Dark Heart

4 Bicicleta Evoluída


Notas iniciais
"A inteligência é feita por um terço de instinto - um terço de memória - e o último terço de vontade."

Acordei com o despertador, hoje não iria chegar atrasada. Arrumei-me calmamente, tomei banho, coloquei meu macacão jeans preferido, amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo, calcei meu All star e desci para o café da manhã.

— Bom dia, Am!

— Bom dia, Vô!- falei dando-lhe um beijo no rosto.

Sentamos a mesa e me servi de suco de laranja fresquinho com um sanduíche de queijo.

—Amber você já deve estar sabendo o que aconteceu com aquela jovem aqui em nossa estrada.

— Sim vovô, foi lamentável.

— Estive pensando, não quero mais que ande sozinha nessa estrada, pelo menos até encontrarem o assassino. É muito perigoso.

— Não gaste sua cabeça com isso, tenho certeza que foi um caso isolado. Quais as probabilidades que aconteça isso de novo nesse mesmo trecho? Não precisa se preocupar.

— Não vou arriscar minhas chances.

— Só falta dizer que vai me levar de mãos dadas até a porta da escola — falei rindo, mas ele não achou graça.

— Se fosse preciso eu iria, mas estava conversando com o Sr. Sharper e descobri que o filho dele estuda na mesma escola que você. Então, eu pedi que lhe desse uma carona.

— Como pode fazer isso? Eu nem conheço ele.

— Isso não está em discussão mocinha, dê um pouco de sossego ao coração desse pobre velho.

Considerei que, vovô já tinha passado por tanta coisa, se eu tinha o poder de lhe dar uma preocupação a menos, então faria isso.

— Tudo bem, tudo bem- disse.

O propósito da carona seria apenas para que não ficasse imaginado que o pior aconteceria comigo, eu concordei, mas isso não quer dizer que precise de fato pegar a carona. Não consigo explicar, mas meus instintos me dizem para ficar longe de Dylan, sempre confiei neles e pretendo continuar fazendo isso.

Após terminar de comer, fui ao meu quarto pegar minha mochila para ir para escola. Já que iria andando tinha que me apressar, se fosse de bicicleta minha mentira ia por água a baixo.

— Tchau Vovô, vou passar na fazenda dos Sharper para pegar o meu moto táxi.

—Seja legal com ele.

— Eu sempre sou legal.

Fui andando pela estradinha, tinha acabado de passar pela fazendo vizinha, e é claro que havia um barulho de moto logo atrás de mim. Revirei os olhos.

— Está fugindo de mim?

— Eu estaria que estar presa de alguma forma a você para estar fugindo, o que não é o caso, então não estou fugindo.

— Seu avô pediu que lhe desse uma carona, se não quer, não sou eu que vou ficar insistindo.

— Ótimo.

—Ótimo.

Dylan acelerou a moto e sumiu de vista. Caminhei para a escola e notei que agora tinha uma cruz no lugar onde a moça foi encontrada, passei direto, não queria relembrar aquele sonho terrível. Como previsto cheguei sem problemas na escola, mas quando cheguei fiquei arrasada ao saber que Kian não estava em seu lugar habitual. Resolvi mandar mensagem para saber se estava tudo bem.

Amber: Kd você?

Kian: Não pude ir hoje, fui resolver uns assuntos com o papai na cidade. Mas estarei a noite para irmos ao parque :D

Amber: Seu cretino, não acredito que me deixou sozinha nessa escola.

Kian: Desculpa, vou compensar a noite. Prometo comprar um algodão doce bem grande, sorvete, pipoca, refrigerante, churros, batata frita e o que mais vc quiser.

Amber: Acho bom mesmo :(

Kian: Até a noite.Bjs

Amber: _|_

Assisti à aula como de costume, só que agora sentada sozinha, sem meu companheiro. Estava ciente de Dylan sentado atrás de mim e até me senti um pouco mau por deixá-lo sozinho nessa escola de urubus, mas foi um sentimento momentâneo. O dia passou dolorosamente mais devagar sem o Kian comigo. O relógio parecia congelado, os ponteiros quebrados, cheguei a pensar que tinham tirado todas as baterias. Porém, sabia que o problema não era externo e sim comigo. ARGH!!

Finalmente a aula tinha chegado ao fim era 18:00h, tinha marcado de ele me buscar as 19:00h, mas seu eu fosse andando não daria tempo nem de pelo menos tomar um banho, então resolvi engolir meu orgulho e aceitar a carona do Dylan, por isso fui procurá-lo no estacionamento.

— Pensei bastante e acho que estou pronta para aquela carona agora.

Dylan já estava com a moto ligada quando o abordei.

— O que a fez mudar de ideia?

— Com certeza foi seu charme garanhão.

Ele acelerou a moto pronto para partir e me deixar falando sozinha.

— Tá, espera. Só preciso chegar cedo em casa hoje. Tenho um compromisso.

— Que compromisso?

— Isso não lhe diz respeito, você é muito curioso.

— Respondeu minha primeira pergunta.É um bom começo, tudo bem pode subir.

Ele me entregou o capacete que ficava preso na garupa e eu subi na moto, segurei na parte de trás da moto.

— Pode colocar a mão na minha cintura, eu não mordo, pelo menos não sem consentimento — falou rindo e acelerou.

Não ia me segurar nele, mas a velocidade da moto estava tão grande que não tive outra opção. Chegamos à fazenda no que me pareceu um piscar de olhos. A paisagem era somente um borrão. Adorei a adrenalina que a velocidade trouxe, sentia como se estivesse em uma bicicleta evoluída. Porém, não podia dar motivos para sermos amigos e ignorar meus instintos tão descaradamente, por isso, desci da moto e tirei o capacete lhe entregando bruscamente.

— Tava querendo nos matar?

— Sem drama, achei que queria chegar em casa cedo.

— Queria chegar em casa cedo e não na terra dos mortos.

— Você chegou viva em casa, do que está reclamando? A propósito de nada.

— Obrigada por não ter me matado.

Saí a passos largos e assim que virei de costa não consegui conter o sorriso, tinha amado andar de moto. Com certeza teria que repetir a dose de algum jeito. Entrei em casa e fui correndo para o banheiro, tomei banho, vesti minha calça jeans, uma camiseta básica e minhas botas pretas de cano alto. Resolvi soltar meus cabelos ruivos para respirarem um pouco. Ouvi uma buzina, 19:00 h, pontual como sempre.

Notas finais
O que gostaria de dizer ao escritor depois de ler este capítulo?