Dark Angel
26 Capítulo XXV - Você?
Notas iniciais
Quinn saiu da cafeteria olhando em seu celular, estava esperando por Puckerman e Lopez. Sua história com Sue Sylvester era longa e se agora a mulher tinha lhe feito o favor de não mandar lhe prender como medida preventiva o mínimo que ela poderia fazer era ouvir o que os dois detetives tinham a dizer a mando da mulher.
– Quinn Fabray? – Ouviu o chamado e se virou para olhar.
Olhos azuis e cabelos que antes tinham cachos e agora estavam cortados curtos.
– Detetive St. James? – Quinn deu um pequeno sorriso, guardou o celular e estendeu a mão para ele. – Que surpresa.
– Me chame de Jesse, já não estou mais na força policial. – O homem sorriu para ela.
– Ah… — Quinn se espantou. – Eu não sabia, peço desculpas.
– Não é nada demais eu apenas quis experimentas novas coisas. – Jesse sorriu para a mulher. – Soube que você voltou a governar a cidade.
Quinn soltou uma risada antes de encolher os ombros.
– Eu passei um bom tempo de luto, mas… é como dizem… a vida tem que continuar. – Seu tom de voz abaixou um tom, mas o homem entendeu o que quis dizer.
– Eu te entendo, gostaria de conversar mais, mas tenho um compromisso. – Jesse se desculpou levando a mão a nuca.
– É, eu também estou esperando algumas pessoas. – Quinn sorriu para ele. – Foi um prazer te ver outra vez, agora em uma situação mais prazerosa.
– Eu digo o mesmo. – O rapaz sorriu para Quinn antes de começar a se afastar.
A loira suspirou antes de tomar um gole de seu café.
– Quinn. – Ouviu o chamado outra vez e olhou para ele. – Nunca diga que eu não dei chances, eu dei três e mesmo assim ela insistiu em continuar com você. Sabe, é uma pena que tenha que acabar assim, mas ela irá se machucar.
Quinn observou o homem dar as costas e se afastar, o café caiu de suas mãos enquanto a mulher permanecia estática entendendo o que o homem havia falado. Jesse St. James era aquele que estava perseguindo Rachel. Jesse St. James fora o detetive no caso de Annabelle e Melissa. Jesse St. James fora aquele que lhe contara o que havia acontecido com sua esposa e sua filha. Jesse St. James fora aquele que entrara primeiro no galpão, aquele que havia encontrado as duas.
– Senhora Fabray? – Ouviu a voz de Puckerman, mas não o olhou. – Senhora Fabray?
O toque em seu ombro era insensível.
– Foi ele. – A voz rouca de Quinn não era sua. – Foi ele.
– Ele quem? – Puckerman franziu as sobrancelhas sem entender.
– Jesse St. James. – Quinn lambeu os próprios lábios.
– O ex-detetive Jesse St. James? – Santana franziu as próprias sobrancelhas, se enfiou na frente de Quinn. – Fabray!
Quinn piscou e olhou para ela.
– Jesse St. James foi expulso da polícia há anos atrás, dizem que ele enlouqueceu depois que…
– Depois que encontrou minha mulher e minha filha. – Quinn completou. – Foi ele.
– Foi ele? – Santana repetiu. – Fale coisas com coisas mulher.
– Jesse St. James acabou de me encontrar aqui neste lugar. – Quinn olhou para ela com uma força que obrigou Santana a dar um passo para trás. – Trocamos algumas palavras e ele disse que precisava sair, deu meia volta e alguns passos antes de me chamar outa vez e dizer que havia dado chances para ela se afastar de mim, mas ela insistiu em continuar comigo e por isso ela iria se machucar.
Santana olhou para Puckerman que prontamente puxou seu celular.
– Para que lado ele foi? – Santana perguntou com a voz baixa.
– Na direção do teatro. – Quinn sentiu o coração bater forte.
Santana precisou segura-la no lugar para que Quinn não saísse correndo.
– Você vem comigo para a delegacia. – Santana a segurou com força. – Puck de o alerta e corra para o teatro, avise a patrulha mais próxima.
*
Rachel correu para Quinn e se prendeu ao corpo da mulher, Quinn tremia dentro da sala de Sue Sylvester.
– Você está bem? – A loira sussurrou antes de segurar o rosto de Rachel.
Rachel apenas assentiu com a cabeça sem conseguir dizer nada. Haviam conseguido chegar até Jesse antes que ele ateasse fogo no teatro durante o ensaio, o homem tinha tido um surto psicótico e aos berros dizia que precisava terminar com aquilo para que Quinn não sofresse mais e que Rachel nunca iria merece-la.
Rachel fungou se agarrando ao vestido de Quinn, a loira virou-se para Sue enquanto segurava Rachel.
– Eu quero esse desgraçado morto. – Sussurrou com a voz fria. – E eu quero que todos os movimentos dele durante a investigação do assassinato de Annabelle e Melissa sejam revistas. Não me faça entrar com quinze advogados aqui dentro Sue.
Sue se limitou em levantar-se da cadeira que estava e abrir a porta da sala para que as duas saíssem, conduziu as duas mulheres até uma antessala onde puderam ver Jesse sentado em uma cadeira de metal. A mulher saiu deixando as duas sozinhas na pequena saleta observando atrás do vidro.
A porta da sala em que Jesse estava se abriu e por ela entrou Sue, trancou a porta e se aproximou do homem imóvel.
– Você tem algumas explicações para dar Jesse. – Parou de frente para o homem e de costas para o vidro.
– Explicações? – Jesse sorriu sem olhar para Sue. – Devo explicações?
– Sim, deve. – Sue olhou atentamente para ele. – Porque Rachel Berry?
– Sabe… eu nunca dormia. – Jesse começou com calma ainda sem olhar para Sue. – Não conseguia fechar os olhos sem pensar naquele galpão. O sangue seco, o cheiro rançoso de fezes, urina e tripas podres.
– Jesse eu estou falando de Rachel Berry. – Sue bateu na mesa atraindo a atenção dele.
– E eu também. – Jesse a olhou. – A história se inicia naquele galpão. A cabeça de Annabelle estava sobre a mesa, sabia? Alguma vez você viu as fotos? Aqueles belos olhos azuis estavam abertos e a língua não ficava dentro da boca desdentada. Dava para ver pedaços do crânio dela, sabia? Tinha pedaços do corpo dela espalhados pelo chão, mas o corpo de Melissa… o corpo de Melissa estava no canto do galpão e cada parte estava pendurada em um gancho preso ao teto. Ele abusou de uma menina de três anos enquanto a mãe observava, foi o que a perícia disse.
Rachel olhou para Quinn que tremia vermelha.
– Quinn vamos sair daqui. – A Berry tentou segurar no rosto da mulher, mas Quinn permanecia firme.
– Não. – A voz não era mais alta do que um murmúrio. – Eu quero ouvir.
– Quinn, não faça isso. – Rachel entrou na frente da mulher tentando atrair sua atenção, mas era inútil. A Fabray apenas tremia.
– Eu precisava saber. – Jesse continuou com o tom de voz monótono. – Eu precisava saber de tudo. Eu estudei cada relatório e cada foto, eu memorizei cada passo de tortura que as duas sofreram. Ele começou arrancando as unhas de Melissa antes de cerrar os dedos e depois dos pés. Ela apanhou, muito, não tinha um osso inteiro em seu rosto.
Sue tinha um tom pálido em seu rosto.
– Eu conheço o relatório. – Sue tentou fazer com que ele parasse.
– Mas ela não. – Jesse olhou para Sue. – Quinn não conhece.
– Você está torturando essa mulher. – Sue se levantou olhando para ele. – Pela sua diversão?
– Não, eu quero que ela entenda o porquê que Rachel Berry deve se afastar dela. – Ele manteve a fala calma.
– Foi você. – Sue se inclinou sobre a mesa apoiando as mãos na mesa. – Você matou as duas e agora ameaça Rachel Berry.
– Eu não matei nem Annabelle e nem Melissa. – Jesse negou com a cabeça. – Mas posso te dizer que se Rachel Berry tivesse morrido pelas minhas mãos ela teria um final melhor do que o que a aguarda. Quinn Fabray não pode ter ninguém e não é porque eu me apaixonei por ela e sim porque qualquer um que se aproxime muito irá ter uma morte cruel e dolorosa. Vocês estragaram o favor que eu prestaria a Rachel Berry.
– E quem vai matar lenta e dolorosamente Rachel Berry?
– Ah… — Jesse sorriu para Sue. – Essa é a questão de ouro não é? Devo dizer que essa foi a questão que mais me deixou acordado. Quem teria sido esse monstro? Então uma noite eu estava acordado e percebi com um estalo, era tão óbvio. E então ele me levou até elas, tive que esperar ele sair para poder entrar no galpão, mas elas já era tarde mais obviamente. Mas eu nunca entendi o porquê.
– Porque você não o prendeu? – Sue bradou.
– Porque eu não sabia o porquê. – Jesse sorriu. – Não entendia o motivo para um ato daqueles e também nunca teríamos as provas necessárias.
– Quem é ele? – Sue se inclinou sobre a mesa puxando Jesse pela gola da camisa, mas o homem apenas sorriu para ela.
– O porquê. – Ele sussurrou sorrindo. – Eu gostaria de saber o porquê.
Quinn tentou quebrar o vidro, mas Rachel a jogou contra a parede usando seu corpo para tentar conte-la.
– Ele sabe quem foi. – A loira tremia. – Ele sabe quem foi.
– Calma, ele está delirando. – Rachel tentava conte-la. – Quinn ele está louco, ele pode não saber de nada e achar que sabe.
Rachel estava quase em desespero tentando acalmar Quinn, mas nada parecia funcionar. Fora necessário chamar Mike Chang até a delegacia para que ele sedasse Quinn.
*
Rachel estava sentada ao lado da cama de Quinn a mulher estava dormindo, não tinha a mínima ideia do que iria acontecer quando Quinn acordasse. O descontrole da loira tinha lhe assustado.
Deslizou a ponta dos dedos pelo rosto pálido de Quinn traçando as linhas do rosto da mulher. Ouviu a porta abrir e ergueu os olhos para Dave que entrava segurando uma pequena bandeja.
– Foi um dia difícil. – O senhor tinha um semblante abatido. – Precisa se alimentar.
– Obrigado Dave. – Sussurrou ainda olhando para Quinn. – Alguma notícia?
– Kyle está na delegacia esperando por algo, está com os advogados. – Dave informou com um suspiro pesado. – Pelo menos estamos mais perto de finalmente ver este animal preso.
Rachel respirou fundo sentindo a lágrima escorrer pela ponte de seu nariz.
– Eu só quero que ela tenha paz. – Sussurrou ciente que o homem a ouvia. – Eu só quero poder viver nossa vida em paz, ter os nossos filhos e vê-la sorrir todos os dias.
Fungou baixinho antes de limpar o rosto.
– Algumas gotas de limão, mas não o suficiente para transformar o creme em um curd, apenas o necessário para que ele tenha uma nota suave. – Dave olhava para Rachel que se mantinha inclinada na direção de Quinn.
– Hn? – Rachel olhou para ele.
– É o segredo do creme inglês. – O senhor deu um pequeno sorriso. – Rapas de limão siciliano e algumas gotas de seu sumo.
Rachel olhou para ele e concordou com a cabeça.
– Será um prazer fazer para a senhorita quando estiver grávida, apenas me prometa que cuidará dela. – Dave não impediu o próprio choro. – Eu… eu tenho essa menina como minha própria filha…
Rachel estendeu a mão para ele e assim que ele a segurou puxou a mão do homem para que pudesse beijar-lhe o dorso.
– Eu te prometo Dave, eu vou fazer Quinn a mulher mais feliz do mundo. – A Berry apertou a mão do homem.
O senhor começou a se recompor antes de sorrir para Rachel e sair do quarto. Rachel olhou para a mulher que ainda dormia e deitou ao seu lado se aconchegando contra o corpo da mulher. Só podia rezar para que quando Quinn acordasse Kyle já tivesse chegado em casa com notícias boas para ela.
Sentiu a mão suave em seu braço e prontamente abriu os olhos, não havia percebido que tinha adormecido.
– Kyle? – Rachel se sentou olhando para ele. – Que horas são?
– Um pouco depois da meia noite. – O homem suspirou passando a mão pelo seu rosto barbado.
– E então? Ele falou? – Rachel mal podia conter sua ansiedade.
Kyle concordou com a cabeça ainda se mantendo em silêncio, ele parecia abatido.
– Sim, ele falou. – Kyle olhou para longe dela. – Eu… droga…
O homem correu os dedos pelos cabelos antes da lágrima escapar e lentamente deslizar pelo seu rosto se emaranhando a barba áspera que ele tinha.
– Eu preciso de ar. – Kyle se levantou bagunçando os cabelos mais uma vez.
– Eu vou com você. – Rachel se levantou cobrindo Quinn.
– Não, de verdade. – Kyle ergueu as mãos. – Fica com a Quinn ela precisa de você.
– Quinn está dormindo. – Rachel pôs a mão sobre o braço de Kyle. – Ela só vai acordar mais tarde e até lá já estaremos aqui. Nesse momento eu posso te fazer companhia e te ajudar a digerir a notícia.
Kyle respirou fundo antes de concordar com a cabeça.
*
Quinn acordou tonta, o quarto estava escuro e sua boca seca, olhou em volta sem entender exatamente como tinha chegado ao seu quarto. Se sentou esfregando o rosto, a dor de cabeça estava densa na parte de trás de seus olhos e as lembranças do que tinha acontecido mais cedo chegaram em flashes.
Quinn estendeu a mão para o celular que estava na cômoda, precisava de explicações. 3:47AM era o que o visor marcava e tinha uma chamada de voz e pelos menos 4 ligações não atendidas todas de Kyle.
Quinn tentou ligar para ele, mas o celular estava desligado, optou por ouvir a mensagem de voz.
– Quinn… — A voz de Rachel transmitia pavor. – Quinn… eu preciso de você… por favor… eles derrubaram o Kyle ele não está se mexendo… estamos no galpão… eu não sei quem eles são…
O som de um tapa interrompeu a fala da morena e logo a ligação foi interrompida. Quinn sentiu o frio se espalhar por suas veias e antes que pudesse raciocinar direito se lançou para fora da cama atingindo a parede falsa. Rachel e Kyle estavam em perigo. Ela não perderia mais ninguém.
*
O homem estreitou os olhos sem acreditar que realmente estava vendo uma figura encapuzada sair do alto daquele prédio e pular para o prédio seguinte. O sorriso maldoso se estreitou em seus lábios enquanto acelerava pela cidade sem perder a mulher de vista e fora com um prazer fora do comum que a viu se dirigir para o porto e entrar sorrateiramente em um galpão abandonado. E foi com um sorriso maior que ele voltou todo o caminho até a delegacia.
– Eu quero falar com o responsável. – Bateu a mão contra a madeira do balcão.
A delegacia parecia estar um caos, com gritos e pessoas correndo de um lado para o outro.
– Ela está ocupada. – O policial nem ergueu os olhos para o homem.
– Bem, então ela que se desocupe por que eu tenho algo muito sério para falar com ela. – O homem bradou atraindo a atenção de alguns policiais.
– O que está acontecendo aqui? – Sue se aproximou olhando para o homem alto.
– Eu tenho informações valiosas. – O homem estufou o peito atraindo mais atenção ainda. – Dark Angel é Quinn Fabray.
Sue Sylvester olhou para o homem tentando esconder a raiva que sentia.
– Perdão? – A capitã dissimulou sua raiva.
– Quinn Fabray é Dark Angel. – O homem repetiu. – E nesse momento ela está no porto em um galpão abandonado.
Sue podia ouvir seus homens começando a se mover.
– Que galpão? – Sue perguntou.
– Ele tem o número 100 pintado no alto das portas. – O homem deu de ombros.
Sue sentiu o coração disparar, sabia bem qual era esse galpão.
– Tem certeza que era Quinn Fabray?
– Sim, ela saiu do alto de sua cobertura e foi saltando de prédio em prédio. – O homem estreitou os olhos escuros. – Não vai fazer nada?
Sue lambeu os lábios antes de se virar para latir suas ordens.
– Prestem bastante atenção, é provável que tenhamos um sequestro em andamento. – Viu seus policiais pararem. – Chegaremos com cautela e com as sirenes desligadas, eu quero que o galpão seja completamente cercado. Sem tiros até que seja extremamente necessário e apenas para que fique claro o alvo não é Dark Angel.
– Quinn Fabray. – O homem a corrigiu irritado.
Sue o ignorou enquanto avançava pela delegacia latindo suas ordens, o homem a ignorou, se virou para sair do prédio. Assim que entrou no elevador seu sorriso aumentou. Finn Hudson tinha sido bem claro, ele iria destruir Quinn Fabray. E ele tinha acabado de fazer isso.
*
Piscou sentindo o cheiro de ranço no lugar, o álcool havia entrado queimando por suas narinas. O latejar no lado esquerdo de sua cabeça e o calor pegajoso deixou claro que alguém havia lhe nocauteado. As restrições em seus pulsos e o fato de estar sentada era um indicativo de que estava presa a uma cadeira. Piscou tentando limpar sua visão, podia ouvir o assobio atrás de sua cabeça. Viu Rachel presa em uma cadeira na sua frente, a morena tinha os olhos arregalados e a boca coberta por fita o que a impedia de falar.
Olhou pelo lugar, mas não conseguia achar a fonte do assobio, apenas viu uma massa caída no chão. Era um homem e parecia ser loiro. Não conseguia ver o rosto de onde estava, mas só podia ser Kyle, ele tinha que estar vivo.
Sentiu alguém agarrar sua nuca e sua cabeça explodiu em dor, sua visão ficou turva e cheia de pontos negros. Precisou piscar algumas vezes para focar o rosto do homem e o seu sorriso frio.
– Bu. – A voz inflexiva. – Jura que você nunca desconfiou?
E ali segurando sua nuca e lhe olhando com uma expressão vazia estava Kyle Kingson.
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