Danger Line
11 Plano de Fuga.
Notas iniciais
Seriinho, muito obrigada pela recomendação, de verdade ♥ Amei, amei. (:
Então, fica aí um capítulo dedicado para você. (:
PLANO DE FUGA.
Lucy’s POV.
- Jimmy, só espera eu ir até ao banheiro? – disse com um sorriso convincente.
Como já era de se esperar, ele assentiu com a cabeça.
Afastei-me, sentindo meu peito apertado. Talvez Jimmy se meteria em graves problemas com a minha fuga, mas agora eu simplesmente queria pensar em mim.
Suspirei, enquanto de fato eu caminhava até o banheiro.
Essa liberdade condicional jamais funcionaria para mim. Seria tola se não tentasse escapar mais um vez, mesmo que seja para vagar sozinha durante as ruas desconhecidas da Califórnia.
Nunca antes cheguei tão longe. Era um país diferente, com uma cultura e um sotaque diferente do meu.
E eu estava sozinha.
Fui até o banheiro, encarei-me no espelho e lavei o rosto.
Precisava de coragem.
Era estranho pensar que eu estava fugindo deles. Poxa vida! Era minha banda preferida!
Tinha que fazer.
Saí do banheiro, pronta para a minha fuga. Esperaria até que Jimmy estivesse distraído demais para que eu saísse.
Do corredor, vi que ele estava com as costas contra a parede, assoviando, de qualquer forma, poderia me ver.
Esperei por mais alguns instantes, quando de repente, vi algo que fez com que eu imediatamente me enfiasse ainda mais por trás das paredes.
Era ele, meu sequestrador, meu ídolo, meu guitarrista preferido, Synyster Gates, acompanhado de sua namorada Michelle Dibenedetto.
Synyster segurava uma quantidade absurda de sacolas de diversas cores e formas. Estava com uma cara nada boa.Enquanto isso, Michelle parecia não ter percebido a feição de infelicidade que estava estampado em seu rosto, continuava sorrindo, parando de vitrine em vitrine.
Jimmy pareceu também ter visto os dois, e escondeu-se atrás de alguns sofás que se espalhavam pelo corredor do shopping.
Era a oportunidade perfeita.
Respirei fundo, e pus-me a caminhar o mais rápido que eu pudesse, sem emitir muitos barulhos que declarassem a minha posição.
- MEU, VOCÊ NÃO SABE! – senti as mãos de Jimmy tocando meus braços. – O Syn está aí, precisamos voltar.
- Mas... – tentei argumentar de modo relutante, mas lembrei-me de que eu não tinha nada que pudesse falar ao meu favor que não fossem simples fatos. – Eu... Eu... – mesmo assim, tentei impedir de que ele me afastasse das lojas.
- Não temos tempo pra discutir. – Jimmy dizia às pressas, obrigando-me a caminhar junto dele.
Não tive alternativa a não ser ceder.
Confesso que interiormente, fiquei completamente aborrecida pela minha chance mais perfeita de sucesso ter falhado. Eu precisava arrumar alguma outra maneira de fugir dali sem causar desastres, sem destruir a banda, sem me prejudicar.
Entrei no carro junto com Jimmy e lá estávamos nós voltando para aquela prisão novamente.
Rev teve todo o cuidado ao retornar para o prédio para que as câmeras de segurança não me filmassem.
O pior de tudo foi ter que subir de escada, já que as câmeras dos elevadores também poderiam me acusar.
Jimmy corria completamente ofegante. Agir daquela forma por causa de uma amizade... Manter-me refém por causa dessa mesma amizade. É, realmente ela deveria ser muito importante para ele e eu tinha que respeitar. Apesar do ódio que eu sentia pelo fato de Brian estar me tratando daquele jeito, eu sentia carinho por eles. Afinal, eu era a fã! A fã refém, mas mesmo assim a fã. Gostava do trabalho deles, das músicas, das mensagens... Realmente não esperava que o meu favorito poderia simplesmente destruir com todos os meus sonhos pré definidos.
Assim que retornamos ao apartamento, Jimmy me levou novamente para aquele quarto que já estava simplesmente me dando calafrios. Por ele, e apenas pelo meu baterista de toda a vida, eu simplesmente cedi, ficando ali, trancada mais uma vez, fazendo o papel de menina sequestrada.
Brian’s POV.
Eu estava aborrecido. Michelle ultimamente parecia ter o dom de me deixar fora de mim!
Um cartão de crédito apesar de ter um limite bem alto, já estava com o limite estourado. Não que dinheiro fosse problema para mim, o problema é que eu não tinha mais uma namorada e sim uma pessoa que me exigia coisas sem um mínimo bom senso.
Estava carregando sacolas a tarde toda e estava preocupado que ao chegar em casa Jimmy fosse me fazer um daqueles seus sermões que ultimamente estava bem frequentes.
- Oi Syn. – vi Zacky chegando em casa.
Estranhei. Ele e Johnny estavam vestindo moletons e totalmente ensopados, como se tivessem pego uma baita chuva.
O mais estranho nisso tudo, era que Zacky usava uma bermuda azul, totalmente chamativa, da qual tecido revestia completamente suas pernas, além de estar mais curto do que o habitual.
- Meu Deus! Onde vocês foram? – perguntei tentando conter o riso.
- Fomos treinar! – Zacky dizia com um sorriso no rosto, enquanto dava alguns pulinhos pelo hall.
- Treinar o que? – franzi o cenho.
- Achamos que estamos gordos. – Johnny dizia com um sorriso no rosto. – Ando tomando muito chopp ultimamente e a minha barriga já parece com uma gestante de nove meses.
- Aliás... – Zacky se aproximava de mim, colocando a mão na minha barriga. – Cuidado que você também anda criando barriguinha, ein? Acho que você não anda mais fazendo tanto sexo quanto antes. – ele disparava uma risada maldosa.
- Se eu ainda estou criando barriguinha por falta de sexo, acho melhor nem comentar sobre vocês né? – disparei-lhe uma piscadela, como se eu fosse o vitioroso.
Zacky e Johnny se entreolharam boquiabertos.
- Pô cara... – Zacky fazia um bico. – Estou com fome.
Disparei uma risada alta, quando de repente, Johnny lhe deu um tapa na cabeça.
- Não vai consumir calorias não, mocinho! Eu comprei um shake da Herbalife, muito bom e é isso que a gente vai tomar hoje... No pizza! No gordura trans!
Zacky arregalava seus olhos verdes, permitindo que eles brilhassem de acordo com a sua carinha de pidão. Ele sempre fazia isso. Sabia muito bem que ele tentaria burlar essa dieta maluca. Ele era um caso perdido. Tudo que ele precisava na vida era de Gena, cerveja e pizza.
Quando o elevador finalmente chegou, entramos, esperando que a porta se fechasse, porém a mesma havia sido barrada.
- Oi gente! – a voz trovejante de Matt evacuava pelo elevador.
- Nossa, o que é isso na sua bochecha? – Johnny perguntava.
- Cobertura de morango? – Zacky arriscava um palpite.
- Que mané cobertura de morango o que... – Matt entrava no elevador, indo rapidamente se olhar no espelho. – É marca de batom da Val. – ele disparava uma risadinha maliciosa, enquanto passava a mão pela bochecha e tentava se desfazer da marca. – Aliás, esse batom dela é novo... Ganhei beijinho.
- Ai, como você é viado. – debati, revirando os olhos.
- Mais é sério... Qual é a cor desse batom mesmo? Acho que é Le Amore Mio. – Matt continuava dizendo.
- Cara, pra que diabos você sabe a cor do batom da sua minazinha?! – Zacky dizia como se estivesse perplexo.
- Ah, quando a Val está de TPM ela me obriga a parar de jogar vídeo game pra gente conversar sobre maquiagem...
- Aliás... – disse, entrando no assunto. – Preciso de um shampoo novo, me cabelo está tão sem vida... Acho que vou cortar.
- Também acho que você deveria cortar essa bucha aê. – dizia Johnny. – Tudo enrolado na raiz... Faz essa chapinha direito cara...
- Eu tenho a vida muito corrida e você sabe que progressiva não é comigo... — respondi normalmente.
Quando demos conta, o elevador havia parado no andar da vizinha de baixo.Filha de um empresário famoso aqui da Califórnia.
Nos encaramos, e o silencio inundou o hall e o elevador.
Ela nos olhava de olhos arregalados, como se estivesse surpresa demais com os assuntos.
- Esqueça o que ouviu. – dizia Matt de imediato. — Não somos gays!
Dei-me um tapa na minha própria testa e então, vi que ela deu uma leve risada, sem nem se quer entrou no elevador.
Sempre cometíamos essa mesma gafe, e pior, era sempre com a mesma garota.
Tínhamos a infeliz mania de ficar nos olhando no espelho e agindo como perfeitas patricinhas.
Gargalhamos tanto, até o ponto de entrarmos no apartamento com lágrimas escorrendo pelos nossos olhos.
Vi que Jimmy estava na sala, assistindo televisão e assim que nos viu entrar, tomou um susto.
- Meu Deus! A vizinha viu vocês fazendo coisas gays de novo? – ele dizia de imediato, já sabendo o motivo de toda a algazarra.
- Isso mesmo! – Zacky gargalhava e se espatifava no sofá.
-Vou ligar para a Val pra avisar que eu já cheguei em casa. – Matt sorria, correndo até o quarto.
- Vou preparar o nosso shake, Zacky. – dizia Johnny num tom ditatorial.
Zacky deu um sorriso, porém assim que Johnny se afastou, ele revirou os olhos e colocou os pés por cima da mesinha de centro.
- Que cheiro é esse de torta? Você comeu torta? – Zacky virava o rosto para Jimmy. – Onde tem torta?!
Jimmy arregalou os olhos de uma maneira que confesso ter sido um pouco suspeita.
- Você saiu, Jimmy? – disparei a pergunta.
- Caraca Zacky, tu parece cão farejador. – ele revirava os olhos. – E eu passei aqui na padaria e comprei uma torta... – ele dava de ombros.
- Não... Não... – Zacky dizia, aproximando-se ainda mais de Jimmy, respirando profundamente. – Esse cheiro não é de torta da padaria... É torta do shopping.
- Você foi ao shopping? – perguntei mais uma vez.
Jimmy simplesmente abaixou a cabeça.
Disparei um pigarro alto e então fui até a cozinha. Eu pelo menos esperava que Jimmy tivesse entendido meu recado. Eu queria falar à sós com ele.
- Você deixou a Lucy aqui sozinha?! – disparei, assim que o vi entrando no cômodo.
Jimmy arregalou os olhos e ficou em silêncio.
- Enfim. – suspirei alto. – Deu o meu presente pra ela?
- Dei sim. – ele tornou a sorrir.
- E... – aproximei-me ainda mais dele, sussurrando . – Ela gostou?
- Sim, muito... Ficou linda a roupa nova nela. – ele tornava a sorrir.
- Certo. – sorri, satisfeito. Sendo assim, eu tinha amanssado a fera. – Vou vê-la.
Jimmy apenas assentiu, enquanto eu passava pela lavanderia indo até o quarto de Lucy.
Antes de entrar, bati. Ela já estava uma fera comigo, e eu realmente precisava transar, então, decidi ser cavalheiro.
Como eu esperava, ela não esboçou nenhum ruído, sendo assim, entrei logo em seguida.
- Oi. – disse, paralisando logo que a vi.
Estava realmente linda com a roupa que eu havia comprado para ela. Não saberia explicar jamais o que essa garota havia feito comigo. Nunca fui bom com presentes, mas quando se tratou dela, comprei até mesmo uma roupa que serviu como uma luva. Isso por que eu ainda nem tive a chance de realmente tocar em seu corpo.
- Olá, Brian. – ela dizia de má vontade, dando ênfase ao citar meu nome.
Estava sentava na cama, com as costas na cabeceira. Abraçou os joelhos, abaixando a cabeça, desviando seus olhos dos meus. Ela sempre fazia isso, simplesmente não conseguia me encarar. Seria desejo? Claro que sim...
- Ainda está brava comigo? – arrisquei perguntar.
Sendo assim, ela logo ergueu a cabeça, olhando-me incrédula. Sua face foi ficando vermelha, púrpura, azul, e então, ela simplesmente arremessou o travesseiro em mim.
Abaixei, e logo em seguida, tornei a encará-la com uma expressão de confusão implantada em minha face.
- Você ficou louca? – perguntei.
- EU? Você vem me dar presentinhos pra me comprar é? Você é um cretino mesmo! VIADO! – ela disparava as palavras sem nem ao menos respirar. – Acha que eu sou...
Fiquei paralisado, apenas observando seus lábios se moverem. Ela sentia tanta raiva de mim e isso a deixava irresistivelmente linda.
- PALHAÇO! – ouvi ela debater no fim.
- Certo. – suspirei. Não queria mais brigar com ela. – Quem é Fofolindo? — perguntei de repente, na minha súbita curiosidade.
Arin’s POV.
- E então? – Karl me perguntou assim que saí da sala do delegado.
- Não acreditaram em mim, obviamente. – revirei os olhos, bufando alto e me sentando ao seu lado. – Eu estou fodido! Passei minha vida toda tomando conta dela e eu tinha que falhar justo agora?!
- Fique calmo, nós vamos conseguir encontrá-la...
- Mas como?
- Se ela realmente foi sequestrada pelo Synyster Gates, vai ser fácil encontra-los, eles são famosos, não são?
Suspirei. Fazia total sentido isso que Karl me dizia, mas eu nem se quer tinha passaporte ou até mesmo dinheiro para ir até os EUA.
- Enfim... – Karl dizia com tranquilidade a fim de não me deixar mais nervoso do que eu já estava. – O delegado vai ajudar em alguma coisa?
- Bom, como de fato ela está desaparecida, ele disse que vai fazer algumas investigações. Pedi para ele ser discreto, não quero assustar os pais da Lucy, além de que, eles iriam me matar se algo acontecesse com ela...
- O que você pretende fazer, então?
- Bom, todo dia estou mandando mensagem no celular dela... A única vez que eu recebi resposta, foi um... “Quem é você?” e eu sei que não foi ela quem digitou aquela mensagem... Ela escreve com acentos e letras maiúsculas e a mensagem não estava escrita assim... Alguém está com o celular dela, e por enquanto a única coisa que eu posso fazer é isso e juntar dinheiro... Assim que eu conseguir, vou para a Califórnia atrás dela... Esse Synyster Gates que não se atreva a por as mãos nela, se não eu acabo com a raça dele! – disse, fincando minhas unhas na palma da minha mão.
Lucy’s POV.
- Você está com meu celular?! – perguntei sentindo meu coração disparar ainda mais do que já estava.
RAIVA! Era isso que eu sentia e não havia palavra melhor para descrever o que era olhar na cara daquele sequestrador de quinta categoria.
- Estou. – ele dizia com o maior cinismo. – E ainda não respondeu.
- É o melhor amigo... Por quê? Vai sequestrar ele também? – disparei, ainda irritada.
- Melhor amigo... Sei. – ele revirava os olhos. – Amizade entre homem e mulher não existe.
- Isso é o que você pensa!
- O que eu penso e mais da metade do mundo também. – ele debatia.
- Me recuso a discutir com você. – virei a cara.
- Bom... Ele não para de te mandar mensagens e não respondeu quando eu perguntei quem era...Vocês — tossi. — ... Tem alguma coisa? – ele continuava perguntando.
- MAS QUE PORRA, JÁ FALEI QUE É O MEU MELHOR AMIGO! – gritei, erguendo-me da cama.
- Não grita! – ele dizia ainda baixo, sem alterar o tom de voz comigo. Eu simplesmente não entendia como ele poderia estar tentando manter a paciência comigo, sendo que seria muito mais fácil se ele simplesmente me deixasse ir embora. – Eu não quero mais brigar com você.
- Me deixe ir embora que todos os seus problemas acabam...
- Ou...? – ele me desafiava, erguendo uma das sobrancelhas.
- Eu vou fazer da sua vida um inferno. – disse seriamente.
- Impossível. – ele disparava um sorriso tranquilo. — E eu adoraria te ver tentando...
Arqueei a sobrancelha sem entender qual era a dele.
Nunca na vida eu tinha visto homem mais estranho. Mudava de atitude o tempo todo. Não entendi essa súbita curiosidade dele em saber sobre o Arin, se tínhamos algo ou não... Também não entendi essa necessidade de me agradar. Era tudo em prol de seu próprio prazer? Será que ele era assim tão narcisista a ponto de fingir querer me agradar para atingir seu propósito?
Não havia mais nada para pensar. Eu não tinha que entendê-lo. Os dias em que eu estava ali estavam sendo um inferno.
Esperei que ele finalmente saísse do meu quarto para examinar as gavetas... Precisava encontrar uma maneira de fugir o quanto antes.
Algêmas...
Eis uma coisa que eu ainda não tinha pensado.
Notas finais
Muitoo obrigada por todos os reviews e recomendações. De verdade. o
Beejoones. ♥
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