Dark - Segunda Temporada
10 Capitulo 8
Notas iniciais

CAPITULO VIII
O jipe prata do Caleb tornou todo o trajeto bem mais confortável, desde dos ultimos acontecimentos. Eu tinha matado um vampiro e tinha usado algum tipo de feitiço sobre ele. E eu não conseguia ficar feliz por isso. Eu nunca tinha feito algo assim antes, apenas aquela vez, com o Michael, daquela vez eu jurava que tinha matado-o, inocentemente sem saber que se tratava de um vampiro, mas ele ainda tinha conseguido fugir.
– Você está bem?
Ele me despertou, encarei exatamente seus olhos escuros.
– Não muito.
Ele concordou, mas não disse mais nada.
Não havia motivos para ele dizer alguma coisa, porque ele estava tão perdido quanto eu. Pela primeira vez eu estava indo conhecer o primeiro clã de vampiros na cidade. E eu não sabia que tipos de sentimentos isso poderia me causar, pelo menos Clarice estaria lá juntamente com o Caleb. Agarrei-me no meu casaco e esperei os minutos se passarem, um caminho de terra aparece a esquerda e entramos, se estivéssimos com o meu Neon, certamente não iriamos conseguir passar por aqui, era tudo muito íngrime e lameado. Durante o trajeto, não me dirigi a palavra a Caleb, como nem ele o fez, estávamos ocupados demais tentando entender o que eu tinha acabado de fazer.
Conveci-me que estava tentando me defender, não havia como me sentir pior do que eu já estava, nunca tive a intenção de matar alguém e isso me fazia estremecer, a constante lembrança de algo que eu não tenho muita certeza. Em um momento, eu me via assustada e com medo, em outro eu me via como alguém potente e capaz, alguém que podia ser mais poderosa. Alguém que até então eu nunca tinha visto antes.
– Chegamos, Nina.
Ergui bem os olhos e vi um portão de ferro negro no fim da estrada lameada. Não era nada com o que eu já tenha visto antes, o desenho nas grades do portão me lembra uma arvore gigante de vários galhos e vários troncos, uma copa alta e majestosa, algo parecido com um carvalho gigante. Após um segundo que pareceu minutos, a entrada estava finalmente liberada e podemos nos mover. O que havia de terra e lama tinha sido deixado para trás, um extenso territorio com grama baixa deu vida a um tapete verde por todas as partes, parecia mais um acampamento do que a moradia de um clã de vampiros. Casas majestosas erguidas de madeira se espalhavam para onde se olhava, tirando isso, o restante eram grandes campos de treinamento, pelo menos era o que parecia com enormes barras de ferros.
A esquerda, Caleb estacionou o jipe seguidamente de outros carros e motos. Ele abriu a porta e saiu. Mantive-me forçadamente quieta no meu lugar, hesitante demais para me movimentar, na verdade, eu não sabia o que iria fazer depois dali. Caleb tocou a maçaneta da porta e a abriu, mas continue quieta, meio atônita.
– Você está bem?
– Não. – murmurei. – Estou assustada.
Caleb sorriu.
– Com o quê?
– Com o quê? – eu o olhei dessa vez. – Estou em um clã de vampiros que certamente deve me achar patética como qualquer outra humana. Eu não vou sair daqui.
– Vamos lá, Nina. – ele se encostou na porta do carro. – Não tem com o que se intimidar.
– Na verdade, tenho sim. Eu espero aqui no carro.
Ele riu.
– Prometo que não sairei do seu lado. – ele sorriu para mim. – Não vou desgrudar de você.
Ele estava mesmo se empenhando para me convencer.
– Ou você pode fazer aquela coisa com os olhos e ninguém mais vai te achar uma humana patética.
Eu o olho com raiva. Muita raiva.
– Ou pode fazer essa cara.
Empurrei seus ombros com força, muita força.
– Você é tão imbecil. – joguei meu casaco no outro banco.
Arrastei-me para fora do carro e pulei firme no chão.
– Posso até ser um imbecil, mas pelo menos fiz você sair de dentro desse carro. – ele murmurou, mas estava com um sorriso descarado no rosto.
Assim que enxerguei longe, vendo a aparição de alguns vampiros e a estrutura das casas, a minha respiração falhou um pouco e meu coração desacelerou. Tive três segundos para voltar ao normal.
– Segure minha mão. – Caleb sussurrou para mim.
Abri bem os olhos e virei para ele.
– O que disse?
– Não é uma proposta para você dormir comigo, Nathalie, apenas segure minha mão.
Deixei meu rubor de lado e segurei sua mão, um pouco mais fria, mas pelo menos firme, ou seja, eu poderia me segurar bem nele caso acontecesse comigo, como um possivel desmaio. Ele fechou a porta por mim e começamos a nos mover. Eu sabia que isso era uma péssima ideia desde o momento que ele pediu que eu o seguisse para fora da floresta, assim que ele me disse que meus olhos tinham mudado de cor. Não era possivel olhos de tonalidade verde felina mudasse de um segundo para o outro, tornando-se dourados, como o sol.
– Você está suando. – Caleb baixou o rosto para meu lado e colocou os lábios quase perto do meu ouvido. – E deve estar fazendo uns oito graus aqui.
Estremeci.
– Obrigada por me lembrar disso.
Ele desviou, mas vi um esboço de um sorriso.
Saímos do que podia ser um estacionamento e começamos a andar pelo gramado do terreno absurdamente grande. Logo no inicio, demos de cara com dois vampiros que andavam tranquilamente despojados e mal tinha nos notado se não fosse por um detalhe extra.
– O que uma humana está fazendo aqui? – virou-se o de cabeleira loura, que deveria bater nos ombros.
Eu mal respirei, estava retraída e me escondia o máximo que podia ao lado de Caleb, usando seu porte grande para mostrar que se os dois vampiros tentassem alguma coisa, só a imagem do Caleb me protegendo bastaria para os vampiros pensarem duas vezes antes. Mas para a minha surpresa, um deles me reconheceu.
– É Nathalie O’Connel. – o de pele morena sorriu na minha direção depois de uma cotovelada no seu amigo. – Sobrinha do Maison.
Ao ouvir o nome do meu tio, senti um nervosismo diferente. Eles sabiam sobre mim e ainda conheciam meu tio, não era algo que eu estava acostumada.
– Ah, sim, a namorada do Andrew. – loiro disse desdenhando.
Engoli secamente, ele estava quase cuspindo as palavras.
– Fiquei sabendo que ele voltou para Inglaterra. – o de pele morena disse, usando um tom casual e até gentil.
– Ele teve que ir embora. – Caleb falou por mim. – Mas em breve ele retornará.
O de cabelo louro não conseguiu desfarçar seu descontentamento fazendo com que eu sentisse uma irritação com a sua companhia. E isso não era normal, sentir como se quisesse chutar a cara de alguém.
– Sim, tomara que seja breve. – o moreno disse. – Sempre gostei dos McDowell em nosso territorio.
O loiro bufou, sendo sarcástico e intolerante. Todos nós olhamos para ele.
– Algum problema? – Caleb tentou ser casual, mas sabia que o loiro estava o irritando também.
Talvez não se tratasse só de mim, de querer chutar aquele vampiro.
– Comigo? Nenhum.
– Tudo bem então.
– Vão ficar muito tempo?
– Não sabemos ainda. – Caleb ignorou o louro e e se virou para o vampiro moreno.
– De qualquer forma, se não o virmos de novo, boa sorte. E bem-vinda Nathalie. – o vampiro sorriu para mim educadamente se despedindo.
Ele deu alguns passos adiantando enquanto esperava seu amigo fazer o mesmo, mas ao invés disso, ele retornou como se tivesse esquecido de um detalhe.
– Só uma coisa. Se por acaso se você encontrar o Andrew, — ele se aproximou muito pouco de mim, mas mesma assim me agarrei a Caleb, um pouco assustada. – diga que eu mandei ir pro inferno.
Suas palavras me atingiram de uma forma que eu não esperava. Fiquei irritada, com raiva do que ele disse. Afrouxei meus dedos dos de Caleb e me afastei dele, como se não precisasse de mais proteção.
– Qual o seu problema? – murmurei para ele.
Caleb se remexeu ao meu lado, seus olhos vidrados em mim como se eu tivesse infrigido uma lei.
– O que disse?
– Exatamente o que ouviu. – falei, enraivada.
O loiro mudou de posição, pareceu se sentir atacado.
– Nathalie... – Caleb sussurrou perto de mim.
– Está se sentindo ofendida? – o loiro perguntou debochado.
– Estou me sentindo irritada, é diferente. – eu me aproximei. – Você não deve passar de um vampiro desconhecido vivendo as sombras de um McDowell. Isso se chama inveja.
Ele bufou, irritado. Por um momento achei que ia entrar em pânico porque estava cutucando a ira de um vampiro, mas em outro, me senti totalmente em extase, como se gostasse disso, da adrenalina, de me sentir poderosa. O loiro cerrou os dentes para mim e também se aproximou, levou apenas um segundo para Caleb se mover para tentar me proteger e o vampiro mulato em tentar afastar seu amigo de mim, mas neste intervalo, o loiro deu dois passos para trás como se eu o tivesse assustado.
– O que foi? – o outro vampiro perguntou para o loiro, ainda sem respostas.
Caleb segurou meu braço e me levou para trás.
– Desculpe por qualquer coisa Adam. – Caleb falou por nós, acho que ele estava falando na direção do vampiro de pele morena.
Ele segurou meu braço e me tirou dali, sem esperar que o loiro voltasse a agir normalmente de novo. Espiei pelo ombro, por um segundo eu estava numa realidade paralela, inebriada na ideia de me sentir menos frágil, mas agora só sinto que eu não pertencia a isto, a aquelas reações. Eu queria saber o que o vampiro loiro tinha visto ou o que eu tinha feito para tê-lo assustado, mas nada me vem a cabeça.
Voltei para a Caleb e suas expressões não estavam tão diferentes, ele parecia apreensivo e ocupado. Sim, ocupado porque estava tentando entrar na mente do vampiro loiro e extrair qualquer coisa que tornasse essa situação menos confusa.
– O que você viu? – perguntei a ele ignorando termos passado por algumas casas de madeiras e outros vampiros que apenas nos observavam de longe sem se aproximar.
– Espere. – ele disse baixinho.
Afrouxou seus dedos do meu braço e caminhamos mais tranquilamente para onde eu ainda não sabia. Uma arvore majestosa com galhos que pareciam abraçar a vegetação ficava no meio de um campo com grama rasteiro e inumeros vampiros circulavam por lá. Perdi a conta de quantas pessoas eu já tinha visto por aqui. Depois de alguns segundos observando a expressão vaga de Caleb e os lugares que já passamos, paramos em uma porta de ferro vermelha na única casa que não era de madeira. Não havia nada escrito nela, nenhum numero, era apenas decorado com estátuas sombrias de anjos. Sempre anjos.
– Não vamos entrar? – perguntei a Caleb quando não nos movemos desde que paramos em frente a porta.
– Estou lendo a mente dele. – ele murmurou.
Depois de alguns segundos ligeiros, ele olhou para mim.
– Ele se assustou. – disse. – Louis vem de uma familia celta antiga que conhece muitas lendas por causa do seu povo.
– E o que isso tem a ver comigo?
– Ele acha que você é uma feitiçeira.
– Todo mundo acha que eu sou uma feiçeira ou uma bruxa por causa do meu sobrenome, Caleb. – resmunguei, não conseguindo compreender o espanto no seu rosto.
– Sim, até agora essa tinha sido nossa maior duvida. Mas não é a mesma que a do Louis. – ele engoliu secamente, tirando seus dedos do meu braço. – Existem dois tipos de bruxas. As Brancas e as Negras.
Senti minha pele congelar. Eu estava entendo aonde ele queria chegar.
– Ele viu meus olhos dourados, não viu? – agarrei minha cintura, o clima tinha mudado drasticamente.
Caleb consentiu.
– Ele acha que sou uma bruxa negra então.
Eu não medi minhas palavras, mas sabia que eu não gostava delas. Eu não era uma criatura má, eu ainda estava me descobrindo. Mas pensando bem, eu tinha matado alguém e havia gostado do sentimento de ter enfiado uma estaca no peito daquele vampiro. E agora pouco eu estava realmente ansiando que o vampiro loiro, o Louis, me atacasse, porque eu queria atacá-lo de volta. Esta não era eu. Eu não podia ser assim.
– Se eu for uma bruxa negra, Caleb? – perguntei em pânico. – Se eu realmente for uma bruxa que se alimente da dor e do caos? Eu não quero ser assim, não quero matar as pessoas ou fazer com que elas sofram.
Ele fechou lentamente os olhos, como se também não quisesse que eu fosse, como se ele não quisesse sentir o que eu estava sentindo.
– Você não é. – ele me olhou. – Você é boa Nina, eu já li sua mente, já desvendei milhares do seus mistérios e já vi pessoas negras, sombrias, já convivi com elas. – ele se aproximou. – Você não é má.
Eu estava sempre preocupada com a ideia de não parecer frágil ou fazer com que a minha armadura de durona, de heroina não caísse, mas neste momento preferi me agarrar ao medo e a frustração. Deixei que as lágrimas tomassem conta de mim e abraçei firme o Caleb, segurando seus braços fortemente tanto para me apoiar quanto para me sentir protegida. Ele me abraçou de volta, acariciou meus cabelos e me deixou ali por alguns segundos.
Eu não sabia o quão verdade isso poderia ser, de eu me tornar alguém que todos iriam temer e eu não tinha uma ideia sobre isso, apenas que eu sentia medo. Não queria me tornar alguém assim, alguém que desejasse a morte das pessoas, que sentisse alguma adoração pela morte, que venerasse esse lado sombrio. Havia uma parte de mim, mesmo eu odiando ela, que sabia que poderia ter uma probabilidade de Louis está certo sobre a natureza de bruxa que eu sou, não tinhamos muito conhecimento ao povo de Meredith, sabíamos de sua história e agora como se deu a maldição, os bruxos contra os vampiros, numa causa que parecia ter sido pior para os vampiros do que para os bruxos.
Eu não sabia o que eu era definitivamente, mas agora, mais do que nunca, eu sentia medo de saber, não tinha tanta certeza se era minha prioridade agora. Na verdade, tudo se resumia a eu estar com medo, com muito medo da verdade.
– Posso não dizer com frequência isso, Nathalie, mas – houve uma pausa. – eu gosto de você.
Suspirei com dificuldade no seu peito.
– Também gosto de você.
Limpei as ultimas lágrimas e me afastei.
– Vamos descobrir isso juntos. – ele segurou minha mão com firmeza.
Suspirei e assenti. Caleb deu duas batidas na porta antes de uma homem alto de vestimentas negras, calça e blusa de tecido fino pretos juntamente com cabelos negros rabiscados por fios brancos aparecer. Os olhos dele eram totalmente familiares, eram verdes e felinos.
– Tio Maison?
Ele abriu um sorriso largo e surpreso, embora eu soubesse que ele esperasse qualquer pessoa menos a gente, ele ficou feliz em poder nos ver. Eu não o via desde a semana de aulas na faculdade, na verdade, a ultima vez que o vi foi no jantar com mamãe e Josh para logo depois dele os levar para o aeroporto.
– Nina, filha, eu senti sua falta.
Soltei dos dedos calorosos de Caleb e me refugiei ao abraço familiar e paterno do tio Maison. Ele tinha um sorriso tão complacente, tão Jeffrey que envolto dessa tensão que eu estava passando, dos meus sentimentos, eu me deixei chorar.
– Nina? – ele perguntou baixinho percebendo meu choro silencioso.
Como eu não fisse nada, ele ignorou as perguntas que queria fazer e continuou me abraçando forte como eu esperava. Era tudo que eu queria, me sentir protegida, segura, como se eu não estivesse prestes a perder o rumo do caminho. Enfiei meu rosto no pano de sua camisa e fiquei ali por mais alguns minutos depois de finalmente conseguir me estabiliazar emocionalmente.
– É tão bom vê-los. – Maison disse sem dissipar o sorriso. – Entrem.
Eu me afastei para que Caleb entrasse e que Maison fechasse a porta vermelha atrás de nós.
A casa era mais diferente do que as demais que estavam no decorrer do campo. Ela era completamente mecanizada e moderna, as paredes eram de um branco gelo, luzes brancas e intensas iluminavam os comodos, um sofá L cinza se acomodava na entrada perto da enorme tela plana, depois disso, mesas de ferro se seguiam numa sala que parecia mais um daqueles cybers ou cenário de filme sobre espiões. Computadores estavam por todos os lados, uma cozinha a esquerda da sala mecanizada e a direita um corredor que deveria levar para os quartos ou mesmo para outros comodos.
– É bem legal. – murmurei, caminhando hesitante ao lado de Caleb.
– É onde os genios ficam.
– Gênios? – me virei para Caleb.
– Sim, como seu tio e o professor Langdon, eles ficam aqui verificando emails do triarco, outras vezes é apenas para fiscalizar as cameras de segurança do clã, sabe.
Eu fiquei bem surpresa e imprecionada.
– Mas não é aqui que vamos estar, normalmente os garotos vem aqui para jogar video-game ou assistir TV. – tio Maison me respondeu. – Nós vamos lá para baixo.
Ele atravessou nossa frente e nós o seguimos no mesmo corredor a direta. Nós pegamos a ultima porte que abria para uma escada que dessa vista não se podia ver até onde ele iria dar. Maison foi na frente e eu o segui, Caleb estava bem atrás de nós. Andamos pela escada com iluminação mais leve, lâmpadas amarelas e paredes de pedra deixava esse lugar um plano paralelo ao que eu tinha visto lá em cima. É como estar em dois mundos diferentes. Maison passou pelo ultimo degrau e entramos num cômodo completamente arcaico. Não era arcaico como a biblioteca da universidade que mais parecia ter saído da Grécia Antiga, mas estava mais para o modo Drácula de ser. Um tapete enorme vermelho decorava o piso, escondendo os pedaços de madeira que firmavam-se no chão, além disso, grandes prateleiras de madeira se estendiam ao topo do teto com uma iluminação fraca, mas o suficiente para um visão nítida. Livros de capas duras e velhas em todo o lugar, eu ainda não havia me deparado com algo da atualidade, nada relacionado ao romance de Alyson Noel, qual eu jurava que tio Maison havia saído na nossa primeira vista. Tive um lampejo daquele dia, um sorriso escapou dos meus lábios e dentro das minhas memórias – que poderia ter tão negras quando brancas – me lembrei que também tinha sido o mesmo dia que eu havia visto Andrew pela primeira vez.
Espantei a saudade e resolvi ficar com a boa lembrança e apesar de não saber sobre o que eu era, sabia que essa lembrança do Andrew não era negra, era uma memória branca.
– Vou encontrar sempre uma biblioteca dessas quando nos encontrar por aí? – pergunto, surpresa por ter recuperado o humor e dissipado o medo.
– Bem, — Maison marejou. – sim.
Ele sorriu e eu o segui no gesto.
Caleb estava passeando e circulando os dedos pelos livros empoeirados, pela sua expressão, ele estava pensando e isso normalmente acontece quando ele está tentando formular um plano, uma teoria ou apenas uma observação.
– Não é como se eu esperasse que houvesse um motivo para vocês virem me visitar, mas qual o motivo de estarem aqui?
O assunto que eu temia chegou e eu não podia evitar.
– Eu sei o que Nathalie é. – Caleb diz de repente com convicção.
Pisco os olhos. Ele sabe?
– Todo mundo sabe na verdade, se colocarmos Nathalie em um espaço com vampiros médiuns ou qualquer criatura sobrenatural saberá em que qualidade ela se encontra.
Aperto meu pulso do braço esquerdo, toda vez que falamos sobre isso sinto que o clima muda drasticamente. É um aviso do universo ou estou plantando ilusões?
– E qual finalidade você chegou?
– Eu e Langdon viemos trabalhando nisso, venho observando o avanço de Nathalie nas nossas atividades físicas. É um desenvolvimento bem sobrenatural.
– E? – dessa vez eu inferi.
– E que você não é uma emissária com todas as características de um, você está aqui para proteger alguma verdade, uma crença ou mesmo alguém, mas sabemos que você é uma bruxa.
Tio Maison arqueia as sobrancelhas.
– Uma conjuradora, mas de acordo com os tipos de feitiço, você sempre tem mais êxito com dominações de mente, isso quer dizer alguma coisa sobre sua colocação.
Eu espantei o frio.
– Se você sabia disso o tempo todo, por que viemos até meu tio?
Era aonde eu queria chegar. Era aonde ele queria chegar.
– Bem, eu entendi. – Maison falou de repente.
– Mas parece que só eu não. Eu sou ou não uma espécie negra de bruxa?
Ambos ficaram em silencio e quase estive ao ponto de explodir e exigir por uma resposta, mas tentei me acalmar e esperar que elas viessem até mim, as respostas.
– Existe uma suposição que dentro da irmandade de bruxas houve dezenas de traidoras.
– Traidoras?
– Sim, como Aura. – Caleb me olhou.
– Não sabemos quão forte essa deturpação atingiu as próximas gerações, Nathalie. O que quer dizer que...
– Não sabemos o que eu sou. – inferi. – Mas sabemos que até a minha maturidade teremos certeza se posso ser ruim ou boa.
Eles não me responderam porque sabiam que a minha afirmação estava correta. Quando eu senti vontade de machucar o vampiro Louis, quando senti prazer em matar aquele vampiro na floresta me fez perceber que minhas inclinações estavam a mostra, apesar de parecer frágil a maior parte do tempo, eu tinha inclinações para adorar tornar tudo um caos. Um mau presságio. Talvez Andrew não seja o mau presságio, talvez Rebecca tenha razão. Talvez tudo isso seja culpa minha.
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