Daniel Pryde o Início
2 Capítulo 2
2 No seu segundo dia de investigação, Daniel foi examinar o lugar onde o corpo foi encontrado.- Se foi um ritual, e como ela estava totalmente sem sangue, aqui deveria estar cheio daquele líquido vermelho que os vampiros gostam tanto.- É mesmo, e se foi um vampiro? – William perguntou. Ele sempre estava por perto.- Não tem nenhum ferimento que indique isso. Nenhuma mordida, nenhum corte, além do da autópsia. E também, aquele símbolo nas costas dela é um símbolo demoníaco. Eu ainda vou pesquisar sobre ele.- Então, o que você está dizendo?- Ela não morreu aqui. Não neste gramado. Ela foi morta em outro lugar, e posta aqui para despistar, ou fazer parecer um acidente. Olhe, não têm marcas de arrasto na grama. Ela foi trazida já morta.
William Jarrold pareceu impressionado.- Alguma idéia de quem poderia ter feito isso?- Obviamente, alguém com conhecimento mágico ou demoníaco. – Daniel preferiu não revelar como faria para descobrir quem do hospício mexia com magia. Apenas pediu o nome de todos os pacientes que já tiveram contato com Sarah, e de todos que trabalhavam ali, do faxineiro ao diretor.***Dentro do prédio, Daniel acompanhava William até a sala dele, para pegar os papéis. Daniel notava as paredes frias, o chão de metal, os pacientes indo e vindo, com os uniformes cinzentos. E em um corredor, ele viu uma sombra se esgueirando pelo chão.Na sala, William pareceu um pouco contrário à idéia dos papéis.- Hum... mas tem certeza que precisa saber com quem...- Eu tenho que ter suspeitos.Daniel pegou a pasta.- Eu entendo. Mas é que a privacidade dos pacientes...- Não precisa se preocupar. – Daniel assegurou.- Certo. Quer que eu...- Eu sei o caminho, obrigado.No momento em que Daniel fechou a porta e começou a andar pelo corredor, ouviu uma voz na sua cabeça.- Mentiras....- Cala a boca. – ele rilhou os dentes e tentou ignorar a sua súbita fome, junto com as visões de alguns passantes estando degolados ou esfolados. Pensou se deveria aproveitar e ficar por ali mesmo, depois que resolvesse o caso, como paciente.Estava na hora de procurar ajuda.***Quem imaginaria Daniel Pryde num consultório psiquiátrico? Mas lá estava ele, sentado num sofá, de frente com um psicólogo. Daniel tinha conhecido Edward Fleming num trabalho. Uma invocação que tinha dado errado há uns 2 anos, e ele foi chamado como exorcista, e Eddie também estava lá como exorcista, na época com 13 anos. Agora os dois eram magos, e Ed ajudava Daniel quando este não conseguia controlar a sua parte demoníaca, sendo um psiquiatra demonológico. Mas tinha um detalhe: o psiquiatra e amigo de Daniel tinha 15 anos de idade.- Está ficando mais forte, Ed. Eu estou vendo, ouvindo e sentindo coisas que não devia. Talvez eu deva me internar lá.Eddie ficou olhando para Daniel, pensativo, por uns momentos. Então começou a falar, relutante.- Eu não recomendaria isso facilmente, mas vou te receitar uma coisa. – o adolescente falou, escrevendo alguma coisa num papel. – Procure essa pessoa. Ele é químico, e também entende de sangue e espécies. Eu estou receitando sangue humano pra você. – era engraçado ver um garoto, de camiseta e bermuda largada fazendo receitas a um adulto.- Sangue humano? Mas eu não sou alérgico?- Não, seu idiota. Demônios são alérgicos a sangue angélico. O sangue humano irá reforçar a sua humanidade.- Não é nada vampiresco, né? – Daniel perguntou, inseguro.- Não. É injetável.***Daniel trabalharia no caso depois que cuidasse de si mesmo. Ele foi até um prédio comercial, daqueles cinzentos e velhos. Seguiu o endereço e foi parar na porta verde do apto. 513, no 5º andar. Ele acendeu um cigarro e bateu a porta 3 vezes, seguindo as instruções de Eddie.Um homem de cabelo claro, com uns 35 anos atendeu a porta.- Você é Mark Valley?- Sou. – o homem olhou para Daniel desconfiado. – E você é...- Um amigo de Eddie Fleming.Mark Valley deixou Daniel entrar, falando:- Ah, sim. Como está aquele moleque? Você é cliente dele?- Ele me mandou aqui com uma prescrição. – ele mostrou o papel, e olhou o apartamento. Parecia um consultório médico, com um mini freezer, ampolas, microscópios, e sala de espera. Mas também tinha armários cheios de pílulas ilegais, bebida e outras coisas ilícitas. O apartamento inteiro girava em torno do laboratório improvisado.- Você mora aqui? – Daniel perguntou enquanto Valley lia a prescrição com a testa franzida.- Sim. – ele falou, olhando para Daniel, e em volta. – Isto é a minha vida.- Isso parece uma toca de rato. No bom sentido. – ele olhou para Valley. O químico até parecia um pouco com um rato.- Talvez. Bem, você quer sangue humano? Meio demônio, huh?Daniel levantou uma sobrancelha.- Como você sabe?- Geralmente, meio-demônios vêm aqui, como você, em busca de algo que os ajude a sumir com o seu lado demoníaco. – Valley falava enquanto mexia em uns armários. Parou e olhou para Daniel com um olhar maroto. – E também, você tem uma cauda e chifres.
- Eu estou bem com o meu lado demoníaco. Só preciso controlá-lo. – Daniel falou, movendo a cauda para o lado, escondendo-a no sobretudo.Valley sorriu. Tirou uma caixa branca de um armário e foi até Daniel.- Claro, é o que todos dizem. Aqui está, isso deve ser suficiente para alguns meses. – entregou 10 ampolas de sangue a Daniel. – Você prefere vir aqui para injetar, ou...Daniel ergueu uma sobrancelha. De novo. E tragou o cigarro.- Não, tudo bem. Quanto fica?Valley olhou para Daniel.- Você não pode fumar aqui. E pode deixar como débito.- Eu não gosto de ficar devendo a demônios. – ele ignorou a primeira frase de Valley.- Eu não sou demônio. – Valley sorriu maldosamente. – 100% humano.Daniel se dirigiu à porta e olhou pra ele.- Pior ainda.***Então, lá estava Daniel Pryde, na sua casa no meio do ferro velho, sentado à sua mesa de plástico de lanchonete. Na mesa havia uma seringa que ele havia comprado no caminho para casa, uma ampola de sangue, um estilete e um cigarro aceso no cinzeiro.Ele tinha decidido começar com os cortes. Quanto menos sangue demoníaco dentro dele, melhor.O demônio, Aethe, estava sussurrando na sua mente. Era horrível, estar sendo controlado por algo que ficava dentro de si mesmo. A dor era demais.E para aliviar a dor na sua alma, Daniel pegou o estilete, estendeu o braço esquerdo que já era marcado por linhas brancas, e correu a lâmina afiada pela pele, pressionando o máximo possível, cerrando os dentes.Ele olhou o sangue correndo, manchando a mesa. Depois do primeiro corte, os outros eram fáceis. Com mais força ainda, perfurando mais fundo a cada corte, Daniel continuou com a sua própria terapia.***Quando o sangue já não cabia mais na mesa e tinha começado a pingar no chão, e os dois braços de Daniel já estavam dormentes e ardendo ao mesmo tempo, ele preparou a seringa com o sangue que tinha comprado, procurou a veia em algum pedaço de pele intacto, e injetou o sangue. Já fumava o que devia ser o décimo cigarro. Não tinha se preocupado em limpar o sangue da mesa, era tudo dele mesmo, de qualquer jeito. A dor nos seus braços era tanta que já nem existia mais. Mas quando os mililitros de sangue humano atingiram a sua corrente sanguínea traumatizada, Daniel sentiu.O choque foi tão forte que ele se desequilibrou na cadeira. O sangue humano fez o seu corpo inteiro ficar dormente por 1 ou 2 segundos, e aí ele sentiu o seu interior queimando e gelando ao mesmo tempo. A sua cabeça ficou leve, e Daniel começou a ver energia. Sim, ver energia. Fluxos de todo tipo de energia, fluindo pela sua cozinha e em si mesmo. Todo tipo de cor, se moviam como água, ou fumaça. Reações muito peculiares, ele pensou. Daniel ficou vendo os fluxos de energia por um longo tempo, até o efeito passar. Quem diria que sangue humano dava barato?***
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