Dark Angel

8 Capitulo O8 – Lágrimas De Um Anjo.


Capitulo O8 – Lágrimas De Um Anjo.

O meu corpo congelou e eu senti lágrimas quentes se formarem em meus olhos. As minhas pernas fraquejaram e as minhas mãos trémulas se fecharam em punhos, enquanto que eu engolia a seco e mordia o lábio inferior. Ele levantou um pouco sua cabeça, ainda sem mexer o seu corpo e eu pude ver os seus olhos caramelados. Havia um corte atravessando a sua pálpebra do olho, que se mantinha quase fechado, e dele caíam lágrimas de sangue. Os seus olhos transmitiam dor, uma dor inconsolável. Parecia que ele iria desabar a qualquer momento, mas não. Ele apenas estava lá parado, me olhando. Por segundos, até mesmo minutos. Caminhei lentamente até ele, para não o assustar e ele gemeu de dor, caíndo de joelhos. Corri ate ele, me ajoelhando na sua frente e peguei em suas bochechas com minhas mãos, que logo se encharcaram com suas lágrimas sangrentas. Olhei fundo em seus olhos e ele respirou com dificuldade.

– O que aconteceu, Drew? – perguntei com a voz fraca, enquanto que ele analisava os meus olhos, com a expressão quase sem vida.

– Eles… Eles iam me matar, CoCo. – abaixou o olhar, fechando os olhos levemente. – Meus irmãos… Os meus irmãos, eles…

– Não precisa falar nada, anjo. – ele assentiu desesperado. O seu corpo tremeu e eu engoli a seco, juntando todas as minhas forças para o deitar no chão do jeito mais confortável possível. Ele gemeu de dor, colocando uma mão sobre o abdómen. Olhei para ele receosa e ele assentiu, fechando os olhos.

Levantei a sua camisa levemente, encontrando um corte fundo em seu abdómen. Não sabia muito sobre medicina mas eu ia dar um jeito. Fiz pressão sobre o corte e ele gemeu de dor, logo depois mordendo o lábio inferior. Fitei as minhas mãos lambuzadas de sangue e respirei pesadamente, encarando o corte. Eu sabia que se um humano tivesse sofrido um corte assim, ele teria morrido no mesmo segundo. Corri até o banheiro de meu quarto e peguei um monte de coisa, logo voltando para o quarto encontrando Drew desesperado. Me ajoelhei do lado de seu corpo, mergulhando uma toalha no corte para o sangue estancar. Ele suspirou, soltando o ar com força.

– Eu vou cuidar de você. – forcei um sorriso, que o calmou um pouco. Ele assentiu, encarando o teto com os olhinhos brilhando com as lágrimas. Peguei numa agulha e num troço, e comecei cozendo o corte enquanto que rezava baixinho pra dar tudo certo. Mergulhei um pouco de álcool para desinfectar e ele se debateu, tendendo a cabeça para trás arqueando o pescoço. Coloquei uns trocentos tipos de pomada diferentes para não doer mais e tirei vestígios com uma pinça. Ele afastou as minhas mãos cuidadosamente e sorriu fraco.

– A partir daqui eu consigo melhorar, não se preocupe. – ele falou colocando sua mão sobre o corte. Uma luz brilhante reluziu em sua mão e eu me assustei vendo que o corte já estava completamente cicatrizado. Ele riu fraco, descendo a sua camisa e eu respirei pesadamente, aliviada por ele estar bem. Ele acariciou a minha bochecha com a sua mão e eu o encarei, com minhas bochechas esquentando. Consegui ver escrito em seus olhos para me aproximar, e foi o que eu fiz. Isso era intrigante, não era preciso palavras. Apenas um olhar e nós nos entendíamos. Ele me puxou para mais perto e tomou os meus lábios para si, num beijo urgente e ao mesmo tempo delicado. Me encolhi do lado de seu corpo, retribuindo o beijo gostoso e apaixonante. Ele quebrou o beijo com um selinho e sorriu fraco, me mantendo junto dele.

– O que aconteceu lá, anjo? – perguntei receosa, com cuidado. Ele respirou fundo.

– Eu não quero falar sobre isso, amor. – ele falou e eu estremeci. Todo o meu corpo ficou trémulo e eu sorriso boba, completamente aérea. As sensações não poderiam ser descritas quando estava junto dele, era demasiado complexo, único. Ele me encarou e deu uma risadinha rouca, percebendo suas palavras. – O quê, CoCo? Não posso te chamar assim? – perguntou divertido. Eu ia responder que ele podia, numa forma desastrosa e nervosa mas ele riu primeiro, passando seus braços protetoramente por minha cintura. – Eu sei que é estranho, mas eu te amo. – sorriu torto e eu respirei com dificuldade, com um sorriso tímido.

– Para de desviar a conversa, Drew. – falei e o seu sorriso desapareceu instantaneamente. – Ninguém consegue lidar com tudo isso escondido dentro de você, ninguém. – afirmei e ele bufou irritado.

– Mas eu não sou humano, eu sou um anjo. – ele tava tirando uma com minha cara. – E anjos não sentem nada. – sua voz quebrou comprovando que nem ele mesmo acreditava em suas palavras. Revirei os olhos, me livrando dos seus braços á volta de minha cintura.

– Então o que você sente em relação a mim? – perguntei e ele me olhou, atordoado e sem resposta. Ficamos ali segundos, parados, olhando um ao outro. Eu tentando arrancar uma resposta dele e ele sem saber o que falar. Depois de dois minutos ele se deu por vencido, sentando em minha cama, com a cabeça escorada na parede. Me sentei do seu lado, pois a cama estava na horizontal, do lado da parede. Ele bufou.

– Sinto vontade de proteger você. – tentei não sorrir mas foi inevitável. – Cada vez que olho pra você eu me esqueço de todos os meus pecados, de todas as almas que fiz sofrer, de todas as lágrimas que causei. Do desespero que criei em minha antiga casa. Me esqueço que decepcionei todo mundo que amava. – suspirou. – Em você eu vejo algo diferente, algo novo. Algo que em minha vida de bilhões de anos eu nunca descobri. Você é tudo o que o Inferno inveja, tudo o que os Céus sonham, tudo o que os anjos veneram. Você é a chama mais fria, o gelo mais quente. Você é uma perdição, você tira o sentido das coisas. – ele bufou frustrado, começando a falar de um forma desesperada, como que se ele estivesse tirando todas as palavras do seu coração. – Quando vi você pela primeira vez á cinco anos atrás, eu senti a sua alma arder. Foi intenso, foi novo. Eu passei minha vida me perguntando porque Deus preferia os humanos do que a nós, e agora percebi que é por causa de humanos especiais como você. Passei minha vida com inveja, com ódio de vocês, e agora eu sinto uma vontade incontrolável de cuidar de você mesmo que isso custe minha vida. – fechou os olhos com força. – Miguel me avisou que os humanos tinham uma energia diferente, eu só não pensava que seria tão poderoso assim.

Me manti calada, observando o seu peito subir e descer conforme a sua respiração pesada. Ele se escorou na parede atrás de nós novamente. Sua mão parou em cima da minha e sorri fraco, enquanto que ele entrelaçava nossos dedos cautelosamente.

– Há uns dias atrás eu estava em minha casa, o Inferno. – engoli a seco. – Torturando almas, esse tipo de coisa, quando senti a presença deles. Eu saí dali, mas eles pegaram meu rastro e me seguiram. Eu não pude te visitar pois eles estavam tão atrás de mim, um segundo poderia fazer a diferença. Quanto eu já estava longe daqui, para eles não pegarem você eu decidi colocar minha vida em risco para fugir. Eles me pegaram, me torturaram… Meus próprios irmãos puxavam minhas asas, tentavam arrancar as penas, cortavam o meu corpo. – uma lágrima solitária escorreu por sua face. – Eu podia ver a mágoa no olhar deles, provando que eles não queriam fazer isso, mas eles eram obrigados, nós éramos inimigos. Eu sou um inimigo. – bufou. – Eu sou um dos guerreiros mais poderosos motivado por minha raiva, eles não me subestimam. Eles falam que eu sou especial, que eu serei o príncipe do Inferno… – engoliu a seco. – E eu não quero, porque mesmo depois de tudo, eu ainda os amo.

Senti um aperto em meu peito e me senti inútil. Eu falava mal de minha vida, mas ele sofria muito mais. Muito, muito mais. Ele suspirou abaixando a cabeça a escondendo por entre suas mãos. Me aproximei receosa, e depois de tomar coragem passei meus braços por volta dele com medo do que ele pudesse fazer, surpresa a minha quando ele afastou suas mãos de seu rosto, revelando as suas lágrimas brilhantes e quentes e seu olhar se encontrou com o meu. Ele me olhava confuso, não sabendo como reagir ou porque me deixava ver o lado mais vulnerável dele. Mas eu queria demonstrar que sempre estaria ali para ele, assim como ele sempre esteve aqui para mim. Ele sorriu fraco, limpando suas lágrimas. Lágrimas de um anjo.