Danger Line
66 A Prova.
Notas iniciais
A PROVA
Brian’s POV.
Sentia-me nervoso. Ainda me lembro da forma que ela me olhou quando confessei tudo.
Eu realmente não tinha mais nada a perder, provavelmente devo ter afundado a banda, a mídia já me vê como um psicopata e muito provavelmente ficaria preso por muitos anos e não teria que pelo menos suportar o olhar e o desprezo de Lucy.
Mas... Era estranho. Quando confessei tudo ela estava tão surpresa... Encarava-me boquiaberta e nem ao menos piscava, como se não pudesse acreditar no que eu dizia.
Mas por que correr?!
Espero que pelo menos ela tenha percebido a sinceridade em minhas palavras e não tenha achado que eu disse o que disse apenas para fugir disso tudo.
Eu seria sim preso por ela, não me importava.
- Senhor Haner? – de repente, um policial abriu a porta. – Tem uma pessoa querendo te ver.
Franzi o cenho.
Talvez fosse Mc. Até então simplesmente não consegui vê-la ou falar com ela... Espero que não esteja arrasada.
- Syn?!
Senti meu coração palpitar de imediato.
Olhei em direção à porta e lá estava ela...
Lucy.
- Vocês tem quinze minutos. – dizia o policial fechando a porta.
- O que está fazendo aqui?! – disparei em perguntar.
Lucy apenas correu em minha direção, dando-me um forte abraço do qual eu não esperava.
Fiquei sem reação por alguns instantes, mas estranhamente me senti feliz. Minhas mãos envolveram suas costas e eu pude perceber que seus músculos tremiam.
- É verdade?! – ela perguntava com a voz chorosa, enquanto escondia o rosto entre meu peito.
- Que eu te amo?! – sussurrei em seus ouvidos. – Nunca disse uma verdade tão legítima em minha vida.
Lucy respirava profundamente, como se tentasse controlar os músculos que pareciam estar em curto circuito.
Lentamente, ela erguia a cabeça e pude percber que seus olhos verdes brilhavam nitidamente, enquanto uma lágrima solitária e pequena escorria pelo olho esquerdo.
Ela olhava dentro de meus olhos, e eu focalizava os seus.
Quanto mais eu a olhava, mais eu sabia e tinha certeza de que a amava profundamente.
- Eu te amo. – repeti. – Eu sou louco por você! Louco...
Sutilmente, Lucy colocou o dedo indicador sobre meus lábios.
- Shh... – ela aproximava seu rosto do meu. – Por que disse aquilo?! – sua voz mostrava indignação.
- Por que eu não tenho mais nada a perder. – disparei com sinceridade. – Se antes não disse nada, foi simplesmente pelo fato de que isso poderia me afastar mais de você, mas agora, comigo preso, eu vou ter que me afastar de qualquer jeito, então apostei tudo, e disse o que eu sempre senti desde que coloquei meus olhos em você. – coloquei o dedo indicador sobre seu queixo, enquanto examinava os traços de seu rosto, querendo beijá-la a cada segundo mais.
- Foi a Michelle e o Arin! – ela disparava, ainda muito nervosa. – Eles me denunciaram pra imigração...
- Calma... – franzi o cenho. – A Michelle tudo bem... Mas o ARIN?! – confesso que por essa eu não esperava.
- É... É verdade! – ela exclamava. – Syn... Me perdoa...
- Te perdoar? – franzi o cenho mais uma vez. – De que?!
- De não ter feito nada antes! Eu fiquei com medo de magoar o Arin, pois, poxa, somos amigos desde quando éramos crianças! Eu fiquei muito confusa, mas... Depois do que você disse e da forma que você disse, e depois de eu ter descoberto que o Arin foi um belo filho da puta influenciável, eu tenho plena certeza do que quero...
- E o que você quer, Lucy? – perguntei esperançoso.
- Syn, eu sou testemnha...
- Isso eu sei... – suspirei.
- De defesa. – ela dizia logo em seguida.
- COMO ASSIM?! – perguntei surpreso. – Como?!
- Acabei de falar com o seu advogado, eu vou depor ao seu favor!
- Mas Lucy! Eu estou fazendo isso por que eu preciso sofrer as consequências dos meus atos, eu não posso ficar mais mentindo... Estou fazendo isso também pela minha dignidade! Eu sou um homem! Tenho que arcar com as consequências!
- E eu faço isso por que eu te amo! – sua voz sobrassaia sobre a minha.
- Você o que?! – senti que imediatamente meus olhos se encheram de lágrimas.
- Eu te amo, Brian Elwin Haner Jr. – ela abria um sorriso logo em seguida. – E eu quero que fiquemos juntos!
- Calma... – eu não sabia se eu ria ou se chorava de emoção. – Pera... – eu estava atordoado demais, aquilo era bom demais para ser verdade.
- É sério, Syn! – ela me sacudia levemente. – Eu também me apaixonei por você.
Rapidamente, abracei-a, sentindo o perfume de seus cabelos.
- Essa é a melhor coisa que eu podia ter ouvido agora... – sussurrei em seus ouvidos.
Lucy então rapidamente se afastou de mim, segurando meu rosto com suas mãos pequenas, dando-me um beijo tão intenso, que não hesitei em retribuir com muita boa vontade.
- Isso só pode ser um sonho... – sussurrei, assim que ela tornava a me olhar.
- Você tem que sair daqui... – ela dizia, tornando a segurar a maça de meu rosto com firmeza. – Você precisa sair... Seu lugar é aqui fora comigo, com a Mc, com seus pais, com os Avengers...
- Lucy... Eu não vou mentir ao meu favor. – disse convicto. Eu realmente não queria mais isso.
- FODA-SE! – ela parecia ter ficado brevemente alterada. – Se você não quer mentir, não minta, mas eu vou te tirar daqui.
- Acabou o tempo. – o policial de repente entrava na sala.
Lucy novamente se aproximou de mim, tocando seus lábios levemente com os meus,enquanto eu fechava meus olhos, sentindo-os breves, mas sem poder desfrutar os pequenos segundos daquele ato.
Fiquei apenas olhando-a se afastar, e antes a porta se fechar, ela me olhou fixamente, e havia alegria em seus olhos.
Eu sabia.
Ela também me amava.
Lucy’s POV.
Não tinha como não sorrir de orelha a orelha. Eu de fato estava feliz, como se realmente tivesse tomado a decisão correta.
Não me restavam dúvidas, eu sabia muito bem de que lado eu queria estar, e embora Arin tivesse me decepcionado, aquilo não me afetava tanto, pois eu já desconfiava, e o fato de ter o apoio dos meus pais era o que me deixava ainda mais tranquila.
- Você irá depor agora. – dizia o advogado Watson.
- Certo. – suspirei, sentindo como se o desfecho disso tudo, dependesse mais de mim do que de qualquer outra pessoa.
Conforme caminhava pelos corredores, eu sentia meu estômago revirar. Estava ansiosa e com certeza as pessoas ficariam surpresas com tudo o que eu iria dizer.
Era meu momento.
As pessoas da plateia me olhavam fixamente, como se também estivessem ansiosos.
- Senhorita Lucy Dartagan, jura dizer a verdade, nada mais além da verdade?
- Sim, Excelência. – suspirei.
Próximo ao advogado de defesa estava Brian, que me olhava tranquilamente, com um sorriso escondido entre os lábios.
- Concedo a palavra para o promotor de Justiça. – dizia o juiz.
- Senhorita Dartagan, um caso que me intrigou muito com sua escolha durante o julgamento. Qual motivo lhe fez querer ser testemunha de defesa?
Matt de repente me encarou boquiaberto, enquanto Arin e Michelle me olhavam com ódio.
- Simples. – suspirei. – Quero defender Brian.
- Certo senhorita, mas por qual motivo? – ele se aproximava ainda mais de mim.
- Ele não deve ser preso. – olhei para Brian, disparando-lhe um sorriso.
- E por que acha que ele não deve ser preso? – perguntava o promotor.
- Ele é inocente. – disparei.
- E por que acha que ele é inocente?
- Por que ele é. – dei de ombros, vendo que o promotor ficava com a face levemente avermelhada com as minhas respostas diretas e pouco esclarecedoras.
Que culpa tinha eu se ele não efetuava as perguntas corretas?
- Certo senhorita Dartagan. – ele revirava os olhos. – O que ocorreu no backstage logo após ter cantado com a banda?
- Ficamos conversando bastante, bebendo, dando risada... – disse tranquilamente. – Eles perguntaram bastante se eu estava gostando do show, contei um pouco sobre mim, inclusive sobre a viagem que eu faria na Califórnia.
- Qual foi a reação do senhor Haner quando contou sobre sua viagem para Califórnia?
- Ficou bem interessado. – dei de ombros. – Assim como todos os outros garotos, afinal eles são da Califórnia... Disseram-me até alguns lugares legais que eu poderia ir.
- E quando foi que o senhor Haner a sequestrou? – perguntou o promotor.
- PROTESTO! – dizia Watson em voz alta. – O promotor está afirmando um fato que ainda não foi comprovado. Ainda não há provas o suficiente de que meu cliente de fato sequestrou a garota.
- Protesto concedido. – dizia o juiz.
Senti meu coração acelerar ainda mais, vendo que o promotor de fato não havia gostado da interrupção do advogado de defesa.
- Certo, então como foi que a senhorita desapareceu desde aquele dia? Isso é um fato comprovado. – dizia ele, encarando Watson.
- Eu fui atrás deles, oras. – dei de ombros.
Percebi que a plateia me encarava perplexa, o que era natural, já que para eles, eu era uma simples groupie oportunista.
- Como você foi atrás deles? – o promotor me encarava com certa indignação.
- Eu os segui. – dei de ombros. Não saberia muito que inventar. – Como Brian já disse, eu tinha passaporte e visto, eles eram minha banda preferida, eu não podia deixar a oportunidade passar.
- E o que aconteceu depois que a senhorita afirmou tê-los perseguido?
- Eu fui atrás do Brian, disse que ainda não tinha reserva no hotel que eu ficaria e sei lá, ele ficou com dó de mim, não sei... Só sei que ele me ofereceu o quarto de empregadas da dispensa do apartamento e disse que eu tinha que tomar cuidado por causa da Michelle. – encarei a vadia.
- Michelle há sete meses era namorada de Brain...
- Exatamente. – confirmei.
- E não passou pela sua mente em ligar pelo menos para seu amigo Arin Ilejay e avisar sobre seu paradeiro?
-Não. – disse sem nenhum peso na consciência. – Digamos que eu estava empolgada demais com o fato de estar tão perto dos meus ídolos.
- E o que aconteceu enquanto você estava no apartamento com Brian?
- Tudo aconteceu. – suspirei, encarando Brian, não conseguindo evitar sorrir.
- Seja mais clara, senhorita Dartagan... O que realmente aconteceu? – perguntava o promotor.
- Eu me apaixonei pelo Brian, oras. – dei de ombros ouvindo uma onda de murmúrios tomar conta do recinto.
Brian me encarou com um sorriso estridente que estranhamente fez com que eu sentisse que tudo iria dar certo.
- Senhorita Dartagan... De acordo com seu depoimento o réu não a sequestrou... A senhorita pode me explicar então o que levou Brian a se declarar como culpado do sequestro?
- Medo, provavelmente. – disparei, encarando Michelle.
- E que medo seria este, senhorita?
- Bom, do que a mídia poderia pensar de mim, e uma prova disso é o fato de terem lançado ovos em meu táxi quando cheguei aqui... E sobre o que a ex dele poderia fazer. – eu não tinha mais medo de arriscar. – Brian terminou com Michelle enquanto eu estava no apartamento... Eu ouvi tudo. E bom, já descobrimos o que ela foi capaz de fazer, já que foi ela quem fez a denúncia!
Michelle rapidamente arregalou os olhos, olhando-me com tanto ódio que tive de desviar.
- Acha que a ex namorada do réu, Michelle Dibenedetto criou toda a situação?
- Sim.
- Prove que não foi sequestrada! – o promotor disparou a pergunta entredentes. Era óbvio que ele não queria acreditar em mim.
- Eu sou a prova! – ergui-me da cadeira, vendo que o juiz apenas me encarava sem impedir que eu agisse. – EU deixei bem claro que Brian Elwin Haner Jr. NÃO ME SEQUESTROU! Tudo isso não passou de uma mal entendido... Criado por Michelle Dibenedetto.
Michelle estava tão vermelha que pensei que fosse explodir.
- Vadia... – seus lábios gesticulavam de forma tão clara, que pude entender.
Notas finais
Maiis um capítulo para vocês!
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