Notas iniciais
Uma brincadeirinha que está se desenvolvendo na minha mente há algum tempo...

A saída do teatro estava mais calma do que o normal, distribuiu poucos autógrafos e logo saiu para o estacionamento. Seu corpo pequeno tremendo sobre o casaco grosso e escuro enquanto o cachecol protegia sua garganta do frio cortante. Olhou por cima do ombro, sentia como se alguém lhe vigiasse os passos, mas poderia apenas ser sua mente dramática maquinando as coisas. E como se fosse um filme de terror com baixo orçamento a lâmpada mais próxima começou a piscar dando os primeiros sinais de que queimaria logo, apressou o passo sentindo a adrenalina inundar suas veias quando seus ouvidos captaram os passos nas suas costas. Enfiou a mão na bolsa pequena que carregava procurando osprayde pimenta que sempre mantinha ali por precaução e foi nesse instante que sentiu o cano da arma apoiar-se contra a base de suas costas com um cutucão forte.
— Não se mexa. – A voz grossa falou próximo ao seu ouvido. – A bolsa e as chaves do carro.
Paralisou sentindo o coração ser o único músculo de seu corpo que ainda correspondia e como correspondia. Ele batia loucamente em sua caixa toráxica ao mesmo tempo em que o sangue corria quente em seu corpo.
— Não se vire. – Ouviu a mesma voz. – Me de a bolsa e as chaves do carro.
Respirou fundo, fechou os olhos e ergueu a mão que segurava a bolsa, escondeu o fato de ter retirado osprayde pimenta. O puxão brusco na carteira a fez respirar fundo mais uma vez, sentiu o cano se afastar da base de sua coluna e o alívio tomou o seu corpo.
Ouviu uma confusão e sentiu o pânico tomar o seu corpo mais uma vez, virou-se rapidamente pronta para correr. Soltou um grito.
Uma figura estava em pé e o bandido inconsciente no chão com um filete de sangue saindo pelo corte em sua testa. A figura misteriosa se abaixou pegando a bolsa da mulher e se virou para esta revelando o capuz que cobria seu rosto. Estendeu o objeto que foi pego pelas mãos trêmulas, a morena deu uma boa olhada na figura.
Era um pouco mais alta do que ela e os braços brancos e bem definidos eram deixados a mostra pelo colete de couro preto que se apegava ao seu corpo, foi quando notou que era uma mulher. Seus olhos deslizaram pelas calças apertadas até as pesadas botas escuras de combate, nas costas a mulher carregava uma aljava e um arco.
— Quem é você? – Sussurrou com a voz trêmula.
A mulher acenou com a cabeça antes de se afastar correndo e com uma agilidade impressionante escalar o prédio do teatro. Ficou parada olhando o ponto onde ela se fundiu com a escuridão antes de se afastar apressada do homem desacordado, não queria estar ali quando ele acordasse.

Deu a partida no carro ainda sentindo seu corpo tremer por debaixo das camadas de roupas, mas não podia surtar agora. Deveria se afastar do teatro antes de qualquer coisa, dirigiu com cuidado pelas ruas até chegar ao estacionamento de seu prédio. E foi nesse momento em que ela socou o volante e chorou. A testa apoiada contra o volante enquanto as lágrimas saiam pesadas pelos grandes olhos castanhos que possuía.
Não tinha ideia de quem era aquela mulher,mas se um dia a encontrasse novamente iria agradecê-la.

Rachel Berry estava em dívida com aquele anjo. Um anjo negro.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone