Dark Angel
23 Capítulo XXII - Custe o que custar
Rachel assinou o último programa da noite antes de sorrir para as meninas que se afastavam. Edgar já lhe esperava com a porta do carro aberta e um sorriso acolhedor.
– Edgar, eu vou jantar com alguns amigos. — Rachel sorriu para ele. — Vou acabar saindo tarde, vá para casa.
– A senhora Fabray me colocou a sua disposição para tudo. — Edgar respondeu prontamente.
– Mas não é necessário. — Rachel continuou sorrindo. — Pode ir, vou ficar bem. Kurt e Sam me levam para casa depois. Vá dormir.
Edgar manteve-se parado olhando para a mulher.
– Permita-me leva-la ao restaurante então. — O senhor insistiu.
– Não é necessário, só vou andar duas quadras. — Rachel agitou os braços soltando uma risada. — Você teria que dar uma volta desnecessária, vá para casa é uma ordem.
Edgar suspirou e se rendeu dizendo que estaria na hora de sempre na frente do prédio da mulher que sorriu e lhe mandou um beijo de boa noite.
Rachel balançou a cabeça ainda sorrindo antes de se afastar para o lado contrário ao qual o homem tinha acelerado o carro. A noite estava começando a demonstrar que a primavera estava presente, o clima já não estava frio para usar casacos pesados e grossos, a simples jaqueta era suficiente.
A alegria da primavera também estava contagiando a mulher, tinha ouvido mais cedo Quinn ao telefone mandando fazer o que para ela já era um costume. Plantar as flores favoritas de Annabelle pelos canteiros que fossem possíveis. Rachel sorriu diante do gesto da namorada, Quinn havia lhe explicado o porque fazia aquilo a cada primavera e ela havia aceitado de bom grado. Tinha colocado em sua cabeça que não disputaria espaço com Annabelle e nem poderia fazer isso, estava feliz e satisfeita em saber que Quinn queria estar com ela. Não tinham falado sobre paixão e amor, ainda era muito cedo para isso, se sentiam confortaveis uma com a outra e isso bastava.
Quanto aos pequenos gestos de amor que Quinn ainda fazia pela falecida esposa... bem... Annabelle tinha sido a mulher da vida de Quinn e Rachel agora ocupava esse posto.
A mão agarrou sua boca a mantendo tapada e o corpo bruto se grudou em suas costas, a lâmina fria da faca se instalou exatamente sobre o pulsar da carótida.
– Cale a boca. — O rosnado em sua orelha. — Estou te dando mais um aviso e estou sendo bonzinho com você. Se afaste dela antes que eu te mate. Estou perdendo a paciência com esta palhaçada e quando eu perco a paciência... — Pressionou a faca sutilmente e Rachel sentiu a ardência da pele sendo rompida. — Eu cometo loucuras...
Empurrou a morena com violência e correu para o lado oposto da rua costurando entre os carros e rapidamente se misturando a multidão que andava ali.
Rachel respirou fundo colocando a mão na garganta, o sangue não era tanto, parecia mais um arranhão. O corpo tremeu violentamente e ela buscou o ar olhando em volta, as pessoas lhe encaravam. Alguns tinham presenciado a cena, mas mantiveram distância em um primeiro momento e agora se aproximavam perguntando se poderiam ajudar.
Rachel sentiu a cabeça leve e o teto preto que lhe tomou.
*
O polegar suave acariciava sua pele.
– Shhhh... — Ouviu a voz de Quinn. — Estamos no hospital, calma.
Rachel focou seu olhar em Quinn e apertou a mão da loira na sua, tinha acabado de despertar.
– O que aconteceu? — Olhou para a loira.
– Eu gostaria de saber. — Quinn acariciou o rosto de Rachel com a mão livre. — Você desmaiou na rua, algumas pessoas te socorreram e ligaram para a 911. Disseram que um homem encapuzado e armado com uma faca te abordou, mas não levou nada.
Rachel tentou relaxar contra o colchão, mas manteve o aperto firme na mão de Quinn.
– Eu estou aqui. — Quinn sussurrou se inclinando para a mulher. — Me diga o que aconteceu.
– Me prometa não se zangar. — Rachel sussurrou buscando o olhar de Quinn. — Eu preciso que você prometa que não vai sair daqui e que ficara comigo.
Quinn franziu as sobrancelhas sem entender o por que do pedido, se inclinou mais sobre Rachel e reuniu toda a sua firmeza.
– Eu não vou sair daqui. — Trancou seu olhar no de Rachel. — Eu não vou a lugar algum e vou te proteger contra o que for. Vou manter minha calma e se o que te preocupa é que eu saia daqui igual uma louca caçando o infeliz que te abordou então eu prometo deixar a polícia cuidar disso.
– Você me prometeu. — Rachel apertou a mão de Quinn.
– E eu cumpro as minhas promessas. — Quinn deu um pequeno sorriso.
– Há alguns meses eu estava autografando na saída do teatro e um homem me estendeu um papel, achei que ele queria um autografo, mas era um bilhete. O bilhete dizia que eu deveria me afastar dela. Eu não entendi o que era e não dei importância.
Quinn se sentou na cadeira e se inclinou para Rachel sem deixar de toca-la nem por um segundo, sentiu o sangue começar a gelar.
– Então naquele dia, quando almoçamos juntas e você estava me levando ao teatro...
– O dia que você foi quase atropelada por uma moto. — Quinn acenou com a cabeça, ela se lembrava do dia.
– Sim, depois que você saiu eu recebi flores. Eram tulipas, escuras, negras e tinha um bilhete que dizia que da próxima vez iriam passar por cima. — Rachel lambeu os lábios. — Nós fomos viajar e eu tratei de esquecer aquilo, eu não queria pensar naquilo. Queria me concentrar em você e em nós...
– Mas essa noite. — Quinn falou com a voz rouca.
– Ele me agarrou por trás e colocou a faca no meu pescoço. — Rachel sentiu o corpo tremer. — Disse que estava me dando mais um aviso e que eu deveria me afastar de você antes que ele me matasse. Ele estava perdendo a paciência e quando ele perde a paciência ele comete loucuras.
Quinn sentiu o corpo frio e o tremor leve em seu corpo.
– Quinn. — Rachel sussurrou.
– Você deveria ter me contado antes. — Quinn se inclinou para ela a beijando na mão que segurava. — Deus... se algo tivesse acontecido.
– Não aconteceu...
– Mas poderia. — Quinn olhou para ela, deslizava a boca pelos dedos de Rachel. — Deus, poderia e quase aconteceu. Seria culpa minha, se algo acontecesse com você. Se você se machucasse por minha causa...
– Quinn, por favor. — Rachel murmurou sentindo os olhos queimarem. — Não é culpa sua.
– Não? — Quinn sussurrou se levantando, apoiou a mão ao lado da cabeça de Rachel se inclinando. — Ele manda você se afastar de mim antes que ele te machuque e não é culpa minha?
– Ele é louco. — Rachel sussurrou. — Não se culpe pela loucura dos outros. Eu deveria ter te contado, é verdade, mas eu não quis estragar o que estamos vivendo.
– O que estamos vivendo é a causa de você estar em um hospital agora! — Quinn exclamou se afastando.
– Você me prometeu. — Rachel foi rápida. — Você me prometeu.
Quinn parou de costas para a morena, respirou fundo. Ela havia prometido. Virou-se para a morena que segurava o lençol que cobria suas pernas com força.
– Você me prometeu. — Rachel repetiu. — Não me deixe.
– Sabe o que Finn me disse naquele dia? — Quinn sussurrou olhando para a parede. — Ele me disse que não queria se arrumar para o seu enterro. Porque todos que se aproximam de mim acabam mortos.
– Quinn! — Rachel a chamou assustada.
A loira olhou para baixo esfregando a nuca.
– A culpa foi minha. — Rachel falou tentando atrair a atenção da loira. — Eu dispensei o Edgar, insisti para que ele fosse para casa. Eu ia jantar com Sam e Kurt como tinha te dito, eu poderia ter deixado ele me levar, mas fui teimosa.
– O problema não é você ter dispensado o Edgar. — Quinn a olhou antes de lamber os lábios. — Não é essa a questão. A questão é que estão te ameaçando por que você está comigo.
– E eu vou continuar. — Rachel manteve a voz firme. — E não me olhe desse jeito Quinn Fabray. Eu não vou me afastar de você ou parar de viver a minha vida porque tem um lunático maluco que quer.
– Já parou pra pensar que talvez tenha sido esse lunático maluco que matou minha esposa e minha filha? — Quinn estava mais séria.
– Então agora nós vamos pega-lo e ele vai pagar por isso. — Rachel ergueu a mão para ela. — Você prometeu me proteger e não existe lugar no mundo que eu me sinta mais segura do que com você.
Quinn esfregou a nuca outra vez antes de suspirar e se aproximar da morena a tomando pela mão.
– Se eu perco você, eu enlouqueço. — Quinn sussurrou para ela.
– Você não vai me perder. — Rachel acariciou o rosto dela. — Eu vim pra ficar, achei que você já soubesse disso.
Quinn concordou com a cabeça a beijando na testa.
– Kurt e Sam devem estar querendo te ver. — Sussurrou contra a pele da morena. — E creio que também tem alguns policiais esperando para falar com você.
– Okay. — Rachel sussurrou de volta. — Apenas não saia do meu lado.
– Estarei sempre ao alcance da sua mão.
*
Quinn a amparou enquanto empurrava a porta do quarto, Rachel suspirou. Quando dormiam juntas nunca era no triplex da Fabray e agora ela estava aqui, na suíte da loira.
– Eu posso andar. — Rachel sussurrou enquanto Quinn lhe segurava.
– O médico pediu para que você tivesse cuidado, você teve uma queda de pressão. — Quinn retrucou. — E aquele tanto de fotógrafos na saída do hospital acabou me dando nos nervos.
– Preciso falar com meus pais. — Rachel bocejou enquanto a loira a ajeitava na cama.
Quinn prontamente pegou o telefone que ficava na mesinha de cabeceira e estendeu para ela.
– Se importa se eu tomar um banho? — Acariciou o rosto da morena.
– Não. — Rachel bocejou outra vez. — Tivemos uma noite longa, não achei que eles fossem me liberar tão cedo.
– Bem, tive que garantir ao médico que você ficaria em supervisão acirrada. — Quinn sorriu. — Fale com seus pais, eu já venho.
A morena suspirou vendo a outra se afastar, digitou o número da cada dos pais sabendo que eles já estariam dormindo a essa hora.
– Hey papai. — Murmurou com um pequeno sorriso. — Eu estou bem, estou ligando por isso. — Parou ouvindo a pergunta. — Sofri uma tentativa de assalto e acabei tendo uma queda de pressão, estive no hospital e depois que me liberaram Quinn me trouxe para o apartamento dela. — Parou outra vez. — Papai eu juro que estou bem, Quinn não me deixaria sair sem que eu estivesse. — Suspirou com um pequeno sorriso. — Sim, sim, eu sei... — Revirou os olhos com um sorriso carinhoso. — Sim, ela está cuidando bem de mim... não, não é necessário papai. Eu sei que vocês ficariam mais tranquilos, mas eu não acho que seja necessário eu estou bem. — Suspirou outra vez. — Okay papai, eu estarei esperando os senhores. Beijos, boa noite.
Devolveu o telefone a base e se aconchegou nos travesseiros deixando o cheiro de Quinn lhe envolver. O que quer que fosse o que tinham lhe dado no hospital estava começando a fazer efeito.
– Querida. — Ouviu o sussurro de Quinn e abriu os olhos que nem tinha percebido que haviam se fechado. — Está tudo bem?
Se aconchegou no corpo de Quinn sentindo ela lhe envolver.
– Unhum... — Murmurou apoiando o nariz contra a curva do pescoço de Quinn. — Meus pais cismaram de vir a New York.
– Eu imagino que sim. — Quinn a beijou na testa. — E é bom que eles venham.
– Unhum... — Rachel murmurou já cochilando.
Quinn suspirou apertando o corpo da mulher contra o seu. Estava com medo de perder Rachel. Estava com medo de que a frase de Finn se confirmasse verdadeira. Beijou a testa da mulher outra vez a apertando de novo. Iria proteger Rachel Berry nem que isso custasse a sua vida.
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