Dark Angel

21 Capítulo XX - All to me


O rosto exageradamente próximo a tela era quase assustador. Nariz avantajado e fino, cabelos em um afro ruivo, olhos claros e pequenos.

– Então, é isso. — O homem sorriu enquanto a câmera se afastava. — Senhoras e senhores, está provado, aqui, filma aqui. — Apontou para o monitor. — A reclusa Quinn Fabray está de namoricos com a atriz da Broadway, Rachel Berry.

A câmera focou em uma foto que era exibida, as duas mulheres mencionadas estavam uma de frente para outra em um restaurante e tocavam as mãos enquanto sorriam uma para a outra.

– Isso, meus senhores é uma... delícia! — O homem bateu as mãos. — Queremos os detalhes suculentos dessa nova união. Rachel Berry não era noiva? Nossos paparazzis a pegaram vendo vestidos de noiva há duas semanas, então... onde está o noivo? Eles terminaram? Houve traição ou nós acabamos de revelar uma traição? Espera... espera... — Estendeu a mão para pegar o papel que surgia pela lateral. — Temos notícias quentes.. — Cheirou o papel antes de olhar para o que estava escrito. — Oh sim, tem cheiro de traição, senhores... fede a mais pura traição. Vamos parar por um momento e prestar nossos respeitos a Annabelle Fabray. — O homem parou postando as mãos na frente do corpo, era uma posição de maior abuso que ele poderia cometer, o deboche escorria pelo rosto do homem. — Agora.. — Ele se abanou com as mãos. — Vamos recapitular essa história. Me deixe contar uma histórinha... há seis anos, Quinn Fabray teve a esposa e a filha raptadas, uma história dramática é claro. Elas foram mortas e enfim... Quinn se escondeu em uma caverna de três andares em plena Upper East Side. Saia de lá para tomar sol duas vezes por ano em bailes beneficentes que a própria oferecia sempre em homenagem a esposa e a filha. — O homem parou fazendo beicinho. — Senhores, é uma triste história nós sabemos. — Retirou um lenço do bolso fazendo um movimento exagerado para secar as lágrimas inexistentes. — E então, um de seus funcionários. — Parou olhando para o papel. — Sim, o nome do corno é Finn Hudson. Isso, Finn Hudson, ansioso para subir na carreira se destacou dentro da Fabray Enterprises e fora convidado para uma dessas festas beneficentes oferecidas pela pobre e indefesa viúva, e o rapaz, ingênuamente... — Parou coçando o queixo liso. — Levou sua noiva e namoradinha do High School com ele, iria se destacar de todos com uma bela mulher nos braços, é claro. O que ele não esperava é que Quinn Fabray iria se apaixonar por Rachel sem sal Berry. Nas semanas seguintes de maneira pouco chamativa as duas mulheres iniciaram o seu tórrido caso de amor, o pretexto? A construção de um teatro pela Fabray Enterprises. — O homem parou de falar e se balançou sobre a planta dos pés. — Também foram vistas em clima de romance pela cidade, mas Fabray sempre muito discreta soube levar a coisa toda sem que ninguém percebesse e para isso eu tiro meu chapéu. — Começou a bater palmas olhando para a câmera. — Seu único erro foi ter feito essa viagem romântica, seria a despedida de solteira de Miss Berry? Meu diretor está aqui dizendo que temos que encerrar e que eu provavelmente serei processado de novo, mas quer saber? Me processem, eu apenas digo a verdade. Doa a quem doer. Sou Jacob Ben Israel e este é o A culpa é das estrelas. O programa, não o livro, afinal as super estrelas são as únicas culpadas, vejo vocês amanhã.

O homem amassou a lata de cerveja que estava em sua mão e a arremeçou contra a televisão. Sentiu o sangue escorrer pelo pulso. Finn Hudson não seria chacota em rede nacional. Finn Hudson não era corno.

*

Quinn estava sentada na poltrona vendo Rachel andar de um lado para outro falando com sua relação públicas.

– Eu sempre fui clara, minha vida profissional não se mistura a vida privada. — A morena parou lambendo os lábios. — Não darei declaração alguma sobre isso no momento, não darei entrevistas que não sejam sobre o final da peça e até nessas entrevistas quero que deixe claro que é expressamente proibido falar nesse assunto. Eu confio em você Tina, sei que não vai me decepcionar.

Quinn suspirou vendo a mulher esfregar o pescoço antes de se virar para ela.

– Bem... demorou, não foi? — Rachel se sentou no colo de Quinn.

– Mais do que poderíamos esperar. — Quinn suspirou. — Sinto muito.

– Não sinta, mas eu preciso falar com Finn. — Rachel acariciou o braço de Quinn. — Sinto que não será uma conversa fácil.

– Eu falarei com Kyle para ver se cabe alguma ação civil. — Quinn garantiu antes de beija-la no rosto. — Tente esquecer isso.

– Não consigo. — Rachel respirou fundo. — Eu odeio essa parte... eu acabei expondo ele também. Como se ele já não estivesse machucado o suficiente. E expus você, você não tem que ser tratada dessa forma e muito menos Annabelle. Me desculpe.

– Rachel, pare. — Quinn a segurou pelo pulso. — Se acalme, respire. Está tudo bem.

Rachel respirou fundo antes de se aconchegar a loira outra vez.

– Queria que fosse mais fácil...

– Eu sei. — A loira a aconchegou mais em seu corpo.

*

Puxou a morena pelas portas do banheiro deixando o vapor quente da banheira chegar até ela.

– Te preparei um banho. – Quinn sussurrou. – Quero que relaxe e descanse, vou ligar para o Kyle e enquanto isso não quero que pense em mais nada.

Rachel respirou fundo sentindo o beijo casto em seus lábios e a loira que saia porta a fora. Quinn encostou-se próxima a lareira do quarto.

Achei que fosse me ligar mais cedo. — Kyle parecia tranquilo. — Já acionei os advogados, não se preocupe. Mas agora me diga… tórrido caso de amor? Sério? Por que eu fui corno nessa história e fui o último a saber?

– Pare de brincadeiras. – Quinn resmungou olhando na direção do banheiro. – Alguma notícia de Finn?

Bem… falando nesse corno… desculpe, desculpe. — Kyle soltou uma risada baixa. – Não, ele não vem trabalhar já há uns dois dias. Mandou avisar que está doente.

Quinn passou a língua pelos lábios e respirou fundo.

– Avise ao Edgar que eu o quero colado a Rachel. Onde ela for eu o quero junto. – Quinn sentiu os músculos do pescoço enrijecerem. – Isso vai se tornar um carnaval.

Não fique tão paranoica. – Kyle falou em um tom calmo. – Ela está segura, não pense o pior.

– E eu quero que permaneça assim. – Quinn fechou os olhos.

Posso falar com minha co-cunhada? Isso existe? – Ele pareceu refletir sobre a própria palavra.

– Não a provoque, ok? Lembre-se que você é um homem adulto. – Quinn resmungou entrando no banheiro, estendeu o celular para uma Rachel que estava submersa na banheira de espuma. – Kyle, se ele te provocar pode xinga-lo.

– Deixe de ser implicante com ele. – Rachel resmungou pegando o celular. – Kyle?

– Hey. – Ele falava mais baixo, respirou fundo. – Obrigado, Rachel. Obrigado por traze-la de volta. Obrigado por me dar uma nova chance.

Rachel sorriu olhando para o rosto de Quinn que estava sentada no chão aquecido apoiando seus braços na beirada da banheira.

– Eu é que te agradeço. – A morena sussurrou antes de se despedir dele e desligar o telefone. – Vem cá.

Quinn arqueou a sobrancelha antes de sorrir, a morena ergueu os dedos cheios de espuma e os passou na ponta do nariz da loira.

– Entra aqui comigo, por favor. – A morena pediu manhosa.

Quinn sorriu para ela.

*

Deixava a ponta dos dedos deslizarem pelo osso da clavícula sentindo a linha que era traçada, estava com a cabeça apoiada no ombro de Rachel. Seus corpos envolvidos um no outro e com o grande edredom ajudando a manter as duas aquecidas. Rachel havia pedido para que ela acendesse a lareira e as chamas estavam quase em brasa naquele instante. Sentiu os dedos deslizarem pelas suas costas traçando a exata linha de sua coluna.

– Aqui tudo parece tão calmo. – Quinn sussurrou. – Nada de perseguições pela madrugada ou problemas da empresa para resolver.

– Eu sei. – Rachel a beijou nos cabelos. – Nada empolgante, certo? Sem couro, flechas, capuz e ficar pulando de prédios em prédios protegendo atrizes indefesas.

Quinn sorriu antes de deslizar a ponta dos dedos pelo braço de Rachel até poder entrelaçar seus dedos.

– Me sinto em paz. – Sussurrou apoiando o queixo sobre o ombro da morena para poder olha-la. – Aqui, nessa cama com você. Eu me sinto em paz, é como se eu não precisasse de mais nada, mas quando pousarmos amanhã em New York…

– Você vai sentir que precisa fazer tudo o que você faz. – Rachel acariciou o rosto da mulher. – E eu entendo isso, você é uma mulher maravilhosa, Quinn Fabray. E o seu coração é maravilhoso.

– Eu tenho medo de perder você. – Quinn sussurrou voltando a se aconchegar no ombro da mulher. – De te colocar em risco.

Rachel a apertou pelos ombros sentindo a respiração acelerar, assim como o coração.

– Por que você me perderia? – Acariciou o ombro de Quinn.

Quinn apertou o rosto contra o ombro de Rachel.

– Apenas tenho medo. – Sussurrou, se aconchegou ao pescoço de Rachel roçando o nariz contra a pele. – Isso tudo é bom de mais para ser verdade, entende?

– Bem, não se preocupe. – Lambeu os próprios lábios, sentiu a garganta secar. – Eu não vou a lugar algum.

Quinn suspirou se apertando mais ao corpo de Rachel.

– Mesmo que você veja o meu pior lado? – Sussurrou contra a pele da mulher. – Mesmo que descubra coisas que te assustem?

– Querida, eu não vou fugir. – Rachel puxou o rosto da mulher. – Eu vim para ficar, okay? Seja da maneira que for, eu vim para ficar.

– Da maneira que for? – Quinn repetiu.

– Como sua amiga ou sua mulher. – Rachel a encarou, acariciou o maxilar de Quinn. – Eu vim para ficar, aconteça o que acontecer.

Quinn apoiou sua testa na de Rachel e então ambas respiraram juntas.

– Give your all to me I’ll give my all to you.. – Rachel cantarolou a vendo fechar os olhos. — You’re my end and my beginning... even when I lose I’m winning...

– Não. – A loira sussurrou, sua mão repousou no maxilar de Rachel a segurando, seu dedo indicador deslizou para trás da orelha da morena enquanto o polegar acariciou o lábio inferior da mulher. – Você foi o fim de uma Quinn e o início de uma nova. Você me salvou Rachel Berry e se eu puder te dar o mundo eu irei dar.

– Eu só quero uma coisa Quinn. – Rachel deslizou sua mão pelas costas nuas da mulher. – Que você volte para mim todas as noites. Faça o que você tiver que fazer para te dar paz, mas volte para mim todas as noites. Inteira. É o que eu te peço.

*

A mulher loira usando um terninho escuro e cabelos bem penteados empurrou a porta e entrou na sala ampla cheia de mesas apinhadas de arquivos. Olhou para o quadro onde tinha um mapa da cidade, além de fotos e linhas que se conectavam, encontrou boa parte dos policiais. Se aproximou devagar ouvindo a balburdia deles.

– Você não pode estar defendendo essa mulher. – Um dos homens gesticulava. – Ela mata, acha que é um de nós.

– Todas as testemunhas que já se apresentaram foram categóricas. – O mais jovem rebateu. – Ela só mata quando não tem outra opção.

– Então isso justifica? – Um terceiro se pronunciou, era mais velho e possuía cabelos grisalhos. – Um homicídio é justificável?

– Não disse isso. – O rapaz se defendeu, passou a mão pelos cabelos raspados. – Nós não conseguimos sozinhos. Essa mulher, essa justiceira Dark Angel, uma vigilante de capuz, máscara e arco e flecha está conseguindo proteger esta cidade melhor que nós.

– Cuidado Puckerman. – O primeiro homem ergueu um dedo grosso. – Você está ofendendo toda uma força policial.

– Eu sei. – O rapaz apertou as mãos em punhos. – Eu estou me ofendendo também, mas é a verdade.

– Puckerman, cale a boca. – A mulher loira falou em voz baixa atraindo a atenção de todos. – Agora se o café já terminou eu espero que todos voltem para os seus afazeres. Os relatórios não irão ser escritos sozinhos e os casos não irão se resolver por mágica. Puckerman e Lopez, eu quero os dois na minha sala.

A mulher deu as costas para os homens que começavam a se mover e rumou para o canto oposto entrando em seu escritório.

– Fechem a porta. – Se sentou na cadeira confortável e se inclinou olhando para os dois detetives na sua frente. – Quando eu designei vocês dois para cuidar do caso Dark Angel eu achei que vocês seriam mais competentes.

O rapaz estava em pé de frente para a mesa, sentiu os músculos da garganta tencionarem enquanto a mulher parada atrás dele descansava o corpo contra a parede de vidro que tinha as persianas abaixadas.

– Você quer morrer tão jovem, Puckerman? – A mulher continuou.

– Não Capitã. – O rapaz respondeu com a voz rouca.

– Eu espero que não, agora... – A capitã se inclinou contra a cadeira apoiando os pés na mesa. – Eu posso saber por que vocês ainda não identificaram esta mulher?

– As testemunhas não conseguiram nos dar uma descrição. – A mulher chamada Lopez se manifestou.

A capitã encarou os dois por alguns instantes, antes de lamber os lábios.

– Já que aparentemente eu tenho que ensinar os dois a somar dois e dois... – Entrelaçou os dedos na frente do corpo. – Me digam… quem dentro desta maldita cidade tem dinheiro e tecnologia o suficiente para ser Dark Angel?

Puckerman se mexeu incomodado antes de olhar para Lopez.

– Não podemos provar. – Ele respondeu.

– Quem dentro desta maldita cidade teria tido uma perda tão grande que a fizesse perseguir homens que cometem crimes?

– Não podemos provar. – Lopez repetiu o que Puckerman havia dito.

– Então me digam, quem dentro desta maldita cidade não teria nada a perder caçando bandidos pelas ruas?

– Não podemos provar que é Quinn Fabray. – Puckerman apoiou as mãos na mesa se inclinando na direção da mulher.

– Ótimo, porque eu não quero que vocês provem. – A mulher desceu os pés os apoiando com firmeza no chão, ao mesmo tempo que suas mãos encontravam o tampo da mesa e impulsionavam o seu corpo para cima, encarou o homem com um olhar feroz. – Eu quero que vocês a ajudem a proteger esta maldita cidade.

Os dois detetives se endireitaram olhando para a capitã.

– Eu espero que vocês se certifiquem que os garotos lá fora não saibam juntar dois e dois. – A mulher lambeu os lábios. – Agora vão atrás de Quinn Fabray e protejam a minha maldita cidade.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone