Arctic Monkeys – Florescent Adolescent

(Adolescente Florescente)

É apenas uma lembrança e aqueles sonhos

Não eram tão estúpidos quanto pareciam

Não tão estúpidos quanto pareciam

Meu amor, quando você os sonhou...

Darkness

Capitulo 13

Ela estava deitada, a cabeça, um pouco no ombro dele, um pouco no chão, sentia-se como se o mundo girasse em círculos tridimensionais. O estômago continuava embrulhado e os primeiros raios de sol irritavam seus olhos. A grande questão? Perguntava-se seriamente quem ela era. Havia tantas, mas tantas pessoas, mulheres, que ela havia sido. Quão sortuda Sakura poderia ser para que na sua primeira encarnação fosse amaldiçoada até seus últimos dias!

E cá entre nós, a rosada nunca foi do tipo romântica. Na escola ela preferia as coisas práticas e consideradas irritantes para os outros, como física e matemática, do que literatura ou história. Sempre levou muito a sério o trabalho da Darkness e os trabalhos que ela fazia para sua avó. Não gostava nem um pouco da ideia de que não poderia copular — em suas próprias palavras — com outro homem que não fosse Uchiha Sasuke. Nem o conseguiria sabendo que na pequena possibilidade de se apaixonar acabaria dando uma sentença de morte para o seu amante.

Nunca sequer acreditou em deuses, essa foi à maneira do universo lhe mostrar como estava errada? Para o inferno! Ela era a pessoa mais descrente do mundo e em sua primeira vida foi a maior das devotas a uma deusa que os mortais não creem mais. Sakura era uma eterna azarada, e ponto.

Seus músculos doíam como se tivesse corrido de ponta a ponta pelo país. E, pelos céus, escuridão, escuridão e somente escuridão. Os maus espíritos não deixavam de circular aquela menina. Sakura havia livrado as mulheres da Darkness do carma que as seguia, com exceção dela mesma. Todo esse poder e sacrifício alcançados, só serviram para chamar mais escuridão para perto dela. A moça tinha feito às coisas da forma errada. Não por amor as suas seguidoras, aquelas tão devotas em aprender os mistérios da cura, da vida e da morte. Não, ela fez aquilo para que a dor delas não recaísse sobre seus ombros. Sakura não queria mais culpa, não queria se culpar por infligir dor a outros seres humanos. Agora não importava mais. Era como se ela tivesse gritado às forças ruins para que a seguissem.

Como uma sacerdotisa fiel as suas crenças foi se tornar uma criança imprudente? Questionava-se o anjo, olhando o casal inerte. A aura deles. Como se ela tivesse absorvido toda a crueldade do corpo masculino e trazido-a para sua própria força de vida. Tola. Pensou o demônio. Não havia possibilidade da inexistência de amor no corpo jovem. No entanto, ela tinha bloqueado com a própria mente toda a voraz paixão que sentia pelo rapaz deitado ao seu lado.

Era uma alma forte. Uma que estava prestes a ser corrompida.

A sorte da garota era seus muitos anjos da guarda batalhando com os demônios que a perseguiam.

Quando ela finalmente acordou, sentou-se abruptamente. Sasuke acordou com ela, sentindo a mão sobre a sua. Sakura estava vendo todos os espíritos de luz e trevas, sendo protegida inteiramente pelo círculo de pura magia.

Estava nervosa e não queria mais ficar ali, entregar-se a ele, como todos envolvidos na maldição esperavam que acontecesse. Sakura odeia o óbvio e não gosta que as pessoas criem expectativas sobre suas ações. No impulso, no pensamento repentino ela conseguia toda a certeza que precisava.

Foi por esses motivos, sem pensamentos e sem expectativas, por uma vontade instintiva... Ela fugiu. Porque Haruno Sakura não queria ser a Escuridão, e não queria ser só e unicamente a amante de Uchiha Sasuke. Por isso, com os pés descalços ela correu na chuva fina, para um lugar que nesta vida ela não conhecia, mas sabia que aquele era um lugar só dela.

Achava-se estúpida por perseguir aqueles instintos estranhos, pensamentos conjuntos de uma mulher que ela não era mais.

Estúpida, estúpida, estúpida!

Tudo ganhava vida, e ela odiava ser capaz de ver isso. Árvores brilhavam e criaturas desconhecidas saíam das flores, o musgo nas pedras se mexia formando pessoas pequeninas. Com os pés sentia uma espécie de vibração, um calor agradável misturado com um formigamento relaxante. Pura loucura.

A pior parte é que aquelas criaturas incorpóreas faziam filas e abriam caminho para ela. Ótimo, agora virou alguma espécie de “Branca de Neve”. Aquelas criaturas a seguiam como se ela fosse feita de mel. Estavam todos nas beiradas da estrada de terra, e quando ela passava por eles, as criaturas começavam a marchar atrás dela.

Sakura seguia a trilha verde luminosa, pé ante pé, ela sabia que a cabana que deixou para trás, um dia foi o seu refúgio, mas não era mais assim. Pensou em um Sasuke desnorteado, sem entender onde ela tinha ido. Podia ouvir os passos dele seguindo-a, mas estavam muito distantes. Ele não teve um treinamento de caça como ela, possivelmente não seria capaz de chegar muito perto.

Ainda se sentia assustada por estar perto dele. Não o conhecia, não de verdade. Ainda sim, havia todo o tipo de sentimento quando estavam próximos. Rancor, principalmente, como se ele tivesse a traído da pior maneira imaginável. A Haruno acreditava que isso se devia ao caminho que ele jurou seguir sobre os corpos de sua família. Sakura também se vira tirando a vida de pessoas, isso de uma forma rápida e indolor. Quando ele era o Rei, o Imperador daquele exército, ele escolheu torturar seus inimigos, descarregando toda sua amargura ali. Os banhos de sangue a enojavam.

Nessa vida, nunca tinha matado alguém, já sentiu vontade, mas nunca cometeu a ação. As pessoas que Sasuke e Sakura um dia foram, tinham reações primitivas, e o instinto de matar era uma delas. Perguntava-se se aquelas almas não a perturbavam à noite e como não enlouqueceu após ter abandonado um filho poucos dias depois do seu nascimento, e não ter impedido uma chacina, além de outras coisas.

Lembrava-se que quando era criança, por muitas vezes ouvira as mulheres da Darkness louvarem a dita Escuridão. Em todo solstício havia festa para homenageá-la. Homenagear Sakura! Sentia-se violada. Com todas aquelas pessoas sabendo sobre seu passado, mesmo que esse fosse um passado muito, muito distante.

Onde estava seu direito de guardar segredos? Sempre foi boa em esconder coisas. Nunca falou para ninguém que viu sua mãe morrer, ou que fora seu pai a matá-la. Nunca falou sobre como se sentia depois de Yahiko ter desaparecido. Sakura nunca tinha contado os segredos da Darkness para ele. O único intrometido a saber foi Sasuke, e ela tinha todo um plano arquitetado em sua cabeça.

Isso não estava certo. Nada disso poderia estar certo.

De repente ela parou. Viu-se de frente para um lago enorme, sem qualquer tipo de movimento na água. Tinha um musgo verde e macio debaixo dos pés. Estava de pé em uma elevação de pedra. As árvores rodeavam o lago em um círculo perfeito. Se ao invés de água, fosse terra, aquele lugar poderia ser uma perfeita campina.

Piscou com força, com rapidez. Novamente sua mente tinha se perdido em memórias. Lembrava-se de estar naquele mesmo lugar, muitas vidas atrás, e podia escutar os paços ritmados de Luz se aproximando. Suspirou. Hinata estava com ela, então ela não precisava mais se sentir tão sozinha. Tinha a mínima consciência de estar vestindo um vestido de abotoar, verde musgo, como as pedras que tocavam seus pés.

Sabia que Hinata estava chateada com algo. Chateada não. Ela estava triste, inconsolável. Um choro preencheu o silêncio e Sakura – Escuridão – sentiu seus pelos se eriçarem. Aquilo estava errado, ela não podia trazê-lo ali. Ele não podia chegar perto dela, porque Sakura tinha amaldiçoado aquela criança no momento em que nasceu. Não havia pecado maior do que ser filho dos maiores traidores, dos maiores inimigos do Império.

Não podia ter nenhum tipo de relação com a criança, precisava agir como se nada tivesse acontecido. O pai do menino tinha se perdido, assim como ela. Hinata tinha que cuidar dele. Necessitava se afastar dela.

- Hinata. – Avisou.

- Eu sei que você não quer vê-lo. Mas ele precisa de leite, e isso não é algo que eu possa lhe dar agora. – Ela suspirou e Sakura teve certeza que seus olhos decepcionados fitavam o chão. – É só uma criança.

Novamente Sakura teve que respirar profundamente. Sentia frio, e seus lábios tremiam. Os seres de luz estavam parados apenas a encarando, não expressavam nada em seus rostos de beleza sobrenatural. Talvez estivessem ansiosos pelos próximos passos da sacerdotisa. Ninguém podia prever o que ela faria em seguida. Sequer as cartas eram capazes de mostrar o destino dela.

Hinata aproximou-se, ficando do lado dela. Fez com que se sentasse na grama e colocou delicadamente o menino nos braços de Sakura. A morena sabia que deveria manter os olhos na outra, mas sentia uma necessidade de se afastar. Como se fosse uma intrusa. Não era capaz de ver o mundo espiritual, não como Sakura. No entanto, lá no fundo, Hinata sabia que Sakura precisava de bons conselhos daqueles seres que só ela podia ouvir. Hesitante, caminhou alguns metros e se escorou em uma árvore, sem desviar a atenção da criança por nenhum segundo.

Ela olhou, não deixando de franzir o cenho. O menino era pequeno, e os braços dela se mostravam grandes demais para ele. Graças a Deusa, não tinha nascido com seu cabelo rosa. Encarando-o, não via nada de si na criança. Tinha os cabelos de Sasuke, os olhos de Sasuke, a pele clara de Sasuke. Jamais se diria que o menino tinha sangue europeu, como ela. Seus dedos calejados do manuseio da espada tocaram o pescoço dele, e viu uma marca discreta, um “x” dois tons mais escuros que a pele. Sorriu tristemente. Ela tinha a mesma marca, no mesmo lugar. Nada menos que a runa de “Gebo”, a runa que representava o amor e o perdão.

Lembrou-se de sua mãe lhe dizendo que quem nascia com uma marca daquele tipo era tragado para um mundo desconhecido, onde muitos querem viver e ao mesmo tempo tem medo de se aproximar. Ele veria o plano espiritual, o sentiria acima de tudo, exatamente como ela. E, oh, ele amaria apenas uma vez, mas o laço seria tão, tão forte que o guiaria ao encontro do ser amado em qualquer uma de suas vidas.

Ele poderia estar fadado, ou então ser como a própria Sakura. Poderia fugir do destino eminente, porque nem o amor de todas as suas vidas poderia ser mais importante que seus princípios.

Contornou o rosto e descobriu o peito. Não sabia como fazer aquilo, havia só uma vaga e instintiva ideia em sua mente. Não sentiu cócegas, ou arrepios, apenas um calor estranho no estômago.

Seu filho. Aquela criança era fruto de um amor impossível. Jamais se perdoaria se colocasse um ser tão puro no caos que ela vivia diariamente. Lutava dia após dia para não sucumbir à loucura, para controlar o que via e o que escutava daqueles que já se foram e dos que ainda viviam. Nunca estaria presente e passaria a maior parte de seu tempo na floresta, o que ele acharia se soubesse que a mãe caçava o pai todos os dias. Que procurava alguma pista em todos os lugares, desesperada correndo por uma trilha de sangue. Não deveria saber que Sasuke era o pai dele, ou que Sakura era sua mãe.

Não precisou chamar por uma Dríade, a rainha delas já tinha chego ao seu lado. Ouviu o grito estridente de Hinata, tentando se aproximar, mas um campo invisível impedia que ela se aproximasse. Sakura ficou de pé e olhou para a dama da floresta. A pele verde oliva e os olhos amendoados, o cabelo da cor da terra parecia trançado com as raízes de uma árvore, vestia um manto de folhas de carvalho e um sorriso triste se desenhava em seus lábios finos.

- Sakura, não! – Gritou em desespero.

Um círculo colorido, um pentagrama desenhado na terra, e a Dríade enviada pela Mãe Terra a fitava. Os animais moradores da floresta começavam a se aproximar, o calor emanando do corpo da sacerdotisa era de uma grandeza inestimável. Ela brilhava doce e pura energia da terra.

Seus lábios começaram a se mexer em um sussurro não entendível. A Dríade se aproximou e pegou a criança nos braços, o dedo indicador fazendo uma trilha da testa ao coração. O local onde a dama da floresta encostara deixou um caminho de luz verde. Um cordão suportava uma gota de jade ao redor do seu pescoço.

Quando Hinata piscou novamente, se sentiu assustada. A mulher verde tinha sumido, e só havia Sakura, o menino e um bando de animais a vigiando.

- O que você fez? – Perguntara.

- O presenteei com a única coisa boa capaz de vir de mim. – Olhou a morena, séria. – Agora sua alma é abençoada, por todas as suas vidas terá a proteção da terra. Nenhuma maldição recairá sobre ele.

Entregou-o para ela. Sakura se afastou, com os pés descalços formigando, sentia a terra banhando-a com seu calor e força, sentia-se orgulhosa de si mesma.

- Leve o para longe Hinata. A criança não pode estar aqui quando o Imperador chegar.

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Haruno Sakura arregalou os olhos e engoliu o máximo de ar que pôde. Tinha voltado para o presente e não havia nenhum tipo de coisa sobrenatural a sua volta, tudo tinha ido embora. Felizmente. Talvez esse fosse seu jeito cético de ser, mesmo depois de tudo o que passara naquele, dia continuava acreditando que sua imaginação era a maior e única culpada.

Depois de ver aquela criança, o menino que supostamente foi seu filho, sentiu vontade de chorar. Sentia saudades da mãe e, talvez, ela fosse a única capaz de lhe confortar naquele momento. Estava sozinha. Não confiava completamente em ninguém e sabia que se conversasse com a avó, Hinata ou Kurenai, nenhuma delas entenderia seu ponto de vista. A mãe havia a criado para ter um pensamento puramente físico. Antes de começar a conviver na Darkness, jamais tinha sido instruída a acreditar que existia algo além do mundo humano. Nada de gnomos, fadas, Dríades ou Deuses. Só o fisicamente possível.

Lembrava-se que, quando estudou no Internato dirigido inteiramente por freiras, se sentia estranha no meio de toda aquela gente, não entendia para quem eles pediam bênçãos, ajuda, ou sequer perdão. Sakura só não compreendia. Se sua mãe ainda estivesse viva, nunca teria saído do Japão e, provavelmente, lutar contra o crime não faria parte de sua rotina. Não acreditaria em nada que não pudesse provar e as coisas seriam pacatas, mas sentia que seria feliz naquela realidade alternativa.

No entanto, este não era seu dia-a-dia. Acabara de tirar a prova viva que seres maiores que ela existiam. Que vidas passadas existiam, e que estava atada a Sasuke de uma maneira incompreensível.

Mesmo se voltasse para sua vida na América do Norte, não seria o mesmo. Será que ela olharia para seus antigos amigos e se perguntaria se eles foram amaldiçoados pelos erros dela? Ou se algum dos rapazes que haviam se apaixonado por ela morreriam por não ser o rapaz que tinha uma ligação com sua alma? Ela se perguntaria todos os dias quem era quando fitasse seu reflexo no espelho? Não podia ter certeza.

Afinal, quem diabos era ela? Nunca seria capaz de responder essa pergunta. Não verdadeiramente. O destino pesava muito em suas costas. Lembrou-se abruptamente da canção rimada, da profecia que entrou na sua cabeça do nada.

A Nona Lua De Sangue. Seria ela capaz de se salvar? Se quebrasse a maldição, seria capaz de ter uma vida normal? Um emprego, uma carreira? Talvez uma família algum dia? Será que outras garotas ficariam felizes em saber que encontraram sua alma gêmea, e estavam presas a ela por toda eternidade? Soava um pouco romântico, porém, eu já lhe disse, ela nunca foi romântica. Era um pássaro livre, e pássaros livres não gostam de um passado como gaiola.

Moveu-se de forma rápida, puro instinto, e segurou a mão que estava prestes a tocar no seu braço. Sasuke a encarava tão profundamente que a assustava. Soltou-o e deu passos para trás. Sentia uma força atraindo seus corpos, seu ventre se contorcia, e seus lábios se mostravam secos. Flashes de uma noite de amor de séculos atrás resplandeciam por seus olhos.

- Eu... – Ela tentou dizer algo, mas nada de útil parecia ser capaz de sair por sua boca.

Nunca fora boa em distinguir sentimentos. Sabia quando sentia raiva ou alegria. Mas ódio e amor eram emoções tão forte que jamais pensou ser capaz de senti-las. E lá estava ela, sedenta como nunca esteve antes. Queria saber todos os segredos dele, e queria continuar sentindo aquele conflito de emoções que remexiam seu estômago e agoniavam seu peito. Sentia-se irradiando energia.

- Seu cabelo. – Ele deu um passo para frente, e enrolou uns poucos fios entre os dedos grossos. – A mecha negra sumiu.

Piscou e olhou para baixo, constatando que o que ele dizia era verdade. Seu cabelo todo era rosado, sem exceção. Ela tocou o braço dele e o olhar negro recaiu sobre si no mesmo instante. Estava se aproximando, um desejo absurdo a consumia.

Dane-se. Pensou. Tinham mentido um para o outro desde o momento que se conheceram. Sasuke sabia quem Sakura era de verdade e o mesmo se dizia dela sobre ele. Uma dupla de mentirosos. Só que ela não se importava mais. Ela gostaria de saber o que a fez se sentir tão atraída por ele. E por que essa força estava a arrastando para perto dele de novo.

Pela primeira vez em anos, a Escuridão tinha ido embora, restava apenas uma Sakura cheia de memórias obscuras. Segurou os ombros dele e se pôs mais perto, peito contra peito. Na ponta dos pés, foi capaz de roçar os lábios. Seu sangue esquentou.

Intrigados, um anjo e um demônio repousavam em uma árvore. Apenas divagando com sua curiosidade, nem mesmo imortais como eles poderiam prever o futuro dos dois. Foram muitas vidas, e foram poucas aquelas que tiveram um final considerado feliz. Sabiam que ambos, o homem e a mulher, queriam saber o que os levara até ali, mas ainda era cedo. A Lua de Sangue estava se aproximando, mas a jornada tinha uma trilha paralela a seguir.

A fúria e a paixão do fogo os sucumbiam. Um anseio do corpo era tudo que podiam sentir. Tão jovens e ao mesmo tempo tão velhos. Suas almas deveriam estar cansadas, mas seus espíritos não se sentiam capazes de desistir. A terra era a única testemunha que importava e, sem pensar duas vezes, se entregaram ao impossível. Porque naquele momento não eram e jamais seriam o Imperador e a Sacerdotisa, muito menos o Rei e a Bruxa. Não existia a Escuridão e sequer seu Agente Inimigo.

Só um homem e uma mulher, entregando-se a mais pura volúpia. Dois amantes que cansaram de resistir, e agora preenchiam um ao outro com o mais puro instinto. O que alguns chamariam de amor e outros de nirvana.

Naquele momento não existia nada que os impedisse.

Ou talvez houvesse. Ninguém poderia dizer com certeza.

.::oOo::.

Piscou e se viu atirada no quarto de Sakura. A janela estava aberta e uma corrente de ar frio deixava-a arrepiada. Sua cabeça pulsava e não se sentia capaz de se arrastar até uma desnorteada Kurenai.

Não gostou da sensação grudenta no seu rosto (sabia que tinha chorado, seu peito doía e sentia certo alívio). Não que isto mudasse o medo que as visões a traspassavam. Os meninos sempre devam em cima de Hinata, e ela até mesmo namorou algumas vezes, mas nunca chegou ao ponto de amar eloquentemente. Jamais deste jeito.

Quando morava com os pais, — antes de a mãe tentar se suicidar, e bem antes de ela ser diagnosticada como esquizofrênica, antes do divórcio e antes de toda a choradeira, — Hinata tinha sido ensinada a acreditar em contos de fada. O seu preferido sempre foi Mulan, por cometer um ato de coragem por aquele que a criou. Sempre desejou encontrar seu amor verdadeiro e lutar ao lado dele em meio ao fim do mundo. Queria um amor impossível, inconsolável e ao mesmo tempo, queria provar com toda sua determinação que seria capaz de vencer o impraticável.

Cuidado com o que deseja. Repreendeu-se.

Tinha revivido o passado naquela noite de lua vermelha. Tinha se visto em uma cama, aconchegada a um peito masculino e vendo uma porta sendo escancarada. Havia sentido um medo imensurável e, aquela Hinata gritou de agonia quando percebera o que tinha acontecido. O homem que entrara no quarto simplesmente tinha levantado uma espada, e, pela Deusa, Naruto, Naruto tinha colocado o corpo na frente do dela. Ele havia morrido, no lugar dela... Logo depois de terem se entregado ao desejo.

Como ela olharia para o rosto dele na escola? Já tinha uma espécie de paixão platônica pelo rapaz, sem contar em todas às vezes que ele e Luz conversaram. Absurdamente absurdo! Suas mãos tremeram e ela não conseguia parar de brincar com os dedos.

Será que Sakura havia visto isso também? Onde ela estava no final das contas? A rosada tinha um coração de pedra, e era boa em espantar sentimentos irritantes, mesmo que isso significasse transformá-los em raiva. Mas valia a pena. Valeria a pena se Hinata conseguisse se recompor. Nunca sentiu nada tão forte como aquele aperto estrondoso em seu peito.

Em uma lentidão que a tirava do sério, foi se arrastando ao encontro de Kurenai. Uma das mais corajosas mulheres que Hinata conhecia, estava se contorcendo no chão, e isto era só mais uma coisa para lhe deixar apavorada.

Precisava encontrar Sakura.

.::oOo::.

Sakura tinha o dom de afastar rapazes, ou atraí-los insanamente. Alguns não tinham egos grandes o suficiente para aceitar o desafio de cortejá-la. Era como se ela fosse à fêmea alfa e os outros machos não passassem de um mero resto. Geralmente era ela que tomava as rédeas de qualquer situação. Isso incluía chamar rapazes para sair em encontros que não levavam a nada. Nenhum deles a fazia se sentir viva, beijos eram apenas lábios se roçando. A moça até já tinha se esquecido do que o calor da paixão podia causar.

Seu corpo ardia em chamas, sua pulsação, seu sangue parecia água fervendo. Estava com metade dos ombros descobertos, e a saia do vestido estava amarrotada na sua cintura. As mãos dele deslizando em suas pernas e os dedos dela trançando os músculos tensos das costas dele. Tudo parecia perfeitamente certo, pela primeira vez na sua vida.

Só que, infelizmente, aquilo estava prestes a acabar.

Arregalou os olhos surpresa, não tinha sentido o homem se aproximar. Estava vestido com calças jeans e um casaco preto, coberto de nuvens vermelhas. Levantara o braço e o movera rapidamente. O resultado foi um Sasuke inconsciente, empurrado para longe dela. Seus dentes rangeram quando percebeu quem era. Se pôs de pé o mais rápido que pôde. Lamentavelmente, ele a segurou pelos ombros e lhe jogou contra uma árvore. Sakura ainda não havia se recuperado inteiramente dos danos da noite passada.

Antes de perder totalmente a consciência, murmurou o nome dele com raiva.

- Yahiko...

- Na verdade, é Pain agora.

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Notas finais
Nota:
Hello there! Como vocês estão? Pois bem, sei que faz tempo que não atualizo Darkness, mas, sem desculpas esfarrapadas, eu estava ocupada. Sabem, coisas do dia a dia, trabalho, escola e estudar para o vestibular. E como agora estou com muito tempo livre, acredito que mais capítulos virão logo.
Algo que eu sempre vejo nas minhas fics é que, eu uso o Yahiko como Pain, não o Nagato. Eu só quero explicar para vocês que eu faço isso porque o Nagato usava o corpo do Yahiko como Pain principal, digamos assim. E eu meio que adquiri esse hábito, sempre que ele aparece nas minhas fics, o Yahiko tem o apelido de Pain... Não sei se deu para entender? :x
Espero que tenham gostado do capítulo!
Beijos
Sami
N/b:
Hey people!! Quem estava com muita saudade da fic como eu levanta a mão o/!! Wou, nossa heroína passou por momentos tensos, o que a deixou bastante confusa... mas parece que ela e o Sasuke estão se dando muuuuito bem...rsrsrs
Digam o que estão achando... reviews fazem bem e não levam muito tempo!
Beijos
Bella
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.