Dark Awareness
3 Capítulo 3 - Apenas o Início...
Notas iniciais
Estava novamente no campo de minha mente. Dentro da casa de madeira onde possuía objetos do meu carácter. Mesmo sabendo o que tudo aquilo significava eu me sentia incompleto, faltava algo naquela casa, mas eu não conseguia definir o que, não imaginava o que faltava, sentia um vazio tremendo. Fechei os olhos e imaginei a minha espada, quando os abri novamente percebi que agora ela estava em minha mão, abri a porta e saí, a paisagem não havia mudado, a grama continuava verde e fresca, o céu azul e limpo, as flores cresciam aos montes, e as árvores davam frutos, presumi que aquilo representava o meu corpo, que se eu ficasse doente provavelmente aquilo tudo apodreceria, mas eu não preciso me preocupar com isso graças ao meu poder... Sentei-me na grama e comecei a pensar no que mais eu poderia ter criado naquela sala se eu tivesse a chance... Armaduras e Escudos? Acho que não seriam necessários, e o peso me atrapalharia, acho que eu faria uma segunda espada, mais leve e mais afiada, e então usaria a atual na mão esquerda como defensiva e a da direita ofensivamente, não era uma má ideia... De repente o chão começou a tremer, estava acontecendo um terremoto, e subitamente uma cratera se abriu no chão, e uma lâmina de aço gigantesca saiu dela. Acordei no mesmo instante com muita dor no estômago, ao abrir os olhos não acreditei no que vi, era o valentão que tinha nos enfrentado a alguns dias, o cara o qual Kytsuro havia estraçalhado seu braço... Seu braço! Não estava mais ali! Ele o havia amputado, olhando para baixo vi uma faca cravada em meu estômago, ao ver aquilo a dor aumentou e o sangue começou a manchar o lençol, olhei de volta para ele, que disse:
- Hahaha... Nos encontramos novamente hein? Vou te matar aqui e agora! Você e seu amigo vão pagar por isso. – Soltando a faca ele apontou para o lugar onde deveria estar o outro braço dele. Então ele puxou uma arma da cintura e apontou em minha cabeça, dizendo:
- Adeus Diego Tavares, você nunca será um Kotonaru de verdade.
O que? Como ele sabe sobre os Kotonarus? Espero com o que estou me preocupando! Vou morrer! Rapidamente levantei o pulso direito na direção de sua arma com intenção de empurra-la, mas não havia percebido que eu estava segurando minha espada, o pulso dele foi cortado fora que nem manteiga e caiu bem em cima de mim, aquilo foi horrível. Ele soltou um grito de dor e disse:
- Desgraçado! Como pôde! Agora chega! Vou te mostrar do que um Kage-Kotonaru é capaz!
O que? Ele é um Kage? Então quer dizer que a briga era bem mais séria do que eu imaginava... Será que é por culpa dele que minha casa explodiu? Será que eles raptaram minha mãe? Tirei a faca do meu estomago e me levantei cambaleante, ele se afastou um pouco e logo depois começou a emitir uma luz vermelha até que seu corpo todo ficou solidamente vermelho, só se via seu contorno, parece que ele estava passando por uma transformação porque três braços brotaram nele, e uma mão no braço que faltava, ele ficou ligeiramente maior, e então a luz se dissipou de uma vez só, me cegando momentaneamente, ao focar novamente ele vi que no lugar da cara havia quatro olhos vermelhos brilhantes e duas prezas enormes na boca, e estava com quatro braços, dois nos ombros e dois logo abaixo um pouco acima da cintura, ele havia crescido pelo menos uns dez centímetros. Ergui a espada em sua direção e logo após ele disse:
- Resistir é inútil Diego, aposto que você nunca ouviu falar de mim, sou o Sentaku Kage-Kotonaru Roberto Ermiondas, meus poderes estão muito além do seu alcance que é um simples Kyotsu!
Eu me lembro dessas palavras... Kyotsu é o nível mais baixo, significa “comum” e Sentaku é um nível superior que significa “escolhido”, refletindo sobre isso percebi que eu estava ferrado, nunca havia lutado contra um Kage na minha vida e a minha primeira luta ia ser contra um de nível superior! Tentei não pensar muito nisso eu segurei firme minha espada olhando bem para o... Roberto...
Sem hesitar ele pulou para cima de mim, foi bem rápido, mas eu consegui desviar, aterrissando ele quebrou minha cama e uma farpa de uns dos “pés” dela atravessou a barriga dele, ele se virou para mim e disse enquanto retirava a farpa:
- Não ache que deu sorte muleque... Espere só até ver os meus poderes!
Ao retirar a farpa uma crosta de pedra se formou no lugar do buraco, estancando o sangramento, ele atirou a farpa em mim, por impulso eu tentei segurar a farpa com a outra mão, o que foi idiotice, a farpa estava tão rápida que atravessou a minha mão, abrindo um buraco e fazendo jorrar sangue para frente, a dor era tanta que eu nem sentia meu braço, mas poucos segundos depois o buraco fechou e meu braço voltou ao normal, observando a cena ele disse:
- Regeneração? Hum... Interessante, acho que essa batalha não vai ser tão entediante assim... Keimusho! – Proferindo isso o chão de madeira se dobrou aos meus pés me prendendo, eu quase me desequilibrei, mas me apoiei no armário que estava ao meu lado.
- Infelizmente eu não tenho tempo para brincar com você, vamos acabar com isso logo. – Ele então apontou os quatro braços para mim e abriu a boca para falar algo, quando subitamente a porta é estilhaçada e Kytsuro entra correndo derrubando Roberto contra a parede fazendo a mesma quebrar e assim os dois caírem no quintal.
O assoalho que estava me prendendo quebrou, então caminhei até a ponta do cômodo e olhei para os dois lá em baixo, Kytsuro estava de pé logo ao lado de Roberto que ainda estava estirado no chão, resolvi pular no quintal, a altura não era tão grande, nem acabei me machucando, a grama amorteceu a queda e minha regeneração deveria ter curado qualquer possível lesão.
Roberto abriu os braços com força fazendo uma rajada de vento me jogar contra a parede, jogando Roberto de pé a poucos centímetros da onde estava, mas Kytsuro não saiu do lugar. Roberto disse:
- Como ousa se interferir? Espere! Você de novo? Vou me vingar pelo o que fez ao meu corpo humano!
- Diego, posso interferir na batalha? – Kytsuro disse calmamente a mim, ignorando Roberto.
- Não me ignore maldito! – Roberto apontou os quatro braços para Kytsuro e disse. – Shuto no toppu!
Uma rajada de vento muito forte foi disparada contra Kytsuro, descascando a parede atrás dele, porém ele nem saiu do lugar. Kytsuro começou a caminhar lentamente em direção a Roberto que estranhamente parecia subitamente estar cansado.
- Como? Você nem se mexeu? Qual o seu poder? Ficar no lugar que nem uma estátua?
Kytsuro não abria a boca, simplesmente continuou andando, chegando cada vez mais perto de Roberto, que parecia estar com um pouco de medo.
- Pare de me ignorar maldito! Shoshu no buki! – Ao dizer isso uma lança deslizou vinda debaixo do solo até a mão dele, segurando com duas mãos ele esticou a lança que perfurou Kytsuro bem no estomago. Não entendi direito, parece que a lança não havia perfurado e sim quebrado, e o sangue no chão... Era de Roberto, que estava com um furo no estômago.
- Gahg... Maldito... A maldição de Hieros... – Roberto estava perdendo o ar, porém novamente uma crosta de pedra apareceu no lugar do ferimento, estancando o sangramento.
Kytsuro pegou no cabo da lança, puxando-a com tanta força que fez Roberto cair de cara no chão, foi um impacto feio, a grama havia sido enterrada e tinha apenas terra no lugar da cara dele. Por causa do impacto ele acabou soltando a lança, Kytsuro pegou no meio dela cerrou o punho e a esmagou em duas, estava espantado com a assustadora força que ele possuía, será que era mais um poder, ou ele era simplesmente forte mesmo, de qualquer forma, aqui era assombroso.
Roberto se levantou com outra rajada de vento e disse:
- Ok! Você pediu! Chega de brincadeiras! Cho-shizen Shoshu no buki!
Quatro lanças negras brotaram do chão e deslizaram até suas mãos, ele as girou e apontadas a Kytsuro ele esticou as quatro de uma vez, dessa vez perfurando seu estômago, e fazendo-o cuspir sangue.
- HAHAHA! Essa habilidade é do mesmo elemento que o seu, trevas, porém é mais avançada! Permitindo-me atravessar diretamente seu Hierro sem tomar dano! Tente algo agora maldito! – Roberto parecia muito confiante, mas aproveitando sua distração sai correndo em sua direção e o golpeei na direção de seu pescoço, mas ele acabou percebendo a tempo, soltou uma das lanças e bloqueou meu ataque com o seu braço, minha espada deslizou nele como manteiga o cortando fora, mas dando impulso suficiente para que Roberto pulasse para trás se desviando se um possível golpe mortal, Ao pular ele havia levado as lanças junto, mas uma delas permanecia presa à barriga de Kytsuro, ele não se mexia, e não demostrava nenhum tipo de dor, simplesmente arrancou a lança da barriga e atirou em Roberto, foi tão forte que provocou uma enorme rajada de vento, mas infelizmente passou raspando pelo seu rosto, apenas causando uma cicatriz, mas foi uma das bem feias porque o sangue jorrava. A lança então atravessou direto o muro, abrindo um buraco nele e fincando na calçada do outro lado da rua. A lança sumiu instantaneamente após se fincar no chão.
- Maldito! Essa foi por pouco. Mas não fiquem confiantes, não estou derrotado!
Uma crosta de pedra de formou no lugar do braço decepado e começou a crescer, formando outro braço todo de pedra. A pedra era negra e fosca, e parecia ser bem resistente. A lança reapareceu em seu novo braço, A ponta dela parecia ser feita do mesmo material, mas afiada e polida.
- Vamos! Eu aguento os dois sem problemas! Ataquem-me com tudo que tem!
Kytsuro cerrou os dentes e pareceu estar furioso, mesmo com quatro furos em seu peito ele saiu correndo em direção a Roberto, ele simplesmente atacou com as quatro lanças, duas Kytsuro conseguiu segurar bem a tempo, mas as outras duas o perfuraram novamente, fazendo-o sangrar ainda mais. Enquanto isso eu corri em sua direção e me joguei ao chão deslizando na grama, cortando a perna de Roberto fora, infelizmente ele não caiu porque estava segurando nas lanças que estavam presas a Kytsuro. Ao tentar me levantar Roberto grunhindo de dor abriu a boca e soltou uma rajada de vento me empurrando a alguns metros, me fazendo bater a coluna, o que doeu bastante. Kytsuro cerrou os punhos e quebrou as lanças que estava segurando, depois bateu na cabeça de Roberto fechando as mãos juntas como fosse esmaga-lo, aqui dever ter doído muito porque amassou a cabeça dele fez seus olhos esbugalharem e sangue jorrou de sua boca, fazendo-o ficar mais feio do que já estava. Kytsuro então quebra as lanças presas em sua barriga e se afasta um pouco, meio cambaleante. Fazendo Robeto cair porque ele estava sem uma perna.
- Argh! Maldição! Você é realmente muito forte! Vou ter que lutar com tudo que tenho! Kan'yo-tan!
Uma rajada de vento explodiu vinda de Roberto, como se um furacão enlatado tivesse sido solto de uma vez, a pedra negra que cobria parte de seu corpo agora o cobria inteiramente, e completou a perna que faltava, sua cabeça agora parecia um elmo medieval, apenas os quatro olhos vermelhos se destacavam de tudo aquilo. Ele esticou os braços para os lados e abriu as mãos, vórtices negros apareceram nelas fazendo aparecer mais lanças, dessa vez o cabo delas não era de madeira, mas eram negros, provavelmente do mesmo material que envolve seu corpo, e por fim uma névoa negra brotou do chão, fazendo toda a vida parecer não valer a pena, parece que a gravidade tinha aumentado pois eu me sentia mais pesado e sem motivação para lutar, não havia nem me levantado ainda, Kytsuro caiu de joelhos, parecendo se segurar para não ir para o chão, não podia ver a expressão em seus olhos mas com certeza ele estava furioso.
- É aqui que acaba! O novo reino Kage dominará todos os Kotonarus! Matará os humanos inúteis e reerguerá o novo mundo das trevas! MUAHAHAHAHAHA!
Para mim tudo iria acabar ali... Porém...
- NUNCA! KURAYAMI NO NAKA DE BURASUTO!
Kytsuro havia dito com tanta intensidade que alguma coisa explodiu, e de repente tudo ficou escuro, como se fosse uma noite sem lua. Kytsuro havia crescido pelo menos mais um metro, estava gigantesco, vestindo um manto negro tão fino que parecia que ele vestia as próprias trevas, uma foice apareceu em sua mão, o cabo era um pouco maior que ele, e a lâmina do tamanho de seu braço, seu cabelo caiu para os lados e seus olhos negros estavam destacadamente brilhando como se fosse a visão da morte... Espera olhos negros? Não eram verdes? O que está acontecendo?
- O que? O que você fez? ESTÀ MALUCO? COMO CONSEGUE GUARDAR TANTO PODER?
- Fuhai ga Kieru...
A escuridão se tornou completa, eu não enxergava mais nada, mais podia ouvir Roberto agonizando, como se a vida dele estivesse sento tirada a força, ele parecia tão desesperado que eu senti muito medo de morrer só de ouvir esses gritos agonizantes. Subitamente uma luz ofuscante apareceu ao fundo em minha direção, e por fim desmaiei.
Dessa vez eu não estava no campo da minha mente, eu tive um sonho, estava em um parque que havia no caminho entre a minha antiga casa e a escola, eu nunca havia entrado lá mas sabia que eu estava nele, sentado em um banco, olhando as folhas das árvores caírem, e uma leve brisa no meu rosto, vejo uma pessoa se aproximando... É uma garota, parece ser bem bonita, ao se aproximar mais eu percebo que era Alessandra, me senti esquisito, ela se aproximou mais e olhando bem nos meus olhos disse:
- Diego... Acorde...
- O que? Do que você está falando?
- Diego, por favor... Acorde!
- Mas... Mas?
- Acorde! – Acordei, abrindo os olhos Alessandra estava bem na minha frente, olhando para mim, eu estava deitado no chão da sala e ela estava em pé ao meu lado, os outros estavam lá também, exceto Kytsuro.
Tentei me levantar, mas Alessandra me impediu:
- Ei, ei, não se esforce, fique deitado... Você está bem?
- Estou... O que aconteceu? Onde está Kytsuro?
- Kytsuro está no quarto dele, descansando... Ele se desgastou muito hoje, espero que fique bem... – Marcos disse preocupado, pela primeira vez ele não estava sorrindo.
- Ei panaca! Você atraiu um Kage para cá que ainda por cima destruiu um quarto! Parabéns, bom trabalho. – Jonathan disse, que raiva daquele cara.
- Cale a boca seu malcriado. – Mirtes disse, espantando todos. – Vá para o seu quarto e pense no que falou, devemos estar felizes por tudo ter acabado bem.
Jonathan grunhiu de raiva e subiu as escadas, eu me levantei dessa vez, olhando para Mirtes perguntei:
- O que aconteceu? Tudo havia ficado escuro e de repente uma luz me cegou e ai eu apaguei, onde está o Kage Roberto?
- Está morto, parece que Kytsuro liberou uma espécie de poder oculto, que eu tenho certeza de que era do elemento das trevas, essa magia foi tão poderosa que estava começando a consumir o espaço/tempo ao redor dele, então precisei impedir, lancei um Illuminatus no local, mas o Kage já havia sido consumido pela escuridão antes da minha magia. – Mirtes estava bem séria, me preocupava pois ela sempre foi doce e gentil, decidi que seria melhor eu não perguntar mais nada, agradeci a todos e então subi as escadas, em direção ao quarto de Kytsuro, o qual eu nunca havia entrado antes.
Entrando lá vi Kytsuro deitado na cama, olhando para o teto, com a barriga enfaixada, as faixas estavam manchadas de sangue, seu olho estava verde novamente, as olheiras dele pareciam estar maiores, o quarto dele me dava medo, as paredes estavam pintadas de cinza, as cortinas eram pretas, havia muitos livros em uma estante perto de uma escrivaninha com uma luminária de mesa, o cobertor dele era preto e os travesseiros com lençóis cinza, ao perceber que eu entrei no quarto ele disse:
- Diego... Como você está?
- Estou bem Kytsuro... E você parece bem machucado...
- Não se preocupe comigo Diego... Vou ficar bem... Parece que terei que ficar de cama por um tempo, então... Me sinto mal por ter que pedir isso, mas será que você poderia cuidar das minhas tarefas até eu me recuperar? Eu juro que tento te recompensar de alguma forma...
- Claro grandão! Sem problemas... Amigos são para essas coisas né? – Sorri para Kytsuro, que deu uma risadinha.
- Obrigado, ei você se saiu muito bem hoje, lutou com honra, eu te disse que você perdeu seu medo.
- Não sei cara, é que como estávamos em perigo eu acabei tendo que enfrentar isso de qualquer forma...
- E você não tentou fugir, enfrentou o problema de frente, e foi corajoso por enfrentar alguém mais forte que você, estou orgulhoso.
- Nossa cara, valeu... Nem sei o que dizer...
Kytsuro começou a tossir sangue, eu lhe perguntei o que deveria fazer, mas ele me disse pra ficar calmo que só precisava descansar, me despedi dele desejando melhoras e saí fechando a porta. Ao me virar me deparei com Alessandra que logo foi dizendo:
- Diego? Como Kytsuro está?
- Não parecia muito bem, mas... Você o conhece, ele vai melhorar, só precisa de descanso...
- Entendo, bom... Sua cama foi destruída certo? Onde você vai dormir?
- Ah... Não sei, talvez no sofá da sala eu acho...
- Bom, saiba que as coisas aqui demoram para serem repostas pois temos poucas verbas... Por isso tomamos muito cuidado com tudo...
- Ah... Espero que o sofá não seja desconfortável...
- Bom tem um quarto no final do corredor, mas ele está bem velho, você teria que limpá-lo. Se quiser posso te emprestar um lençol meu...
- Puxa, obrigado. Vou para esse quarto então. Ahn... Alessandra, você conhece o Kytsuro a muito tempo?
- Hum, não... Eu estou nessa casa a só alguns meses... Kytsuro morava sozinho aqui com Mirtes, os outros entraram depois de mim. Sabe... Eu sou a única garota aqui, e Kytsuro nunca falava com ninguém, Jonathan e Marcos sempre ficavam juntos... Acabei me sentindo sozinha também... Tentei fazer amizade com Kytsuro, mas ele é muito tímido, espero que mesmo assim ele me considere com uma amiga.
- Com certeza... Não tenha dúvidas sobre isso...
- E você? Como conseguiu se aproximar dele?
- Na verdade foi o contrário... Nós havíamos conversado depois da aula e ai ele me defendeu de uns valentões... Um deles me causou essa cicatriz, inclusive era esse Kage que nós enfrentamos, ele havia voltado para se vingar.
- Puxa! Mas você não tem o poder da regeneração? Por que ainda tem a cicatriz?
- Não sei... Talvez porque ela foi feita antes de eu conseguir o meu poder, ou porque quem me causou ela era um Kotonaru... Nem Mirtes sabe.
- Estranho, bom de qualquer forma... Essa cicatriz ficou muito maneira em você! – Alessandra deu um sorriso, eu fiquei um pouco encabulado, mas acabei sorrindo também.
- Obrigado... Você tem olhos bonitos...
- Ah... – Alessandra desviou o olhar. – Obrigada... – Fiquei bastante envergonhado. – Bom estou indo dormir... Diga aos outros que não irei jantar hoje...
- Caramba eu perdi o Almoço de novo? – Eu acabei parecendo tão preocupado que isso saiu como se minha vida estivesse em risco. Causando algumas risadas em Alessandra.
- Ai, ai, você é um palhaço hein tampinha? Boa noite... – Ela se virou e foi embora.
- B-Boa noite... – Gaguejei, pareci um tolo.
Desci as escadas bem a tempo da janta, estava mais vazio porque dois não estavam lá, e eu teria que lavar a louça ainda por cima... Mirtes na cabeceira da mesa, Marcos sorrindo como sempre, Jonathan um idiota como sempre, e Rafael... Quieto no canto dele, deprimido, talvez porque é o único que não tem poderes ainda... A janta foi bife de alcatra com arroz, feijão e salada de alface, estava delicioso como sempre, mas pude notar que Marcos foi um pouco menos criativo hoje, talvez ele estivesse preocupado ou chateado com alguma coisa...
Todos comeram bem rápido, inclusive eu, eu nem havia repetido o prato o que chamou a atenção de Marcos, mas ele ficou quieto...
Depois de todos saírem eu lavei a louça, demorei bastante e até fiquei cansado, decidi ir direto para o meu novo quarto dormir... Subi as escadas e andei até o final do corredor, abrindo a porta um horrível cheiro de mofo veio ao meu nariz, como se aquela porta não fosse aberta a muito tempo, ascendi a luz, que piscou e demorou um pouco para acender, o quarto estava totalmente empoeirado, tinha uma cama, uma guarda-roupas, uma estante de livros vazia, uma escrivaninha com uma luminária quebrada, parecia o quarto de Kytsuro, porém um pouco menor, abri a janela para circular o ar e a luz da lua invadiu o quarto deixando um leve brilho no parapeito da janela, peguei as colchas e o lençol da cama e levei para baixo até a lavanderia, coloque na máquina de lavar e deixei lá, peguei uma vassoura e um esfregão, deixei-os no quarto e fui até o meu antigo e peguei minhas coisas, levei elas até o novo quarto mas deixei no lado de fora e comecei a limpá-lo... Durou a noite inteira, estava acabado de sono e pude ver o sol nascendo, eu realmente havia demorado muito, limpei e organizei tudo em meu quarto, as únicas coisas que faltaram foi arrumar a luminária e colocar alguns livros na estante. Ao me sentar na cama por um instante senti minhas energias voltando, porém o sono não passava, será que meu poder não cura isso? Eu queria deitar e dormir o resto do dia, mas logo após eu ter sentado na cama Alessandra entrou no quarto.
- Bom dia Diego, nossa! Você fez um ótimo trabalho aqui hein?
- Ahn... Obrigado... Não... Foi nada...
- Puxa você parece bem cansado, porque não dorme um pouco? Deixa que hoje eu estendo a roupa, ai você fica me devendo essa ok? – Alessandra sorriu, eu dei um belo sorriso como forma de agradecimento também, e desabei na cama apagando na mesma hora.
Estava de volta a minha mente... Mas dessa vez havia algo diferente nela, agora tem um rio cortando as colinas, a água era cristalina, tão limpa que era possível ver o fundo do rio. Gostaria de entender o que aquilo significava, me aproximei do rio e ajoelhei em sua borda, fazendo uma concha com as mãos peguei um pouco de água e bebi, percebi que a correnteza do rio havia ficado mais rápida logo após eu beber a água, me senti um pouco diferente também, comecei a ficar confuso, eu estava sentido o fluxo do rio, sentia a leve brisa úmida que ele transmitia, eu me sentia parte do rio, me levantei e respirei fundo, estendi a palma de minha mão aberta em direção ao rio, e a fechei devagar... Ao cerrar o punho o fluxo do rio parou, como se a água estivesse congelado sem ficar sólida, dando um soco no ar um jato d’agua pulou para fora do rio com pressão na direção que eu havia dado o soco, de alguma forma eu estava controlando aquele rio, me concentrei e imaginei aquela água evaporando e formando nuvens... Imediatamente começou a chover. Aquilo era assustador, tentei fazer uma onda, bem grande, mas acabei acordando...
Estava chovendo lá fora, meu quarto estava todo molhado porque a janela continuava aberta, o estranho é que eu não ouvia raios, era difícil chover sem raios.
Comecei a pensar no meu sonho, eu havia feito um rio se transformar em chuva, será que eu conseguiria fazer o contrário? Mas... Aqui acordado?
Fui até a janela e fechei os olhos... Concentrei-me totalmente na chuva, no barulho, na brisa, na umidade. E comecei a imaginar a chuva parando... A água caindo apenas em algum rio por ai e parando de chover aqui. Não parecia acontecer nada, mas subitamente algumas palavras apareceram na minha cabeça, tentei pronuncia-las, mas parecia um pouco difícil... Tentei falar mesmo assim:
- Oame o... Teishi... Suru...
A chuva começou a ficar mais fraca... Até que parou... Não sei se foi coincidência ou se fui eu que parei, decidi tentar com outra coisa, será que eu poderia controlar a água? Talvez seja esse meu segundo poder...
Desci a escada e me deparei com Marcos que logo disse:
- Olá Diego! Não te vi o dia todo onde estava? De qualquer forma... Viu que chuva doida? Apareceu e sumiu do nada... Nem havia nuvens no céu, misterioso...
- Jura? Com licença!
Saí correndo em direção a lavanderia, Marcos me olhava confuso, mas não disse nada. Chegando lá abri a torneira, a água fluía normalmente dela, fechei os olhos e me concentrei naquele fluxo de água... Abri o olho e imaginei a água espirando para todos os lados, como se alguém tivesse colocado o dedo no bico da torneira para aumentar a pressão, infelizmente saiu um pouco diferente do que eu queria, ao invés de espirar para todos os lados, subitamente a corrente de água ganhou muita pressão e esguichou toda em mim, me empurrando até a parede, foi bem forte, perdendo a concentração por causa disso o esguicho logo parou, e a torneira fechou sozinha...
Uma brisa de vento passou pelo meu rosto e Alessandra apareceu na minha frente, foi logo dizendo:
- Nossa! O que aconteceu aqui? Porque está tudo molhado?
- Não sei direito... – Me levantei todo molhado. – Parece que eu posso controlar a água...
- Sério? Como assim?
- Vou tentar de novo... – Me concentrei o máximo que pude, senti a água pulsando dentro do encanamento, pronta para sair, fiz um pouco de água, aproximadamente o necessário para encher um copo, sair pela torneira e flutuar até a palma de minha mão, depois a fiz flutuar por volta do meu corpo, por volta do corpo da Alessandra, dar uma volta na lavanderia, voltar até a minha mão, mas nessa parte acabei perdendo o controle e foi parar bem na minha cara, me molhando mais ainda, Alessandra riu bastante e disse:
- Caramba! Que legal hein Tampinha? Você conseguiu um segundo poder parabéns!
- Erm... Obrigado... – Dei um sorriso, um pouco constrangido com aquela cena.
- Será que você consegue controlar a água espalhada pelo chão e coloca-la na pia pra secar tudo?
- Hmm... Vou tentar.
- Fechei os olhos e me concentrei o máximo que pude, tentando sentir toda a água daquele cômodo, imaginando que tudo aquilo secasse, que a água escorresse de volta para a pia. Senti um empuxo na barriga e doeu um pouco, mas pude perceber que alguma coisa estava acontecendo. Ao abrir os olhos percebi que tudo estava seco, toda a água que havia ali sumiu, Alessandra estava surpresa, e disse:
- Caramba! Eu nem acredito, você conseguiu mesmo! Isso é impressionante, que inveja eu queria ter uma segundo poder também! – Alessandra riu, eu fiquei bem encabulado, mas acabei rindo junto. – Bom, acho que já está na hora do almoço, já dá pra sentir o cheiro daqui... Vamos?
- Sim, vamos.
E fomos andando até a cozinha, sem dizer nada no caminho, o cheiro estava realmente muito bom, atiçava mais ainda minha fome. Chegamos à cozinha e estavam todos presentes, exceto Kytsuro. Todos já estavam sentados enquanto Marcos punha as bandejas na mesa para se servirem. Ele havia feito carne assada com batatas, salada de beterraba, arroz, feijão, e polenta. Estava tão bom que repeti o prato pelo menos umas quatro vezes, posso dizer que comi metade de tudo aquilo sozinho, parece que os outros já haviam acostumado com o meu apetite porque ninguém parecia surpreso, Alessandra comia pouco, Jonathan come uns dois pratos as vezes, Marcos apenas um, Mirtes também comia apenas um, Rafael tinha dia que comia dois e tinha dia que comia três, já Kytsuro... Nunca comia conosco, sempre comeu quase nada, parece que ele não gosta de comer ou sei lá...
Todos acabaram e lá fui eu lavar a louça, cara como é chato fazer isso, ainda mais que eu demoro pra caramba e meus dedos ficam enrugados, imaginei a água em meus dedos evaporando e funcionou! Meus dedos haviam voltado ao normal, estavam secos. Depois fui para sala e percebi que Alessandra não estava lá, mas percebi algo diferente, Rafael estava jogando cartas junto com Jonathan e Marcos, pelo menos ele não estava mais excluído no canto, subindo as escadas um vento bem rápido passa por mim me derrubando no chão, subitamente Alessandra aparece ao meu lado dizendo:
- Nossa! Desculpa! Você está bem?
- Ah, estou sim... – Me levantei, acho que dessa vez eu nem tinha me machucado ou foi tão fraco que meu poder me curou instantaneamente. – Não se preocupe não foi culpa sua.
- Ah foi sim! Eu vim correndo sem nem olhar quem estava no caminho... Olha me desculpa!
- Calma... – Dei um sorriso tranquilizador. – Não foi nada, sério.
- Ah... Ok... Bom, vou pegar minhas coisas e ir dormir... Então boa noite.
- Boa noite – Sorri e subi as escadas. Fui até o quarto de Kytsuro e bati na porta perguntando se eu podia entrar, eu ouvi sua voz dizendo que sim.
- Erm... Oi Kytsuro, como você está cara?
- Não sei, sinto dores, mas estou bem, não se preocupe comigo em breve estarei melhor... Mas e então... Como foi seu dia?
- Ah! Eu acho que consegui um novo poder! Eu posso controlar a água!
- Jura? Que legal, depois eu gostaria de ver. – Ele deu um sorriso, pareceu que ele com tanta dor que não conseguia sustentar nem um sorriso, que se desfez logo depois seguido de uma tosse bem forte, felizmente não saiu sangue. – Cara... È nessas horas que eu gostaria de poder dormir, mas não consigo, estou deitado nessa cama a praticamente um dia inteiro e não dormi... Não sei o que tem de errado comigo...
- Puxa, isso é muito triste... Gostaria de poder te ajudar cara...
- Ah, obrigado... Mas está tudo bem... Mesmo não dormindo estou descansando aqui, imóvel. Falando nisso acho que é melhor você dormir, pelo o que parece já está tarde...
- Tudo bem... Quer alguma coisa antes de eu ir? Um copo d’agua talvez...
- Não obrigado... Apenas se cuide, temos que descobrir porque nos atacaram aqui, e nos prepararmos caso venham mais...
Não havia pensado naquilo... Porque afinal de contas vieram até aqui? Era só vingança? Lembro-me dele ter dito algo sobre não ter muito tempo, então foi uma ordem de alguém mais forte? Será que nos atacaram de novo? Tenho que me preparar, treinar meu novo poder e treinar mais com a minha espada.
- Certo, vamos tomar cuidado... Boa noite Kytsuro...
- Boa noite Diego...
Sai do quarto e fechei a porta, não estava com muito sono, mas não hesitei em ir para o meu quarto, chegando lá tive uma surpresa, Mirtes estava de pé no meio do quarto, olhando para a janela aberta, quando eu entrei ela se virou e com um sorriso foi logo dizendo:
- Você fez um ótimo trabalho aqui hein Diego... Esse quarto não é usado a muitos anos e achei que nunca mais o veria limpo de novo... Obrigada pelo o que fez... Me trás ótimas lembranças...
- Obrigado vovó Mirtes... Mas se me permite... Que lembranças são?
- Antigamente essa casa era usada como pousada para Kotonarus, os que vinham de viajem, de vez em quando uns novatos que se hospedavam aqui antes de ir para os campos... Mas esse quarto era especial, nele vivia o meu neto... Chamava-se Komodoro Y. HoffScythe... Ele tinha apenas 10 anos, mas era adorável, ajudava com tudo na pensão e era minha companhia... Porém infelizmente um dia ele simplesmente sumiu, não sei o que aconteceu a ele... Depois todos que usavam esse quarto se sentiam diferentes, mais fracos, mais tristes, acabaram achando que havia algum tipo de maldição nesse quarto e então o abandonaram... Mas eu nunca senti nenhum tipo de maldição emanando de nenhum ponto dessa casa...
- Putz... Bom, sinto muito por isso... Mas ninguém havia me dito nada sobre maldição nenhuma...
- Ninguém nessa casa além de mim sabia sobre ela... É uma história bem antiga já, faz uns 30 anos.
- Não há mesmo nenhuma maldição aqui?
Mirtes deu uma risada:
- Não se preocupe querido... Não sinto nenhuma maldição aqui e por precação já lancei uma magia aqui, se divirta com o seu novo quarto, boa noite Diego. – Mirtes deu mais um sorriso e foi embora...
Ao me virar percebi que minha espada estava sobre a minha cama, qual eu não me lembro de tê-la deixado lá... A coloquei em cima da minha mesa, fui até a minha cama e me deitei, demorei um pouco para pegar no sono... A noite estava fria, a luz da lua invadia o quarto pelas frestas da janela. Eu estava com uma sensação ruim... Achava que não teria mais sossego por uns dias... Finalmente peguei no sono, dessa vez foi um sonho mesmo, tudo estava escuro, havia uma densa névoa pairando sobre o chão, que emanava uma leve e fraca luz, a minha frente estava alguém ou alguma coisa... Parecia o fantasma de uma mulher, flutuava a poucos centímetros acima da névoa, e emanava uma luz bem fraca, não aparentava ser velha, porém tinha bastantes rugas. Ela disse:
Uma nova companhia os aguarda
No cair da noite você presenciará
A escolha no fio de sua espada
Um de seus amigos morrerá
A esperança selada
E então a chama se apagará
Acordei suando, ainda estava de noite, levantei da cama e abri a janela, a lua estava cheia, a rua silenciosa, estava bastante frio, não entendi o que acabou de acontecer, mas aquelas palavras não saíam da minha cabeça, o problema é que eu não havia entendido o que significavam, parecia um daqueles poemas chatos das aulas de Literatura.
Tentei não pensar naquilo, fechei a janela, vesti uma blusa e voltei para cama, fechei os olhos, mas a imagem da mulher não saía da minha cabeça, gostaria de saber o que aquelas palavras significavam, pulei pra fora da cama e anotei aquilo em um papel, vou mostrar para Mirtes amanhã, voltei para a cama e dormi.
Notas finais
Shuto no toppu - Atirar Rajada.
Shoshu no buki - Invocar Arma.
Cho-shizen Shoshu no buki - Invocar Arma das Trevas.
Kan'yo-tan - Envolvimento Final.
Kurayami no Naka de Burasuto - Se envolva nas Trevas Eternas.
Fuhai ga Kieru - Apodreça e Desapareça.
Oame o teishi suru - Cessar Chuva Abundante.
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