Dark Paradise
1 Heller
Notas iniciais
O último jantar em família. O último antes de eu me trancar naquele manicômio e talvez nunca sair de lá lucida como estou no momento.
“Annelize Stones acaba de ser uma recém-formada médica de psiquiatria”. É disso que sempre meu pai neurocirurgião se gaba. É isso que faz ele menosprezar os amigos e me colocar em um pedestal.
Estava arrumando as malas quando minha mãe bateu gentilmente na porta e depois a abriu com cuidado.
- Anne? – ela adentrou o quarto assim que me viu parada em frente a minha cama, dobrando algumas peças de roupa que deixei para trás. – Está animada?
- Sim. – andei até o closet pegando mais algumas peças de roupa.
- Ryan já chegou. – ela disse sorridente.
- Já estou descendo. Só estou me despedindo de minhas coisas.
- Ah Anne. –ela suspirou. – Nunca pensei ver minha garotinha partir. – ela já estava com os olhos marejados.
— Nem eu pensei que seria tão cedo. – disse com um pouco de tristeza.
- Você será a maior psiquiatra desse mundo. Será a melhor, a mais reconhecida.
- Se depender do papai, serei mesmo. – fechei o zíper da mala, tendo as mãos tremulas.
- Você não parece muito empolgada. O que houve?
Por um momento senti vontade de desabar e contar tudo para ela, chorar em seu colo e pedir pra não me deixar ir pra aquele lugar, pra não deixarem que estraguem minha vida. Mas por outro lado, eu sabia que ela era uma pobre indefesa, que vivia em função do meu pai e nada, nada do que fosse dito a ela, não me ajudaria em nada.
- Impressão sua dona Candency. Estou ótima... Só com um friozinho na barriga... Nada de mais. – forcei um sorriso que mais parecia uma careta do que qualquer outra coisa.
Podia sentir meu coração bater descompassado abaixo da minha caixa torácica, e minhas mãos suarem enquanto carregava três, das cinco malas que levaria para a Institute Jude’s McPhill.
O meu novo lar...
Um manicômio judiciário, cheio de psicopatas que cometeram crimes bárbaros e que não pensaram duas vezes antes de torturarem alguém de um modo tão insano, que não é permitido imaginar.
Terminei de descer as escadas e coloquei as duas malas no chão, ajeitando uma alça da mochila no ombro esquerdo e a minha bolsa no ombro direito. Puxei a mochila pela alça e a coloquei no chão, apoiada nos meus pés. Ergui a cabeça, que até então estava abaixada e respirei fundo enquanto encarava Ryan, que vinha em minha direção com um sorriso torto e absurdamente sexy e amável no rosto. Seus braços me rodearam num abraço apertado e apoiei minha cabeça em seu pescoço.
- Não fique assim Anne, vai ser melhor do que imagina! – murmurou baixinho.
A única coisa boa até agora era o salário incrivelmente alto e que Ryan estaria trabalhando comigo no mesmo local.
O apertei mais em meus braços e respirei fundo, tentando nasalar o máximo que conseguisse do seu perfume. Dei um beijo na curvatura do seu pescoço e sorri ao vê-lo arrepiar. Grudei meus lábios nos seus e pude sentir minhas bochechas corarem ao ouvir o pigarro do meu pai. Separamos—nos.
- Estou tão orgulhoso de você Annelize! – disse papai vindo em minha direção.
Desvencilhei-me dos braços fortes de Ryan e andei até meu velho pai, o abraçando com força. Seria a ultima vez desse mês. Após despedir de meus pais e, ajudar Ryan a colocar as malas no carro, fomos em direção a Mônaco.
Pouco a pouco, as nossas conversas foram se tornando nulas e o silencio era rasgado apenas pela musica que tocava e pelos estalos constantes que provinha dos meus dedos. A estrada começou a se tornar cada vez mais deserta e de terra, as casas começaram a se afastarem cada vez mais e era possível ver apenas uma vegetação seca e escassa de chuvas.
O lugar em si, era uma imagem de cidade deserta, principalmente, ao findar da tarde, como agora.
E, a cada minuto, eu podia ver um pedaço a mais dos muros altos e imponentes do Institute Jude’s McPhill. As torres enormes e a segurança exagerada e assustadora daquele lugar. Meus poros se arrepiavam e minhas células se agitavam minhas entranhas se reviravam e cada segundo que se passava, ficava mais difícil de respirar.
Passava meus olhos pelas torres e podia ver faróis e caras armados com fuzis e armas pesadas. Meu Deus, eu estava em uma prisão de vigilância máxima!? Apertei meus dedos com força, fazendo todos estalarem ao mesmo tempo. Minhas mãos suavam, meus olhos se arregalavam a cada momento e podia sentir os batimentos do meu coração, numa clara demonstração de medo.
Ali era pior que qualquer casarão macabro de um filme de terror.
As paredes altas e cobertas por cercas elétricas de alta voltagem, eram completamente cobertas por matos, musgos e rachaduras, que se estendiam desde o chão até seu ponto máximo e, a cada cinco metros de distancia, havia um policial fortemente armado vigiando com a maior cautela. Eles estavam vestidos de preto e se camuflavam facilmente a escuridão que tomava aquele lugar; apenas era possível vê-los por causa dos faróis autos do carro. Meus pelos se arrepiava, a cada segundo mais ao notar algo espalhafatoso naquele lugar. É pior do que qualquer coisa que já vi na vida!
O movimento do carro foi ficando mais lento até parar de vez. Respirei fundo contando até dez mentalmente, pra poder me acalmar. Ryan abaixou um pouco o vidro e, pude ver um guarda na guarita.
- Bem vindo doutor Butler. – disse serio e cerrou os olhos pra poder enxergar melhor.
- Ela é a nova psiquiatra Arnold – Ryan disse e sorriu.
- Bem vinda senhorita Stones – disse e balançou a cabeça em sinal de reverencia.
Respirei fundo e engoli a seco antes de respondê-lo:
- Obrigada
O portão foi um pouco aberto e, a medida que o carro adentrava ao Institute, podia sentir meu sangue correr nas minhas veias, me fazendo ficar agitada, ansiosa e principalmente: com medo.
O lugar em si, era bastante grande, enorme na verdade, mas, era muito, muito assustador. Diferente da vegetação que via da autoestrada, ali a grama era verdinha e tinha algumas arvores e alguns bancos, mas, a paisagem era totalmente desfigurada por três torres enormes, velhas e que pareciam mais uma prisão. Uma prisão de psicopatas assassinos.
O ar era mais denso que antes, o lugar era totalmente diferente. Havia guardas por todo o local, principalmente, perto da terceira torre. Era possível ouvir alguns gritos assustadores e agonizantes, era possível ouvir o barulho de armas sendo destravadas, era possível ver algumas pessoas entrando nas torres.
Aquilo estava me fazendo estremecer.
Por mais que o lugar fosse enorme e bem armado, era obviamente mal cuidado e largado. As torres exalavam mal cuidadas e as rachaduras, os musgos se alastrando por toda a parte, os portões de ferro gastos e todo o medo em si que o local transmitia, fazia qualquer um perceber claramente que ali era um lugar louco, assustador e que podia ser capaz de fazer qualquer um enlouquecer ali.
Sai do carro temerosa, enquanto esfregava minha mão na outra, com a intenção de que todo o meu medo evaporasse como água. Ali iria ser meu novo emprego, meu novo lar e, eu teria meu namorado como apoio. Iria me tornar uma psiquiatra conhecida e tentaria ajudar meus pacientes o máximo possível.
Sentia meu estomago parar de revirar e o meu coração bater mais calmamente na minha caixa torácica. Em minha mente pedaços de uma musica que sempre me faziam flutuar passavam e eu me sentia um pouco relaxada.
Eu iria me sair bem, e eu iria perceber que esse medo é uma coisa idiota vindo da minha cabeça.
Ao entrar, podia ver que os fluxos de pessoas eram poucos, quase nulos. Com a ajuda de Ryan, fomos até a sala do diretor da instituição, o doutor Traces.
Bati na porta da sala do doutor Traces com cautela e respirei fundo duas vezes antes de ouvi-lo murmurar um “entre”. Respirei fundo outra vez antes de tocar a maçaneta e um beijo na bochecha vindo de Ryan me acalmou ainda mais.
- Vou te esperar aqui fora! – Ryan murmurou e assenti enquanto abria a porta da sala.
- Olá senhorita Stones! – disse um homem com mais ou menos cinquenta anos, com a aparência cansada e um sorriso vacilante no rosto – Sente-se, por favor!
Fechei a porta com cautela e me sentei em uma poltrona que estava postada de frente a mesa cheia de papeis e outras coisas.
- Fico feliz que tenha aceitado minha proposta! Ouvi coisas maravilhosas sobre a senhorita vinda de seu reitor, o doutor Thompson, da universidade de Oxford. E, sem mencionar o doutor Butler, que foi bastante gentil em relação o histórico da senhorita citando várias vezes o nome do seu pai, exemplar doutor Stones.
- Acredito que ele tenha exagerado – disse sorrindo enquanto o encarava.
- Acredito que sim. Mas, senhorita Stones, temos regras aqui no Institute e uma delas é nada de namorinhos por ai, por favor, peço que não quebrem essa regra. – disse e balancei a cabeça em sinal positivo – Amanha, o doutor Butler irá lhe mostrar melhor o institute e a senhorita irá conhecer seus pacientes. Serão cinco ao todo e cuidará deles todos os dias. Irá participar também de algumas terapias em grupo e a senhorita deverá me entregar um relatório mensal de cada um dos pacientes.
- Tudo bem – disse repassando toda a sua fala em minha mente.
- Bom, seja bem vinda ao Institute Jude’s McPhill! – disse e soltou um meio sorriso se levantando, fiz o mesmo e estendi o braço para um aperto de mãos que fora prontamente cumprido.
- Obrigada e, com licença – disse e dei as costas saindo dali da sala.
Fechei a porta e senti os braços de Ryan me rodear mais uma vez e seus lábios grudaram no meu, em um selinho demorado. Espalmei as mãos por seu peitoral e o empurrei de leve.
- Ry, não podemos – disse olhando disfarçadamente pros lados.
- Tá tudo bem! – disse rindo fraco – Não tem ninguém aqui – murmurou me dando mais um selinho. – Vou te mostrar algumas salas daqui e depois iremos buscar suas malas ok?
Apenas assenti e começamos a andar pelo corredor. As luzes eram fracas, amareladas e estavam em estados precários. As paredes revestidas por azulejos brancos estavam encardidas e, os espaços entre elas estavam coberto por uma camada de lodo. As luzes piscaram brevemente, o que me fez grudar ainda mais no braço de Ryan e encarar assustada todo o lugar.
É como se estivesse em um filme de terror.
Paramos de fronte a uma porta negra, com a palavra “ARQUIVO” escrito em uma plaqueta, também negra, em frente. Abriu a porta e um cheiro quase insuportável de mofo foi nasalado por mim, me fazendo colocar uma das mãos sobre o nariz e espirrar por duas vezes. Ryan acendeu as luzes, que também eram de luminosidade baixa e precária, e me puxou pra dentro.
- Aqui estão todos os arquivos de todos os pacientes desse manicômio. Estão em ordem alfabética e ali tem alguns livros – disse apontando pra algumas prateleiras ao fundo – São até um pouquinho bons.
Meneei a cabeça em sinal positivo e passei meus olhos por todo o lugar, que, com toda a certeza, merecia muito uma faxina pesada. Ao que parece, as zeladoras daqui, não são muito competentes.
- Sem contar que essa sala pode servir pra várias outras utilidades. – Ryan sorriu descontraindo.
- Ah sim claro doutor Butler. Está sendo um péssimo exemplo para ser o meu guia turístico deste lugar. – ele riu grudando os lábios aos meus.
- Poderíamos brincar de médico nesta sala. – minha risada foi um pouco alta e eu senti minhas bochechas corarem com o olhar divertido que ele me lançou.
- Você poderia voltar a me mostrar o Institute isso sim. – o afastei de mim o empurrando para a saída enquanto ele ia todo resmungão.
Saímos daquela sala e andamos por uns sete minutos até pararmos também, em uma sala com a porta negra, mas, a placa que estava posta sobre ela tinha os dizeres “Doutora Annelize Stones”. Sorri ao perceber que aquela seria a minha sala.
Coloquei a mão na maçaneta e abri a porta rapidamente. No lugar havia uma mesa consideravelmente grande, uma poltrona por detrás da mesma e duas cadeias de frente a mesa. Um pequeno armário com alguns livros e pequenos objetos e um mini sofá negro. As paredes eram cobertas por azulejos, mas, era mais limpa que alguns lugares que já pude observar desse Insitute, mas, mesmo assim, eram encardidas. Havia uma janela um pouco tampada por uma cortina bege atrás da mesa e um pedestal perto da mesma.
- Dá pro gasto – balbuciei e Ryan me deu um beijo na testa.
- Isso não é o teu tão sonhado consultório, mas o trate com carinho.
- Ah com certeza vou tratar esse joça com muito carinho. – revirei os olhos.
- Vem. – ele puxou minha mão. – Agora vou te mostrar a enfermaria e iremos pegar suas malas. – disse Ryan fechando a porta.
A enfermaria ficava no final do corredor e, era relativamente grande. E mais limpa do que qualquer lugar que meus olhos haviam passado. Enquanto íamos em direção o carro, não conseguia parar de encarar as três torres que abrigavam os pacientes.
Encostei-me no carro e voltei a estalar meus dedos, enquanto encarava as torres. Era intrigante, queria saber o que acontecia ali dentro.
- Aquela, é a torre Feminina, ou somente, a torre A. – disse Ryan e apontou para a primeira torre. – Aquela, é a torre Masculina, ou somente, a torre B. – apontou para a torre que ficava ao lado sudoeste. – E aquela, é a torre C, mais conhecida como, Heller, é a junção de inferno com o nome do Hitler, os médicos antigos que apelidaram. Alguns dizem que é com o nome do Dr. Hellder, mas eu ainda acho que o nome do Hitler combina mais.
- Hellder não foi o primeiro diretor daqui? – Ryan me olhou. – Antes de vim pra cá fiz umas pesquisas e vi Hellder foi o primeiro diretor.
- Sim. – ele sorriu para descontrair. – Hellder foi o primeiro diretor, mas sua trágica história fez esse lugar ficar um pouco pior. – ele bateu o porta malas segurando minhas malas em suas mãos.
- Na internet não tive a oportunidade de ler a história toda. Sabe algumas coisas exageradas de mais, outras sem pé e nem cabeça, outras foram ocultadas.
- A reputação do Institute já não é das melhores ter a história na integra na internet não é um fato que nos ajude.
- Hellder morreu aqui? – perguntei curiosa enquanto caminhávamos lentamente de volta para o Institute.
- Pra falar a verdade ele enlouqueceu aqui. – um vento forte soprou do leste e eu abracei meus braços.
— Ele enlouqueceu no seu próprio sanatório?
- A historia é meio complexa, meio assustadora. – o olhei com impaciência e ele pigarrou antes de começar. – Dr. Hellder se formou em Harvard e começou atuar na área frequentando presídios e avaliando criminosos. Quando esse sanatório foi criado Dr. Hellder foi convidado para ser o diretor e ter a melhor equipe de psiquiatria. No começo o único prédio existente era o Heller e foi lá que tudo começou. Os pacientes eram tratados como animais e sofriam torturas até sua morte, esse era o tratamento apreciado pelo doutor. Psicopata era um termo desprezado para Hellder e sua equipe toda, pra falar a verdade ele deixou a medicina se envolver com a religião, até certo ponto ele acreditava que as pessoas poderiam ficar loucas, mas quando cometiam crimes bárbaros ele acreditava que elas estavam possuídas pelo próprio diabo. Ele começou a ficar psicótico com este assunto e um dia mandou trancar todas as portas ficando preso dentro do Heller com os pacientes e toda sua equipe. Ele dizia que iria combater o satanás e livrar aquelas pessoas.
- E o que ele fez?
- Os piores rituais que você pode imaginar na sua vida. – senti um bolo em meu estomago. – Ele praticamente matou quase todos os pacientes e quando percebeu que sua equipe estava contra ele... Ele ateou fogo no prédio e morreu queimado junto de um monte de pessoas que estavam trancafiados com ele naquele lugar.
- Meu Deus! – disse encarando a torre.
- O prédio ficou um tempo desativado, mas depois resolveram reativá-lo para o uso dos pacientes que se julgam os piores. – acho que minha cara de desespero não negava o quanto eu estava assustada eu realmente estava assustada.
- Os piores? – franzi o cenho.
- Os dos crimes mais brutais. – senti meu coração disparar só de pensar no que ele quis dizer com os crimes mais brutais. – Relaxa amor, não é tão ruim assim. Estou aqui há quase quatro anos, e, como o tempo fica tudo de boa.
- Ryan acho que quando sair daqui vou precisar de um psiquiatra. – ele riu.
- O que fazia nas aulas de ética? – não estava mais prestando a atenção no Ryan.
Ouvia-o dizer algumas coisas, mas minha atenção foi tomada completamente por aqueles olhos castanhos que me prenderam de um jeito hipnotizador. A sensação de que tudo girava rápido de mais me fazendo ficar estática me tomou. Foi como se um o mundo começasse a desabar em cima de minha cabeça enquanto eu mirava aquele profundo olhar, que me fez perder o chão, me fez tremer. Era intenso, intrigante, misterioso e encantadores. O olhar pertencia a um rapaz que aparentemente tinha a minha idade, o jeito que estava vestido me chamou a atenção, diferente dos demais, ele estava de calça Jeans e com uma camiseta vermelha, uma cor muito forte que o destacava de uma forma diferente dos demais. Seus músculos saltados pra fora, foi outra coisa que não pude deixar de notar.
Ele me encarava na mesma intensidade e aquilo fez me descer um frio na espinha, a voz de Ryan soava longe enquanto estava perdida em um turbilhão de sensações. O jeito como ele me olhava parecia que enxergava tudo dentro de mim, parecia que revelava o meu segredo mais confidencial aos quatro cantos do vento, era pura insensatez, mas ao contrario do que parecia aquilo não me fazia mal. Pelo contrario eu sentia vontade de desvendar os motivos daqueles olhos tão misteriosos.
- Anne? – Ryan estalou os dedos na minha frente e então eu quebrei aquele contato visual. – Está tudo bem?
Pude ver o cara de vermelho dos olhos perfeitos sorrir repuxando aqueles lábios perfeitos bem desenhados que eu desejei como se fosse à última coisa que passasse por minha mente. E logo em seguida ele foi puxado por dois homens como se fosse um animal adentrando o Heller.
- Quer conhecer os dormitórios?! – Ryan me perguntou um pouco confuso. Assenti balançando a cabeça e ele estendeu a mão para que eu passasse em sua frente enquanto ele vinha logo atrás segurando minhas malas.
Continua...
Notas finais
Bjos da kim gostosa e da Caams delicius *-*
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