Danger Line
46 So Far Away
Notas iniciais
Avenged Sevenfold - So Far Away.
SO FAR AWAY
Lucy’s POV.
Assim que entrei no apartamento, Matt estava de boca aberta, com os olhos arregalados e completamente vidrado em seu vídeo game, enquanto Zacky ainda cochilava no sofá maior, de boca aberta. Johnny estava sentado ao lado de Matt com uma bacia de pipoca em mãos, assistindo tudo.
Brian não estava com eles.
- Olha só, chegou a nossa garotinha rebelde. – Johnny foi o primeiro a notar a minha tímida presença.
Matt rapidamente pausou o jogo, encarando-me com um sorriso largo, deixando em evidência suas covinhas.
- Onde estava, mocinha? – perguntava ele num tom brincalhão e nada carrancudo.
- Bem... – abaixei a cabeça, empurrando os cabelos para trás da orelha. – Sabe como é né...? – ri sem graça.
- É... – Johnny me olhava de forma maliciosa. – Sei bem como é...
- E o Brian? – perguntei enquanto me sentava no sofá menor, já que pelos roncos emitidos dos lábios de Zacky, ele iria dormir ainda por muito tempo.
- O Syn está no quarto... – Matt respondia.
- Não saiu de lá desde que você se foi. – Johnny completava.
Matt arregalou os olhos para o pequeno baixista, seguindo por uma forte cotovelada no braço do mesmo.
- O que foi? – Johnny questionava confuso. – Não disse nada demais...
Matt revirava os olhos.
- Bom...
- Lucy?! – interrompi a fala ao ouvir a voz de Brian.
Virei-me em direção ao corredor e lá estava ele vestindo apenas uma samba canção brega e sem camisa.
Ele me olhava fixamente, apesar de coçar os olhos sem parar. Brian estava com uma cara péssima, parecia que nem se quer havia dormido naquela noite.
- Onde você estava? – ele então, disparava em perguntar.
- Com o Arin. – limitei-me a responder.
- Ele deixou você ficar aqui com a gente? – Brian franzia o cenho.
- Não exatamente... – cocei a cabeça, levemente pensativa. – Ele disse que hoje mesmo ele iria mudar isso... Mas não vem ao caso.
- CLARO QUE VEM AO CASO! — ele alterava o tom de voz de repente, porém logo, relaxou os ombros, ficando mais calmo. – Digo... é... – ele fitava os próprios pés. – Você sabe o que ele vai fazer?
- Não sei mesmo... – suspirei. – Mas eu confio nele, sei que ele vai tomar a melhor decisão... – sorri, aproximando-me dele a fim de passar pelo corredor. – Se não se importa, quero ficar um pouco sozinha... Vou lá para o quartinho do mal... – brinquei.
Brian, porém, não sorriu. Parecia ainda bem chateado, provavelmente ele não esperava que logo o seu novo baterista fosse justamente meu amigo que veio me resgatar.
Aproveitei seu silêncio para então me afastar. De fato eu precisava ficar um pouco sozinha e tentar conciliar todo o turbilhão do qual minha mente estava.
Era estranho. Apesar de ter finalmente encontrado Arin, eu ainda não me sentia completamente feliz. Aquela ideia de ainda permanecer na Califórnia me preocupava... Ou fosse coisa da minha cabeça, já que ele estava realizando um grande sonho ao participar do Avenged Sevenfold.
O problema era a ideia de ficar ainda mais tempo perto de Brian. Eu ainda não entendia muito bem o motivo do meu medo todo. Não era um medo como se ele fosse fazer algo contra mim, eu sinceramente não conseguiria imaginar ele fazendo comigo o que aqueles trogloditas tentaram... E eu havia sido tão injusta com ele... Afinal, querendo ou não, ele salvou a minha vida.
Aquilo sacudia minha cabeça com força! Meu sequestrador, um homem que eu acreditava ser mesquinho, idiota, que ficava dizendo barbaridades, tentando me seduzir de todas as formas, escreveu uma das letras de música mais lindas que eu já vi e me salvou de um terrível destino...
Aquilo me confundia por completo! E era dessa confusão exatamente que eu tinha medo...
Arin fez tudo por mim, veio até a Califórnia e não me abandonou por um único instante, mesmo que eu tomasse decisões estranhas... Mas eu não podia negar que de alguma forma Brian estava mexendo comigo, e isso já faz um tempo...
Queria simplesmente poder apagar tudo e voltar para onde eu vim... Era mais fácil, eu não precisaria me submeter ao risco de fazer as pessoas sofrerem... Nem Arin, nem Brian, nem a mim mesma.
Pensar em tantas coisas às vezes até mesmo me dava dor de cabeça. Quem sabe um copo com água agora não me ajudaria a dormir um pouco, até finalmente Arin me dar notícias.
Fui até a cozinha, percebendo que o apartamento estava silencioso demais para ter quatro homens ali.
- Os meninos já foram. – ouvi a voz de Brian de repente, fazendo-me engasgar com a água. – Está bem? – ele perguntava disparando um leve riso. Provavelmente por eu ter engasgado.
- Só... Só estamos eu e você aqui? – disparei a tola pergunta. – É... Digo... – tentei consertar. Eu não queria que ele pensasse coisas de mim como da outra vez. – Por que eles foram embora?
- Eles só estavam aqui para não me deixar sozinho... – Brian suspirava, colocando-se ao meu lado, apanhando também, um copo com água. – Ainda estão preocupados comigo...
- Entendi... – engoli a última gota de água, sentindo-a passar lentamente em minha garganta. – Eu realmente percebi que ultimamente você está um pouco triste...
Brian ergueu a cabeça, olhando-me como se estivesse espantado.
- Desculpa, eu não queria transparecer isso pra você... Afinal, você finalmente encontrou o seu amigo, não? – ele sorria de modo que pude acreditar que fosse irônico. — Deve estar muito feliz...
- Não precisa se desculpar... Mas realmente foi bom ter encontrato o Arin... – respondi, sentindo como se os vestógios da infelicidade tomasse conta de mim. Vê-lo ali na minha frente, fazia com que meus sentimentos se fundissem. Eu não sabia o que pensar ou dizer, eu simplesmente sentia coisas que eu nem mesma conhecia. – Você realmente não precisa se desculpar. — tornei a dizer. — Enquanto eu... – murmurei.
- Como assim? – ele disparava.
- Bom... – abaixei a cabeça. – Eu sei que eu fui muito dura com você diante de todas as coisas que eu disse, por ter te acusado tantas vezes e tudo mais... Eu imagino que você deve estar passando por um momento muito difícil agora... Perder um amigo como o Jimmy realmente não deve ser nada fácil, e ainda mais erguer a cabeça pra seguir a diante... – senti meu coração acelerando cada vez mais. Pensar em Jimmy longe de todos nós, também me entristecia e me fazia ver que apesar de tudo que eu passei, eu sentia carinho por eles. – Então... Eu queria dizer que... – senti minhas pernas tremerem, eu tinha vergonha de dizer aquilo, não sabia como ele iria reagir. – Eu sinto orgulho de você por continuar...
Brian ficou estático, encarava-me boquiaberto. Talvez de fato ele não esperava ouvir aquilo de mim, mas era verdade... Eu realmente estava orgulhosa dele.
- Você vai embora, não vai? – ele perguntou em um sussurro.
Não sei por que a tristeza de repente tomou conta de mim. Sentia como se estivesse perdendo algo dentro de mim! Aquilo era impossível! Percebi que queria chorar, que iria chorar, mas não podia... Não na frente dele.
- Provavelmente sim. – minha voz saiu aguda e estável. – É o melhor a se fazer.
- Entendo... – ele suspirava, abaixando a cabeça. – Mas vamos continuar nos vendo, não? – ele sorria, tornando a me olhar. — Seria legal se você fosse aos ensaios...
- Vamos ver... – disse. Não sei se era isso realmente que eu queria... Continuar vendo ele... Poderia ser perigoso, eu poderia não me controlar.
- Sabe! – ele disparou de repente, parecendo estar um pouco mais animado do que antes. – Terminei a música.
- So far away?! – perguntei numa evidente curiosidade. Aquela letra... Aquela letra era perfeita! Estava louca para ouvi-la finalmente pronta!
- Exatamente! – ele sorria no canto dos lábios, fazendo meu coração tolo bater ainda mais forte. – E não me esqueci de que iria tocar ela pra você...
- Eu quero ouvir! – disparei.
- Certo... Vem comigo... – ele segurava minha mão com delicadeza, conduzindo-me para o lado de fora da cozinha.
Fomos então até seu quarto, onde pude ver o violão em cima da cama, juntamente com algumas folhas e lápis jogados para todos os lados.
- Trabalhei nela a noite toda... – ele dizia, sentando-se na cama.
- Por isso que você está com essa olheira horrenda! – disse, dando risada.
Brian apenas deu um sorriso tímido, revelando-me sua tristeza novamente. Algo me dizia que não foi somente pela música que ele não dormiu essa noite.
- Senta. – dizia ele, apontando uma poltrona.
Sentei-me, apenas aguardando o momento que ele fosse finalmente começar a tocar.
Brian então posicionou o violão sobre sua coxa, respirou profundamente, tocando os dedos finos sutilmente sobre as cordas de aço.
“Never feared for anything,
(Nunca teve medo de nada)”
Ele então começou.
“Never shamed but never free
(Nunca se envergonhou, mas nunca foi livre,)”
Ele fechava os olhos, e eu pude sentir a emoção em sua voz.
“Alive to hear the broken heart with all that it could
(Viveu para curar um coração partido, com tudo o que podia.)”
Eu sentia meu coração disparar. Nunca eu havia visto Synyster Gates cantar, a não ser pelos backing vocals.
“Lived a life so endlessly
(Viveu uma vida tão infinitamente,)”
Minhas mãos tremiam.
“Saw beyond what others see
(Viu além do que os outros vêem)”
Meu coração batia como uma bomba relógio prestes a explodir.
“I tried to heal your broken heart
(Eu tentei curar seu coração partido)
With all that I could
(Com tudo o que eu pude.)”
Os tons do violão de repente foram ficando mais melodiosos, fazendo com que um leve arrepio subisse pela minha espinha.
“Will you stay?
(Você vai ficar?)
Will you stay away forever?
(Você vai ficar longe para sempre?)”
Pude perceber que nesse momento, as pálpebras de Brian se apertavam ainda mais, e ele erguia a cabeça, tocando pelo violão ainda com mais vontade, fazendo com que misteriosamente meus olhos se enchessem de lágrimas.
How do I live without the ones I love?
(Como eu posso viver sem aqueles que eu amo?)
Time still turns the pages of the book it's burned
(O tempo ainda vira as páginas do livro queimado,)
Place and time always on my mind
(Local e tempo sempre na minha mente,)
I have so much to say but you're so far away
(Eu tenho tanto a dizer, mas você está tão longe.)
Aquele ritmo, aquela forma com que ele cantava, era impossível de não me emocionar. Quando dei por mim, as lágrimas já percorriam livremente pelo meu rosto, enquanto ele ainda se mantinha sincronizado em seu mundo de melodias e tristeza, naquela homenagem bela que ele prestava ao seu grande amigo...
Plans of what our futures hold
(Planos de que o nosso futuro iria se realizar,)
Foolish lies of growing old
(Mentiras tolas de envelhecer,)
It seems we're so invincible
(Parece que éramos tão invencíveis)
The truth is so cold
(A verdade é tão fria.)
Ele ainda tocava sem abrir os olhos, ele ainda cantava sem perceber que aquele momento estava sendo único para mim, algo que eu jamais poderia me esquecer... Foi quando eu tive mais uma prova de que Synyster Gates, não era tão ruim quanto eu pensava.
A final song, a last request
(Uma última música, um último pedido,)
A perfect chapter laid to rest
(Um capítulo perfeito sepultado,)
Now and then I try to find a place in my mind
(Agora e depois eu tento encontrar um lugar em minha mente)
Aquela música era uma verdade explícita. E podendo ser testemunha de uma amizade tão forte quanto a deles, eu sabia que cada acorde, cada palavra, cada segundo de melodia eram verdadeiros e vinham de dentro do coração dele.
Where you can stay
(Onde você possa ficar,)
You can stay awake forever
(Você possa ficar acordado para sempre)
How do I live without the ones I love?
(Como eu posso viver sem aqueles que eu amo?)
Time still turns the pages of the book it's burned
(O tempo ainda vira as páginas do livro que está queimado,)
Place and time always on my mind
(Local e tempo sempre na minha mente,)
I have so much to say but you're so far away
(Eu tenho tanto a dizer, mas você está tão longe.)
De repente, a melodia se modificava levemente, sem distinguir o conceito da música. Aquilo era uma marca deles, todas suas músicas eram assim e eu ficava feliz em saber que a raiz deles ainda estava lá, implantada em suas canções por mais que os momentos fossem difíceis.
Sleep tight, I'm not afraid
(Durma bem, eu não estou com medo,)
The ones that we love are here with me
(Aqueles que amamos estão aqui comigo)
Lay away a place for me
(Guarde um lugar para mim,)
'Cause as soon as I'm done I'll be on my way
(Porque assim que eu terminar estarei no meu caminho,)
To live eternally
(Para viver eternamente.)
- O solo eu me recuso a tocar no violão... – ele comentava, ainda de olhos fechados. – Refrão! – anunciava.
How do I live without the ones I love?
(Como eu posso viver sem aqueles que eu amo?)
Time still turns the pages of the book it's burned
(O tempo ainda vira as páginas do livro que está queimado,)
Place and time always on my mind
(Local e tempo sempre na minha mente,)
And the light you left remains but it's so hard to stay
(E a luz que você deixou permanece, mas é tão difícil ficar,)
When I have so much to say and you're so far away
(Quando eu tenho tanto a dizer e você está tão longe.)
De repente, sua voz havia ficado mais suave, e as cordas do violão simplesmente permaneceram vibrantes durante um tempo, até que se estabeleceu o silêncio.
Pensei que a música tivesse acabado ali, então rapidamente comecei a secar as lágrimas para que ele não me flagrasse em extrema emoção.
Brian, porém, ainda não abriu os olhos. Apenas abaixou a cabeça, quando de repente, tornou a dedilhar pelo instrumento.
Era uma melodia tranquila, era como se aquele leve silêncio anterior fosse por respeito àquele seu amigo que se foi sem nem se quer se despedir.
Agora ele dedilhava com cuidado, com tanta sutileza que eu acreditava que poderia ser tudo vindo dele. Era um ritmo que atravessava meus ouvidos, como pedaços de cristais que faziam tudo soar da maneira mais bela possível. Era como estar abraçando Jimmy, era um tributo, era um choro que não foi ouvido por todos, era o Syn, tocando para mim...
I love you
(Eu te amo)
You were ready
(Você estava pronto,)
The pain is strong and urges rise
(A dor é forte e insiste em aumentar,)
But I'll see you
(Mas eu verei você,)
You'll let me
(Você me permitirá,)
Your pain is gone, your hands untied
(Sua dor se foi, suas mãos desatadas.)
Aquele momento era o ponto alto da canção. Aquilo me fez chorar como uma criança, soluçar, embora fizesse em silêncio para não desconcentrá-lo.
Eu jamais poderia imaginar que por trás daquele homem que era meu sequestrador na triste realidade, fosse ao mesmo tempo, aquilo que eu sempre quiser que ele fosse...
So far away
(Tão longe)
And I need you to know
(E eu preciso que você saiba.)
So far away
(Tão longe)
And I need you to
(E eu preciso que)
Need you to know
(Preciso que você saiba.)
A música então parecia ter se encerrado, enquanto as cordas vibravam por si só.
Pigarreei, secando rapidamente as lágrimas, antes que ele me visse chorar, mas parecia ter sido tarde, já que pude notar que ele me fitava boquiaberto e de olhos arregalados.
- M-me desculpe! – ele disparava, colocando o violão sobre a cama, aproximando-se repentinamente de mim.
Levantei-me da poltrona, zonza, sem entender aquele pedido de desculpas.
- Não precisa se preocupar...
- Eu não queria que você ficasse triste...
Ambos atropelavam as palavras.
Senti minhas bochechas esquentarem rapidamente, estávamos atrapalhados, enquanto ele tentava secar minhas lágrimas ao mesmo tempo em que eu também tentava fazer o mesmo, quando ele finalmente segurou uma de minhas mãos, segurando meu rosto de tal forma que tive que encarar sua face extremamente próxima da minha.
Tudo ficou de repente silencioso e pareceu que o chão havia desaparecido por baixo de meus pés.
Engoli seco, e pela sua reação percebi que ele havia feito o mesmo, enquanto delicadamente, seu polegar passava despercebido pela proximidade de meus olhos, secando as últimas lágrimas que ainda insistiram em despencar.
- Linda... – disse sobre a música. – Nunca que uma música mexeu tanto assim comigo... – murmurei. — Nunca!
- Sou seu ídolo ainda? – ele perguntava com um meio sorriso, enquanto colocava seu rosto ainda mais próximo do meu.
- É o que parece, não? – sussurrei, enquanto a ponta de seu nariz tocava contra o meu.
- Que bom... – ele dizia cada vez mais baixo.
Suas mãos passaram por trás de minha nuca, enquanto fechava os olhos e então se aproximou mais ao ponto de nossos lábios tocarem sutilmente.
Aquele ato, porém, não pareceu suficiente para ele.
Senti minhas pernas bambearem e meu estômago formigar. Eu estava em um estado anestésico do qual simplesmente me impedia de me mover.
Sendo assim, o outro braço que não segurava meu rosto, apanhou-me pela cintura, colocando-me ainda mais junto dele.
Nossos lábios de tocaram agora de maneira mais intensa...
Meu coração saltitava, sentindo cada parte de sua pele tocando na minha, como se todos meus sentidos estivessem completamente aguçados.
Fechei meus olhos, deixando-me levar...
Notas finais
Mas enfim. HSIAHSIAHSIAHISAHI
Espero que tenham gostado do capítulo (algo que diz que sim... :P) hISHIAHISAHISAHISHISA
Aguardo os reviews. *-*
Beeeijos ♥
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