Capitulo O4 – Fire.

Dormir foi impossível. Era impossível fechar os olhos e não ver ele com aquele olhar intenso me fitando, era impossível não imaginar que estivemos tão próximos, tão perto. Tentei de várias formas tirar aquilo da minha mente, mas a presença dele era insistente em minha mente. Olhava fixamente para o teto querendo que o sono chegasse logo, mas isso era impossível, estava de olhos atentos e abertos, o problema era que eu fechava meus olhos e os pensamentos que se referiam a ele me invadiam e eu já não conseguia mais me controlar, parecia que já não estava mais tendo controle sob meu corpo quando se tratava dele.

Abri os olhos querendo encontrar os meus lençóis de seda, o cheiro bom que meu quarto tinha, querendo saltar da cama e ir para a suíte tomar um banho de uma hora e depois colocar uma roupa relaxante para passar o dia em Los Angeles como de costume, queria poder pensar que eu poderia estar na praia a qualquer momento tomando algo pra refrescar meu dia, mas não era bem assim eu estava naquele inferno. Eu estava naquele lugar repugnante que não combinava nem um pouco comigo e o pior tinha perdido uma noite de sono com os pensamentos em alguém que era proibido manter aquele tipo de afeto.

Relaxei meu corpo na cama e depois criei coragem para ir pra aquele banheiro que no caso não era como o de meu quarto e não chegava nem perto do que eu estava acostumada. A saudade de casa estava apertando e hoje era um dia no qual eu sentiria falta de absolutamente tudo, até da minha mãe me enchendo para estudar ou do meu pai me levando em convenções me exibido como um troféu.

Trocar-me foi mais rápido que eu pensava. Estava aquele típico dia feio, com o tempo nublado e com uma ventania arrepiando desde os cabelos de minha nuca até os pés. Amarrei meu cabelo em coque e estava passando um pouco de base para esconder as olheiras quando Ryan entrou sem bater. Foi ai que vi que tinha dormido com a porta destrancada.

- Anne? — ele estava com parte do corpo para fora do quarto.

- Oi. — sorri ao vê-lo dando um ultima olhada no espelho. — Já estou pronta para o café.

- Ótimo. — ele sorriu. — Se importa de antes ir a uma reunião comigo? Queria que você participasse para ser incluir na equipe psiquiátrica.

- Tem certeza que já quer que eu participe da equipe?

- Sim Anne. Eles estão ansiosos para conhecer a filha do doutor Stones. — bufei revirando os olhos.

- Eles querem me conhecer por causa do meu pai? — cruzei os braços.

- É que... Ah Anne seu pai é famoso, ele é um grande neurocirurgião, citado em vários lugares do mundo é normal que jovens médicos queiram conhecer a filha de um gênio.

- Legal. — sorri desdenhada. — Mas o gênio é ele e não eu, então se eles quiserem conhecer meu pai, porque não vão até Los Angeles? Quem sabe eles não veem que não tem nada de mais com ele e que ele é um ser humano como todos?!

- Só com um profissionalismo invejável. – ele sorriu.

- Ryan eu não vou... Não mesmo, os ouvir falando do meu pai, babando ovo e dizendo o quanto eles os admira, nem ferrando. Já basta suportar você.

- Você está sendo ignorante. — fechei a cara. — Ignorante e mimada. Poxa Anne eles não querem te criticar, estão apenas lisonjeados em trabalhar com a filha de um dos maiores gênios da medicina! Será que é difícil entender isso? Até parece que nunca passou por isso antes.

- E é exatamente por isso! Por ter passado por isso antes que eu não quero ir.

- Não acredito nisso. — ele disse um pouco decepcionado.

- Ryan...

- Poxa Anne só pedi para me acompanhar, não te custaria nada ir comigo.

Ele realmente conseguia tirar de mim o que queria, ele realmente iria me obrigar a ir até aquela reunião onde eu ficaria mal humorada, entediada e com vontade de acabar com a pessoa que dissesse o nome do pai, fazendo uma comparação achando que eu serei igual a ele.

- Tudo bem. Você venceu... Conseguiu, eu te acompanho. Eu vou com você. — ele sorriu, mas eu não estava tão contente em fazer aquilo.

- Você vai ver Ann vai ser legal, você tem que conhecer a equipe! Eles estão ansiosos pra te ver. — ele disse animado.

- Ah, eu também estou muito animada.

- Você vai gostar. — ele pegou minha mão e saiu me guiando até a tal reunião.

Eram mais ou menos uns quinze doutores reunidos para falar assuntos até que um pouco interessante. Quando o doutor Stones não era citado, eu gostei da reunião, mas me desencantei assim que se apagaram as luzes e reproduziram uma homenagem através de um retroprojetor para o meu pai, isso me deixou sem jeito e com raiva. Estava tudo indo bem e de repente acabaram com tudo.

Isolei-me em um canto enquanto Ryan confraternizava com todos e eu me sentia perdida no meio deles, como se eu estivesse sobrando fosse uma intrusa. Nice foi à única que se aproximou de mim, tudo bem que tive que a corta quando ela começou vangloriar o serviço do meu pai, mas até que foi bom; assim não ficava tão isolada.

- E então como conheceu Ryan? — Nice perguntou curiosa.

- Ué ele não te contou? — eu realmente estava mal humorada.

- Se estou perguntando é obvio que ele não me contou. — ela sorriu para parecer menos grosseiro o que havia dito.

- Em uma convenção... Pra falar a verdade na faculdade. Esbarrei com ele uns dias na faculdade, mas ele era novo e eu não sabia o nome dele, ele tinha ganhado um curso na minha faculdade e estava lá, tipo um estágio. Depois de uns dias meu pai fez uma convenção reunindo alguns tipos de médicos e o professor do Ryan o convidou para ir junto e lá nos conhecemos oficialmente.

- E então foi amor à primeira vista? — ela sorriu.

- Não. Interesse.

- Se interessou por Ryan?

- Não. Meu pai achava que ele tinha ótimo potencial e me jogou pra cima dele até entrarmos em um relacionamento.

- Ah entendi, mas Ryan te ama de verdade.

- É eu também gosto dele. — disse seca.

- Está tudo bem Anne? É que você parece tão estranha.

- Dor de cabeça. — sorri. — Daqui a pouco passa. — a deixei falando e fui para onde Ryan estava. — Não aguento mais estou indo para minha sala, me procure por lá. — não esperei a resposta dele sai da sala andando em direção a meu consultório.

Eu sabia que não deveria ter ido naquilo, sabia que iria ficar amarga e com raiva de ser filha do Stones eu não gostava do Status dele, não gostava do jeito que as pessoas se referenciavam a ele, não era nenhum tipo de deus, ele não fazia milagres, ele era normal. Desde pequena tive que conviver com pessoas se aproximando de mim pelo o que meu pai era, não pelo o que eu era. Isso nunca mudava, nunca.

Abri o consultório e desta vez o cheiro do mofo não estava tão forte, estava amenizando. Havia algumas folhas em cima da minha mesa. Abri as janelas e depois peguei as folhas analisando o que tinha nelas. Por causa da maldita reunião minhas sessões foram canceladas, parabéns Stones até aqui eu tenho que deixar de fazer minhas coisas por sua causa. No final da folha continha uma observação de que o doutor Traces precisava dos meus relatórios para algumas avaliações.

Mas que grande idiota! Não fazia nem uma semana que eu estava ali. Eu nem tinha tido tempo de analisar todos os cincos e ele queria um relatório? Agora sei por que aquele lugar não ia pra frente.

E minha tarde foi assim, fiquei em minha sala analisando arquivos e fazendo relatório, não escondo que o de Justin Bieber e Angelina foram os maiores, mas não tive contato o suficiente com os outros pacientes então tudo o que fiz foi baseados nos arquivos.

O dia estava caindo e Ryan não tinha dado as caras, nem na hora do almoço eu o vi, ou ele estava ocupado ou ele tinha ficado bravo com o meu jeito de agir na reunião. Decidi ir atrás dele já que ele não tinha aparecido. Deixei os relatórios todos empilhados na mesa para amanhã cedo levar para o doutor Traces. Apaguei as luzes e a sala já ficou escura, estava anoitecendo eu tinha passado o dia literalmente presa naquela sala.

Bati na porta com receio duas vezes, mas não obtive resposta então decidi ser intrometida e rodar a maçaneta. Ryan estava concentrado sentado atrás da mesa dele.

- Tem um tempinho? — disse cautelosa sem entrar completamente na sala, sabia que ele tinha me visto, mas tinha ignorado.

- Acho que posso te entediar não acha? Sei lá, posso começar a te encher falando do seu pai e você não vai gostar.

- Ry. – suspirei perdida. — Me perdoe pelo que fiz. — ele continuou olhando a papelada. — Sei que fui um pouco mal educada, mas eu não sei lidar com essa situação, eu não sei lidar com as pessoas achando que meu pai é o melhor homem do mundo quando ele não é. — disse nervosa.

- O que seu pai fez de errado? Porque você não pode reconhecer o quão talentoso ele é?

- Isso não vale nada perto do que... Deixa quieto, não quero te preocupar com meus problemas, mas por favor, me perdoe, eu ainda tenho que aprender que ser filha dele. — ele ficou me olhando sem dizer nada. — Ry... Por favor.

- Como negar com você me olhando intensamente, desse jeito com esse pedaço do céu que colocaram no seus olhos? — sorri me aliviando.

- Então, quer dizer que a cor dos meus olhos ajudou no perdão? – entrei na sala e fechei a porta.

- Facilitaram. — ele relaxou na cadeira e eu segui até a mesa sentando com as pernas cruzadas em sua frente.

- Então adoro a cor dos meus olhos por me ajudar em horas como essa. — passei o pé pro outro lado ficando entre as pernas dele.

- Eu adoro a cor dos seus olhos sempre. — ele passou a mão em minha coxa e depois a apertou com força.

- Agradeça a minha mãe. — sorri. — Meus olhos são idênticos ao delas.

- Nossos filhos terá a cor dos seus olhos, linda.

- Ah sim, vai ser um albino que nem o pai. — ele riu.

- Sua mãe disse uma vez "Ryan se tivesse sua idade investiria em você, mas agradeço, pois você me dará netos lindos" — gargalhei.

- Ela exagera né? Nem sabe disfarçar quando dá em cima de você. — ele sorriu maroto.

Ryan e eu riamos feito idiotas, acho que se minha mãe tivesse minha idade, com certeza ele iria se interessar por ela, os dois eram completamente íntimos e ela conseguia tratar ele melhor do que eu.

- Tá vendo minha sogra aprova o genro lindo que tem. — ele disse convencido.

- Sogra? Ainda nem casamos e você já está chamando minha mãe de sogra? — ele riu.

- Não seja por isso. — ele pigarreou. — Annelize Stones aceita se casar comigo?

- Qual o saldo da sua conta bancaria doutor Butler? — ele gargalhou.

- O suficiente para te fazer minha esposa.

- Esposa ou escrava?

- Então qual o limite que deveria conter nela? — sorri safada passando a mão pelo tronco dele.

- Pra começo de conversa, deveria ser uma conta sem limite. — sussurrei colando meu corpo ao dele.

- Sem limites? — ele disse com a voz falha ficando enfeitiçado com meu ato.

- Sem nenhum limite. — meus lábios esbarraram nos dele fazendo um pouco de charme.

Ryan não se poupou e apertou nossos corpos com força, nos colando com brutalidade. Meus seios rígidos se chocaram com ele e ele passou a mão em minha nuca puxando meus lábios com força até chegar a minha boca a invadindo.

Nossas línguas se mexiam freneticamente e as mãos de Ryan passearam por todo meu corpo, até uma parar no bumbum e apertar com força. Ele me puxou, me fazendo sentar em seu colo e rapidamente o fiz, deixando uma perna de cada lado do seu corpo. Chupei seu lábio inferior, o mordendo em seguida e voltando a beijá-lo, passei a mão pelos seus braços, por dentro do jaleco e comecei a tirar o mesmo. Suas mãos já estavam dentro da minha blusa, a levantando. Separamos-nos, pra recuperar o ar e ele aproveitou pra tirar minha blusa e jogá-la em qualquer lugar daquela sala. Fechei os olhos, joguei a cabeça pra trás e mordi o lábio inferior com força quando Ryan começou a beijar e morder meu pescoço e ombro, enquanto apertava meus seios, ainda cobertos pelo sutiã.

Podia sentir sua ereção crescer cada minutos mais embaixo de mim e, minha intimidade estava completamente encharcada. Movimentei o quadril lentamente, pra frente e pra trás, fazendo-o soltar um gemido rouco e apertar meus seios com mais força, o que me fez arfar. Movimentei mais duas vezes, antes de Ryan atacar meus lábios, loucamente, os sugando com força, enquanto suas mãos lutavam contra o feixe do sutiã, que em segundos, já estava fora e longe do meu corpo. Rapidamente, tirei a camiseta dele, podendo assim, explorar cada pedaço daquele corpinho de deus grego.

Ryan segurou em minhas coxas com força, me fazendo arfar. Minhas mãos subiram pelo seu corpo e entrelacei os braços envolta de seu pescoço, juntando mais nossos corpos e aprofundando o beijo, nossos lábios se sugavam com luxuria. Pude senti-lo se levantar e segundos depois, estava sentada sob sua mesa, com ele estando de frente pra mim. Entrelacei as pernas envoltas de si, o puxando mais pra mim.

Concentrei-me em abrir o botão e o zíper de sua calça, pra puxar a mesma com os pés até os joelhos, Ryan terminara o serviço pra mim. Meu corpo foi empurrado pra trás, mas, antes, derrubei quase tudo que tinha sobre a mesa no chão, assim, deitando meu corpo na mesma. A iluminação precária e o perigo de ser pega fazendo aquilo fazia o sangue correr mais rápido pelas minhas veias, me deixava mais excitada.

Meus seios foram apertados com força, arqueei as costas e mordi o lábio inferior, fechando os olhos com força ao sentir suas mãos descerem pelo meu corpo, as pontas dos dedos me acariciavam, me deixando arrepiada. O botão e o zíper da minha calça foram abertos e a mesma foi puxada pelas minhas pernas. Na medida em que a calça era abaixada, um beijo e uma mordida eu ganhava na perna, eram alternados e eu estava ficando cada segundo mais louca.

Empurrava sua boxer com os pés, consegui meu feitio até o joelho e ele terminou de tirar o resto. Entrelacei as pernas em sua cintura, o puxando mais pra mim e pude sentir seu membro duro se encostando a minha coxa, muito, muito perto da minha intimidade, o que me fez gemer baixinho, enquanto fincava as unhas de uma mão em seu braço e a com outra, prendia seus cabelos entre os dedos, afundando ainda mais seu corpo no meu pescoço.

Ao sentir seu membro tão perto, eu já ficava eufórica e louca. Minha intimidade pulsava e eu queria mais, muito mais.

O puxei pelo cabelo e encarei firmes seus olhos, enquanto respirava ofegante. Meus lábios se encostavam aos seus.

- Vamos logo com isso. – supliquei e ele grudou nossos lábios com força.

Uma de suas mãos, que estava em minha perna, desceu minha calcinha rapidamente e sua mão foi pra minha intimidade encharcada, a acariciando. Mordi seu lábio com um pouco de força e soltei um gemido.

- awn Ryan – murmurei e pude ouvi-lo rir.

Ele me torturava de todas as formas possíveis. Havia introduzido dois dedos em mim e fazia um vai e vem ritmado, enquanto com o dedão estimulava meu clitóris. Eu arqueava as costas de prazer. Quando senti que estava quase chegado o orgasmo, coloquei toda a força que tinha em meus braços e pernas, empurrando Ryan de cima de mim. Ele caiu sentado na cadeira, fazendo um barulho alto e antes que pudesse murmurar qualquer coisa, saltei da mesa e sentei sob ele, encaixando seu membro em minha intimidade de uma vez só. Ele encaixou a cabeça na curvatura do meu pescoço e soltou um gemido um pouco alto, enquanto apertava minha cintura.

Cavalgava em um ritmo rápido, frenético. Meus seios balançavam conforme meus movimentos e Ryan sugava a minha pele enquanto podia. Tinha certeza que em minha cintura, ou em minha bunda, ficariam as marcas de seus dedos, pois, ele apertava com muita força.

Esquecemos estávamos em um manicômio e estávamos agindo feito loucos selvagens.

- Eu vou... – murmurou e não deixei o continuar, o calando com um beijo enquanto aumentava a velocidade.

Em questão de minutos, meu corpo entrou em torpor. Minhas pernas bambearam e era como se uma corrente elétrica estivesse passando por todo meu corpo, ele formigava. Havíamos chegado ao ápice juntos. Minha respiração estava acelerada, meu coração batia rápido demais e meu corpo inteiro estava suado e exausto. Deus, isso era tão bom!

Ainda estava sentada no colo de Ryan, com a cabeça em seu ombro. Ele fazia cafuné em meus cabelos e eu alisava um de seus braços. Abri os olhos ao ouvir uns gritos desesperados. Ok que gritos eram normais aqui, pois, eles eram loucos, mas, daquela maneira... Era assustador!

- Ryan que isso? — os gritos se tornaram mais frequentes e agudos e aquilo já estava me assustando.

- Relaxa Anne isso é normal aqui.

- Não desse jeito Ryan. — me levantei e pegando minha blusinha no chão e a vestindo.

- Deve ter sido alguma paciente que escapou, mas aposto que os guardas já trataram essa situação... Volta pra cá vem.

-Ryan olha esse clarão lá fora. — disse me aproximando da janela tentando enxergar o que estava acontecendo.

- Mas que merda é essa? — ele disse olhando na mesma direção que eu.

Aquela luz não era comum por ali, não mesmo, com certeza estava acontecendo algo. Havia bastante gente andando de um lado para o outro no pátio, mas da janela do consultório do Ryan era impossível ver o que estava acontecendo, só víamos as luzes e as sombras.

- Será que é uma rebelião? — disse preocupada.

- Acho que não. — ele começou a se vestir apressadamente.

Eu estava completamente confusa, ajeitei minhas roupas apressadamente e acompanhei Ryan que andava de pressa pelos corredores, que estavam vazios, parecia que todos estavam no pátio. Assim que saímos de dentro do dormitório, um alarme alto suou fazendo meus ouvidos vibrarem. Por impulso levei minhas mãos ao ouvido o tapando até o alarme acabar.

- O que aconteceu? — Ryan disse a um médico que passava correndo perto de nós.

- A Ala feminina. — o cara disse ofegante. — A ala feminina está em chamas.

- Ai meu Deus. — Ryan saiu caminhando em direção à ala feminina e do meio do pátio já era possível ver a ala feminina em chamas.

Nice estava acompanhada de alguns médicos direcionando os pacientes para o outro lado do prédio.

- Nice... Nice. — me aproximei dela. — O que aconteceu?

- Fogo. Um incêndio se iniciou no segundo andar e já está tomando o prédio inteiro.

- Ah meu Deus. — cobri a boca preocupada.

- Conseguiram tirar todos de lá? — Ryan disse preocupado.

- Angelina ainda está presa lá dentro, o guarda não conseguiu chegar na sela dela. — Nice disse preocupada olhando as chamas.

- Angelina está dentro daquilo? — disse histericamente.

- Ou o guarda se salvava, ou salva ela.

- Mas será que ninguém pode tirar ela de lá de dentro? Será que você não pode mandar alguém entrar lá Ryan? — disse com desespero.

- Anne, não somos bombeiros, isso é ser suicida! O prédio está deteriorado, acha que vai aguentar por muito tempo?!

- Ryan, Angelina está lá dentro. — os olhos dele me fitaram, mas é claro que aquilo não era importante para ele. Ryan era apenas um médico profissional ele não se envolvia emocionalmente com seus pacientes, não como eu, ele não iria fazer nada por Angelina.

Eu via as chamas fortes saírem da ala feminina e eu sabia que as mangueiras que os guardas usavam não seriam páreo para apagar aquele fogo. Os pacientes estavam elétricos, gritando sem parar, mas a sorte era que era apenas as mulheres e a força bruta ainda não estava sendo utilizadas para acalma-las.

- Anne, vamos sair daqui os guardas não vão conseguir conter os pacientes por muito tempo. Não quero que fique aqui caso haja uma rebelião. — Ryan começou a me arrastar em direção ao carro, mas eu estava completamente em transe, meus pensamentos estavam totalmente presos em Angelina.

Eu não podia ir embora sem tentar, eu não podia fugir sem ao menos tentar tirar ela de lá de dentro, eu tinha que tentar.

Soltei a mão de Ryan e o empurrei para longe. Sai correndo em direção ao prédio e esbarrava em todo mundo, andando em sentido contrario. Eu tinha que a salvar, tinha que a tirar daquele prédio de qualquer jeito.

Avistei um guarda com um balde de água indo em direção ao prédio, corri até ele e peguei o balde de sua mão despejando em cima de mim. A noite estava gelada e aquele ato me fez congelar e ter um choque térmico, pois meu corpo ainda estava quente pelo fato de eu ter corrido do estacionamento até o pátio.

- Doutora o que está fazendo? É perigoso entrar ai, o prédio vai desabar. — escutei alguém gritar, mas ignorei completamente seguindo em frente para entra no prédio em chamas.

POV Justin

Corey estava completamente desesperado, havia vários pacientes soltos pelo pátio e ele estava preocupado logo comigo, como se eu realmente conseguisse fugir daquele lugar.

- Qual é Corey, me deixa aqui. Estou adorando ver o espetáculo.

- Bieber se alguém te ver aqui eu vou me dar mal, era pra você estar na sua cela, a ala feminina está em chamas, mas os pacientes dos demais prédios tem que ficar em suas celas.

- Quer mesmo discutir comigo? Só estou tomando um ar, daqui a pouco entro.

- Não vou poder te acompanhar... Não está vendo que o incêndio está se alastrando? — dei de ombro.

- Tudo bem, vá lá e depois eu volto pra minha cela.

- Bieber não. Estou falando sério. — pela primeira vez eu o vi bravo.

- Ok. — joguei o cigarro no chão, estendendo os braços para ele colocar as algemas. Corey estava distraído, mas eu estava completamente atento e vi quando a doutora Annelize passou correndo pelo pátio.

De início achei que ela estava ali como todos os médicos para ajudar no deslocamento dos pacientes da ala A. Pude até admirar suas lindas curvas escondidas naquele jaleco branco, mas achei estranho quando ela trombou em um guarda que segurava um balde e virando em seu corpo. Frio do caramba e ela estava tomando banho gelado?

Um dos guardas chamou minha atenção.

- Doutora o que está fazendo? É perigoso entrar ai, o prédio vai desabar. — o guarda gritava alucinado, mas ela o ignorava seguindo na direção do prédio em chamas.

Completamente louca! Por um momento fiquei extasiado com a situação, era como se meu corpo estivesse em choque e eu não conseguisse me mover, não sei por que o motivo daquilo, mas eu senti os impulsos, não sei como e nem porque só sei que me desviei de Corey, o tirando da minha frente e correndo atrás dela. Alguns guardas tentaram me parar, mas eu usei completamente a força do corpo para me livrar deles.

O primeiro andar ainda não tinha sido invadido pelas chamas, mas a fumaça já tinha tomado completamente o lugar, era quase impossível respirar, com a temperatura elevada e aquela fumaça invadindo minhas entranhas. Tirei a camiseta tapando meu nariz do fogo, parte da escada estava em chamas, mas a lateral estava completamente livre.

Pulei algumas madeiras caídas do teto e consegui chegar na escada com dificuldade. O barulho do fogo estralando na madeira era o único som que eu escutava, mas nem um sinal dela, nem um sinal de que ela estava por ali.

POV Anne.

A fumaça estava invadindo minha garganta a deixando seca e me fazendo engasgar. Estava com dificuldade para encontrar a cela Angel, o fogo estava dificultando tudo, minha visão já estava embaçada e eu cada vez mais fraca.

- Angelina. — gritei em meio ao fogo, mas nada.

A crise de tosse estava piorando a cada passo que dava.

- Angelina. — me encostei à parede e foi por sorte uma viga desabou em minha frente me fazendo gritar.

Aquele prédio não duraria por muito tempo e eu tinha que sair dali o mais rápido possível e achar Angelina.

- Socorro... Socorro. — pude escutar gritos vindos do final do corredor. — Alguém me ajude. – ela gritava e sua voz era abafada pelo barulho do fogo.

- Angel. — sussurrei comigo mesma reconhecendo a voz dela.

O chão estava se deteriorando e comecei a correr na direção em que ela gritava, a água que joguei em meu corpo já havia secado completamente, não havia nem um rastro que tinha revirado aquele balde em cima de mim. A porta de ferro estava quente e queimei minha mão ao toca-la, acreditava que aquela era a cela de Angelina.

- Angelina? — gritei próximo a porta. — Angelina está me ouvindo? — disse com desespero.

- Tia Anne? É você? Tia me tira daqui socorro, está muito quente.

- Olha calma. Você vai ter que ficar bem calma que eu vou te tirar dai. — disse tentando pensar em um jeito de tira-la de lá.

Eu não conseguia achar nenhum objeto que me ajudasse a abrir aquela porta revestida com aço, nada dos destroços jogados ao chão era páreo pra me ajudar. O lugar pelo qual tinha entrada já estava completamente tomado pelo fogo, eu não iria conseguir tirar Angelina de lá sozinha e eu também já não conseguia mais voltar para buscar ajuda. O desespero estava tomando conta de mim.

- Doutora. — escutei uma voz diferente, mas não localizava de onde vinha. — Doutora... — a voz ecoava, mas eu não sabia de quem ela pertencia.

Já estava ficando tonta, a fumaça estava me deixando fraca e eu estava perdendo os sentidos.

- Socorro. — a voz de Angelina gritava desesperada de dentro da cela e eu me sentia completamente inútil por não fazer nada. – Tia, me tira daqui!

Encostei-me a parede e deixei meu corpo escorregar até encontrar o chão. Os piores pensamentos me cercavam e o maior medo chegava, a morte. Nunca pensei que morreria queimada, para mim aquela era o pior final e eu iria terminar assim. O desespero de me entregar vendo que não havia mais chances e nem escolhas estavam me cercando, eu só tinha que ficar ali quieta e esperar pela morte. Esperar as chamas engolirem meu corpo o deixando irreconhecível, causando as piores dores do mundo, mas eu esperava que tudo fosse rápido, queria que a dor fosse rápida e que a morte viesse logo. Não aproveitei muito da vida, mas estava satisfeita com tudo o que vivi, com tudo o que fiz e não fiz.

Tossi mais algumas vezes e, ao ouvir Angel continuar a gritar, enquanto também tossia estava me deixando pior. O chão abaixo de mim fazia minha pele arder e pressionei com força as mãos no chão, ficando de quatro, mas, meu corpo estava ficando cada vez mais fraco, meu corpo tremulo e suado. Meus braços tremiam muito e, eles cederam, me fazendo cair com tudo. Meus olhos foram fechando e os barulhos diminuindo lentamente, ate cessarem de vez.

Notas finais
heeey girls, como estao? Espero que bem!
Então, postando rapidex, pois dia de semana é meio apertado pra mim e pra Kimbs.
Obrigada pelos reviews ♥
E então, o que acharam? Contem tudo nos revieews. Mandem recomendações tambem (:
beeeeeajs
da Caamslicius e da Kimlicius :*