Dark Angel

7 Capítulo VI - Planos


Rachel estava sentada no sofá observando uma Quinn imóvel na poltrona. Os cotovelos repousados nos braços do assento e as mãos entrelaçadas na frente do abdômen. Sentia o clima entre ela e Kyle e isso quase a sufocava tamanho a tensão entre os dois.

– Boa noite. – Quinn inclinou a cabeça para o lado. – Meu cunhado disse que tem algo para me propor.

– Sim, infelizmente eu tenho que ir para o teatro e não poderei discutir todos os detalhes hoje, mas gostaria que você ao menos considerasse a idéia.

Quinn arqueou a sobrancelha esquerda e fez um gesto para que ela continuasse.

– Eu estive pensando e cheguei à conclusão que, embora, o hospital infantil que você mantém seja… o melhor do estado… falta algo.

Quinn ergueu o queixo e os olhos se estreitaram levemente.

– Diversão. – Rachel encolheu os ombros. – São crianças no final das contas.

– Como assim?

– Eles precisam se divertir. – Rachel respondeu com simplicidade. – Eles precisam se distrair dos tratamentos, rir um pouco para esquecer a dor.

– E o que sugere?

– Bem… eu havia pensado em uma peça infantil para começar, mas também tenho algumas outras idéias.

Quinn olhou para os próprios dedos entrelaçados, estava pensando no que a morena estava dizendo. Procurava algum sentido naquilo que ouvia e por mais que relutasse em aceitar uma proposta dela, não podia negar que a mulher estava certa.

.- Hn… — Resmungou antes de acenar com a cabeça. – Você está certa, as crianças precisam disso. Pode auxiliar o tratamento delas.

Rachel trocou um olhar rápido com Kyle que continha o sorriso.

– Peter Pan. – Quinn murmurou distraída.

.- A peça? – Rachel perguntou interessada. – Essa peça?

– Se você não se importar. – Quinn ergueu os olhos que exibiam um verde penetrante.

Rachel abriu um sorriso largo antes de se levantar.

– Nem um pouco, vou conversar com algumas pessoas para descobrir quem possui os direitos autorais e entrarei em contato. – Segurou a bolsa próxima ao seu corpo. – Eu preciso ir…

– Se possível venha almoçar comigo amanhã. – Quinn também se levantou. – Podemos conversar melhor sobre isso e decidirmos como faremos isso.

– Eu acho perfeito. – Rachel estendeu a mão.

Quinn se adiantou a apertando rapidamente, parou por um segundo registrando a pele suave em contato com a sua.

– Eu lhe levo até o elevador. – Quinn sorriu com calma e moveu a mão para que ela fosse a sua frente.

*

Puxou o zíper o prendendo firmemente, sua mão fo automaticamente para a aljava a transpassando em seu tronco.

– Fugindo de mim? – A voz de Annabelle fez uma carícia fria em seus ouvidos.

– Não, apenas já está na hora de ir. – Quinn respondeu sem se virar.

Pegou a pequena máscara e a colocou no rosto antes de puxar o capuz por cima de sua cabeça. Sua mão alcançou o arco.

– Estarei aqui quando voltar. – Annabelle sussurrou.

– Estará comigo para onde eu for. – Respondeu em voz baixa enquanto subia as escadas para poder sair.

Descia com cuidado pela parede, sempre se agarrando com firmeza nos apoios que existiam. Precisava de um novo esconderijo, isso era certo. Algo subterrâneo talvez. Olhou para trás vendo o terraço do prédio mais próximo, apoiou-se na parede e a usou como impulso para chegar ao prédio. Seu corpo fez uma volta graciosa antes dos pés aterrissarem contra o cascalho. Moveu-se com cuidado mantendo o corpo contras as sombras.

Parou no beiral e puxou um pequeno aparelho de um dos bolsos invisíveis do colete. Se agachou e passou a olhar todas as câmeras que tinha acesso, havia invadido o sistema da polícia para manter um controle melhor da cidade.Seus olhos rastreavam a câmeras a procura de algo suspeito. Respirou fundo antes de guardar o aparelho no bolso, sacou uma flecha da aljava e rodou a ponteira procurando a que queria. Uma luz esverdeada surgiu proximo as penas, Quinn sorriu antes de acoplar a flecha no arco.

Sua mão esquerda segurava firmemente a empunhadura, tocou a linha tesa nos lábios e fez a mira no alto de um prédio.

*

Rachel entrou em casa e prontamente ouviu a televisão alta, Finn estava deitado no sofa. A blusa manchada por molho barbecue das costelas que havia comprado para jantar e algumas garrafas de cerveja na mesa de centro e uma em sua mão.

– Oi meu amor. — Finn sorriu meio bêbado. — Eu estava esperando o jogo acabar e já ia te buscar.

.- Quinn deixou o motorista comigo. — Rachel deixou o casaco sobre um dos sofas, estava irritada com ele.

– Por quê? — Finn franziu as sobrancelhas.

– Fui falar com ela sobre um projeto que eu gostaria de desenvolver e ela foi gentil ao me ceder o motorista. — Se sentou retirando as sandálias. — Já disse que não gosto que coma na sala. As manchas de gordura são horríveis para tirar e mais uma vez eu ficaria grata se não comesse carne no meu apartamento.

Finn a olhou antes de rolar os olhos e soltar a respiração irritado. Ergueu o corpo recolhendo tudo o que sujara e foi para a cozinha jogar o lixo fora.

Rachel deixou o corpo cair contra o encosto do sofa e suspirou sentindo o cansaço do dia, seus ouvidos eram bombardeados pelo som absurdamente alto da televisão e aquele maldito jogo de futebol. Gostava de silêncio após uma apresentação dupla, como a que fizera mais cedo. Queria um chá, um bom banho e o silêncio aconchegante de um apartamento vazio.

– Eu estive pensando. — Finn se aproximou secando as mãos na camisa suja, pegou o controle e abaixou o volume quando viu o vinco entre as sobrancelhas escuras da mulher. — Em um ano eu já devo conseguir a minha promoção e em mais seis meses já vou estar estabilizado e poderemos enfim a organizar o casamento.

Rachel abriu os olhos para encara-lo antes de suspirar concordando com a cabeça.

– Então só temos que esperar mais um ano e meio?

– Rach... — Finn suspirou. — Eu sei que é complicado, estamos juntos a tanto tempo, mas...

– Eu entendo. — Rachel deu um sorriso apagado. — Vou tomar um banho, termine de assistir o jogo.

Finn sorriu para a mulher e a observou sair da sala satisfeito com a concordância da noiva.

– Rach, eu te amo. — A chamou antes que a morena saisse do seu campo de audição.

– Também. — A morena respondeu.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone