Dark Days
7 Sweet Disposition
Notas iniciais
Seria um absurdo se eu não constatasse nessa narração, o fato que os três contavam piadas para deixar de lado o nervosismo do que estavam fazendo. É preciso bem mais do que curiosidade para tomar uma decisão de tamanha importância, é preciso mais do que coragem. Tomaram tal decisão por amor aos amigos.
Os quatro estavam de cabeça cheia de tanto andarem em círculos.
– Me dá logo esse mapa! Você não sabe ler. – Disse Carol.
– Não fale asneiras, só os homens tem esse dom. – Debochou Edu.
E depois de um tempo analisando o mapa feito por Desire e Luis, Edu entregou-o para Carol.
– Finalmente fez algo certo. – Riu Carol – Estamos totalmente fora do caminho, o dormitório das faxineiras é pra oeste e veja, estávamos caminhando pro sul.
– Você não acha que devíamos parar para descansar?
– Adri, acho uma boa ideia, afinal: se procurarmos o lugar hoje, ficaremos mais cansados e tão perdidos que chegaremos tarde. O jeito é descansar agora e aproveitar a tarde de amanhã pra compreender o mapa e traçar caminho. Todos concordam?
– Eu até concordaria, se fosse sobre um teto. É muito inseguro dormir no pátio, se um professor resolver ir ao banheiro, estamos ferrados.
– É, devo concordar com a Wonka. — Falava Edu, que pegou o mapa das mãos de Carol.
– Certo. O dormitório mais próximo do lugar onde devemos ir é pertinho da biblioteca.
Ficaram quietos, mas sabiam que não duraria muito tempo. A falta de comunicação entre eles era um milagre, pois se entendiam muito bem. Alguém puxou The Call, e aquele foi o divertimento da caminhada. Uma pessoa cantava e as outras faziam coro e até riam.
Demoraram menos do que quinze minutos para chegarem no prédio. Estava vazio, portas e janelas abertas. E quanto mais se adentravam, mais escuro ficava.
– O dormitório é na porta 16, devemos andar até o final desse corredor, depois dobramos pra esquerda, daí andamos até o final de novo, dobramos pra direita, depois pra esquerda, depois pra direita, então andamos mais um pouco, passamos pela academia, subimos pela escada até o quinto andar, então viramos pra esquerda e de novo pra esquerda, e depois caminhamos até o final do corredor. Se fizermos isso, enfim chegaremos ao dormitório das faxineiras.
– Drika, por obséquio, como você sabe disso?
– Uma vez aconteceu uma gincana narniana de final de ano no colégio e a prova final era encontrar onde estava o arco e flechas de Susana, adivinhem? Estava escondido no dormitório 16.
– Nossa. – Respondeu Wonka, assustada. – Queria ter uma memória tão boa quanto a sua.
– Você pode repetir? – Perguntou Edu – Seria mais seguro se eu anotasse todas as informações.
[...]
Alanys estava na cozinha com Emanoelle e Angel, que tinham finalmente tinha terminado a janta. As garotas pegaram pratos descartáveis, copos e talheres. Colocaram a “comida” em uma bandeja e subiram as escadas até a recepção.
– Quem quer jantar?
– Hoje tem sanduíche de cheddar com presunto, e de sobremesa: barrinha de cereal com maçã e banana picadas e suco natural de abacaxi.
– Eca, que nojo. Não poderiam preparar algo melhor, não? – Era Rodrigo o autor da pergunta.
– Dá próxima vez você faz, oh grande Rodrigo. – Jade se meteu.
– Gente! — berrou Luis, que tinha acabado de sair do banheiro (que era no final do corredor) e encarava o sofá grande e cheio de bolinhas coloridas – Gente, é a Raissa!
Alanys correu pra ajudar. Pegaram Raissa pelos braços e colocaram-na perto da fogueira.
– Ela está tremendo de frio, tragam já um cobertor! – Gritou Alanys.
– Ok rainha Lanys. – Disse Millena, que corria pra pegar o cobertor.
– Mais uma desmaiada. O que tá acontecendo com essas meninas? – Disse Rodrigo, debochando novamente.
– Tá acontecendo que você podia ficar quieto e evitar uma explosão nuclear, toda vez que abre essa boca. – Cortou Thayná.
– Nossa, essa doeu em mim. – Ria Luis.
– Gente, ela tá acordando. – Emanoelle percebeu.
Raissa abria os olhos vagarosamente, suas bochechas voltaram a ficar rosadas e sua boca parecia se mexer, como se mastigasse algo.
– Oi Lanys, que bom que eu encontrei você. – Ela disse com dificuldade.
– Rai, Eu estava tão preocupada! – Lanys a abraçou.
– Rai, como nos encontrou?
– Como chegou até aqui?
– Você está melhor?
– Como deixaram você sair do dormitório?
– O que você teve que fazer pra sair?
– Você está com alguma lâmpada?
Perguntaram juntos.
– Ah gente! Preciso de um tempo pra organizar as ideias, perguntem de novo, mas agora um de cada vez.
– Rai, como você nos encontrou? – Angela perguntou.
– Espera, é melhor eu contar tudo de uma vez só. – Raissa respirou fundo — Eu estava deitada na maca da enfermaria, ouvia histórias sobre como meu cabelo era bonito, quando a luz apagou. A freira que cuidava de mim ficou tão assustada que saiu correndo e me deixou lá, morrendo de dor de cabeça. Levantei aos poucos e enxerguei meu celular, mesmo sabendo que a luz voltaria logo, eu caminhei pro meu dormitório e peguei a lanterna reserva. Desde então, caminhei de lá pra cá. Os corredores são assombrosos, assim como o pátio, fez frio, é escuro, é muito escuro, é tipo o quarto escuro, só que dá mais medo. Se você olhar bem no fundo da escuridão, parece que está sendo observando e manipulado por alguma coisa que é maior que você. Passaram-se horas e a esperança que eu tive de que a luz voltasse, tinha passado. Era só eu e meus fones de ouvido, e eu não sei de onde tirei forças pra manter meu corpo aquecido e chegar até aqui, eu só lembro que vi uma luz e fui caminhando até encontra-la. Quando percebi que eram vocês, que estavam há mais ou menos 15 metros de mim, me atirei no sofá mais próximo, por que sabia que se meu corpo não iria aguentar mais nenhum passo. Eu acho que o que me deu disposição pra chegar até aqui, foi o pensamento que eu nunca ouviria a voz de vocês, viveria com vocês ou veria o sorriso de vocês.
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