Dark Moon

3 A Mansão


Notas iniciais
Peço Perdão pela demora, infelizmente estou em época de vestibular e não estive nem com tempo, nem com ânimo, mas estamos aqui certo?

Sei o quão pessimista, ignorante e egoísta isso é. Afinal eu não sou a única nesse voo, porém minha vontade era que ele caísse, simplesmente explodisse no ar e eu morresse, tudo para não chegar ao meu destino.

Eu basicamente morreria como uma mártir, meus chefes se culpariam por me mandar para um local tão horrível, meu pai poderia viver o resto de sua vida com aquela madrasta princesa-bruxa e tudo seria feliz para sempre.

Mas o avião não caiu, o avião pousou tranquilamente no aeroporto, nem sequer uma turbulaçãozinha no caminho, nada que me inspirasse esperança.

Na esteira, minha mala era a primeira, bem irônico por parte do Universo, no entanto, não tive escolha, apenas a agarrei sem vontade alguma e saí por entre os portões, logo de cara, o motorista – com a cara do Frankestein e uma placa com o meu nome – escrito errado – apareceu na minha vista – acenei para ele e o homem não expressou sentimento, apenas pegou a mala e saiu esbarrando em todos até o carro luxuoso no portão do aeroporto.

A estrada sinuosa foi lenta e estranhamente desconhecia, de alguma maneira, eu esperava que Lambert continuassecomo era quando eu tinha dez anos.

Mas isso não aconteceu.

As estradas de pinheiros e as florestas permaneciam intocãveis em suas imensas reservas, mas onde antes ficavam fazendas abandonadas agora eram cnateiros de fazendas bem criados, a vila continuava quase igual se não fosse pelas cedes de pesquisa e desevolvimento instaladas lá agora – algumas com escritórios de administração de alto escalão – a pequena Lambert era um centro de desenvolvimento agora, mas permanecia com seus ares de cidade pequena e intocável, como se presa na história, ainda que toda tecnológica.

O motorista entrou por uma das vielas estreitas que levavam ao topo da montanha, aquela estrada continuava intocável, as mesmas mansões, as mesmas famílias, a nata daquela cidadezinha, e bem no fim, a mansão de minha família me recebia de braços abertos e ameaçadores.

Senti um arrepio percorrer o meu corpo e de repente queria dar meia volta e entrar no primeiro vôo de volta para a Capital, inconscientemente acariciei minha corrente de nascimento, minha mãe a tinha guardado por nove anos e me deu quando eu completei a idade certa, eu nunca mais a tirara e estava com ela naquela noite.

Apesar da presença da casa, tinha uma presença mais ameaçadora, dentre as perguntas na minha mente, a que mais me atormentava era: Eu resistiria a tentaçõ de voltar aquele porão?

*

Na entrada da mansão, a governanta Shelby estava em suas costumeiras saia longa e blusa de manga cumprida em cores sóbrias, eu desci do carro e ele me abraçou com entusiasmo, e pela primeira vez eu retribuí, eu senti falta dela, era como uma segunda mãe – muito mais do que meu pai se tornou depois de ter ido para a Capital.

Ela ainda me ligava as vezes, era assim que tinha o contato para essa emergência:

—Não vou mentir querida, estou feliz por ter voltado, mas e você?

Eu a olhei com carinho:

—Estou bem. Respondi sabendo que aquela era a pior das mentiras.

*

Shelby me levou até o meu antigo quarto, apenas subir as escadas, atravessar a sala e o corredor, aquilo já foi suficientemente tortuoso para mim, mas entrar no meu quarto foi mais, principlamente porque ele tinha parado no tempo:

Minhas bonecas continuavam nas prateleiras junto com os artesanatos e livros infantis, no guarda roupa, as roupas de uma menininha – muito rosa e roxo – e o que mais doeu foi a cômoda, bem ao lado da minha cama, o livro pela metade que minha mãe lia todas as noite, seus brincos – eu nem sabia que ela os tinha deixado lá – mas sorri disfarçando como uma expert – pelo menos da minha visão – meus sentimentos.

—Precisa de algo senhorita Anne?

—Não – Sorri – Apenas queria um tempo para descansar, a viagem foi longa.

—É claro, vou me recolher, se precisar de algo...

—Não se preocupe Shelby – Eu coloquei a mão em seus ombros – Eu sei me cuidar.

—Nunca foi boa na cozinha. Ela brincou e aquilo me fez dar risada.

—Ainda não sei fazer bolinhos de chuva.

—Amanhã cedo eu faço para você – Ela me deu um beijo na testa e eu paralisei – Boa Noite garotinha.

—Boa noite. Pronunciei aquelas duas palavras sem emoção alguma.

Quando parei de escutar seus passos, eu finalmente voltei a respirar, me joguei na cama e encarei o teto de estrelas e planetas por um longo tempo, eu lembro como gostava de pegar em um sono olhando para o mini universo no teto do meu quarto, agora aquilo era só mais um fantasma que eu tinha que encarar.

Agarrei minha bolsa e peguei o primeiro pacote de bolachas que encontrei, em dez minutos o pacote estava vazio – eu tinha desenvolvido certa compulsão alimentar quando tinha que encarar meu passado, uma vez, graças a uma pergunta casual, eu tomei três milk shakes grandes de uma só vez — não sei exatamente quanto tempo se passou depois dessa cena típica na minha vida, não sei se dormi ou o que eu fiz.

Porém, quando me dei por mim, cinco horas tinham se passado, e eu estava com a mão sobre a capa do livro Roxo da minha família, como se reabsorvendo pelo tato tudo o que eu tinha lido lá nos últimos dez anos e que nunca tinha saído da minha mente.

Minhas pernas começaram a descer a cama, a escada, atravessar os longos corredores até a biblioteca, mas eu segui em frente, até o salão principal – o lugar com as maiores memórias da minha família, todas em formatos de quadros.

Passei a mão pela parede de veludo – um luxo do meu bisavô – e fui atravessando os quadros, famílias, famílias que sorriam de forma convincente e feliz, casais apaixonados, e em todas elas, após um olhar cuidadoso, eu consegui ver a culpa nos olhos das mulheres, e de alguns homens, ou talvez seria apenas minha paranóia falando um pouco mais alto.

Mas eu via, em cada uma delas eu via o monstro refletido, a lua, o caldeirão, tudo... E quando cheguei finalmente no meu quadro, o quadro que foi pintado quando tinha cinco anos, eu ouvi lá fora, o uivado, senti a luz da lua atravessar as janelas até as minhas costas como se estivesse me observando, me analisando.

Só lembro de acordar no outro dia na minha cama...

Notas finais
Bem, aí está, o terceiro capítulo e o começo definitivo de todo o mistério que envolve Anne. Novamente agradeço seus acessos e peço comentários, críticas e recomendações, tudo que possa me ajudar a melhorar!