Danger Line
58 Revanche.
Notas iniciais
Hoje o capítulo vai ser dedicado à Capuleto 6661 por ter recomendado Danger Line e ter feito meu dia mais feliz.
Pois então, muito obrigada de verdade, fazia já um tempinho que eu não recebia recomendações novas. *-*
Beejão e boa leitura!!
REVANCHE.
- Lucy? – disse assim que entrei na cozinha.
Ela parecia distraída demais em seus próprios pensamentos, pois havia se assustado com a minha sutil presença.
- Desculpe... – suspirei, fitando meus próprios pés, enquanto sentia minhas mãos suarem tolamente. – Não quis assustá-la... Mas... Não vai comer pizza com a gente?
- Já estou indo. – ela respondia em um evidente desanimo.
- Está tudo bem? – perguntei levemente confuso. Ainda não entendo o motivo de ela ficar triste por simplesmente não corresponder às expectativas de Arin! Ele que se dane! Eu estava ali para ela e por ela, bastasse apenas que ela estralasse os dedos, e eu cairia aos seus pés, esquecendo-me de todas as frustrações passadas.
- Sim... – ela respondia encarando um ponto fixo qualquer, como se sua mente estivesse vagando muito longe.
- Não é o que parece... – senti meu peito saltar de ansiedade. – O-onde está o Arin? – disparei a pergunta mesmo sabendo a verdade.
Lucy ergueu a cabeça, olhando-me dentro dos olhos.
Podia jurar que ela estava desapontada com algo. Talvez eu devesse entendê-la melhor, eu a sequestrei, e a Arin tentou salvá-la.
- Vamos comer? – ela murmurou, sem responder minha pergunta.
Apenas assenti, enquanto abria espaço para que ela passasse pela porta.
Senti seu perfume invadir minhas narinas e um frio na barriga. Sempre que a esperança tocava meu peito, não demorava muito tempo para que eu sentisse aquela mesma esperança se esfarelar.
Ela podia me amar, mas não queria amar. Eu teria que fazer muito mais por ela do que eu já estava fazendo, não podia deixar aquele idiota atrapalhar tudo com suas lamentações.
- Ah! Que bom que vocês voltaram! – Jude exclamava assim que nos viu chegar até a pequena sala, onde todos estavam rodeando a pequena mesa de centro. – Tive que esconder esses três pedaços de pizza, pensei que o Zacky comeria tudo!
- Desculpe por isso, Jude... – Johnny revirava os olhos. – Tentei obrigar esse almôndega a fazer regime, mas não deu muito certo.
- LÓGICO QUE DEU! – Zacky protestava. – Eu emagreci!
- E engordou tudo de novo... – disparei uma risada maldosa.
Vi que Lucy também riu, timidamente, mas pelo menos lhe arranquei um sorriso.
- Onde está o Arin? – Jude franzia o cenho. – Escondi pizza pra ele também...
- Ele saiu. – Lucy suspirava, mostrando-se aborrecida.
- Esse menino... – Jude revirava os olhos.
- Opa! – Zacky dizia rapidamente, aproximando-se de Jude. – Arin saiu? Posso ficar com a pizza dele, Tia Jude? – ele arregalava os olhos verdes, fazendo sua famosa cara de “pidão”.
Antes mesmo que Jude pudesse abrir a boca para responder, Jeremy surgiu, sei lá da onde, apanhando o pedaço de pizza, dobrando-o de forma que coubesse por inteiro no interior de sua boca.
- Delícia! – disparava ele, passando a mão sobre a barriga sobressaltada, enquanto os pedaços de pizza passeavam pelos lábios entreabertos.
- ISSO... NÃO... FOI... JUSTO! – Zacky disparava pausadamente, enquanto seus olhos vermelhos fitavam o pai de Lucy. Parecia uma criança gordinha sendo contrariada.
- Ah? Você queria? – Jeremy gargalhava, ainda um montante de pizza tomando o interior de sua boca.
- AAAAAAAAAAAH! – Zacky disparou um grito, saiu correndo, pulando em cima do pai de Lucy.
Olhei de olhos arregalados para a loira, porém ela estava apenas gargalhando.
Rapidamente nos aproximamos, apanhando nossos respectivos pedaços de pizza, antes que ficássemos com fome.
Continuei encarando-a, e ela simplesmente sorriu para mim.
Arin’s POV
- Você não deveria estar com sua amada Lucy? – Michelle disparava uma risada assim que me viu chegar.
- E você deveria ter tirado o Brian da vida dela há muito tempo e não teve capacidade pra isso ainda.
O sorriso de Michelle simplesmente desapareceu de seus lábios. Percebi que minha respiração estava ofegante e eu sentia ódio.
- Como assim? – agora ela parecia ter ficado aborrecida, aproximando-se de mim com um olhar sério. – O que está querendo dizer com isso?!
- FOI HORRÍVEL! – disparei, sentando-me no banco em frente ao balcão. – Os pais de Lucy chegaram, ficaram totalmente empolgados com a presença do Avenged ali, a Jude, mãe da Lucy, começou a ficar insinuando que queria o Brian de genro e aquele idiota ficou todo convencido! Eu não aguento mais, Michelle! Eu não consigo progredir com a Lucy por mais que eu tente, parece que a sombra do Brian fica entre nós de qualquer maneira por mais estúpida que seja! – quanto mais eu falava, mais sentia aquele nó de raiva entrelaçar em minhas cordas vocais.
De repente, ouvi o som do líquido caindo, quando percebi que Michelle me oferecia uma dose de Whiskey.
Apanhei o copo sem hesitar, bebendo todo seu conteúdo, enquanto sentia o líquido deslizar pela minha garganta como uma chama escaldante.
- Melhor? – Michelle perguntava mordendo o lábio inferior.
- Estaria se o Brian morresse. – disparei, batendo o copo contra a mesa.
- Cala essa boca... – Michelle revirava os olhos. – Nós dois estamos juntos nessa!
- Não adianta! AQUELES DOIS SE AMAM, MICHELLE! – irritado, levantei-me da mesa com tal brutalidade que a cadeira simplesmente se espatifou pelo chão. – E pensar que tudo que eu fiz por ela foi em vão! EM VÃO! Eu vim até aqui, fiz de tudo para cuidar dela e ela... AMA O BRIAN!
Michelle simplesmente abaixou a cabeça, como se tentasse manter a calma, já que eu estava completamente cego por ciúmes e raiva. Ela ficou pensativa, silenciosa, enquanto eu ouvia claramente o som da minha respiração completamente fora de controle.
- A gente precisa fazer alguma coisa... Não está adiantando eu me manter entre eles! Parece que quanto mais tempo passa, mas próximos eles ficam...
Michelle logo tornou a erguer a cabeça, olhando-me dentro dos olhos.
- Acho que já sei o que fazer... Mas você vai ter que colaborar.
Lucy’s POV.
Apesar de tudo eu estava feliz com a vinda dos meus pais. Tudo de repente pareceu mais fácil, embora a crise do Arin o tenha feito simplesmente ir embora sei lá para onde.
Isso me fez lembrar sobre o que Valary me disse uma vez.
Será que ele foi ver Michelle e contar sobre nossa conversa? Eu não duvidaria que ele o fizesse, embora fosse difícil desconfiar de Arin dessa forma.
Depois do drama mexicano de Zacky sobre a pizza brutalmente roubada pelo meu pai, ficamos dando risada enquanto minha mãe fazia o favor de contar meus piores micos de quando eu era uma mísera criança.
- E ELA CORRIA... CORRIA... E TINHA MUITA FORMIGA NA BUNDA DELA! – minha mãe fazia questão de até contar a história de forma teatral, enquanto lágrimas escorriam pelos seus olhos de tanto rir.
Brian estava ao meu lado e pareceu estar se dando muito bem com meus pais. Muitas vezes, ele olhava para mim e simplesmente ria, e eu estranhamente estava me sentindo confortável com aquilo ao ponto de que eu nem pensava em Arin.
Era estranho. Arin era meu melhor amigo e estava ao meu lado a todo momento, mas confesso que ele estava tão diferente ultimamente e as palavras de minha mãe realmente me fizeram pensar.
Brian também falava muito bem de mim para meus pais, fiquei até mesmo surpresa. Dizia que eu era muito madura e inteligente e que gostava da minha companhia. Tentei fazer de tudo para não dar importância para tais elogios, mas confesso que podia sentir claramente minhas bochechas ferverem enquanto ele falava.
- Bom, acho que já está na hora de irmos, Jeremy... – minha mãe suspirava, enquanto se levantava do chão. – O Arin não volta mais? – ela franzia o cenho.
- Não sei para onde ele foi... – dei de ombros.
- Bom, manda um beijo para ele... Amanhã eu passo aqui de novo para te dar um beijo antes de voltar para Londres. – ela sorria, aproximando-se de mim, enquanto empurrava uma mecha de meus cabelos para trás do rosto. – Fico muito feliz em saber que você está bem... Apesar do Arin sempre nos manter informados sobre você eu fiquei preocupada e não entendia o motivo de nunca conseguir falar com você... Achei que tinha te acontecido alguma coisa e o Arin estava me escondendo... Quase chamei a polícia...
Senti um aperto de leve no peito, e não pude evitar olhar para minha mãe com a face entristecida.
- Desculpa... – foi a única coisa que consegui dizer.
- É que a Lucy é muito esforçada. – Brian de repente falou por mim, fazendo com que eu o encarasse boquiaberta. – Está trabalhando, estudando... Difícil até mesmo a gente ver ela...
Minha mãe esboçava um largo sorriso, enquanto apoiava uma das mãos sobre os ombros de Brian.
- Pelo visto vocês estão cuidando bem dela... – logo ela tornava a girar os olhos para mim. – Não faça mais isso, está bem, Lucy? Mande-me notícias...
- É isso mesmo... – meu pai se colocava lado de minha mãe. – Se cuida, viu? – ele então se aproximava, dando um beijo no centro da minha testa.
Brian olhou para mim, segurando meus ombros com firmeza. Seus olhos escuros tinham um brilho inocente, enquanto seus lábios transmitiam um leve sorriso sincero, como se ele quisesse me dizer por um simples gesto de que tudo ficaria bem.
- Meninos, foi um prazer conhecê-los. – minha mãe se aproximava, dando um beijo na testa de cada um. – Pode deixar Zacky, que amanhã antes de ir embora eu trago suas coxinhas fritas, ok? – ela ria, enquanto Zacky disparava um riso infantil.
- Matt... É melhor treinar muito para o nosso próximo encontro. – meu pai dizia, apertando os olhos com as pálpebras, encarando o armário ambulante de modo ameaçador. – I’ll be back! — ele engrossava a voz, fazendo todos rir.
- Hasta la vista, baby! – Matt também gracejava.
Sendo assim, terminamos de nos despedir de meus pais, quando os meninos também resolveram de que teriam que partir.
Acompanhei-os até a saída do condomínio, porém Brian disse que ficaria por mais alguns minutos e depois pegaria um táxi.
Senti meu estômago revirar. O que ele queria agora?
- Você está bem? – ele perguntou, virando-se para mim.
Eu não poderia e nem conseguiria ser rude com ele, por mais que eu pensasse que seria o certo a se fazer. Afinal, ele estava ali ao meu lado mesmo depois de tanta frieza que tentei transmitir. E Arin? Simplesmente sumiu, pois as coisas não eram do jeito que ele queria...
- Estou... – respondi com a voz mais baixa do que eu pretendia.
- Está chateada por causa do Arin. – ele afirmava, aproximando-se ainda mais de mim.
- Bom... Ele saiu sem dar satisfação... – resmunguei, quando percebi que Brian já estava me abraçando.
- Não se preocupe com ele... – Brian sussurrava em meus ouvidos, fazendo com que um leve arrepio subisse pela minha nuca, enquanto sentia seu hálito quente. – Só fique feliz que deu tudo certo com os seus pais... – logo ele se afastava, sorrindo para mim.
- Ainda bem... – sorri, respirando aliviada. – Obrigada por ter me ajudado... – suspirei. – Não sei se conseguiria mentir tão bem para minha mãe... Coitada... Ficou tão preocupada comigo...
Brian ficou brevemente silencioso e eu entendia o porquê.
- Não tenho palavras pra dizer o quanto me envergonho por isso... – ele disparou com a voz seca, e pude perceber até mesmo vestígios de raiva entrelaçados em sua voz. – É o mínimo que eu podia fazer...
- Ei... – aproximei-me sutilmente dele. – Isso já passou... Está tudo tão diferente agora... O Arin está na banda, a gente se vê normalmente todos os dias... Eu fico confusa, sabe? Parece que o que aconteceu antes... Foi só uma ilusão... – e eu realmente estava confusa. O certo seria ter ido embora daquele país a partir do momento que eu tive a oportunidade. Não entendo o motivo de Arin querer ter ficado na banda... Isso fez eu me aproximar mais de Brian e não vê-lo mais como deveria ver.
- Entendo o quanto deve estar realmente sendo confuso para você... Nem eu saberia explicar como eu estou sendo agora... Eu olho pra trás e vejo o quanto eu fui idiota, sabe? Mas ao mesmo tempo penso que não errasse tanto, não teria você aqui na minha frente agora...
Senti faltar ar em meus pulmões e meu coração saltitou como um despertador.
- Que diferença faz onde eu esteja? – sussurrei, olhando-o nos olhos.
Logo, ele se aproximou de mim, colocando uma de suas mãos quentes contra a maça de meu rosto.
- Faz toda a diferença. – ele disparou, fechando os olhos, enquanto tocava os lábios sutilmente nos meus.
Não tinha como resistir. Aqueles lábios eram quentes, macios e envolviam os meus com delicadeza. Eu me sentia anestesiada, fora de mim, era um calor que percorria pelo eu corpo de maneira confortável, enquanto eu sentia seu perfume atravessar minhas narinas.
A sua mão livre, rapidamente envolveu minha cintura e eu misteriosamente me sentia confortável.
Era uma mágica que somente ele possuía. Uma mágica que se aplicava a mim com facilidade e eu não tinha para onde correr.
- Eu vou indo... – ele sorria de forma bela, deixando-me sem ar até mesmo para falar. – Fico feliz que esteja tudo bem com você.
Não, eu não conseguia dizer nada, mas ele simplesmente continuou sorrindo, enquanto se afastava, ficando cada vez menor diante da pouca luz da rua.
Arin’s POV.
- Você tinha razão, Michelle. – disparei com ódio através do celular. – Brian não dá ponto sem nó.
- Como assim?! – a voz de Michelle ficava levemente aguda.
- Estava chegando no prédio e vi os dois pombinhos se beijando! – senti minha respiração ficar cada vez mais ofegante. Eu sentia ódio... Queria acabar com ele. – Faça seu plano, Michelle.
- Tem certeza?!
- Agora mais do que nunca.
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, não deixem de comentar. *-*
Beeeijos ♥
Fale com o autor