Dark Paradise
2 People Help The People.
Notas iniciais
Capitulo O2 — People Help The People
Passei a mão pela testa assim que coloquei a mala no chão do meu novo quarto. Nada ali poderia ser comparado com meu antigo quarto. As paredes eram encardidas e havia algumas machas de infiltração, tinha um guarda roupa médio, uma escrivaninha pequena, uma cama de solteiro posta debaixo de uma janela, tampada por uma cortina bege fina, com vidros embaçados pela nevoa e um criado mudo. Havia um banheiro, composto por um vaso sanitário, um chuveiro, um espelho e uma pia.
- Melhor do que nada – murmurei saindo do banheiro e encarando Ryan que tava sentado na minha cama.
- Deixa de ser fresca. – riu se levantando e vindo até mim.
- Olha se minha mãe visse esse quarto ela iria ter um troço. – disse rindo.
- Ah, mas podemos fazer desse quarto o paraíso, não? – ele me abraçou pela cintura.
- Ah sim doutor Butler, conte para mim como me fará chegar até lá? – dei um beijo molhado em seus lábios.
- Na pratica ou na teoria? – ele mordicou meus lábios.
- Qual jeito é mais fácil? – perguntei provocativa.
- Você atiça e depois corre. – me soltei dos braços dele.
- Eu? Jamais. – disse rindo mantendo uma distancia confiável entre nós.
- Vai precisar de ajuda ou posso ir? – ele estava com uma carinha de cachorro pidão.
Passei meus braços envoltos do seu pescoço e ele passou a mão pela minha cintura, me puxando mais pra si. O pequeno contato de nossos corpos colados me deixava borbulhando por dentro, meu estomago se revirava e minha cabeça girava. Ryan grudou nossos lábios e entreabri os meus, dando passagem pra sua língua quente. Minutos depois, nos separamos ofegantes e coloquei minha cabeça em seu ombro e respirei fundo.
- Pode ir. Vou arrumar tudo e ir dormir. Amanha vai ser um dia muito cheio.
- Tudo bem. – ele depositou um beijo em minha testa. – Amanha cedinho passo aqui pra te buscar e te levar para tomar um delicioso café da manha no mais luxuoso refeitório. – revirei os olhos.
Abri a porta e Ryan olhou pros lados antes de dar mais um beijo. Ri pelo nariz enquanto passava a ponta dos dedos por sua nuca e separei nossos lábios. Não queria ser advertida logo agora, pelo menos não no meu primeiro dia.
- Até amanhã, amor.
- Qualquer coisa grita e eu venho correndo. – revirei os olhos rindo baixo.
- Ok. – o dei mais um selinho e Ryan se foi.
Fechei a porta e encostei-me a ela enquanto fechava os olhos e respirava fundo. Minutos depois, abri os mesmo e passei meus olhos por todo o quarto, parando em minhas malas. Soltei o ar com força pela boca e fui arrumar tudo, pra depois dormir. Tive que me virar parar guardar aquele monte de roupas naquele guarda roupa minúsculo, minhas roupas ficaram todas amassadas e exprimidas, mas dei um jeito e todas couberam.
Acordei com meu celular tocando incansavelmente debaixo do meu travesseiro. Me revirei na cama e coloquei a mão por debaixo do travesseiro, procurando o maldito. Ao achá-lo, desliguei o mesmo e fiquei enrolando na cama, até me lembrar de que era preciso levantar.
Hoje era oficialmente, meu primeiro dia como psiquiatra num manicômio judiciário. Era pra estar empolgada certo? Mas isso era o que faltava em mim. Faltava o animo, a vontade, faltava tudo, até minha casa que à uma hora dessas eu já desejava mais que tudo em meus pensamentos.
Eu tava ferrada.
Arrastei-me até o banheiro e após tomar um banho quente e me vestir com roupas próprias; coloquei a calça branca, uma blusa de malha de manga cumprida e o jaleco branco por cima. Ainda me lembro do dia em que ganhei meu primeiro jaleco de minha mãe e meu pai quis dar uma festa para comemorar, eles já estavam fazendo uma falta imensa para mim. Passei uma maquiagem limitada a rímel e um gloss. Fiquei enrolando e esperando Ryan vir-me buscar.
Em menos de cinco segundos, ouvi batidas na porta, me arrastei até ela e assim que a abri, meu corpo foi puxado por Ryan, que amassagou meus lábios em um beijo e sem pedir permissão, colocou sua língua dentro da minha boca. Passei uma mão por dentro de sua camiseta e a outra pousei em seus cabelos, os retorcendo com os dedos. Ryan puxou-me mais pelos quadris e empurrou a porta com o pé, a fechando. Impulsionei meu corpo pra cima e mordi seu lábio inferior e intensificando ainda mais o beijo. Sua mão desceu ate meu bumbum, o apertando com força. Pude sentir sua leve ereção tocar minha barriga, já que sou bem mais baixa que ele. Tentei buscar ar, com a intenção de não parar o beijo, mas, estava difícil.
- Bom dia – disse ofegante enquanto o encarava.
- Bom dia – sorriu e apertou minha bunda novamente. Mordi os lábios e depois, ataquei os seus novamente, em outro beijo quente. Mas, a realidade caiu feito pedras sob minha cabeça e tive que acabar com tudo – Temos que ir...
- Não, agora não – murmurou tentando desabotoar meu jaleco e beijando meu pescoço.
- Ryan, temos que trabalhar – disse e coloquei as mãos em seus braços, os abaixando. Ele parou de me beijar e bufou frustrado, encostando o queixo no meu ombro.
- Odeio seus choques de realidade. Até parece mesmo que você está empolgada para “TRABALHAR” – murmurou resmungão e ri enquanto me afastava dele. Levei um tapa na bunda ao me virar e ri enquanto ajeitava meu cabelo e pegava o gloss no bolso do meu jaleco e retocava. – Vamos logo.
Demos mais alguns beijos antes de sairmos e irmos direto ao refeitório o fluxo era bem grande por ali, estava na hora do café da manhã e surgiam médicos de tudo quanto é lugar eu não vi tudo àquilo quando cheguei aqui, mas agora pude notar que haviam vários profissionais por ali. Alguns puxavam bastante o saco, pois Ryan era meio que chefão dos doutores ali, perdia apenas pro doutor Traces, que era o diretor daqui.
Minhas mãos suavam a cada instante. Meus olhos passeavam pela mesa que estava com alguns doutores, reunidos em uma conversa que entrava pelos meus ouvidos, mas, que não era processada pelo meu cérebro, e pelo relógio no alto da parede.
Mas, ao passar os olhos rapidamente pela janela ao lado de Ryan, minha concentração e nervosismo foram encobertas pela curiosidade e medo. O mesmo cara de ontem, dos olhos castanhos estava meio abaixado, recolhendo alguma coisa que havia no chão e colocando dentro de uma caixa. Apertei meus olhos em fenda, pra podê-lo ver melhor e mordi os lábios ao passar meus olhos pelo seu corpo, parando em seu bumbum grande. Sua calça estava baixa, tampando apenas metade do bumbum e dava pra ver quase que totalmente sua boxer preta, justa e que marcava seu bumbum.
De repente, ele parou o que estava fazendo e se reergueu, ficando de lado. Virou-se lentamente e seus orbes procuraram por algo até parar em mim, parecia que ele sabia que eu estava o observando. Um sorrisinho de canto reinou em seus lábios e pude sentir minhas bochechas corarem e meus olhos arregalarem.
- Anne? – Ryan disse me despertando e me virei depressa pra si – Tudo bem? – perguntou me analisando e apenas assenti positivamente enquanto pegava um pedaço de bacon e levava a boca.
- Sim. – sorri tentando transparecer tranquilidade. – Há bastantes médicos por aqui não é? – fingir estar distraída com o movimento.
- É o número de doutores aqui é realmente grande. Sem contar que temos colônias espalhadas pelos arredores da cidade onde ficam alguns de nossos médicos. – Ryan tomava seu café tranquilamente.
- Bom dia. – me assustei quando uma loirinha simpática de cabelos Chanel sentou ao meu lado com seu café em uma bandeja.
- Bom dia Nice. – Ryan sorriu.
- Tudo bem Anne? Posso te chamar de Anne, não é? – ela era um pouco afobada e eu fiquei sem jeito.
- Pode. –sorri sem graça. – Claro que pode.
- Anne essa é a Nice. Ela completa a equipe clinica.
- Ryan falou muito de você. – senti minhas bochechas pegarem fogo.
- Espero que tenha falado bem. – sorri.
- Sim, ele falou muito bem de você e ao final de cada frase suspirava. – ri ainda envergonhada e Ryan fechou a cara.
- Nice menos. – ela sorriu o ignorando.
- E então como foi sua primeira noite no Jude’s McPhill?
- Boa. – ela riu e olhou pro Ryan.
- Boa? Tem certeza que achou isso mesmo? – mordi gentilmente os lábios um pouco envergonhada.
- Tirando os gritos no meio da noite e o frio... Tudo correu bem.
- Imagino. Sentiu-se protegida com o gato do seu namorado a três quartos depois do seu, não é? – senti minhas bochechas pegarem fogo.
- Nice. – Ryan interrompeu. – Eu preciso dos relatórios que pedi pra você fazer ainda hoje.
- Eu já deixei tudo na sua sala. – ela deu uma dentada em sua maçã. – Aliás, doutor Butler houve umas complicações no caso do doutor Wallace. – Ryan levantou sobrancelha e ela prosseguiu. – Descobri que estão dando os remédios errado e a pressão dele está parecendo uma montanha russa.
- Então não houve complicações. Houve um erro!
- Sim. Mas eu questionei as enfermeiras daquele setor e elas disseram que só estão dando os remédios que foram prescritos por você. – Ryan bufou.
- Não prescrevi nada ao doutor Wallace, quero que você compareça a reunião que vou fazer com as enfermeiras.
- Tudo bem, mas e os remédios? Autoriza-me a fazer a troca?
- Sim, mas antes de receitar mostre-me. – ela sorriu abertamente.
- Tudo bem doutor Butler. – eu sentia um ar de ironia quando ela dizia “doutor Butler”. – Nos vemos por ai Anne. Tenha um ótimo dia neste paraíso. – ela levantou sorridente pegou sua bandeja e saiu.
Já tinha terminado meu café, mas Ryan parou algumas vezes para falar com alguns médicos. Uns tinham curiosidade em saber quem eu era, outros só queriam puxar o saco mesmo. Fiquei com as mãos escondidas nos bolsos do jaleco e quando finalmente Ryan parecia estar livre, saímos do refeitório andando por um corredor gigantesco com várias salas.
- Está ansiosa? – ele perguntou caminhando ao meu lado.
- Não muito. – abaixei o olhar fitando o chão.
- Qual é cinco pacientes nada de mais. Até porque o seus são bizarros. – ele riu divertidamente e eu franzi o cenho o encarando.
- Bizarro?
- Ética medicinal nada a declarar. Diga-me você o que vai achar deles. – ele parou em frente a uma sala e não era desconhecido, meu consultório. Mais uma vez li na placa “Doutora Annelize Stones”.
- Espero que o dia passe bem depressa. – ele riu.
- Não é nem o seu primeiro dia e você já está desejando que ele acabe?
- Ah sim com todo prazer quero que o tempo passe voando.
- Tenho certeza que o relógio vai ficar travado e o dia vai parecer se arrastar.
- E você vai aguentar ficar todo esse tempo longe de mim? – fiz uma carinha triste para ajudar no meu drama.
- Mas é claro que não. – ele sorriu. – Tá vendo aquela sala no final do corredor? – olhei na direção em que ele apontava. – Então quando a doutora precisar de algo. Estou a sua disposição bem ali. – revirei os olhos.
Ele olhou duas vezes para os dois lados e os corredores estavam vazios. Ele me puxou com habilidade e eu não tive tempo nem de recuar, quando seus lábios amassaram os meus em busca de um beijo urgente. Espalmei a mão no peito dele e o afastei.
- Ryan. – esbravejei certificando que ninguém tinha visto aquela cena. – Não quero ser punida, ok? – ele riu.
- Agora estou indo para minha sala feliz. – mordi os lábios rindo e ele piscou maroto pra mim. Fiquei o olhando atravessar o corredor e criei coragem para entrar e tomar o meu lugar.
Girei a maçaneta e respirei fundo. O ranger da porta abrindo me fez paralisar por um tempo e ficar olhando a sala vazia que durante o resto do ano seria minha. Meus pés pareciam não querer se movimentar e minhas pernas tremiam. Meus olhos passavam por todo aquele lugar e minha única vontade era voltar pro meu quarto, na minha casa. Aquele lugar era tenebroso.
Ok Annelize, vamos parar com isso. Deixe de ser idiota.
Sentei na cadeira ainda um pouco desconfortável. O relógio na parede acima da porta marcavam 07h30minh. Em cima da mesa havia uma lista com cinco nomes, provavelmente era o nome de todos os meus pacientes. Alguns tinham o nome riscado na lista e no final da folha havia uma observação. “Todos os pacientes riscados estão em tratamento de solitária”. Não queria nem pensar o que eles tinham feito para estar na solitária. Os arquivos estavam todos empilhados, uns eram gigantescos outros, quase nada.
Hoje, teria consulta com apenas três pacientes, já que dois deles se encontravam na solitária e sairiam de lá, apenas 48 horas depois de presos. Meu Deus.
Balancei a cabeça negativamente e respirei fundo, analisando a lista, principalmente, os nomes que não estavam riscados, pra que assim, pudesse ler o arquivo de cada um e estudá-los.
8:30 — Justin Drew Bieber
10:00 — Catherine McCain.
11:30 Peter Wolfgang.
13:30 — Megan Mornonson.
15:00 — Angelina Rasec
Cada consulta deveria durar em cerca uma hora e meia e no relatório eu deveria escrever absolutamente tudo que acontecera de progresso, ou não, com os pacientes. Sem contar que teríamos um segurança, caso um deles queira... Atacar-me.
Que Deus me ajude.
Peguei a primeira pasta da pilha: Angelina Rasec.
Angelina era uma garota digna de ser comparado a um anjo. Loira, com olhos azuis brilhantes e uma pele de dar inveja, pela data, a foto havia sido tirada há dois anos, assim que ela fora transferida para o Institute. A pouca idade – 18 anos -, não dava pra perceber o monstro que Angelina guardava dentro de si.
Meu coração apertava cada segundo mais ao ler as palavras de seu arquivo.
Angelina havia matado a madrasta e a irmã bebe envenenas e depois, havia cortado todos os membros do corpo do bebê e depois costurado tudo de volta no lugar e brincar com a pequenina como se fosse uma boneca remendada.
A garota ainda reforçava que a bebe sempre fora sua boneca e que um alguém, havia quebrado sua bonequinha e que ela havia apenas, consertado.
Meu Deus...
Virei mais algumas paginas e vi algumas fotos que realmente não deveriam ter sido tiradas, alguns recortes de jornais falando sobre o assassinato e tudo mais.
Decidi largar a pasta e pegar a de Catherine McCain. Abri a mesma e passei a mão pela testa, enquanto fechava os olhos e respirava fundo, me controlando pra não surtar e sair correndo dali.
- Oh meu Deus... – disse soltando o ar pela boca e abrindo a pasta e os olhos.
Passei os olhos pela pasta, até parar na foto. Ela era bela! Catherine era ruiva, dos cabelos escuros e olhos azuis também, lábios carnudos meio avermelhados. Era uma garota Russa.
Bom, o crime que ela havia cometido não era tão diferente – ou macabro – quanto o de Angelina, e, igualmente, me fazia ter arrepios e inconsequentemente, passei a mão esquerda pelo pescoço, tentando o proteger.
Catherine havia matado cinco garotas e o ex-namorado, não sem antes tê-los torturado sem nenhum tipo de piedade ou rancor. Havia matado as quatro garotas primeiro, de um jeito brutal e degolou as quatro e depois, matou o ex namorado e a ultima garota eletrocutados e havia, hm, cortado os órgãos genitais do cara e introduzido em seu orifício anal. Depois, havia pegado o cara, morto e o colocado sob a cama e feito alguns desenhos estranhos no corpo dele e ficado sentada ao lado do corpo, bebendo whisky até a policia chegar.
Ok que mulher ciumenta é os bichos, mas, pelo amor de Deus, aquilo ali já era beirado ao satanismo.
Joguei a pasta sob a mesa assim que virei a pagina e me deparei com algumas fotos. Não iria ver aquilo. Fechei a mesma rapidamente e peguei uma garrafinha de água que estava sob a mesa, bebendo da mesa em apenas dois goles. Meu coração palpitava alto e forte debaixo da minha caixa torácica, de modo que eu podia senti-lo sem nenhum pudor. Minhas mãos tremiam e suavam, minhas pernas balançavam freneticamente.
Como alguém era capaz disso?!
Que pergunta idiota, eles são completamente loucos!
Revirei os olhos, relaxando meu corpo na cadeira e tentando fazer com que o sangue não corresse tão intensamente dentro das minhas veias.
Só mais uma pasta.
Passei os olhos pelo relógio e já era 08h15min. Dali a quinze minutos eu conheceria o primeiro psicopata da minha lista: Justin Bieber.
Respirei fundo mais uma vez e soltava o ar pela boca lentamente, enquanto fechava a pasta de Catherine e pegava a de Justin. A abri e não me surpreendi com o que vi, ele era lindo. Mas, a surpresa maior, era que ele era o rapaz que eu havia dessecado com os olhos hoje no horário do café da manha e de ontem a noite, que entrava no Heller.
E, minha curiosidade de estudá-lo era maior que o medo de ler o que havia no arquivo pessoal de Justin. As manchetes de jornais estavam aglomeradas e o que chamava a atenção era que aquele caso tinha grande repercussão.
“Um jovem em seu primeiro ano de faculdade, mata cruelmente a irmã adotada no qual ele mantinha relações.”
“Justin Bieber é acusado de obrigar Lily Bieber a manter relações com ele”
“Justiça acredita que vitima foi morta sem oportunidade para defesa”.
“Justin Bieber é julgado e condenado após trágico assassinato da irmã adotiva”.
As noticias eram muitas. O que mais se tinha no arquivo dele era recortes de jornais. Justin Bieber tinha acabado de completar vinte anos, quando sua família descobriu que ele e sua irmã adotiva tinham um caso. Para uma família tradicional aquilo foi um choque. Lily decidiu acabar com o segredo de anos levando Bieber a fúria, um caso pecaminoso, cheio de erros e desentendimentos resultou no trágico assassinato da irmã. Não se sabe o que aconteceu na mansão dos Bieber naquela noite de sexta feira, mas Lily foi encontrada morta com o corpo flutuando na piscina em meio ao sangue que jorrou de seu corpo pelos cortes que tinha, ao todo ela levou vinte sete facadas e uma pancada na cabeça com o cinzeiro que tinha perto a piscina. Justin Bieber foi preso em flagrante, ele era a única pessoa na casa e suas digitais foram encontradas no cinzeiro. A faca que foi usada nunca foi encontrada. Bieber negou até o ultimo segundo, gritando para todo o júri que era inocente. Seu advogado alegou que ele sofria de um tipo de esquizofrenia e dependia de um tipo forte de medicamento para se manter lúcido.
Justin foi diagnosticado com esquizofrenia indiferenciada. A defesa do criminoso tentou alegar que o réu sofria de transtornos psicóticos e por estar tomado pelo ódio foi capaz de cometer um crime tão brutal contra a irmã. Bieber conseguiu ser considerado um psicopata e sua transferência para o Jude’s McPhill foi aceita pelo júri que alegou que o réu precisava de tratamentos mentais.
Como aqueles olhos tão misteriosos podiam esconder tamanha crueldade? Justin parecia sereno na foto de seu arquivo, ele parecia uns anos mais jovens, fiquei chocada com o crime. Continuei analisando o arquivo. Quando bateram na porta e foi só o tempo de eu levantar meu olhar para ver um guarda que parecia um armário de tão grande dentro da minha sala.
- Com licença. Vim trazer seu paciente doutora...
- Annelize Stones. – sorri gentilmente ficando em pé.
- Prazer. – ele balançou a cabeça depois abriu um pouco a porta e puxou Justin Bieber o cara dos olhos castanhos para dentro da sala. – Quer que eu fique aqui ou não precisa? – só o que assustava era a aparência do guarda, mas ele parecia ser gentil.
Eu poderia pedir para que ele ficasse e acompanhasse a seção, mas aqueles olhos castanhos não me amedrontavam, eles apenas me deixavam perdida. Ele estava com uma camiseta branca com estampas pretas e um jeans escuro acompanhado por um tênis cano alto, aquilo me chamou a atenção, pois ele deveria estar de uniforme como todos os outros.
- Não. – balancei a cabeça depois de um tempo encarando meu paciente do outro lado da sala que mantinha um brilho ligeiramente maníaco no olhar.
- Se precisar de alguma coisa estarei aqui do lado de fora. – o guarda se retirou fechando a porta.
Era apenas eu e ele dentro do meu consultório. A poucos metros de mim estava o cara que cometeu um crime brutal, o que o arquivo me levava a pensar que ele era um psicopata, mas como podia um psicopata ter um olhar tão misterioso me cativando daquele jeito?
- Sente-se. – sorri um pouco nervos. – Pode sentar. – apontei a cadeira em minha frente, mas ele continuou me olhando com insensibilidade no olhar em silêncio. – Eu não mordo... Pode sentar. – ele respirou fundo e com um olhar debochado sentou-se na cadeira largando o corpo todo relaxado.
Sentei-me em minha cadeira um pouco tensa, sentia meu corpo travado. Ele estava encarando as algemas em suas mãos e eu nunca pensei que um paciente me intimidaria como apenas a presença dele estava fazendo.
- Sou Annelize Stones. Prazer em conhecê-lo – estiquei o braço na mesa com a mão estendida para um comprimento, mas ele ignorou completamente, apenas levantou o olhar e tombou a cabeça para o lado me encarando cinicamente.
Recuei a mão um pouco sem jeito, respirei fundo tentando prosseguir com a seção. Um médico não precisava se apresentar, só estava um pouco perdida como se não soubesse o que fazer e como agir, ele estava me intimidando apenas com o olhar.
- Quer me contar algo? – ele permaneceu em silêncio me encarando com aqueles olhar debochado e aquele sorrisinho repuxando o canto da boca. – Tudo bem... Podemos falar de como está se sentindo hoje? – mais uma vez minha tentativa foi falha ele se mexeu na cadeira de forma impaciente trocando a cabeça de lado e aquele olhar e o jeito que ele estava me ignorando estava me irritando. – Não é muito educado ignorar as pessoas. – ele sorriu outra vez debochando da minha cara.
Fechei minhas mãos em punho contando até dez, um pouco irritada com a situação. Estava perdendo o controle, mas não poderia deixar de jeito nenhum ele perceber aquilo.
- Você poderia me contar sobre sua relação com Lily Bieber. Você a amava? – ele riu escorando a cabeça em uma das mãos. – Vou tomar essa risada como um “sim”. – ele insistiu com aquele sorriso debochado que irritava até os ossos. Digamos que sou meio “pavio curto” e aquele olhar debochado dele estava passando dos limites.
- Na sua ficha informava que você não é do tipo que fala muito. Que foi o gato comeu sua língua? – sorri, ele revirou os olhos e pegou o tinteiro do carimbo em cima da minha mesa e começou a brincar.
Bufei nervosa e estiquei a mão puxando o tinteiro da mão dele um pouco furiosa. Ele me olhou sério por um instante pelo ato, mas depois a seriedade desapareceu completamente e ele voltou a ter aquela cara cínica com aquele sorriso sarcástico estampada no rosto.
- Tudo bem. – disse por fim nervosa e vencida pelo cansaço. – Já que não quer falar posso concluir que sua consulta está encerrada por hoje. – levantei da cadeira e abri a porta chamando o guarda.
Aposto que meu rosto e minhas bochechas estavam pegando fogo e que eu estava vermelha com toda a minha circulação concentrada no meu rosto.
O guarda puxou o braço de Justin Bieber com brutalidade o arrastando. Fechei a porta da sala um pouco nervosa. Encostei-me a porta um pouco perdida e com os pensamentos embaralhados, não conseguia processar o que havia acontecido ali, quer dizer, o que não havia acontecido.
Fiquei o resto da manhã analisando os arquivos e pensando como aquele Justin Bieber me irritou, como ele conseguiu me tirar do sério com aquele jeito sarcástico. Fiquei desconcentrada o dia todo, não conseguia concentração pra nada sem contar que as seguintes consultas foram canceladas.
Escutei duas batidas na porta e depois Ryan abriu um pouco a porta colocando apena a cabeça pra dentro.
- Doutora? Não vai sair para o almoço? – soltei a caneta em cima da mesa relaxando o corpo na cadeira. Alisei meus cabelos de um jeito exaustivo. – Você está tão tensa que consigo enxergar isso no seu olhar. – Ryan abriu completamente a porta entrando no consultório.
- Exaustão do primeiro dia. – levantei de minha cadeira, guardando os arquivos na gaveta.
- Então me conta como está sendo seu primeiro dia?
- Perfeito. – disse irônica e ele riu.
- Qual foi o problema?
- Problema? Nenhum. Tirando o fato que o único paciente que atendi hoje não deu um piu se quer e que a consulta que deveria durar uma hora e meia durou apenas quinze minutos. – sorri. – Tirando isso? – dei de ombro. — Nada de mais.
- Me deixa adivinhar quem é o garoto problema. – ele disse com ironia. – Justin Bieber? – ele estalou a língua no céu da boca. – O idiota sarcástico e psicótico. – Ryan revirou os olhos
- Ele conseguiu me tirar do sério. – disse ainda ofuscada com a situação.
- Isso é normal. – Ryan cruzou os braços estufando o peito.
- Mas eu ainda vou o fazer falar! Ele vai falar se não eu não me chamo Annelize Stones. – Ryan riu.
- Não se empenhe muito nessa função. Bieber é um mimado que vai apodrecer aqui. – senti raiva pelo o que Ryan disse e reagi de forma surpreendedora.
- Se depender de mim ele vai progredir. – disse com os dentes serrados desconhecendo aquela reação de minha parte.
- Não está mais aqui quem falou. – ele ergueu os braços em forma de defesa. – Podemos almoçar e esquecer pelo menos um pouco este lugar antes que fiquemos loucos como os pacientes? – ele sorriu, mas eu me mantive séria.
Guardei todas as minhas coisas na gaveta e sai na frente enquanto ele fechava a porta do consultório e corria tentando me alcançar no corredor.
- Hey, espera! – disse Ryan me puxando pelo braço. Nossos corpos se chocaram e coloquei a palma da mão em seu peito e o encarei. – O que eu fiz?
- Olha... – disse e respirei fundo – Não foi nada ok? Eu estou exausta e... O fato dele não falar me irritou bastante, foi só isso.
- Você é bem pavio curto – riu – mas, eu sei como te fazer relaxar – sorriu maroto enquanto descia uma de suas mãos até chegar ao meu quadril e o apertou, no mesmo tempo que colava nossos lábios.
Passei meus braços pelo seu pescoço e entreabri os lábios, dando passagem pra sua língua libidinosa. Ryan me apertava cada vez mais contra si, me fazendo esquecer um pouco a manhã irritante que estava tendo. Suspirei baixo e o dei um selinho demorado, partindo o beijo em seguida.
- Vamos? To com fome? – disse e ri baixinho ao ouvir sua barriga roncar.
- Vamos lá, o dia não acabou ainda... – murmurou e me deu um beijo na testa, enquanto entrelaçava nossas mãos e me puxava pro refeitório.
Continua...
Notas finais
entao, espero que gostem do capitulo do mesmo modo que gostamos das reviews e recomendações que recebemos, muito obrgada por eles, nos motivou a continuar e a escrever esse capitulo grande.
Então, quem fica louca com Justin mal? HOHO, ele é pfto de todas as formas.
esperamos reviews e recomendações, obrigada por tudo.
beeeeajs
Kimbs delicia e Caams delicia ♥
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