Dark - Segunda Temporada
5 Capitulo 3
Notas iniciais

CAPITULO III
Não me lembrava mais como era o verão em Sponvilly a um bom tempo. O gelo derretendo, os campos verdes da floresta se abrindo, jardins vivos e aflorando. A temporada de caça, a temporada de acampamento e atividades com adrenalina estavam abertas, alguns amigos do colegial estavam se reunindo logo depois do cemitério para fazer uma aventura de campo, era mais como uma despedida da escola e um bem-vinda faculdade, eu recebi convites, só não sabia se ia.
– Você vai.
– Suze...
Lauren arremessou um travesseiro na minha direção.
– Por favor Nina, faz quatro meses que não fazemos nada de verdade juntas, eu preciso viver. – ela se enterrou nos cobertores no quarto de Suzanna.
– Eu sei sobre a parte do querer viver. – murmurei. – Mas, vocês sabem... é perto do cemitério e...
Silenciei-me, ficamos quietas por dois segundos que pareceram a eternidade.
– Desculpe por lembrar. – sussurrei, serrando minhas mãos entre si.
– Está tudo bem. – Suzanna me confortou, então ambas olhamos para Lauren.
Levou um segundo para que ela reagisse.
– Não olhem para mim. – Lauren resmungou se erguendo da cama.
– A gente sabe que esse assunto é meio difícil. – Suzanna respondeu. – Não só para você.
– Bem, é verdade. – ela alternou de mim para Suze. – E também que o que aconteceu... Com todas nós, foi difícil. Primeiramente, ahm, Isaac... ele, bem, vocês sabem, e depois Andrew foi embora também.
– Ambas perderam alguma coisa.
– Eu sei, não queria tocar nesse assunto depois de tanto tempo sem poder vê-las, mas... – olhei de soslaio para Suzanna. – Mas não precisamos enfrentar isso agora.
– Você tem razão. – Lauren se aconchegou ao meu lado. – Faz dois meses que conheci o Damian em um desses encontros suicidas pela internet, eu sei que isso parecia errado no começo, mas quando eu ouvia a sua voz pelo telefone, mesmo nunca ter o visto além das fotos, eu senti que podia ser feliz de novo, depois do Isaac.
– Sem contar que Damian é italiano, caramba, isso é muito com o que ser feliz. – Suzanna riu, enquanto cortava totalmente o clima.
– Ignore-a como eu faço. – Lauren segurou minhas mãos. – Eu lembro do Isaac todos os dias, e as vezes choro, mas outras, apenas sorrio, porque apesar do que houve, fui feliz. Eu entendi. Nunca somos fortes o suficiente para as perdas, estamos apenas tentando viver cada dia como um dia novo para tentar esquecer. Mas então, conhecemos alguém, vemos um mundo diferente e possível, vemos esperança, os nossos corações se aquecem e temos a chance de viver o dia, não sobreviver nele. Então, de repente, algumas vezes, nós apenas... Acordamos. E no meu caso, eu não sei, eu...
– Se apaixonou. – completei, segurando firme suas mãos. – Não foi suicida vocês se conhecerem, Damian é um cara legal, e saber que ele estará aqui em breve, bem, isso é tão importante para mim quanto como para você, sabe, a idéia de você estar feliz é importa para nós.
– Obrigada. – sorriu em silencio por um segundo. – Talvez você ainda esteja enfrentando, sabe, a idéia de Andrew ter ido embora por causa da saúda da sua mãe, mas também queremos a sua felicidade, e você não pode viver como se não tivesse esperança. Como se nós não estivéssemos em sua vida também.
– Mesmo que ter esperança seja apenas para uma festa maluca no meio da floresta. – Suzanna completou.
Ri por desconcentração.
– Tudo bem. – disse. – Isso foi uma das coisas mais incríveis que ouvi nesses quatro meses Lauren, você tem razão, não devia ter agido como se não tivesse vocês duas ao meu lado, ou como se não esperasse por nada, sinto muito, isso nunca mais se repetirá.
– Bom mesmo, — Suzanna cutucou os lados da unha. – foi meio difícil não ter tido você nas nossas saídas, não é a mesma coisa sem as três espiãs juntas.
Sorri, sentindo meus olhos marejarem.
– Sinto tanto, me desculpem, me desculpem.
– Só não mude de novo. – Lauren abraçou forte meu corpo.
Eu retribui o abraço.
– Nunca mais, você tem razão.
– Sempre tenho. – disse-me, com a voz baixinha no meu ombro.
Quando nos afastamos, Suzanna estava nos olhando esperançosa.
– Então isso é um sim? – Suzanna se arrastou para o nosso lado. – Toda a turma estará lá, nossas coisas já estão nos nossos quartos na universidade mesmo, podemos ir para lá amanhã, depois da sua mãe voltar para Anchorage.
Pensei um pouco.
– Bem, isso parece legal.
– É claro que é, uma turma enorme de adolescentes bêbados na floresta dançando e ouvindo musica, bem... Não legal... Mas será divertido filmar algumas pessoas. – Suzanna abriu um sorriso.
Empurrei-a para trás e ela me puxou de volta, nós caímos no chão enquanto riamos e Lauren nos olhava como se fossemos duas garotas com problemas mentais. Ou apenas duas garotas malucas.
Helena estava com Josh na mansão, nós visitamos a universidade, ela examinou o curso e o campus, mas não deixou de ressaltar como eu era maluca por trocar Nova York por Sponvilly, ou melhor, a universidade fundada pelos Jones por qualquer outra de Nova York. Era por isso que Caleb estava indo comigo, mesmo que só eu, Maison e Langdon soubessem disso. Quanto mais proteção, melhor, bem, era isso que Andrew tinha me dito antes de finalmente me deixar em casa e partir, não para sempre, mas parecia durar como se fosse.
Além de Helena está na cidade por hoje com Josh, as novidades não terminaram por aí, a irmã de Caleb voltaria de Vinum amanhã de manha, ele quer que eu a conheça e está feliz por finalmente ela deixar aquela cidade conturbada com lembranças do seu pai e vir ficar com ele, em proteção. Além disso, tio Rick conseguiu uma vaga na universidade e agora ensinará calculo, o que quer dizer que Suzanna e Caleb além de encontrarem muito porque ambos estarão fazendo engenharia, meu tio Rick se tornará seu mais novo professor.
Quando estava entardecendo, resolvemos visitar Jenna e sua fantástica loja de fantasias. A decoração do dia das Bruxas estava em extinção, cachorros e gatinhos com cabeças dançantes decoravam o balcão, uma replica de plástico de um anjo triste se encontrava na entrada e as velhas cabines vermelhas ainda estavam ali junto com os assentos fofos e macios.
– O que desejam?
– Vestidos sexys. – Lauren pediu. – Mas algo não muito atirado, sabe, meigo.
– Não tão meigo. – Suzanna completou.
– Algo que não deturpe nosso caráter, por favor. – pedi, empurrando-as para frente.
Na próxima sessão, Jenna puxou cabides com vestidos de todos os tipos que esperávamos ou até mesmo que nunca esperaríamos ver, o que queria dizer que seria um trabalho lento e cansativo.
Quando algumas garotas entraram na loja, finalmente ficamos a sós para termos nossas discussões de como iremos achar algo legal antes das oito hora, antes da festa sinistra, antes de nos arrependermos como sempre. Suzanna estava muito ocupada se frustrando sozinha com alguns cabides como igualmente Lauren, enquanto eu ficava observando-as e outrora olhando se algum vestido me interessava. Mudei de sessão. As luzes estavam mais fracas nesta parte, devido a placa de aviso na parede: recanto em obras.
Jenna deve ter contratado eletricistas para tirar a antiga decoração, por isso algumas lâmpadas estavam apagadas e outras mal funcionavam. Avistei um peça de roupa, mesmo distante, no tom roxo perto de alguns fios e uma maquina enorme ligada a tomada, eu não podia reconhece-la, mas parecia um daqueles canhões que explodem confetes em festas, nada que eu pudesse me preocupar.
Dei um passo, me livrei de uns fios e andei em direção aos cabides que ficavam numa parte mais escura da loja. Ele estava ali, e não parecia nada com o que me que deixasse frustrada caso eu vestisse, como os vestidos que Lauren e Suzanna escolhem. Peguei-o e voltei com cuidado, perdi o equilíbrio muito pouco e me escorei rapidamente na maquina gigante, uma luzinha vermelha piscou antes de um ronco estranho surgir de dentro dela, em segundos, uma explosão roxa contaminou o ar e eu caí para trás.
– Ver-b-b-bena.
Desmaiei. Ou achava que sim. A minha memória ficou cinza de repente, o loja estava se afundando numa escuridão tenebrosa, o ar congelou e eu senti o frio machucar meu pulmão a cada respirada.
Eu estava sonhando. Ou isso realmente estava acontecendo? Ainda segurava o vestido roxo em minhas mãos, e o apertava com força contra o meu peito, a temperatura deve ter caído alguns graus porque aqui estava demasiadamente mais frio, principalmente por ser verão. Segurei numa barra de ferro onde as roupas se repousavam e me levantei, Lauren e Suzanna não estavam mais ali, na verdade, tudo estava escuro e vazio, nada além de mim.
Mudei o percurso, virei e encarei o fim escuro lá atrás, não havia nada que me lembrasse, na verdade, não lembro de ter estado aqui antes, antes mesmo de estar num sonho estranho, ou numa realidade estranha que a verbena me fez inventar. Caminhei com o vestido nos braços, estava me esquentando e não me sentia mais repulsiva com esse frio. Andei mais, uma porta avisava outro caminho, não me interessara de começo, se a fresta da porta não avisasse que havia luz por trás dela. Andei até lá, se isso fosse um sonho, de que temeria?
Abri a porta.
Nunca estive aqui, na verdade, como eu poderia sonhar com isso sem nunca ter estado aqui? As pedras decoravam a estrada, os postes iluminavam a rua e casas meio imperiais e européias prosseguiam por todo o quarteirão. Era uma cidade, eu estava sonhando com alguma rua e em alguma cidade sem motivo algum.
Blackolf,. nº 37, Vinum, Inglaterra.
Respirei o ar, ele gelou meu pulmão com força e não acreditei que podia estar sentindo isso, a temperatura, a frieza do tempo, isso não podia acontecer porque isso não passava de um sonho. Um sonho estranhamente real. Eu não estava apenas assustada com isso, estar sonhando com Vinum numa rua qualquer, mas estava com medo, eu queria acreditar que isso fosse real, mas me assustava caso isso fosse.
Vamos lá Nathalie, você não é medrosa, bem, é por isso que esteve fazendo treinamentos físicos e mentais, para passar por isso, então, vá.
Dei o primeiro passo e a porta que eu tinha usado sumiu de repente. O cenário mudou de cor e tudo se coloriu, estava noite e bem frio, pessoas passavam freqüentemente e isso me assustou, elas não pareciam com nada humano que eu já tinha visto. Claro que não era, eu estava na cidade dos vampiros. Tremi os membros, mas caminhei como se isso fosse a coisa mais normal a se ver. Ninguém me percebeu, na verdade, não como uma humana, mas eles me viam, seus olhos me atravessavam e ninguém notava a diferença, a minha pele corada e com sangue pulsante, nada, para eles, eu estar aqui parecia normal, parecia comum. Caminhei mais depressa, eu só podia estar enlouquecendo, essa era apenas uma rua que eu tinha inventado, porque, afinal, nunca estive em Vinum para imaginá-la, se isso era verdade e eu acreditava bastante nela por que eu estava fazendo isso? Sonhando com um mundo paralelo?
Tropecei logo a frente e fui me estabilizar perto da parede, ninguém me notou fazer isso, porque, de repente, a rua parecia menos movimentada. Olhei pelos lados e vi um prédio alto, não alto como uma cidade urbanizada deveria ter, era apenas uma casa de andar com alguns quartos e balcões como o de Julieta, e um deles, bonito e imperial com uma porta de vidro, as luzes estavam acesas e não sei porque isso me chamou a atenção. Ouvi vidro batendo e percebi que do único lado com luz, surgiu uma figura dispersa com um copo com vinho seguro nas mãos.
Eu o reconheci.
– Meu deus. – disse alto e pasmo.
O corpo lá em cima se mexeu, lentamente circulou os olhos pelo lugar e olhou para baixo. O segundo foi intenso, meu coração pulsou como se estivesse prestes a ter um ataque do coração, mas isso era real.
Como um despertador, o copo de vidro despedaçou no chão e acordei, ele não estava mais lá. E me frustrei. Isso foi uma miragem? Eu tinha imaginado Andrew numa sacada qualquer numa rua inventada chamada Blackolf? Era a verbena, certamente, ela me deixa transtornada e com ataques de ilusão. O quão maluca eu estava? Nada aqui era normal, eu estar não era nada normal, e vê-lo disperso ali em cima... Quão masoquista eu era?
Deixei o vestido cair e vi ele flutuar por um segundo, antes que ele fosse pego por mãos grandes e conhecidas. Ele a trouxe para frente e nossos olhos se encontraram.
– É você?
Não consegui responde-lo, não conseguia me mover.
– Como isso pode ser possível? – ele me perguntou, sua voz suave, baixa, como se fosse um sonho, uma miragem.
– Sou eu. – respondi. – Estou sonhando com você.
– Nathalie isso não é um sonho. – ele se aproximou. – Você está aqui, como isso pode ser real?
– O quê?
– Minha nossa. – alarmou-se. Tocou-me o rosto. – É fantástico, consigo sentir sua pele.
Seus olhos negros me examinavam, a ternura de suas feições me acalmava, o ataque do coração se tornou o suave bater de um coração em êxtase, tênue.
– Consigo ouvir sua voz, — sussurrou, seu corpo se aproximou, seu peito tocou o meu, nossos braços sentiram o choque da aproximação. – consigo sentir o calor da sua pele, consigo vê-la. Nathalie, eu...
– Isso é real então? – uma lágrima escorreu pelos meus olhos. – Estou aqui? Você está aqui?
– Por que está chorando? Está triste?
– Não, não, — segurei seus braços. – estou chorando porque queria que isso fosse real.
Andrew puxou minha cintura e me abraçou forte, seu corpo estava quente, em adrenalina, em um toque suave, ele beijou o topo da minha cabeça.
– Eu também queria que fosse real, queria estar com você, queria poder sentir isso sem ter medo que acabe. – abraçou-me forte. – Mas vejo isso como uma vitoria, não sei como pudemos nos conectar Nathalie, mas isso aconteceu, poderemos fazer isso mais vezes.
Ele se afastou e encarou meu rosto.
– Mas não é como se fosse a mesma coisa.
– Mas é uma esperança. – tocou-me no rosto. – Não importa o quanto ainda estejamos longe, qualquer coisa que me faça tê-la, mesmo que seja por um sonho, é o suficiente, Nathalie, porque eu te amo. Como antes, como agora, como sempre, isso para mim é o suficiente.
Segurei firme as mangas de sua camisa preta e me aproximei, tocando de leve seu rosto.
– Venho esperando por essa esperança a tanto tempo, Andrew, claro que para mim é o suficiente, você é tudo que eu quero, mesmo que isso leve tempo, mesmo que isso leve a única vida que tenho.
O abracei, queria sentir novamente que isso era real, queria senti-lo mais perto como se nunca mais fosse dizer adeus, agarrei sua camisa e ele minhas costas, não pude evitar as lagrimas, não pude ignorar o sentimento, mesmo que não ter te-lo me ferisse.
– Eu te amo, Andrew.
– Esperei muito para ouvir isso. – segurou meu rosto e tocou meu nariz carinhosamente.
– Então o que será agora? – eu o encarei. – Não sei como fizemos isso.
– Onde estava? Com o Caleb?
Eu fiz que não com a cabeça, então ele reparou no vestido que estava usando.
– Vai a alguma festa? Estava comprando?
– Ahm, estão querendo fazer uma despedida do colegial, — respondi timidamente. – as garotas acham que eu preciso sair para me divertir.
– E por que? Você estava doente?
– Não, claro que não. – ergui os olhos. – Não venho saindo muito com elas... Não venho fazendo muita coisa além dos treinamentos com Caleb a algum tempo.
– O que aconteceu? – perguntou-me ligeiramente preocupado.
– Você. – respondi envergonhada. – Eu mudei, Andrew, faz algum tempo que perdi certas vontades, como fofocar com as minhas amigas, na maior parte, eu prefiro fica sozinha.
– Baby... – ele acariciou meus cabelos. – Não quero que mude por mim, quero que viva, não quero vê-la assim, prometa-me que irá se esforçar para ficar com suas amigas, por favor?
Acariciei seus dedos, em consentimento.
– E afinal, é um belo vestido. – ele examinou o tecido e sorriu. – Não tão sedutoramente provocante como aquele no Halloween, mas agradeço, ficarei mais tranqüilo.
– Andrew!
– Que é? – ele riu. – Não estarei lá para te proteger, então...
Sorri, espontaneamente, encarando as orbitas negras que eram seus olhos, negras e sempre repletos de segredos, profundo, como um vacilo. Eu poderia ficar aqui olhando-o para sempre, se eu pudesse, e nunca me cansaria disso.
– O quê? Por que está me encarando?
– Nada, ahm, eu apenas... – toquei-o de leve. — Eu senti tanta a sua falta.
Ele fechou os olhos, por um segundo, depois os abriu e me encarou.
– Eu também. Você era a única pessoa que me importava, Nathalie, dia após dia, a sua lembrança me mantinha forte.
Suas mãos passearam pelas minhas costas e senti que ele estava me aproximando para mais perto. Minha respiração se tornou falha, senti que podia cair a qualquer momento se ele não tivesse agarrado meu corpo ao seu. Encarei as orbitas escuras do seus olhos e me perdi, mesmo que isso fosse um sonho, a idéia de beijá-lo não fugiria a realidade, porque, para ser franca, quando eu o beijava, sentia-me flutuar num sonho onde parecia que o para sempre e ser feliz aconteciam.
– Talvez isso não dure, de você estar aqui comigo nesse sonho, mas quero ser feliz um pouco antes de cair do penhasco.
E me beijou. Seus lábios tocaram os meus de leve, minha respiração vacilou e tomei fôlego, eu queria mais. Abri levemente os lábios e ele se apoderou da minha boca. Agarrei firme seus braços, mas o tempo vacilou, tudo se tornou cinza.
– Andrew... Andrew... – disse baixinho, afastando-me contra a minha vontade. – Está acontecendo?
Eu o olhei, parecia triste, parecia desconsolado, com dor.
– Está, Nina, está. Sinto muito, sinto muito. Eu te amo baby, vou reverter isso, espere por mim.
Antes que eu voltasse a realidade, vi uma lagrima escorrer pelos olhos dele, antes de Suzanna chacoalhar meus ombros.
– Caramba Nina, você está bem?
A luz voltou, eu estava deitada em um daqueles assentos fofos com o vestido grudado ao meu peito. Levei um segundo para me livrar daquela penumbra cinza que o lugar tinha se transformado e me acostumar com a boa iluminação da loja.
– Acho que sim. – murmurei.
– Dizemos a Jenna que você tem uma alergia rara à verbena, foi por isso do desmaio, ela sente tanto, não devia ter deixado você sumir assim, caramba, Nina... – Lauren respirou fundo, aparentemente abalada.
– Lauren, desculpe, desculpe... – afastei o vestido e me levantei. – Eu não imaginei que isso ia acontecer e... – tentei me levantar, mas vacilei. – Ah, droga.
Lauren e Suzanna correram para segurar as minhas costas, fui ligeiramente reconfortada de volta ao assento.
– Estou bem agora.
– Acho que devia ir para o hospital. – Suzanna passou os dedos pela minha testa.
– Estou bem, podem ficar tranqüila, só aquele cheiro terrível de verbena, mas estou bem.
– Tem certeza? – Lauren se aproximou.
Respirei fundo, ainda zonza, mas não pela verbena, eu ainda estava presa a sensação de ter estado com Andrew em um sonho. Passei os dedos pelos meus braços e inspirei, o seu cheiro de gardênias, umidade e canela ainda perfumava minha pele, isso queria dizer que pela mais remota chance, aquele sonho tinha sido real.
– Tenho, estou ótima. – afirmei com convicção,
Suzanna puxou um dos assento fofos e redondos e se sentou ao meu lado, Lauren dividiu com ela um segundo depois.
– Quando te vimos caída no chão pensamos que tinha sido eletrocutada ou algo do gênero, havia tantos fios ali da iluminação que foi a única coisa que pensamos.
– Mas então a maquina roncou e explodiu verbena nas nossas caras, você deu uma tragada como se fosse sua ultima respiração e ficou imóvel de novo. Lauren e eu corremos ate você. – Suzanna roçou os dedos, parecendo nervosa. – Nunca mais faça isso, não nos assuste assim, ok?
Enruguei a testa e consenti, se elas soubessem que precisei estar em perigo para poder ter me encontrado com Andrew, elas não se apavorariam tanto. Era inexplicável, eu sei, é como ter me teletransportado até ele, assim, rápido e de repente, como se atravessasse outra dimensão. Caleb tinha que saber disso, porque eu precisava fazer isso outra vez, precisava vê-lo de novo, a ansiedade culminava e implorava.
– Pelos menos encontrou o vestido. – Lauren apontou para o pano em minhas mãos. – Ele é lindo.
– Meigo como Nathalie.
– Obrigada. – sorri.
O celular de Lauren vibrou e pareceu ter ascendido uma chama dentro dela.
– É o Damian. – me avisou. – Você não acredita, mas...
– Nem eu acredito para falar a verdade, Lauren.
– Não enche, Suzanna. – ela lhe olhou feio. – Então, como eu ia dizendo, Damian me ligou, um pouco antes de encontrá-la. Já falamos sobre o irmão dele, o que trabalha com arqueologia e museus, bem, Damian me avisou que ele finalmente ficou livre e que poderá viajar para cá.
– Sério? Isso é bem legal. – disse. – Quando eles vem?
– O carro deles chegam esta noite.
Pausei, surpresa.
– Mas, já? Eles embarcaram cedo?
– É, ele queria fazer uma surpresa, alugaram uma casa pela internet, Damian quer ficar pelo menos duas semanas por aqui antes de voltarem para Roma. – ela disse demonstrando animação.
– Não é um pouco... Rápido? – perguntei indecisa.
– Disse a mesma coisa.
– Ah, por favor, vocês não vão vir com essa conversa de que mal nos conhecemos. – ela tapou os ouvidos.
– Ah, quanta maturidade Lauren. – Suzanna segurou-lhe as mãos e puxou os braços.
Lauren mostrou a língua em desaprovação.
– Tudo bem garotas, ok... você sabe que isso é diferente Lauren, só queremos que tome cuidado, só isso.
Ela se aquietou.
– Eu irei, nós combinamos de nos encontrar nesta festa, por isso quero vocês lá.
– Nós vamos.
– Tudo bem então. – dei de ombros.
– Ah, vou levar o Matt também, não será nada como o Halloween, nada de garotos sumindo e nós atrás deles, feito? Feito.
Meu vestido lembrava seda com alças finas, o decote era razoável e a pele dos braços livre era o de mais sedutor e extravagante, virei as costas para Suzanna e ela me ajudou a prender a gargantilha que recebera de presente de formatura pelo tio Maison, um coração de vidro, como os dos vampiros, ele quis dizer, mas o coração era pesado e pequenino, um diamante que poderia ser mais caro do que qualquer coisa que eu poderia pensar. Preso finalmente, olhei-me no espelho e com ajuda de Suzanna que encaracolou as pontas do meu cabelo enorme, ajustou as madeixas pela minha pele, caindo suavemente pelos meus ombros.
Suzanna optou pelo preto básico, justo dos seios até as coxas, e o decote retangular, preenchia e enchia o busto para parecer mais sedutor. Uma faixa preta abrangia a cintura e a deixava com o quadril maior, ela usou scarpim preto na mistura e seu cabelo castanho avermelhado caía em cachos nas suas costas. Suzanna usava batom vermelho sangue, enquanto o meu era suave cor de boca.
Lauren comprou um vestido cor champanhe, uma faixa apertava a cintura enquanto a saia se desprendia do corpo levemente dando-lhe movimento em pregas e a maquiagem tão natural quanto a tonalidade do seu vestido. Ela usou uma corrente de pedras de brilhante junto com brincos de brilhante. Passei o delineador nas pálpebras e puxei a perna como se fosse olho de gato, depois da mascara, minha maquiagem estava pronta.
No mesmo segundo, ouvimos som de buzina no andar de baixo do apartamento de Suzanna. Coloquei o rosto para fora da janela e soube quem era.
– Está na hora meninas. – perfumei-me enquanto falava.
– Quem é?
Suzanna espreitou pela janela.
– Caleb Blackwood. – ela respondeu com desdém. – O que ele está fazendo aqui?
– Eu o convidei, Suze.
– Ah, não, você sabe que não gosto dele, na verdade, não nos suportamos.
– Não sei por quê, Caleb é tão maravilhoso, além do mais, garota, ele é muito gato. – Lauren me espiou.
Ele certamente deve estar ouvindo isso, ou lendo os pensamentos delas. E certamente deve estar com um sorriso ordinário nos lábios.
– Se eu pudesse, atirava um balde de água por essa janela. – Suzanna resmungou, franzindo o cenho.
– Por favor Suze, se comporte, ele é meu amigo também. – pedi, me aproximando.
– Mesmo que eu não o suporte e sempre planeje novas formas de cometer um homicídio, vou me comportar, se ele não me irritar, claro.
Abracei-a rapidamente.
– Obrigada, Suze.
– Agora vamos, temos uns italianos para ver e uma festa para animar.
Lauren e Suzanna saíram na frente, e eu as segui com pensamentos bem diferentes. O que Andrew estaria fazendo agora?
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