Danger Line

65 Reação.


REAÇÃO

Lucy’s POV

De repente, senti uma puxada forte no braço.

- ONDE VOCÊ VAI?! – Arin era brusco, puxando-me ao encontro de seu rosto.

- Me solta! Você está me machucando! – disse, enquanto fazia força para que ele me soltasse, porém suas mãos se mantinham rígidas.

- Se emocionou com o discurso dele, foi? – ele dizia colocando seu rosto ainda mais próximo do meu, sem me soltar.

- Do que você está falando? – o encarei seriamente, parando de me contorcer.

Arin abriu os lábios para responder, porém foi interrompido.

- LUCY! – minha mãe se aproximava.

- M-mãe... – tentei demonstrar tranquilidade, visto que Arin ainda segurava meus braços.

Arin rapidamente me soltou, abaixando a cabeça.

- Vem ao banheiro comigo? – ela perguntava, enquanto encarava Arin seriamente.

Afastamo-nos dele, e ele nem se quer pode dizer nada.

Assim que entramos ao banheiro, minha mãe fechou a porta, encarando-me com seriedade.

Eu tinha que entender o motivo de ela ficar brava comigo, afinal, eu menti para ela uma história toda, disse que ganhei um intercambio, quando na verdade eu estava sendo sequestrada.

- Mãe, desculpa... – foi a única coisa que consegui dizer.

- Por que Arin estava apertando seu braço dessa forma? – ela esticava a mão, apontando para a vermelhidão em meus braços que deixavam evidentes as marcas dos dedos de Arin.

- Mãe... – tentei responder, porém ela erguia a mão em frente ao rosto, como se encenasse para que eu me silenciasse.

- Tem ideia do perigo que você correu por não ter me contado nada?!

- Eu sei, mãe... – abaixei a cabeça, ela estava no direito dela.

- Ele chegou a fazer algo com você?

Ergui a cabeça, fitando-a dentro dos olhos.

- Não... – disse com sinceridade.

- Eu já esperava que de fato ele era uma boa pessoa, mas queria confirmar com você.

- E ele é... – tornei a abaixar a cabeça, sentindo um aperto no peito. Como eu não pude perceber isso antes?! – Ele tinha um jeito meio psicótico de lhe dar com as coisas, pois ele queria que eu ficasse com ele de qualquer maneira, mas ele nunca tentou me forçar de nada, ao contrário, ele ficava tentando me conquistar com jantar romântico, comprando roupa nova...

- Era bem o que ele disse... Ele é famoso, e achava que o mundo estava aos seus pés... – ela dava de ombros, aproximando-se de mim. – E você ensinou a ele que as coisas não funcionavam assim... Estou orgulhosa de você.

- O que?! – ergui a cabeça repentinamente, encarando-a boquiaberta. – Orgulhosa de mim?!

- Mas é claro! – ela sorria, pousando as mãos bondosas sobre meus ombros. – Eu sei bem a filha que eu criei, eu entendo que o fato de vocês terem mentido pra mim sobre o que realmente aconteceu foi para não me preocupar e provavelmente por saber que Brian não lhe faria um mal significativo, mas eu preciso que você confie mais na gente, Lucy... – minha mãe suspirava. – Eu jamais iria colocar a sua vida em risco...

- Eu não vou mais mentir para você, mãe. – abracei com força. – E obrigada por ser tão compreensiva... Com certeza você é a melhor mãe do mundo!

- Eu sei... – ela disparava uma leve risada, retribuindo o abraço. – E você precisa decidir o que vai fazer agora.

Afastei-me dela lentamente, olhando-a nos olhos.

- Eu vi como você ficou olhando para o Brian durante todo o depoimento dele... – ela sorria. – Uma garotinha evidentemente apaixonada e com muito medo...

Abaixei a cabeça, desviando-me de seu olhar.

Minha mãe me interpretava tão bem, que certamente me dava medo de saber o que ela iria dizer.

- E eu acredito nas palavras dele. – ela tornava a dizer. – Acredito que ele se apaixonou por você.

Sendo assim, ela segurou em minhas mãos.

- Ele cometeu um erro, isso é inegável, mas precisa ser um homem de caráter muito forte para assumir um erro assim diante de tantas pessoas, de assumir o quanto se achava mesquinho e provar que realmente não é mais o mesmo. Seria fácil demais ele simplesmente colocar a culpa em você, ele é famoso, fazendo isso ele se livraria da situação rapidinho... – minha mãe suspirava. – Mas não, ele preferiu se declarar como culpado e mostrar que ele não é mais quem ele era antes e tudo isso graças a você.

— M-mas... E o Arin?! – encarei minha mãe com preocupação. Eu realmente não sabia o que fazer com relação a ele, embora ele estivesse diferente.

Arin’s POV

Eu estava impaciente do lado de fora do banheiro feminino, quando de repente, senti um aperto em minhas nádegas.

- Michelle... – murmurei irritado.

- Ah, você não devia ficar nesse desanimo todo. – ela sussurrava em meus ouvidos.

Afastei-me dela, batendo as mãos próximas aos ouvidos, como se tentasse dispersar o seu hálito.

- Por que está tão nervoso? – ela franzia o cenho, aproximando-se de mim.

- Não sei. – suspirei. – Não estou com um pressentimento muito bom, acho que a Lucy quer ficar a favor do Brian.

- Ah, eu não vou ficar pensando em coisas ruins. – ela se aproximava ainda mais de mim. – Nós fizemos o trabalho sujo em denunciar a Lucy e olha só o que conseguimos! – Michelle dava risada. – Nosso plano não pode falhar agora na reta final! Você tem que manter o pensamento positivo, querido! – ela então se pendurava em meu pescoço. – E depois a gente bem que podia repetir a dose daquela noite, não acha? A gente precisa comemorar e você manda tão bem na cama...

- Michelle, para com isso. – tentei me afastar dela, porém seus braços ficavam enlaçados ainda mais ao redor do meu pescoço. — Acho que você está se empolgando demais...

- E daí? – ela disparava um riso. – Não acha que a Lucy merece? Afinal, ela ficou com o Brian... E eu estou bem carente...

- Depois vemos isso, está bem? – revirei os olhos, impaciente. – Estou nervoso... Quero que aquele cara fique de uma vez na cadeia...

- Quer saber? Eu também... – Michelle dava de ombros.

De repente, ouvi uma risada aguda e completamente conhecida.

- Lucy?! – olhei para ela espantado, sentindo uma pontada na boca do estômago.

Ela estava com Jude, que me olhava muito seriamente, enquanto Lucy gargalhava, apesar do olhar demonstrar certa indignação.

- O que foi, Lucy? – engoli seco.

- Obrigada, Arin... – ela sorria, aproximando-se de mim, enquanto pousava as mãos quentes sobre meus ombros. – Muito obrigada.

- Não estou entendendo? – franzi o cenho, ficando assustado com aquela sua atitude repentina.

- Obrigada aos dois por facilitarem as coisas para mim. – de repente, seu sorriso se apagou, enquanto seu olhar se tornou sombrio.

Eu já havia entendido.

- Lucy, não é nada disso que você...

- Não é nada disso que estou pensando? – Lucy cruzou os braços. – Minha mãe também ouviu.

Logo, Jude também saía de trás dela, encarando-me tão seriamente que me senti envergonhado por todas aquelas coisas que Michelle havia falado e que infelizmente não eram nenhuma mentira.

- Agora eu sei que eu não preciso ter consideração alguma com você, Arin. – Lucy novamente tornava a sorrir. – Vou falar com o advogado de defesa, pois vou depor a favor do Brian.

- O QUE?! – senti uma pontada forte no peito, e rapidamente a segurei pelo punho, impossibilitando sua fuga. – Não, você não pode fazer isso!

Lucy’s POV

Nunca antes eu estive tão determinada como agora, e confesso inclusive que nem se quer estava chocada. Talvez fosse pelo fato de que eu já suspeitava que Arin estava fazendo complô com Michelle.

Forcei o braço, fazendo com que ele me soltasse, e então acelerei os passos, afastando-me deles, quase que correndo.

- LUCY, VOLTE AQUI! – Arin, porém, insistente, correu atrás de mim, tornando a me segurar pelo punho e a me sacudir.

Encarei Michelle que me olhava com ódio, minha mãe olhava pra Arin tediosa, ela me conhecia e sabia muito bem que depois do que ouvi, nada, nem ninguém fariam com que eu mudasse de ideia.

- Você não vai a lugar algum! – Arin dizia com desespero. – Como pode querer apoiar o homem que te sequestrou?!

- Prefiro apoiar alguém que nunca mentiu sobre quem era, do que acreditar em alguém que sempre quis ser o que nunca foi. – disse friamente, olhando-o nos olhos. – Agora me solta, não se esqueça que aqui está cercado de policiais! – novamente forcei o punho para que ele me soltasse, dando às costas.

Mal havia me virado, quando senti algo batendo sutilmente contra meu corpo.

- Pai? – disse, olhando para o alto.

- Você tem meu apoio, Lucy. – ele sorria, colocando suas mãos grandes e quentes sobre meus ombros.

- O QUE?! – Arin resmungava aos fundos.

- Sério?! – encarei-o espantada.

- Somos seus pais. – ele sorria. – Sabemos o que vai te fazer feliz.

Sim, eu podia dizer com todas as letras que estava com o meu coração tranquilo.

Abracei-o forte, agradecendo mentalmente por ter pais como eles. Que me entendiam, apoiavam, ajudavam, eram pacientes... Eu realmente tinha sorte.

Sorri. Eu estava determinada e finalmente feliz com uma decisão.

Eu ia salvar o Brain...

Eu também o amava.

Notas finais
Mais um capítulo para vocês galeree. *-*
Espero que gostem e não deixem de comentar, ok?
Beeeijos ♥