Dark Angel
6 Capitulo O6 – Dean.
Capitulo O6 – Dean.
O fim de semana demorou pra vir, mas eu dei um jeito de aguentar. Não posso falar que esses três dias foram fáceis, porque eles não foram. Cathy estava destroçada, os pais dela brigavam já há um bom tempo, assim como os meus, mas os pais dela sempre tiveram brigas mais intensas. Há dois dias eles anunciaram que iriam se separar. Cathy iria ficar cinco dias com o pai, e ficaria todos os fins de semana com a mãe. Além disso, minha mãe e meu pai planearam uma conversa séria comigo falando sobre hospícios e pessoas loucas. Por detrás de todas as minhas gracinhas eu não pude evitar os olhos marejados e os indícios de choro. Todas as muralhas que construí estavam caíndo. Não tinha vontade de fazer nada, tão pouco comer. Dormir era mais difícil pois os pensamentos não e abandonavam nunca e eu pensei que a tortura nunca iria acabar. Maddlyn deixou de pegar pesado comigo, houve vezes que ela deu uma de irmã carinhosa e se declarou como um “ombro amigo”. Claro né, ela é uma das razões de minha vida ser um Inferno e ainda diz que posso desabafar com ela. Se imaginarmos a cena, podemos ver claramente eu falando “você é uma puta ignorante que não se importa com meus sentimentos e que só dá pra todo mundo” e a cara dela de ofendida. Mas esqueçam, ela nunca vai colocar isso na cabeça.
Drew não apareceu mais. Eu queria desabafar com ele, e pelo que ele escreveu ele também queria estar aqui do meu lado, mas que ele estava ocupado no… Inferno. Ele escreveu que os antigos inimigos dele voltaram e poderiam descobrir de mim, me colocando em perigo pois eu era um alvo fácil e também um ponto fraco dele. Não me preocupei nem um pedacinho, medo de morrer desaparece quando as pessoas estão pra baixo, não é mesmo? Ele também escreveu que sempre que chegava em meu quarto eu estava dormindo ou trancada no banheiro chorando, e ele falou que não aguenta me ver chorando então ele sai rápido. Eu não sei como me tornei tão fraca depois de três anos, mas sei que não é bom. Desde quando eu me abalo com um grupo de patricinhas falando que ninguém nunca se importará comigo?
“Se nem sua mãe se importa, quem se importará?”. Há duas semanas atrás eu estaria rindo que nem uma égua e mandando elas se fuderem, mas eu me machuquei legal. Pra falar a verdade, aquelas palavras doeram, arderam bem no meio de meu peito. Talvez porque no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que era verdade. Ou talvez seja só porque tenho esse mau pressentimento que algo errado vai acontecer. Só não sei o quê.
– Colbie. – ouvi Maddlyn falar docemente. Como falei, ela vem bancando a irmã doce e compreensiva. – Não vai descer? – falou preocupada e senti a sua mão em meu ombro, num carinho nem tão reconfortante assim. Bufei, me repreendendo por não ter trancado a merda da porta e me virei rapidamente, ficando olhando para o teto.
– Já desço Mad. – ela assentiu, afastando sua mão de meu ombro rapidamente.
– Só queria avisar que eu vou sair num encontro com um garoto que conheci há uma semana. – sorriu torto. – Vai ficar bem?
– Junto de meus pais, não. – revirei os olhos fazendo ela gargalhar.
– Para de birra, marrentinha! – ela falou e eu sorri torto. Me lembrava uma certa pessoa, perdida no Brasil. Aquele muleque folgado. – Mas você vai ter uma surpresa hoje. – sorriu e eu arqueei uma sobrancelha.
– O quê? – perguntei bocejando de seguida.
– Quem, não o Quê. – falou e eu fiquei confusa mas deixei pra lá. – Ok, estou indo. Até mais!
– Beleza! – falei fazendo joinha.
– Tenho de sobra! – falou se achando e eu mostrei língua, fazendo ela rir e sair de meu quarto.
Pousei meu olhar sobre o teto de meu quarto e respirei fundo, encarando o mesmo. Era num tom rosado, embora eu não sou uma grande fã de rosa eu acho fofo o rosa clarinho. É suave e não… é. Desviei minha atenção para as paredes que costumavam ser da mesma cor, mas agora estavam cobertas de posters e mais posters. Minhas bandas preferidas e outras que só coloquei por colocar mesmo. Uma variedade que vinha dos The Beatles, até 30 Seconds To Mars. E uma quantidade enorme de Miley Cyrus, Demi Lovato, e bandas e cantores que só eu conheço e que eu trato por “meus bebês”. Me levantei cambaleando e quase beijei o chão mas desviei a tempo. A isso eu chamo de sorte. Se eu começo o dia com sorte, meu dia vai ser bom. Esse pensamento me fez sorrir aliviada, eu precisava mesmo de um dia legal. Entrei no banheiro e me prendi no chuveiro, colocando a água caíndo quente. Me queimei e grunhi, colocando na fria e dessa vez congelei. Só pra ver né. Mas no meio disso eu acabei rindo e quando a água ficou no ponto eu me coloquei debaixo dela. As pessoas costumam relaxar, mas eu prefiro fazer um show no chuveiro. Cantar minhas músicas prediletas e fazer um monte de besteira.
Saí do banheiro uns tempos depois e vesti algo. Eu tava com calor então botei uns shorts curtos pra caralho, mas eu ia ficar em casa então não havia problema. Botei uma blusa solta que era quase transparente e vesti um meião branco com desenhos até um pouco acima do joelho. Baguncei o meu cabelo porque gosto dele desse jeito e coloquei um boné preto, com a aba para trás. Saí do quarto e voei as escadas, pulando para o chão e quase parti o pé, mas como falei, é meu dia de sorte. Andei cantarolando até a cozinha onde só estava minha mãe. Meu pai deveria estar trabalhando, ele costuma trabalhar no fim de semana. Minha mãe tava cozinhando algo, mas foda-se. Me sentei na mesa e peguei no potinho de Nutella, colocando lá o meu dedo e quando dei por mim eu já tinha devorado a maior parte do frasquinho.
– Bom dia. – mamãe falou sorrindo. Bateu uma vontade de falar “vá pró caralho” mas deixei passar.
Tomei um gole do suco de maçã e a campainha da porta tocou. Encarei minha mãe que não mexeu um músculo e bufei, revirando os olhos.
– Eu atendo! – gritei correndo até a porta de entrada na casa, que ficava a alguns metros da mesa da cozinha. Abri a porta rapidamente e me deparei com a certa pessoa perdida no Brasil, um muleque folgado que vos falei antes. Meus olhos quiseram pular das orbitas e eu pude sentir o espanto em minha cara, que pelo jeito que ele riu deveria estar hilária. – DEAN! – falei pulando no seu pescoço. Como ele era mais alto que eu acabei ficando pendurada mesmo, com os pés flutuando. Ele riu assim que ele caiu duro no chão, comigo em seu colo. Enchi ele de beijo até que ele se cansa-se de rir o que não durou muito.
– Bom ver você de novo, Colbie. – falou todo sorrisos me puxando para um abraço apertado.
Dean é meu melhor amigo, a pessoa mais chegada de mim. Para ser sincera, eu confio mais nele do que todo mundo. Confio mais nele que até mesmo Cathy, mas não conta pra ela. Eu e Dean sempre fomos melhores amigos desde criancinhas. Ele tinha quatro anos quando eu nasci. Nossas mães eram melhores amigas, mas a mãe de Dean acabou morrendo. Ninguém fala sobre isso. Dean não fala muito sobre sua família, tudo o que sei é que ele tem um irmão mais novo, Sam, que é um fofo. Ele tem minha idade, mas eu sou mais chegada para Deano – meu apelido carinhoso para ele, hehe. Há dois anos ele partiu com o irmão e o pai para o Brasil, tudo o que sei é que ele passava o dia enchendo a cara e transando com toda vadia que encontra-se pela frente. Como tava demasiado ocupado ele acabou esquecendo de mim e o contacto acabou há cinco meses.
– Senti saudade sua! – confessei e ele sorriu meloso me dando um selinho demorado.
VOCÊ LEU CERTO. SELINHO.
Vou parar a bobeira. Desde bebês que damos selinho, isso já se tornou uma coisa normal entre a gente. Irmãos dão selinho, e como nós nos consideramos irmãos nós fazemos a mesma coisa. Eu não sinto nada a não ser amizade quando damos selinho, é só um ato carinhoso entre nós. Que isso fique esclarecido. E também fique esclarecido que ele gosta de beijar meu pescoço quando está carente, que ele gosta de falar bobeiras e coisas melosas, que ele ama dormir agarradinho comigo e curte me seduzir. Não reclamo, ele é gostoso. Como fazemos sempre isso desde criancinhas retardadas e nunca paramos, isso já é normal e eu confesso… Eu senti falta disso.
– Você continua sabendo a Nutella. – ele falou divertido.
– Acabei de comer Nutella. – dei de ombros. – E você ainda sabe a boiola. – pisquei pra ele fazendo ele rir.
Me levantei e ele estendeu a mão para eu ajudar ele, mas deixei ele morrer no vácuo. Sou do mal, é. Ele bufou se levantando e ele entrou sem pedir licença, mas vamos ver, ele nem precisava né. Revirei os olhos fechando a porta a tempo de ver ele cumprimentando minha mãe. Minha mãe não ia com a cara dele, mas tá né.
– Bom dia Sra. Mandy. – falou sorridente.
– Sra. Blake pra você. – falou fingindo um sorriso. Alguém que dê um soco nela, por favor?
Vi que Dean tinha abaixado a cabeça e fechado as mãos em punhos. Suspirei, pegando em sua mão e mostrei o meu lindo dedo do meio para Mandy, deixando ela com cara de ofendida mas foda-se. Caminhamos até as escadas e ele bufou frustrado.
– Qual o problema de sua mãe comigo? – falou irritado e eu dei de ombros.
– Vai ver que ela é secretamente apaixonada por você, Deano. – ele riu de minha bobeira regular.
Entramos em meu quarto e o tranquei assim que ele se jogou na cama. Como falei, ele é folgado, não tanto quanto eu mas dá pró gasto. Abri as portas da sacada de meu quarto e abri os cortinados que pairavam com o vento. Fui lá fora uns segundos e encarei o céu limpo. Nuvens, o céu tão azul que me deixava espairecer. Suspirei me lembrando de Drew. Sentia falta dele, não sabia se ele estava bem. Eu nunca contei sobre ele para Dean, eu tinha muito medo de perde-lo. Então guardei esse segredo com medo que ele me acha-se de louca assim como todo mundo.
Voltei para o meu quarto vendo ele já dormindo. Ri fraco. Ele deveria estar cansado depois do longo voo. Seus fios de cabelo acastanhados caíam por sua testa, com algumas mexas naturais loiras, fazendo um contraste dourado em seu cabelo que brilhava com a luz do Sol. Sua pele costumava ser mais pálida, mas ele foi para o Brasil e voltou mais moreno, o que o deixou mais gostoso. Seus lábios continuavam os mesmos, o nariz o mesmo, o corpo mais malhado, mas ainda assim forte e quente. E seus olhos, agora fechados, tinham voltado. Assim como os meus eles eram verdes, um verde vivo, tão claro como a luz. Os olhos dele são um pouco mais claros que os meus, dando um tom meio azulado para ele, e eu confesso que poderia olhar em seus olhos por horas. Eram lindos, mesmo não se comparando com as poças carameladas do meu Drew. E sorri encarando o irmão mais velho que nunca tive.
O meu melhor amigo, o meu quase irmão, Dean.
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