Dark Steel

11 A luta contra o samurai - parte 2


Notas iniciais
Era como se outra pessoa estivesse dentro de mim, me controlando. Mas ao mesmo tempo eu é que me movia. era estranho. trilha sonora : https://www.youtube.com/watch?v=1wtxnk5KE8s

Masamuni havia removido mais uma parte de sua armadura. Com certeza ele ficaria muito mais rápido agora, e só haviam três de nós. Pensei que com o tempo a luta ficaria mais fácil, mas o que aconteceu foi justamente o contrário. Nós quatro nos encaramos por alguns momentos então a batalha recomeçou. Ryan correu em sua direção e junto com ele seguiram dois pilares de madeira. Ryan parou de correr de uma vez mas os pilares continuaram. Parecia que eles tinham vida própria, eles atacavam o samurai seguidamente. Enquanto isso Ryan se abaixou, juntou as mãos e as colocou no chão. Raízes começaram a sair de seus braços e se enfiar de baixo das pedras então começaram a crescer seis grandes troncos em volta do samurai. Esses troncos se estenderam até o teto, e dentre eles saiu uma chama verde ligando os seis formando um hexagrama.

—Selo de seis totens – Falou Ryan ainda com as mãos no chão e olhando fixamente para o samurai. Seus olhos estavam ainda mais verdes do que o natural, parecia que eles refletiam as chamas – Isso nos dará algum tempo para planej...

Antes que Ryan terminasse a frase Masamuni balançou sua katana para os lados com tanta força que o vento que saiu passou direto pelos troncos os cortando ao meio e ainda acertando algumas colunas e também as dividindo.

Partes do teto começaram a cair, como se não bastasse Masamuni mais forte ainda teríamos que tomar cuidado com o teto que poderia desabar a qualquer momento.

—Meus Deuses... – Ryan falou com um certo tom de desespero na voz – um dos meus selos mais fortes não segurou ele por nem dez segundos.

—Eu já esperava que isso fosse acontecer – retrucou Lorel – Ele foi um imortal, viveu com os Deuses, e recebeu poder diretamente de um Rei Demônio. Teria que ser um selo de mais de cem totens para pará-lo.

O samurai preparou a espada para dar um ataque. Nos preparamos para defender então de onde ele estava ele atacou.... Quando menos percebemos o braço dele já estava esticado para o lado como se já tivesse feito o ataque. Como reflexo nós três nós defendemos então uma rajada de vento soprou em nossa direção. Ficou difícil se mover, então em um piscar de olhos o samurai saltou para o rumo de Lorel – agora dava para ver a real velocidade de que meu pai havia falado – ela tentou atirar algumas flechas, mas o vento forte tirava velocidade delas. Corri para o rumo para a ajudar, mas o vento me empurrava para trás dela, então me lembrei de quando fui atacada pelos sapos no pântano.

— EMPALAR! – gritei enquanto olhava para o samurai. De debaixo dele saiu uma lamina do tamanho da espada de Raendal o forçando a parar o ataque e desviar. O vento parou, Lorel logo armou um ataque e disparou uma flecha nele, mas como antes ele apenas a cortou ao meio.

— Flecha rastreadora! – Lorel proferiu assim que o samurai cortou sua flecha. Da ponta da flecha saiu um espinho de gelo que foi diretamente para a cabeça dele. Ele se desviou, mas logo em seguida Lorel atirou mais uma, e outra, e outra flecha, e ia sempre correndo para os lados alternando entre flechas normais e flechas de gelo. Porém parecia que sua mana já estava acabando, suas flechas de gelo derretiam alguns metros depois do samurai. Depois de algumas flechas Lorel parou e disse – Espelhos Gêmeos! – Em volta e em cima do samurai apareceram espelhos feitos de gelo. Aparentemente as flechar de gelo derreteram para forma-los sem que o samurai percebesse. Então Lorel atirou atrás de um dos espelhos, a flecha entrou nele e saiu de dentro de três outros espelhos diferentes. Masamuni defendeu uma, se desviou de outra mas a terceira o atingiu na coxa. Então Lorel começou a correr em volta e a atirar em vários espelhos forçando o samurai a se concentrar somente em se defender, pois estava sem armadura agora. Então ela deu o ataque final – Ponte de Gelo! – mais uma vez ela puxou o fio do arco sem nada e soltou saindo literalmente uma ponte de gelo e entrando atrás de um espelho e saindo de mais três espelhos, então de cada ponte começou a chover flechas todas em direção ao samurai.

Masamuni viu que aquele ataque lhe causaria muito dano então se concentrou por um segundo e desferiu um corte com tanta velocidade que mal deu para ver seu movimento, o rastro de sua espada deixara um vácuo em toda sua volta e laminas de vento saíram em todas as direções destruindo completamente todas as flechas, pontes e espelhos. Ele parou por alguns segundos, parecia que ele estava tomando folego

Percebemos que ataques um a um não iria adiantar então fomos pra cima juntos. Ryan e eu corremos em direção a ele enquanto Lorel dava cobertura. Ela ainda estava usando as flechas rastreadoras, o que dava mais aberturas pra mim e pro Ryan atacarmos. Enquanto ele se desviava de uma flecha eu ataquei com uma espada na altura do pescoço, mas ele bloqueou, e com a outra espada eu impedi o caminho de sua perna que se desviava das laminas de Ryan que as cortaram mas superficialmente. Ele saltou para trás e fez que ia dar um impulso para nos atacar mas Lorel atirou no rumo onde ele iria, então ele ficou parado e nós fomos em sua direção. Ryan começou a correr de lado novamente fazendo crescerem pilares de madeira para o acertar, mas ele os cortava como se fosse uma brincadeira. Fiquei meio de longe e comecei a cortar o vento atirando lanças nele mas ele desviava ao mesmo tempo que cortava os pilares.

Então investi em um ataque normal e o cortei nas costas...ele não desviou e nem bloqueou...

Achei estranho, ele conseguia desviar com tanta facilidade de tantas lanças e bloquear tantos pilares mas um ataque normal ele não conseguiu prever?... – Prever! Mesmo estando de costas ele consegue desviar de ataques que vinham voando, é lógico, a energia espiritual dele é “ar” então ele sente tudo que está ao seu redor... Mas se fosse assim ele teria sentido um ataque normal também... Um ataque normal... Será que ele sente a magia chegando? Bom, ele viveu com os Deuses, deve ser de se esperar uma coisa dessas – Me lembrei que no decorrer de toda a luta, sempre que vinha um ataque magico ele se desviava e quase sempre que vinha um ataque normal ele defendia (menos quando era o Raendal ¬¬)

Então tive uma ideia: Como ele “previa” os ataques mágicos eu poderia usar eles como distração.

—Laminas ascendentes! – fiz com que elas viessem do lado dele e não de onde eu estava.

Ele saltou um pouco para trás achando que eu estava de onde elas haviam crescido, então eu cortei suas costas. Realmente era o que eu havia imaginado. Ele se virou para mim e tentou atacar. Tive que defender com as duas espadas para não colocar em risco nenhuma delas. Ele seguiu em uma série de ataques ferozes me fazendo recuar. Ele devia ter percebido que eu havia descoberto seu “ponto cego”. Ryan tentou o acertar nas costas com a lamina, mas o samurai me viu olhando para ele e defendeu. Então tentei enfiar minha espada no peito dele mas ele estava prestando mais atenção em mim e se desviou. Então ele se afastou um pouco fez um disparo de vento em minha direção me jogando para trás então ele foi em direção a Lorel. Ryan correu atrás dele pois Lorel não tinha muito como se defender. Ela atirou algumas flechas antes que ele chegasse perto mas nenhuma o atingiu. Ryan colocou um totem no caminho dele mas ele simplesmente cortou o totem ao meio. Masamuni desferiu um ataque em Lorel, ela deu uma rolada para o lado e de trás de onde ela estava Ryan fez crescer um punho de madeira que o acertou em cheio. O samurai se virou já dando um corte, Ryan bloqueou mas o samurai aproveitou o impulso para dar um chute com impacto arremessando Ryan para o lado. O samurai se voltou para Lorel ao mesmo tempo que se desviava de uma de suas flechas de gelo e disparou uma bola de ar em Lorel a jogando para trás. Me levantei correndo para a ajudar e o ataquei nas costas, mas já era tarde... Masamuni havia enfiado sua katana entre as costelas dela... Me lembrei da luta contra o Wukong... Eu não consegui proteger ela pela segunda vez...

Senti meu corpo esquentando, meu sangue fervia em minhas veias. Acabara de perder mais um companheiro... Só restara Ryan e eu. Olhei para Ryan, ele parecia assustado.

—Ellie, desse jeito nós nunca vamos vencer ele. Eu vou segurar ele o máximo que e conseguir. Corra lá em baixo e procure a tal espada. Com ela talvez tenhamos uma chance – Ryan falou em quanto se transformava em lobo. Não achamos que chegaria a esse ponto mas fiz o que ele disse.

Corri em direção à escada atrás do trono. O samurai correu para entrar em minha rente mas Ryan o deu uma patada no braço o jogando para o lado e quase o fazendo soltar a espada. Fiquei meio relutante de deixar Ryan lutar sozinho com ele mas lembrei que sua pelagem era como um escudo de bronze. A escadaria estava meio longe, então tive que correr bastante em quanto o samurai fazia de tudo para me alcançar, mas Ryan bloqueava seu caminho. Então o samurai deu um chute que jogou Ryan para trás com tudo em veio em minha direção. Não havia mais nada em seu caminho, justo quando eu estava chegando na escadaria o samurai colocou sua katana para trás para atacar com tudo. Aquele ataque iria me matar com certeza. Então eu ouvi um rugido parecido com o de um dragão. A parede do nosso lado quebrou e de dentro dela saiu um borrão vermelho que acertou em cheio o samurai o arremessando para o lado.

—Miraculo!! – gritei de alegria. Ele estava muito maior, quase do tamanho do ancião da caverna. Ele olhou para mim e balançando o rabo com a língua para fora. Então olhou para onde Arya estava caída e olhou de volta para o samurai fechando a cara.

Agradeci aos Deuses por mandarem ele de volta e desci a escadaria. Lá em baixo era bem diferente. Era um corredor com várias salas ligadas. Uma sala com armaduras, uma com espadas, uma com livros (não sei por que senti que Arya iria adorar aquela sala), uma sala de forjas e ferrarias... e lá no final uma sala separada. Fui direto nela. De lá de baixo dava para ouvir os escombros da luta. Fui correndo até a sala e vi lá, em um pedestal, o único objeto da sala. Era linda, tinha três rosas que separavam seu cabo de sua lamina, um ramo espinhento que dava voltas largas no cabo e sua bainha que tinha um detalhe lindo.

(imagem da espada nas notas finais)

Senti a espada me atraindo, parecia que ela chamava meu nome. Minha mão se movia sozinha em sua direção. Relutei um pouco então percebi saindo de mim uma nevoa negra. Eu sabia que se pegasse naquela espada perderia o controle de novo. Então ouvi algo como um sussurro de centenas de vozes juntas em minha mente.

—Pegue!

Como um impulso eu peguei a espada. Quando coloquei minha mão nela senti algo entrando em meu corpo. Comecei a me sentir mais quente, sentia meu corpo ser preenchido por uma presença que não era minha. As rosas da espada ficaram negras. Meu campo de visão começou a se fechar. Então eu comecei a resistir e ao mesmo tempo falar.

—Quem é você? De onde você veio?

—Eu? Eu sou a escuridão, alguns me chamam de abismo – mais uma vez ouvi o sussurro dentro de mim – De onde eu vim? Haha, eu já estava aqui desde antes de você saber.

—Por que você quer tomar o meu corpo? O que eu te fiz?

—Tomar seu corpo? Haha, criança, eu só quero me divertir um pouco. Já fazem séculos que eu não saio completamente e essa é a oportunidade perfeita já que esta lutando contra um dos imortais.

—Séculos? Mas e lá no templo dos orcs?

—Aquilo não foi nem uma parcela do meu poder, hahahaha. Mas já que insiste eu não vou me libertar, vou apenas te dar meu poder. Não solte esta espada, ela é um catalisador muito poderoso...

Minha visão se abriu de novo, mas havia algo estranho. Me virei para trás e vi meu próprio corpo. Meus olhos estavam negros assim como as rosas. Eu me movimentava livremente mas parece que minha mente e meu corpo estavam separados.

Voltei lá para cima, Ryan e Miraculo ainda estavam de pé. O samurai olhou diretamente em meus olhos, eu senti a fúria dele. Foi como quando ele acordou. Mas dessa vez pareceu que minha presença estava maior e não senti nada me empurrando para baixo.

—Ryan, Miraculo. Podem se afastar, eu tomo conta agora...

Ryan olhou para mim com uma cara de espanto então se afastou junto com Miraculo.

Masamuni mal esperou eles se afastarem e já pulou para cima de mim para atacar. Eu com um simples balançar da espada defendi então contra-ataquei com ataques corpo a corpo. Nossas posições pareciam ter mudado, agora ele que não conseguia me acompanhar. Ele soltou um disparo e me jogou para trás então eu ouvi um sussurro e repeti o que ele disse colocando a mão para frente:

—Devorador! – saiu uma esfera de nevoa negra da minha mão. O samurai desviou, ela acertou uma coluna atrás que foi corroída pela esfera instantaneamente.

O samurai investiu em minha direção dando vários ataques que eram bloqueados pelas minhas espadas então ouvi outro sussurro:

— Onda devoradora!— saiu uma onda negra que foi corroendo tudo que estava no caminho, o samurai deu um salto para o lado desviando dela. Ochão havia formado um caminho livre de ossos e a pedra havia se afundado um pouco também. Ouvi outro sussurro – aaah, o gosto de sangue... – olhei para Masamuni, ele estava sem um braço.

Percebi que o samurai já havia perdido as esperanças. Ele segurou a katana firme e deu uma serie de cortes no ar. Várias laminas de vento voaram em minha direção. Me desviei delas e então outro sussurro me veio na mente:

—Dança das Espadas, Capitulo 1: Valsa da Morte!— Minha visão se escureceu. Eu não enxergava nada, só meu corpo. Nem minhas espadas nem minha armadura. Então começaram a aparecer posições e eu automaticamente comecei a cumpri-las. Aquilo realmente parecia uma valsa, mas com movimentos um pouco diferentes. No último movimento eu jogava minha mão para o lado como se cortasse algo e a colocava em minhas costas me inclinando como em um agradecimento.

Minha visão voltou. Eu realmente estava inclinada com uma mão nas costas e uma na barriga, ainda segurando minhas espadas. E o samurai estava ajoelhado no chão à minha frente com vários cortes pelo corpo.

É o fim – pensei, mas de repente ele pegou a espada no chão, a levantou e pra minha surpresa ele a enfiou em sua própria barriga e começou a gritar. Imediatamente começou a sair uma rajada de vento em volta dele e varias laminas começaram a voar na direção das colunas. Olhei para Ryan e nós três começamos a correr em direção aos que estavam desacordados. Ryan e Miraculo eram mais rápidos pois tinham quatro patas então foram em Arya e Raendal que estavam mais longes. Corri em direção a Lorel. Já estava tudo tremendo. Peguei ela e coloquei no meu ombro. Ryan e Miraculo passaram voando em direção à escadaria. Sai correndo seguindo eles, mas eles eram muito mais rápidos. Não ia dar tempo de chegar lá, o teto já tinha começado a desabar. Uma pedra enorme começou a cair bem em cima de mim quando de repente meu corpo se desfez em uma nuvem negra e voou velozmente até a escadaria...

Estávamos seguras, todo mundo estava ali. O castelo todo em cima desabara bloqueando a saída. Embainhei a espada, meu olho e as rosas voltaram a suas cores normais.

Decidi que ficaríamos ali até todos se recuperarem.

Nós matamos um Imortal.

Notas finais
Fim do primeiro arco : A Espada Do Imortal. espada : http://kodamacreative.deviantart.com/art/Commission-Sword-Design-Rose-Blade-487390193?q=favby%3Aarmagedom14%2F51957883&qo=5