Dangerous
3 Enjoy
Notas iniciais
– Ela foi mostrar o quarto a ele. – Tom disse, soando despreocupado.
– Ela... – John lançou um olhar desconfiado à noiva, que apenas sorriu. – Hm, ok.
– É bom te ver, Tom. – Mary sorriu daquela forma que só ela sorria. – E espero que esteja cuidando bem da minha Molly. Todos sabem, eu a adoro.
– Sim, ela a adora. – John revirou os olhos. – Mas ela também adora Sherlock. Adora a Sra. Hudson. E Mycroft. E Lestrade. E Anderson...
– John! – Mary parecia irritada, mas deu uma gargalhada que soou gostosa e despreocupada.
– Provavelmente adorará você também. – Ele sorriu para Tom. – Aposto que adoraria Jim. Querida, você devia vê-lo me enchendo de explosivos... Ou usando uma coroa.
– Cale essa boca! – Deu um tapa extremamente fingido no braço do noivo, ainda dando gargalhadas.
– Vocês são sinceramente “o casal”. – Foi só o que o rapaz disse, sorrindo de forma sincera.
Logo depois se afastou, caminhando em direção à Molly – que ironicamente tinha acabado de dar as costas à Sherlock e estava vindo na direção deles.
– Ele mal chegou aqui e deu um jeito de afastá-la de Tom. – Mary sorriu daquela forma travessa outra vez. – Acho que estamos fazendo algo certo aqui.
– Eu... – John pareceu confuso por alguns segundos. – Eu não sei, querida. Sherlock é uma pessoa complicada quando se trata desse assunto.
– Eu dou vinte e quatro horas. – Sorriu, convencida. – Vai acontecer, eu sei que vai acontecer.
– E aí ele vai vir até o nosso quarto, vai bater na porta e vai me dizer “John, eu não sou mais virgem!” e aí eu vou te contar na sequência.
– Isso vai ser doce. – Exibiu mais um daqueles sorrisos que John mais amava. – Os dois serão um casal verdadeiramente doce. Ela vai fazer com que isso seja possível, guarde minhas palavras.
– Ela tenta. – Ele disse, simplesmente. – Desde que eu me lembro. Desde o dia em que os conheci.
– Comigo por perto, ela vai conseguir.
– Mary!
– John! – Respondeu, fingindo-se igualmente assustada. – Eu só quero muito que eles fiquem juntos! Muito mesmo!
– Sherlolly, huh? – Perguntou, beijando delicadamente os lábios da amada. – Andou lendo essas coisas de novo?
– Eu não consigo evitar. – Sua gargalhada foi mais alta dessa vez.
– E aquela história de Johnlock, querida? Você prometeu que não ia mais ler aquelas... – Suspirou.
– Não se preocupe querido. – Riu. – Você é sempre o homem da relação.
Com essas últimas palavras, Mary se afastou e parou para conversar com Molly e Tom. John apenas ficou ali, parado, pensando no que ela havia dito. Passaram-se no mínimo cinco minutos até que o doutor soprasse aqueles pensamentos estranhos pra fora de sua mente e se juntasse a eles. Agora sim, apenas Sherlock faltava no grupo de amigos.
–-
Passaram o dia inteiro juntos. Os casais do ano. Enquanto o detetive entediado e idiota, passara o dia trancado no quarto. O detetive em questão, eu. Sherlock Holmes. Sim, eu poderia ter passado o dia inteiro desfrutando da companhia maravilhosa dos casais – que se lambiam repetidamente, numa demonstração sinistra de quem-ama-mais-quem – mas a minha escolha foi permanecer no quarto. Pensar um pouco, espairecer.
A única conclusão que eu havia chegado era: não queria brincar com os sentimentos dela. Admitindo para ela ou não, ela continua sendo muito importante para mim. “Oh, Sherlock, você está sendo sentimental?” Minha consciência sinistra cria voz e fala comigo mesmo. “Cale essa boca.” Respondo, em voz alta.
– Sherlock? – Uma voz extremamente doce chama-me.
– Entre, Mary. – Foi só o que eu respondi.
– Está tudo bem? – Quando passa pela porta, coloca as mãos na cintura exatamente como minha mãe faria. – Você não deixou o quarto nem para comer. Eu aluguei um quarto para você passar o fim de semana conosco. Para se divertir, parar de ser tão esquisito. Não para se trancar aqui e ficar encarando as paredes e se divertindo com seu palácio mental.
– Adoráveis, as suas palavras. – Sorrio. – Mas eu sinceramente não me sinto com fome.
– Você não comeu nada! – Revira os olhos, fazendo-me rir. – O dia inteiro! Sherlock!
– Mary. Acalme-se. – Digo com calma. – Eu vou comer, ok?
– Então vamos. – Estende-me a mão. – Mal me casei e já tenho uma criança para cuidar!
Ela parece mesmo uma mãe super preocupada e super protetora. “Onde foi que John nos enfiou?” Claro. Se John precisa aturar uma esposa super mãe, eu também preciso aturá-la. Faz parte do pacote... Faço o maior número de caretas possível enquanto Mary me arrasta até o restaurante e paro na porta, sem vontade nenhuma de entrar.
– Molly e Tom. – Digo. – Eles estão aí?
– Acredito que sim. – Balança os ombros. – Oh... Senhor Holmes!
– Nem uma palavra. – Entro no restaurante, deixando-a para trás.
Sim, estou com ciúmes. Sim, quero desesperadamente bater a cabeça dele contra a parede incontáveis vezes e deixa-lo inconsciente para sempre. “Talvez isso conte como assassinato, mas quem se importa?” O pensamento passa pela minha cabeça e deixa um sorriso em meus lábios. Seria perfeito, teria Molly enfim, só para mim.
“A coisa toda é que; você sempre a teve só para você.” Reviro os olhos e aperto as têmporas, o palácio mental realmente começando a me irritar. “Você perdeu detalhes, deixou-a escorregar.” Balanço a cabeça de forma exagerada antes de me juntar aos meus amigos completamente apaixonados e felizes.
– Até que enfim! – A imitação mal feita quebrou o silêncio. – Senhor Holmes deixou o quarto.
– Tinha coisas mais interessantes para pensar do que comida. – Dou um sorriso. – Er... Como é o seu nome mesmo?
Ele abre a boca, mas o interrompo.
– Não importa. – Reviro os olhos. – Posso te tratar como noivo da Molly. É bem mais fácil para mim assim.
Vi meu melhor amigo dando uma gargalhada extremamente cínica e trocando olhares com Mary, que parecia decepcionada com a minha atitude.
– Como vocês podem ver, minha mãe foi me buscar no quarto. – Aponto para a loira. – Ficou extremamente preocupada com a minha dieta cerebral. Me obrigou a vir comer algo realmente comestível. Não que esteja de acordo com isso, mas...
– Eu me chamo Tom. – Estende-me a mão.
Aperto a mão dele, só por apertar. Não que eu quisesse, mas pareceu tão imbecil da minha parte não aceitar o cumprimento. Não posso demonstrar ciúmes. Sherlock Holmes não tem “ciúmes”.
– Na verdade sou um grande fã seu. – Sorri.
Se eu comer qualquer coisa nesse momento, tenho total certeza de que a comida voltará exatamente por onde entrou.
– Eu e Molly, na verdade. – Ela está ao lado dele, extremamente calada.
– Eu não sou fã. – Protesta, parecendo ofendida. – Eu sou a Molly. Apenas a Molly.
– Desculpe. – Tom encara-a, sendo meloso e dramático. – Vocês são amigos...
“Alguém me dê um balde?” Digo isso explicitamente com o olhar que envio para Mary e John. Aquilo realmente está me irritando.
– Eu já disse mais de mil vezes que... – Reviro os olhos. Estava novamente prestes à dizer que não tenho amigos. Mas isso seria tão ridículo. – O que tem de comer?
Mudo de assunto e finjo que aquele anterior nunca existira. Em poucos minutos já havia uma bandeja enorme de batatas fritas em cima da mesa. Só eu a ataquei. O resto das pessoas pareciam preocupadas demais para comer.
– Eu sempre leio o blog do John. – Ele não consegue ficar calado. – Adoro a forma com que ele descreve os casos! É brilhante!
– Quem eu seria sem meu blogger? – Dou um sorriso dramático enquanto engulo uma batata.
John e Mary ainda trocam sorrisos e olhares suspeitos. Molly permanece quieta e o maníaco não cala a boca. Começa a falar de casos, citando detalhes e rindo sozinho quando acha algo engraçado.
– Qual o seu favorito? – John resolve quebrar o silêncio.
– O da maleta cor de rosa. – Sorri. – O taxista. Fez tanto sentido! Eu... Eu fiquei chocado!
– Sim, esse foi muito bom. – John responde-o novamente.
– Então... – Suspiro. – Voltarei aos meus aposentos. Boa noite de casais para vocês e tentem não gritar muito alto. Tenho um ouvido muito sensível... Coisa de Sherlock Holmes, vocês sabem...
Mary, John e Molly reviram os olhos. Acostumados demais com a minha sede de aparecer. Mas a cópia – muito mal feita – apenas sorri e parece extremamente feliz em ouvir-me dizendo aquelas palavras. “O que foi que eu fiz de errado para merecer isso?” Penso enquanto caminho em direção ao quarto.
–-
Sherlock me puxa pela cintura e cala meus lábios com os dele. É a melhor sensação que eu já senti na vida. Nunca poderia sentir algo melhor. Seus lábios quentes, urgentes, rápidos, maravilhosos... “Merda, sonhando com ele de novo!” Exclamo ao abrir os olhos e encarar o relógio ao meu lado. Quatro da manhã. “Você precisa esfriar a cabeça, pensar em outra coisa.” Foi o que eu disse para mim mesma antes de me esgueirar para fora da cama e depois para fora do quarto.
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