Dark Light - As Sete Chaves
10 Capítulo 7 - Bem vindo ao meu novo mundo, Kyle.
Notas iniciais
Avistei uma bela mansão de cor bege e muros altos, tirei uma alça da mochila de meu ombro e a puxei para frente, com a intensão de abrir um pequeno bolço frontal e pegar um pedaço de papel que havia ali. O olhei rapidamente e levantei a cabeça em direção à mansão, os números e o nome da rua se batiam: 36, rua Gardien.
Faltavam alguns passos para que eu me aproximasse do porteiro e pedisse a permissão para entrar na mansão dos Wollermi. Já estava exausto, está caminhada até aqui foi longa. Perdi as contas depois da quinta quadra.
Aproximei-me da pequena cabine onde o porteiro se encontrava e perguntei:
—Olá, o Kyle está?
—Você é?—Indagou o porteiro.
—Mike. Mike Dalery.
Com rapidez, ele pegou o telefone e interfonou para a casa no intuito de confirmar se eu poderia entrar ou não. Após uma pequena conversa, ele apertou o botão que havia ao lado do telefone. Um estalo elétrico se deu, e a passagem para chegar até a casa estava liberada.
Passei pelo belo portão ornamental e logo reparei que Kyle estava parado na frente da casa, de um jeito que eu nunca o vira antes. Vestia roupas simples, shorts, camisa e chinelo. Os Wollermi não eram nada modestos, Kyle é o mais tranquilo deles, digamos assim. Tudo bem que ele quando vai sair gosta de andar todo playboyzinho, não esconde de ninguém que é rico. Mas ele não é um garoto escroto de nariz em pé, por incrível que pareça. O único defeito dele é se achar o gostosão, fora isso ele até que é legal.
Quando me aproximei do primeiro degrau que ligava a porta principal, Kyle os desceu como um louco e parou na minha frente com os braços abertos.
—Você está esperando um abraço?—Perguntei debochadamente.
—Qual é, cara. Da um abraço aqui no seu parceiro!—Disse com um sorriso imenso no rosto.
Esse é Kyle, o garoto que só tem cara e estilo de gente ignorante.
O cumprimentei com um abraço e ele em resposta me deu um abraço de urso.
—Não precisa me sufocar, Kyle!—Alertei.
—Desculpe.—murmurou—Vamos entrar?—aconselhou enquanto caminhava de volta para a casa—Quero saber o motivo de seu sumiço, moço.
O acompanhei com meus passos lentos, entramos em um pequeno hall de entrada onde era separado por apenas uma pequena parede de lajotas, onde havia uma bancada de madeira e um espelho. Passando pelo hall, já se dava para ver como era a estrutura interna da casa. Pintada de um laranja claro, a casa dava um ar de eterna paz.
—Venha, Mike.—disse Kyle enquanto subia a escada de madeira maciça—Chega de admirar a bela casa que meus pais construíram. É apenas uma casa.
—Desde quando uma casa tem tantas escadas como a sua?—Disse, me referindo a alguns degraus que avistei, indo em direção a algo mais a baixo.
—Lá em baixo fica a piscina, o jardim... A área do sossego—ele viu minha cara de desentendido e completou—, foi como eu a apelidei.
Concordei com a cabeça e o segui. A escada dava a um mezanino, onde tinha uma sala de TV. Andando mais um pouco e passando por um corredor com três portas, no qual a primeira do lado direito é a do quarto de Kyle.
Diferente de mim, Kyle mantinha seu quarto bem arrumado. Uma das paredes do cômodo era cheia de pôster, tanto de bandas quanto de filmes.
—Não sabia que você gostava de Queen —Comentei, enquanto olhava o design do quarto.
—Como não gostar?—Rebateu—Enfim, melhor mudarmos de assunto se não me empolgo... Que sumiço foi esse, moço? Eu e Jenny estávamos muito preocupados com você. Aliás, Jenny nem deve estar mais tão preocupada assim...
—O que você quer dizer com isso?
—Ela arranjou um novato lá para andar para cima e para baixo. Nem olha mais na minha cara direito... Ela não é mais a Jennifer que eu conhecia.
—Nossa, ela mudou tanto assim?
—Sim...—disse desanimado—Quando você voltar para o colégio verá o quanto ela está diferente.
Colégio... Terei muito o que inventar quando voltar. Se é que voltarei, acho que os Birk não aprovariam essa minha decisão. Muito ariscado, há muitas pessoas que eu nem conheço direito por lá. Apenas as vejo... Vai que uma delas é um demônio, vampiro ou até um lobisomem.
—Bom, vamos ao que interessa. O que te traz aqui? Você nunca veio aqui e agora do nada resolveu vir.
—Então... Sorte de eu ter achado o papel onde você tinha anotado seu endereço. Eu vim até aqui, pois... Como eu posso te contar isso sem você me chamar de louco?—Perguntei mais para mim mesmo do que a ele.
Ele arqueou as sobrancelhas, olhou para os lados e sentou em sua cama. Enquanto eu ainda procurava meios de dizer que sou filho de Anjo e Demônio, e que tudo que vemos em filmes de fantasia sobrenatural existe.
—Er...—As palavras simplesmente sumiram de minha cabeça, nada saia. Era como se eu estivesse tentando escrever uma redação em uma aula que durasse um minuto.
—Fala, Mike. Desembucha logo—Encorajou.
—Eu sou adotado, meus pais biológicos são seres de outros planos... Como por exemplo... Anjos e Demônios...—Se ele pegar o celular e ligar para o hospício, eu irei achar normal da parte dele em querer me ajudar.
Ele ficou parado, não esboçou nenhuma reação. Só ficou me olhando com a mesma cara de peixe morto dele.
Fala alguma coisa, Kyle! Pensei.
—Você tem que parar de ver Sobrenatural, isso está te afetando. Sério. – Finalmente disse.
Sabia que ele não iria acreditar.
—Eu sei que é loucura, mas é a pura verdade. Meu pai e eu fomos atacados por um demônio semana passada!
—Atacados por um demônio? Por favor.—Debochou
Vai ser difícil...
—Acredite em mim, cara. Eu estou falando sério. Algumas horas atrás eu voltei para minha casa, pra pegar meus pertences. E ela estava toda revirada! Na hora de ir embora, fui atacado por um lobo. Mas não um lobo qualquer, um lobisomem!
—De Sobrenatural você foi para Crepúsculo? Já chega, Mike. Vá para sua casa, tome um banho e relaxe—Disse enquanto se levantava e ia em direção a seu Xbox 360.
—Como você quer que eu relaxe sendo que meu pai, provavelmente, possa estar morto!—Confessei.
Ele se virou de volta para mim e viu o desespero em meus olhos. Por um momento pensei que ele iria me xingar e me mandar em bora por estar delirando demais. Porém, ele se espantou com o eu havia dito.
—Agora sua loucura foi para um lado sério... Mike é verdade isso que você esta dizendo?
—Infelizmente, sim...
—Quero provas.
—Agora?
Rapidamente, ele pegou as chaves do carro e a carteira em cima da cômoda e partiu rumo à garagem.
Refizemos o mesmo trajeto, só que dessa vez nós descemos a tal escada que eu havia reparado há alguns minutos atrás. O jardim era lindo, com muitas rosas, orquídeas... Todas bem cuidadas. Sem falar na piscina, que era enorme!
—Por aqui—disse enquanto abria uma porta de metal e a atravessava.
—Qual desses é o seu carro?—Comentei ao mesmo tempo em que olhava aquela enorme garagem com seis carros.
Ele não me deu ouvidos, somente caminhou até seu Camaro zl1 SS 2012 de cor branca.
—Bumblebee, esse é Mike. Mike, esse é Bumblee—ironizou.
—O que você está insinuando?—Perguntei.
—Já que demônios existem, então os Transformers também existem—explicou, apoiando o braço no teto do veiculo.
—Deu para ser comediante agora?—Caçoei.
Ele deu um sorrisinho e destrancou o carro. Entrei e puxei o cinto de segurança.
—Mas já? Eu nem liguei o carro ainda—falou surpreso.
—Precaução. Não sei como você dirige.
Ele revirou os olhos e encaixou a chave na ignição e deu a partida.
—Lá vamos nós—disse sorridente.
—Falta vinte minutos para fechar o necrotério!—Avisei.
—Calma, cara. Chegamos—Ele disse enquanto estacionava o carro.
Desci rapidamente e adentrei ao estabelecimento. O lugar estava vazio, só havia um homem gordo e careca de cara amarrada sentado atrás de uma mesa retangular. Aquele lugar me dava arrepios, tem uma aparência gélida... Como em um cemitério de noite.
—Posso ajuda-los?—Perguntou o homem.
—Sim—Kyle iniciou a conversa—, nós somos estudantes de medicina e o doutor Kelvan ia mostrar o corpo de Adam Dalery para o nosso trabalho. Nós havíamos ligado com antecedência...
—Desculpa, mas esse seu joguinho não cola. Não tem nenhum Dr. Kelvan aqui, garoto. E você deve estar no colegial ainda—resmungou o homem.
Kyle me olhou com fúria nos olhos. Neste momento ele queria era voar no pescoço do careca. Olhei para o homem e ele retribuiu o olhar com desdém, um cara como esses deve odiar o trabalho que tem. Só fica aqui para garantir a grana da comida e da cerveja. Acho que ele ficariacontente em receber uma gorjeta... Sendo assim, não pensei duas vezes, meti a mão no bolso da frente do short de Kyle e puxei sua carteira. Ele lutou para consegui-la de volta, mas eu já havia aberto e pego algumas notas e as dei ao homem.
O gorducho tirou a mão do pacote de Doritos e pegou as notas, nos olhou com um olhar relutante e em seguida se levantou e disse:
—Venham comigo.
Quando fui seguir o careca, Kyle me puxou pelo ombro.
—Quem te deu permissão? Trabalhei duro pra conseguir o dinheiro!—Reclamou.
—Você recebe mesada que eu sei! Agora vamos.
Virei às costas e voltei ao meu percurso, mas consegui ouvir os resmungos de Kyle.
—É difícil ganhar mesada do durão do meu pai...—reclamou baixinho.
Atravessamos um corredor escuro, onde as luzes se acendiam automaticamente com sensores. Demorei um pouquinho pra me acostumar, pois levei alguns sustos com o efeito.
Paramos em frente a uma porta dupla onde se é utilizada dobradiças vai e vem. Entrando na sala, a temperatura dava uma diminuída. Fazendo com que saísse um pouco de fumaça de minha boca enquanto eu expirava. O cheiro de formol no recinto era um pouco acentuado, o que resultou em uma pequena dor de cabeça.
O homem parou em frente a um de muitos corpos que haviam por la e, em seguida, levantou calmamente o lençol branco que cobria o cadáver posto em cima de uma mesa prateada.
—Aqui está o Adam Daléri—disse-nos o careca.
Escutei Kyle do meu lado segurando a ânsia de vômito ao ver o corpo tremendamente pálido.
—Esse não é meu pa... – pensei bem antes de falar, limpei minha garganta e continuei—Este não é o corpo de Adam Dalery. Que se escreve com “L”, “A” e “Y” no final.
—Então...—ele pegou uma pasta que já havia em suas mãos, a folheou e informou—Desculpem, mas não existe registro qualquer em nome de Adam Dalery.
—Você deu meu dinheiro atoa!—Kyle sussurrou em meu ouvido.
O gorducho nos encarou de um jeito estranho, mas mesmo assim nos acompanhou até a assistência. Onde era seu lugar.
Enquanto eu e Kyle íamos de encontro à porta da saída, a TV de cor preta que estava presa a um aparador na parede passava o jornal local, informando a prisão de pai e filho. Suspeitos de terem ateado fogo em uma casa de esquina; entre a quinta e sexta rua do bairro Hick.
Era os Birk, eles foram mesmo pegos pela polícia. E agora, como eles podem provar a inocência deles? É um pouco constrangedor dizer a uma pessoa que você tentou matar um lobisomem explodindo uma casa que não é sua.
Vou lá ajuda-los ou não? Penso.
Se eu for lá, faço o que? Como poderei inocentá-los? No momento eu não estou com cabeça para isso, tudo tem seu tempo. E agora eu preciso saber do paradeiro de meu pai, possivelmente eu tentarei tira-los de lá à noite com a ajuda de Kyle.
—Mike, me explica isso direito. Seu pai está aonde, de verdade?
—Não sei Kyle. Depois de ver que, no único necrotério da cidade ele não está. E que você não ficou sabendo pelos jornais sobre um homem morto na avenida principal... Eu não sei mais o que pensar.
Kyle dirigia o carro de volta para a casa. A rua estava pouco movimentada, assim ele dirigia mais calmamente.
—Isso não foi tudo um sonho?—Ele tornou a fazer perguntas
—Claro que não! Quer uma evidência de que tudo é real? Passe na minha casa, eu te passo o endereço agora.
Ele parou no sinaleiro lentamente e me olhou com seus olhos castanhos claros, seu olhar era de preocupação. Pena de mim. Olhando para o sinaleiro e analisando o volante enquanto evitava dizer algo... Aquilo estava me deixando aflito.
—Tudo bem...—disse.
—Ok, vire na próxima direita.
Ele concordou com um aceno de cabeça. Após a luz verde se acender, ele continuou o trajeto.
Distraidamente, olhei pelo retrovisor da porta do carona, e vi as luzes dos postes de iluminação se apagar. Na verdade, não eram somente eles que se apagavam, as lojas e algumas casas se escureciam de repente também.
Assustado, cutuquei Kyle pelo ombro e o aconselhei a ir um pouco mais rápido.
—O que foi dessa vez?
—Olhe pelo retrovisor. As luzes da cidade estão se apagando!
—E dai? Deve ser só um blackout que está dando. Já aconteceu isso em outras cidades, países. Isso é normal. Eu acho até melhor eu parar o carro. Dirigir na escuridão total não vai ser legal.
—NÃO FAÇA ISSO!—Gritei.
Mas mesmo assim, o teimoso estacionou o carro perto da Praça Irís. A principal da cidade.
A escuridão se aproximava lentamente, e o meu medo vinha junto. Não tenho os Birk para me ajudar agora, se bem que a delegacia da cidade fica a umas três quadras daqui. Talvez eu possa ir correndo até lá... Mas eu não sei o que pode ser esse blackout repentino. Se for algum demônio maior...
Pronto, tudo ficou escuro. Pisquei meus olhos ligeiramente para que eu conseguisse enxergar algo na escuridão imensa. E enquanto analisava o que havia fora do carro, percebi que tinha uma única loja com suas luzes acessas. Li o letreiro e nele dizia: Artigos Religiosos.
Sim, há algum demônio por aqui. Agora eu tenho certeza. Mas e agora? Saio do carro e o encaro? Não sei como combater um demônio... Deveria ter aprendido algumas coisas antes de me separar de Hector e Derek.
Olhei para Kyle enquanto ele se aconchegava no banco para tirar uma soneca.
—Idiota!—Dei um soco no ombro dele.
—Qual é a sua, Mike?—Perguntou furioso, apoiando a mão em seu ombro.
—Nos tire daqui a agora, isso não está legal. Tem um demônio muito forte por aqui.
—Chega disso, Mike! Cansei desse seu surto! Dessa sua historinha ridícula de que demônio existe!
Ele botou a mão rapidamente na ignição do carro e o ligou.
Fiquei quieto, aproveitei que nada de ruim estava acontecendo. Eu não devo meter Kyle nisso tudo, tudo bem, ele não acredita. Melhor assim, nada de ruim irá acontecer a ele e a família.
Passamos próximo a rua da delegacia, pensei em pedir a Kyle que parasse o carro. Mas ele estava realmente muito furioso comigo.
—Demônio... hum—pigarreou—, daqui a pouco vai falar que o Diabo está atrás de você—disse ele, mais para si mesmo do que para mim.
Respirei fundo e alguns segundo depois a traseira do carro foi levantada bruscamente, fazendo nos capotar. Com o reflexo, apoiei a mão no teto do carro para diminuir a batida de minha cabeça nele. Os vidros das janelas, e dos para-brisas estavam quebrados e o cheiro de gasolina vazando estava ficando forte.
—Kyle, você está bem?
—Um pouco...
Tiramos nossos cintos e saímos pelas janelas quebradas. Arrastei-me no asfalto frio e levantei todo dolorido. Olhei em volta para ver se via alguém ou até mesmo o próprio Vincent. Mas não tinha ninguém além de nós.
—Que diabos foi isso?—Perguntou Kyle enquanto passava a mão em sua testa sangrenta.
—Quer começar a acreditar em mim ou não?—Indaguei
Não esperei sua resposta, apenas comecei a caminhar em direção a delegacia que ficava depois daquela esquina que havíamos passado. Kyle me seguiu com o mesmo ritmo de passada que eu: passos longos e ligeiros. Andávamos lado a lado, com olhares desconfiados para a escuridão. Os faróis do carro conseguiam iluminar até a esquina. Daquela rua em diante o blackout tomava conta de tudo.
Olhei para Kyle na tentativa de tentar transmitir a minha ideia, por sorte e por costume de muitas vezes pensarmos igual, ele conseguiu entender meu olhar. As luzes dos faróis começaram a piscar e percebi que essa era a hora exata de botar a ideia em prática.
Saímos correndo como se não houvesse amanhã em direção à delegacia. A ideia, a principio, parece idiota. Mas os Birk são minha única salvação neste momento. Comecei a ouvir uns grunhidos e pisadas muito fortes no chão, algo estava correndo atrás de nós. Não pestanejei a olhar para atrás, apenas corri como criança corre quando quer ganhar de algum amigo na brincadeira.
Faltava pouco para nos aproximarmos do estabelecimento, foi ai que Kyle começou a pedir socorro aos berros. Torci para que algum policial abrisse a porta para nós, mas não tivemos resposta. Aproximei-me da porta principal feita de madeira e comecei a soca-la. Kyle me empurrou da frente da porta e a chutou, mas ela não quebrou. Ele chutou novamente e ela só fez um grande racho no meio. Lembrei de que eu estava com a arma que meu pai havia me dado, mas lembrei-me tarde de mais. Foi quando o demônio enorme feito de insetos aproximou de nós e deu um soco na estrutura de madeira da delegacia com nós juntos.
Voamos para dentro do local, os policial desesperados começaram a atirar no demônio. Alguns nos cercaram e apontaram suas armas para nossas caras, mas eles realmente não sabiam se atiravam desesperadamente para o mostro ou fizesse perguntas a nós.
Aproveitei a deixa e empurrei alguns deles e corri em direção as celas. Os bandidos que estavam por lá estavam com o desespero em seus rostos. Gritavam por ajuda, jogavam pratos e copos de metal nas celas vizinhas... Enquanto me desviava e gritava mais alto que eles o nome de Hector e Derek, Kyle vinha atrás de mim com uma arma na mão. Olhei de relance para ele e continuei a procura, parei quando senti uma mão me segurando pelo braço fortemente.
—Bom te ver de volta, garoto—disse Hector com um pequeno sorriso no rosto.
—Nos tira logo daqui!—Gritou Derek atrás dele.
Peguei minha arma e apontei em direção a fechadura de ferro. Dei dois tiros e logo em seguida Hector abriu a grade. Os dois e mais alguns delinquentes que estavam na mesma cela estavam libertos.
Os tiros foram ficando abafados e o grunhido que o demônio transmitia ia ficando mais perto.
—O que esta havendo?—Perguntou Hector.
—Uma espécie de demônio está aqui.
—De que espécie ele é?
De repente a parede é quebrada e alguns policiais voam para o corredor da cela onde estamos, logo atrás vem o demônio.
—Isso responde sua pergunta?—Disse Kyle.
—É um demônio Spectrum. Eles são capazes de usar várias formas de vida na terra para criar o seu corpo. Como por exemplo, agora, usou vários tipos de insetos.
O Spectrum não nos deixou ter a conversa direito, veio correndo em nossa direção como se fossemos pinos de boliche. Não havia para onde correr, mas pelo visto Kyle teve a ideia de nos empurrar de volta a cela. Fazendo com que o demônio passasse direto por nós, e foi o que aconteceu. Ele atravessou a parede, entrando em uma casa que havia logo ali do lado.
Saímos novamente da cela e lá estava ele, parecia estar bufando de raiva. Novamente, veio ele correndo para cima de nós. Dessa vez nós tivemos para onde correr. Corremos de volta para a recepção da delegacia. Chagando lá, havia vários policiais mortos. Sangue jorrado para todos os lados.
—Derek pegue nossas coisas atrás desse balcão. Deve estar dentro de uma dessas portinhas—mandou Hector.
—Como vamos matar isso?—Perguntei
—Queimando seu corpo. É a única solução no momento, exorcizá-lo está fora de cogitação.
Derek saiu de trás do balcão com a sacola posta no ombro. Andou em direção ao pai e a entregou. Hector começou a revira-la, e neste exato momento o demônio apareceu novamente.
—E lá vamos nós de novo—Disse Derek com seu tom sarcasmo.
Hector jogou uma arma para ele distrair o monstro enquanto ele procurava algo na sacola.
O braço do Spectrum passou zunindo em cima de minha cabeça. Derek deu uma cambalhota para desviar do outro braço do demônio e em seguida começou a atirar nele. Os insetos caiam mortos no chão a cada bala que os atingia. Mas parecia que não adiantava muito, é como se estivessem se reproduzindo. Matava um, já aparecia outro no lugar.
Nossa briga só estava funcionando para distrair mesmo. Kyle não sabia o que fazia, se tentava proteger Hector de algum movimento do demônio ou tentava proteger a ele mesmo que estava boquiaberto.
—Achei!—Gritou Hector.
Ele apoiou em seu joelho direito, em uma mão havia uma garrafa de vidro com um lenço amarrado na boca do objeto. E na outra mão, um isqueiro.
Eu e Derek corremos para fora da delegacia, Hector deu alguns passos de costas e Kyle correu junto com nós. Olhei para trás e vi que Hector já havia lançado a garrafa no demônio. A garrafa estourou em seu corpo, o fogo se alastrou por todo ele. O grunhido agora era alto, parecia que ele sentia dor... Isso é possível? Demônio sentir dor? Pensei.
Minutos depois os insetos que compunham o corpo do Spectroum estavam mortos. Todos queimados no chão.
—Mais uma missão cumprida—Respirou Hector aliviado.
As luzes da cidade estavam todas as acesas, mas não adiantava muita coisa mais. O dia estava amanhecendo.
—Quem é esse novato ai?—Perguntou Derek se referindo a Kyle.
—É o meu melhor amigo...—Disse.
—E...—Derek começou a bater o pé no chão impaciente—Não estou afim de aturar outro como você não!
—Não tem mais volta, ele entrou na guerra—Falou Hector.
—Guerra?—Indagou Kyle.
—Amanhã eu te conto.
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