Notas iniciais
Ooooooi anjos, me desculpem a demora, eu estou totalmente ocupada essas ultimas semanas, são provas e simulados, uma atrás do outro, então não estranhem se eu não postar regularmente enfim responderei os reviews mais tarde, amanhã tenho prova e talvez a tarde ou a noite eu consiga tempo para respondê-las o capitulo não tá lá essas coisas porque fiz agora mesmo e to sem inspiração espero que gostem

Capitulo XVIII

leiam as notas acima

Matt parecia mais pálido do que o normal, sua boca estava avermelhada devido ao sangue que peregrinava por aquela região. Sentia-me desesperada, sentia-me frustrada. Não podia imaginar que era o Matt morto, não podia imaginar que algum dia eu estaria tão perto de um campo não vivo dessa forma. Eu já tive muitas experiências com o assassinato de Isaac, qual ninguém conseguiu solucionar e agora Matt fazia parte de tudo isso. Ele estava morto, ele era inocente e agora não havia como fazermos vingança por ele, ninguém tinha respostas, nem mesmo Andrew.

E Andrew? Ele se sentia tão culpado pelo o que estava acontecendo, a volta dessa frustração, do caos. Matt era seu amigo e eles haviam dividido segredos, medos e agora Matt estava morto e ninguém sabia por quê.

Quando deixei aquela ultima visão de policiais transitando de um lado a outro naquela praça sombria, tudo que eu queria era voltar para casa, me aconchegar em lençois quentes e esperar que tudo se resolva, esperar por uma noite de sono sem pesadelos, esperar que minha vida volte ao normal, que eu pareça com os adolescentes da minha idade, preocupados com os testes da faculdade e relacionamentos. Eu queria poder ser uma garota normal e pela primeira vez poder esquecer de tudo. Eu queria esquecer.

Tentei relaxar no banco do carro, estava tudo tão gelado apesar do aquecedor estar ligado. Eu tinha o rosto pressionado no vidro do carro tendo fracamente uma visão da estrada e das casas lá fora. Já era uma hora consideravelmente tarde e eu sabia que como uma cidade pequenas, as pessoas estavam em suas casas se preparando para dormir depois da festa do prefeito e das noticias da morte do Matt. Amanhã certamente toda a cidade já estaria sabendo.

Eu olhei rapidamente para Andrew, ele estava imóvel, como sempre, seus olhos mirando a estrada e parecia estar bem longe daqui. Eu estava preocupada com ele, Andrew normalmente nunca é tão calado, não quando está se sentindo bem, o que não era este caso. Eu queria poder confortá-lo de alguma maneira, mas não sabia como começar. Eu queria ser forte por ele, queria que ele soubesse que não importava o rumo de tudo isso, eu continuaria do seu lado tentando protegê-lo dos seus pensamentos conturbados, era o máximo que eu podia fazer. Nessas horas eu me sentia tão impotente.

– Andrew? – eu chamei seu nome baixinho.

Depois de um longo segundo, ele despertou.

– Hm? – ele murmurou avoado, seus olhos encontraram os meus e eles pareciam tão tristes, sua feição era tão frágil.

– Você está bem?

Ele fez que sim com a cabeça. Eu me ajeitei no banco.

– Você sabe que pode falar comigo, pode confiar em mim.

– Eu sei, — ele sorriu fracamente, depois segurou minha mão que estava apoiada na minha coxa e a apertou delicadamente. – você é a única coisa que me faz continuar firme, Nina.

Suas palavras fazem meu coração acelerar dentro do peito, sinto-me como se estivesse ao ponto de soltar faíscas por todo o corpo.

– É porque eu te amo.

– Eu também te amo. – ele diz e vejo um lampejo de um sorriso.

Eu não tinha ideia, até esse momento, de quanto Andrew estava sofrendo. E ele estava, muito. Isso me apertava o coração, me sentoa mais impotente do que o normal, queria poder resolver nossos problemas, por um segundo queria possuir o poder de fazer com que esquecessemos de sofrer, das perdas, das dores, do sentimento de estar perdendo a cabeça, de se estar perdendo. Quando mais Andrew e eu nos aventurávamos, mais saíamos sem compreender nada. As mortes, desde Amber e Rachel até agora não fazem sentido. Se tudo não passava de uma forma para incriminar o Andrew, por que eles continuaram? Por que escolheriam minuciosamente logo Isaac, logo Amber e Rachel? E agora o Matt? Não fazia sentido matar alguém tão proximo de Andrew para culpá-lo. A não ser que os planos tenham mudado.

– É o carro do Caleb. – ouvi Andrew dizer.

Ergui o rosto e vi que estávamos parados em frente a casa dos Blackwood e o carro de Caleb estava estacionado logo a frente.

– Será que Suzanna está com ele? – destranquei meu cinto de segurança e olhei para Andrew, mas ele não me deu nenhuma resposta.

Nós saímos do carro e andamos em direção ao alpendre. Andrew estava andando calmamente para me acompanhar, sentia sua mão percorrendo as linhas da minha – da Clarice na verdade – blusa de frio até ele chegar na minha mão e entrelaçar seus dedos com os meus. Senti meu corpo quente, mas era uma sensação bem-vinda, era como eu sempre me sentia com Andrew. Sentia-me protegida, viva. Andrew se aproximou da porta e a abriu, não havia nada de diferente até chegarmos na sala e ver Caleb sentado na ponta do sofá com Suzanna apoiando seu rosto no seu colo, um cobertor cinza cobrindo-a até os ombros. Achei que ela estivesse dormindo, mas vi que ela estava acordada ainda. Me soltei de Andrew e corri até ela. Suzanna estava com o rosto vermelho, os olhos inchados e os lábios franzidos.

– Nina. – ela gemeu meu nome e se inclinou para me envolver num abraço. Caleb se afastou para que eu ocupasse seu lugar e voltasse a abraçá-la. – Você está aqui.

– Sim, eu estou, eu estou.

Houve uma pausa para que ela ganhasse folego.

– Eu o vi, Nina, — ela choramingava e dizia entre as lágrimas. – estava tão p-pálido.

Meu coração se apertou. Eu a abraçei mais forte.

– Sinto muito.

Ela apertou com firmeza o tecido da minha blusa de frio e me puxou para um abraço mais forte, seus ombros tremulos, suas lágrimas escorrendo pelo rosto e encharcando minha blusa. Eu queria poder sugar toda a sua dor, da mesma forma como eu pretendia com Andrew. Não era justo para nenhum deles, não era justo que eles sofressem, que todos sofressem, que todos passassem por situações de perda.

– Eu queria ter feito alguma coisa, — Suzanna começou a falar. – queria ter sido mais paciente. Eu não sabia da verdade. Ele deveria ter me dito, Nina. Ele deveria. – e depois berrou ao chorar.

Eu não a compreendia, não sabia do que ela estava falando, do que necessariamente ela queria dizer sobre Matt, sobre agora saber a verdade.

– Agora ele está morto. – ela berrou outra vez, sua voz saindo abafada devido a sua boca pressionada contra meu ombro. – Eu queria que fosse diferente, Nina. Mas agora...

– Não é sua culpa, Suze. – eu sussurrei.

Ela me abraçou novamente.

– Ele estava com medo. – ela murmurou. – Tinha medo de mim, das pessoas. Se eu tivesse aceitado, talvez tudo tenha sido diferente.

Aceitado? Suzanna não poderia saber sobre o Matt, sobre o novo Matt. Ele era um vampiro e Suzanna não sabia sobre eles. Claro que não. A não ser que...

Eu olhei para Caleb. Ele estava suspeito, tinha as sobrancelhas baixas e mexia-se como se estivesse angustiado. Nervoso. Culpado. Ele não podia ter feito, não podia. Ele não ia ter a coragem de falar a verdade para Suzanna, ele sabia dos perigos, sabia que se ela soubesse, outros vampiros saberiam e a tornariam um novo alvo. Caleb não poderia ter feito isso... ele não tinha esse direito.

– O que você tinha para aceitar, Suzanna?

Ela tremeu nos meus braços.

– Sobre o que ele era.

Minha garganta ardeu.

– E o que ele era? – eu olhei dela para o Caleb. Ele tinha a expressão limpa e me encarava com os olhos arregalados.

– Você sabe... – ela sussurrou e depois se afastou. As lágrimas borravam sua maquiagem e suas bochechas estavam mais vermelhas do que o normal, como seu nariz. – Um vampiro.

– O que disse?

Eu olhei rapidamente para Andrew e ele parecia chocado.

– Eu sei de tudo, Nina. – ela tremulou, mas parecia sincera. Parecia convicta de sua resposta.

– Não pode ser, você não pode saber dos... – me interrompi.

Eu pisquei atonita, depois disso olhei para o Caleb.

– Você. – eu gritei. – Você contou, Caleb? – eu levantei com muita raiva.

– Não foi planejado.

– Não foi? – eu ri sem humor. – Você não podia contar, Caleb. Você sabe dos perigos?

– Claro que eu sei. – ele gritou de volta. – Eu não sou uma criança, Nina.

– Mas parece agir com uma. – eu dei a volta no sofá e me aproximei dele. – Você não tinha o direito de ter feito isso.

– Se acalme, Nina. – Andrew se moveu para meu lado.

– Ele contou, Andrew! – eu gritei. – Eu passei esses ultimos meses me segurando para não falar nada, para protegê-la para que no fim o Caleb achasse interessante contar para Suzanna?

– Não fale como se eu tivesse feito de proposito, Nina. – ele se defendeu.

– Você foi um imprudente. – eu gritei.

– Me ouça explicar.

– Eu não acredito. – eu passei as mãos pelos cabelos. – Você contou tudo, Caleb? Você sabe o nível de tudo isso?

Ele não me respondeu.

– Você foi um idiota.

– Não preciso ouvir seus xingamentos, docinho. – ele resmungou para mim, suas expressões conturbadas.

– E eu mal comecei. – eu apertei meus dedos no formato de um punho. Eu estava com tanta raiva que sentia meu corpo arder, era como se minha cabeça fosse explodir a qualquer momento.

– Nina, Nina... – ouvi Andrew me chamar, mas ignorei. Caleb parecia um pouco assustado agora. – Você está fazendo as luzes falharem.

Eu despertei. Ele estava certo. Eu olhei em volta e as luzes dos abajures levaram alguns segundos para voltarem ao seu brilho total. Eu não havia percebido o quão irritada eu estava. E na verdade, eu ainda estava, só não iria usar meus poderes para isso.

– Chega disso, Nina. – Andrew tentou segurar meu braço, mas me desvencilhei dele para me aproximar do Caleb.

– Eu ainda não acabei.

– Deveria. Você não sabe controlar seus poderes, Nina. – Andrew se virou para mim.

– Deixe-a, Andrew. – Caleb murmurou, não parecia intimidado.

– É ridiculo, eu sei controlar. – eu disse ainda em furia. – Diferente de outras pessoas, eu sei a hora certa de parar.

– Então pare, Nathalie.

Eu o ignorei.

– Você não tem ideia do que passei para proteger minhas amigas, Caleb.

Ele bufou.

– Eu sei, Nina, eu sei. – ele resmungou.

– Não parece. Porque agora você acabou de inseri-las em algo que elas não tinham que saber. Agora está tudo perdido, porque tanto quanto Suzanna sabe, ela corre perigo.

– Eu sei dos riscos. – ele gritou de volta. – Eu estou vivo a mais tempo do que você, eu conheco as faces da morte mais do que você tem de vida, Nathalie. Não me venha dizer sobre os perigos dessa vida, sobre as pessoas que você tenta proteger quando eu já passei por isso e ainda passo. – sua voz subiu alguns tons.

– Então não deveria me fazer passar pelos mesmos perigos que você passou. – disse-lhe irada.

– Vocês não acham isso ridiculo? – Andrew murmurou. Colocou-se ao nosso meio. – Vocês discutindo por causa de uma fatalidade.

– Diga isso para ela. – Caleb apontou para mim.

– Uma fatalidade? – eu me virei para Andrew. – Está tudo fora dos planos. Agora ela sabe.

Andrew tentou dizer alguma coisa, mas foi interrompido.

– Isso é algo ruim? – Suzanna levantou deixando o lençol cinza cair no chão. – Eu saber de toda a verdade?

– É perigoso. – eu disse.

– Perigoso mais do que já está sendo?

– As coisas saíram dos planos, Suzanna. – defendi.

– Isaac morreu ano passado, Amber e Rachel também. Todos eles morreram e não sabiam, o quão seguro é não saber da verdade, Nina?

– Você não entende...

– Não entendo mais. Não entendia nada até o Caleb me contar.

– Não jogue isso na minha cara. – murmurei.

– Quando que você ia me contar? – ela se aproximou. – De tudo? Que seu namorado era um vampiro? Que seu tio é um imortal? Que corremos riscos todos esses meses? Que você era uma... bruxa? Quando que ia confiar na sua melhor amiga? Ou em Lauren?

Eu não tinha respostas para isso.

– Nós estivemos esse tempo todo ao seu lado, Nathalie.

– Como você acha que eu iria contar isso a vocês?

– Você só tinha que confiar em nós. – ela disse.

– É tão dificil de entender? Eu não podia simplesmente chegar em vocês e falar que Sponvilly era frequentimente atacada por vampiros e eu estava me relacionando com um.

Suzanna bufou.

– Então prefiriu que deixar a gente cega nesse meio todo era sua única escolha?

– Vá com calma, Suzanna. – Andrew se moveu. – Não era seguro para ninguém que vocês soubessem de toda a verdade. Não tinhamos certeza de como vocês reageriam, se vocês iriam correr perigo por saberem da verdade, porque se outros como eu soubessem disso, certamente as tornariam um alvo.

– De qualquer forma não estou correndo esse risco?

– Está. – Caleb disse. – E isso é tudo minha culpa, certo? Eu contei a verdade para a Suzanna, ela estava pronta para saber, estávamos chegando numa situação que não tinha como inventar explicações para tanta morte. – ele respirou profundamente. – Só não culpe a Nina, Suzanna. Ela só queria seu bem.

Caleb se moveu para minha frente, entre Suzanna e eu.

– Suzanna foi atacada por um vampiro quando saiu da festa. – ele disse e depois de um rápido segundo, ele se recuperou de um rubor. Caleb estava envergonhado? Pelo o quê? Ele estava me omitindo alguma coisa. – Não tinha como mentir sobre isso, ou tinha?

Eu fiquei quieta por um segundo. Eu ainda estava furiosa com ele, mas agora havia uma explicação. Caleb havia salvado Suzanna e eu devia isso a ele, ao mesmo tempo que me sentia enciumada. Eu queria ter sido a pessoa que tivesse contado a verdade para ela, que lhe contasse tudo e do meu jeito.

– Desculpe. – sussurrei. – Eu deveria ter ouvido suas explicações. Desculpe.

Caleb balançou a cabeça.

– Está tudo bem. – ele me olhou bem fundo nos olhos, sabia que ele não guardaria mágoas. – Agora você precisa ouvir sua amiga. – ele disse na direção de Suzanna.

– Eu preciso te contar tudo, Suzanna.

Ela se aproximou.

– Eu não queria que tivesse sido assim. – eu disse. – Queria poder te contar numa hora que tudo estivesse bem, que tudo estivesse conforme o plano. Mas não é assim que acontece. As coisas sempre saem dos trilhos.

– Caleb me contou. Tudo, pelo menos algumas partes sobre o Lewis. – ela disse.

Eu suspirei. Claro que ele contaria.

– Tem detalhes mais pessoais e acho que isso o Caleb não saberia dizer. – eu disse com um pouco de mágoa. – Desculpe.

– Tudo bem. – ele disse.

– É melhor deixá-las a sós. – Andrew se moveu e beijou o topo da minha cabeça. – Pegue leve com ela, Suzanna.

Suzanna deu um sorriso pequeno, mas era uma evolução.

– Enquanto isso, você vai ter que me dar algumas explicações, Caleb.

– Eu? – ele fingiu de desentendimento. – Por que quer conversar comigo?

– Vamos. – Andrew murmurou e o puxou para o andar de cima.

Em poucos segundos, Suzanna e eu estávamos a sós. Eu a levei até o sofá e me sentei a sua frente, não sabia por onde começar.

– Será que devemos contar a Lauren? – ela disse para quebrar o silencio.

– Seria necessário. Mas não sei como começar ou quando.

– Ela está flutuando pelo Damian, então isso será complicado.

– Eu sei. – concordei com a cabeça.

Nós ficamos em silencio outra vez, sentia-me com a garganta coçando, sabia que eu deveria começar.

– Caleb te contou sobre a lenda? – eu perguntei. Era o melhor começo para se começar, onde tudo tinha surgido.

– Lenda? – ela franziu a cenha.

Tive que sorrir, pelo menos alguma coisa ele não tinha sido o primeiro.

– É como tudo aconteceu, Suzanna. Como a minha história e a do Andrew começou.

– Vocês são como aqueles casais do destino?

Eu tive que rir, mas soou estressante.

– É quase isso. Mas também fala o por quê de eu ser uma bruxa, o por quê de Andrew ser um vampiro mestiço. Fala sobre muitas coisas, fala sobre o surgimento dos vampiros.

Ela pareceu tremer quando disse a ultima parte.

– Depois disso, irei contar como eu descobri, vou contar sobre os problemas do ano passado. Tudo.

Ela suspirou.

– Eu quero saber. – ela disse com convicção. – Quando Caleb me salvou daquele homem, eu senti que alguma coisa não estava certa. Então Caleb me contou tudo e era como se o quebra cabeça estivesse se encaixando. Eu não sei como reagi tão naturalmente quando ele me disse, talvez no fundo eu soubesse que a maioria das coisas que aconteceram conosco nesses ultimos meses não foram tão normais.

Eu suspirei.

– Eu fiquei com tanto medo quando isso chegasse. – sussurrei. – Fiquei com medo de que você rejeitasse o que eu era, o que Andrew era. O meu mundo.

Suzanna segurou a minha mão.

– Você é a minha melhor amiga, Nina. Nós crescemos juntas, você é como parte da minha familia, alguem que nunca me abandonou. Eu não iria abandoná-la, você é junto com a Lauren parte da minha única familia que restou, junto com a tia Grace.

E pela primeira vez, eu tive coragem para falar com Suzanna tudo aquilo que temia dizer. Porque ela estava certa. Ela era parte da minha familia também, como meus tios, minha mãe, o Andrew, o Caleb e a Clarice, todos eles. E juntos éramos mais fortes.

Notas finais
espero que tenham gostado.