Dark Awareness

2 Capítulo 2 – O Despertar


Eu estava sonhando, tinha certeza disso, estava em pé em um balcão de madeira segurando uma espada muito pesada, era a espada que eu havia imaginado, lâmina de Titânio Negra com cabo de Magma Sólido e detalhes em prata, no meio do cabo havia um símbolo que eu não sei descrever, era algo bem esquisito. Mesmo em sonho eu sentia a espada pesando, eu mal conseguia segurá-la muito menos levanta-la, e menos ainda... Lutar com ela. Mas quem luta com espadas hoje em dia? Por que eu fui criar algo tão inútil? Eu larguei a espada que caiu como uma pedra e quebrou o chão de madeira me levando junto, eu estava flutuando na escuridão com a espada caindo junto ao meu lado, e com uma sensação esquisita, eu me sentia... Incompleto... Eu fecho os olhos, e quando abro... Percebo que estou deitado em uma cama, é eu acordei.

O quarto é muito bonito, tem uns quadros na parede, uma cortina branca na janela, um tapete no centro, dois armários, duas camas, a cama próxima a minha estava arrumada, será que alguém dormiu ali aquela noite? Levanto-me e percebo que minhas roupas continuam úmidas por causa da chuva de ontem, e sujas também, caminho em direção a porta até que alguém a abre antes de mim.

- Ah, você já acordou... Como está se sentindo? – Era Kytsuro, ele parecia um pouco cansado, será que ele não conseguiu dormir?

- Sim, estou bem, onde é o banheiro? – Por mais educado que eu queria ser eu estava apertado.

- Você está encharcado, vou te dar algumas roupas limpas, porque não aproveita e toma um banho? O banheiro é logo no final do corredor, mas bata na porta antes, porque a vovó Mirtes não tem o costume de trancá-la.

Ugh, com certeza não gostaria de ver essa cena, Balancei a cabeça como um sinal de agradecimento à Kytsuro e segui em frente ao corredor, ele entrou no meu quarto, provavelmente atrás das roupas.

Entrei no banheiro me esquecendo de bater na porta, não tinha ninguém nele, ainda bem... Tranquei a porta e comecei a me despir, fiquei imaginando em toda aquela história, como era mesmo o nome? Kotonaru... Eu sou um? Eu não me sinto nada diferente, se todos nessa casa são, quais são seus poderes? Pensando melhor, acho que vou fazer esse tal teste, afinal eu não tenho nada a perder, já perdi tudo que tinha, não tenho mais casa, minha mãe está desaparecida, se eu voltar pra escola irei morrer, quem sabe nesse teste eu ganhe algo? Seria legal ter superpoderes, ser forte, ou ser rápido, ou soltar lasers pelas pontas dos dedos, acabei me animando com a ideia, acabei o banho rapidamente e me enrolei na toalha, abrindo a porta vi algumas peças de roupas no chão, voltei ao banheiro e me troquei ali mesmo, todas as peças eram brancas e um pouco maiores que o meu número, estavam bem folgadas, o tênis eu coloquei o meu mesmo, um tênis azul desbotado e rasgado, é bem velho eu o uso desde os 12 anos de idade, ao contrário das outras crianças eu ganhava presentes de aniversário só a cada três anos, e parece que esse ano eu não vou ganhar nada... O que estou pensando? Estou mais preocupado com o meu aniversário do que com a minha mãe? Eu sou um inútil mesmo.

Saí do banheiro e desci as escadas, fui dar de cara com a sala que eu estava antes, Mirtes estava na sua cadeira de balanço, logo após que eu entrei ela disse:

- Feliz Aniversário Diego, está com fome? – Mirtes disse em um tom muito doce, mas como? Como ela sabia que era meu aniversário? Eu nunca havia falado para ninguém, somente minha mãe sabia.

- Obrigado... Erm... Vovó Mirtes... Mas como a senhora sabia?

Mirtes riu amigavelmente, e logo disse:

- Eu te disse meu jovem... Eu sei de muitas coisas, um dos meus poderes de Kotonaru é a vidência, eu tenho visão das coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão. Diego, você está pronto para ser um de nós?

- Surpreendente, sim eu aceito, por favor me mostre o caminho. – Isso me saiu naturalmente, e com total desconfiança, fiquei espantado com a facilidade de que isso saiu, até Mirtes pareceu surpresa.

- Muito bem – Mirtes se levantou e todas as janelas e portas se fecharam logo após, a névoa formada na sala estava mais densa que da outra vez, e ficava cada vez mais densa ainda até que uma hora eu não via mais nada. Senti minha cabeça leve, meus músculos relaxados, meu corpo não queria se mover, eu parecia estar em transe. Uma luz ao fundo brilhava bem em minha direção, ficava cada vez mais forte, eu senti uma dor imensa em meu peito, perdi o ar e desmaiei.

Eu estava flutuando no vazio, absolutamente nada ao meu redor, não sentia meu corpo, será que eu morri? Não... Acho que estou sonhando de novo, eu fecho os olhos e me concentro para tentar acordar, mas quando eu abro os olhos o cenário está diferente, estou em uma colina, a grama em meus pés descalços, o vento em meu cabelo, o sol em meu rosto, era um lugar agradável, repentinamente uma espada aparece em minha mão, era a mesma espada de antes, acho que posso chama-la de minha, tento balança-la no ar, ela está mais leve... Consegui com facilidade desferir um golpe, me virei e percebi que tinha alguém me observando, era uma garota, não sei se a conhecia, não reconheci, o cabelo dela estava tampando seus olhos, eram compridos e morenos, ela estava sorrindo, usava um vestido branco que balançava com o vento, era linda. Repentinamente o céu ficou escuro e um imenso vulto surgiu atrás dela, algo realmente grande, estava escuro, tudo que eu via era o vestido da garota contrastando, e os olhos do vulto, que estavam brilhando em um vermelho bem forte, parecendo sangue. Aquilo era aterrorizante, a coisa levantou o punho parecendo que ia esmagar a garota, que estranhamente não se movia. Fiquei desesperado e corri em direção a garota, foi tudo tão rápido que quando eu percebi eu já estava no chão, a coisa havia me empurrado com as costas da mão me arremessando longe dali, tentei me levantar mas minhas costas doíam muito, acho que deve ter fraturado algumas costelas, ergo a cabeça para tentar ver a menina, mas ela não está mais lá, somente o grande vulto negro com olhos cor-de-sangue brilhando em minha direção. Sinto minha pele formigando, estranhamente a dor estava sumindo aos poucos e logo em seguida consegui me levantar com facilidade, o que está acontecendo? Olhei novamente para o vulto e percebi que estava vindo em minha direção, quando consegui ver sua aparência estremeci totalmente, parecia ser um urso gigante de pelos negros com presas bem afiadas e garras pontudas, apesar de sua semelhança com um urso com certeza não era um, não podia ser um animal, era um monstro talvez? Viajando em meus pensamentos quase não percebi uma garra zunindo próximo ao meu rosto, por instinto desviei no último segundo, mas ela acabou raspando em meu braço, abrindo uma larga ferida que sangrava bastante. Tentei esquecer a dor para me concentrar no mostro, mas não foi necessário, a dor simplesmente sumiu, e ao olhar para o meu braço, não havia corte nenhum ali...

- O que está acontecendo aqui? – Pensei alto.

“Parece que você está descobrindo seus poderes... Muito bem...” Essa voz ecoou na minha cabeça, acho que foi o mostro que se comunicou por telepatia.

- Quem é você? Porque está me atacando?

Não obtive resposta, o monstro rugiu tão alto que pareceu que o vento havia mudado de direção. Lembrei-me que eu estava segurando uma espada, e ataquei o monstro, fingi que ia fincar a espada em sua barriga e quando ele ia bater com a mão bem em cima da minha cabeça para me esmagar eu me joguei de lado e desferi um golpe em sua cintura, a lâmina deslizou sem problema nenhum, parecia que eu estava cortando manteiga, ao me afastar, percebi que o monstro sangrava e urrava, parece que o corte foi bem fundo, ele caiu de joelhos e tudo ficou escuro, acordei ofegante na minha cama, me sentindo muito cansado, me sentindo... Diferente... Levantei e corri até a porta, abrindo-a uma pessoa que estava no corredor me viu e veio até mim, era o cara da barbicha... Seu nome... Jonathas? Ele parecia sério, disse:

— Parabéns babaca, Mirtes desmaiou por sua causa!

- Do que você está falando? O que aconteceu? Onde está Mirtes?

- No quarto dela, e é bom você não entrar lá porque ela precisa descansar, parece que o teste deu errado, consumiu muita energia dela, e aposto que você ainda não sabe qual o seu poder, se é que você tem um...

Que cara chato! Eu quis socar a cara dele mas acabei ficando com medo de apanhar, eu ia falar algo mas Kytsuro apareceu atrás de nós e disse:

- Jonathan pare com isso, você sabia quais eram as consequências, isso não é culpa de Diego, agora porque você não vai fazer suas tarefas?

- Que seja! Estou caindo fora. – Ele estava sendo bem mal educado.

- Diego, venha comer, a janta está pronta.

- Janta? Quanto tempo eu fiquei apagado?

- Bastante... Venha, você deve estar faminto.

Sim era verdade, não comi nada desde aqueles biscoitos, o que não foi uma refeição de verdade.

— Ah, quase ia me esquecendo. – Kytsuro puxou um papel do bolso e estendeu para mim. – Feliz Aniversário Diego. – E sorriu.

— Nossa... Obrigado, mas como você sabe?

— Ouvi vovó falando, eu não sabia o que fazer... Então espero que goste.

Desdobrei o pedaço de papel e quase não acreditei no que via, era um desenho do meu rosto, com cicatriz e tudo, estava perfeito!

— Caramba! Nossa Kytsuro não sabia que você desenhava tão bem.

— Ah... Não é nada... Obrigado... – Kytsuro coçou as costas da cabeça, parecia envergonhado. – Bom, vamos comer antes que esfrie.

— Certo. – Dobrei o papel e guardei no bolso, seguindo Kytsuro até a cozinha.

O cheiro estava ótimo, tinha strogonoff misto de carne e frango, batatas assadas, arroz, e brócolis. Ao contrário de muitas crianças e adolescentes por aí eu adoro brócolis, é o meu legume favorito.

Todos estavam sentados a mesa (Era bem grande, tinha até espaço sobrando, inclusive um deles o de Mirtes...) quem cozinhava era Marcos, era um cara bem alto, devia ter uns 1,85 metros, mas era bem magrelo, ele tinha o cabelo raspado, bem curto, olhos castanhos e uma cara de bobo-alegre, ele estava sempre sorrindo. Ele cozinhava muito bem, pois estava tudo muito bom. Demorei para perceber um outro garoto sentado no canto da mesa, deve ser o tal novato que estavam trazendo para cá. Repeti o prato três vezes, e mesmo assim consegui terminar antes de quase todos, provavelmente ficaram espantados comigo, mas fazia tempo que eu não comia algo tão bom assim, Marcos dava um sorriso ainda maior a cada prato meu, ele deve ter ficado bem feliz por eu ter gostado tanto da sua comida.

Fomos para a sala, Kytsuro ficou na cozinha lavando os pratos, na sala havia quatro poltronas de três lugares e uma de um único lugar, como ninguém sentou nela eu presumi que devia ser o lugar de Mirtes, na frente das poltronas havia uma televisão antiga, daquelas preto em branco, que não funcionava... Jonathan pegou um baralho e começou a jogar com Marcos, Alessandra começou a ler um livro, o garoto novo ficou sozinho olhando para o chão, eu me aproximei dele para conversar:

— Ahn... Oi, meu nome é Diego e o seu?

— Uhn... Rafael, você também tem poderes especiais? – O garoto parecia ser bem tímido.

Ele tinha os cabelos loiros e compridos até os ombros, olhos azuis e um furinho no queixo, o observando enquanto ele tinha se levantado eu estimei uns 1,70 metros de altura.

— Ahn... Eu não sei ainda... Não sei te explicar o que eu sinto... Desculpe, mas talvez eu seja... Diferente, também...

— Isso é só mais uma desculpa não é? Porque ninguém quer contar os seus poderes?

— Não, eu não menti... Eu entrei ontem, assim como você. Mas, os outros não estão querendo te contar os poderes deles?

— Não... Não sei por que, estou com tantas perguntas e ninguém responde nenhuma delas...

— Eu te digo o mesmo...

Kytsuro entrou na sala acompanhado de Mirtes, os outros pararam o que estavam fazendo e foram até ela.

— Estou bem meus amores, estou bem. – Mirtes sorria como se nada tivesse acontecido. – Deixem-me falar com Diego.

Eu levantei e fui até ela, com medo.

— Meu jovem, parece que nós obtemos progresso, ein? Parabéns você descobriu o seu poder.

— Descobri? O que aconteceu? O que era aquele urso? Qual o meu poder?

— Diego, pense um pouco... Lembre-se da sua batalha com o seu pesadelo.

Pesadelo? Por isso era um urso? Quando eu tinha 10 anos eu quase morri para um urso que havia fugido do zoológico, fui salvo por um funcionário.

Pensando mais sobre a luta, eu percebi que meus ferimentos saravam muito rápido, seria esse meu poder? Regeneração?

— Se o meu poder é a Regeneração por que eu ainda tenho essa cicatriz no rosto?

— Não sei te responder exatamente meu jovem, mas provavelmente é porque ela foi feita antes de você conseguir seus poderes.

Parece fazer sentido, mesmo vivendo em condições precárias eu nunca fiquei doente na minha vida, talvez regeneração seja mesmo o meu poder, devo ter ficado louco porque eu fui até a cozinha peguei uma faca e cortei a ponta do meu dedo, doeu muito, sangrou, mas poucos segundos depois o corte havia desaparecido, a dor também. Chequei os outros mas ninguém me olhava como se eu fosse maluco, eles estavam acostumados com poderes, e provavelmente devem ter testado os seus assim como eu fiz. Exceto, Rafael, que me olhava espantado sem acreditar no que estava vendo, ele se levantou e dirigiu-se a Mirtes:

- Senhora! Eu também quero poderes!

- Acalme-se meu jovem, sua hora vai chegar... Você tem que completar 16 anos primeiro.

- Por quê? Porque não posso ganhar meus poderes agora?

- A sua aura não atingiu o primeiro equilíbrio ainda, você ficaria louco se tentasse obter seus poderes agora.

- Isso é uma injustiça! – Rafael saiu correndo escada acima, e batendo a porta do quarto, que era o meu também.

- Kytsuro, chegou a sua vez meu filho. – Mirtes olhou para ele e depois se dirigiu para aquele quarto com a lareira, com ele logo atrás dela.

- Espero que o grandão ganhe algum poder útil, o seu só serve para você. – Jonathan disse isso sem sequer olhar para mim, eu estava ficando com muita raiva daquele cara.

- Jonathan... Pare de implicar com ele, o seu poder não é assim tão útil também não. – Marcos disse isso, apesar de estar sorrindo ele pareceu bem sério.

- Cale a boca! – Jonathan se retirou, subindo as escadas.

- Não ligue para ele Diego, o seu poder é bem legal. – Alessandra disse isso, me surpreendendo porque ela não havia conversado comigo desde que nos conhecemos, se é que podemos chamar aquilo de conversa.

- Puxa... Obrigado Alessandra, se me desculpem a pergunta, quais os poderes de vocês?

- O meu é do faro, posso sentir tudo a quilómetros, o que me ajuda na cozinha também. – Marcos disse sorrindo orgulhosamente.

- O meu é a da velocidade, posso ultrapassar um carro sem nem mesmo suar. – Alessandra sorriu.

- E o do Jonathan? – Talvez eu não devesse ter perguntado.

- Ah, ele não gosta de falar sobre isso, por isso não fale nada para ele está bem? O poder dele é de ficar invisível... Mas tem algumas limitações, pois as roupas dele não ficam invisíveis junto e ela dura pouco tempo, e ele não pode ficar invisível de noite, por isso não se preocupe ele não está nos observando agora. – Alessandra falou baixinho.

- Ué, mas porque não?

- Não sabemos, nem vovó Mirtes sabe. Ele simplesmente não consegue. – Marcos disse sorridente, a felicidade dele me assustava.

Foi quando repentinamente a porta abriu com um estrondo e um vento nos jogou do outro lado da sala. Olha através da porta escancarada e vi Kytsuro ajoelhado no chão, ofegante mal se aguentando, Mirtes estava sentada na cadeira de balanço, com uma cara séria, preocupada.

- O que aconteceu vovó Mirtes? – Alessandra praticamente se teletransportou para a porta, ela levantou e andou até lá tão rápido que demorei para percebei que ela havia sumido do chão.

- Parece que obtivemos um ótimo progresso... Mas infelizmente tenho uma má noticia. – Mirtes parecia muito preocupada. – Kytsuro obteu seus poderes... Dois de uma vez, mas são poderes maléficos... O primeiro é a Maldição de Hieros, ou seja, todos os ataques que ele receber, serão bloqueados e refletidos aos seus inimigos, o segundo é a Maldição da Morte, Kytsuro pode matar somente olhando para o ser vivo... Felizmente essa habilidade ainda não está muito desenvolvida, então a pessoa apenas desmaia quando olha em seus olhos. Eu confio muito nele, mas essas habilidades são muito perigosas, se os Kage-Kotonarus descobrirem dele com certeza vão tentar convertê-lo, e se não for possível, matá-lo.

- Não se preocupe vovó. – Kytsuro se levantou com dificuldade. – Eu com certeza não irei usar meus poderes para o mal, e se eu não conseguir derrotar os Kage-Kotonarus... Eu morrerei tentando, e levarei minhas maldições comigo. – Kytsuro estava ofegante, mal se aguentava em pé, mas ele foi caminhando até as escadas, e por fim entrando em seu quarto, todos o observando quietos, ninguém sabia o que falar.

- Não se preocupem meus jovens... Kytsuro é um bom menino... – Mirtes tentou parecer calma, mas ela estava muito preocupada.

- Bom... Estou indo dormir... Boa noite para vocês. – Alessandra disparou e sumiu escada acima.

- Estou indo também, Boa noite a todos. – Marcos fez uma reverência e caminhou sorridente escada acima.

- Diego... Me diga uma coisa... Quais foram os três itens que você criou na sala dos escolhidos? – Mirtes estava bem séria.

- Três? Mas eu criei apenas um! Que foi uma espada...

- Um? Espere um pouco, isso significa que você está incompleto, mas estando incompleto você não poderia obter seus poderes... O que será que aconteceu... – Mirtes ficou em silêncio, pensativa.

- Tem como eu voltar para lá?

- Acho que não meu filho... Essa sala só acontece uma única vez... Uma única chance, nunca soube de alguém que retornou para lá.

- Quer dizer que eu irei ficar incompleto para sempre?

- Não sei meu querido... Infelizmente você é o primeiro que está me fazendo muitas perguntas sem eu saber responder... Sinto muito.

- Tudo bem... Bom estou indo para cama, boa noite vovó Mirtes.

- Boa noite Diego. – Ela sorriu, se levantou e andou até o quarto ao lado, que presumi que deveria ser o dela.

Agora que ela havia tocado no assunto eu gostaria de saber onde está a minha espada... Ela simplesmente some e desaparece, espero que ela esteja em minhas mãos quando eu precisar dela. Subi a escada e virei no corredor, abrindo a porta percebi que Rafael já estava dormindo, tentei não fazer barulho e me deitei, dessa vez eu demorei em pegar no sono porque pensava em tudo que aconteceu hoje, mas por fim adormeci.

Sonhei que estava em uma colina, grama em meus pés, vento em meu rosto, sol na minha cara... Exatamente igual da última vez, porém eu estava sozinho, percebi que minha espada estava em mãos, cortei meu dedo para testar meus poderes... E funcionou, o corte sumiu em poucos segundos... Eu mal acreditava naquilo ainda, fui andando em direção ao vento, mas eu só via campos e mais campos de grama e flores e algumas árvores, as montanhas ao fundo, não se ouvia nenhum som... Andando mais um pouco encontrei uma casa de madeira, estava bem conservada e limpa por fora, abri a porta e entrei na casa, era bem simples, não havia muitas coisas na sala... Um sofá de dois lugares, duas estantes com livros, e dois vasos de flores, um vermelho e bonito e um amarelo e murcho. Ao me aproximar do vermelho eu me senti fraco, com um embrulho no estômago, como se eu estivesse apaixonado, ao me aproximar do vaso amarelo, senti medo e incompetência, me sentia incompleto... Como se me faltasse algo, subitamente a palavra “Coragem” apareceu em minha cabeça, entendi os vasos, eles representavam minhas emoções, a casa meu cérebro, os livros, meu conhecimento, fiquei frustrado por ver que minha coragem estava murcha, mas não entendi o vaso vermelho... Eu estava apaixonado? Por quem? Ou vi um raio do lado de fora e a chuva começou a cair, saí da casa e me deparei com o grande Urso negro novamente, dessa vez eu pensei no meu vaso e tomei confiança, segurei firme a minha espada e parti para cima do urso, com as duas garras ele tentou me esmagar mas eu me joguei para frente e cravei a espada em sua barriga, o urso me jogou para trás com a espada presa a ele, agora me deu medo, estava desarmado pronto para ser morto, o urso ficou nas quatro patas se preparando para saltar em mim, mas fazendo isso fez com que o chão empurrasse a espada mais fundo o fazendo soltar um urro de dor, porém poucos segundos depois ele pulou mesmo assim, me agachei e num ato de reflexo enquanto o urso passava por cima de mim eu agarrei o cabo da espada rasgando sua barriga, o urso caiu e ficou deitado por um tempo no chão, estava furioso e sangrava muito, ele se levantou e soltou um rugido muito forte, o vento provocado me empurrou no chão e me deixou tonto, ele então veio se aproximando lentamente, com as garras apontadas para mim, me levantei com dificuldade e andei um pouco para frente, bem a tempo de um raio acertar um árvore que caiu bem atrás de mim, no exato lugar que eu estava, o urso aproveitou a minha distração para pular em mim, eu pensei que ia morrer, mas espontaneamente ergui a espada bem a tempo de perfurar o olho dele, o urso desmaiou e caiu em cima de mim, me arrastando saí debaixo dele, eu senti que minha perna estava quebrada... Mas poucos segundos depois a dor sumiu e eu pude ficar de pé, baixinho pensei “Obrigado regeneração...”, O urso se levantou cambaleante, estava começando a me irritar, que coisa insistente, apesar de parecer um animal ele era um monstro (E talvez só fruto da minha imaginação), então sem dó pulei nele e dei o golpe final cravando a espada em sua garganta, o urso se desintegrou e uma névoa negra se dissipou no ar... Fazendo a chuva e os raios pararem... Uma coisa eu havia entendido, eu havia enfrentado meu pior medo com muita coragem, e o derrotado. Apesar de eu estar orgulhoso eu queria sair desse lugar (Que eu suponho que seja a minha mente), então caminhei de volta para a casa, entrando nela me espantei ao perceber que a flor amarela estava novinha em folha, não tão bonita quanto a vermelha e com menos pétalas também... Mas não estava mais murcha. Um flash atordoante me fez apagar, senti minha alma saindo do meu corpo.

Acordei com o sol batendo na minha cara, a janela e a cortina do quarto estavam abertas, Alessandra estava em pé próxima a minha cama e logo após que abri o olho ela disse:

- Até que enfim... Vamos, acorde dorminhoco, ou você vai perder o café da manhã. – Ela deu um leve sorriso no canto da boca.

- Puxa... Sinto muito, que horas são?

- Oito horas, o horário que o café é servido, é melhor você começar a acordar mais cedo para ter tempo de tomar banho e se arrumar.

- Entendido, me desculpe. Vou me trocar pelo menos antes de descer.

- Ok, não demore. – Alessandra se virou e saiu do quarto.

Eu me troquei bem rápido, com bastante pressa, e saí correndo escada abaixo. Porém me acalmei e entrei silenciosamente na cozinha. Todos pararam de comer por um instante e disseram praticamente em coro “Bom Dia”, com exceção de Jonathan, que continuou comendo sem nem mesmo olhar na minha cara. Eu sentei no meu lugar e percebi que estava faltando um, logo perguntei:

- Onde está Kytsuro? Ele não vai comer?

- Kytsuro não toma café da manhã. – Mirtes disse. – Inclusive ele come bem pouco... Estou preocupada com esse garoto.

- Ele não sente fome não? – Eu disse aquilo com a minha barriga roncando, e logo após ataquei uns bolinhos que estavam na minha frente.

- Kytsuro é bem estranho, ele me dá medo. – Marcos disse sorrindo, como se fosse uma brincadeira, eu nunca havia o visto sério.

- Vamos meus amores, agora parem de conversar e comam antes que esfrie. – Mirtes disse carinhosamente, sorrindo para todos.

- Marcos você cozinha muito bem! Está tudo muito bom! – Não me contive, realmente estava delicioso, mesmo depois de matar a fome continuei comendo.

- Obrigado. – Marcos deu um sorriso maior ainda, fechando os olhos. – Tenho orgulho desse meu dom, é a única coisa na qual eu presto.

- Ah, que é isso, não se rebaixe assim, você tem talento cara.

- Obrigado. – Marcos parecia muito feliz, mas era difícil de saber se ele estava mais ainda porque ele vivia sorrindo, era até um pouco assustador.

Quando todos estavam quase acabando Kytsuro entra na Cozinha, eu logo digo:

- Bom dia Kytsuro! Você está bem?

- Bom dia, estou sim Diego, por quê? Aconteceu algo?

- Ah, nada não, é que você não comeu conosco...

- Ah... É que eu não sinto fome de manhã... Bom com licença, vou lavar a louça.

- Certo... Obrigado pelo desenho cara... Ele ficou muito bom.

- De nada. – Kytsuro sorriu.

Jonathan bufou se levantou e saiu, Marcos se levantou logo após ele e foi e o seguiu, aposto que os dois iriam jogar cartas como de costume, Alessandra se levantou, levou os pratos até a pia e praticamente sumiu, ela correu bem rápida escada acima, a velocidade dela era impressionante, não conseguia me acostumar com aquilo. Rafael se levantou e caminhou bem devagar até as escadas, subindo uma de cada vez, mancando. Achei aquilo estranho, mas fiquei calado. Mirtes se levantou e caminhou até o quarto dela, fechando a porta. Kytsuro estava lavando os pratos, ele não dizia uma palavra. Por fim me levantei, e caminhei até ele e disse:

- Ei grandão... Você sabe por que Rafael estava mancando?

- Soube que ele se envolveu em uma briga com Jonathan e acabou apanhando, mas não foi nada sério, foi um desafio de treinamento e uma luta amigável, então ninguém está preocupado.

- Será? Eu não confio naquele cara...

- Quem? Jonathan? Cá entre nós eu também não... Mas se Mirtes o abrigou então não devemos desconfiar dele, ele deve ter sofrido na infância também... Por isso ele é fechado desse jeito.

- Belo argumento... Bom vou tomar um banho, quer treinar depois? Ter uma luta amigável?

Kytsuro pareceu espantado, como se ele nunca esperasse que eu dissesse isso, um tempo depois me toquei, onde eu estava com a cabeça? No que eu estava pensando? Um pouco relutante Kytsuro disse:

- Não sei não... Não gosto de brigar... Mas se você quiser mesmo nós podemos treinar sim...

- Ok! Combinado então, te vejo no quintal. – Dei um sorriso, eu parecia feliz, mas percebi a besteira que eu havia feito, eu ia apanhar feio.

Tomei um banho bem rápido e vesti a mesma roupa, e saí desparado até o quintal, passando por Alessandra ela perguntou:

- Ei, ei que pressa é essa tampinha? – Não gostei desse apelido, mas eu acabei não ligando, estávamos sozinhos, quando ela falou comigo meu estomago embrulhou, eu estava confuso e disse algo como:

- Ahn... Hurr... Derr...

- O que? Você está me zuando?

- Ah, Desculpe. – Me senti um completo idiota, as palavras não saíam... Com um pouco de dificuldade eu disse. – Estou indo treinar com Kytsuro no quintal...

- Você vai mesmo lutar com ele? Eu pensava que você era medroso...

- É eu também... Não sei o que deu em mim...

- Bom... Boa sorte, você vai precisar... Apesar de eu já saber o resultado vou torcer por você, estarei lá, não quero perder essa briga. –Alessandra sorriu e logo após sumiu diante dos meus olhos, ela havia corrido escada abaixo, desci e fui direto para o quintal, eu sou tão lerdo que quando cheguei todo mundo já estava lá, inclusive Mirtes, havia dado tempo de Alessandra ter passado a notícia e todos terem se reunido no quintal, aquilo foi espantoso, comecei a ficar com medo.

Kytsuro estava em pé no meio, sua expressão parecia neutra, despreocupado, o rosto dele estava voltado para mim, acho que ele estava olhando diretamente para mim, o que é um pouco difícil de saber por que o cabelo de cobre seu olho.

- Diego, quer mesmo fazer isso? – Kytsuro disse sem expressar nenhum sentimento, não sabia se ele estava feliz ou chateado por ter que lutar comigo, eu aposto na segunda opção...

- Quero, já estão todos aqui, não posso desistir. – Olhei para o lado e vi Alessandra olhando para mim, com um leve sorriso no canto da boca, comecei a passar mal... Todos estavam ali, e eu iria passar vergonha. – Certo, vamos começar.

Cerrei os punhos e os levantei na direção do rosto, e olhei para o tórax de Kytsuro, ele porém não mexeu um músculo, acabei me tomando por um impulso e fui com toda a minha força para cima de Kytsuro e dei um soco meu no meio do seu estômago, desejei não ter feito aquilo, não só porque ele é meu amigo, mas porque os ossos da minha mão se esfarelaram instantaneamente e meu braço dobrou no ângulo errado.

Aquilo doeu muito, me atirei no chão e dei um grito de dor, o estranho é que meu braço não voltava ao normal, e a dor só aumentava, alguns minutos depois de eu me contorcer todo a dor finalmente parou, e meu braço estava inteiro novamente, percebi que a regeneração havia demorado bastante. Me levantei e olhei para Kytsuro, ele estava na mesmo posição, não havia mexido um músculo, aquilo me deu muito medo, me lembrei de seu poder, a Maldição de Hieros, ele refletiu o meu ataque tão intensamente que até retardou minha regeneração, aquilo foi impressionante, desse jeito Kytsuro poderia me derrotar com um simples olhar... Literalmente pois ele tem a Maldição da Morte, porém como ela não está desenvolvida ainda eu apenas desmaiaria... Ainda bem.

Mas Kytsuro não se mexeu, por causa da minha demora ele disse:

- Desistiu Diego? – Ele continuava sério, não parecia estar me zombando, parecia preocupado...

- Ainda não... – Me concentrei e tentei me imaginar mais forte que ele, concentrando toda a minha força no meu punho direito, logo após junto com um grito de raiva eu o ataquei de novo, no mesmo local. Simplesmente apaguei, o que aconteceu ao meu braço é melhor eu nem descrever pois você não acreditaria que eu ainda estou vivo, eu estava apagado, porém ouvia vozes, todos estavam preocupados comigo, inclusive Kytsuro que me carregou até minha cama, algumas horas depois acordei em minha cama, meu braço estava inteiro e eu não sentia dor, Kytsuro estava sentado ao lado dela, logo após que eu abri os olhos ele disse:

- Você está bem Diego? Está sentindo dor?

- Ah, estou bem sim... Graças aos meus poderes... Caramba cara você é muito forte, você sentiu alguma coisa com os meus socos?

- Ah... Não... Desculpe-me não gosto de mentir, eu não senti absolutamente nada com os seus socos...

- Tudo bem... Eu já esperava... Você enfrentou seis caras grandões de uma vez, não imaginei que eu sozinho poderia fazer qualquer coisa...

- Ei! Você foi muito corajoso Diego, eu mal acreditei, você pode não ter me derrotado, mas você derrotou algo mais importante... O seu medo.

Aquilo foi inspirador, Kytsuro fazia em me sentir “O Bom” mesmo sendo o grande perdedor covarde que eu era.

- Obrigado... Espero não ter que lutar contra você de novo. – Dei uma risada, Kytsuro me acompanhou.

- Bom, você está com fome? A janta vai estar pronta daqui a pouco...

- Janta? Fiquei tanto tempo assim apagado?

- Sim... Os danos pareciam irreversíveis, achei que teríamos que amputar o seu braço, ainda bem que sua habilidade te curou.

- Caramba... Que medo cara...

Kytsuro deu um sorriso com o canto da boca e disse:

- Não se preocupe, você é forte, aguenta bastante coisa.

- Obrigado, bom vamos...

- Pode ir na frente... Não estou com fome, depois eu como uma fruta ou algo assim...

- Tem certeza? Não vai comer nada?

- Tenho, não se preocupe. – Kytsuro se levantou e foi em direção ao quarto dele, eu nunca havia entrado lá, gostaria de saber como é um dia desses.

Desci a escada e entrei na Cozinha, no mesmo momento todos (Exceto Jonathan) pararam de comer e me olharam espantados, Mirtes disse:

- Você está bem meu jovem?

- Estou sim vovó... Meu braço foi regenerado não se preocupe.

- Que bom... Venha, sente-se, coma alguma coisa.

- Com certeza. – Me sentei e comecei a me servir, havia batata frita, arroz, feijão, bife a parmegiana, salada de pepino e cenoura, e salada de maionese com pedaços de vagem e batata cozida.

Devo ter repetido o prato umas três vezes, estava muito bom, eu não gosto de feijão, mas não hesitei em comê-lo por que estava ótimo.

Após a janta a mesma cena de sempre, todos na sala exceto Kytsuro que lavava os pratos enquanto mastigava um pedaço de bife, pelo menos ele estava comendo alguma coisa...

Eu estava sentando pensando em como ia ser minha vida daqui pra frente quanto Alessandra brotou do meu lado e disse:

- E ai tampinha, você está bem?

- Por que você me chama de tampinha?

- Bom, porque eu posso... Eu era a mais baixa daqui até você aparecer... – Ela riu, mas eu não ri também... Ela subitamente parou de rir e desviou o olhar como se estivesse se culpando, me senti mal por isso.

- Ah... Tudo bem... Pode me chamar do que quiser, eu não me importo com a minha altura. – Mentira, eu me importava sim, mas não queria deixar Alessandra chateada.

- Ok Diego, bom estou com sono... Te vejo amanhã, boa noite.

- Boa noite, durma bem.

- Obrigada, você também. – Alessandra disparou escada acima, sumindo.

Kytsuro entrou na sala logo em seguida, me espantei quando olhei para ele porque o cabelo dele estava molhado, e como ele provavelmente enxugou a testa fez o que o cabelo dele ficasse dos lados, mostrando seus olhos, eram verdes escuros, e ele tinha olheiras muito grandes, como se não dormisse a bastante tempo, ele ficou muito mais aterrorizante assim, ainda mais sabendo que eu poderia desmaiar se ele olhasse para mim, mas acho que ele pode controlar a maldição, podendo olhar para as pessoas sem afetá-las, a menos que queira. Kytsuro percebeu que eu estava espantado e disse:

- O que foi Diego? Aconteceu alguma coisa?

- Ah nada... É que eu nunca tinha visto seus olhos...

Ele olhou para o chão e rapidamente bagunçou o cabelo tampando os olhos, parecia envergonhado, mas disse:

- Desculpe, não quis assustá-lo.

- Não! Que é isso... Mas só uma pergunta... Você não dorme não?

- Não gosto de dormir... Acho perda de tempo...

- Caramba! Há quanto tempo você não dorme?

- Pode parecer estranho, mas eu nunca dormi... Nunca sonhei. Simplesmente não consigo pegar no sono, por mais que eu tente.

- Ei! – Jonathan se levantou. – E como isso é possível? Um ser humano normal não conseguiria viver mais de uma semana sem dormir!

- Talvez eu seja uma aberração então. – Kytsuro engoliu em seco.

- É mesmo! Você é um anormal cara!

- Ei! Olha como você fala com ele seu retardado! – Não me aguentei, soltei de uma vez, Jonathan já estava me irritando, não podia deixar ele insultar o meu amigo.

- Olha o respeito o babaca! Era pra você estar morto hoje, você tem muita sorte, te disseram que você ficou corajoso? Mentira! Você ficou louco! Isso sim.

- Loucura ou não pelo menos meu poder serviu para alguma coisa, e o seu? Funciona?

Jonathan cerrou as sobrancelhas e parecia estar muito bravo, ele olhou furiosamente para Marcos, depois se levantou e subiu as escadas, sem falar mais nada.

Marcos sorria... Mas eu via tristeza em seus olhos, ele olhou para mim, não disse nada, mas entendi perfeitamente, “Você não deveria ter dito isso.”, ele se levantou e saiu. Kytsuro disse:

- Obrigado por me defender mas.... Não precisa Diego, não quero que você se arrisque por mim, por favor deixe eu cuidar dos meus assuntos. – Kytsuro não parecia bravo, parecia chateado, ele não queria que os outros pensassem que ele era um fracote que precisava ser defendido pelos outros, mesmo eu tendo certeza que ninguém pensaria isso dele...

- Está bem me desculpe... É que eu não pude deixar alguém insultar o meu amigo...

Kytsuro baixou a cabeça como se estivesse envergonhado e disse:

- Certo, vou para o meu quarto, porque você não tenta dormir um pouco?

- Tudo bem então... Boa noite Kytsuro.

- Boa noite Diego.

Fomos para os nossos respectivos quartos, percebi que Rafael já estava dormindo, então sem fazer barulho fui para a minha cama e alguns minutos depois peguei no sono.