Dangerous Love
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Fomos até a sala e ele se livrou da camisinha usada no lavabo social e fui lavar a louça suja que usamos. Raspei o restante da comida dos pratos e joguei no lixo, coloquei tudo na lava-louça e guardei as sobras na geladeira. Oliver apareceu com meus remédios noturnos e eu tomei com água mais uma vez. A lava-louça demorava cinco minutos para lavar tudo, então esperei sentada em uma das banquetas enquanto ouvia os jatos de água fazendo o trabalho.
— Você gosta de brincar com os meus desejos pessoais? – perguntou Oliver entrando na cozinha novamente com a jarra de água que ficava no quarto. Ele a pousou na ilha e caminhou até mim como um felino.
Eu sorri minimamente. Ele me ergueu pelas pernas até o balcão e ficou entre elas.
— Devo revelar agora que eu tenho labirintite? – perguntei colocando os braços em seus ombros e ele riu.
— Deveria, mas eu não iria acreditar. – ele respondeu pousando suas mãos em minha bunda. – Você pareceu se divertir ás minhas custas hoje, acho que está na hora de eu fazer o mesmo.
— Eu não me diverti, apenas contei a verdade para os seus pais. – me defendi e ele ergueu uma sobrancelha.
— Por que não disse que está morando aqui comigo?
— Porque ninguém perguntou.
— Minha mãe perguntou.
— Não, ela me perguntou se você estava cuidando de mim.
— E você fugiu para cozinha.
— Para salvar o jantar! – exclamei. Eu ri desse jogo de perguntas e respostas rápidas que havíamos entrado, e Oliver também. Ele ergueu a barra da blusa que eu estava usando e o ajudei erguendo os braços. – Estava constrangida para ser honesta.
Oliver riu e tirou meus óculos de mim. A visão ficou embaçada, mas eu ainda conseguia ver o contorno de seu corpo e seu rosto. Soltei o cabelo e ele caiu por cima dos meus ombros e apertei minhas pernas ao redor do tronco de Oliver.
— Você se constrangeu quando me esperou nua á tarde? – perguntou ele antes de enfiar sua mão dentro da minha calça.
— Você se constrangeu empurrando a camisinha para debaixo do sofá? – perguntei de volta e gemi assim que afastou o tecido da calcinha.
Eu empurrei seu corpo para trás e desci do balcão. A diferença de alturas era grande e isso fez a mão de Oliver se afastar de mim. O beijo começou e terminou rápido demais, mas isso me deu tempo para correr até o quarto. Oliver foi mais rápido que eu e me pegou antes mesmo de eu passar pela soleira da porta. Eu gritei surpresa e ele riu. Fui erguida no ar e depois jogada no centro da cama, eu ri alto.
Eu estava gostando deste Oliver brincalhão. Ele foi até seu closet e eu tirei minha calça jeans por completo e a chutava para o chão.
— Terei que começar sem você de novo? – perguntei, enquanto alcançava o fecho do sutiã em minhas costas. Oliver voltou vestindo apenas boxers e tinha duas gravatas em mãos. Oh meu Google. Isso vai no mínimo... Interessante. – Foi mais rápido desta vez!
Ele riu e pegou o sutiã que joguei em sua direção. Ele deitou em cima de mim, carinhosamente, suas mãos percorreram meu corpo inteiro, enquanto me beijava lentamente. Eu queria mais. Eu sempre queria mais. Merda, estou parecendo uma viciada agora.
— Hora da minha diversão.
— Oliver?
— Quieta. – ele disse e amarrou meus pulsos com as gravatas na cabeceira da cama, mas sempre carinhoso e cuidadoso.
Seu olhar analítico estava presente em seu rosto concentrado, enquanto fazia os nós bem firmes. Satisfeito com seu trabalho, ele se levantou e tirou o restante da sua pouca roupa. Eu fiquei irritada. Minhas mãos estavam atadas e isso não deixaria eu tocar em Oliver. Minha respiração ficou pesada. Ele passou o dedo do meu joelho até meu quadril, barriga, seios e quando chegou perto de minha boca, eu quase consegui mordê-lo, mas Oliver havia sido mais rápido.
Ele estava me comendo com os olhos, e mesmo irritada, aquilo estava me excitando.
Cacete.
— Ainda não, eu vou me divertir primeiro.
— Oliver!
— Já está gritando? Eu não fiz nada. – ele exclamou falsamente inocente. Ele sabia exatamente o que estava fazendo comigo.
Senti seus dedos lá embaixo.
Ele estava passeando por ali, me provocando. Até que sua boca tomou o lugar de seus dedos e ele me mordeu! Isso me fez ofegar como nunca. Ele estava fazendo mil e um movimentos diferentes ali embaixo, mas eu me recusava a gemer. Eu me recuso a me excitar ainda mais. Lutei contra os nós que me prendiam e eles apenas se apertaram ainda mais ao redor de meus pulsos. Nós de marinheiro? Quando as contrações começaram, eu não consegui segurar o gemido e Oliver parou.
Como ele pode parar?
Se eu estava irritada antes, estava bem puta agora.
— Peça.
Ele parecia precisar do prazer mais do que eu. Estava inchado e pronto. Mantive minha boca fechada. Ele riu e abriu o envelope da camisinha em câmera lenta. Ele analisou a camisinha e depois a vestiu. Ele voltou a ficar por cima de mim, e observei seu sorriso malicioso e teimoso. Ele não me soltou. Apenas direcionou a si mesmo até a fornalha entre minhas pernas e colocou bem pouquinho de si ali.
Eu ergui a pélvis querendo mais, mas ele me segurou.
— Meu ritmo. – ele sussurrou em meu ouvido e eu ofeguei novamente. Sua voz estava mais rouca do que o normal.
Essa mais uma faceta de Oliver que eu estava descobrindo, mais uma peça do quebra-cabeça. Centímetro por centímetro ele entrava em mim, e eu me perguntei como alguém tão inconstante poderia ter tanto controle dentro de si? Era irônico. Ele entrava e saia lentamente. Meu corpo começou a formigar e eu estava começando a sentir o prazer dentro de mim. Eu choraminguei. Só queria gozar. Isso tudo era um novo nível de tortura. Só precisava de mais uma... Ele parou.
— Oliver... – chorei.
Eu queria ele mais do que tudo, e toda vez que estava a ponto de gozar, ele parava.
— Você me quer?
— Sim! Eu quero! – eu gritei e senti meus pulmões doerem. – Por favor!
Ele voltou e eu pensei que iria começar tudo de novo, mas não. Ele soltou minhas mãos dos nós e eu o senti tocar dentro de mim o ponto que só ele sabia onde era. Agarrei seus travesseiros quando estava bem perto. Apenas gemia seu nome, implorando para que não parasse desta vez.
Até que explodi do orgasmo mais forte da minha vida inteira. Foi... Eu nem sei como foi, mas sei que me tirou o fôlego e me fez arquear o corpo para cima. Ele não parou, continuou e outra onda de prazer veio sem que eu esperasse. Eu ainda estava sentindo a anterior! Eu estava cansada, mas quando a terceira onda veio, Oliver veio junto e eu soube que ele havia acabado de me dar orgasmos múltiplos.
Ele caiu ao meu lado e estava tão satisfeito quanto eu. Eu só precisava de mais alguns segundos para me recuperar. Estava tremendo de prazer e ainda estava irritada. Quando a sanidade voltou, eu dei o tapa com toda a força que consegui em seu braço.
— Nunca mais faça isso comigo!
Ele tinha um sorriso debochado no rosto.
— Fazer o que? Te amarrar, não deixar você gozar ou te dar orgasmos múltiplos?
— Tudo! – eu disse me levantando. Senti uma leve tontura, mas não caí. Suas mãos agarram minha cintura. – Me solta!
— Você fica linda brava deste jeito! Parece uma leoa selvagem. – ele disse e riu. – Nós gozamos. Foi mais do que ótimo. Acabou. Agora deite.
— Não me amarre mais. – eu disse me virando para ele ligeiramente.
— Por que? Não gostou? – perguntou erguendo uma sobrancelha. Incrivelmente sexy.
Me virei completamente e deitei em cima de seu corpo.
— Eu gosto de te tocar tanto quanto você gosta de me tocar. – eu sussurrei tocando cada pedaço de pele dele exposta para mim. Ele me abraçou e eu beijei seu peito mesmo estando brava.
— Eu sei. E foi um castigo adequado por você apontar meus erros para os meus pais. E eu sabia que você iria se irritar se não gozasse. – ele respondeu traçando minha espinha com os dedos.
— Oliver, seus pais estavam exibindo o filhinho deles para mim. – eu disse e ele respirou fundo e sorriu um pouco. – Me conte algo sobre você que ninguém sabe, aí eu irei te perdoar.
Beijei seus lábios e depois seu queixo. Desci para o pescoço e senti seu pulso.
— Eu nunca tive uma namorada... – ele soava tímido, e quase inseguro. Outra faceta nova. Foram quantas só hoje? Umas três ou quatro? Continuei beijando e sentindo seu cheiro. – Não queria me envolver com ninguém. Uma noite só e apenas isso. Sem compromisso. Eu sempre avisei como seria e nenhuma ficou comigo de modo inocente.
— Eu não recebi este aviso. – pontuei quando desci para seu peito.
Ele riu e eu senti ele vibrar.
— Você ainda não entendeu. — opa. Levantei o olhar e ele e se sentou na cama, fazendo eu ficar em seu colo. Cruzei minhas pernas em suas costas e observei seu rosto. Parecia confuso. – Eu nunca fiquei com uma paciente. Nunca trouxe ninguém aqui, muito menos para minha cama. Nunca morei com ninguém fora da família... Mas com você, nunca é o bastante. Eu sempre quero mais.
Sorri. Eu me sentia do mesmo jeito. Beijei ele com ardor e ele me virou. Ficamos de conchinha com apenas o lençol nos cobrindo. Não estava frio, porque o aquecedor estava ligado e Oliver parecia uma fornalha humana. Ele era muito quente. De todos os jeitos.
Eu estava me acostumando com isso. Dormir ao seu lado. Eu estava sem o que falar, não sabia se ele queria que eu falasse algo. Nossas respirações estavam ritmadas e eu não sabia se ele havia dormido.
— Por que nunca ficou com uma paciente?
Se ele tivesse ficado parado, eu teria achado que ele havia caído no sono, mas senti sua respiração alterar um pouco. Ele começou a fazer carinho em minha barriga e isso fez um arrepio subir por minha espinha.
— Pensei que estivesse dormindo.
— Por que?
— Era uma regra minha. Nunca uma paciente. Elas são sagradas. Ou eram pelo menos... – ele disse beijando minha cabeça. – Agora durma.
— Por que você não está dormindo também, enquanto eu deveria estar dormindo? – perguntei me virando para ele e vi seu sorriso preguiçoso.
— Desde quando é tão curiosa e falante?
— Desde que seu pênis não esteja em jogo. – eu respondi e ele riu alto e eu também.
— Gosto de ver você dormir. Desde que você estava em coma. Eu ficava horas te observando, e isso pode parecer estranho, mas eu gostava. Até passava algumas de minhas folgas no seu sofá. – ele sussurrou como se estivesse confessando um crime federal e eu sorri.
— O que há de divertido em me ver dormir?
— Eu ficava imaginando o que tinha acontecido no acidente, aonde sua mente estaria, estudava seu caso várias vezes... E acabava dormindo por lá. – ele respondeu e eu sorri.
Acho que eu poderia contar para Oliver sobre o galpão.
— Era como uma galpão. Eu podia sentir as paredes, o chão... E sabia que tinha um teto, só que era tudo muito escuro. Eu tinha me abaixado para pegar uma moeda para o pedágio e depois me deparei neste lugar. O tempo se arrastava, dias eram horas para mim. Só uma coisa mudou de tempos em tempos. – eu contei e ele parecia surpreso e curioso. – Eu ouvia uma voz diferente. Não ouvia mais ninguém, apenas essa voz. A sua voz, Queen.
Ele sorriu abertamente.
— Você me chamou e eu acordei.
— Eu amo a medicina, tem tanta coisa ainda para se aprender e...
Beijei ele antes que contasse mais alguma coisa que não deveria ter contado.
— Durma, Oliver. – eu disse e ele assentiu.
Abracei seu peito e fechei meus olhos.
—-
— Bom dia... – eu anunciei entrando no banheiro e encontrando Oliver com espuma em sue rosto, pronto para fazer a barba. Ele estava usando uma calça colada estranha. Beijei suas costas nuas.
— Bom dia. Dormiu bem?
— Muito bem. – eu respondi abraçando suas costas. Depois eu me sentei no gabinete de mármore e peguei a navalha de suas mãos. Hm. Ele prefere navalha. Á moda antiga será então. Abri minhas pernas e ele entrou ali. – E você?
— Tenho dormido como uma princesa... – ele respondeu e eu ri abrindo um caminho pela espuma em seu queixo. – Gosto desta camisa.
Eu havia vestido a primeira coisa que achei pelo chão, que era a camisa dele.
— Por que está com essa calça?
— Estava treinando na academia ou irei matar você. Preciso gastar energia. – ele disse e eu ergui uma sobrancelha para ele enquanto continuava deslizando a navalha por sua pele.
— Você tem quantos anos?
— 27. Por que?
— Estou curiosa hoje.
Ele gemeu e eu ri.
— Deus me defenda...
— Por que neurologia?
— Culpe meu pai. Eu sempre gostei de ajudar ele a fazer curativos e sempre quis ser médico. Depois, eu precisava de uma especialização, então escolhi neurologia por causa dele. – respondeu com um sorriso. Terminei o queixo e passei para as bochechas.
Tudo pronto. Ele lavou o rosto, eu escovei meus dentes e depois tomamos banho juntos.
Enquanto eu vestia meu moletom mais confortável, ele apareceu com os remédios e eu os tomei de má vontade. Fomos para cozinha e eu fiquei em dúvida sobre o que fazer para o café da manhã. O telefone de Oliver tocava insistentemente desde o nosso banho até agora e ele continuava a recusar ligações de quem quer que seja.
— Algum problema? – perguntei colocando a cafeteira para funcionar.
— Não se preocupe com isso. Agora... Café da manhã. – ele disse esfregando as mãos.
— O que gosta de comer?
Ele jogou a cabeça para trás e riu bem humorado.
— Capciosa pela manhã, Smoak?
— Eu tento não ser...
— Eu criei um monstro. – ele disse maneando a cabeça. – O que você quiser comer só que em uma escala maior, por favor.
Eu assenti e peguei os ovos, as tiras de bacon e tudo que eu iria precisar para a massa das panquecas. Oliver pegou o suco de laranja para mim, junto com as torradas e geleias e montou o balcão para nós comermos. Os ovos ficaram prontos enquanto eu batia a massa das panquecas á moda antiga. No braço mesmo. Depois coloquei as tiras de bacon na frigideira e peguei uma outra frigideira para fazer as panquecas. O café ficou pronto junto com o bacon.
— Pode pegar a calda de chocolate e o mel? – perguntei virando mais uma panqueca da pilha que se formava em um dos pratos.
Oliver assentiu e abriu a dispensa e foi atrás do que eu pedi. Desliguei o fogão assim que terminei tudo e coloquei os outros dois pratos na mesa e Oliver voltou enquanto eu me sentava em uma das banquetas.
— O que pretende fazer para o Ano Novo? – perguntou se sentando ao meu lado. Parei a torrada com geleia de pêssego no ar. Não tinha pensado nisso ainda. O Ano Novo já era domingo, e hoje era quarta-feira.
— Não sei, mas eu não irei ir pra China para o desgosto de Donna Smoak, sempre fico com Tommy e Cait, mas acho que ele irão viajar para visitar a mãe de Tommy em Chicago. – eu disse e ele assentiu. – Acho que irei assistir filmes de Ano Novo?
Ele riu, enquanto comia uma tira de bacon.
— Você quer ir para Nova York?
— Não, acho aquela cidade superestimada.
— Onde quer conhecer?
— Sempre quis conhecer Londres, mas o mais próximo que eu cheguei de Londres foi pelos livros de Harry Potter... – eu disse rindo antes de morder a torrada.
Comi o bacon com os ovos e olhei para Oliver que estava digitando algo em seu celular.
— Nós temos um voo marcado sexta de manhã para Londres. Sem pontes. 16 horas dentro de um avião, acho que tiramos a sorte grande... – ele comentou comendo minha torrada.
— O que? Oliver! Não podemos!
— Por que não? Eu já comprei as passagens e estou reservando o quarto agora mesmo. E eu não tenho planos, você não tem planos... Estou fazendo um plano. – ele disse de boca cheia.
Fiquei boquiaberta. Se tudo na vida fosse fácil assim.
— E os seus pais?
— Quer empatar os coroas, Smoak? – perguntou erguendo a sobrancelha do jeito sexy que só ele sabia fazer e eu fiquei boquiaberta.
Tomamos o café, limpamos a bagunça e eu fui com Oliver até seu escritório para imprimirmos o recibo das passagens. As paredes eram forradas de livros de medicina, direito e quadrinhos de super-heróis. O que me fez rir. Ele era nerd! Passei o dedo pelos exemplares de Batman em sequência quando me deparei com “Moana”.
Tirei da estante e me virei para Oliver que sorriu ao ver o que eu tinha em mãos.
— Eu gostei da história! – disse antes que eu pudesse falar qualquer coisa.
— Você apoia a instituição de Thea?
— É importante. Crianças sofrem todos os dias em silêncio por medo. Por que você gosta de lá? – perguntou e eu devolvi o livro ao seu lugar.
— No começo eu fui apenas para apoiar Thea, mas depois percebi que era uma coisa para o bem. Para o futuro de muitas pessoas e comecei a ajudar porque apoiava Thea e a causa também. – fui sincera e ele veio até mim com as mãos no bolso, enquanto a impressora fazia seu trabalho. – Eu gostaria de fazer a diferença na vida deles. Eles já sofreram tanto.
— Você nem imagina... Minha biblioteca está ao seu gosto, Srta. Smoak?
— Sim, está, Dr. Queen. – eu disse rindo.
—-
O toque do celular de Oliver começou a soar novamente, e enquanto eu estava voltando do banheiro para nossa maratona de Doctor Who, eu vi Oliver bravo. Realmente bravo, enquanto falava com a pessoa que estava ligando para ele á todo instante.
— Sim, eu tirei férias... O que você quer?— ele estava sendo grosso e rude. O que era estranho. — Não. Você sabia como era desde o início... Não. E não me ligue mais.
Ele desligou e eu me aproximei. Abracei seus ombros por trás e vi que seus olhos estavam raivosos. Ele relaxou visivelmente quando sentei ao seu lado no sofá e antes que retomássemos o episódio, eu perguntei:
— Estou te metendo em encrenca?
— O que?
— As férias forçadas... Essas ligações...
Ele negou rapidamente.
— Não e não pense deste jeito. – ele me abraçou me trazendo para seu colo e eu fui de bom grado.
Ele se inclinou contra mim, mas antes de me beijar, seu celular voltou a tocar. Oliver rosnou e ergueu a tela, suas sobrancelhas se franziram e ele aceitou a ligação para o meu desgosto.
— Queen.
Sua voz não estava tão brava quanto antes.
— O que você quer?
— Encher o saco...
Reconheci a voz de longe e ri.
— Sério? Ainda não tinha percebido isso. O que você quer, Merlyn?
Tommy começou a falar muito rápido e eu não entendi nada, Oliver por outro lado ouvia atentamente e soltava alguns “Uhum” e “Ahh” de vez em quando. Ele afastou o telefone na orelha e me perguntou:
— Quer ir na Verdant a noite? Todos estarão lá, primeira noite de folga de Dig e Lyla da nossa querida afilhada... – ele disse e eu assenti com um sorriso. – Nós vamos, Merlyn. Vá lamber sua esposa e nos deixe em paz agora.
Ele desligou e sorriu para mim.
— Onde paramos?
— Acho que você ia me beijar...
E assim ele fez.

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