Dark - Segunda Temporada
21 Capitulo 19
Notas iniciais
Era uma das noites mais frias desde o começo do ano. O teto do quarto de Andrew roncava a cada sete minutos, despertando-me nesse meio tempo. Sua cama era tão macia quanto me lembro, confortável, quente e relaxante, mas nessa noite, nunca estive tão tensa e desconfortável como agora.
Suzanna tinha ido embora. Não era de se estranhar, prometeu a Lauren que abriria as portas do seu apartamento para ela passar a noite, pois assim podia ficar muito tempo ao lado de Damian sem precisar se preocupar com a hora de chegar em casa e também com o Billy, o seu pai.
Caleb decidiu levá-la depois da nossa conversa. Era estranho, ele estava tão prestativo com ela nessas ultimas horas, tinha me acostumado com seu ódio mútuo. Até mesmo Suzanna. Ela seria a primeira a dizer: até o imprestável do Caleb é um vampiro?
Sorri espontaneamente.
Era uma das poucas coisas naturais da minha vida, os meus amigos e minha família.
Eu teria acompanhado Suzanna em casa, era parte do nosso combinado eu também dormir no apartamento, mas não quis deixar Andrew sozinho. Ele tentava não demonstrar sua frustração interior, mas eu sabia o que ele estava sentindo, a dor que ele estava carregando. Matt tinha sido o alvo mais próximo de um amigo que Andrew já teve depois de Caleb. Até mesmo, depois de Lewis. E agora, eu podia ver nos olhos dele deus questionamentos, seus pensamentos, porque, no fim, eram os mesmos que os meus. Algo estava acontecendo em Sponvilly. E nós dois não sabíamos do que se tratava. A morte de Matt não foi convencional, não foi uma tentativa de assalto ou uma briga de bar. Fazia parte dos planos. O problema era que não sabíamos que planos eram e a que fins eles chegariam.
Isso me deixava assustada a maior parte do tempo. Quem seria o próximo? Alguém que eu amava? Eles estavam tentando atingir a quem? A Andrew ou a mim?
Depois de umas quinze tentativas de continuar com os olhos fechados, eu mudei de lado na cama e cheguei a conclusão que os planos tinham como um único objetivo destruir tanto eu quanto Andrew.
Vir-me-ei na cama outra vez. Agora para a janela. Ainda era noite, total breu, sem estrelas, sem lua, somente nuvens densas e escuras, nem cinzas eram, nem carregadas eram. Somente nuvens que tornavam todo o cenário ainda mais sombrio.
Suspirei. Desisti de dormir. Virei parcialmente para o lado e notei que Andrew dormia pesadamente na cama. Ainda bem. Ele havia demorado tanto para pegar no sono. Andou em volta da casa umas sete vezes, sentou-se na beirada da cama por quase uma hora até decidir se entregar ao conforto de colocar a cabeça no travesseiro e ir dormir.
Eu queria ter dito alguma coisa, principalmente para consolá-lo, mas não sabia o que dizer. Isso me matava por dentro. Queria ter as palavras certas, mas naquela hora, só consegui ficar em silencio e fingir que estava dormindo. Eu queria ter sido mais forte, ter abraçado-o e dito que apesar do que estávamos passando, qualquer mensagem obscura que isso queria dizer, ele tinha a mim. Eu nunca o largaria. Não importava o quão ligado estivéssemos, ele tinha a mim sempre, eu podia ser seu porto seguro, alguém que ele pudesse confiar cegamente. Eu estava aqui por ele e iríamos fazer isso juntos. Só queria ter pensado nisso antes.
Agora era a minha vez de não conseguir dormir.
Cuidadosamente, ergui-me da cama, tentei não fazer barulho. Nem me preocupei de calçar o chinelo. Os vampiros tem boas audições. Enrolei-me no primeiro casaco que vi na cômoda e antes de fechar a porta, bisbilhotei Andrew. Parecia tão imóvel quanto antes. Um lençol fino cobrindo sua cintura enquanto suas costas, ombros e braços nus estavam amostras. Os braços estavam enfiados embaixo do travesseiro e o rosto afundado nele, os cabelos negros bagunçados na testa e na bochecha. Era uma imagem angelical.
Sorri-me somente em bisbilhotar a imagem. Será que algum dia eu poderia explicar o quanto ele me fazia bem? Ou o quanto eu o amava?
Deixei as duvidas de lado e fechei a porta. O corredor estava tão escuro quanto lá fora, embora eu ainda pudesse ver algumas coisas devido a fraca luz vindo de um abajur de dentro das frestas do quarto e também da luz do corredor de baixo acesa. Andei cuidadosamente ainda sem fazer barulho e desci pelas escadas.
A casa estava totalmente vazia. Clarice decidiu passar a noite no Clã e Caleb tinha desaparecido desde o momento que deixou Suzanna em casa. Mas conhecendo ele como eu conheço, sabia que ele daria um jeito. Ele não voltaria para casa, ele não ficaria aqui quando eu estava com Andrew. Talvez ele quisesse nos dar privacidade ou mesmo se dá privacidade. Mas como eu disse, Caleb sempre da um jeito.
Ele não é de se frustrar, ou pelo menos não na forma convencional das pessoas. Quando ele sabe que não conseguirá dormir a noite por causa dos pensamentos perambulando pela mente, ele tenta arranjar outras atividades. Ele deve ter encontrado Summer por aí.
A garota que ele diz não conhecer. Clarice me contou tudo sobre ela. Ele certamente deve ter batido na sua porta e encontrado sua atividade favorita para fazer a noite. Franzi a testa. Pensar em Caleb fazendo essas coisas impróprias me dava nojo principalmente porque era como se eu tivesse imaginando um irmão. Era nojento.
Desviei da sala e andei até a cozinha. Meus pés agora estavam gelados, talvez por causa do clima. Andrew disse que ligaria o sistema de aquecimento por minha causa, ele certamente deve ter pressentido a mudança de temperatura, mas eu disse que não precisava, porque primeiramente calor, o menor que fosse, era inimigo dos vampiros. E Andrew era um vampiro. Mas agora, até que eu deveria ter concordado. Andrew era um mestiço então ele sempre mais receptível a algumas coisas humanas que a maioria dos vampiros evitam. Como sangue.
Caleb me disse uma vez quando perguntei como ele conseguia se manter tão forte com tantos humanos a sua volta que tudo isso se tratava de treinamento. Seus longos anos na terra serviram para testá-lo e a ajudá-lo a se acostumar e adaptar as adversidades do mundo. Ele era controlado, não saía dos limites nunca. Um dos motivos que tornou sua chegada em Sponvilly, Andrew o escolheu para me proteger não apenas porque eram grandes amigos, mas também porque ele confiava inteiramente em Caleb para não me machucar muito menos ninguém em volta.
Caminhei até a cozinha e procurei a geladeira. Somente agora percebi que eu estava morrendo de fome. Não tinha comido nada desde o momento que fui para casa de Suzanna para me preparar para a festa. Talvez também fosse p nervosismo, a insônia, eu precisava manter o estoque sempre cheio também.
Quando abri a geladeira, uma pontada mínima de desapontamento me pegou. Uma parte de mim esperou ver bolsas de sangues ou vinhos caros, mas para a minha surpresa e alívio da outra parte, encontrei suco, um pote de chocolate, presunto de Peru e queijo. Na parte inferior encontrei alface e tomate para um sanduíche. Peguei as coisas necessárias e trouxe até o balcão. Nas prateleiras, vasculhei até achar o pão e começar o trabalho. Levou menos de dez minutos para me aconchegar na mesa de vidro perto do balcão e começar a comer. O suco era de laranja, não parecia ter sido comprado no mercado, parecia natural. O presunto e o queijo como o tomate e o alface pareciam frescos, não podiam estar guardados ali dentro a muito tempo. Por acaso Andrew também sentia fome humana de vez em quando?
Eu não sabia responder. Quando terminei meu lanche, limpei o balcão e levei a louça até a pia. Lavaria amanhã de manhã. Tomei um último gole do suco e me virei para voltar ao quarto. Talvez se eu não estivesse faminta, meu corpo entendesse que eu precisasse relaxar depois de tornar minhas necessidades nos níveis mais elevados.
Tomei um susto quando ultrapassei o balcão. A sombra de uma pessoa encostada na borda da parede me fez sobressaltar. Tinha perdido a linha de raciocínio se Andrew não tivesse dado um meio sorriso e se aproximado.
– Desculpe.
– Voce me assustou.
– Eu sei. Desculpe. — ele se moveu até mim. — Não aguentei de curiosidade.
– Que foi? Você me viu levantar?
– Não, só notei um pouco depois. — seu rosto estava mal iluminado, ambos não tínhamos acendido as luzes, tirando a que estava acesa do corredor da sala. — A escada geme.
– Eu nem notei.
– Eu notei. É um som baixinho. — Andrew colocou os cotovelos em cima do balcão e apoiou o rosto.
– Não conseguiu dormir bem?
Ele fez que não.
– Tive um pesadelo.
Eu me mexi. Fiz uma cara de sinto muito e me movi até ele.
– O que aconteceu? — Andrew se virou para mim depois que cheguei. Seus olhos negros agora me fitaram.
– Sonhei que eles pegavam você.
– Eles quem?
– Não sei quem eram. Não os conhecia. Eram três. — ele franziu a testa. Estando mais perto consegui notar suas feições cansativas e tristes.
– Não pense sobre isso. Eu estou aqui. — eu me mexi outra vez, agora para abraçá-lo.
Andrew envolveu meu corpo gelado com seus braços longos.
– Mas não deixa de ser um pesadelo, Nina. — ele me olhou nos olhos. — E você? Não conseguiu dormir?
– Também não. Eu estava pensando em... Tudo.
Andrew beijou minha testa.
– Não pense. Eu sei que isso está acabando conosco, mas não podemos nos deixar abalar.
– Eu sei, — murmurei. — eu estou preocupada com você também.
– Comigo?
– Eu sei que você não está bem Andrew.
– Nina...
– Escute. — coloquei minha mão em seu rosto. — Eu sei que você perdeu o Matt, mas não irá me perder okay? Estamos juntos nessa. Eu e seus amigos. Estamos juntos nessa, entendeu?
Relutante, ele fez que sim.
– Eu te amo Andrew, isso nunca vai mudar.
– Eu também te amo. — ele sussurrou, brincando com os botões do meu casaco.
– Então não me deixe preocupada e não me esconda nada.
Ele murmurou um sim, emburrado. Era alguma coisa pelo menos. Eu me movi para longe dele, em direção a geladeira. Peguei a jarra com água e um copo. Ofereci para ele, mas como sempre ele negou. Havia me esquecido completamente da sua "dieta".
– O que acha de irmos dormir agora? — eu me virei para ele depois de fechar a geladeira.
– Não estou com sono.
– Você precisa dormir, Andrew.
– Estava pensando em ir atrás do seu tio. Ele deve estar na mansão, certo? Não demorarei muito.
– Nem pense nisso. Você não tem que fazer tudo sozinho e agora, Andrew.
– Só me deixe fazer alguma coisa. — ele me encarou. — Quero mudar isso, quero arrumar uma solução.
– Não agora, não as quatro horas da manhã.
Andrew bufou. Eu andei até ele.
– Olhe para mim.
Ele me olhou, girando o rosto com muita má vontade.
– Você precisa descansar. Amanhã faremos alguma coisa.
Ele suspirou.
– Tudo bem.
Eu sorri. Movi-me até ele o abracei. Seu corpo era de uma estranha mistura de quente e frio, e eu amava isso. Andrew envolveu minhas costas e acariciou meu cabelo. Seu perfume era natural, como sempre, era uma delicia senti-lo tão perto.
– Nina... — ele sussurrou de cima da minha cabeça. — você está quente.
Enrubesci. Claro que eu estava. So bastava estar ao seu lado que meus pensamentos se desorganizavam. Ele me deixava assim.
– É temperatura normal das pessoas. Trinta e seis graus.
– Não é não, — ele me encarou. — você sempre fica quente quando me abraça.
Eu fiz uma cara feia.
– Isso não é ve...
– Shhh! — ele tocou meus lábios com sua mão. Seu sorriso sumiu. Seu rosto baixou alguns centímetros e senti minha respiração chegar na sua pele. Eu estava fervendo agora.
Andrew beijou o topo do meu nariz e baixou para o canto perigoso dos meus lábios. Meu coração se acelerou.
– Baby... — ele sorriu. Foi tão rápido quanto um piscar de olhos. Andrew envolveu minha cintura com força e me girou para cima do balcão. Minhas pernas alcançaram sua cintura e suas mãos enormes espalmaram cada lado do meu corpo no balcão. Seus olhos negros estavam focados em mim.
– Estou com uma vontade incontrolável de você, Nina.
Eu gemi.
– Não me faça implorar.
Andrew me beijou. A confusão foi ascendente, suas mãos focaram-se na minha cintura e as minhas no seu cabelo, seu beijo era forte, selvagem, meus lábios doíam e imploravam por mais da sua boca. Ele me deixava excitada em dois segundos.
Nem me importei que ele fizesse as preliminares, arranquei meu casaco e deixei em algumas lugar da cozinha. Dessa vez ele se esforçou para me levantar no seu colo para que eu levantasse a barra na camisola e a tirasse por cima da cabeça. Fora ela, eu estava nua da cintura para cima.
Andrew abraçou-me com dureza e empurrou sua língua para dentro da minha boca. Porém eu queria mais.
Eu podia estar ficando louca, mas eu queria ele ali e agora. Não me importei de ficar nua da cabeça aos pés em cima do balcão ou de vê-lo tão desnudo quanto eu. Tudo valeu a pena quando fizemos amor ali mesmo, no balcão da cozinha, as quatro horas da madrugada.
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