Dark Paradise

3 She's Beautiful


Notas iniciais
Oiiiiiiiiiiiiiiiiii minhas tchucas nindas *-*

Justin’s P.O.V


- E ai Bieber, falou com a psiquiatra nova? – o idiota do guarda que me empurrava em direção a Heller perguntou e tudo que recebera foi meu silencio – Ah é, esqueci que você não fala. – riu e me deu um empurrão, me fazendo bater com tudo em uma parede em frente. Mordi o lábio inferior com força, reprimindo um gemido de dor, ao sentir o lado esquerdo no meu rosto latejar contra a parede de pedra.


Minha camisa foi puxada por trás e meu corpo foi erguido novamente. Se não fosse pelas malditas algemas que prendiam meus pulsos, já teria acabado com a raça desse filho da puta.


Ao chegar do lado de fora, minhas algemas foram abertas e o filho da puta veio com tudo pra me dar mais um empurrão, mas, desviei meu corpo a tempo e o imbecil quase caiu no chão. O que me fez rir debochado e rir pelo nariz. Estalei a língua no céu da boca e joguei a cabeça pro lado enquanto observava o mesmo sair furioso de perto de mim.


Dor...


Era a dor a minha companheira que não me deixava perder a luta entre a loucura desse lugar contra meu lado lúcido. Era a dor que me dava um choque de realidade e mostrava que eu ainda era lúcido e humano o bastante. Dor. Dor. Por dois anos, o melhor remédio que pude encontrar nesse maldito manicômio.


E a mesma que me mantém acordado agora.


Podia sentir as pequenas farpas da madeira rasgarem minha pele e se alojarem na mesma, causando uma leve dor, mas, não me importei, era isso que buscava, era disso que me manteria lúcido. Era isso que me manteria acordado, o que provava pra mim mesmo que tudo isso era realmente real.


Joguei os pedaços de madeira dentro de um caixote e me sentei em um bloco de concreto, enquanto encarava meus dedos que agora sangravam. Não importava. Nada aqui importava.


- Justin? – disse alguém se sentando perto de mim e olhei Corey pelo canto de olho – Hoje você terá terapia em grupo às seis da tarde...


- Ok – disse enquanto encarava a Angelina Rasec saindo do prédio feminino, escoltada por um segurança, e indo em direção aos consultórios psiquiátricos.


A melhor parte das consultas é a extrema fúria em que consigo deixar os médicos. Uma cena digna de risos e aplausos.


E imediatamente me lembrei da nova psiquiatra. Annelize Stones. Ela era realmente linda, com olhos azuis que pareciam duas joias, uma pele clara e com aparecia deliciosa, uma boca carnuda que dava vontade de morder, um corpo curvilíneo, porem tampado pela maldita roupa. Uma carinha de anjo, mas, sabia que, no fundo, escondia uma fera, um demônio. Era sexy naturalmente, sem ser nenhum pouco vulgar. Irritante. Persistente. Chata.


Mas, como não tocava em uma mulher desde que havia entrado nesse lugar, meus hormônios explodiam.


E, ao olhar o medo transbordando em seu olhar, me deixava mais intrigado. A fúria de sua áurea era intimidador, mas, não pra um cara como eu.


- Sua nova psiquiatra parece ser simpática. — ele tentou puxar assunto. Dei de ombro.


- Idiota como todos eles. — disse com um pouco de seriedade.


- Não acredito que não deu o ar dá sua voz para ela ouvir. — ele disse achando muita graça, mas eu me mantive calado. — Ela é bonita. — ele deu de ombro. — Eu gostei e você? — me mantive quieto sem responder o que ele havia perguntado. — Biebs, realmente espero que não pare de falar comigo também – disse Corey, soltando um risinho logo depois.


Ele era o único digno de ouvir minha voz naquele inferno.


- Relaxa, acho que isso não vai acontecer. – disse me levantando e abaixando a blusa pra que minha boxer não parecesse totalmente.


- Não seria mais pratico levantar as calças? – disse e dei de ombros, enquanto voltava pra Heller.


Annelize’s P.O.V


Olhei mais uma vez pro relógio: 15:02. O dia não passava, as horas pareciam estar congeladas e meu sangue começava a borbulhar de raiva dentro de mim. Não acredito que teria mais uma consulta cancelada por mal comportamento do paciente.


Duas batidas foram dadas na porta e me endireitei na cadeira, enquanto a porta era aberta.


- Boa tarde doutora – disse o segurança e sorri dando um aceno com a cabeça – Prefira que eu fique ou saia?!


- Pode deixá-la comigo. – disse me levantando e indo até eles – Vamos conversar e nos darmos bem, não é Angelina?


- Sim senhorita Stones – disse com uma voz meiga e instantemente, me perguntei como uma pessoa meiga podia fazer algo daquele jeito...


Fechei a porta e me virei pra Angelina, que me olhava com seus grandes olhos azuis.


- Sente-se, por favor – disse sorrindo e ela assentiu se sentando na cadeira posta em frente a mesa. Sentei-me na minha cadeira e a olhei por breves segundos antes de começar a falar:


- Está tudo bem com você? – perguntei notando que ela estava de cabeça baixa.


- Sim senhorita Stones – murmurou – Eu só... Quero a minha boneca de volta, eu quero minha mãe – disse se encolhendo um pouco, meio chorosa e me afastei, encostando as costas na cadeira e a encarando. Ao que parecia, a garota tinha a síndrome do Peter Pan.


- Sua boneca? Conte-me mais sobre isso, me fale sobre você Angelina, sobre o que sente...


- Pode me chamar de Angel – sorriu tristemente – A senhorita é tão linda, tem os olhos azuis como os meus, os cabelos loiros como os meus... Você é minha tia?


Sim, ela sofria da Síndrome do Peter Pan.


Iria ter que tratá-la como uma criancinha, teria que ser a “tia” de Angelina, teria que cuidar de uma criança presa num corpo de uma mulher. Respirei fundo antes de continuar.


- Sim minha linda, por isso, a tia quer que você conte tudo a ela tá? A tia vai te ajudar! – Ela deu um sorriso enorme de satisfação e colocou as mãos, presas por algemas, sobre a mesa e me olhou. Sorri pra ela a incentivando.


- É que roubaram minha boneca de mim, tia – ela fez biquinho e ameaçou chorar, toquei uma de suas mãos com a minha e ela abriu um sorriso tímido, encarando nossas mãos. – E a Penélope estragou a única boneca que a minha mãe me deu.


- A tia promete comprar uma boneca e um ursinho de panda pra você assim que conseguir, mas, só se você se comportar e também, só se contar tudo pra mim tá?!


- Ta! – riu animada e apertou minha mão. Mas, eu percebi que, não tinha um método de curá-la, ela sempre iria ser uma criança presa no corpo de uma mulher, sempre seria a flor que nunca desabrocharia, aquela que sempre iria esconder um crime brutal dentro de si.


Respirei fundo e fechei os olhos com força, tentando me concentrar novamente nas palavras doces de Angel, que basicamente era desenhos, lápis de colorir, brinquedos e todas essas coisas de crianças. Ela não parava de falar...


- É por causa do tio Justin Bieber que eu posso ver desenho e tenho bonecas, ele não fala muito, mas, é legal! – riu — Por que ele não fala muito tia?


- Eu não sei Angel... – riu balançando a cabeça — Com você ele fala?


- Às vezes sim! – sorriu – Só comigo e com o Corey que ele fala. — e em seguida, bateram na porta e o guarda entrou, anunciando que acabara o tempo de Angel


– Nos vemos amanha Angel?


- Sim tia! – riu – Não se esquece do meu brinquedo tá? – disse se afastando enquanto era puxada pelo guarda, apenas balancei a cabeça em sinal positivo.



A porta foi fechada e ajeitei os braços sob a mesa, deitando minha cabeça nos mesmo e suspirando fundo. Meu Deus, aonde diabos eu vim parar?


Fiquei enrolando por mais vinte minutos, depois ajeitei tudo e andei sorrateiramente até uma porta que havia uma plaqueta escrita “Doutor Ryan Butler”. Bati na porta duas vezes e pude ouvir sua voz, permitindo minha entrada. Sorri e abri a porta, entrando. Fechei a mesma e tranquei, indo de encontro a ele pra poder tirar essa tensão de mim.


Se nossos horários se colidissem, ele estaria livre agora também.


- Anne? – disse confuso, enquanto se levantava.


Cheguei um pouco perto dele e o puxei com força, pela gola do jaleco, grudando nossos lábios ferozmente. Sem pedir permissão, enfiei minha língua em sua boca e em questão de segundos, Ryan já correspondia à altura, enquanto grudava ainda mais nossos corpos e apalpava meu bumbum. Passei a mão por seus cabelos loiros e agarrei com força, intensificando ainda mais o beijo. Minutos depois, nos separamos ofegantes e ele começou a beijar e dar leves chupadas e mordidas no meu pescoço, enquanto ainda apalpava meu corpo quase inteiro. Minhas mãos entraram por dentro de seu jaleco e empurrei a peça por seus braços, ate a mesma cair no chão. Ryan colocou a mão na parte interna da minha coxa e me apertou, fazendo meu corpo dar uma guinada e eu pude sentir seu membro começar a dar sinais de vida, soltei um gemido rouco e baixo, enquanto cravava as unhas em seus braços musculosos. Meu corpo foi erguido e passei as pernas pela cintura do Ryan, enquanto voltava a beijá-lo e acariciar seu corpo, ele andava lentamente e segundos depois, senti meu corpo ser apoiado na mesa, me ajeitei e me sentei melhor, mas, sem me desgrudar dele. As mãos dele entraram por debaixo da minha blusa e rapidamente chegaram aos meus seios e os apertou com força. Mordi seu lábio inferior e prendi seus cabelos entre os dedos, enquanto o encarava. Fechei os olhos e respirei fundo antes de voltar a beijá-lo.


Ryan beijou meu queijo e nos separamos um pouco, ele me olhou sorrindo malicioso e disse:


- Torço pra que todos os dias, o estúpido do Bieber não fale com você – sorriu e passou a língua nos lábios, fiz o mesmo antes de voltar a beijá-lo e explorar seu corpo com as mãos.


Duas batidas na porta nos fizeram parar rapidamente e fez Ryan murmurar um “droga” irritado. Separamos-nos correndo e peguei seu jaleco, jogando pra ele que se jogou em sua cadeira e colocou o mesmo por cima, tampando um pouco sua ereção. Estávamos ofegantes. Sentei-me na cadeira que era usada pelos pacientes.


- Entra – ele disse e no mesmo segundo, Nice entrou.


Ela nos olhou atentamente e um sorriso escapou por seus lábios...


- Desculpe por estar atrapalhando – é, ela sacou – Mas, a reunião pra tratarmos dos erros do medicamento do doutor Wallace, já vai começar...


- Merda, tinha esquecido! – disse Ryan batendo a mão na testa – Obrigado Nice! Pode ir, daqui a pouco já vou.


- Sim senhor, mas, antes... Precisa dar umas olhadas nessas pastas. – disse e me entregou umas pastas, as coloquei encima da mesa e em questão de segundos, a mulher já tava fora da sala.


Ryan se mexeu desconfortável na poltrona que estava sentado e disse:


- Droga, te ver assim tá me deixando mais louco. – murmurou e eu gargalhei.


- Não posso te atrasar, desculpe meu amor. Pense sei lá, naquela minha vizinha que dava encima de você.


- Pronto, broxei. – disse rindo e o acompanhei.


- Idiota..


- Quer me acompanhar na reunião?!


- Não faço parte da equipe Ryan – disse e passei a mão pelos cabelos, tentando os arrumar.


- Então, sei lá, vá conhecer o lugar, visitar as torres...


- Quero ir na ala feminina ver Angel, aquela garota é uma versão feminina de Peter Pan.


- Vou pedir pra algum segurança ir com você, não quero você sozinha lá – disse se levantando vindo ate mim e me apertando em um abraço. Apoiei a cabeça em seu ombro e coloquei a mão em seu peitoral – E sim, ela é adorável, quando não dá seus pitis.


Ri e dei um tapa nele, me afastando.


- Vamos indo – disse andando até a porta, ele pegou o seu material e veio ate mim.


Ryan me abraçou de lado e me deu um beijo estalado na bochecha, sorri enquanto acariciava sua mão e fomos andando até a sala de reuniões. Lá, ele pediu pra um segurança me levar à torre feminina e tomar todo o cuidado do mundo comigo.


- A senhorita está gostando daqui? – O segurança, que se chamava Bob, me perguntou.


- Ah estou sim, é tudo novo pra mim ainda, mas, eu sei que vou acostumar – disse e ele deu um meio sorriso. – E, me chame de Annelize, ou Anne.


- Tudo bem Anne. – disse e passou na minha frente, abrindo em seguida o portão de ferro da torre.


Bob virou-se e me deu passagem. Passei pelo portão e comecei a prestar atenção na entrada da torre. Tinha que subir uma pequena escadaria, que era iluminada por lâmpadas amareladas e com baixa luminosidade. As paredes pareciam ser de pedras e estavam revestidas com musgo e, em alguns pontos, pequenas cascatas de água escorriam, causadas pela infiltração. Tinha vestígios de sangue também e aquele lugar era bastante sombrio e frio. Automaticamente, abracei meu próprio corpo, enquanto olhava tudo atenta.


- Não precisa ter medo – Bob disse colocando uma mão no meu ombro, apenas assenti enquanto subia os últimos degraus.


Andamos por um corredor, que tinha a situação tão precária quanto o inicio da torre. A única diferença é que a cada cinco metros, tinha uma sela e no final do corredor, outra escadaria. As selas eram de ferro grosso e pesado, a tranca era do lado de fora da porta, presa por um grosso cadeado. Um grito estridente me fez arrepiar da cabeça aos pés e eu travei sem sair do lugar.


- Tudo bem Anne. — ele sorriu desconfortável ao pronunciar meu nome com intimidade.


- Ainda vou me acostumar. — sorri nervosa e ele prossegui andando.


Bob parou na terceira porta a direita e bateu duas vezes, tirando o cadeado e abrindo a porta, me dando passagem.


- Esperarei a senhorita aqui – disse sério e balancei a cabeça em sinal positivo, passando por ele e entrando no quarto.


No quarto continha uma cama de solteiro coberta com uma colcha florida e dois travesseiros, tinha uma mesinha com um DVD portátil e algumas pilhas de DVD infantil, varias bonecas espalhadas pelo chão, um pequeno guarda roupa e uma portinhola, onde imaginei que deveria ser o banheiro.


Angelina estava sentada sob a cama, com algumas bonecas em volta.


- Olá Angel! – disse sorrindo pra mesma que me encarava, enquanto segurava com força uma boneca contra o peito.


- Oi tia Anne, vem aqui conhecer minhas amigas. – ela disse apontando pra algumas bonecas.


- Está brincando de que? – disse andando até ela e sentando na beirada da cama, pegando uma boneca e a colocando sob minhas pernas.


- Estou arrumando o cabelinho delas. – sorriu – Depois vou ver um pouquinho de desenho.


- Como... Como conseguiu esses dvd’s? – disse olhando o aparelho portátil.


- o tio Justin me deu! Ele me deu as bonecas, os desenhos...


- Ah, ok. – disse olhando pra ela que alisava os cabelos da boneca com uma escova. Como Justin conseguia tudo isso?


Pelo que pude ver, ele era o único que fica fora da torre durante o dia, é o único que se veste com roupas normais, não com as roupas pretas que são dadas pela diretoria do Institute, e ainda consegue dar bonecas e DVD’s pra Angel.


Quem era Justin Drew Bieber?


Um cara misterioso e que parece poder ler sua alma apenas com os olhos e te deixar sem saber como agir sem falar nada. Debochado e irritante. E, não posso me esquecer de que ele era terrivelmente lindo.


Quem era Justin Bieber? Eu tenho que descobrir.


- Tia, a Beatrice tá bonita? – Angelina disse, me tirando dos meus devaneios e olhei pra boneca que ela segurava, que estava com os cabelos presos.


- Tá linda! – disse sorrindo.


Por mais que fosse uma doença grave, eu admirava um pouco a Síndrome de Peter Pan. Era uma garota de 18 anos com a inocência de uma criança de 6. Ela não sabia do perigo, das coisas ruins que acontecia lá fora — por mais que tivera cometido um crime bárbaro e brutal – ela era apenas uma criança.


A encarava brincando com as bonecas e conversando com elas como se fossem pessoas reais e suas verdadeiras amigas. Pude me lembrar de quando era criança e fazia as mesmas coisas. A inocência escorria pelos seus poros, ela estava nadando em um mar puro de infantilidade, e pisando em cacos de vidro chamados solidão, dor e assassinato, mas, pra ela, nenhumas dessas coisas podres existiam, era apenas uma criança curtindo suas “amigas” e arrumando-as pra que elas pudessem tomar chá.


Brincamos até por volta das 16:30, pois Angel estava ficando com sono e acabou deitando sob minhas pernas e, enquanto eu acariciava seus cabelos loiros e sedosos, ela dormira e suspirava.


Por um momento, pude pensar em Angel como uma filha.


E admito, aquilo me assustou.


Ajeitei a garota na cama e guardei algumas bonecas em sua estante e depois sai da sela, sendo acompanhada por Bob até o lado de fora da torre A.


Um vento gostoso passou por meus cabelos, os fazendo desgrenhar e sorri de canto, enquanto tentava ajeitar os fios. Olhei pro céu e o mesmo estava começando a escurecer, estava em um tom um pouco alaranjado. As folhas de algumas árvores se agitavam junto ao vento e, pela primeira vez, não senti medo do Institute, mas, sim uma calma interior.


Talvez, passar um tempo com uma alma quase inocente, nos faz perceber que nem tudo está completamente perdido.


Retirei meu jaleco e o dobrei ao meio verticalmente, o apoiando em seguida no meu braço esquerdo. Caminhei até um banco de concreto que havia debaixo de uma árvore mais afastada e fiquei encarando aquele campus.


De dia, não era tão ruim assim, ainda mais com a imagem bela de um pôr do sol. Como o Institute era num lugar bem afastado, era mais magnífico ainda aquela imagem, aquela sensação.


É impossível conseguir descrever.


Olhei pro lado e vi que Justin Bieber estava agachado e observava uma das mãos. Passei a língua nos lábios e semisserei os olhos pra poder vê-lo melhor e rapidamente, as palavras de Angel ecoaram em minha mente:


- Oi tia Anne, vem aqui conhecer minhas amigas. – ela disse apontando pra algumas bonecas.

- Está brincando de que? – disse andando até ela e sentando na beirada da cama, pegando uma boneca e a colocando sob minhas pernas.

- Estou arrumando o cabelinho delas. – sorriu – Depois vou ver um pouquinho de desenho.

- Como... Como conseguiu esses dvd’s? – disse olhando o aparelho portátil.

- O tio Justin me deu! Ele me deu as bonecas, os desenhos...


Levantei-me, ajeitando os cabelos e respirei fundo antes de começar a caminhar lentamente em direção a ele. Seus cabelos, que eram de um castanho indefinido, voavam na direção do vento e, na posição em que estava, podia ver boa parte de sua boxer cinza chumbo e os músculos de suas costas que eram marcados pela camisa um pouco justa.


Realmente, ele era bonito. E diferente.


- Ah, Bieber? – disse meio insegura e fechei os olhos, arrumando o cabelo mais uma vez. Ao abri-los pude vê-lo em pé, em volta de cinco passos de distancia de mim, me encarando com os olhos um pouco cerrados e o maxilar travado. Respirei fundo, olhei pro chão e mordi o lábio inferior, voltando a encará-lo ao falar: — Eu quero te agradecer.


Esperava realmente alguma reação de sua parte, quer dizer, alguma palavra, mas, a única coisa que ele fez, foi dar um passo pra trás e me encarar.


- É... – comecei sem jeito. – Por Angel... Angelina! É um gesto muito bonito da sua parte fazer aquilo por ela, pois, a pequenina tem a Síndrome de Peter Pan e sua alma é de uma criança de seis anos, inocente e que não sabe absolutamente de nada. E, você é um exemplo pra ela Bieber, é talvez, a única pessoa que ela considere como uma... Família e acho que seja a única que a tratava verdadeiramente bem. Então, obrigada por isso.


Ele me encarou entediado e se fosse alguma pessoa normal eu encararia aquilo como um jeito muito mal educado, mas era ele, aquilo era típico pelo pouco que conhecia aquilo foi uma atitude normal.


- O dia está realmente lindo. — eu tentei puxar assunto, a minha vontade era ouvir pelo menos alguma palavra nem que fosse pra mandar eu ir a merda, mas eu ja ficaria lisonjeada em vê-lo falar.


Mas como de costume, ele desmontou aquele sorriso extremamente irritante e cruzou os braços me olhando com superioridade, pensando pelo lado positivo o papo não estava tão ruim, pois se estivesse tão ruim ele iria sair andando e não ficar ali me olhando sorrir feito boba enquanto ele me encarava sem expressão.


Mas depois de um tempo foi bem isso o que ele fez Bieber me deu a costas e começou a andar em direção ao Heller, não sei o que deu em mim, juro que não sei, mas agi absolutamente pelo impulso e passei bem perto da morte.


- Justin. — ele era mais do que apenas um paciente ele me deixava intrigada, perdida sem saber o que fazer agindo pelos impulsos. Ele realmente me fazia pensar no método de minha existência.


Com o impulso e o calor do momento minha mão foi até o braço dele o segurando e o impedindo de dar mais um passo. Aquilo foi uma situação de risco? Sim principalmente quando os olhos deles intensos e transbordados se encontraram com os meus.


Ele encarou minha mão segurando seu braço e depois olhou para mim ainda com a expressão fechada meu corpo demorou para me mandar sentidos que me fizessem recuar, eu estava completamente perdida naquele olhar.


- Ah me desculpe. — disse um pouco sem jeito soltando o braço dele e notando a distância mínima que eu tinha deixado entre nós.


Digamos que qualquer pessoa em sã consciência correria, sim eu estava a pouco metros de distancia de um psicopata o tocando e recebendo o olhar misterioso dele em cima de mim. Eu estava perdida.


- Me desculpe de verdade, não era minha intenção ter esse tipo de atitude, não foi por mal.


As aulas da faculdade passavam em flashes em minha mente e eu me lembrava de tudo o que o professor dizia.


“Nunca mantenho afeto ou contato com um psicopata, Os psicopatas são charmosos, simpáticos, sedutores, capazes de impressionar e cativar rapidamente qualquer pessoa. Tudo isso é uma fachada, como um teatro muito bem engendrado para esconder suas características perturbadoras: a incapacidade de se adaptar às normas sociais com respeito a comportamentos dentro da lei ou da ética social, indicado pela repetição de atos criminosos. A capacidade de enganar. Eles são inteligentes, mas insensíveis, frios, manipuladores e sua capacidade de fingir sentimentos é perfeita. E estão conscientes de todos os seus atos."


Eu já conseguia imaginar ele voando em cima de mim e apertando meu pescoço até me estrangular, minha mente girava pensando se algum guarda conseguiria chegar a tempo de me salvar o se eles primeiro matariam o Justin e depois tentariam me reanimar ou me salvar. Eram tantas coisas que passavam por minha mente.


Justin estava tão perdido quanto eu, e tanto eu como ele, não sabíamos o que fazer e nem como agir, ele passou a mão na cabeça, respirou fundo soltando o ar de forma pesada e eu podia ver suas mãos serradas em punho me fazendo tremer, mas ele me surpreendeu. Ele virou as costas e saiu andando para sua direção apressadamente como se fugisse de algo, ou melhor, de mim.


Passei a língua nos lábios mais uma vez, mantendo a calma que estava faltando. Sentia minhas mãos suarem e tremerem sem parar. Tomar o caminho de volta para o meu dormitório foi confuso, pois eu ainda estava perdida ao ver aquele relance de olhares em minha mente e tentando entender o porquê ele não me atacou, como normal de um psicopata.


Continua...


Notas finais
Oiiiiiiiii morecos da kim *-*
Eai estão gostando? Espero que sim e até loguinho.
Bjos da kim e da Caams kissas em todas vcs *-*