Dark Steel
6 O lobo e os mortos
Notas iniciais
Tudo naquela floresta parecia estar com medo. As árvores pareciam estar se encolhendo, os animais pareciam estar fugindo de dentro dela. Parecia que algo de ruim estava acontecendo la dentro. Seguimos para dentro dela e logo começaram a aparecer rastros de batalhas, algumas árvores tinham arranhões de garras, outras tinham lados quebrados por ataques de martelo. Continuamos andando até que nos deparamos com um grupo pequeno de orcs. Enquanto cuidávamos deles, avistei meio ao longe a figura de um lobo de pelagem ruiva parecendo bronze que estava matando alguns orcs também. Quando ele acabou com os que estava lutando veio correndo ferozmente em nossa direção com cara de que ia nos atacar. Acabei de matar o orc que estava em meu caminho e fui rumo ao lobo... Com tantas criaturas que eu ja havia matado nao ia ser para um lobo que eu ia morrer... ele estava correndo em minha direção, parei e aguardei o momento certo para atacar, quando ele chegou perto eu brandi minha espada mas ele pulou por cima de mim. Segui ele com os olhos, só deu para ver a silhueta dele pois os poucos raios de sol que passavam pelas árvores me segavam, ele erá enorme. Caiu atrás de mim ja com as garras enfiadas no peito de um orc, o ataquei enquanto ele estava desprevenido mas minha espada foi repelida pelo pelo dele. Olhei direito e vi seu pelo refletindo a luz do sol, ele devia ser realmente de bronze. O lobo virou para mim com uma cara de quem dizia “cuidado”, então ele ficou sobre duas patas e continuou atacando os orcs. Fiquei confusa, nao tinha entendido nada do que havia acontecido mas percebi que ele estava do nosso lado.
Quando a pequena batalha acabou, o lobo se aproximou de nós, ainda sobre duas patas e então começou a brilhar. Quando o brilho sumiu o lobo tinha se transformado em um elfo do cabelo ruivo e com roupas verdes, com uma lamina dupla nas costas (arma que parece um arco mas é feito por laminas em vez de madeira). Nós três ficamos de boca aberta.
–Olá, meu nome é Ryan.
–Como você fez isso? – nós três perguntamos.
–Fiz o que? Ah, me transformar em lobo? Hehe, eu sou um Druida, Meridia nos deu o poder de nos transformar em algumas criaturas para poder proteger a floresta. Mas só podemos nos transformar se for extremamente necessário. E vocês, quem são?
–Lorel.
–Sou Arya – ela falou ficando vermelha.
– Eu sou Ellie. Viemos da cidade SilverRain do outro lado das montanhas.
–O que fazem por aqui?
–Estamos viajando para o sul, para o castelo de Massamuni.
–Nao sei quem é. Más enquanto estão aqui vocês poderiam me ajudar? Essa região da floresta foi quase toda tomada por eles.
–E como esta a cidade? – perguntou Lorel.
–Eles estão conseguindo resistir bem. Estão mantendo os orcs bem afastados da entrada.
–OK então, vamos limpar por aqui.
Começamos a lutar e contra eles e, a medida que matávamos, íamos avançando cada vez mais para dentro da floresta. Ryan não se transformou mais em lobo, a luta ficara bem mais fácil depois que nos juntamos. Após algumas horas a batalha nos levou até um acampamento deles. Nos arredores haviam alguns poucos, então nós matamos fácil, más quando entramos demos de cara com um grupo pré-montado e três orcs brutos (lembrando: orcs brutos são orcs maiores do que o normal, 3 metros, geralmente são os comandantes de algum grupo) .
–É acho que ta na hora de eu começar a usar minhas magias – Ryan falou guardando a lamina dupla nas costas. Em seguida ele abaixou, respirou fundo, e sussurrou enquanto colocava as mão no chão – Prisão de madeira.
Do chão ao pé de cada um dos três brutos sairão troncos retangulares que formaram jaulas em volta deles. Pensamos que eles ficariam presos por um bom tempo, mas eles bateram suas marretas tão forte contra as jaulas que elas se quebraram facilmente.
–Âh... Não achei que seria tão fácil assim... Deixa que eu cuido deles – disse Ryan com uma cara de decepção.
–Arya ajuda ele. Lorel me ajude com esses menores aqui.
–OK.
Haviam apenas uns 40 deles ali. Sequei meu escudo e espada e a apontei para eles, estes que vieram para nos atacar. Um deles se aproximou e balançou a espada em minha direção, dei um pulo para trás desviando do ataque e corri em sua direção o cortando no peito, defendi o golpe de outro e o perfurei no pescoço. Lorel lançou uma saraivada de flechas por cima de mim livrando o caminho me permitindo rolar desviando de um orc que descera seu machado com tudo. Minha armadura era pesada, então faltou um pouco de destreza na rolagem. No entanto, levantei ja balançando a espada e cortando ao o rosto de outro. Senti que ja possuía mana suficiente para dar um bom ataque, então a liberei. Saíu da espada varias lanças em direções aleatórias acertando vários orcs. Lorel aproveitou minha deixa e também usou uma magia.
–Flecha perfurante! – Ela atirou uma flecha que voou velozmente e atravessou uma fileira de orcs deixando um buraco bem grande por onde passou.
Todos os orcs normais ja estavam mortos, só faltavam os brutos agora. Fomos ajudar Arya e Ryan mas parecia que ja estava tudo sobre controle. Em deles ja estava morto, os outros dois estavam sendo cuidados cada um por um. Arya estava atacando um com laminas e garras de fogo enquanto desviava de longe. Ryan pilava de um lado ao outro desviando e atacando com maestria o que parecia ser o líder de todos. O orc balançou a marreta, Ryan desviou por baixo e deu um pulou cortando o peito dele, então o orc tentou o agarrar mas Ryan agiu rapidamente cortando o pulso dele e depois enfiando a ponta da lamina em seu peito e caiu abrindo um corte enorme no peito do orc, então Arya também finalizou o seu com uma lamina de fogo no pescoço.
–Bem, obrigado pela ajuda, foi bem mais fácil assim.
–Hey, você é bem forte, agora nós que te pedimos ajuda. Você pode nos ajudar na nossa missão? – perguntei a ele.
–Uhmm... É, acho que os guardas da cidade consegue manter aqui a salvo de agora em diante. Tudo bem, eu vou – ele concluiu dando um sorriso bem aberto – Ah, em quanto você lutava eu percebi que você nao teve um treinamento com magia.
–É verdade.
–Vou te dar uma dica que vai facilitar bastante pra você usar magia. Antes de você for liberar sua mana, pense fixamente em que você quer que aconteça, em seguida diga um nome para a magia, da próxima vez que você quiser usa-la de novo vai ser bem mais fácil.
Voltamos a caminhar para o sul, agora com mais um integrante no grupo. Ryan era um elfo bastante solitário, ao que parecia, pois nao parava de conversar e contar historias que nos divertiam enquanto caminhávamos. Histórias de batalhas que ele ja teve e outras sobre coisas engraçadas que aconteceram com ele.
–Eu ja contei de uma vez que eu que eu estava tomando banho em uma lago? Ai uns ursos me atacaram e eu tava desprevenido, o único jeito de eu me defender foi me transformar, ai nós lutamos por toda a floresta até que eu venci perto de uma taverna onde trabalhavam varias garotas bonitas. Então me destransformei para impressiona-las, quando percebi, eu ainda estava pelado...Saí correndo de vergonha e até hoje nunca mais voltei lá...
Nós quatro riamos bastante a cada história que ele contava.
–Quantos de você existem. Quero dizer, quantos Druidas? — perguntou Arya.
–Ahm... Agora acho que só uns 3 ou 4. Antes existiam mais, algo deve ter acontecido com Meridia pois ela nao esta mais nos criando.
–O que houve com os outros?
–Alguns acabaram morrendo, nós somos elfos mas a transformação precisa de algo em troca, e esse algo é parte da nossa vida. E outros se cansaram dessa vida e ou fugiram ou desfizeram o acordo com Meridia.
–É realmente uma pena. Vocês parecem ser uma grande ajuda para a floresta.
Ja chegava a noite quando paramos e resolvemos dormir por ali. Colocamos nossas coisas juntas, Arya fez uma fogueira e nos deitamos em volta dela. Logo que deitei eu cai no sono, mas esse sono não durou muito. No meio da noite acordei ouvindo o som de ossos batendo e com Lorel gritando.
–ELLIE, ELLIE, ACORDA. ESTAMOS SENDO ATACADOS.
Levantei imediatamente, os três ja estavam de pé, más sem armas. Olhei em volta e vi um monte de esqueletos nos cercando.
–E as armas? – perguntei.
–Ainda estão ali mas não da pra chegar nelas, os esqueletos estão no caminho – respondeu Lorel.
– Arya você pode fazer alguma coisa?
–Vou tentar.
Arya apontou a palma da mão na direção dos equipamentos e, fazendo força, soltou uma bola de fogo que atingindo os esqueletos explodiu lançando ossos para todos os lados e liberando o caminho. Corremos até la e pegamos nossos equipamentos. Os esqueletos nao tinham armas mas eram muitos, então comecei a os atacas sem preocupações. A cada corte que eu dava eu acertava uns 3 esqueletos e eles se desmontavam no chão. A luta tava sendo bem fácil, a vantagem estava clara para nosso lado então resolvi olhar para trás para ver como os outros estavam indo e fiquei assustada. Parecia que com todos os esqueletos que eu havia matado nao havia diminuído o numero deles. Virei para frente de novo e lembrei da dica que Ryan tinha me dado. Imaginei uma lamina curvada saindo de minha espada e disse balançando a espada:
– Lamina voadora!
A lamina saiu voando para frente acertando um monte de esqueletos e abrindo um corredor. Corri para fora da multidão de ossos vivos e olhei para eles novamente então vi que os esqueletos que haviam acabado de ser desmontados estavam se reconstituindo e se levantando de novo.
–Não esta adiantando nada atacar eles! – gritei para os outros.
–Só atacar eles não vai adiantar. Vocês tem que dar um jeito de as partes deles não poderem se juntar de novo – Respondeu Ryan.
–Queimar eles adianta?
–Se voce conseguir derreter eles sim. Congelar eles também da certo.
–E eu, o que eu posso fazer? –perguntei.
–Tente quebrar o cranio deles, acho que também funciona.
Coloquei o escudo nas contas e segurei minha espada com as duas mãos. Concentrei toda minha força e comecei a atacar com tudo um por um na cabeça. Realmente deva certo, eles não reconstituiriam mais quando se partia o cranio. Após algum tempo nós conseguimos dar conta de todos então nos juntamos para descansar.
–Onde é que nós estamos? – perguntou Ryan.
– Na parte sudeste da floresta, quase na saída – respondeu Lorel.
–Ai que droga, nós estamos entrando nos domínio do mago negro, o cemitério do necromante.
–O que? Más aqui era um cemitério normal antigamente
–Sim mas a uns 8 anos esse necromante tomou conta dele e começou a viver aqui e atacar as pessoas que vinham até ele.
–Meus parabéns viajantes, vocês conseguiram sobreviver ao primeiro ataque. Más infelizmente vocês destruíram um bom numero dos meus fantoches – falou uma voz misteriosa que vinha do meio da floresta – E ISSO É IMPERDOÁVEL!! – esbravejou aumentando o som — VENHAM ATÉ MIM SEU INSOLENTES!
–Ele nao vai nos deixar sair daqui, vamos até ele – Ryan falou andando em direção a escura floresta noturna.
A noite estava bem escura, nao dava para ver quase nada em volta. Chegamos na entrada do cemitério, assim que entramos varias tochas se acenderam em volta. Olhamos a diante e la na frente vimos o necromante sentado em um trono de pedra com dois esqueletos gigantes dos lados dele.
–Bem vindos ao meu cemitério, agora paguem com suas vidas e se tornem meus fantoches também, HAHAHAHAHA!
Ele levantou a mão e então todos os mortos do cemitério levantaram de suas covas e vieram para nos atacar.
–Será inútil tentar acabar com todos eles, nós ficaremos lutando até amanhecer – falou Lorel – Vamos tentar matar o necromante, se matarmos ele os esqueletos morrem também.
Ela atirou uma flecha na direção dele mas um dos esqueletos gigantes a parou com a falchion (espada de lamina curvada e larga). Corremos em direção a eles e então Ryan usou uma magia.
–Torre de madeira!
Cresceu do chão um tronco muito grosso que nos levantou junto com o necromante e mais alguns esqueletos.
–O que, não era pra você fazer isso seu miserável! – exclamou o necromante.
–Deixa que eu cuido dos esqueletos menores – Sugeriu Lorel.
–Eu cuido de um grande.
–E eu do outro – também sugeriram Ryan e Lorel.
–Então você é meu – vociferei olhando diretamente nos olhos dele.
Corri em direção a ele mas os dois esqueletos gigantes entraram na minha frente, então Ryan pulou acertando um chute nas costelas de um o lançando para um lado e Arya acertou uma garra flamejante no outro o jogando para o outro lado.
Dei um sorriso e continuei indo em direção e ele, mas ele saiu correndo até deparar com a beirada da torre. Me aproximei dele e então ele se virou rapidamente tentando me acertar com uma adaga, mas eu defendi com a espada mesmo.
–Pensou que eu não sabia lutar corpo a corpo né? Esta enganada – ele desferiu vários cortes mau dados no ar, defendi facilmente todos eles.
–Pode confessar, você não é nada sem seus “zumbis”. Não consegue nem atacar direito com uma simples adaga.
–Cale a boca!
Ele atacou com toda a força, eu bati com o escudo na adaga e o braço dele foi jogado para trás abrindo a guarda, então enfiei minha espada em seu peito – Você cometeu um erro ao nos atacar – o forcei contra o chão – devia ter treinado mais com armas. Descanse em paz, hahaha.
O necromante morreu e junto com ele todos os outros esqueletos morreram também. Ryan abaixou a torre e nós voltamos para nosso acampamento e dormimos o restante da noite.
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