Aerosmith – Dream On

(Sonhe)

Metade da minha vida está escrita em páginas de livros.

Vivi e aprendi dos tolos e dos sábios.

Você sabe que é verdade,

Todas as coisas que você faz

Voltam para você.

Darkness

Capítulo 12

Seu coração batia forte, eles viam uma guerra acontecendo diante dos seus olhos. Os amantes amargurados, o coração partido, a fúria da traição. Eles exalavam todas as dores inimagináveis. E lá estavam, o anjo e o demônio, sentados nos galhos do carvalho, perguntando-se qual seria o final para os dois amantes.

Sakura, a bruxa, estava em uma armadura, inapropriada para uma mulher de seu meio, mas isso era apenas detalhe, havia muito mais envolto. Na noite anterior, eles tinham se amado, tão ferozmente e apaixonadamente quanto possível. Fazia um ano que não se viam, e ele ainda não tinha sabido do filho que ela carregou no ventre, e entregou para a Luz. Se qualquer um soubesse daquela criança, sendo fiel ao imperador, ou aqueles que seguiam o irmão dele, nada restaria mais ao seu filho senão a morte.

Foi na noite de ontem, quando a nona lua se pôs no céu que eles começaram a batalhar. Sasuke descobriu, não sobre seu herdeiro, mas sim sobre o paradeiro do irmão. A bruxa sabia desde antes do massacre, o que iria acontecer, que todas aquelas pessoas iriam morrer, mas não fez nada. Deixou as almas partirem, sem qualquer piedade, Sakura não lhes deu a chance de salvar suas vidas. Ficou em silêncio, para que todos os mortos pesassem nos ombros dele, porque Sasuke não fora capaz de lutar contra o irmão, e a culpa não era sua.

Em uma sequência de golpes de espada, bolas de fogo e jatos de água, sangue se derramou, cada um dos dois teve a lâmina de seu amante atravessando seu corpo. Caíram de joelhos, esmeraldas e onixes se tornando uma coisa só. Seus últimos suspiros foram consumidos por um beijo. Eles estavam mortos.

O anjo e o demônio se encararam, descendo da árvore e se colocando lado a lado dos amantes. Normalmente aquelas duas espécies não trabalhavam juntas, mas por algum motivo cósmico, eles selaram um acordo aquele dia.

Durante toda nona lua, uma lua de sangue como aquela que pairava no céu, eles se encontrariam, e se lembrariam daquele dia, daquele e de todas as vidas que passariam. Quando o círculo de cem vidas acabasse, aconteceria de novo. Eles deram cem chances de perdão e de misericórdia, para que as almas se encontrassem, e pudessem resolver os assuntos que deixaram inacabados com aquela morte sangrenta.

Em cada vida, caso se envolvessem com outros amantes, estes morreriam. E essa maldição não era apenas para a mulher e o homem mortos aos seus pés, não, ela determinaria o futuro dos seguidores de ambos.

Os dois seriam culpados caso falhassem. O anjo declarou que as almas seriam livres e percorreriam livremente para o caminho que escolhessem, e se a batalha de morte e sangue continuasse, e nada de paz na sua centésima encarnação. Então não somente os dois, mas todos os pertencentes daquela pequena vila onde moraram, teriam suas almas saqueadas pelo inferno.

O destino estava nas mãos deles.

.::oOo::.

Sakura caiu na cama, os olhos arregalados, ela gritou vendo as dezenas de cortes no seu corpo, cortes rasos, mas com significados antigos e obscuros. Seus lençóis brancos estavam vermelhos, do sangue dela. A garota tremia, de dor e de medo.

Não pode ser real!Ordenou para si mesma. Os sonhos, aquela criança, e a cabana, os corpos unidos, a morte. Nada, nada disso poderia ser real. Ela não admitiria que fosse. Levantou-se da cama, todos os membros doíam. Ela pôde ver Kurenai e Hinata ajoelhadas no chão, olhos fechados, mas a sua mente estava no automático e ela não pôde fazer nada senão caminhar porta a fora. Escorou-se nas paredes do corredor, escutando a campainha tocar violentamente.

Ela chorava, mas não soube dizer se era pela dor que sentia, ou por todas as coisas que viu. Fora ela que fez aquilo tudo? Era insano demais pensar assim. Ela soube que pessoas morreriam, e não impediu, porque aquilo deveria acontecer, os deuses tinham desejado assim, eles que traçaram o destino, uma mera feiticeira nada poderia fazer.

Sakura sentia uma náusea horrível no estômago, tinha impressão que iria vomitar, mas não era isso. Ela não sabia, mas o anjo e o demônio trabalharam nela, assim como fizeram com o homem atrás da porta. Sem relutar, ela girou a maçaneta, fechando os olhos enquanto desabava no chão.

Os olhos semicerrados notaram que Sasuke estava tão banhado em sangue quanto ela, não sabia como ele tinha chegado ali, estava em choque ainda. Não queria que sua vida acabasse daquele jeito, não tinha concordado com nada disso. Queria voltar para casa, mesmo não sabendo onde isso ficava. Em pânico, agarrou as próprias pernas, trazendo-as até o peito, se abraçando com intensidade, só ela poderia salvar a si mesma.

Tão chocado quanto ela, Sasuke empurrou a porta, escorregando pela parede, seu sangue deixando um rastro visível. Algo em comum entre os dois? Ambos tinham os símbolos dos seus antigos clãs no centro da sua coluna. O dele, um leque dominando o fogo, e o dela o circulo dentro de um circulo, a marca do controle e do infinito, sem começo nem fim.

- Eu sinto muito. – Ela murmurou, afundando o rosto nos joelhos.

- O que inferno foi isso Sakura?

- Eu não sei. – Balançava a cabeça para os lados, tremendo.

Pelos céus, ela estava com tanto, tanto medo. Isso jamais havia acontecido antes. Desde que sua mãe havia morrido ela não sentia uma aflição tão grande como aquela. Ela não sabia o que pensar nem o que sentir. Ela viu o que fez naquela vida, e sabia o que estava acontecendo agora. Qual escolha sua seria a correta? Continuar do lado da Darkness, ou, se entregar de corpo e alma ao homem desconhecido. Esse sonho pavoroso ia contra todas as suas crenças e ideais.

Naquele momento, Sakura se perguntou se deveria continuar fingindo. Havia um detalhe interessante. Sasuke não fingiu, ele estava absorto naquilo tanto quanto ela. Porque ele tinha visto a mesma coisa, tinha tido o mesmo sonho, sentido os cortes, e sangrado por causa deles. Os amantes tinham ficado imersos na escuridão, sem sequer saber o que isso realmente significava. Mas a dor que sentiam, não passava só por ele. Os antigos seguidores de ambos também faziam parte disso. Eles deveriam estar convulsionando como Hinata e Kurenai faziam no quarto.

A rosada mordeu o lábio, fechou os olhos com força. Tsunade havia feito de propósito, era por isso que ela tinha lhe mandado estudar as lendas, porque sabia que isso iria acontecer.

A Haruno se lembrou do que estava escrito nos livros que lera pela manhã. Que a dita Escuridão e seu amado passavam pela sua primeira morte, eles sangravam pelas marcas que o anjo e o demônio deixavam nos seus corpos. A diferença para seus seguidores era que estes reviviam o momento mais horrível de sua primeira vida, porque quando ela era a bruxa e ele o rei, que todas aquelas almas nasceram e decidiram o caminho que iriam traçar.

- Sasuke. – Ela murmurou, não conseguindo encará-lo. – Eu preciso da sua ajuda, para fazer uma coisa.

Ele arqueou a sobrancelha para ela, esperando que continuasse a falar. Sakura se sentia aterrorizada com aquela ideia, mas pelo que viu, ela tinha que fazer aquilo. Estava lá, pairando na sua cabeça, similar a algo rotineiro como almoçar ou ir dormir. Fracamente, ela se colocou de pé. Quase caindo por cima dele. Apoiou-se nos ombros masculinos, não sabendo que ele escondia suas feridas dela.

A Haruno encarou seus onixes, sentindo aquele formigamento familiar, em um passe de mágica, ondulações surgiram em volta do corpo. Olhos e cabelos mudando de cor, de verde para azul, de rosa para negro. Lá estava à marca da sua praga, a lembrança nítida dele em sua própria forma física. Ela pegou a mão dele, abrindo a porta da sala. Sakura com a camisola branca tingida de vermelho rubi, arrastou Sasuke para dentro do elevador. Precisavam voltar para aquela cabana e fazer ao menos uma parte da anátema ser cancelada.

Aquele era o preço, o amor de dois estranhos e ao mesmo tempo, dois conhecidos.

Não acreditou que faria aquilo.

.::oOo::.

Ele tinha dirigido o carro, não sabendo para onde estava indo, apenas ouvia a garota sentada no banco do passageiro lhe guiando, hora ou outra lhe dizendo para ir para o leste ou sul. Era um caminho tão conhecido, e tão distante de suas memórias, por quantas vezes, os dois, sonharam com aquilo.

Sonharam sobre uma mulher ferida que foi carregada até aquela cabana, e foi tratada por um homem de sua total confiança. Sobre aquele casal vigiado pelo céu e pelo inferno. Para eles, foi assustador ver a pequena e aconchegante cabana ainda de pé, pelos cálculos de Sakura, fazia mais de dois mil anos, mas a madeira parecia intacta. Haviam trepadeiras de flores adornando as paredes, como se fosse planejado por um grande jardineiro.

Era surreal. Como algo daquele tipo poderia ser tão reconfortante? O mesmo valia para o que os dois sentiam. Agora eles sabiam que no passado, Sasuke era contra a Akatsuki, ele tinha sua própria divisão, e ponto. Era por isso que Pain convidou o Uchiha para entrar na organização, porque ele sabia que Sasuke poderia chegar até elas. Eles queriam lembrar-se do passado, porque não sabiam o quão doloroso as lembranças poderiam ser.

O carro foi estacionado, onde começava uma trilha de terra. Em um gesto automático, eles se deram as mãos e foram até seu antigo lar. Sasuke abriu a porta, ouvindo-a ranger. Tudo fazia parte de um único cômodo. Havia uma cama, armários, um fogão a lenha, uma mesa e uma espécie de sofá.

Sakura se aproximou da cama, vendo coisas que ela já imaginava estarem lá. O vestido negro, e a coroa de flores, idênticas a de seu sonho, as mesmas que o moreno ao seu lado havia lhe visto usando. E havia uma camiseta branca, a rosada associou a peça com as camisetas usadas pelos homens na idade média. Era solta, mostrava boa parte do peito e tinha botões nos punhos. As calças eram do mesmo material. Pareciam roupas usadas em um luau.

- Vire-se. – A Haruno disse.

Era tão estranho, todas aquelas vidas e todo o amor que sentia por Sasuke tinham voltado para ela. Não era nenhum pouco lógico. Mas a Darkness nunca foi lógica, sempre intuitiva ao invés disso. Por tudo que era mais sagrado, talvez na sua primeira encarnação ele tivesse a visto nua, mas ela queria manter seu corpo escondido por enquanto. Ainda não havia chegado a hora.

Ambos estavam de costas para o outro, e retirando as peças de roupa, puderam ver aqueles símbolos estranhos espalhados por todas as partes de seus corpos. Sakura reconheceu apenas três deles: o círculo de ouro, o triskle, e o pentagrama. O primeiro (círculo de ouro) estava circundando seu umbigo. O segundo (triskle) estava sobre, o que deveria ser, o canal uterino da esquerda. O terceiro — e que para a sua primeira encarnação era o mais importante de todos – se instalava no colo dos seios.

O círculo de ouro, era a representação do sol para os antigos. Os Haruno tinham adaptado o traço do desenho, criando a marca de seu próprio clã. Sol, o fogo, o calor. Ela não entendeu porque esse era o símbolo mais chamativo em seu corpo. Até onde os sonhos (ela não gostava de admitir que fossem antigas memórias) haviam lhe mostrado, em todas as suas vidas ela teve algo relacionado com a água, com a cura. O círculo de ouro era algo extremamente distante disso.

Balançou a cabeça para os lados. Ela sabia. O motivo real da marca estava de costas para ela. Em sua primeira encarnação ela desejava tão intensamente que ele largasse a escuridão, que parasse com a estúpida ideia de vingança. Era por isso que seus antigos inimigos a apelidaram de Escuridão, porque ela sempre estava lutando com a escuridão das pessoas.

Era tão difícil de acreditar. Essa pessoa que eles tanto vangloriavam era ela. E Sakura conhecendo o seu passado, não achou nenhum pouco glamorosa as coisas que tinha feito. Certo, talvez tivesse salvado a vida de muitas pessoas, mas havia virado as costas para o seu filho. Lembrava-se de tê-lo entregue para Hinata, e havia lhe implorado para que mantivesse aquela criança o mais distante possível da batalha que ela travava.

Fechou os olhos com força, cuidando para que o tecido do vestido não se encostasse aos seus recentes machucados. Mas ela compreendia, o sangue iria secar e o tecido grudar na sua pele. Seria desastroso e dolorido, e ela tinha que fazê-lo. Olhou sobre o ombro, constatando que Sasuke já havia colocado as vestes.

- Deuses, isso é tão estranho. – Sussurrou para si mesma.

Sakura caminhou até o armário, abrindo a segunda porta. Como ela esperava, havia cinco velas, uma caixa de fósforo e um saco de sal. Ela fez o que seu sexto sentido estava lhe ordenando. Um círculo, uma estrela dentro destes, os cinco astros, júpiter, vênus, saturno, mercúrio e marte.

Ela sabia a importância daquele símbolo. Para os gnósticos o pentagrama era a “estrela em chamas”. Para os druidas era um símbolo de Deus. No Egito era atribuído ao útero da terra. Os celtas cominavam a Morrigan a deusa do submundo. Os cristãos medievais relacionavam o pentagrama com as cinco chagas de Cristo. O imperador cristão Constantino usou o pentagrama junto com o símbolo de chi-rho em seu amuleto. Na idade média era o “Laço Infinito”, símbolo da verdade e da proteção contra demônios.

E a Haruno soube de todas essas coisas quando começou a desenhar com o sal. Tendo os olhos de Sasuke em suas costas. Tinha imaginado que ele fosse gritar com ela, assim como tinha feito no sonho. Talvez ele estivesse na mesma batalha interna que ela. Naquela primeira encarnação, a mãe e a irmã dele eram fiéis às crenças de Sakura, eram seguidoras das tradições dela. Ambas haviam morrido no massacre, mas a maldição tinha caído sobre elas também.

Desejava tanto saber o que ele estava pensado. Quantas vidas eles estiveram unidos? Não sabia dizer, haviam cenas fortes na sua mente. Todas com ele. Era surreal.

Sakura trouxe Sasuke para dentro do pentagrama. Sentindo o chakra que suas antigas encarnações eram tão acostumadas a lidar. Era estranho, ela podia sentir a energia e o calor desta fluir por suas veias, vindo de lugar nenhum, mas pelo que sabia era assim que as bruxas e outros mestres de cura trabalhavam, eles eram guiados pela energia crua usando-a para um bem maior.

Entrando no centro da estrela, ela segurou as mãos dele. Começando a sussurrar palavras desconexas, que nem mesmo pode distinguir o que eram. Algo sobre o céu, a terra e o mar. Em algum momento, ele começou a murmurar naquele mesmo idioma que ela falava. Os dois podiam ver sombras passando rapidamente por eles, todas as almas que eles conheceram, ambos reviviam lembranças apagadas pelo tempo.

Imersos ao obscuro brilho da lua, eles se encontraram. Agora, de joelhos no chão, não havia mais a menina e o rapaz, ou a bruxa e o rei. Só existiam dois gêmeos de alma que foram amaldiçoados pelo tempo. Em um beijo casto, iniciado por Sakura, os cortes nos seus corpos começaram a sumir e seus seguidores imersos nos próprios pesadelos começaram a retomar consciência.

Ao menos por agora, uma parte da anátema havia sido quebrada.

Caíram inconscientes, com o anjo e o demônio os rondando. Mal sabiam que a história tinha apenas começado.

.::oOo::.

Hinata acordou segurando seu braço com força, mas para a sua surpresa ela não estava lutando com nazistas, e não havia um homem a protegendo. Olhando ao redor, notou a poça de sangue na cama de Sakura, e a rosada não estava lá, apenas Kurenai atirada nos ladrilhos com os olhos fechados com força. Arrastando-se foi tentar acordá-la.

Diferente da Haruno, Hyuuga Hinata sempre foi crente das tradições da Darkness. A morena sabia que a amiga sempre negou o misticismo que as rodeava por medo do que iria acontecer. Elas sempre tiveram esses pequenos flashes/lembranças das suas antigas vidas, mas jamais havia sido tão forte como naquela noite.

Hinata havia revivido sua última encarnação. Havia nazistas a encurralando em um beco escuro na França e, para a sua surpresa, Naruto tinha aparecido para socorrê-la. Foi surreal. A morena recebeu um tiro no braço e ambos tiveram uma bala atravessando o peito. Essa foi sua morte mais recente. Mas não pôde lembrar-se do resto, o que aconteceu depois ou como ela chegou ali, isso fora apagado de sua memória.

Ainda se sentindo fatigada pelas coisas que reviu, se arrastou para perto de Kurenai, tateando o colchão onde encontrou um punhal. Tremendo ela segurou com força o objeto olhando para a porta aberta. Os passos estavam se aproximando, e lentamente pôde sentir o formigamento e a troca de corpo. Estava mais segura como Luz. Seu corpo inteiro doía, viagens espirituais cansavam não só o indivíduo, obviamente a alma também. Kurenai parecia pior que ela, não deixaria que nada lhe acontecesse.

- Godaime? – Hinata murmurou confusa.

A mais velha estava com olhos serrados, pelo seu olhar alucinado não pode dizer como era capaz de se manter em pé. Assim como no próprio corpo, havia rastros de sangue, entretanto, as feridas desapareceram. Tsunade sabia, sua neta havia cancelado parte de sua própria sentença.

- Você está bem? – A loira perguntou, escorregando para perto das outras duas.

A Hyuuga assentiu, a sua visão turva e sua cabeça latejante. Encostou-se à cama, deixando a arma ao seu lado, não muito distante. Com a pouca força que lhe restava trouxe Kurenai para mais perto, ajeitando seu corpo em uma posição mais confortável. Por que ela simplesmente não estava acordando?

- O que aconteceu, Tsunade-sama?

- O ciclo está se completando. – A Godaime fez um leve carinho nos cabelos da outra, sentindo-se tão jovem e ingênua. Fora tanto tempo esperando que acontecesse, gostaria de saber se continuariam perdidas no passado durante o processo de transição.

.::oOo::.

Aquela provavelmente estava sendo à noite mais longa da sua vida. O casal estava preso em um paradoxo, e não apenas isso, suas mentes haviam se perdido no espaço do tempo. Ninguém podia assisti-los, as portas e janelas daquela casa haviam sido seladas, nenhuma pessoa entrava ou saía. O círculo de sal fora absorvido pelo chão, deixando sua marca pelos próximos milênios. Só existiam Sasuke e Sakura deitados sob o desenho de uma estrela.

As mãos juntas, as pálpebras se contraindo, os olhos se abrindo. Eles estavam tão inertes, o corpo pesava, o coração batendo forte e a energia saída das suas palmas unidas, aquilo era um sinal de que ainda viviam. Tinham visto tantas e tantas coisas que parecia complexo demais distinguir quem eram.

Os cabelos dela voltaram ao seu tom rosa, ao menos sabia que não era Escuridão no momento. Com as mentes distantes, o cheiro de incenso queimando, e os lábios secos deitados em um piso de madeira, lá estariam os dois amantes enjaulados um nos braços do outro. E era desse modo que acordariam após mais alguns apagões de sonhos.

Sakura sabia, e era só disso que ela sabia agora... Precisava ficar junto dele, sentir a dor do passado e tentar lidar com ela no futuro. Precisava se livrar da Escuridão e voltar, calma e suavemente, a ser a bruxa. A bruxa, a sacerdotisa, a amante do rei. A que curava e que estava prometida aos céus. Mas antes de sua alma partir, tinha a missão de trazê-lo com ela. O clarão de luzes começou novamente, e em seu último fio de consciência, soube que a lua de sangue seria a no máximo dez dias.

Ela tinha dez dias para conquistá-lo, dez dias para se encontrar, e dez dias antes de ter sua alma amaldiçoada pela eternidade.

Esse era o anátema. Os gêmeos de alma necessitavam se encontrar. Ou para a eterna escuridão, ele e ela deverão se revogar. Se fracassar, para o inferno a dupla alma pertencerá. Se o demônio assim derrotar, as almas livrares para o paraíso entrarão. A escuridão, finalmente poderá descansar.

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Notas finais
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N/a:
Nada a dizer, sintam-se livres para comentar. Pois é eu, cansei de rimar. (?)
N/b:
Hey people!!! Wou, capítulo bastante denso e revelador...ficaram atentas aos detalhes??? Finalmente o ciclo está começando... e como será que ele terminará??
Mandem suas opiniões!!
Beijos
Bella