Dangerous
6 She's Good
Notas iniciais
– O que aconteceu dessa vez, Sherlock? – John revirou os olhos, tentando imaginar o motivo de o amigo ir procurá-lo tão cedo.
Não esperava que a teoria de Mary desse certo tão rápido, mas pela expressão confusa no rosto de Sherlock, ele podia imaginar que aquilo tinha algo a ver com uma mulher.
– Você é quem faz sucesso com as mulheres... – Mal começou e logo foi interrompido.
– Eu não acredito! – Gargalhou alto, chamando a atenção de outras pessoas do restaurante. – Então realmente está acontecendo? Isso é... Isso é brilhante.
– Acontecendo o que?
– Você e Molly.
– Como você sabe?
– O que vocês... – Perguntou, parecendo desesperado. – Oh, Sherlock... Ela é noiva. Você sabe que não pode se aproveitar da...
– Me aproveitar do que? – Ergueu uma única sobrancelha.
Aquilo irritava John, irritava-o de verdade. Mas ele apenas balançou a cabeça e respondeu o óbvio.
– Se aproveitar da forma com que ela gosta de você! – Parecia óbvio, não era? – Ela é noiva. E o noivo dela também está aqui...
– Não aconteceu nada, John. – Disse simplesmente. – Ainda não.
– Como assim, ainda não? – Respirou fundo, controlando a vontade de socar a cara do amigo. – O que você pretende fazer?
– Eu não pretendo fazer nada. – Seu sorriso era o mais cínico que John já vira. – Mas entenda, John Watson, eu não sou um boneco de cera.
Considerando o número de sorrisos cínicos que John já havia visto na vida – principalmente depois de conhecer Sherlock – aquele ali era um problema; uma preocupação. Se o conhecia bem – e o conhecia – ele já tinha um plano todo em sua mente, pronto para a execução.
– O que você quer dizer com isso?
– Eu quero dizer que sim, Molly está noiva... Mas não está casada. – Gargalhou.
John permaneceu sério, oras. Por essa linha de raciocínio qualquer idiota que tentasse se aproximar de Mary com a mesma desculpa, estaria certo... E isso não era verdade. Se algum imbecil como Sherlock Holmes se aproximasse de sua noiva e dissesse isso, ia ter que passar meses no hospital pra tirar o par de sapatos que John o enfiaria garganta abaixo...
– Você está me deixando nervoso. – Respirou fundo. – Conclua logo seu pensamento.
– Ela foi até o meu quarto noite passada. – Passou a mão pelos cabelos e respirou fundo. – Ela foi até lá, se deitou na minha cama... Provavelmente se enrolou nos meus lençóis e toda essa cena não para de passar pela minha cabeça.
– Molly visitando o seu quarto? Mas e o noivo?
– Não faço ideia do que ele pensa sobre isso... Talvez apoie. Quem sabe?
– Você é um idiota.
– Eu sei... – Riu. – Mas a questão é que antes de sair de Londres, há dois anos atrás, eu estive hospedado na casa de Molly... Na verdade no quarto dela.
– Você o quê?
– Sim... Eu precisava fugir. – Disse como se fosse óbvio. – Mas precisava esperar um tempo para que Mycroft conseguisse me tirar de Londres. Então ele queria que eu ficasse com ele... Sem chance. Eu e Mycroft nos mataríamos em uma semana.
– Continue.
– Molly estava envolvida no plano e ofereceu-me seu quarto de hóspedes. – Deu um sorriso amarelo. – Mas o quarto de hóspedes era muito pequeno para mim, então pedi a gentileza de me ceder o próprio quarto... Sim, eu sou tão folgado assim. E ela cedeu, claro que cedeu... Então, bom... Algumas coisas mudaram entre nós. Ela foi maravilhosa comigo o tempo inteiro, mesmo sendo um grande idiota me aproveitando de sua boa vontade...
– Sempre esperei isso de Molly. – John riu. – Ela é tão boa.
– Sim, ela é boa... – Suspirou, sentindo-se idiota. – E quando estive longe eu senti tanta falta...
– Sentiu falta?
– Sim. Não só de você, John. Senti falta de tudo e de todos... – Revirou os olhos. – Não seja tão convencido e ciumento.
John lançou-o um olhar mal humorado. É claro que não estava com ciúmes. Ciúmes de Sherlock Holmes? Em quantos níveis isso era ridículo?
– Senti falta dos dias que passei como hóspede na casa dela. Senti falta das coisas inúteis que conversávamos e da forma com que ela sempre tentava me agradar e me deixar satisfeito. – Riu, começando a se lembrar de mais coisas. – Sabe que um dia... Ah, me senti bastante ridículo. Um dia eu encontrei-a dormindo no sofá... E aquele sofá era tão pequeno...
– Ela dormiu no sofá para ceder a própria cama para você?
– Ah sim, e era pequeno. O quarto de hóspedes também... E eu me senti realmente estranho sabe? – John parecia surpreso com as novas descobertas sobre o amigo. – Então eu acordei bem cedo e troquei de lugar com ela. Levei-a para o próprio quarto e me deitei no sofá...
– Sr. Holmes fazendo uma boa ação? – O médico gargalhou, deixando Sherlock nervoso. – Ela colocou drogas no seu café da manhã?
– Então fiquei no sofá, esperando que ela acordasse e eu pudesse me desculpar por ter abusado tanto da hospitalidade dela... – Continuou, ignorando o amigo que gargalhava. – Mas Mycroft apareceu e me levou antes de Molly sair da cama. E aí eu não a vi mais. Nem pude me despedir ou agradecer...
– Isso é uma história e tanto, Sherlock. – John estava surpreso, realmente surpreso. – Mas ainda não entendi onde quer chegar.
– Uma parte de mim se importa com ela, John. – Ele se sentia ridículo admitindo isso. – E a outra parte se importa mais ainda... Por esse motivo essa outra parte não me deixa admitir isso. Pois é perigoso. Se importar é perigoso. Eu me importo com você e de repente todos querem te matar. Eu não quero que todos saibam que me importo com ela... Você entende?
– Eu nunca achei que fosse ouvir isso. – Foi só o que o médico disse.
– Eu preciso falar com ela. – Levantou-se. – Foi uma boa conversa, Dr. Watson. Bom apetite.
Saiu, deixando-o sozinho e avistando as duas sentadas em um banco de madeira perto das árvores. Mary estava com o telefone de Molly nas mãos e ele revirou os olhos quando percebeu isso; no mesmo momento em que pedia conselhos ao John, Molly pedia conselhos à Mary. Será que eram mesmo tão parecidos? A loira ria, gargalhava indiscretamente enquanto a castanha tinha as mãos no rosto e parecia bastante envergonhada. Não era preciso ser Sherlock Holmes para saber do que elas estavam falando... Mas ele era. E isso o deixou completamente irritado; elas estavam falando dele. "Hora de jogar..." Sussurrou enquanto caminhava na direção delas.
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