Dark - Segunda Temporada
6 Capitulo 4
Notas iniciais
Capitulo IV
– Quem é Damian? – Caleb encostou o carro atrás de uma fileira de veículos alguns metros depois do cemitério.
– Alguém que conheci, da Itália. – ele estendeu a mão para Lauren e a ajudou se locomover para fora do carro.
– Então você o conheceu pela internet? – Caleb me lançou um olhar pasmo. – Não acredito que você vai se encontrar com um cara pela primeira vez fora da internet, Lauren.
– Ele não é um maníaco Caleb.
Eu me esforcei para andar no gramado, mas os garotos do time fizeram um ótimo trabalho ao fazer uma trilha. Suzanna me seguiu.
– Você não tem certeza disso, conhece ele a alguns meses, na verdade, ainda bem que estou aqui.
– Deveríamos comemorar isso. – Suzanna resmungou atrás de mim.
– Ainda posso te ouvir daqui, Suzanna.
– Ótimo. – ela retrucou.
– Voltando ao assunto, vai ficar tudo bem, Caleb. Não há nada para se preocupar. – Lauren se virou para ele e disse com muita confiança.
– Por enquanto não, mas estarei aqui para qualquer problema.
– Você é apenas o Caleb, não o super homem, então baixa a bola, Sr. Blackwood. – Suzanna rebateu, sarcástica como sempre.
Tudo bem que Caleb não é um super homem, mas se Suzanna soubesse que ele poderia fazer coisas ainda surpreendentes, ela não diria isso. Mas não seria Suzanna sem o sarcasmo com Caleb, não é?
– Eu ainda posso te ignorar, Suzanna, isso o super homem não consegue. – ele sorriu, parecia angelical e poderia derreter qualquer garota, porém, Suzanna parecia muito imune a ele.
Revirei os olhos e esqueci que eles estavam discutindo para observar o caminho. A galera do time tinha feito um trabalho incrível aqui. Um grupo de garotos apareceram gritando citações de humor enquanto balançavam suas garrafas de cerveja para nós muito animadamente. Suzanna e eu engolimos nossas risadas. Caleb ajudava Lauren a caminhar por causa do invejável salto alto dela. Ainda bem que me preveni com o meu.
Após alguns metros, um campo limpo abrigava uma enorme fogueira, bancos improvisados de madeiras ao redor do campo enfeitavam juntamente com carros diversos que serviam de reservador para bebidas com enormes caixas de isopor para mantê-las geladas, outros apenas serviam para colocar a musica. Deveria haver umas cinqüentas pessoas perambulando por aqui, mas a decoração estava fantástica. Luzes laranjas envolviam galho por galho daquele campo como se formasse uma cortina de proteção, pessoas caminhavam e sorriam, outras dançavam perto dos carros ou sentavam-se no tronco para se aquecer perto da fogueira cuja expulsou completamente o frio que imaginei que sentiria.
– Se vocês virem o Matt, por favor, me avisem. – Suzanna se aproximou e avisou, parecia um pouco nervosa.
Caleb deu uma espiada e não pode negar que estava olhando para duas garotas que passaram por nós, enquanto eu ignorava isso, Suzanna me olhou feio como se parecesse desconfortável.
– Eu vou dar uma olhada nas bebidas.
– Claro que vai. – Suzanna murmurou baixo demais.
Caleb não disse nada, mas suponho que tenha ouvido.
– Vocês querem alguma coisa?
– Algo com álcool, mas não com muito, estou nervosa, quero só quebrar o gelo. – Lauren pediu, indecisa.
– Qualquer um para mim.
Eu neguei com a cabeça e quando Caleb deu alguns passos, rapidamente mudei de idéia.
– Caleb, espere, eu vou com você. – acenei para as garotas e me juntei a ele.
Nós seguimos em silencio até um dos carros onde duas garotas acabaram de se servir. Ele pegou três copos e despejou um pouco de refrigerante em cada um deles com álcool, exceto o meu, pedi o meu com apenas refrigerante.
Quando se serviu, decidi que poderia ser o momento para falar com ele sobre o meu sonho real, se Caleb soubesse exatamente como aconteceu, nós poderíamos pesquisar juntos com Langdon uma maneira de descobrir como eu fiz isso e uma maneira de voltar a fazer.
– Precisava falar com você. – comecei. – Algo muito estranho aconteceu comigo hoje.
Caleb ergueu as sobrancelhas.
– Li os pensamentos de Suzanna e Lauren. Você desmaiou.
Consenti, mesmo me sentindo desconfortável por ele – mesmo contra a sua vontade – ler os pensamentos delas.
– Eu estava comprando vestidos e tudo aconteceu muito rapidamente. Dessa vez não foi nada parecido com a ultima vez que entrei em contato com verbena.
Ele me olhou sujestivo.
– Você já ouviu aquela história de beber uma dose por dia? – Caleb me perguntou de repente.
– Não... sim, na verdade, o que isso tem a ver?
Ele devolveu o copo vermelho de plastico em cima do carro e se virou para mim.
– Você sabe por que é mais fácil pessoas que não possuem o habito de beber ficarem mais embrigada? Porque as pessoas que tem hábito de beber, mesmo em pouca quantidade, acaba acostumando o estomago ao efeito do alcool.
– E isso quer dizer que...? – estretei o olhar, perdida.
– Você sempre sofrerá por qualquer quantidade de verbena que entrar em contato, da mesma forma como os vampiros reagem a carvalho. Faz alguns anos que acostumei meu corpo aos efeitos do carvalho tomando poucas quantidade do chá da planta, o gosto é tão horrivel quanto a dor que você sente nos primeiros meses, mas se acostuma.
– Você está querendo dizer que eu vou ter que passar pelo mesmo tratamento?
Caleb pendeu a cabeça para um lado e para o outro.
– A menos que goste da sensação do desmaio, das dores, da falta de ar, da alucinação, da...
– Tudo bem Caleb, eu entendi. – o interrompi impaciente. – Se é algo que vai me ajudar, vou fazer. Sou forte.
– Não tenho duvida. – ele tomou outro gole da bebida. – Afinal, onde você estava mesmo? Sim, quando apagou.
Revirei os olhos.
– Eu desmaiei, definitivamente, mas o que aconteceu depois eu podia jurar que era real, que não era uma ilusão, — pausei esperando que alguns garotos que vieram se servir saíssem.
Caleb me puxou para o lado.
– Você sabe que verbena pode causar ilusão e alucinações, não sabe?
Eu fiz que sim com a cabeça.
– Eu sei, mas não daquele jeito. Se aquilo era um sonho, então... Eu estava sonhando com Vinum. – disse-lhe em segredo. – Lembro-me até do nome da rua, Blackolf número 37, todos os detalhes, a rua de pedra, casas imperiais e européias, pessoas se locom...
– Espere, você disse Blackolf?
– É, eu disse. Blackolf nº 37, Vinum, Inglaterra. – completei, observando-lhe, sua expressão apreensiva e pensativa. – Algo de errado?
– Não há nada de errado, na verdade, tudo está incrivelmente correto. Esta rua existe, Andrew está morando uma penção pequena, não quis dividir a casa com Rebecca para evitar discussões.
– Discussões? – gaguejei.
– Discussões sobre você, não sei se você ficará feliz de ouvir isso, mas todo o mau presságio que está caindo sobre o Andrew Rebecca culpa você. Ela acha que você trouxe essa fase... Negra de Andrew.
Ergui as sobrancelhas e me silenciei por alguns segundos mais pasma do que surpresa. Eu esperava um pouco de implicancia da familia do Andrew em relação a mim, afinal, desde que nos cruzamos, os desastres tornaram-se eminentes, aconteciam a todo instante, mas pensar em me tornar a vilã de todo esses desastres nunca havia se passado pela minha cabeça. Ou imaginar de ser vista assim por alguém.
– Você está um pouco pálida, Nina.
– Estou bem. – retruquei.
– Eu não devia ter dito.
– Não deveria mesmo. – o olhei feio. – Mas já que disse, me deixe processar a ideia de ser odiada por Rebecca.
Caleb riu como se eu tivesse contado uma piada, quando não demosntrei nenhum divertimento, Caleb se calou.
– Isso é fantastico. – murmurei quase que para mim mesma. – Como se não pudesse piorar as coisas.
– Na verdade, elas não pioraram Nathalie. Rebecca apenas não a conhece ainda, quando isso acontecer, fique tranquila, ela saberá que você é imune a qualquer impureza, maldade, escuridão. Você é a luz.
Eu olhei para os terríveis olhos negros repletos de muita história, mas nada secreto o suficiente para me conturbar a alma.
– Obrigada. – sussurrei em gratidão.
– Não há o que para agradecer, apenas continue a história que prometo não interrompê-la.
– Eu vi pessoas... Pessoas como vocês e elas me enxergavam, não era nada como aqueles sonhos em que ninguém ouve a sua voz ou sente a sua presença. Eu era aceita mesmo não sendo igual a eles. Caminhei muito pouco pela rua, o único prédio iluminado que vi era onde eu tinha visto o Andrew. Eu o vi e ainda pude ter a sensação de ser vista. Foi mais do que real, senti a pele dele, senti cheiros, trocamos diálogos normais, de verdade. Não sabiamos como aquilo podia ser possível, então eu resolvi contar a você, talvez você soubesse de algo para nos ajudar.
Caleb pensou e repensou. E ao invés de me esclarecer alguma coisa sobre minha esperiência de locomoção com a mente, ele me deixa ainda mais perdida:
– Ele estava falando a verdade então.
– Ele quem? – questionei.
– Andrew. – disse-me. – Ele me ligou alguns minutos depois de você me convidar para essa despedida do colegial. Ele me contou sobre o que aconteceu com vocês.
Eu o olhei com surpresa.
– E me fez contar mesmo sabendo da história?
– Eu achava que ele estava mentindo. – deu de ombros. – Você não o conhece como eu o conheço, você o ama como ninguém o amou, mas conhecê-lo humano e não-humano somente eu. Já vi isso algumas vezes, principalmente com a garota da escola, Melissa. As vezes ele tinha sonhos com ela, nada tão reais, achei que ele tivesse em estado alucinógeno. Nunca vi isso antes.
Respirei fundo. Eu não precisava saber sobre Andrew sonhar com Melissa, a estudante por quem se apaixonou, já bastava a ideia pertinente dele ter estado com Alice a alguns meses atrás antes da minha volta para Sponvilly, eu não queria esse fantasma comigo.
– Então estamos perdidos? – decidi perguntar e ignorar a menção de Melissa.
– Totalmente não. – me respondeu. – Langdon deve ter alguma coisa na biblioteca particular dele, algumas feitiçeiras podem ser capaz disso.
– Mas tecnicamente eu não sou uma completa. Sou uma emissária.
– Desde o momento que você carrega o nome de uma O’Connel, Nathalie, você tem uma parte sobrenatural em você, ela se revelará ou sumirá. E o que você fez com Lewis, por exemplo, ou mesmo conseguir se conectar com Andrew, isso a faz completamente uma bruxa.
– Prefiro conjuradora. – sussurrei evitando as pessoas mais próximas.
– Como queira, Nina. – ele deu de ombros. – Nossas aulas começam amanhã, vamos ter tempo suficiente para arranjar desculpas para ir atrás da Langdon e pesquisar, não se preocupe, se você foi capaz de se conectar através de um sonho, você pode fazer isso a qualquer momento que quiser, é apenas questão de tempo e treinamento.
– Sim, treinamento. – murmurei. – Só espero que isso não me traga marcas roxas.
– Não posso prometer nada.
Eu teria rido ou dito algo arrogante, mas Suzanna apareceu detrás de nós de repente, um sorriso pequeno nos lábios e uma animação que me fez pensar que ela talvez tenha visto Matt chegar, mas não foi nada disso.
– Eles chegaram. – ela avisou mais para mim.
Enruguei a testa, ainda sem compreender.
– Ah, Nina, o Damian e o Daniel, eles estão com Lauren agora, vamos. – ela segurou meu pulso e me puxou em seguida.
Eu não tinha visto, mas tinha certeza que Caleb nos seguiria, ele não perderia isso por nada. Nós ultrapassamos dois carros e um grupo de amigos, os bancos de madeira estavam quase vazios, mas tinha muita gente envolta da fogueira. Quando finalmente chegamos onde havíamos estado antes, eu reparei em dois caras completamente diferentes entre si. O primeiro, que por sinal era o único com sorriso transparente e com o corpo inclinado para Lauren, tinha o cabelo louro e ondulado jogado para trás, os olhos eram de uma doçura azulada, o corpo atlético me lembrava a de Jake, ombros largos, alto e requintes de uma boa malhação, já o segundo rapaz, tinha cabelo negro e repicado, porém, os olhos eram os mesmos, azuis e doces, seu fisico me lembrava o de Caleb, alto, magro porém boa definição física, ele tinha os ombros encolhidos e os braços próximos as laterais do corpo, vestia uma blusa azul de mangas compridas e jeans claro, o loiro vestia uma camisa azul escura de botões e jeans escuro.
– Achei. – Suze disse quando chegamos e todos olharam para mim, os dois desconhecidos com curiosidade e Lauren com nervosismo, de como que precisasse urgentemente da minha companhia.
– Esta é a Nina? – o loiro se virou na minha direção. – A qual você falava, Lau?
Pela intimidade, este certamente era o Damien.
– Definitivamente. – disse eu, reparando que Lauren estava ocupada demais não tendo um ataque. – Prazer, você deve ser o Damien.
Apressei-me para tocar-lhe a mão em cumprimento. Não pude ignorar, mas senti um formigamento diferente, uma tensão boa e não ruim, algo nele era completamente aceitável e bom. Eu não sabia o que isso queria dizer.
– O proprio. – Damien sorriu e isso o tornava mais angelical, eu olhava para seu rosto e não conseguia sentir maldade alguma, ele parecia puro. – E este é meu irmão, Daniel. – ele apresentou com um aceno o garoto timido atrás.
Daniel sorriu para mim e me cumprimentou. A mesma sensação, só que diferente, havia uma tensão mais pesada, mais intensa, mas ainda sim sabia que havia algo nele que eu conhecia.
– É um prazer.
Sorri em sua direção.
– Hmf, — Caleb pigarreou atrás de mim chamado a atenção de todos, era exatamente o que ele queria. – sou Caleb, amigo das garotas.
Houve dois cumprimentos firmes, como se Caleb não gostasse nada disso, de estarmos todos aqui, ou melhor, dos irmãos estarem aqui. E ele fez questão dos irmãos Laudox saberem disso.
– Primeira vez no país? – ele perguntou depois de afastarem as mãos.
Fiquei ao lado de Lauren e Suzanna enquanto observava a conversa fluir.
– Sim, primeira vez.
– Está gostando de algo? – Caleb foi mais direto.
Damian estreitou o olhar e encarou Lauren.
– Com toda certeza, sim.
Segurei firme a mão de Lauren fazendo-a se equilibrar antes que ela tremesse com esse comentário. Um a zero para o Damian.
– Só por curiosidade, vocês fazem faculdade? – Caleb interrompeu todo a troca de olhares.
Daniel, dessa vez, respondeu.
– Damien está fazendo Direito, eu trabalho no banco, na Itália. – houve uma troca de olhares intensa e eu não soube identificar o grau disso.
– Achei que fosse historiador.
Por um espaço de tempo, Daniel pareceu mais do que incomodado, estava a ponto de ficar extramente irritado. Mas para minha surpresa sua expressão se suavizou ligeiramente.
– Por formação eu sou historiador, mas não estou trabalhando sempre. Trabalhar no banco deixa as coisas mais estáveis.
Quando respondido, demorei um segundo para evitar que houvesse mais uma série de perguntas.
– Terminou com o interrogatório, Caleb?
Ele me olhou, impaciente.
– Ótimo. – sorri sem mostrar os dentes na sua direção. – Vocês querem beber alguma coisa? – perguntei na direção dos irmãos Laudox.
Damien fez que não, porém, seu irmão Daniel acenou na minha direção espontaneamente, o que por obrigação me fez de cobaia para acompanhá-lo. Suzanna e Lauren me olharam me instingando, o que eu queria dizer que não havia chances para escapar disso.
– Eu o acompanho. – eu digo timidamente.
Caleb se remexeu ao meu lado e eu o ignorei. Daniel andou até mim como se não tivesse muita certeza sobre o que estava fazendo. Damian ficou logo atrás, encarando os olhos nervosos de Lauren. Essa seria uma longa noite.
Quando ultrapassávamos alguns grupos de amigos, resolveram trocar de musica para algum do repertorio do Kings of Leon. Daniel pareceu gostar.
– Eu gosto de bandas americanas. – ele me contou, olhando-me de vez em quando.
– Alguma preferida?
– Talvez Kings Of Leon. Eu gosto dessa. – ele fez que sim com a cabeça. – E você, conhece alguma da Itália?
– Ah, não, infelizmente não. – disse-lhe, um pouco envergonhada por não saber nada sobre seu país. – Mas sempre quis visistar a Itália, nunca visitei a Europa, talvez eu consiga, algum dia.
Nós paramos perto do carro com bebidas. Um dos garotos do time, Johnny, me viu chegar, sua expressão foi de surpresa para depois ele acenar com a cabeça.
– Hey, Johnny. – decidi dizer alguma coisa, não nos falavamos desde a morte do Isaac. – Como tem ido?
– Até que estou bem. – deu de ombros. – E você? Lauren está aqui também? – ele olhou por cima.
– É, viemos com uns amigos.
– Isso é bem legal. Espero que se divirtam. – ele sorriu amistosamente, Johnny tinha deixado o cabelo crescer juntamente com uma barba rala. – Foi bom ver você.
– Você também. – acenei antes dele pegar seu copo e sair.
Houve alguns minutos de silêncio.
– Interesse amoroso da Lauren? – Daniel perguntou, me assustei com a sua voz, esqueci que ele ainda estava aqui desde que começei a pensar sobre a morte de Isaac.
– Na verdade... nem tanto. – respondi. – Johnny era melhor amigo do ex namorado da Lauren.
Daniel fez um aceno com a cabeça e demorou um segundo para que ele juntasse os detalhes.
– Espere, o que morreu? – ele perguntou com dificuldade. – Damian me contou um pouco. Sinto muito.
Acenei com a cabeça, aceitando.
– Estamos apenas seguindo em frente. – completei. – Refrigerante com ou sem alcool? Ou prefere cerveja?
Daniel examinou a grande caixa com bebida e mordeu o lábio inferior, pensando. Ele é bonitinho, não posso ser hipócrita, ambos eram charmosos e bonitos.
– Refrigerante sem alcool, vou dirigindo até a hotel. – ele me encarou, olhos doces de tão azul que eram.
Procurei um copo descartável e desfiz do meu que ainda segurava, o refrigerante com gelo já tinha virado agua. Despejei o litro de coca nos dois copos e entreguei um para ele.
– Quanto tempo pensam em ficar?
Ele deu um gole ligeiro.
– Ainda não sabemos, aqui é bem legal e considerando que eu ainda estou de férias do trabalho, ainda não faço ideia.
Eu fiz que sim com a cabeça. Mudaram a musica para algo mais animado, do Imagine Dragons.
– Eu amo essa musica. – disse espontaneamente.
– É Imagine Dragons, certo?
– Bleeding out.
– É uma ótima musica.- Daniel completou aparentemente tentando ouvir um pouco mais da música.
– Ela é. – engoli secamente. – Na verdade, faz um bom tempo que não escutava.
– A banda?
– Musica. – encarei as dobras do meu copo. Isso tinha um nome, tudo me lembrava Andrew e as vezes isso machucava.
Evitar pensar nele é como se fosse um trabalho impossível, a lembrança dele era constante, a saudade estava empreguinada nos meus movimentos e tudo que eu podia fazer era esperar. E amá-lo cada dia um pouco mais, como se essa paixão não tivesse limites.
– Posso fazer uma pergunta? – ele se virou para mim, um pouco mais perto. – Tem algum problema em eu estar conversando com você aqui?
– Não, claro que não. – respondi em confusão. – Por quê?
– Aquele loiro. – ele apontou desfarçadamente para frente. – Está olhando para cá a cada cinco segundos.
Procurei saber de quem ele estava falando. No momento, Caleb estava de braços cruzados conversando com Suzanna ou mesmo discutindo enquanto Damian e Lauren tinham sumido, no momento seguinte Caleb virou o rosto e nos observou, pegando-o no flagra. Ele arqueou a sobrancelha e sorriu descaradamente,
– É o Caleb.
Ignorei-o e olhei para Daniel.
– É apenas meu amigo.
– Tem certeza? – ele olhou para mim, investigativo. – Só não quero arrumar encrencas.
– Está tudo bem. Ele está assim porque não conhece vocês, com o tempo ele vai se acostumando.
Daniel acenou na minha direção e mesmo que ele não tivesse a mesma convicção que a minha, eu podia convencer o Caleb de ser mais educado e gentil.
Desbloqueei a mente em alguns segundos, tentando me conectar com a mente de Caleb.
“Você poderia parecer normal, pelo menos.”
Houve alguns segundos para a resposta vim. Ele estava sorrindo descaradamente para o nada.
“Eu sou normal. Não esses dois projetos de boneco Ken.”
Daniel estava ocupado demais observando a festa para me ver esconder uma risada.
“Faça isso pela Lauren, pelo menos dela você gosta.”
“Ok, será um trabalho arduo e irritante, mas pelo menos é para Lauren, porque se fosse pela Suzanna...” ele não terminou. Nós nos desconectamos.
– Quando Damian me disse que haveria uma festa na floresta perto do cemitério eu não pensei que ia ficar tão legal assim.
– É verdade, fizeram um bom trabalho. – respondi, observando as pessoas. Levou um segundo para uma imagem me chamar a atenção. – Aqueles ali são Lauren e Damian?
– Onde?
Aproximei-me de Daniel e apontei para um casal distante que dançava juntamente com outras pessoas ao redor.
– Parece que eles estão se divertindo. – eu disse por fim.
Daniel fez que sim com a cabeça e ficamos alguns minutos em silêncio, apenas observando. Um garoto que eu não me recordo o nome chamou Suzanna para dançar, ela relutou um pouco, parecia que ainda esperaria Matt aparecer, mas depois de muita insistência, ela deu a mão para o garoto e eles se aproximaram dos outros casais. Caleb observou todo o trajeto de Suzanna com um pouco de raiva, eu tinha uma palavra para isso, até que uma garota morena se aproximou dele e começaram a conversar. Havia algo diferente nela, eu não soube dizer o que era.
Então restava apenas eu e Daniel num silencio irritante. Eu precisava fazer alguma coisa.
– Você quer andar? – perguntei rapidamente. – Assim podemos conversar mais.
– Ou se quiser dançar... – ele sorriu.
Quase que engasguei com o refrigerante na garganta.
– Eu não... danço.
Ele fez um sonoro “ah”.
– Mas podemos andar. – completei tentando não parecer esquesita.
– Tudo bem.
Ele se aproximou de mim e começamos a caminhar lentamente. Para começo de conversa, perguntei como era a Itália. Ele falou de tudo que eu já sabia, como o Coliseu. Ele me contou que morava em Gênova, na Ligúria.
– Quando você quiser visitar a Itália, farei questão de que conheça a Catedral de Gênova. É um dos meus lugares favoritos, além dos que tem vista para o mar.
– Eu lembrarei dessa promessa.
Daniel riu, pela primeira vez, aquela feição séria de irmão mais velho sumiu e deixou uma expressão jovem, de um garoto espontaneo.
– Damian sempre falou que queria conhecer a America, acho que foi por isso que ele entrou naquele site americano de relacionamentos.
– Eu lembro desse dia. – eu disse. – Suzanna cadastrou Lauren nesse site, era mais para uma brincadeira, diversão, a gente não sabia que eles iam se conhecer e se aproximar tanto.
– Mas foi incrível, sabe, Lauren é incrivel, todo esse lugar, a Suzanna, você. Isso realmente vale a pena. – ele me encarou. – Principalmente você.
Eu podia estar pensando coisas, mas podia jurar que Daniel estava flertando comigo, seus olhos azuis seguravam o meu olhar como se ele esperasse fazer alguma coisa. Eu cortei rapidamente, desviando.
– Está com sede? – perguntei escondendo a expressão de vergonha.
– Sede? Ahm, não, nem tanto.
Eu esperava muito que ele não tivesse percebido que eu estava percebendo seus flertes.
– Eu estou, vou pegar uma, você quer?
Daniel ficou sem jeito por alguns segundos.
– Ah, não, tudo bem.
– Ok, então, eu volto logo.
– Vou com você. – ele se mexeu.
– Não, fique aqui, não vou demorar quase nada. – e me afastei, andando o mais calmo possivel para o carro com bebidas.
Eu não estava pronta para isso, na verdade, eu nunca vou estar pronta para me interessar por um cara diferente do Andrew. É como se fosse estupidamente errado, sabe, não ser ele, não se tratar dele, não ser com ele. Procurei mais copos descartáveis porque o meu já tinha amassado completamente, em panico. Tirei dos pensamentos a ideia de Daniel ter flertado comigo, na verdade, tentei pensar em como meu dia amanhã seria incrivel, primeiro dia na faculdade, todos os meus amigos estariam lá, seria um novo ano, seria diferente.
Exceto, que seria sem o Andrew.
– Nina. – disse meu nome, baixo, próximo e sombrio.
Despejei metade do refrigerante para fora em nervosismo. Lewis estava aqui.
– Coincidência vê-la aqui.
Engasguei com a minha propria saliva.
– Achei que estaria na mansão preparando suas ultimas malas antes de ir para a faculdade.
– L-le-wis.
Ele sorriu debochado.
– Em carne e osso.
– O que você quer? – ignorei-o.
– Apenas conversar. – disse-me, sem mostrar emoção alguma.
Das inumeras coisas que Caleb me ensinou, eu tinha que ensaiar muito mais minhas expressões, porque não estava dando certo. Eu estava sempre apavorada e nunca confiante.
– N-não, não é um bom momento. – gaguejei. — Eu estou acompanhada Lewis, para falar a verdade, eu deveria estar voltando agora. – peguei meu copo quase vazio e tentei sair, mas ele segurou meu braço firmemente.
– Está falando do italiano? Ah, por favor Nina. – ele riu. – Você tem um péssimo gosto para garotos, sinto-lhe em informar.
Debati o braço para escapulir de suas mãos.
– Apenas... me deixe.
– É um trabalho dificil, te deixar ir. Nunca deixo para trás aquilo que eu quero ter para mim. – encarou-me seriamente.
– Você só pode estar brincando comigo Lewis, nós sabemos que há não chance alguma de eu me aproximar de você. Está mais do que claro.
– Não, não está. – ele se aproximou. – Andrew não está mais aqui, ele era o nosso único empecilho, se você me deixar entrar na sua vida, você vai perceber isso.
– Você não entendeu. – sussurrei. – Sempre será o Andrew, não você, nem ninguém, será sempre o Andrew.
Seus olhos verdes franzidos numa expressão sombria me fez tremer a base. Não importava o quanto eu estivesse treinada, havia algo em Lewis que me assustava mais do que qualquer coisa, eu não sabia o que era, eu não sabia se isso tinha a ver com meu lado emissário, eu apenas não conseguia evitar não entrar em pânico.
– Está errada outra vez. – ele disse. – Primeiro o Caleb, segundo o italiano. Você está sempre disponivel, Nina. Andrew está tão longe que você não consegue manter a fachada da ligação, de para sempre apaixonados.
– Vai para o inferno.
– Vem comigo, prometo que você não vai notar a diferença entre ele e o paraíso.
Enfureci, tentei dar-lhes as costas, mas ele foi mais rapido e recuperou meu braço livre, apertando-o com força.
– Ainda não terminamos.
– Para mim sim. Agora me solte.
– Por que você é tão dificil, Nina?
– Lewis. Me. Solte. – intimei entre dentes.
– Prometa-me apenas uma dança então, será divertido. – ele segurou meus dedos e tentou me puxar para perto da fogueira.
– Céus, Lewis, eu disse não, me largue. – enfureci-me, mas parecia não adiantar de nada, Lewis não tiraria da cabeça essa ideia estupida .
Tentei relutar, estava conseguindo nos primeiros segundos, mas eu não pude segurar por muito tempo, a musica estava muito alta, meus pensamentos pareciam desordenados e com bastante pressão, eu queria sair dali, queria gritar, estava com toda certeza ficando com raiva.
– Droga, me solte! – disse enfurecidamente alto, mas não tinha certeza se alguém conseguiu escutar com o barulho do som. Eu temi que neste momento eu estivesse completamente sozinha.
– Isso não vai funcionar, docin...
– O que você está fazendo aqui? – Caleb apareceu segurando o braço livre de Lewis e impedindo nossa saída.
Ambos paramos surpresos comigo entre Lewis e Caleb como um gatinho assustado. Peguei este momento livre em que Lewis estava distraido para me soltar, empurrei seu corpo para o lado e me soltei, finalmente livre. Andei em direção ao Caleb em proteção.
– Você é o novo segurança dela? Estará em todos os lugares que ela estiver, Blackwood? – Lewis respondeu com raiva.
– É um dos meus objetivos.
– Você parece tão patético fazendo esse trabalho de protetor, completamente ridiculo. – Lewis endireitou o corpo, ficando mais alto e mais intimador.
Mas tenho a sensação que apenas eu me sentia intimada com a figura do Lewis.
– Você é tão entediante, Lewis, você faz tudo aquilo que prevejo que vai fazer, é melhor você cuidar bem dos seus planos, eles estão meio... furados. – Caleb sorriu.
Por um momento, observei que estávamos chamando um pouco de atenção, até que um grupo de garotos apareceu de trás do carro interrompendo o som com gritaria animada e jogando bebida para o alto. Apenas nesse momento ficamos livres dos olhares. Caleb observou os garotos brincarem por alguns segundos, depois se voltou para Lewis.
– Não quero vê-lo de novo perto da Nathalie, tudo bem? Quero distância ou haverá consequencias.
– Consequencias? – Lewis riu. – Você só pode estar brincando comigo, Blackwood.
Caleb se aproximou dele, temi que ele estivesse prestes a fazer alguma coisa impulsiva com Lewis por isso, numa tentativa falha, tentei segurá-lo perto de mim, mas mesmo assim Caleb seguiu em direção a ele.
– Você realmente não me conhece, não é Lewis? – Caleb sussurrou tão perto de Lewis que mesmo se ele apenas mexesse os lábios, Lewis ainda conseguiria ouvir. – Primeiramente, eu vou arrancar seu coração, depois disso, cortarei seus membros, parte por parte. E por fim, farei uma fogueira para eles. Lento e doloroso, eu não brinco Lewis, eu não sou um cara bom fingindo de mau, você sabe disso.
Respirei com dificuldade, tudo aquilo que Lewis engoliu em silêncio me fez quase explodir. Eu nunca tinha visto ele quieto ou mesmo temeroso. Ele podia ser tudo que fosse, mas tinha medo do Caleb. E eu não sabia o por quê disso. Ainda. Sem dizer nada, Lewis saiu de perto, hesitante, encarava-o intensamente cruel, demorou ali parado por breves segundos, depois foi embora, sumindo por entre as arvores sem rastro. Pude finalmente recuperar a respiração.
– Obrigada.
– Você está bem? Ele te machucou? – ele segurou meu punho e examinou.
– Estou bem, só um pouco assustada.
– Precisamos treinar sua expressão de raiva Nathalie, precisa botar medos nos inimigos. – e quando ele riu, eu segui na sua risada.
Para minha surpresa, a expressão engraçada de Caleb se fechou rapidamente. Procurei atrás de mim o que ele estava vendo para tê-lo deixado sem humor. Não havia nada, na verdade, apenas algumas pessoas dançando e... Suzanna. Não era o Matt, com certeza não era, mas ela estava dançando com o mesmo cara que a chamou para dançar.
– Só me refresque a memória, aquela ali é Suzanna comprometida? – Caleb me perguntou sem tirar os olhos do casal.
– Na verdade... sim, é ela. – eu os ignorei. – Algum problema?
Ele franziu a testa.
– Isso é tão ridiculo, tenho certeza que ela não quer nada com ele, mas mesmo assim está lá aceitando os flertes do garoto.
– Eu estou vendo apenas Suzanna dançando, Caleb. – eu disse encarando-o.
– Olha como ele está inclinado para ela, — Caleb começa, me interrempendo. – é uma posição de atração, ele espera achar um brecha para poder estar ainda mais perto e conseguir pelo menos um beijo.
– Ual. – exclamei, observando Suzanna e o garoto dançarem. – Acho que não estamos vendo as mesmas pessoas.
– Abra a mente, Nina.
Cruzei os braços e soltei uma risada. Finalmente consegui o olhar de Caleb.
– Por que está rindo?
– Você está cuidando da integridade da Suzanna, isso é... engraçado. E estranho, porque normalmente vocês juram inimizade eterna dez vezes por dia. É estranho. – expliquei sem conter o sorriso.
– Por favor, Nathalie, você não tinha um italiano para cuidar? Enquanto isso tenho uma garota que está me esperando, até logo. – ele acenou na minha direção com a testa franzida, com pensamentos apreensivos.
Eu não tive muito trabalho para encontrar Daniel porque assim que me virei, eu o vi perto do carro de bebidas, ele parecia pensativo.
– Estava aí há muito tempo? – perguntei assim que me aproximei.
Daniel tamborilou os dedos no carro.
– Me desculpe. – primeiramente disse, timido. – Eu deveria ter feito alguma coisa, quando vi aquele cara segurando você pensei em te defender, mas não sabia se vocês se conheciam, se ele era o seu namorado, então o Caleb chegou e achei que não deveria intervir em nada. Me desculpe.
Fiquei boquiaberta, não tinha sequer uma palavra para responder, estava apenas digerindo tudo que ele havia me dito.
– Eu certamente teria te defendido, mas vou confessar que fiquei sem reação. Não sabia o que fazer. — Daniel olhou para baixo, ainda envergonhado.
– Está tudo bem Daniel, você não tem com o que se desculpar.
Ele me olhou.
– Ele estava mesmo... te machucando?
Levei um tempo para responder.
– É uma longa história. – respondi. – Era uma discussão, acho que dava para perceber, mas não é algo importante.
– Tudo bem. – ele fez que sim com a cabeça. – Quando sentir em me contar, estarei aqui.
Eu sorri. Havia gostado da sinceridade de Daniel. Alguém tinha acabado de trocar a musica que estava tocando e isso me deixou mais do que surpresa. Me deixou em choque.
– Você gosta dessa musica? – Daniel percebeu minha expressão. – Quer dançar?
– Eu gosto... Gosto bastante. – respondi, encarando meus dedos e sentindo meu peito arder. – É por gostar tanto dela que me machuca.
Daniel enrugou a testa, sem entender.
– Ela te lembra alguém?
Eu concordei, sem falar nada. Bleeding Out me lembrava Andrew de todas as maneiras mais doces e amargas possiveis.
– Espere só um segundo. – Daniel disse de repente sumindo entre as pessoas.
Antes que eu pudesse saber para onde ele tinha ido, trocaram a musica logo em seguida, no mesmo momento que ele retornou.
– Acho que essa não te lembra ninguém. – ele sorriu.
– Não lembra mesmo.
– Então o que acha de dançar ela comigo?
Eu havia dito não quase a noite toda sem dizer essas palavras concretamente. Depois de quase ser atacada por Lewis e sofrer por escutar uma musica que me lembrava Andrew, eu precisava me divertir um pouco.
– Eu aceito. – segurei firme sua mão e não soltei.
Fale com o autor