Dark Angel

5 Capitulo O5 – Psicólogo.


Capitulo O5 – Psicólogo.

Bati na porta duas vezes antes de entrar, encontrando uma mulher jovem loira com o cabelo preso num coque frouxo e alto atrás da secretária. Fechei a porta atrás de mim e me sentei na cadeira da sua frente, despertando a sua atenção. Seus olhos azuis foram direccionados para mim e eu sorri amarelo, voltando a fechar a minha cara segundos depois. Ela riu fraco, ajeitando os seus óculos finos e largou a caneta que usava se escorando na cadeira atrás de si, com o ar educado e simpático.

– Colbie Cassie Blake. – falou entrelaçando seus dedos na frente de seus lábios. Ai porra, ela falou meu nome inteiro. Que droga. – Ouvi muito de você. – ri.

– É, sou famosa aqui. – falei não dando importância nenhuma.

– Sua mãe colocou você em meus atendimentos há uma semana, essa é nossa primeira sessão e vai durar até o fim do ano letivo, tudo bem? – assenti, dando de ombros.

– Não tenho opção.

– Tudo bem. Me conte sobre sua vida. – falou e eu a olhei com cara de bunda. Sempre que alguém me pede para falar de mim eu bloqueio. Ah cara, eu me esqueço até de quem eu sou!

– Ok. Minha vida não é nada de especial, e eu sou só mais uma garota comum com uma mãe dos Infernos. – fiz uma careta engraçada dando de ombros. Ela arqueou uma sobrancelha.

– Me fala sobre sua mãe. – suspirei.

– Minha mãe trabalha em vários projetos de moda. Ela desenha algumas roupas, viaja imensas vezes para assistir festivais ou lançamentos de novas roupas, vai ver desfiles, coisas desse género. – dei de ombros. – É do tipo de mulher independente, com classe, que ama sempre uma boa cabeleireira e se preocupa demais com a formalidade. – revirei os olhos. – Ela representa tudo o que eu mais odeio, então sim, eu acho que eu nunca fui, não sou nem nunca vou ser a filha que ela desejaria ter. Por outro lado, tem minha irmã Maddlyn, ela tem dezoito. Ela é uma cópia viva de minha mãe. Cabelo igual, olhos iguais, jeito irritante igual. Só que Mad tá mais vadia do que mulher de negócios. – ri abafado.

– Porque você se acha diferente? – perguntou curiosa.

– Amo andar de skate, nunca ligo pra frescura, falo palavrão demais para menina, gosto de bonés e beanies. Prefiro roupas legais como essas do que roupas pequenas que dá até para ver o útero. – bufei. – Não gosto de muita maquiagem, muito menos de unhas pintadas e não considero salto algo uma opção mesmo que eu ache alguns deles bonitinhos. – sorri de canto. – Sou louca, impulsiva e amo gritar dando a louca. Sou eu mesma e não dou a mínima para a opinião dos outros. Não quero saber dos negócios e odeio festas onde só tem bebida e gente transando. Prefiro ler um livro e ficar comendo minha Nutella. É meu jeito de ser e eu não vou mudar, e agora minha mãe acha que eu sou louca! – joguei meus cotovelos na secretária e apoiei minha cabeça em minhas mãos. – Ninguém me aceita, nem mesmo meu pai. Ele concorda com Mad e Mandy. – bufei.

– Porque eles acham você louca? – perguntou tentando me reconfortar com o olhar. Não deu muito certo, mas eu gostei de ela ao menos se importar.

– É complicado. – respirei pesadamente. – Por vezes também acho que sou louca, mas isso é demasiado real pra ser de minha cabeça. – senti os meus olhos marejarem e suspirei. – Não posso falar pra você, desculpe. – fechei os olhos, os abrindo lentamente depois.

– Sabe o que eu acho? – neguei fraco. – Você é uma garota que sofre por causa da sua família, que significa tudo pra você. Você acha que eles não se importam do mesmo jeito que você se importa com eles. Mas você faz o tipo que prefere não ligar para os próprios sentimentos, sofre em silêncio. Então coloca essa máscara de louquinha e engraçada que não dá a mínima para arrumar um jeito de ser feliz. Você não aguenta a pressão. Estou certa? – assenti suspirando. – Pode confiar em mim Colbie, eu não vou julgar você. – ela falou calma e eu assenti, vulnerável. Me escorei na cadeira e fechei meus olhos.

– Acredita em anjos? – abri os olhos vendo ela assentir. – Ótimo, porque tem um anjo caído cuidando de mim nesse momento. Ele está aqui, nessa mesma sala, escutando minhas palavras e escutando nossa conversa. – sorri torto. – O nome dele é Drew.

– Um anjo… caído? – perguntou com os olhos arregalados. Assenti, mas logo depois ela riu delicadamente. – Colbie, me desculpe, mas… não é possível. Eles provavelmente se escondem dos humanos, isso se existirem! – sorriu torto.

– Existe uma coisa chamada fé, tia. – ri. – DREW, SE VOCÊ ESTIVER AÍ SE MOSTRA!

– Colbie, para de gritar! – ela falou assustada.

– Tá bom. – dei de ombros. – Drew, não precisa ter medo. Só apareça por três segundos, ou apenas faça algo que prove que você está aqui. – senti um frio percorrendo minha espinha enquanto que ela me olhava curiosa e assustada. – Se estiver aqui, faça as luzes piscar!

Um, dois, três segundos e nada. Ela me olhou do tipo “eu falei” e eu ri fazendo um sinal de “espera um momento”. Segundos depois as luzes começaram a piscar, a janela abriu fazendo com que o vento entra-se e espalha-se folhas pelo chão. A caneta que ela havia segurado antes da conversa começou flutuando fazendo ela olhar a mesma assustada e logo um papel voou na sua frente, com a caneta escrevendo lá.

‘Consigo ver sua alma. Sabe o que vi? Uma alma boa, de alguém que perdeu todo mundo que amava. Você perdeu a sua fé em Deus. Mesmo que o velho seja um bastardo, tenha fé nele. Um dia ele vai ouvir suas preces e vai ajudar você. Afinal, ele ama mais os humanos do que nós!’

Ri, meio intrigada. Esse Drew era um dos meus. Não bastava atrapalhar a luz, tinha de fazer toda essa bagunça. Algo me diz que a psicóloga vai precisar de um psicólogo. Há, eu tô uma graça hoje!

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– Cheguei! – falei animada abrindo a porta de casa, com um sorriso enorme e divertido em meu rosto.

– Infelizmente. – Maddlyn concluiu enquanto tomava um copinho de leite. Corri para o frigorifico e peguei Toddynho. Amo Toddynho, me processe. Apenas me limitei a mostrar o meu lindo dedo do meio pra ela e ela fez cara de ofendida.

– Parem vocês duas. Agora. – mamãe ordenou enquanto que preparava batatas fritas. Já tô até vendo, eu vou comer e engordar hoje! – Então, como foi o psicólogo, querida? – falou me olhando. Dei de ombros.

– Saí mais cedo, a psicóloga estava chorando com a minha triste história. – sorri debochada fazendo elas me olharem. – Mentirinha. O Drew resolveu dar o ar da graça e a mulher ficou assustada pra vida toda. – falei jogando o pacotinho de Toddynho vazio no lixo.

– Quem é Drew?

– O anjo dela. – Maddlyn falou revirando os olhos e a fuzilei com o olhar, enquanto que mamãe e olhava com os braços cruzados.

– Colbie.

– Para com isso! Mad já viu ele, só que tá em fase de negação. Eu fui retirada do psicólogo escolar! – falei lhe mostrando um papel que mostrava que eu tinha sido retirada mesmo. – A Cathy e eu conseguimos falar com ele, e ele já apareceu na minha frente! Mãe, eu não tô delirando! – trinquei os dentes.

– Ela tá esquizofrénica. – Mad suspirou, relutante.

– CALA A BOCA!

A lâmpada da cozinha explodiu e eu bufei, logo depois sorrindo de canto sentindo os olhares delas em mim, mesmo que estivéssemos no escuro. Cruzei os braços dando de ombros de seguida.

– Não me irritem, isso o deixa bravo. – falei subindo as escadas correndo. Me tranquei no quarto, como já era habitual e me joguei na cama, afundando minha cabeça no travesseiro. Senti alguém me afagar os cabelos e estremeci, sentindo a minha pele vibrar. Me virei lentamente, encontrando o olhar caramelado de Drew, que me olhava sério, apreensivo. Senti novamente aquelas sensações em meu corpo e ele suspirou, me puxando um pouco mais para a ponta da cama e ele se deitou do meu lado, puxando o meu corpo mole para o dele, quente, e passou os seus braços á minha volta enquanto que entrelaçava nossas pernas.

– Drew. – falei num sussurro, fazendo com que ele grudasse nossas testas e consequentemente, fazendo nossos narizes se esbarrarem numa carícia.

– Estou aqui. – falou também num sussurro, afagando a minha bochecha com o seu polegar. – Sempre que você chamar. – concluiu depositando um beijo em minha testa, fazendo com que eu respira-se com dificuldade.

– Eu te amo… – joguei para fora, sentindo os meus olhos marejarem e me senti vulnerável. Ele me deixava vulnerável. Ele sorriu fraco.

– Também te amo, CoCo. – ele falou delicadamente, fazendo com que eu estremece-se, mesmo que ele me ama-se no sentido de que eu era a sua protegida. Confesso que fiquei surpresa com sua resposta, mas suas palavras me fizeram tremer, me fizeram sentir viva. Fizeram a minha alma arder de um jeito inexplicável. Com ele eu me sentia segura, como que se ele fosse o eu escudo. Eu precisava dele, eu o amava. Ele era simplesmente o meu anjo caído, só meu. Ele olhava bem fundo em meus olhos, como que se pudesse ver a minha alma e logo depois ele suspirou, pegando meu rosto com suas mãos e selou nossos lábios urgentemente. Nossos lábios eram simplesmente o encaixe perfeito. Era um beijo gostoso, lento mas urgente. Apaixonado e carinhoso. Me trazia sensações que mais ninguém me provocava, apenas ele. Ele quebrou o beijo com um selinho e suspirou contra meus lábios. – Não deveríamos fazer isso, CoCo. – seus olhos estava levemente fechados, me olhando angustiados. – Um anjo não pode amar uma humana desse jeito. – falou meigo, com a voz falhando talvez por causa de estar sussurrando.

– Você é um anjo caído. – ri pelo nariz.

– Isso só deixa as coisas ainda mais impossíveis. – respirou fundo. – Estar com você é um erro, mas eu já pequei pra caralho então foda-se. Eu vou cuidar de você! – falou sorrindo de canto. O puxei mais para mim descansando minha cabeça em seu peito. – Você não tem medo, Colbie?

– Não. Eu me sinto segura do seu lado. – sorri boba, não acreditando que eu estou tão melosa assim.

– Eu poderia matar você agora. – ele riu pelo nariz. Suas palavras me fizeram estremecer. – Mas eu amo você demais. – beijou o topo de minha testa. – Eu prometo que nunca vou machucar você, amor.

Sorrisos. Isso era o que definia a minha vida quando ele aparecia. Sorrisos eternos, bobos e os melhores que alguma vez dei em minha vida. A forma que ele me fazia sentir era de outro mundo, outro universo. Isso era proibido, mas eu não conseguia me afastar dele. Nunca consegui, e agora também não conseguiria. Agora que ele arrumou a coragem para ficar comigo, sem se esconder, eu o amava ainda mais. Ele era perfeito em todos os sentidos. Seus toques, seus olhos, seus lábios, seus quase sorrisos, sua voz. Me afastar dele seria um suicídio.

– Você ainda vai estar aqui quando eu acordar? – perguntei fraco, sentindo o sono tentar empurrar minhas pálpebras.

– Provavelmente não. – falou rouco me fazendo bufar. – Mas eu vou assistir você dormir, não se preocupe. – sorriu torto.

– Bobo. – ri fraco. – Posso ver suas asas? – perguntei receosa temendo a sua reação, mas ele apenas sorriu torto revirando os olhos.

– Minhas asas são do tamanho de um prédio de dez andares, Colbie. – ele falou e eu arregalei os olhos, sentindo minha mandíbula cair. – Tudo bem, são um pouco mais pequenas, mas são gigantescas do mesmo jeito. – riu. – Quando maiores as asas forem, mais forte o anjo é. – beijou a pontinha de meu nariz e eu corei.

– Então quando me pode mostrar? – perguntei esperançosa.

– Só podemos mostrar as asas a quem realmente confiamos. É algo muito secreto. – suspirou. – Mas eu amo você, sempre amei desde quando você era uma criancinha. – riu. – Então, eu acho que posso lhe mostrar daqui a um tempo, quando estiver num espaço livre, tudo bem? – assenti com o coração aos pulos, o puxando para um abraço. Atos tão inocentes, ingénuos, mas que significavam a vida.

Ele afagava meus cabelos, e sem controlar meus sentidos, acabei adormecendo, rodeada por seus braços, protegida pelo meu anjo caído. Um pecador que é inocente de tudo o que cometeu.