Danger Line
57 Visita.
VISITA
Lucy’s POV.
- Mãe! – resmunguei. – Pare com isso!
- ELES EXISTEM DE VERDADE! – ela continuava tagarelando, enquanto meu pai revirava os olhos. – MEU DEUS, NÃO É QUE O SHADOWS É GOSTOSO MESMO!
- Mãe, se comporta! – disse segurando o riso. – Matt é um homem casado agora.
- É um prazer conhecê-la, senhora Dartagan. – Matt lhe esboçava um largo sorriso, fazendo com que seus belos olhos verdes brilhassem e evidenciassem suas covinhas.
Minha mãe, completamente inconveniente, colocou o dedo indicador dentro de uma das covas de Matt, agindo como se ele fosse um ser de outro mundo.
- Meu Deus... Ele existe... – ela dizia, quase pasma.
- Eu existo também... – Zacky se colocou na frente, estendendo a mão.
- Ah, e você é gordinho como eu imaginava. – minha mãe disparava, sorridente, como se dissesse a melhor coisa do mundo.
Zacky arregalou os olhos, espantado.
- Uma fofura... Adoro você com aquela gravatinha borboleta, sempre pedi pro Jeremy usar uma, e nada. – dona Jude revirava os olhos, rindo logo em seguida. – Menino fofo! – ela apertava as bochechas de Zacky, dando-lhe um beijo na bochecha logo em seguida.
Zacky abaixou a cabeça, rindo graciosamente, como se tivesse ficado sem graça com a inconveniência da minha mãe.
- Johnny... – a vítima da minha mãe agora era nada menos do que o baixista. – Se eu pudesse, te colocaria em meu bolso. – ela sorria.
- Como é? – Johnny fazia um bico.
- Eu sou maior que você... HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ... – de repente, ela começou a gargalhar, e meu pai, idem. – Ai, ai... – ela colocava a mão pela barriga. – Prazer em conhecê-lo, Jojo. — ela também lhe cumprimentava com um beijo estalado na bochecha. — Saiba que você é o anão mais lindo que já vi.
Era só o que me faltava, minha mãe criando intimidade com o Avenged... Se ela soubesse tudo o que realmente aconteceu...
- AH, MAS EU ESTAVA TÃO ANSIOSA PRA FALAR COM VOCÊ! – ela berrou, assim que se aproximou de Brian. – MEU GENRO!
- MÃE! – protestei de imediato, sentindo minhas bochechas corarem.
Encarei Arin rapidamente, e ele encarava toda a cena com a face rígida, como se estivesse prestes a soltar um grito.
Meu pai logo se aproximou dele, dando-lhe um abraço por trás dos ombros, seguido por um cafuné.
- Genro é? – Brian disparou uma leve risada, olhando-me de relance. Eu queria morrer.
- Ah Lucy, não se faça de desentendida... Seu sonho era namorar esse homem! – ela apontava para Brian como se ele fosse um objeto. – E olha, você é bem mais bonito pessoalmente...
- Jude... – meu pai a reprimia, revirando os olhos. – Não faça o namorado da Lucy ficar constrangido... – ele ria logo em seguida.
- ELE NÃO É MEU NAMORADO! – disse quase que berrando.
Brian apenas começou a rir, segurando a mão de minha mãe, dando-lhe um beijo no topo.
- Prazer em conhecê-la, Jude. – ele dizia de modo educado e sutil. – Agora sei da onde Lucy herdou tanta beleza.
- Ah, corta essa... – aproximei-me deles, fazendo com que Brian soltasse a mão de minha mãe. – Esse papinho ninguém engole, Syn...
- Ah, eu achei fofo... – minha mãe dava de ombros. – Mas eu ainda prefiro o Matt.
Logo ouvi a gargalhada trovejante do dito cujo.
- Você não tem que preferir coisa alguma! – meu pai disparava, soltando-se de Arin. – Eu sou bem mais bombado que esse “Chádi” aí... – logo ele se aproximava de Matt. – Te desafio para uma disputa de braço!
Comecei a rir.
Era boa aquela interação toda apesar de todas as insinuações da minha mãe, meu pai continuava querendo se pagar de machão como sempre, e pelo menos, eles estavam bem mais felizes por me ver, que o sermão acabou sendo deixado de lado.
Eu estava gostando, apesar de Arin mostrar-se constrangido diante de tudo aquilo.
Brian’s POV.
Senti-me completamente animado por conhecer os pais de Lucy. Não pensei que eles fossem assim tão alternativos, mas certamente, ficaram tanto tempo sem poder ver a filha que preferiram deixar as brigas inúteis de lado e aproveitar aquele momento.
Eu só não poderia me esquecer que toda essa distância foi culpa minha. Era evidente o quanto Lucy era feliz onde estava, como sua vida era animada... Entristecia-me saber que eu acabei tirando isso dela de alguma forma.
Eu a via abraçando Arin, mas ele não estava nenhum pouco animado, certamente pelas coisas que Jude havia dito. Bem feito!
Mas ainda tinha algo que me deixava encucado. Lucy disse que eles estavam juntos, ou seja, namorando, mas em momento algum vi evidências do que ela me disse... Será que ela estava mentindo?
Lucy’s POV.
Minha mãe me ajudou a dar uma ajeitada na pequena sala para que assim todos pudessem se acomodar de alguma forma para podermos comer.
Fazia muito tempo que eu e ela não preparamos algo, nem nada do tipo... Estava muito feliz por tê-la ao meu lado.
- Como foi que aconteceu isso? – minha mãe perguntou de repente. – Digo... Como foi que vocês todos se tornaram amigos?
- Ah... – gaguejei. Em momento algum eu havia pensado em como responder aquilo.
- Precisávamos de um baterista novo. – Brian respondeu por mim. – Arin se alistou para ser nosso baterista, e a partir de então conhecemos a Lucy. – ele dizia de forma convincente, esboçando-me um sorriso no canto dos lábios.
Senti-me mais aliviada, podendo relaxar os ombros, enquanto lhe sorria como forma de agradecimento.
- Não é, Arin? – Brian o encarava.
- É... É isso mesmo... – Arin, porém, dizia de modo monótono.
- AI MEU DEUS! – minha mãe novamente se empolgava. – Então quer dizer que o meu xodozinho está tocando no Avenged Sevenfold?! – ela se aproximava dele, dando-lhe fortes apertões contra a bochecha. – Que orgulho! Pelo visto vocês dois espertinhos estão se dando bem aqui na Califórnia, só podiam pelo menos ter me avisado... – ela suspirava.
- Desculpa mais uma vez, mãe. – disse tediosa.
- Ah dona Jude, a Lucy é estudiosa pra caramba e digamos que as faculdades daqui cobram demais de seus alunos. – Brian tornava a dizer.
- Mas mesmo assim ela devia ter avisado. – minha mãe me reprimia com o olhar. – Mas fico feliz que ambos estejam bem.
- HÁ, GANHEI! – ouvi meu pai gritar de repente, seguido por um som alto, um estrondo.
Quando olhei para o lado, vi a cadeira de pernas por ar, assim como as pernas de Matt que estava no chão.
- Vamos lá, Chádis, vamos ver se você aguenta mais uma. – meu pai saltitava serelepe, enquanto fechava o punho em frente ao rosto.
- Certo... Então te desafio para uma partida de vídeo game! – Matt se erguia do chão.
- Pronto, agora esses dois vão longe. – minha mãe revirava os olhos, rindo logo em seguida. – Arin, querido, o interfone está tocando, acho que as pizzas chegaram.
- Sim... Vou atender. – ele se afastava com a voz abafada e desanimada.
- CARALHO, O PAI DA LUCY DERRUBOU O MATT! – ouvi Zacky gargalhar, indo em direção aos dois competidores.
- TIO JER! ME ENSINA ESSE GOLPE! – Johnny também corria até eles.
Ri sem graça, restando apenas eu, minha mãe e Brian.
- Ah... – ela sorria, ainda mostrando-se completamente simpática como costumava ser. – Fico feliz que estejam bem, que estejam se divertindo... – ela colocava as mãos sobre os ombros de Brian. – Desculpa o ataque que eu dei quando vi vocês, mas não é todo dia que eu interajo com gente famosa.
- Imagine... – Brian ria, retribuindo de bom grado a simpatia de minha mãe.
- Sabe... A Lucy antes de vir para a Califórnia, sempre foi muito fã de vocês...
- Ah mãe, eles já sabem disso... – abaixei a cabeça, sentindo-me levemente envergonhada.
- Ah, deixa eu contar... – ela ria, dando de ombros. – Ela vivia dizendo que tinha muita vontade de conhecê-los... Olha só que coincidência, não é? E em hipótese alguma ela admitia que falassem mal de você, viu? Digamos que você é o preferidinho dela...
- Mãe... Por favor... – resmunguei, vendo que os olhos escuros de Brian estavam postos sobre mim.
Brian’s POV.
Lucy estava com as bochechas completamente coradas.
Era triste saber que para ela eu já não era mais assim tão importante... Se Jude soubesse tudo o que fiz, certamente me odiaria ao invés de destilar sua simpatia, mostrando-se ser uma pessoa completamente divertida.
Eu tinha que admitir que além de ter percebido o quanto errei com Lucy, estava inclusive arrependido. Tudo o que fiz, provocou apenas um afastamento entre nós dois... Talvez Johnny estivesse correto, enquanto eu a sequestrava, Arin tentava salvá-la, vê-la feliz, sem se preocupar com a sua própria alegria, enquanto eu fui egoísta durante tanto tempo... É, era essa a nossa simples diferença, mas eu não desistiria mesmo assim.
- Bom, vou buscar os pratos. – Lucy dizia de repente, afastando-se de nós.
- Vou com você! – dizia Jude.
Lucy’s POV.
- Gostei dele! – minha mãe dizia, enquanto eu ia até o armário encontrando utensílios que servissem como prato, já que éramos somente eu e Arin na casa, e nunca se quer esperaríamos receber tantas pessoas.
- Que bom... – dei de ombros.
- Acho que ele gosta de você. – ela dizia logo em seguida. – Ele te olha de uma maneira tão fofa! E olha, vai por mim que mãe é bem difícil de se enganar com essas coisas. – ela ria logo em seguida.
- Ah mãe, lógico que não... – dei de ombros. – Ele parece educado, mas é mesquinho, egoísta, orgulhoso...
- Por que está falando assim? – ela franzia o cenho, aproximando-se de mim. – Desculpa, mas eu fiquei um tempo conversando com ele e não vi nada disso.
- Mas é verdade... – mantive minha atenção aos pratos de porcelana e de plástico.
- Você também gosta dele!
- O QUE?! – engasguei com o próprio ar que eu tragava. – Que ideia é essa, mãe?
Arin’s POV.
- Só estou dizendo o que eu acho... – ouvi a voz de Jude na cozinha.
- Eu não gosto do Brian! – Lucy disparava logo em seguida.
- Filha, você sempre foi muito fã dele, ele era seu preferido da banda... E como sua mãe, eu consigo ver claramente como que você o encara com admiração, sem contar que não teve uma vez que ele lhe dirigiu a palavra que você não tenha ficado corada... – ouvi a habitual risada calorosa de Jude. – Vocês iriam ficar muito bonitos juntos.
- Mãe! – ouvi Lucy resmungar mais uma vez. – Pare com isso! O Synyster Gates é famoso, tem muitas outras mulheres que com certeza são mais bonitas do que eu, loucas para ficar com ele... E... E... – se não me engano, percebi que ela havia gaguejado. Provavelmente por ter ficado nervosa. – Eu não gosto dele, já disse! E o Arin?! – seu questionamento transpareceu de forma tão aguda, que senti como se ela tivesse questionando aquilo para si mesma.
Senti um aperto no peito.
- O Arin sempre foi apaixonado por você e eu bem que te avisei. – Jude suspirava. – Eu gosto muito dele, vejo-o como um filho, mas não acho que você goste dele da mesma forma que ele gosta de você... Você não precisa ficar se apegando a uma pessoa simplesmente por comodidade, por ser mais seguro! Olha só seu pai! Tem personalidade forte e às vezes é difícil lhe dar com ele... E mesmo não sendo cômodo ou mais simples, eu o escolhi...
- Não entendo o porquê de você ficar me dizendo essas coisas... – ouvi Lucy murmurar.
- Aconteceu algo a mais que você não queira me contar?!
- Não... Por quê?!
- Eu sinto que tem algo muito estranho acontecendo que nem você e nem o Arin querem me contar...
- Lógico que não, mãe... – Lucy disparava uma risada logo em seguida.
- Bom... – Jude suspirava. – Já dei minha opinião e aqui entre nós... O Arin sempre te cercou muito! Acho legal que ele cuide de você, mas eu não quero te ver forçando um sentimento que não existe, ouviu bem? Arin não merece sofrer, nem você.
Percebi que Lucy ficou alguns momentos em silêncio e eu não estava gostando nada daquilo.
- Aliás... Arin está demorando com a pizza...
Tentei estabilizar minha respiração, respirando fundo, quando finalmente caminhei até a cozinha.
- AH! – Jude abria um largo sorriso. – Aí está você! Pensei que íamos passar fome... Me dá isso aqui que eu levo até a sala. – ela então, retirava a pizza de minhas mãos, enquanto se afastava, dando risada.
Lucy’s POV.
Olhei para Arin, dando-lhe um sorriso, percebendo que ele nem se quer havia se dado ao trabalho de retribuir.
Achei estranho. Ele estava sério, como se estivesse incomodado com alguma coisa.
- Está tudo bem? – perguntei, olhando-o nos olhos.
- Você acha que eu fico te cercando? – Arin perguntou de repente, erguendo os olhos castanhos, enquanto os mesmos fitavam os meus.
- Como assim?! – senti meu rosto esquentar. Provavelmente ele estava ouvindo tudo o que minha mãe havia dito, e de qualquer forma, não queria feri-lo. – Você ouviu o que a minha mãe disse, não foi?
- Ouvi. – ele disparava seriamente.
- Arin...
- Não precisa explicar nada! – sua respiração era profunda, enquanto pude perceber que suas unhas cravavam a palma de sua própria mão. – Não é de hoje que eu percebi que você é apaixonada pelo Brian.
- Não! – tentei me explicar, sentindo o desespero tomar conta de mim. Era injusto com ele, principalmente depois de tudo que ele havia feito por mim! Eu não poderia ser tão ingrata dessa forma, não poderia fazê-lo sofrer, era injusto!
- Responde a verdade, Lucy!
Eu poderia negar o quanto eu quisesse, mas as palavras não se desprendiam de minha garganta. Mentir para Arin era terrível, mas a verdade o machucaria da mesma forma que me machucava.
Mantive em silêncio.
- Eu vou tomar um ar. – ele disparou de repente.
- Arin! Espera! Eu entendo que você esteja chateado, mas...
- EU NÃO ESTOU CHATEADO! – sua voz se alterava de repente, fazendo com que inconscientemente eu desse um passo para trás. – Estou furioso! – a altura de sua voz diminuía, mas continuava forte como se uma fera estivesse tomando conta de si.
Brian’s POV.
Pensei em recuar os passos, mas eu estava incrédulo demais para fazer com que minhas pernas exercessem alguma ação.
Senti de repente um duro golpe contra meu ombro.
- Imagino que você deve estar saltitando de alegria. – Arin estava com os olhos vermelhos, encarando-me com um ódio evidente.
- É, eu estou. – disparei um riso de escárnio, crente de que poderia sofrer um golpe contra o rosto pela ousadia.
- Sua alegria não vai durar por muito tempo. – Arin tornava a dizer secamente, a face era colorida de um vermelho vivo, como se todo o sangue de seu corpo estivesse acumulado em sua cabeça.
Cruzei os braços, erguendo uma das sobrancelhas, olhando-o em completo deboche.
Sendo assim, o magricela limitou-se apenas a abrir a porta do apartamento, retirando-se dele.
Senti meu peito se estufar com a ausência de Arin. Parecia até mesmo que o ar havia ficado mais leve, afinal, mesmo que tanto ódio pairando sobre aquele teto, e mesmo não tendo ouvido claramente Lucy dizer que me ama, aquele silêncio... aquele silêncio sim foi o motivo do coração gargalhar e borbulhar dentro de mim.
Eu tinha esperanças.
Notas finais
Aguardo os reviews.
♥
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