto, esqueça isso... já passou – dei de ombros;
— Está bem – deu um suspiro, lá vem coisa – espero que vocês se entendam – me deu um olhar esperançoso;
— Acho que no fundo eu também – disse desviando meu olhar pra Sasuke que também me olhava;
— É só você dizer isso pra ele – ele fava como se fosse óbvio, mas não era fácil assim;
— Não é tão simples – murmurei;
Naruto nada me disse percebendo que eu não queria mais falar sobre aquilo. Não demorou muito e a música acabou. Dei um último abraço em meu amigo e fui falar com meu pai, não demorei muito a encontrá-lo.
— Pai – chamei
— Oi filha – falou me dando um abraço;
— Desculpa por só falar com o senhor agora – disse ainda o abraçando – os bastidores de um casamento são uma loucura – disse por fim saindo do seu abraço;
— Tudo bem, filha – me deu um sorriso – à propósito você está linda – segurou minha mão e girou meu corpo;
— Obrigada pai... Sempre muito galante — dei uma piscadela pra ele;
— Só falei a verdade – disse apertando meu nariz, ela fazia a mesma coisa quando eu era pequena;
— Pai, sobre a visita no Hospital... pode ser na segunda? — era estranho não saber o que conversar com meu pai. Os últimos anos entre nós não foram dos melhores, mas ele era meu pai e eu sentia sua falta... e o jeito que eu achei de me reaproximar era indo visitar o hospital;
— Claro que sim – disse contente – Sabe filha, achei que você não iria...
— Eu sei, imaginei que sentiria isso, mas eu disse a verdade quando falei que queria estar presente em sua vida e queria o senhor da minha – falei sendo sincera, espero que ele acredite;
— Fico feliz por isso, minha menina – me deu mais um abraço;
— Eu também — disse sorrindo;
— Filha, eu já vou embora;
— Já? A festa mal começou...
— Eu sei, mas seu pai está muito velho e não tem mais idade pra isso – disse rindo e colocando as mãos no bolso – e amanhã cedo vou para o hospital;
— Tudo bem então, estarei no hospital segunda às 8:00h, certo? — indaguei
— Esperando ansioso por isso – disse por fim me dando um beijo na testa e logo foi embora.
(...)
Com uma taça de champanhe nas mãos vaguei um pouco observando a festa e aproveitei pra fugir de Lee também. Naruto e Hina estavam um absurdo de felizes. Todos meus amigos estavam na pista de dança, mas eu não sentia vontade de dançar. Acho que a única coisa que fazia era trocar a taça de champanhe vazia por uma cheia. Já estava até imaginando a ressaca do dia seguinte
Perdi a hora de quanto tempo fiquei admirando as pessoas dançarem, embora eu soubesse que eu estava à procura dele. Depois de tanta bebida minha bexiga resolveu reclamar, então fui ao banheiro.
— Sakura? — fui surpreendia assim que entrei no banheiro, mas eu conhecia aquela voz
— Mikoto-san? — falei surpresa;
— Pensei que nunca mais voltaria – direta como sempre. Onde está a educação das pessoas? O oi tudo bem ou como vai você, foram pra onde?
— Eu também não, mas aqui estou – dei de ombros dando um gole na bebida – como vai você? — disse enfática;
— Bem – disse seca – e você?
— Muito bem – dei um sorriso forçado;
— Espero que não cause mais estragos... — Mais direta impossível...
— Não entendi – me fiz de desentendida, ela foi grossa e mal educada, mas eu não cairia no seu jogo;
— Você entendeu muito bem – disse em tom grave, tipicamente Uchiha – com licença;
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ela se retirou. Olhei pra minha cara de incredulidade no espelho. Não entendi nada, ela me olhava de forma tão doce quando eu estava indo em direção ao altar. Talvez o olhar tenha sido direcionado apenas ao Sasuke, como eu não pensei nisso antes?
— Vaca – ouvi uma voz conhecida murmurar me dando um susto;
— Porca? Você quer me matar do coração? — coloquei a mão no peito sentindo meu coração acelerado;
— Foi mal testuda, mas é que eu ouvi tudo e estou indignada – ela estava com a cara de que comeu e não gostou;
— Também estou sem acreditar... — tomei mais um gole de champanhe;
— Quem ela pensa que é?
— A mãe do cara que eu abandonei anos atrás... tá bom pra você? — respondi como se fosse óbvio;
— Eu sei, mas isso não dá o direito dela te tratar dessa maneira – podia passar o tempo que fosse, Ino jamais mudaria esse jeito protetor dela;
— É só uma mãe protegendo seu filho – dei de ombros e ela bufou. Eu não sou mãe, mas eu entendo o comportamento de Mikoto, embora não aprove;
— Se você não liga fico mais tranquila – hesitou, mas eu sabia que ela queria saciar sua curiosidade – pode ir me contando toda essa confusão
— Que confusão, porca? — fingi que não sabia do que ela falava;
— Não se faça de desentendida, testuda – me mostrou o dedo do meio.
Contei a Ino como tudo aconteceu, ela parecia não acreditar e até me perguntou se eu não era lerda por ter me deixado enganar por alguém como Naruto. Ino parecia se divertir com todo o ocorrido e eu queria matá-la por isso, mas eu lembrei que ela estava grávida e me contive.
Depois que saímos do banheiro nos reunimos com Tenten, Temari, Tsunade, Shizune, Karui, Karin e Rin, que era esposa de Kakashi e médica oncologista lá nos hospital do meu pai. Ficamos fofocando e bebendo, menos Ino, Temari e Karui por conta das gravidezes. Agradeci mentalmente por nenhuma delas perguntarem do ocorrido, embora eu soubesse que estavam mortas de curiosidade. Já bastava o interrogatório da porca no banheiro.
Antes de ir embora, Hinata tinha que jogar o buquê, mais uma tradição louca de casamentos. Apenas as mulheres solteiras podiam tentar pegar, claro eu não participei daquela palhaçada, mas parece que o destino queria tirar uma com minha cara, porque o buquê caiu no meu colo.
Eu estava sentada na mesa com minhas amigas, a maioria era casada, tomando mais champanhe do que devia quando senti um objeto caindo em meu colo. Por conta do susto por pouco não derrubo a bebida, e aí seria uma meleira geral.
Fiquei mais vermelha que tomate... Eu não pedi nada daquilo e pra piorar ainda tive que compartilhar a provocação de Hinata com todos os convidados.
— AÊ SAKURA, PARECE QUE VOCÊ É A PRÓXIMA – a convivência com Naruto estava danificando sua sanidade mental. Todas as mulheres da mesa começaram a gritar, que vergonha.
Lee olhava pra mim com um sorriso enorme nos lábios, era só o que me faltava. A única coisa que fiz depois de corar foi baixar a cabeça por tanta vergonha. Eu não mereço tanto castigo.
(...)
Boa parte dos convidados já tinham ido embora, eu fiquei porque dormiria aqui mesmo no bangalô que Hinata usou. Eu não queria incomodar os noivos em sua noite de núpcias. Eles viajariam no dia seguinte pra Sidney e ficariam lá por uma semana. Eu acho muito pouco tempo, mas os dois não podiam se ausentar tanto por conta do trabalho deles. Eu tomaria conta da casa enquanto eles estivessem viajando.
Quando levantei fiquei um pouco tonta percebendo quanto tinha exagerado na bebida. Respirei fundo e quando não vi mais o mundo girar me despedi de todos os meus amigos que restavam, menos ele. Depois da valsa eu não tinha visto mais o Sasuke.
Antes de ir para o bangalô resolvi ir até a minha cerejeira favorita. Me permiti ficar encostada em seu tronco forte e senti o cheiro das flores. Estava sem sono, mas estava com os olhos fechados pensando em tudo o que tinha acontecido no dia de hoje. Tão absorta em meus pensamentos nem percebi que alguém se aproximava.
— Um dango por seus pensamentos... — tomei um susto quando ouvi e vi o dono daquela voz rouca;
— Puta que pariu... — coloquei a mão no peito enquanto arfava pelo susto – quer me matar do coração Sasuke?
— Desculpe, pensei que tinha percebido a minha chegada – parecia dizer a verdade;
— Não, eu estava distraída com meus pensamentos – essa era a primeira vez que ficávamos sozinhos e senti uma tensão sobre meu corpo;
— Vejo que pegou o buquê... — puta merda, esqueci que estava com ele na mão. Que ótimo;
— Eu não peguei, ele caiu no meu colo... — dei de ombros, mas estava sem graça;
— Hum... – ele também estava tenso – bom, eu já estou indo – fiquei triste, não vou mentir;
— Ah... tudo bem – não queria que ele percebesse a minha frustração – até...
— Até – ele começou a anadar, mas parou logo em seguida – você não vai embora? Já está tarde – ótimo, ele está puxando assunto;
— Não, eu vou dormir aqui – ele me olhou sem entender – bom, eu não quero atrapalhar a noite de núpcias do casal;
— Como assim?
— Estou hospedada na casa de Naruto e Hina, e eles só viajam amanhã de manhã – ele fez uma cara de quem entendeu — eu não queria atrapalhar... então dormirei no bangalô que Hina se arrumou – no nervosismo acabei falando tudo de uma vez, eu queria continuar a conversa, mas não sabia o que falar com ele;
— Hum... entendi – ele parecia não querer encerrar a conversa também, mas ele também não sabia como puxar assunto – até mais, então.
— Até – falei derrotada.
Eu não sabia se devia cumprimentá-lo, fiquei nervosa então resolvi me afastar o mais rápido possível, mas minha sandália me traiu, meu salto prendeu na raiz da árvore quebrando o mesmo e eu acabei me desequilibrando caindo por cima de Sasuke.
Nossos rostos estavam muito perto, eu sentia seu corpo tenso sob o meu. Seu cheiro invadiu meus pulmões fazendo meu coração disparar. Eu tinha que sair dali, mas eu não queria e nem conseguiria. Eu estava inebriada com aquela proximidade e o desejo dominou o meu ser, sendo mais forte que eu.
Sasuke arfava como eu e também não sabia o que fazer. Seus olhos se abriram e passaram a encarar os meus, a escuridão que ali se encontrava era extremamente convidativa. Minhas mãos estavam sobre seu peitoral definido, não resisti em apertar.
De repente senti uma mão na minha cintura e outra na minha nuca, ele me puxava para que eu ficasse mais junto a ele e quando dei por mim eu e Sasuke estávamos nos beijando desesperadamente. Não existia o mínimo de pudor entre nós dois, mas havia urgência, pressa e muita vontade.
Eu queria Sasuke e ele me queria...
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