Dark Light - As Sete Chaves
9 Capítulo 6 - Como cão e gato
Notas iniciais
Espero que gostem :D
Pisco os olhos para que os mesmo se acomodem com o feixe de luz que entra pelo pequeno rasgo na cortina. Reclamei em vão e me virei para o outro lado da cama, mas após me virar o susto foi grande: Derek estava agachado, na altura da cama, me olhando com um sorriso travesso.
Com o desespero, eu me joguei para fora da cama e cai de costas no chão. Levantei-me xingando e o encarando com a minha cara de que aquilo não foi nem um pouco agradável.— Bom dia, madame — riu —, aqui estão algumas roupas — ele as jogou em cima da cama —. Se vista, iremos dar uma passada na sua casa. Agora que me dei conta, ontem Hector comentou que iriamos buscar minhas coisas. Se é que ainda há algo lá. Provavelmente Vincent deve ter passado por lá a procura de algo, como Hector havia dito.Após Derek ter saído do quarto, peguei as roupas e as vesti. Escovei os dentes, passei a mão no cabelo, peguei a jaqueta e desci.Cada vez que me aproximava da cozinha o cheiro de bacon e ovos mexidos faziam minha barriga roncar de fome.— O cheiro está bom, agora é saber se está prestando de verdade – comentei enquanto me sentava.— Ironia. Bom, acho que você já entrou para os Birk! — disse Hector. Tomamos o café da manhã com um silêncio predominante no ambiente. Hector terminou a refeição e saiu em disparada para um armário marrom que havia na sala de estar. De dentro do móvel, vários tipos de armas e munições saiam em grande quantidade, aonde iam parar direto a uma grande sacola preta.— Temos sempre que nos prevenir, muitos deles vem atrás de nós por vingança — comentou Derek.— Eles? — perguntei.— Demônios — ele deu uma garfada em um pedaço de bacon e o enfiou de qualquer jeito em sua boca, que já estava cheia de alimento. Mas mesmo assim, ele continuou a explicação com a boca cheia -. Eles nunca morrem. Apenas os mandamos de volta para o inferno, mas eles sempre acham um jeito de voltar.— Mas não se esqueça dos: Vampiros, Lobisomens, Espíritos, Lendas... — disse Hector ao longe.— Lendas? — perguntei novamente a Derek.— Lendas Urbanas ou contos de Horror, alguns, infelizmente, se tornam reais a partir de medos ou de feitiços.— Então quer dizer que se eu tiver medo da Samara, ela irá sair da TV tipo... Agora?— Não seja idiota. Samara não existe, é apenas um filme. Agora, Blood Mary... Me arrepiei só de pensar.— Pronto, garotos — Hector apareceu vestindo botas do estilo cowboy, calça jeans clara, camisa branca e uma jaqueta de couro preta. Para completar o visual, ele botou seu chapéu de couro marrom claro e seu Ray Ban Aviator —. Podemos ir?
Comecei a escutar um barulho de água sendo derramada de algum lugar. Aproximei-me da porta de meu banheiro, lentamente. Peguei a arma que meu pai me dera no dia do incidente e a mantive em punho. Abri a porta do banheiro bruscamente e apontei para o box. O cano do chuveiro estava jorrando água para todo o lado. A pequena cortina de plástico que dividia o box do resto do banheiro estava resgada, e o mármore da pia com arranhões profundos.Vincent deveria estar desesperado a procura de algo. Pensei.Voltei para o quarto e vi algo brilhante debaixo da cama, me agachei e peguei o objeto. Era o colar que eu usava quando pequeno. Aquele em que se divida em dois, a outra parte eu dera ao Max no nosso ultimo natal juntos.Coloquei-o em torno de meu pescoço e voltei a pegar as roupas.— E ai, tudo pronto? — Hector apareceu na porta.— Sim — disse enquanto fechava o zíper da mochila.Enquanto passava pelo corredor, vi que o quarto do meu pai estava com a porta um pouco aberta, dando para vê-lo pelo vão que ela deixava. Uma sensação boa de quando éramos unidos me veio à mente e me fez sorrir automaticamente. Comecei a andar lentamente de volta ao meu rumo. Descendo as escadas, vi que Derek estava com um aparelho estranho nas mãos. Parecia um celular antigo, com uma anteninha, pequenas luzinhas vermelhas e um pequeno ponteiro que oscilava algumas vezes.— O que é isto? — Perguntei. Derek me olhou com cara de desentendido e perguntou:— Você está falando comigo?— Seu pai está aqui?— Não. — Ele respondeu enquanto olhava para os lados.— Então a pergunta foi para você mesmo!Ele revirou os olhos e prosseguiu:— Isso aqui é um MOE. Medidor de Ondas Eletromagnéticas. Serve para calcular medidas fora dos parâmetros comuns. Resumindo: serve para nos mostrar se tem algo sobrenatural no recinto, algo como: fantasmas, demônios e por ai vai.— E esse negócio ai...— O MOE — ele me corrigiu rapidamente.— O MOE — disse com ênfase —, conseguiu detectar algo?— Até o memento, não.— Vincent deve estar desesperado. — Hector apareceu.— Alias, o que ele está procurando? — Perguntei— Nós não sabemos. Enquanto não conseguirmos encurralá-lo, ficaremos sem informações.Ficamos em silêncio por algum tempo. O que me fez tentar imaginar o que Vincent está à procura. Será algo que meu pai escondia? Ou algo que esteja comigo e eu não estou sabendo?— Bom, acho que é isso... — Hector disse — já pegou o necessário, Mike?— Sim, claro.— Então ótimo, podemos ir.Hector ajeitou a sacola de armas, que carregava já faz um tempo, em suas costas e começou a andar em direção ao carro estacionado lá fora. Mas ele foi interrompido por um lobo cinzento de olhos brancos que apareceu de repente na porta de entrada da casa. Hector pegou sua Mossberg 590 e apontou para o lobo, que apenas mostrou os dentes afiados como resposta.Derek reparou no animal, e fez o mesmo que o pai. Apontou a arma em direção ao lobo.—Chega de fugir, Mike.— Disse-me uma voz em minha cabeça.Olhei para os lados, mas não havia mais ninguém lá conosco. Apenas nós três e o lobo.—Bobinho— Disse a voz novamente, com um tom sarcástico e uma risada besta no fundo. —Saiam da minha frente, caçadores!— Espera ai, é o lobo quem está falando? — Perguntei, abismado.— Ele é um lobisomem, garoto — respondeu-me Hector, ainda de costas para mim.—Saiam de minha frente, antes que eu faça um estrago!— Exigiu o lobo.— Até que eu gosto de um estrago, me faz lembrar os dias em que ia à montanha-russa quando pequeno. Uma adrenalina viciante — caçoou Derek.— Garoto! — Gritou Hector — Saia daqui!—Não antes da diversão— disse-me o lobo.Sem pensar duas vezes, retirei a arma do bolso de trás da minha calça e corri casa adentro.Subi a escada rapidamente, subindo de dois em dois degraus para ir mais rápido. Grunhidos e tiros eram as únicas coisas que ouvi após entrar em meu quarto e trancar a porta. Mas o barulho foi se aproximando, automaticamente eu comecei a dar passos para trás, ficando distante da porta.Alguns minutos, a porta foi arrombada. Estilhaços foram jogados pelo cômodo inteiro. O lobo estava lá, com seu sorriso glorioso.—Agora não tem mais como escapar, anjinho.— Você é quem pensa.—Nossa, me arrepiei de medo agora— disse ironicamente.Apoiando nas suas patas traseiras e se jogando em minha direção, assim veio o lobo. Tudo aconteceu tão de pressa que nem eu mesmo acreditei como consegui pensar tão rápido. Quando o vi chegando rapidamente para cima de mim, me joguei no chão e deslizei até a porta. Fazendo com que o lobo caísse em cima da estante que havia em baixo da janela.Isso mostra que os treinamentos de vôlei funcionaram. Pensei.O lobo se revirou nos destroços da minha velha estante, me olhou com fúria nos olhos e começou a correr em minha direção. Corri para fora do quarto e apertei os passos no pequeno corredor. Fui me aproximando mais rápido da escada, não adiantava eu querer desce-la correndo. Teria que pular todos os degraus de uma vez.E foi o que fiz, quando me aproximei do primeiro degrau, olhei para trás e vi o lobo vindo para me atacar. Sem pestanejar, dei um pequeno impulso e pulei.Pensei que iria me quebrar todo, mas não sei como, algo me fez flutuar alguns segundos no ar. Fazendo com que minha queda fosse menos destruidora. Já o lobo atravessou a porta de entrada, deixando um buraco ao invés de uma porta.— Derek? Hector? — Gritei, mas não tive nenhuma resposta.Olhei para fora e vi o lobo tentando se equilibrar depois desse voo. Ele me avistou e veio novamente em minha direção.— Ah, qual é a sua cara? — Reclamei.Apertei os passos e fui para a cozinha, quando entrei lá me escondi atrás de um balcão de mármore que havia no centro dela. Sentei e tentei respirar um pouco. Mas um cheiro forte de gás consumia a cozinha. Coloquei a gola da camisa em meu rosto e pressionei com a mão. Foi quando ouvi alguém fazer “psiu” pra mim. Olhei para a janela a minha frente. E lá estava Hector. Ele me direcionou com um aceno de cabeça para fogão. Ele estava com a tampa do forno aberto. Ele deve ter aberto todas as bocas para sair o gás e depois... Ele vai explodir tudo aqui!Escutei um rosnado baixinho vindo. Ele estava se aproximando, farejando o meu rastro. Será que Hector faria algum sinal para que eu saísse dali? Se eu tentasse atirar no lobo eu morreria junto.De repente, ouço um barulho de algo se quebrando a minha direita. Dei uma olhada rápida e vi que era Derek que acabara de arrombar a porta da cozinha onde dava ao fundo da casa.— Agora, Mike! — Ele gritou.Levantei rapidamente e fui em direção a ele. Olhei ligeiramente para trás e vi o lobo procurando entender o que estava acontecendo, e quando conseguiu captar a mensagem, a raiva lhe subiu.— Corre! — Gritei para Derek. Mas ele continuou parado, só me esperando sair para poder atirar. Mas estraguei seus planos. Joguei-me em cima dele para protegê-lo do ataque do lobo. E com seu reflexo ele atirou.Com o impulso da explosão fomos jogados para o meio da grama do quintal.Me joguei literalmente na grama, vendo que “tudo” acabou. Um alivio percorreu meu corpo inteiro, se deixasse, eu ficaria deitado ali para sempre.— Da próxima vez — disse Derek enquanto se levantava e gemia de dor —, apenas diga que quer me dar um abraço. Não precisava ter feito essa cena toda.Ri.— Tudo bem com vocês, garotos? — Perguntou Hector.— Nós fomos atacados por um lobo, Derek acabou de explodir minha casa — levantei todo desajeitado e comecei a alongar minhas costas -, e você pergunta isso. Sério mesmo?— Que foi agora, Mike? Deu para dar uma de “Derek”? — Retrucou Hector.— Eu só estou cansado de tudo isso, tá bom! Alias, eu vou embora.Os dois se entre olharam e começaram a rir.— Cadê a graça que eu não estou achando? — disse.— Você vai para onde, Mike? Me diz — disse Hector enquanto segurava a risada.— Eu tenho amigos.— Tá, tudo bem. Mas me diga como você irá explicar seu pequeno desaparecimento?— Eu conto a verdade. Toda a verdade.— E você acha que eles vão acreditar? — Perguntou Derek — Vamos encara a realidade, garoto.Pra mim já chega. Não quero isso para mim, não quero ficar fugindo desses seres minha vida inteira. Preciso de respostas, objetivos... Como procurar meu pai. É por onde irei começar.
— Cadê minha mochila? Ela ficou lá dentro?— Não, está no carro. Quando o lobo subiu para te pegar, eu e o Derek pegamos as coisas e colocamos no carro. Depois fomos armar o plano.— Então, tá...O silêncio permaneceu entre nós.Olhei para trás e vi metade da minha vida ir embora, aquela casa significava bastante para mim, principalmente por me fazer lembrar do meu pai.Os dois começaram a andar, fui junto. Mas eu ainda estava determinado a procurar meu pai. Ver se ele realmente morreu.Quando nos aproximamos do carro, Hector destravou o alarme, eu abri a porta traseira normalmente, peguei minha mochila e sai andando.— Garoto! — Gritou Hector.Não dei ouvidos, apenas continuei andando.— Você tem que ficar conosco, você precisa de ajuda para sobreviver nisso tudo!— Esse moleque está me irritando — disse Derek.Senti um puxão nas minhas costas, virei o rosto e vi que era Derek me puxando de volta.— Eu vou procurar meu pai!— Adolescentes... Tão irritantes! — Criticou DerekPuxei a mochila com força para arrancar de sua mão.— Isso porque seu pai ainda está aqui! Vivo.Ficamos em silêncio novamente. Mas ele foi quebrado por sirenes de policia e bombeiros que estavam próximos.— Melhor irmos embora. Você vem, Mike? — Perguntou Hector.Eu sei que com eles eu fico mais protegido, mas eu tenho que tomar vergonha na cara e crescer um pouco. Parar de ficar dependendo dos outros para tudo.— Não. Eu vou procurar meu pai.Os dois entraram no carro e foram embora, porém, parece que a policia os cercou mais adiante. Para não sobrar para mim, eu comecei a andar em uma rua quase deserta. Sei que meu objetivo agora é tentar localizar meu pai. Mas precisarei de uma pequena ajuda para me locomover de um jeito mais ágil... Kyle, ai vou eu.
Notas finais
Bom, ai está o capítulo depois de séculos hausuahsuas. Sorry pela demora, mas é que minha criatividade não está cooperando comigo ultimamente. Enfim, espero que gostem. Críticas, comentários, elegios, alerta de erros... serão sempre bem recebidos :D
Fale com o autor