Dangerous Love
35 Capítulo 35
Notas iniciais

Poderia parecer muito cliché, mas eu nunca dei liberdade para minha imaginação quando se tratava de um casamento. Acho que assistindo de primeira mão o que havia acontecido com minha mãe e meu pai biológico foi um fator que cooperava para isso. Assim que mamãe deslanchou com seus desenhos e me contava várias histórias de noivas e seus futuros maridos, eu nunca consegui me colocar no lugar de nenhuma delas. O que parecia ser terrivelmente fácil para todas as outras garotas do mundo. Então mamãe conheceu papai e eu comecei a repensar minha opinião sobre aquelas histórias. Talvez o mundo fosse justo no final das contas, mamãe achou seu príncipe encantado e teve seu felizes para sempre. Estava tendo até hoje.
Suspirei.
Depois de semanas de planejamento, stress e muitos preparativos, hoje era o dia do meu casamento. Um dia que eu nunca nem pensei em ser uma possibilidade para mim depois da morte de Cooper. Senti meu peito se apertar com as lembranças que traziam um sabor agridoce para minha boca.
Olhei para minhas mãos e vi o anel que esteve sempre ali como uma âncora para mim, ele havia sobrevivido ao meu acidente e as tentativas iniciais de culinária que não trouxeram resultados satisfatórios. Eu nunca vou esquecer quando tive que pescá-lo no meio do molho bolonhesa da minha primeira macarronada.
Deslizei o anel para fora do meu dedo anelar e coloquei em cima da cômoda que estava na minha frente. Abri a caixinha de veludo e o anel de noivado de Moira se apresentou para mim. Oliver havia levado ele ao joalheiro da família para fazer uma limpeza e polimento para a cerimônia. O diamante nunca pareceu tão grande e tão brilhante assim. O peguei de dentro da caixinha com cuidado e coloquei no meu dedo anelar direito, guardei o de Cooper na caixinha e o coloquei dentro da bolsa que havia trazido.
Me virei e encarei meu reflexo do espelho de corpo inteiro que tinha perto da janela.
— De todos os vestidos... — eu disse a mim mesma e ri sozinha. Meu vestido era algo que minha mãe já pensava há eras atrás e ninguém me conhecia melhor do que ela, talvez apenas Oliver.
Eu havia escolhido off-white como o tom para o vestido, não gostei muito dos outros e confie em mim, branco deveria ser apenas uma cor, mas possuía inúmeros subtons ou seja lá o nome daquelas coisas. O decote era ombro a ombro que me lembrava do vestido de madrinha que usei no casamento de Caitlin e Tommy, mas era um pouco menos conservador, mas a renda floral que eu havia escolhido para toda a parte do torso tirava essa ideia rapidamente. De acordo com mamãe, renda floral era assimilada com pureza e nós estávamos mirando nisso.
A saia não era nada de especial, apenas seis camadas de tule no tom branco chantilly. Eu disse que tinha vários deles, lembra? Mamãe queria dez camadas, mas isso me faria um bolo fofo ao lado de Oliver e mesmo ele sabendo dançar por nós dois, seria difícil, então eu consegui reduzir á seis camadas depois concordar em deixar mamãe escolher meus sapatos. Que eram um par de sandálias brancas com pequenos cristais nas tiras. Eram de algum modo simples, mas também bem espalhafatosas. Bem mamãe.
Minha maquiagem não era nada de especial, eu tinha escolhido o visual mais neutro possível. Nem mesmo usei meu batom vermelho. E mesmo sem ele, estava me sentindo linda. Esse era o ponto, certo?
Ajeitei o colar que Sara havia me dado de aniversário com meus dedos que estavam levemente suados. Era uma simples corrente de ouro branco com um solitário como pingente. Ele ficava muito bem alojado abaixo dos ossos da minha clavícula. Era o meu algo novo. Sara poderia não estar no altar junto comigo hoje, mas ela teve um dos papeis mais importantes para que hoje acontecesse e ela fez um longo discurso provando cada ponto que eu já sabia antes de me dar a cinta-liga que eu estava usando. Ela era de renda branca, mas tinha uma fitinha azul bebê entrelaçada ali em um nó elegante. Era o meu algo azul. O anel de noivado de Moira era o meu algo velho. E os par de brincos com diamantes, desta vez pequenos, que estavam presos em um padrão floral complicado demais eram o meu algo emprestado de Thea.
Parecia muita informação, mas eu achava que era uma das noivas mais simples e previsíveis que o mundo já viu. Sorri para mim mesma e ajeitei uma mecha do meu cabelo. Eu escolhi usar ele solto, tirando duas mechas que foram torcidas para fazer um rabinho que acomodasse e aguentasse o peso do véu, ele estava todo solto.
Meu celular apitou e eu o alcancei na minha bolsa. Era uma mensagem de Oliver.
"Oliver, Q: Quer casar comigo?"
Sorri e revirei os olhos.
"Felicity, S: Acho que já respondi essa pergunta. Eu vou ser a de branco."
— Okay! Então nós fizemos uma mudança de última hora, Lis! — disse Thea entrando no quarto usando seu vestido de madrinha.
As meninas haviam entrado em um consenso antes que levassem eu e mamãe á loucura. O vestido delas era de musseline em um rosa pêssego longo liso de alças finas e decote V cavado. O que agradou todas e isso incluía Thea e Caitlin que haviam decidido acabar com a trégua delas na terceira visita á mamãe. Eu quase chorei de desespero naquele dia se não fosse por Lyla que escolheu tudo e quase pegou as duas pelas orelhas.
— O que aconteceu? — perguntei abaixando o celular e focando em Thea.
— Bom, eu te amo e amo o meu irmão, mas eu não vou ficar com ela no altar ao meu lado... — ela disse revirando os olhos. — Então, Tommy e ela irão ficar do seu lado e eu e Sara do lado de Ollie.
— Okay... Mas e Roy? E onde vamos achar o vestido para Sara? — perguntei.
— Roy está mais do que feliz em ficar fora dessa, sem ofensa. Ele não gosta de ficar nos holofotes. E sua mãe trouxe um vestido para Sara, ela disse algo sobre sempre ter um reserva quando duas madrinhas estão em... Conflito. — ela disse e eu ergui uma sobrancelha assentindo. — Você está bem?
— Sim, só quero acabar logo com isso. — eu disse e sentei nos pés da cama.
Ela sentou ao meu lado e tocou meu braço.
— Eu sei que é o meu irmão lá embaixo, mas se você quiser fugir, a gente vai agora mesmo. — ela ofereceu e eu ri e neguei com a cabeça. — Não está repensando?
— Não. Ele é o meu feliz para sempre, Thea. — eu disse e ela sorriu e me abraçou de lado levemente.
— Eu disse que ia ficar gostosa nesse tom de rosa, não disse?
Erguemos o olhar ao mesmo tempo para dar de cara com Sara que estava no batente da porta com um braço erguido e um sorriso malicioso no rosto. Eu revirei os olhos rindo e ela entrou e sentou no meu lado livre.
— Selfie! — exclamou Thea e esticou um celular para o alto e nós três sorrimos para a câmera.
— Todos os convidados estão acomodados, os músicos estão prontos, seu pai já está lá embaixo... O que me diz, Smoak? Vamos em frente? — perguntou Sara me ajudando a levantar da cama e eu assenti.
— Vamos.
— Deixando claro que eu sempre irei de chamar de "Smoak". Com ou sem aliança no seu dedo. — ela disse e eu ri e a abracei. — Eu sempre soube que você tinha vontade de ter uma aventura lésbica comigo...
— Obrigada por tudo, Sara. — eu sussurrei e senti seus braços ao meu redor me apertando levemente. — Eu te amo.
— Eu te amo também. — ela disse baixinho e logo puxamos Thea para o abraço também.
Thea levou meu buquê e Sara ajeitou meu véu pela última vez e nós descemos a escadaria, eu consegui ver a decoração finalmente tomando seu lugar. Várias rosas brancas e cor de malva, peônias pinks e lírios brancos estavam espalhados em buquês e arranjos por todo andar inferior junto com piscas-piscas dourados, o corrimão da escada estava completamente tomada por eles.
Caitlin, papai e a Madame Pince eram os únicos no andar inferior atrás das portas francesas que levavam até o jardim da Mansão Queen o que significava que Oliver, Tommy e nossos pais já entraram em direção ao altar.
— Oh, Felicity! Você está deslumbrante! — exclamou a Madame Pince com um sorriso que expunha as rugas ao redor dos olhos castanhos.
Ouvi um piano soar e Madame Pince deu uma de suas palminhas que eu percebi ser um tique dela ao longo das semanas que trabalhamos juntas. Ela organizou as meninas em fila, deixando Caitlin na frente, Sara no meio e Thea por último o que me fez ser eternamente grata.
A versão no piano de "Sugar" foi escolhida por Thea e era para ser uma piada interna minha e dela porque assim que a música foi lançada dois anos atrás, nós ficamos fissuradas nela e havíamos gravados inúmeros vídeos vergonhosos cantando e dançando ela. Assim que todas elas foram, papai veio até o pé da escada e estendeu o braço.
Ele estava todo elegante usando seu smoking preto com uma gravata borboleta combinando com um rosa malva na lapela. Ele sorriu e me ajudou a descer o último degrau.
— Você está linda, Felicity.
— É o que estão me dizendo... — eu disse dando ombros e ele sorriu.
— Pronta?
— Sim, só não me deixe cair, pai. — pedi e ele viu que agora não era uma piada e sim a realidade. Apertei meu buquê contra meu quadril do lado esquerdo e enlacei meu braço ao braço de papai.
Respirei fundo quando ouvi "Sugar" ser trocada por "Lover" em um arranjo bem elaborado. Vi o time de fotografia e vídeo atrás e na frente de mim e papai para capturar cada momento, mas sem sufocar. Madame Pince apertou o dispositivo bluetooth em sua orelha e nos deu um polegar positivo.
Papai começou a andar e eu o segui. Cada passo que dava conseguia ver a decoração se abrir como se fosse um botão de flor e depois das fileiras de cadeiras e embaixo do arco de flores, estava o meu noivo. E como uma colegial, eu perdi o fôlego assim que o vi.
Oliver estava usando smoking preto com direito a suspensórios e uma rosa cor de malva em sua lapela. Thea e Sara estavam ao seu lado segurando pequenos buquês similares ao meu. Tommy e Caitlin estavam do outro lado que seria o meu lado. O mar de rostos sorridentes me cumprimentavam e eu reconheci a enfermeira favorita de Oliver e Robert, Helen, tirando fotos bem discretamente com seu celular e sorri.
Assim que chegamos ao pé do arco, papai e Oliver trocaram um aperto de mão e eu consegui ver Moira e Robert na primeira fileira ao lado de mamãe que já enxugava algumas lágrimas. Papai beijou minha bochecha e depositou minha mão na de Oliver com gentileza e foi se sentar ao lado de mamãe que grudou nele como um coala assim que ele sentou. Na primeira fileira do outro lado do corredor estavam Dig, Lyla, Roy e William. Pisquei na direção do último que sorriu e eu me virei para o meu noivo.
Meu coração ainda teimava em falhar assim que via ele, mas quem era eu para falar qualquer coisa? Ele entrelaçou nossos dedos e sorriu torto em minha direção que me fez sorrir de volta, entreguei meu buquê para Caitlin que estava chorosa já, e nos viramos para o cerimonialista.
Sendo sincera, eu não ouvi e nem prestei atenção no monólogo do cerimonialista, eu só conseguia olhar para Oliver e sentir sua mão esquentando a minha. Todo o nervosismo e o suor que eu estava sentindo antes foram esquecidos. Oliver se virou para mim e pegou minha mão livre.
— Eu, Oliver Jonas Queen, recebo você, Felicity Meghan Smoak, como minha esposa e prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, todos os dias das nossas vidas... — ele disse e eu senti minha garganta fechar pela emoção.
Nope. Eu não vou ser uma noiva chorona, eu me recuso.
— Eu, Felicity Meghan Smoak, recebo você, Oliver Jonas Queen, como meu marido e prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúda e na doença, todos os dias das nossas vidas... — eu repeti e uma lágrima escapou de meus olhos, mas Oliver foi rápido o bastante e a pegou com as costas de um dedo.
— As alianças? — perguntou o cerimonialista.
Thea entregou a de Oliver que se virou para mim novamente.
— Felicity, receba esse anel em sinal do meu amor e fidelidade. — ele disse e deslizou o aro fino de platina em meu dedo anelar esquerdo.
Eu me virei e Caitlin me entregou a aliança de Oliver.
— Oliver, receba esse anel em sinal do meu amor e fidelidade. — eu disse e deslizei a aliança para seu dedo anelar esquerdo. Nesta hora eu ouvi muitos assovios que eu sabia que alguns vinham de Sara ou Tommy, talvez até Lyla também.
— Pelo poder investido em mim, eu vos declaro marido e mulher. — disse o cerimonialista com um leve sorriso no rosto. — Pode beijar sua noiva, Dr. Queen.
Oliver emoldurou meu rosto e eu me apoiei em seus cotovelos, eu sorri e esfreguei meu nariz no dele até que ele se inclinou e selou nossos lábios em nosso primeiro beijo como marido e mulher. Foi breve suficiente para eu não me empolgar, mas foi longo suficiente para termos boas fotos depois.
— Okay! Okay! Oliver, está na hora! — exclamou mamãe assim que nos separamos e ela apontava para algo na nossa frente e apontava a câmera de seu celular para nós.
Olhei para o chão e eu gargalhei. Só mamãe mesmo. Oliver apenas sorriu e pisoteou o copo de vidro debaixo do paninho branco. Todos aplaudiram e mamãe gritou "Mazel Tov" mais alto do que qualquer outra pessoa ali.
Eu e Oliver fomos para dentro novamente debaixo de uma chuva de arroz e pétalas de flores. Madame Pince nos conduziu até a sala de jogos, enquanto os convidados eram direcionados para o pátio onde as mesas estavam e o jantar seria servido. O que era irônico, eu não tinha uma única boa memória nesta sala em particular, mas acho que isso mudaria hoje.
— Oliver... Nós casamos. Tipo, de verdade. — eu disse assim que ele fechou a porta atrás de si.
Ele riu e assentiu.
— Oh meu Deus, eu sou a Sra. Dr. Queen? Oow, sexy. — eu disse assim que ele se aproximou e eu o puxei pelas lapelas de seu paletó.
Ele riu e assentiu mais uma vez.
Não me cansava de vê-lo assim. Feliz. Sorridente. Tranquilo. Leve. Era muito gratificante saber que eu era uma das razões pelas quais seu estado de espirito estava mudado. Era uma ótima mudança de cenário, não me entenda mal, eu amo meu marido em qualquer estado de espirito, mas também amava ver ele sorrindo. Era quase um crime ele ficar com aquela carranca ranzinza a maior parte do tempo.
— Nós temos quanto tempo até alguém vir nos buscar? — ele perguntou me puxando contra seu corpo.
— Uns dez minutos, por que? Já quer começar nossa lua de mel, Sr. Queen? — perguntei erguendo as sobrancelhas e rindo em seguida.
— Na verdade, isso pode esperar porque eu vou ter a noite inteira... — ele disse em um tom de voz baixo. — Eu queria saber o que aconteceu com o seu outro anel, pode me contar?
— Oh. Eu substituí pelo seu. Não gosto de usar dois anéis no mesmo dedo, tenho medo de ficar emperrado ou algo assim. — eu disse e mostrei minhas duas mãos que tinham anéis de Oliver em ambos dedos anelares. — E já estava na hora de seguir em frente. Eu sempre vou ter aquele anel, mas não preciso usá-lo mais para me lembrar de Cooper.
Ele assentiu e beijou os nós dos meus dedos com carinho e eu sorri.
— Me ajuda com o véu? — pedi e ele assentiu.
Me virei de costas e ele tirou o pequeno pente de cristais que eu havia achado em uma loja de antiguidades em uma saída de compras com Caitlin. O véu foi junto e eu já me senti livre do peso deste último. Oliver o deixou esticado em cima da mesa de sinuca e soltei as mechas de cabelo balançando a cabeça levemente.
— Podemos pular a festa e ir logo para o hotel? — perguntei me virando de volta para ele que sorriu e deu de ombros e soltou a gravata borboleta a deixando ainda ao redor do pescoço.
Eu sabia que ele concordaria comigo se eu realmente quisesse ir agora, mas não podia fazer isso com mamãe ou Moira, ou pior, Madame Pince. Me aproximei dele e enlacei sua cintura com meus braços por mais que eu quisesse agarrá-los pelos suspensórios que estava usando e ele me encontrou na metade do caminho para um beijo.
Seus lábios eram tudo que eu queria.
Por hora.
Assim que nossas línguas se encontraram, eu mudei de ideia.
Eu queria mais do que seus lábios.
— Okay, pombinhos, antes que eu ganhe um trauma para vida, é melhor vocês ainda estarem vestidos! — cantarolou Thea do outro lado da porta e eu não sabia se queria bater ou beijar ela agora.
Timing (im)perfeito.
Oliver se separou de mim com um leve suspiro assim que a porta foi aberta.
— Vocês são lindos juntos, mas eu estou com fome. A única coisa que eu comi hoje foram quatro cubos de manga que estavam nas quatro taças de mimosas no café da manhã... — ela disse franzindo a testa levemente e eu sorri maneando a cabeça. — E aí, podemos, pombinhos?
Eu e Oliver acenamos e seguimos ela para o pátio dos Queen onde todos os convidados já estavam acomodados e a banda já tocava uma música de fundo, ou ambiente como Caitlin havia dito para mim. Thea abriu a porta para nós e me entregou o buquê de flores novamente que eu não tinha ideia de como havia parado em sua mão.
— Por favor, recebam o Sr. e Sra. Queen!
Nós fomos para a nossa mesa em meio á aplausos e sentamos junto com nossos pais e Thea e Roy na mesa redonda em frente ao palco e a pista de dança. O jantar foi iniciado e Thea faltou rugir de animação assim que viu os garçons começando a trazer os pratos.
— Qual prato você escolheu? — perguntei para Thea depois que ela agradeceu com muita ênfase ao garçom que serviu um prato com filé e risoto de cenoura e cebola roxa.
— Todos eles. — ela respondeu e começou a esfaquear o pedaço de carne em seu prato.
— Thea, eu acho que já está morto... — disse Roy sorrindo levemente e ela o ignorou completamente enquanto fatiava seu jantar em um milhão de pedaços.
Moira e mamãe dominavam os tópicos de conversa, Robert e papai comentavam entre suas garfadas, Thea estava concentrada em sua comida e Roy concentrado em Thea e pronto para socorrê-la se ela engasgasse. Eu estava começando a sentir a ficha cair de verdade, enquanto Oliver parecia sereno ainda.
Comi meu jantar e cumprimentei alguns convidados, amigos do hospital de Oliver, que foram os únicos corajosos suficientes para virem até a nossa mesa. E de acordo com Robert, isso só aconteceu porque alguns deles iriam trabalhar em questão de horas. O que me deixou extremamente comovida.
Larguei meus talheres no prato que eu consegui comer 80% e me recostei em Oliver, ele me abraçou com um de seus braços e também largou seus talheres. Ele tinha limpado o prato, como sempre. Eu me sentia estufada e o vestido estava levemente apertado agora, mas eu não mudaria nada.
— Com licença? Posso ter atenção de vocês?
Correção: Eu mudaria isso.
Tommy Merlyn levemente embriagado e com um sorriso perverso em seus lábios estava segurando um taça na frente do microfone que era para o músico extremamente caro estar cantando covers do Marron 5! Olhei para Oliver com medo e vi que um flash de preocupação passar por seus olhos.
— Bom, eu sou Thomas Merlyn, o padrinho e gostaria de pedir a atenção de vocês, enquanto eu conto uma história sobre o nosso casal e um brinde á eles... — ele começou e arrisquei um olhar para Caitlin na nossa mesa vizinha.
Uh-oh. Ela também parecia preocupada.
— Vejam, eu conheço Oliver Queen desde as fraldas. Literalmente. Nossos pais sempre foram amigos e naturalmente viramos amigos desde o berço também. Oliver foi a razão pela qual eu me formei no colégio e faculdade... Não sei o que faria sem você, amigo. — ele disse erguendo a taça em direção á Oliver que sorriu e fez o mesmo.
— Já Felicity, eu a conheci um pouco depois e ela me apresentou o amor da minha vida... Minha esposa maravilhosa, Caitlin Merlyn. Oi amor. — ele disse movendo sua taça de mim para Caitlin. — Sendo bem sincero com vocês, eu poderia ter retribuído o favor se Oliver não fosse tão cabeça dura e não morasse naquele hospital. O que tem de tão especial lá?
Alguns convidados, médicos e enfermeiros, riram da expressão de Tommy.
Oliver e Robert também.
— Mas não. Oliver nunca foi do tipo fácil, então o Universo teve que apelar e usar as armas grandes: Destino. Muitos podem falar que aquele acidente foi horrível e apenas focar no lado ruim, mas graças á uma maldita moedinha eu vi o meu melhor amigo se apaixonar pela minha melhor amiga de camarote e eu vou dizer uma coisa... EU AVISEI! — ele exclamou a última parte e todos vibraram, e eu ri junto com Oliver.
— Eu tenho um ano e três meses de casado, e sei que se conselhos fossem realmente bons, não daríamos eles e sim, venderíamos, mas Ollie e Lis...
— E lá vem... — sussurrou Oliver.
— Transem muito! — ele exclamou e eu bati a mão em minha testa e tentei me esconder de tanta vergonha que explodiu na minha cara.
Ouvi muitas gargalhadas ao meu redor. Não o motivem, por favor!
— E não só o tradicional, explorem o Kama Sutra e façam lindos bebês que eu vou ser futuramente o padrinho, e se eu não for... Bom, vocês não vão querer descobrir. Um brinde aos noivos! — ele exclamou sorrindo de orelha á orelha. — Saúde!
Sara então se encaminhou até o palco e eu quis me enfiar debaixo da mesa.
— Uau, Tommy você acabou de roubar metade do meu discurso, cara. — ela disse e todos riram. — Mas eu sei improvisar.
Me apoiei na mesa e bebi minha taça de champagne inteiro em um gole só.
— Oh Deus... — eu murmurei e Oliver apertou meu joelho.
— Bom, eu também sou uma amiga de longa data do nosso querido noivo, mas como vocês sabem o meu negócio são as mulheres. E você, Felicity Smoak-Queen, é a mulher da minha vida. — ela disse erguendo a taça em minha direção e apesar de sentir o meu rosto inteiro quente e provavelmente vermelho de vergonha, eu sorri. — De modo platônico, é claro.
Isso também causou muitas risadas.
— Eu e Felicity nos conhecemos por causa do acidente dela e eu gosto de pensar que a nossa amizade começou no dia que ela me permitiu dar banho nela pela primeira vez, não tem nada mais especial que isso, pessoal... Ela e eu já vimos o nosso pior e apoiamos uma a outra durante esses períodos sombrios. Sem falar que ninguém sabe fazer uma maratona melhor do que nós duas!
— Com certeza! — eu disse sorrindo e ela riu do palco.
— Oliver, eu sei que nós nos conhecemos á muito tempo, mas se tudo isso for em direção Sul e chegarmos no ponto da palavra "D", eu vou ficar com a Lis. Sem ressentimentos. — ela disse e eu gargalhei junto com o resto do salão. — Mas eu realmente quero que vocês deem certo, porque eu acho que todos do hospital podem concordar, você fica insuportável quando briga com Felicity e qualquer dia desses eu irei deixar as enfermeiras te trancar em uma câmara de tomografia... Façam sexo, façam bebês e sejam felizes!
Todos aplaudiram novamente e a banda começou com músicas mais animadas.
Madame Pince acenou de longe e sabia que era a nossa deixa.
— E agora, a primeira dança dos recém-casados. — anunciou o músico resgatando seu microfone de volta enquanto outra mulher se juntava no palco com ele e a introdução de "At Last" de Etta James começava a tocar.
Oliver e eu fomos para o centro da pista de dança e ele tomou a liderança como sempre fazia e começou a nos guiar. Eu olhei para cima para os inúmeros piscas-piscas que pareciam mil vezes mais vibrantes agora que o Sol estava se pondo e sorri levemente. Senti Oliver se inclinar contra mim e apoiar sua cabeça na minha e beijar meu cabelo levemente. Sorri ainda mais e apertei sua mão enquanto ainda dançávamos.
Nossos pais se juntaram á nós e pares foram trocados. Eu fui para os braços de Robert e Oliver para os de mamãe, enquanto Moira foi para os de papai. O patriarca da família não precisou dizer nada desta vez, seu olhar refletia orgulho e gratidão e ele me abraçou até trocarmos de par mais uma vez.
— Eu estou feliz por você, coelhinha. — disse papai ao me beijar na testa e eu sorri levemente emocional.
— Eu não chorei que nem uma louca a cerimonia inteira, não me faça chorar agora! — eu exclamei e ele riu rouco e nós passamos o resto da dança apenas abraçados.
Oliver e eu dançamos mais uma música junto com os padrinhos e depois voltamos para a mesa, cumprimentamos alguns convidados e assim que voltamos para a mesa eu quis chutar os saltos de lado, mas lembrei que ainda tinha algumas fotos que eles, infelizmente, teriam de aparecer.
Thea, finalmente, se sentiu cheia e depois de um leve arroto, ela caiu na pista de dança e levou Roy com ela. Dig e Lyla também foram e deixaram Sara conosco que por algum milagre, dormiu, em meio á toda bagunça. Ninei ela em meus braços por um tempo e depois Mama Diggle trouxe seu bebê-conforto e eu a pousei ali. Era mais confortável. Para nós duas.
— Hora de jogar o buquê... — disse Caitlin aparecendo com meu buquê. Eu continuava esquecendo onde o colocava e continuava me perguntando como as pessoas o achavam mais rápido que eu.
As solteiras disponíveis se juntaram em um bolinho e eu subi no palco com meu buquê em mãos. Foquei no meu alvo que era Thea que estava bem no fundo e mais preocupada com o que estava digitando em seu celular. Estreitei meus olhos e virei de costas, se meus cálculos estivessem certos e eles sempre estavam, o buquê iria dar nocaute na minha mais nova irmã.
Ergui meus braços para trás duas vezes em uma ameaça de brincadeira e na terceira eu joguei o ramo de flores para trás e boom! Bem no colo de Thea, eu estava mirando para o seu rosto, mas fiquei satisfeita do mesmo jeito. Ela o pegou parecendo confusa e surpresa e eu aplaudi junto com o resto das pessoas.
Nós cortamos o bolo algumas músicas depois quando foi aceitável comer a sobremesa depois de uns trinta minutos de jantar. O bolo era de cinco camadas com glacê que imitava cetim com aplicações de rosas que imitavam as do meu buquê e o recheio de veludo vermelho com cream cheese que era o sabor preferido de Oliver e nós cortamos a primeira fatia juntos, mas pulamos a parte de alimentar um ao outro.
Eu iria querer fazer uma meleca e conhecendo o meu noivo, ele não deixaria barato. Não estamos em meus planos ficar toda melecada nas fotos, talvez durante a primeira parte da nossa lua-de-mel e na segunda, mas não na cerimônia.
Posamos para algumas fotos que ainda restavam na lista de poses de Madame Pince e depois só faltava uma coisa para nós fazermos. A coisa que eu não queria fazer e Oliver estava louco para fazer. Literalmente.
Aquela coisa com a liga.
Fomos até o meio da pista de dança novamente e ele ergueu a saia do vestido com todas as camadas para mim. Minha pernas ficaram a vista, mas nada demais. Oliver era... Oliver. Seus dedos tocaram a liga na minha coxa direita. Ele se ajoelhou e colocou os braços para trás, depois se inclinou sobre minha coxa, seus lábios tocaram a pele sob a liga. Eu respirei fundo várias vezes, mas quando Oliver fechou os dentes em torno da borda da liga e puxou-a para baixo pela minha perna até que a coisa pousou amontoada em meus saltos altos brancos.
Eu realmente queria ir para a parte das núpcias agora. Eu levantei meu pé para que Oliver pudesse tirar o pedaço de renda de mim. Ele endireitou-se e apresentou a liga para a multidão aplaudindo e depois mirou e acertou em Sara que rodou a liga em seu dedo indicador para todos verem.
Assim que tudo acabou, eu finalmente chutei os saltos para debaixo da mesa e Oliver tirou sua gravata por completo e colocou o paletó sobre o encosto da cadeira. Nós ficamos na nossa mesa, enquanto o resto da festa estava na pista de dança ou bebendo em pequenos grupos no jardim. Era a nossa pequena bolha.
— Eu realmente quero ir para o hotel, marido. — eu disse abraçando o braço dele.
— Deus, eu também. — ele disse baixinho beijando minha testa.
— Bom, nós casamos. Deixamos Tommy e Sara fazer os brindes, somos os melhores amigos do mundo. Deixamos nossas mães participarem vigorosamente sobre todo o processo, somos os melhores filhos do mundo... — eu pontuei enumerando nos dedos e Oliver ia assentindo a cada tópico que eu falava. — Por que eles não podem ser os melhores amigos e mães do mundo e deixar a gente ir mais cedo para ter sexo de casados pela primeira vez?
Oliver gargalhou com a minha pergunta.
— Mais meia-hora. Já vai ser quase cinco horas de festa, tenho certeza que ninguém irá nos culpar por sair mais cedo. — ele disse e me deu um selinho demorado. — E depois serão 72 horas só eu e você e o serviço de quarto.
Oh, está ficando interessante agora.
Dancei algumas músicas com as meninas e tiramos várias fotos no celular de Thea, ela queria um arsenal fotos próprio com registros borrados e verdadeiros como dizia ela. Depois de dançar quase toda a trilha sonora de "Mama Mia" e "Grease", parei para tomar um pouquinho de champagne e olhei ao redor da festa.
Mamãe ainda estava a todo vapor na pista de dança junto com papai, Tommy e Caitlin uma versão regravada de "Stayin' Alive" do Bee Gee's que eram uma das músicas preferidas de mamãe. Acho que Thea tinha um dedo nisso, porque ela estava dançando na margem da pista de dança enquanto comia um pedaço do bolo.
Procurei por Oliver ao redor do salão e o vi conversando com os pais e sua avó, Adele. Ela era a única avó que ele e Thea tinham ainda viva, os pais de Moira já haviam falecido assim como o pai de Robert. Vi seu olhar vagar ao redor do salão procurando algo enquanto ouvia o que a matriarca da família estava dizendo que fazia Moira rir levemente e Robert corar. Quando os olhos de Oliver me encontraram, tive o prazer de saber que o que ele estava procurando na verdade era eu mesma.
Ele maneou a cabeça e me deu um olhar como se estivesse pedindo socorro.
Eu ri e decidi salvá-lo.
Me aproximei segurando a saia volumosa do vestido e meus sogros e minha mais nova avó sorriram assim que me viram em seus campos de visão. Soltei o tecido em minhas mãos e fui para o meio dos braços de Oliver. Seu peito moldou minhas costas e suas mãos se entrelaçaram logo abaixo do meu busto. Percebi que o tópico da conversa era "bebês" e a cara de desespero de Oliver fez mais sentido do que nunca.
— Você vai me dar bisnetos, Felicity? — perguntou Adele erguendo uma sobrancelha fina e grisalha em minha direção.
Meu Deus, por que a fixação com bebês na mesma equação que eu e Oliver?
— Bom, se você me perguntar, Thea está muito mais á frente do que eu e Oliver, Adele. — eu respondi com um sorriso.
O remorso de ter jogado minha mais nova irmã debaixo do ônibus não chegou como eu pensei que ia. Adele tirou seu olhar de mim e procurou sua neta pelo salão e a encontrou com Sara em seu colo ao lado de Lyla.
Mais perfeito, impossível.
Eu e Oliver dançamos mais duas músicas, tiramos as fotos restantes e depois demos atenção á alguns convidados que não conseguimos cumprimentar mais cedo depois da cerimônia. Eu já estava querendo ir embora há tempos, mas a meia-hora de Oliver ainda não tinha acabado.
— Vamos embora. — ele disse assim que voltou da mesa onde seus colegas do hospital estavam amontoados.
— Ainda temos oito minutos, marido. — eu respondi erguendo uma sobrancelha.
— E nós chegamos no hotel em oito minutos, parece ótimo para mim. — ele disse pegando minha mão e me arrastando para a saída.
— Não temos que nos despedir, não? — perguntei o seguindo mesmo assim com lutando contra um sorriso.
— Nope.
— Okay.
Nós fomos em direção a garagem e entramos na Ferrari branca de Thea que nos esperava com várias latinhas presas por fitas de cetim na traseira. Eu me sentei no banco do carona e meu vestido se amontoou ao meu redor, mas eu não liguei. Oliver cantou pneu para fora da propriedade com todas as janelas abertas e eu ri quando o vento ricocheteou livremente no meu rosto e cabelos.
Oliver riu levemente e entrelaçou nossos dedos com sua mão livre e beijou os nós dos meus dedos ainda sorrindo. Eu poderia culpar a bebida, mas Oliver não bebeu nada depois do brinde de Tommy e Sara, o que foi apenas uma taça de champagne, então minha mente estava menos preocupada de outro possível acidente de carro logo após meu casamento.
Nós chegamos no hotel em dez minutos depois, mas eu não me importei.
Os olhares que muitos dos hóspedes estavam me mandando e até mesmo a recepcionista fizeram Oliver rir e eu corar feito um tomate, porque não havia passado pela minha cabeça eu me trocar antes de vir, então eu parecia bem... Noiva no meio lobby.
Oliver fez nosso check-in e pegou as chaves da suíte que tínhamos reservado depois de uma pesquisa de campos que durou quinze dias e visitamos sete hotéis na cidade. Alguns foram ótimos, outros nem tanto, mas ficamos com o primeiro que visitamos que foi o Deluxe. Tentei reservar o mesmo quarto que ficamos da última vez, mas não estava disponível.
Suíte presidencial seria então, que vida terrível, não?
Entramos no elevador de mãos dadas e junto com duas garotas que pareciam estar voltando de uma festa. Elas não foram discretas com os olhares, mas eu não as culpava. Eu também não iria conseguir disfarçar de modo algum. Elas desceram dois andares antes do nosso que era na cobertura.
— Esquecemos de pegar nossas coisas... — eu disse apoiando meu queixo no ombro de Oliver que estava admirando nossos dedos entrelaçados. — Os celulares, trocas de roupa...
— Não vamos precisar de nada disso. — ele disse beijando a ponta do meu nariz.
— Como assim?
— Tem telefone no quarto, e não iremos precisar de roupas nos próximos dois dias, Sra. Queen. Mais alguma coisa que está te preocupando? — perguntou erguendo uma sobrancelha com um sorriso malicioso nos lábios.
— Acho que não. Teremos comida, acesso ao banheiro... Parece bom. — eu disse piscando levemente.
O elevador abriu e eu encarei o lobby de mármore branco repleto de pétalas de rosas no chão e velas acesas deixando um sutil cheiro de lavanda no ar. Tinha um carrinho com um balde de gelo e uma garrafa do que parecia ser um champagne bem caro. Deveria ser mesmo porque só o preço da nossa hospedagem era a entrada de um carro, mas Oliver não se importava e nesse requisito dispensava minha opinião.
— Okay. Acho que eu vou ficar pelada agora, porque eu não quero colocar fogo no meu vestido. — eu disse ainda congelada na frente do elevador, enquanto Oliver começou a andar na frente.
Oliver riu e se virou para mim.
— Está lindo sério, mas você sabe como eu e a gravidade somos... Nosso relacionamento só dá realmente certo em teoria, Oliver. — eu disse encarando as variedades de vela no caminho até o quarto. Tinha quadradas, redondas, grandes, pequenas, coloridas... Todos os tipos mesmo.
Alcancei minhas costas e comecei a lutar com o primeiro botão do vestido.
Oliver se aproximou de mim novamente e me ergueu em seus braços no melhor estilo noiva possível. Eu ri, mas o abracei com meus braços enquanto ele caminhava até o quarto.
— Eu achei que isso era apenas quando fôssemos para casa, Dr. Queen. — eu disse beijando sua bochecha.
— Vou fazer isso quando chegarmos em casa também, Sra. Queen. Você se casou com um cara que adora fazer essas coisas tradicionais. — ele disse passando pelas velas sem problemas e pisoteando as pétalas de rosa.
Passamos pela sala de estar espaçosa com dois sofás e a porta para varanda e seguimos a trilha de pétalas até o quarto. Tudo esbanjava luxo que era dividido em uma paleta de cores que consistia em branco e dourado em tudo. A única cor que tinha lá eram as pétalas de rosa cor-de-malva. Sorte ou não, elas não estavam espalhadas pela cama.
Oliver me depositou no meio da cama e eu suspirei. Que colchão maravilhoso.
— Vou pegar o champagne. — Oliver disse pairando sobre mim e me dando um beijo demorado nos lábios.
Eu quase o prendi com meus braços, mas ele foi mais rápido. Hm.
Me levantei e fiquei sentada na cama, chutei os saltos que eu não sabia porque havia colocado novamente. Deixei eles caídos ao pé da cama e passei os dedos pelo cabelo tentando soltar os fios ainda presos pelo laquê. Oliver voltou puxando o carrinho e eu notei que havia dois pratos de sobremesa ali. Um pequeno bolo com glacê branco e uma tigela de frutas com chocolate.
Ele abriu a garrafa com um "pop" e eu ri o ajudando com as taças. Nós brindamos e eu virei a taça em um gole só. Oliver também. Ele voltou a nos servir e começamos a falar das melhores partes da cerimônia. Ele tirou seus suspensórios e abriu alguns botões á mais da camisa ao se sentar ao meu lado na cama.
— Afinal, o que falaram na mesa do hospital que fez você querer vir embora tão rápido? — perguntei pegando um morango coberto com chocolate do carrinho.
— Bom, aparentemente, eu vou fazer um monte de papelada para compensar as folgas adiantadas e Isabel me fez ter uma noção hoje de quanto realmente vai ser... — ele disse e comeu o restante do morango que eu tinha entre os dedos. — Não vai ser pouca, então eu vou aproveitar o máximo que eu puder.
Eu sorri e peguei mais um morango e o comi.
— Você viu como meu pai e a sua mãe dançaram "Billy Jean"? — perguntou ele e eu assenti rindo. — Acho que eles vão ser parceiros de dança á partir de agora, minha mãe nunca gostou de dançar as músicas mais agitadas de qualquer jeito.
— Meu pai também. — eu disse concordando.
Balancei meus dedos procurando alívio porque eles estavam latejando e eu exibi meu pé para Oliver que sorriu ao ver minhas unhas pintadas de rosa chiclete. Ele pegou minhas pernas e as pousou em seu colo.
— Você quer? — perguntei oferecendo um pedaço de maçã com chocolate e ele assentiu. Estendi meus lábios em um biquinho em um convite claro e Oliver riu, mas se inclinou e me beijou.
Um beijo de verdade. Aquele de tirar o fôlego e molhar calcinhas que só ele sabia como fazer comigo. Trouxe seu rosto para mais perto do meu quando enrolei meus braços ao redor de seu pescoço e ele me puxou pelas pernas para mais perto. O calor familiar começou a subir e se espalhou por todo meu corpo, se concentrando ainda mais aonde minha pele estava exposta.
A maçã foi esquecida e nós nos afastamos levemente ofegantes.
— Eu queria fazer isso a noite inteira, mas estava com medo de provocar um ataque cardíaco na minha avó. — ele confessou com um leve sorriso com os lábios inchados e eu ri. — Agora me dê o que prometeu, esposa.
Voltei a oferecer a fatia de maçã com chocolate para ele e ele aceitou com seus lábios. Observei ele mastigar e lamber os lábios e quando terminou de mastigar e engolir, puxei seu rosto de volta para o meu.
Eu poderia fazer isso a noite inteira, e provavelmente iria se dependesse de mim.
— Marido? — chamei devolvendo a taça para o carrinho e ele se virou para mim com um pequeno sorriso.
— Sim, esposa?
— Eu quero sair deste vestido. Está apertado demais. — eu disse tocando o corpete que estava comprimindo as minhas costelas. — Me ajuda com os botões.
Levantei rapidamente e fiquei na sua frente. Coloquei todo meu cabelo de lado e senti Oliver subir seus dedos até o primeiro botão. Ele, habilmente, desfez cada um deles que paravam apenas alguns dedos antes da minha bunda, mas ele já tinha uma boa visão da lingerie que eu estava usando por baixo.
Suspirei de alívio assim que a pressão á baixo do meu busto cessou. Puxei o corpete para frente e sem cerimônia alguma eu saí do bolinho que o vestido montou e o estendi sob a cadeira que tinha ao lado das portas duplas que levavam para a varanda.
Ouvi um suspiro atrás de mim e sorri. Bingo. Minha viagem á La Perla foi muito bem executada e é claro que eu tinha guardado a minha favorita para nossa lua-de-mel. Era um conjunto branco de um sutiã tomara-que-caia e a renda ia até alguns centímetros acima do meu umbigo presos em uma cinta liga prendendo o sutiã á calcinha que fazia a minha bunda parecer mais tonificada do que ela realmente era e as ligas em ambas as coxas que ligavam a calcinha ao topo das minhas coxas.
Virei e vi que Oliver tinha deitado na cama com as mãos em seu rosto, e eu já conseguia ver que ele estava semi-ereto e fiquei satisfeita. Me aproximei da cama e montei sem cerimônias. Me abaixei e beijei seu queixo.
— Oliver? — chamei e ele tirou as mãos do rosto e as descansou em meus quadris.
— Hm?
— Eu nunca pensei que você conseguiria ficar ainda mais sexy, mas você usando uma aliança com meu nome... Hm. — eu disse sorrindo e beijando sua mandíbula.
— Deus... — ele gemeu baixinho e apertou minhas coxas roçando meu quadril contra o seu e afundando meus joelhos no colchão macio. Eu sorri ao sentir que o estado "semi" não era mais aplicado á Oliver. — Eu acho que vou chorar.
— Por que? — perguntei preocupada voltando a sentar em seu quadril.
— Porque eu sonhei com isso muitas vezes. — ele admitiu e eu ri batendo em seu braço levemente.
Ele abriu os olhos e se sentou na cama. O novo ajuste era quase perfeito. Sem as camadas do vestido entre nós, eu conseguia sentir melhor o calor que seu corpo irradiava contra o meu e seus dedos roçando contra minha pele e a renda que ela cobria.
— Isso vai ter que ir embora... — eu disse alisando a camisa em seus ombros.
Desabotoei cada botão com paciência de uma santa e depois as escorreguei pelos ombros e braços de Oliver. Suspirei feliz quando seus músculos se apresentaram para mim. E ele estava relaxado agora, nem estava flexionando. Suas mãos voltaram a emoldurar minha bunda com reverência.
— Felicity?
— Hm? — perguntei desviando minha atenção de seu corpo para seu rosto.
— Como é que isso vai sair do seu corpo? — perguntou alisando as ligas que prendiam uma peça na outra.
Eu ri e demonstrei quão simples era. Ele observou e aprendeu rápido e se livrou das ligas que prendiam o sutiã á calcinha. Suas mãos vieram até minhas costas e acharam o fecho, sem tirar os olhos dos meus, ele o soltou. Fechei os olhos por dois segundos e suspirei de alívio. Toda a pressão havia saído completamente do meu busto agora.
Mesmo que todas as janelas e portas estivessem fechadas, senti meus mamilos endurecerem. Eu poderia culpar a falta do tecido que estava me aquecendo ou a intensidade que Oliver me encarava. O olhar dele me dava arrepios. Nós já tivemos nossa cota de sexo até além da conta, mas ele sempre me encarava como se fosse a primeira vez que via o meu corpo.
Suas mãos subiram pelas minhas costelas e tomaram conta do meus seios em um aperto quase que doloroso. Senti minha respiração falhar e Oliver se inclinou contra mim e trilhou beijos da minha clavícula até meu pescoço. O calor que eu havia sentido antes voltou com força duplicada.
Ele começou sua massagem torturante enquanto deixava beijos molhados por cada trecho de pele que encontrava e isso me fez querer afundar contra sua virilha. Agarrei sua nuca e direcionei seu rosto contra o meu, Oliver e eu nos prendemos em um beijo consumidor.
Oliver nos virou e pairou sobre mim na cama, com maestria ele soltou o resto das ligas e praticamente arrancou a calcinha de mim. Quis protestar e dizer o quão caro eu paguei naquele conjunto, mas sua língua quente entrou em contato com meu mamilo e eu vi estrelas. Ele mordiscou e chupou ao nível que comecei a achar dolorido, mas o centro pulsante no meio da minhas pernas discordava de mim.
— Oliver, por favor... — eu pedi me contorcendo embaixo dele. — Tire suas calças.
Ele gemeu um "Uhum" contra minha pele e trocou de seio e foi torturar o outro. Suas mãos escorregaram para baixo e eu ouvi a fivela de seu cinto abrindo, seguido pelo farfalhar de tecidos. Senti suas mãos afastarem minhas pernas e provocarem a parte interna de minhas coxas com leve apertões. Seus dedos encontraram com minhas dobras e eu gemi.
— Felicity...
— Deus, Oliver... — gemi quando senti seus dedos se aventurarem ali embaixo.
— Eu quero te provar, esposa. — ele sussurrou contra o vale dos meus seios.
Eu apenas assenti e me apoiei em meus cotovelos. Oliver se ajoelhou na frente dos meus joelhos e os puxou para cima dos ombros. Sua respiração quente foi diretamente contra mim e eu senti minha respiração voltar a acelerar. Ele se aproximou e pareceu um nadador indo atrás da medalha de ouro.
Oliver arrastou a língua ao longo da minha fenda. Deixei minha cabeça cair para trás, fechei os olhos e segurei o cabelo dele, segurando-o no lugar mesmo que ele não parecesse ter intenção de ir a lugar algum. Isso era mais do que ótimo.
Apesar de todo o banquete que havíamos comido na festa mais cedo, ele parecia um homem esfomeado. E deveria ser, estávamos sem sexo por quatro dias por causa dos ajustes de última hora da cerimônia. Ele começou um ritmo razoável entre os golpes com a língua e as pequenas provocações com um dedo.
Eu estava gemendo feito louca e sentia o orgasmo bem perto.
Sua ponta do dedo escovou minha entrada e no próximo golpe de seus lábios, ele pressionou para dentro. Eu apertei os lençóis e meus quadris começaram a se elevar por conta própria. Ele começou a mover o dedo dentro de mim enquanto chupava meu clitóris.
— Não, não... — ele disse contra minha pele e eu quis chorar. — Você vai ter seu primeiro orgasmo com o meu pau dentro de você, Sra. Queen.
Respirei fundo enquanto seu dedo ainda estimulava meus clitóris com o dedo preguiçosamente. Voltei aos meus sentidos e abri os olhos. O corpo nu de Oliver se mostrou para mim e merda... Ele era todo meu. Agora. Para sempre. Apoiei meus joelhos no colchão e os separei em claro convite.
Ele se guiou para minha entrada e entrou lentamente em mim.
— Oliver, eu quero tocar você... — pedi estendendo minhas mãos.
Ele se abaixou e eu o abracei com meu corpo fazendo com que ele deslizasse por inteiro em mim. Nós gememos, mas foi tudo abafado por mais um beijo. Era lento, cuidadoso, carinhoso e transbordava sentimento.
Quando o beijo cessou foi quando ele começou a se movimentar. Era lento, profundo e a cada estocada, eu conseguia sentir meu ritmo cardíaco aumentar e cadenciar em ritmo ao de Oliver. Seu peito colado ao meu me garantia isso. Abracei seu ombros e suspirei sentido o orgasmo se construir novamente.
— Eu estou tão perto... — sussurrei ofegante.
Ele começou a ir ainda mais fundo e o orgasmo me tomou por completo, eu fiquei trêmula e Oliver saiu de mim. Estremeci com a sensação do vazio, mas o prazer ainda me dominava. Ele me virou em um rápido movimento e eu tentei me apoiar de quatro, mas meu corpo estava mole.
Fiquei em meus cotovelos quando senti Oliver voltar para dentro de mim e gemi alto. O ritmo era mais rápido e mais duro e por esse ângulo sentia ele ir ainda mais fundo do que da primeira vez. Empurrei meu quadril para cima encontrando com o quadril dele e Oliver estapeou minha bunda. Eu gemi e minha cabeça pendeu pra frente. Sentia todos meus músculos ondularem no ritmo de Oliver e isso estava se tornando demais.
Gemi quando Oliver acertou o que parecia ser meu ponto GG e explodi em outro orgasmo. Minhas paredes apertaram ele ao extremo e o senti inchar dentro de mim e gozar também.
Ele caiu ao meu lado e me puxou para si. Eu havia virado gelatina e meu cérebro havia sofrido um curto-circuito e estava renderizando no momento presente. Senti o peito de Oliver moldar minhas costas e respirei fundo. Estava com calor, ofegante e levemente suada.
— Oliver... — chamei com a voz falha.
— Sim?
Ele mordeu e beijou meu ombro. Sua mão escorregou pela minha barriga e encontrou meu clitóris inchado e completamente sensível. Ele começou a estimular ele e fui tomada por mais uma onda de prazer que me fez tremer e até fechar as pernas para impedir mais.
— Oliver, eu não aguento...
— Sim, você aguenta. — ele sussurrou ao pé da minha orelha e voltou a me estimular.
Fui tomada por mais uma onda e senti todas as minhas energias serem sugadas do meu corpo e minhas pernas ficarem dormentes. Voltei a gemer e segurei a mão de Oliver. Nunca pensei que impediria ele de me fazer gozar, mas eu estava... No vigésimo sétimo céu agora.
— Hey, você está bem? — perguntou ele depois de alguns minutos.
— Eu acho que se eu me mexer de novo, eu vou gozar. — disse choramingando e ele riu atrás de mim. — O que foi isso?
— O que? Você quer uma resposta médica? — perguntou ao voltar me abraçar e eu assenti. — Você teve orgasmos múltiplos.
— Não, eu já tive orgasmos múltiplos e nunca foi assim. Elabore mais por favor. — eu apontei.
— Sim, mas antes você não estava com a bexiga cheia o que aplica mais pressão, e relaxada por todo champagne que tomou. Eu não estava tão empenhado assim na primeira vez para você sentir como sentiu antes. — ele disse e eu assenti.
— Então você, champagne e seu pênis mágico são uma combinação perigosa. — eu concluí e ele gargalhou.
Eu ri levemente e me virei com cuidado para ficar de frente para ele de novo.
— Quão perigosa?
— Nível nuclear, marido. Nuclear.
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