Dark Angel
7 Capitulo O7 – Nada Mudou.
Capitulo O7 – Nada Mudou.
Joguei uma manta por cima dele para que ele não tivesse frio e beijei o topo de sua testa, com um sorriso bobo no rosto. Apaguei a luz do quarto e fui na sacada. Me sentei olhando o céu e me escorei na parede, fechando os olhos.
– Tenho saudades Drew. – murmurei contra o vento, sentindo a aragem bater em meu rosto. Ouvi um barulho e um calafrio percorreu minha espinha. Abri os meus olhos e encontrei um papel meio amassado em minhas pernas. O peguei e suspirei lendo.
‘Eu também, prometo que vou voltar o mais rápido que conseguir assim que os despistar’
Guardei o papel no bolso de meus shorts e voltei para o quarto. Me sentei do lado de Dean que dormia tranquilamente e liguei a TV zapeando os canais procurando algum filme legal, o que não deu certo. Bufei alto fazendo Dean rir fraco e logo ele me puxou, fazendo eu cair desajeitadamente do seu lado. Revirei os olhos bufando alto e ele abriu os olhos lentamente ainda com aquele sorriso sacana no rosto.
– Não dá pra dormir com você do meu lado. – ri fraco.
– Você é um chato, Dean.
– Dorme comigo? – perguntou manhoso me ignorando. Suspirei, não resistindo a cara de cão chutado dele e acabei por assentir. Ele sorriu feliz e me puxou para ele, me embrulhando debaixo da manta e passou seus braços por mim me puxando para mais perto. Aquilo era saudade, só podia. Descansei minha cabeça em seu peito e ele respirou fundo, afagando os fios de meus cabelos.
– Quanto tempo você vai ficar cá? – perguntei fraquinho, fechando os olhos.
– Algumas semanas. Acabei a escola e como sou o riquinho, não preciso de arrumar trabalho. – riu sem graça. – Vida calma, nadando em dinheiro, você sabe. Assim como você. – assenti.
– O que você fazia lá no Brasil? – perguntei curiosa. Ele riu.
– Transar comer e dormir. – bufei alto, fazendo ele rir.
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– Tô com fome. – Dean reclamou passando a mão na barriga fazendo uma careta engraçada.
– Você sempre tem fome. – falei me levantando da cama onde estávamos sentados.
– Tive uma ideia. – falou e eu o olhei. – Podíamos ir no cinema drive-in, conheço um aqui perto e sei lá, comer algo. – falou e eu sorri torto.
– Sei, vamos ver filme de terror fico com medo me agarro em você e você fica todo feliz. Não, seu besta. – falei me curvando para pegar as bagunças que ele tinha jogado no chão, acabei recebendo um tapa na bunda. Mino folgado esse. Me virei para acertar um tapa em sua cara mas ele foi mais rápido pegando em meu pulso e eu fiquei com cara de bunda. Ele sorriu sacana, grudando nossas testas.
– Eu ainda sou safado, Colbie. – sussurrou fazendo eu me arrepiar. Mas qualé, toda garota se arrepiaria com um garoto perfeito como ele fazendo isso. Engoli a seco e sorri amarelo.
– Tá, agora me larga! – ele desceu seu braço até minha cintura e chocou nossos corpos. Arfei de surpresa, olhando em seus olhos verdes e brilhantes.
– Se lembra de quando você não se importava com nada? – ele sussurrou. Engoli a seco. – Se lembra quando nos beijávamos? – assenti, revirando os olhos.
– Quando estávamos carentes, mas é isso…
– Estou carente. – sorriu torto. – Me beija? – ele falou e eu ri pela cara que ele fez. Era obvio que ele estava brincando, ele era muito coiso com essas coisas. Ele não flertava, namoriscava ou beijava nossas amigas, mas ele sempre falou que eu era irmã dele e ele curtia incesto. Vá saber né. Eu nunca me importei, afinal eram só beijos, beijos que quase se tornavam numa coisa por causa da carência mas mesmo assim, apenas beijos. E agora eu tinha Drew, e eu concerteza não queria baralhar as coisas.
– Para de graça, Dean. – falei fazendo um biquinho, biquinho esse que ele beijou. Porra, ele tava carente mesmo. Mas foi isso, só um selinho mesmo.
– Eu tava brincando, Colbs. – falou rouco. Tá vendo, falei que ele tava brincando.
– Aham, e eu tô apaixonada por outro garoto, então nem vem. – sorri torto. Ele fechou a cara e ficou estático parado no lugar.
– Quem é ele? – perguntou sério. O encarei confusa e ele trincou os dentes. Ciúme é foda. – Se ele te machucar, eu mato ele! – falou sério até demais. Ri fraco.
– Ele te mataria primeiro. – ri abobada. – Mas deixa pra lá, vocês poderão ser bons amigos no futuro. – ele fez um bico engraçado.
– Não vamos parar com os selinhos, né? – revirei os olhos.
– Você sabe que nunca vamos parar, Dean. Até quando formos casados nós vamos dar selinho. – falei divertida e ele riu, me dando um selinho. É saudade, ok?
Arrumamos algumas coisas numa mala e descemos. Peguei no pacote de pipoca e uns cartuchos de Diamante Negro. Claro, não me esqueci dos cinco frasquinhos de Nutella, uns dez pacotes de Toddynho, uma garrafa de água, um garrafão de coca-cola e um extra para acompanhar, dois pratos de panquecas, um prato de salgadinhos, e a convidada especial, a torta. Claro, dez mini-tortas porque eu e Dean partilhamos a mesma paixão árdua por torta. Saímos sem nos despedirmos de dona Mandy, mas isso não é importante. Suspirei encarando o seu carro. Um ’67 Chevy Impala. Meu sonho desde que me conheço por gente. Amo demais esse carro, ele é maravilhoso e me faz sentir no Paraíso. Coloquei a mala os assentos de trás e logo me sentei no carona, respirando profundamente enquanto que sentia o cheiro macio do carro. Dean entrou do outro lado dando um tapinha de leve no motor, com um sorriso incontrolável.
– Essa é a minha baby. – falou orgulhoso ligando o motor e eu quase que gemi de aprovação. – Ter vinte anos, um trabalho e ser rico é uma dádiva de Deus. – sorriu prontamente. Você pode estar pensando que existem carros melhores que esse aqui, mas me deixa falar uma coisa pra você: ESSE É O MELHOR CARRO DO MUNDO E SEU ARGUMENTO É INVÁLIDO.
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– Me passa a torta. – grunhi com os olhos presos no ecrã gigante na nossa frente. Dean bufou me entregando a torta, já metade comida por ele. Gordo filho da mãe. Dei de ombros e comi o resto dela em três tempos, logo depois despejando a Coca-Cola por minha garganta e libertei o ar em aprovação. Dean riu e pegou na Vodka que ele tinha escondido na Baby, como ele chama o carro. Olhei para ele e bufei. – Não pode beber Vodka, sabia?
– Tenho vinte, sabia? – sorriu debochado e eu bufei irritada, cruzando meus braços. – Tudo bem, prova lá. Prometo que não conto a ninguém. – falou me estendendo a Vodka. Olhei para ele, em dúvida.
Eu podia negar e chamar ele de louco. Eu podia pegar a garrafa e partir ela na cabeça dele. Eu podia rir e negar. Eu podia jogar a garrafa no lixo, mas tudo o que eu fiz foi revirar os olhos, pegar na garrafa, dar um gole e depois tentar não vomitar. Ele riu, pegando a garrafa de volta e bebeu aquilo tudo em quatro goles. Caralho, como ele consegue?
Eu ia falar algo quando o ecrã começou transmitindo uma cena para maiores de dezoito. Tenho pena, tenho dezasseis apenas. Dei de ombros, sentindo as minhas bochechas corarem com a cena por pura vergonha. Ver uma cena imprópria com o safado do seu melhor amigo maior de dezoito não era a melhor coisa do mundo, mesmo. O clima ficou tenso. Revirei os olhos e ele riu, colocando uma mão em minha coxa só pra me deixar pior. Revirei os olhos, tentando ouvir os gemidos sem fazer alguma careta ou fingir que aquilo era normal. O que não era.
– Desculpa aí. – riu debochado. – Não sabia que tinha cenas de sexo.
Joguei a garrafa de Coca em sua cara e ele riu, me dando um selinho rápido. Bufei, e dei graças a Deus quando a porre do filme acabou. Festejar seria uma boa ideia se eu não tivesse olhado o céu e tivesse visto nuvens negras por tudo o que é lado. Iria chover. Oh Canadá, doce Canadá. Jogamos o lixo na lixeira dali e chegamos em casa em quinze minutos. Estava começando a chover. Entramos apressados e subimos até o segundo andar. Olhei as horas em meu relógio e vi que eram dez da noite. Sim, estivemos todo aquele tempo vendo filmes e fazendo gracinhas. Coisa normal.
– Boa noite, princesinha. – ele falou me dando um selinho demorado. Correspondi o abraçando, adorava passar o tempo com ele.
– Boa noite Deano. – ele revirou os olhos sorrindo e acenou, saindo até o quarto de hóspedes porque meus pais concerteza não deixariam ele dormir no meu quarto que eu.
Caminhei até o meu quarto e me espreguicei. Tirei a minha roupa ficando apenas de langerie e coloquei uma camiseta curta e confortável para eu dormir. Olhei lá fora e suspirei, mas antes que eu pudesse caminhar até a cama ouvi um estrondo á minha frente. Vidros se partindo. Levantei a minha cabeça assustada e senti um aperto em meu peito quando encontrei Drew ferido, cortes abertos e manchas vermelhas em suas roupas. Completamente banhado em seu sangue.
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