Dark Steel

7 O pântano esquecido


Notas iniciais
sem notas do capitulo.

No outro dia nos levantamos um pouco mais tarde do que o de costume, afinal tínhamos gastado bastante energia durante a noite. Logo que levantamos juntamos nossas coisas e continuamos nossa viajem para o sul. Aproveitamos que já tínhamos matado o necromante e atravessamos por dentro do cemitério. Ele era enorme, devia ter uns 2 km², Lorel falou que haviam 12 gerações só da família dela enterradas ali. Aquele cemitério já era bem antigo.

Após passarmos pelo cemitério entramos de volta na floresta e continuamos andando.

–Ei Ryan.

–Oi.

–O que você sente quando esta transformando? – perguntou Arya.

–Bem... como eu posso explicar... Eu sinto meu corpo esticando, meus músculos crescendo, algo do tipo.

–Nossa, e não dói não?

–Doi um pouquinho – ele respondeu dando um sorrizinho.

–E quando você ja esta transformado, você continua conciente?

Vendo o interesse de Arya na transformação de Ryan, Lorel soltou uma brincadeira.

–Aaah olha só, a Arya ta interessada no lobinho.

Nós duas rimos de Arya que comessou a ficar vermelha como uma pimenta. Ryan também riu para nao demonstrar vergonha também.

Depois de alguns minutos de caminhada a floresta comessou a mudar. As árvores estavam ficando mais escuras e com bastante trepadeiras e cipós. O ar estava meio úmido. Estavamos entrando em um pantano.

–Ahn... Não me lembro desse pantano... – Disse Ryan com um olhar de surpresa.

–Provavelmente voce nunca veio até aqui. Essa floresta costuma enganar quem anda sozinho nela – respondel Lorel – Esse é o Pantano Esquecido.

–Porque pantano esquecido? – perguntei.

–Pelas arvores escuras, muito musgo, agua barrosa e essas coisas – Ryan explicou com cara de esperto.

–Não, eu quero dizer por que “esquecido”?

Ryan fez uma cara de fracassado e continuou andando, então Lorel comessou a contar.

–Bom, a muitos anos atrás esse pantano erá apenas mais um pedaço da floresta,árvores com cores vivas, animais por toda parte e tal. Mas um dia uma nuvem roxa apareceu vindo do Oeste, ela invadiu a floresta e começou a se espalhar. Os Elfos acharam que logo ela ia sair então eles apenas deixaram de andar por esse lado da floresta até que ela desaparecesse. Más a cada dia que passava ela ia ficando mais forte e mais densa, depois de uma semana já quase não dava para respirar lá dentro e depois de um mês já não dava para enxergar nada... Com medo de que essa nuvem se espalhasse pelo resto da floresta, 50 anciões elfos criaram um encantamento que selaria essa parte e não permitiria nada daqui de dentro passar para o outro lado. E então esqueceram desse pedaço... passando 17 anos uma criança elfa resolveu brincar por esse lado, então ela encontrou o selo. A pequena criança correu até a cidade e chamou um ancião para ver aquilo. Quando eles chegaram no local o ancião desfez a barreira, a nuvem havia sumido mas a floresta tinha se transformado nisso...

Estávamos caminhando perto de um lago verde, sua água parecia grossa e cheia de lodo. Dava pra escutar coaxar de vários sapos vindo de lá. Tentei não ficar imaginando pois tinha um pouco de medo de sapos. Continuei andando sem desviar um passo do caminho quando de repente pisei em algo gosmento. Meu coração parou por alguns segundos...

–AAAAAAAAAHHH!!!! – Soltei um grito estérico e sem nem olhar para baixo saquei minha espada e cortei varias vezes aquela coisa.

Os três olharam para mim e começaram a rir. Eu olhei para baixo e vi que “aquela coisa” não era nada mais do que um simples slime.

–Caramba Ellie – Falou Lorel dando um pausa nas risadas para respirar – Nós avisamos que tinha um slime ai, em que mundo você estava? E que gritinho estérico foi esse? – ela continuou rindo.

– É que,eu achei que fosse um sapo – respondi me acalmando e abaixando minha voz na esperança deles não ouvirem, mas não adiantou.

–O que? Você tem medo de sapo?! – Perguntou Ryan rindo junto com Lorel.

– Sim mas...Mas é culpa do meu pai... – falei embaralhando um pouco as palavras. Eu sentia meu rosto queimando de vergonha – Quando eu era pequena ele jogou um sapo no banheiro em quanto eu tomava banho... eu meio que tomei trauma.

Depois de muitas gargalhadas deles nós continuamos andando pântano adentro.

Após algum tempo de caminhada nós encontramos uma marca estranha no chão, era uma pegada bem grande com apenas dois dedos.

–Más que criatura é essa? – Perguntou Ryan – Eu nunca vi nada com o pé desse jeito.

–Acho que pode ser um troll – respondeu Arya meio duvidosa. Então ouvimos um rugido meio rouco vindo da esquerda de onde estávamos – É, é um troll com certeza.

Corremos para lá mas no meio do caminho nos deparamos com o que pareceu meu pior pesadelo. Um pequeno lago infestado de sapos, mas não era só isso, eram sapos gigantes, do tamanho de cachorros, com olhos roxos e pele verde parecendo musgo e escorrendo uma gosma de cima deles... Eu travei, me deu vontade de vomitar quando eu vi aquilo... Os três imediatamente olharam para mim, viram minha reação e disseram para nós rodearmos o lago. Mas não deu tempo, antes que pudéssemos dar um passo todos aqueles sapos pularam em nossa direção. Rapidamente Ryan fez uma barreira de madeira e Lorel e Arya começaram a atirar neles. Ryan tirou sua lamina dupla das costas e, correndo entre os sapos, foi cortando um por um. Haviam muitos sapos ali, eu me sentia cada vez mais aflita com aquilo. Tentei pegar minha espada para ajuda-los mas não conseguia me mexer. Então um dos sapos passou por eles... Soltei mais um grito estérico, esse que chamou a atenção do sapo e o fez pular em minha direção. Me encolhi no chão e cruzei os braços por cima da cabeça e pensei em alguma espada atravessando ele. Quando olhei haviam cinco laminas, que tinham saído do chão em volta de mim, se cruzando em cima e empalando o sapo. Saí dali de baixo o mais rápido possível e esperei eles acabarem com o resto.

Quando todos os sapos foram mortos nós nos reagrupamos para descansar um pouco. Saímos dali de perto, o lago era todo barrento e cheio de lodo, exalava um cheiro muito forte ,devia ser por isso que tinham tantos sapos ali. Ou sera que era daquele jeito por causa dos sapos? – subiu um arrepio pela minha coluna – Sentamos e esperamos um pouco até que de repente o cheiro começou a mudar.

–Estão sentindo esse cheiro? – Perguntou Lorel.

–Sim, um cheiro meio amargo né? – respondi.

–Isso mesmo, e parece que ta vindo... Do lago!?

–Do lago? Espera – Lorel apertou os olhos na direção do lago – Aquilo é uma nevoa roxa?! Não pode ser, de novo não!

Lorel saiu correndo para lá, nos levantamos e tentamos seguir ela. Chegando na região ode matamos os sapos nós vimos o que pareceu um pesadelo para Lorel.

–Não, não, não, não, não... Isso não pode ta acontecendo de novo – a névoa roxa tinha aparecido de novo, aparentava ter saído dos sapos mortos gigantes que tinham sumido dali – Nós não podemos deixar isso acontecer – ela começou a criar paredes de gelo em volta da névoa – Façam alguma coisa também!

Arya atirou uma chama no meio dela mas nada aconteceu.

–Eu acho que sei como resolver isso – Disse Ryan – Lorel você consegue fazer uma redoma de gelo?

–Acho que consigo, mas eu nunca tentei.

–Então quando eu disser faça uma com seu gelo mais forte e mais frio que não vá derreter.

Ryan, andou um pouco para frente. Se abaixou e colocou as mãos no chão. Dava para ver raízes crescendo de baixo da terra e se espalhando. Nos quatro cantos daquela área cresceram totens em forma de cataventos que começaram a girar, as árvores dali reposicionaram suas folhas direcionando o vento e a névoa começou a se juntar.

–Agora Lorel!

–Que o topo das montanhas mais altas presenciem este feito. Zero Graus! – ela começou a balançar as mãos circularmente, foi se formando gelo em volta da névoa que estava condensada bem em cima do lago. No final da “dança” havia se formado uma esfera perfeita de gelo com uma névoa roxa dentro.

–Até que ficou bonita a combinação – Brinquei.

Lorel deu um sorrisinho, respirou fundo e fez um suporte para a esfera no meio do lago.

–Obrigado pela ajuda Ryan.

–Não foi nada. Essa floresta é minha casa também, eu não ia querer que algo como aquilo aconteça de novo.

Voltamos a caminhar para sair logo daquele pântano, já estávamos ali a varias horas. Não dava para saber a hora do dia pois as árvores tampavam o céu. A vegetação começou a ficar mais densa conforme avançávamos.

–Ei, esse lugar não me é estranho – sugeriu Arya – Acho que já passamos por...

Não deu nem tempo de Arya terminar a frase quando nos deparamos com um lago que para nossa surpresa tinha uma esfera de gelo em cima dele.

–O que?! Só pode ser brincadeira, nós andamos em circulo – esbravejei – Eu falei para cortarmos os galhos que estavam na frente mas, NÃÃÃO, VAMOS CONTORNAR, É MAIS FÁCIL...

–Affe Ellie, é só a gente voltar a caminhar – Respondeu Lorel – e para de falar assim, não foi desse jeito que eu falei.

–É só a gente voltar a caminhar? Então tá, vamos para o sul. Más espera, não da pra saber pra que lado é porque NÃO DA PRA VER O SOL!!!

–NÃO É CULPA MINHA, VOCÊ QUE TAVA TODA APRESSADINH...

VUUUSHHH... Passou uma chama enorme entre mim e Lorel, que queimou as árvores formando um corredor direto para fora.

–Quietas. Nós vamos por ali. E parem de brigar – Falou Arya com a cara fechada apontando para o corredor.

Eu olhei para Lorel, ela me olhou de volta com uma cara de susto, e nós começamos a seguir a Arya.

Após algum tempo de caminhada o pântano começou a ficar menos denso, o ar mais puro e os raios solares voltaram a aparecer. Então saímos de dentro dele e nos deparamos com um vale enorme e cheio de plantas rasteiras.

–Nossa, que bonito – Ryan falou abrindo um sorriso.

–Você nunca tinha vindo aqui não? – perguntei.

–Não. Na verdade acho que nunca tinha saído da floresta.

–Então bem vindo ao lado de fora.

Sorrimos juntos e fomos rumo ao sul.

Notas finais
Alpaca. Um animal da hora