Dark Angel

22 Capítulo XXI - Louco


Quinn sorriu para os dois detetives que a secretária deixava entrar, se levantou de sua mesa e indicou o sofá confortável.
– Senhores, em que posso ajudar? — Sorriu amavelmente. — É só me dizerem para onde é e considerem a doação feita.
Puck se mexeu um pouco desconfortável.
– Senhora Fabray, eu gostaria primeiramente de agradecer em nome das famílias de nossa corporação pela ajuda com o centro de reabilitação. — Ele começou com a voz baixa. — Mas hoje não viemos fazer nenhum pedido.
Quinn olhou para os dois e lambeu os lábios.
– Alguma pista sobre o caso de minha esposa e filha?
– Infelizmente não, o que nos trás aqui é outro assunto. — Puckerman olhou para a mulher sentada ao seu lado.
– Nós sabemos quem você é. — Santana disparou.
Quinn arqueou as sobrancelhas, olhou de um para o outro.
– Fico contente em saber que ambos estão lucidos o suficiente para saberem quem eu sou. — Quinn manteve a voz pausada enquanto olhava de um para outro. — Mas isso não justifica a presença dos senhores aqui.
– Sabemos que você é Dark Angel. — Santana falou mais agressivamente.
Quinn focou seu olhar na mulher, inclinou a cabeça para o lado.
– Eu sou Dark Angel? — A loira franziu as sobrancelhas. — É uma teoria interessante.
– Não é uma teoria, nós sabemos. — Santana cruzou as pernas e manteve o olhar de Quinn.
– Detetives, essa é uma acusação muito séria. — Quinn olhou para o Puckerman. — Os senhores tem noção de que estão me acusando de ser uma assassina, correto?
– Não estamos acusando, estamos afirmando. — Santana tornou a falar agressivamente, sentiu a mão de Puckerman repousar em seu joelho.
Quinn arqueou a sobrancelha. — É uma afirmação, nesse caso imagino que os senhores tenham vindo me prender e também imagino que tenham provas muito fortes para tal.
Observou a troca de olhares dos dois e prontamente se levantou.
– Senhores, como eu disse, os senhores me fizeram uma acusação muito séria. — Quinn alterou o tom de voz o deixando mais frio. — E como percebo sem nenhuma prova para isso, me sinto ofendida com tal ousadia. Sempre mantive uma boa relação com o Departamento e não irei admitir que me façam acusações infundadas. Peço para que se retirem imediatamente de minha propriedade e torço para que encontrem o verdadeiro culpado. Esquecerei esse nosso encontro e não irei reportar isso ao meu amigo Comissário. Por favor. — Indicou a porta.
Puckerman fez Santana se levantar e a manteve na sua frente enquanto iam para a porta, ele parou já prestes a sair e se virou para Quinn.
– A Capitã Sue Sylvester manda lembranças. — Não esperou para ver a reação da mulher, simplesmente saiu da sala.

*

Rachel respirou fundo antes de tomar um gole do chá morno de limão com canela e cravo, se olhou através do espelho no camarim. Ainda tinha algumas horas antes da apresentação daquela noite e se sentia bem disposta, como já há algum tempo não vinha se sentindo.
– Rachel. — Finn entrou sem bater na porta.
A Berry pulou na cadeira quase derrubando o chá no roupão que usava.
– Droga, custava bater na porta. — Reclamou olhando para ele.
Finn encostou a porta mantendo suas costas tensas para Rachel, o terno estava desajeitado como se ele não fosse em casa se trocar já há dias. O cheiro de alcool preenchia o camarim.
– Eu estou tentando te ligar, mas você não atende. — Rachel controlou o tom de voz. — Precisava falar com você, te explicar...
– Explicar? — Finn ergueu a cabeça que estava inclinada, mas não olhou a mulher. — Explicar que enquanto fazia planos para o nosso casamento estava me traindo com Quinn Fabray, minha chefe.
– Eu não estava te traindo, você precisa acreditar em mim.
– Preciso? — Ele se virou para ela, a risada incrédula escapou pelos lábios finos. — Eu preciso acreditar em você?
– Eu não te trai. — Rachel repetiu. — Eu nunca tive a intenção de me apaixonar por ela. Aconteceu, gradualmente. Você sabe porque eu me aproximei dela, Kyle pediu para que eu o ajudasse. Você concordou com isso. Quando eu vi, já estava apaixonada e me matava saber que eu estava te iludindo.
– Imagino que sim.
– Não deboche. — Rachel suspirou. — Eu realmente sinto muito de como as coisas aconteceram, mas eu não tive controle sobre nada. Eu não te trai.
Finn esfregou o rosto com as duas mãos sentindo os pêlos ásperos da barba por fazer.
– Tudo bem. — Tentou sorrir, mas não conseguiu. — Tudo bem, você errou e eu te perdoo. Vamos, vamos retomar os planos do nosso casamento e tudo será como sempre. Você vai deixar de ver essa maldita mulher, podemos achar um novo lugar para recomeçarmos...
– Finn. — Rachel o interrompeu. — Pare, se ouça. Eu não vou voltar com você, nosso noivado terminou e não tem mais volta. Não vou sair de New York. não vou a lugar algum com você.
– Escute aqui, Rachel. — Finn avançou sobre ela fazendo com que a mulher se encolhesse contra a mesa de vaidades. — Você não vai me fazer de imbecil para o mundo todo ver. Você vai dar uma declaração publica me pedindo perdão por ser tão vagabunda e eu como um bom homem que sou terei pena de você e irei te perdoar. Vamos nos casar e ir embora desta cidade, chega de Broadway, chega de ficar fora de casa até tarde. Eu sou um homem e não vou tolerar mais isso.
– Se afasta, você está me assustando. — Rachel respirou fundo tentando conter o tremor na voz.
– Você me escutou, Rachel? — Ele avançou para mais perto.
– Eu vou gritar. — Rachel ameaçou olhando para a porta.
– Você me escutou, Rachel? — Finn manteve-se perto dela.
– Rachel, querida me desculpe, mas... — Quinn abriu a porta e parou olhando para a cena. — Atrapalho?
Finn se endireitou respirando fundo.
– Atrapalha como sempre. — Olhou para a Fabray. — Eu estava aqui conversando com a minha futura esposa.
– Sua futura esposa? — Quinn arqueou as sobrancelhas. — Entendo.
– É claro, porque um relacionamento de quase uma década não tem que terminar por uma simples distração. — Finn assumiu uma postura mais debochada. — E eu também não permitiria que Rachel permanecesse a sua mercê.
– Minha mercê? — Quinn manteve o mesmo tom de voz plácido.
– É óbvio. — Finn sorriu se aproximando de Quinn. — Você sabe o porque dela ter se aproximado de você? Foi pura pena. Ela teve pena da sua solidão, pena da sua depressão, das suas feridas. Rachel é assim sempre foi, um dia quando ainda estavamos no colégio, me lembro dela adotando um gatinho que estava muito ferido e ela cuidou bem dele. O curou, o alimentou e o amou até que o gatinho foi embora. E é a mesma coisa com você.
Ambos se encararam, Finn ansiando por humilha-la ainda mais e Quinn simplesmente se mantendo calma.
– E todos nós sabemos que qualquer um que se aproxima de Quinn Fabray acaba morto. — Finn sussurrou para ela. — Você matou a sua esposa e a sua filha. E eu não quero ter que me arrumar para o enterro de Rachel.
Quinn se inclinou para mais perto dele e sussurrou no mesmo tom.
– Sabe o que é engraçado, Finn. Quando Rachel entrou na minha vida eu estava morta, apenas existia, mas não vivia, não amava e não era amada. Como eu disse apenas existia. Agora vem a parte engraçada, Rachel se encontrava da mesma forma. Sem vida. Apenas existindo.
Finn olhou para ela estreitando os olhos escuros.
– Uma curiosidade. — Sussurrou entredentes. — O gatinho não foi embora, eu o matei.
O homem saiu com passos duros batendo a porta com força. Rachel respirou fundo sentindo o corpo tremer, não sabia o que tinha acontecido nos ultimos minutos de conversas sussurradas, mas estava a beira de um ataque de nervos.
– Parece que hoje é o dia de conversas agradáveis. — Quinn se aproximou acariciando o braço da morena. — Você está bem? Ele te machucou?
– Não, eu to bem. — Puxou a mão de Quinn obrigando a mulher a lhe abraçar. — Apenas me segura. Ele está ficando louco. Louco.
– Shhh. — Quinn a beijou nos cabelos. — Está tudo bem, tudo ficará bem. Estou aqui.
– Não é que eu não ame o fato de você estar aqui, mas porque você está aqui? — Rachel sussurrou se aconchegando mais ao pescoço de Quinn fazendo com que a mulher se inclinasse um pouco mais.
– Hnnn.. a NYPD já sabe quem é Dark Angel. — Sussurrou sentindo Rachel enrijecer. — Eles não tem como provar isso e pelo que entendi não vão me prender.
– O que isso significa? — Rachel apertou mais o corpo de Quinn.
– Eu ainda não tenho ideia. — Quinn suspirou beijando o ombro moreno. — Mas não se preocupe com isso agora.
– É claro, por que o fato de que você pode ser presa a qualquer momento não me preocupa. — Rachel se afastou dela, viu o sorriso de Quinn. — Pare de sorrir.
Quinn simplesmente acariciou o rosto de Rachel e a beijou nos lábios.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone