Dark Angel

27 Capítulo XXVI - Onde os fracos não tem vez


Notas iniciais
Cês tão vendo como eu to torturando vocês né?

Kyle jogou a cabeça de Quinn para frente fazendo com que a mulher gemesse. Ela ouviu a cadeira que ele arrastava e deixava parada na sua frente, Kyle se sentou de frente para ela.

Os dois se olharam, Kyle encobria sua visão de Rachel.

– Bem… — Kyle inclinou a cabeça para o lado. – Imagino que esteja procurando uma explicação. – Ele parou entrelaçando as mãos atrás da nuca. – Você sabia que éramos gêmeos? Não, provavelmente não sabia. Annabelle convenceu meu pai a deixa-la mentir a idade e algum agente conseguiu documentos em que a idade dela estava alterada. Idade é algo que pesa muito no mundo da moda.

Quinn olhava para ele mantendo um olhar vazio, por dentro sentia o enjoo dominar seu estômago. Apenas não conseguia determinar se era o cheiro, a provável concussão ou o que estava para ouvir que já lhe causava asco.

– Annabelle era tão… fútil. – Kyle olhava para o teto. – Tão influenciável. Naquele dia em Milão eu só precisei fazer com que ela te olhasse e apenas sussurrar algumas palavras no ouvido dela para que você se tornasse o novo brinquedinho dela. Você era o objetivo dela e é claro o clamor que você causou nas modelos só aumentou a vontade de Annabelle em ter você como seu bichinho de estimação. Precisei sutilmente lembra-la que quanto mais tempo ela demorasse para ir para a cama com você mais o seu interesse iria durar.

Quinn se manteve firme em olhar para ele.

– Eu precisei molda-la, sutilmente. – Kyle estava com as pernas esticadas apoiando uma sobre a outra. – Fazer com que ela se apaixonasse por você sem que ela notasse. Você facilitou muito o meu serviço eu devo dizer, você caiu apaixonada por ela quase que imediatamente. Ela ria me contando sobre como você era romântica e louca para agrada-la. Quando vocês finalmente casaram não foi necessário muito para que ela te convencesse a me dar um emprego.

Ele parou lambendo os lábios, mas sua expressão não se alterava em momento algum.

– Não precisei de muito para convence-la a engravidar. – Ele continuou com calma. – Quando Melissa nasceu eu já estava em uma boa posição na empresa, é claro que precisei ajudar para que Annabelle não conseguisse segurar as crianças antes do momento certo. Eu precisava estar em uma boa posição e é claro que ninguém notou em como o garoto prodígio e inteligente saia de gestor de investimentos júnior para vice-presidente. Precisei ter muito cuidado para que ninguém notasse a minha ascensão meteórica e você estava tão cega pela minha irmã que nunca desconfiou.

Kyle fechou os olhos por um momento.

– Eu roubei bem de baixo do seu nariz, mas você nunca percebeu. – O homem a olhou. – Eu estava ali na mesma sala que você durante todo o tempo e você procurando pelo erro no balanço enquanto sua esposa e filha eram trazidas para este galpão, não precisei gastar muito para contratar alguns sujeitos para isso.

Kyle parou outra vez, estreitou os olhos claros por um momento.

– Meu pai sempre soube. – A voz abaixou um tom. – No momento em que ele me viu no cemitério ele soube que eu estava nisso de alguma maneira. – Ele inclinou a cabeça, seus olhos se desfocaram por um instante. – Ele sempre teve esse olhar, acho que ele sabia quem era que estava estripando e esquartejando as raposas naquele verão que passamos no campo.

Kyle olhou para Quinn inclinando a cabeça, estreitou os olhos mais uma vez.

– Você tinha que ver o olhar dela quando eu entrei por estas portas. Era de alívio. Annabelle sempre fora fútil e tola e me via como seu protetor. Ela guinchou como um porco enquanto ouvia os gritos de Melissa.

Quinn puxou as algemas quando jogou seu corpo para frente tentando atingir Kyle. O homem deixou um pequeno sorriso chegar em seus lábios.

– Imagino que Rachel queira saber o porquê de eu ter feito tudo isso. – Kyle falou com a morena, mas não a olhou. – Sabe, eu não entendo muitas coisas que vocês falam sentir. Compaixão, amor, bondade… São fraquezas que não tenho. Nasci para ser forte e para vencer, então porque eu deveria ser um simples advogado no escritório de meu pai? Eu tinha que ser mais, muito mais. Então Rusell Fabray morreu e Quinn Fabray se tornou uma das pessoas mais poderosas do mundo e foi ai que simplesmente entendi o que era óbvio. Você era fraca de mais para ser alguém tão poderosa e eu não, sou perfeito para isso.

– Você é um psicopata. – Quinn o olhava atônita. – Um bastardo. Ela era tua irmã. Tua sobrinha.

Kyle abriu um sorriso. – E isso deve me afetar? Eu sou o monstro malvado que destruiu a sua vida?

Quinn puxou as algemas de novo arrancando uma risada baixa de Kyle.

– Sabe… — Kyle coçou a barba. – Você atrapalhou os meus planos. Eu tinha que ser rápido é claro, então quando aquele filha da mãe do St. James descobriu meu lugarzinho feliz eu fiz questão de fazer uma visita a ele. Eu tenho tudo gravado, sabia? Um dia se você quiser ver… não… pera… você não vai sair daqui eu esqueci. Enfim… — Ele parou suspirando. – Eu visitei o St. James e passei o vídeo para ele, algumas vezes. Um pouco do que vocês chamam de tortura psicológica, acho que fiz um bom trabalho já que ele enlouqueceu, certo? – Sorriu para Quinn. – Então o meu próximo passo era reformular seu testamento e fazer com que você assinasse na presença do advogado sem realmente prestar atenção. Essa parte foi bem fácil você praticamente assinava tudo o que eu estendia… eu só tinha que esperar você se matar. Mas você não fez isso, pelo contrário em algum momento simplesmente decidiu que iria lutar contra os bandidos da cidade… e aí eu tive que reformular meus planos. – Kyle se levantou e jogou a cadeira contra a parede do armazém a quebrando. – Você deveria ter se matado. Eu te dei tantas chances para isso, mas você tinha que teimar, certo?

Ele andou até Rachel a segurando pela nuca puxando o rosto da mulher para cima, o hematoma no olho esquerdo era evidente.

– Então ela se interessou por você e eu vi a minha chance. – Kyle sorriu traçando a maçã do rosto de Rachel. – Eu poderia então finalmente destruí-la por completo… bastava ela se apaixonar por você e então eu te mataria. Ela iria acreditar que não merecia ser feliz e se mataria me deixando como o herdeiro total.

Kyle deslizou os dedos pelo pescoço de Rachel.

– Foi muito difícil deixar que ela tivesse você só para ela. – Sussurrou lambendo os lábios. – Acredite que eu adoraria te comer.

Kyle soltou uma risada ouvindo Quinn se debater na cadeira e lhe xingar.

– Mas os planos mudaram. – Ele soltou Rachel esfregando as próprias mãos. – Não acho que St. James vá abrir a boca, ele estava muito alterado na delegacia. Mas eu sabia que Quinn não iria descansar até ter um culpado, então eu tive que ser prático. Você irá matar Rachel e depois se matar já que finalmente enlouqueceu.

Kyle pegou luvas descartáveis sobre a mesa para poder pegar o arco e uma flecha na aljava. O arco se armou e ele se posicionou na frente de Quinn.

– Então… devo atirar na cabeça ou no peito? – Indicou Rachel com a cabeça.

– Vá se foder. – Quinn cuspiu.

– Na cabeça será. – Ele sorriu se virando para Rachel.

Antes que ele pudesse se colocar em posição a dor varou seu ombro, ele parou olhando o sangue manchar sua camisa. Ele tomara um tiro? Virou-se para Quinn sem entender o que estava acontecendo. Sentiu a dor forte no peito e deu um passo para trás, outro tiro.

Quinn se encolheu ouvindo o choro abafado de Rachel e os gritos dos policiais.

Kyle deu um pequeno sorriso acertando a mão e antes que o terceiro tiro acertasse sua cabeça ele disparou a flecha.

Quinn olhou para baixo vendo a flecha se projetar para fora de seu corpo, olhou para Rachel vendo a morena arregalar os olhos e se debater tentando chegar até ela. Quinn respirou fundo antes de perder a consciência.

Notas finais
Será que só o Capitão América entendeu a referência? @just_someone13 e ask.fm/PSomeone