Danger Line
56 Jude and Jeremy.
JUDE AND JEREMY
Lucy’s POV.
- Demorou! – Arin dizia assim que entrei no apartamento.
- Desculpe... – suspirei. – Eu acabei trombando na Val pela rua, e conversamos um pouco.
- Ah sim... – Arin dava de ombros. – Não querendo ser chato, mas vamos ligar para seus pais? – ele dava um leve sorriso, estendendo o telefone para mim.
Encarei o aparelho, receosa. Eu não fazia a mínima ideia de como meus pais estariam com relação a mim.
- Vamos, pegue. – Arin sacudia o telefone levemente para que eu o pegasse.
Respirei fundo. Teria que ligar uma hora ou outra.
Sendo assim, segurei o aparelho com firmeza, discando o número.
- Boa garota... – Arin sorria.
Ouvi que estava chamando, fechei os olhos, comprimindo-os.
- Alô?! – ouvi a voz de meu pai.
Arregalei os olhos, sentindo minhas mãos tremerem de imediato, afastando a orelha do aparelho, pronta para desligar.
- Alô?! – ouvi os chiados.
Arin segurava o telefone, ainda apontando-o pra mim de modo insistente, enquanto eu negava com a cabeça.
- Oi Jeremy! – Arin, porém, começou a falar.
Ouvi Arin disparar algumas risadas, despreocupado. Pela sua atitude meu pai provavelmente não estaria aborrecido.
- Bom, na verdade eu estou ligando para que você fale com a própria!
Logo Arin afastava o telefone, fazendo uma careta como se meu pai berrasse.
- Toma. – ele estendia o aparelho para mim.
- O-oi pai. – gaguejei.
- SUA VADIA! – ele berrou do aparelho. – Por que não dá notícias?! Arin é seu pombo correio agora?! Não estava sabendo disso não...
- Pai! – protestei. – Desculpe... É... – encarei Arin, como se pedisse por socorro. Eu não sabia o que dizer ao meu pai. – É que eu estava meio ocupada...
- O intercâmbio, não é?!
Encarei Arin confusa.
- Intercâmbio?! – franzi o cenho, vendo que Arin começava a gesticular interruptamente, fazendo gestos estranhos e indecifráveis.
- É... O Palito de dente me disse que você está na Califórnia fazendo intercâmbio... Que ganhou lá da faculdade...
- AH... Intercâmbio... – odiava mentir. – É, é isso mesmo... Ganhei da faculdade.
- Que maravilha! Essa sim é minha nerdzinha! – meu pai ria. – Mas não é por que você virou uma Albert Einstein da vida que vai deixar de dar notícias, entendeu?! Espera um pouco que sua mãe quer falar com você...
- FILHA! – minha mãe também gritava pelo telefone, fazendo com que eu tivesse que afastar o aparelho dos tímpanos por alguns instantes. – VOCÊ SABIA QUE O THE REV MORREU?!
Engoli seco.
Fui uma das primeiras a saber...
- É, mãe... – murmurei. – Fiquei sabendo sim...
- Está vendo como é mais fácil ter notícias da sua banda preferida ao invés de suas?! – sua voz ficava aguda e alta. – Ah Lucy... Se não fosse pelo Arin, já teríamos chamado a polícia! Pensei que você tivesse sido sequestrada, morta, esquartejada... AH MEU DEUS!
- Calma mãe... É que... Com o intercâmbio eu acabei me esquecendo de ligar, Arin me deu uma baita bronca por isso... Prometo que não faço mais.
- Bom mesmo! Agora pode ir passando seu endereço que eu estou indo aí...
- Certo, mas o problema é que a gente só tem um quarto... – cocei a nuca.
- Não tem problema, não, sua loira aguada! Adoro hotéis! – ela ria logo em seguida.
- Está bem, anota aí...
Sorte a minha que meus pais eram um tanto liberais com relação a mim. Pensei que o que me aguardava era uma chuva de sermões, mas parece que Arin conseguiu manter tudo sobre controle, apesar de eu ter ficado tanto tempo sem dar notícias.
A confiança deles sobre mim era extrema, principalmente com Arin.
- Certo, amanhã à noite, estamos aí! – sua voz parecia animada e até mesmo ansiosa. – Estou louca para ver os dois! Seus malditos do inferno!
- Ah, Jude... Deixa para mandá-los para o inferno depois... – ouvi meu pai murmurar.
- Tchau princesa! – minha mãe ainda mantinha a voz de agitação que só ela. Parecia até mesmo que ela era ligada no 220V. – Manda um beijo pro Arin.
- Pode deixar...
- Tchau Lucyneide! – meu pai gritava do outro lado da linha.
- Pai... – revirei os olhos. – Você sabe que eu odeio que você me chame assim!
- Eu sei, por isso mesmo que eu chamo... – ele gargalhava, desligando o telefone logo em seguida.
Assim que encerrei o chamado, comecei a rir. Meus pais eram uma figura!
- Eles vão vir? – Arin perguntava ansioso.
- Minha mãe disse que amanhã á noite já estarão aqui... – suspirei. – Que bom que eles estão tranquilos... – encarei Arin, esboçando-lhe um largo sorriso. – Pelo visto você cuidou de tudo...
- Claro... – ele retribuía o sorriso, aproximando-se de mim.
- Obrigada... – disse, dando-lhe um abraço.
Arin apertou-me firme naquele abraço que não era para durar mais tempo do que já estava. Aquilo fazia minha cabeça dar mil voltas. Não queria ferí-lo...
Soltei-me, vendo que ele ainda me olhava dentro dos olhos, enquanto lentamente, aproximava seus lábios dos meus.
- Arin, por favor... – disparei, afastando-me dele.
- O que foi? – ele franzia o cenho, mostrando-se aborrecido. – A visitinha do Haner mexeu com você, foi?!
- Como é?! – virei-me contra ele. – O que você está insinuando?!
- Eu sei que ele foi te ver hoje... – Arin dava de ombros.
Logo, lembrei-me do que Valary havia me dito.
Será que Arin realmente se rebaixou à Michelle?!
Brian’s POV.
- Viadinho, não foi mais no Eddie?! – Zacky arrotava logo em seguida.
- Não. – disse sério. – Não tenho nada para fazer lá. – dei de ombros.
Percebi que os três se encararam.
- A Lucy foi demitida?! – Johnny disparava um riso logo em seguida.
- Não idiota! – debati. – Só não quero ficar incomodando ela...
- Ué... – Zacky franzia o cenho. – Que bicho te mordeu?!
- Ela disse que está namorando o Arin... – suspirei desanimado encostando-me no sofá. – Não sei o que eu faço...
- Será que é verdade? – Zacky cruzava os braços. – Sei lá, ela gosta de você, cara!
- Concordo com o bolota! – Johnny dizia. – Mas eu entendo ela...
- Como assim? – girei meus olhos para o baixinho.
- Enquanto você a sequestrava, o Arin tentava salvá-la... Provavelmente isso esteja mexendo com ela... – Johnny se aproximava de mim. – Faz sentido, não?
- É... – suspirei, dando-me por vencido. – Quanto mais eu penso, mas eu chego à conclusão que de fato Lucy me odeia e que é melhor eu ficar na minha.
Vi que Johnny revirava os olhos, encarando os demais.
Eu não estava conseguindo entender a Lucy, e isso me provocava certo desespero.
Quando a abraçava, sentia como se uma linha invisível nos prendesse um com o outro por um longo tempo, como se ela fosse algo que fizesse parte de mim, por mais que eu lhe tivesse roubado literalmente, meu coração e minha mente sentiam como se de fato ela fosse minha.
Durante a noite, tinha que encarar meu inimigo.
Estava sendo cada vez mais massacrante saber que ele simplesmente estava substituindo meu melhor amigo, além de querer roubar uma das poucas pessoas que mais me despertou sentimentos dos quais eu sempre fugia.
- Pessoal. – aquele babaca dizia. – Amanhã não vou poder vir ensaiar.
- Por quê?! – Matt perguntava, franzindo o cenho.
- Os pais da Lucy estão vindo para cá. – ele abria um sorriso. – Preciso estar com ela... Se é que me entendem...
- O QUE?! – Zacky mostrava-se animado com a notícia. – Então os pais da Lucy estão vindo para a Califórnia visitá-la?!
- Estão. – o magricelo o encarava confuso. – Não entendi o motivo de toda animação.
- Eu morro de vontade de conhecer os pais da Lucy! – Zacky sorria ainda mais. – Lucy me disse que eles eram doidos de pedra e a mãe dela também adora a gente!
- E se fossemos lá na casa de vocês também?! – Matt sugeria.
Arregalei os olhos, achando aquela ideia maravilhosa!
- Isso! – concordei de imediato. – Assim poderíamos conhecer os pais da Lucy!
- Achei a ideia perfeita! – Zacky disparava logo em seguida. – Será que a mãe da Lucy cozinha bem?
- Mas gente... – ouvi Arin.
- Acho que sim! – disse, interrompendo o magricela.
- Acho que vai ser bem divertido. – Johnny também esboçava um largo sorriso. – Lucy participou tanto da nossa vida... Acho que seria legal participar da dela também, não é? Ainda mais em um momento como esse.
- Mas nosso apartamento é muito pequeno. – aquele magrelo idiota interveio. – Acho que não cabe todo mundo...
- Ah, cara... Corta essa! Quando você passar meses viajando dentro de um ônibus, aí sim você vai entender o que é lugar pequeno... – Matt deixava sua risada trovejar. – Eu achei ótima a ideia de conhecer os pais da Lucy, temos que nos redimir com ela de alguma forma.
- Com certeza! – disparei as palavras, encarando Arin, que revidava com o mesmo olhar de desprezo, sem nem ao menos querer disfarçar.
- Os pais da Lucinda chegam amanhã à noite, não é? – Zacky perguntava, enquanto coçava os próprios mamilos.
- Isso mesmo... – disse. – Não é, Arin? – lhe esbocei um sorriso forçado.
- É... É isso mesmo...
Lucy’s POV.
Eu estava extremamente ansiosa, confesso que um pouco amedrontada, mas a saudade que eu senti de meus pais durante todo aquele tempo, ajudava a diminuir o nervosismo.
Minha mãe, Jude Dartagan era uma mulher e tanto. Sempre fomos muito amigas, conto geralmente tudo para ela. Quando tinha a minha idade, participava de uma banda cover dos Beatles, apenas de mulheres, do qual ela se encarregava de ser John Lennon. Era engraçado, pois em sua adolescência, sempre usou óculos de grau grandes e arredondados, assim como seu ídolo de toda a vida, era ideológica, ainda é, sempre foi muito tranquila, e mente aberta.
Meu pai, Jeremy Dartagan, era um pouco mais doido. Inclusive, foi preso por dirigir alcoolizado quando tinha lá seus vinte anos de idade, foi expulso de escolas por brigas, e conheceu minha mãe em um show que ela fazia em tributo aos Beatles. Ambos eram muito fãs da banda, inclusive, foi daí que veio meu nome, Lucy, tributo à música preferida da minha mãe. “Lucy in the sky with dimonds”, mas o fato de minha mãe se chamar Jude, era uma feliz coincidência da qual ela se vangloriava... “Hey Jude”, a música do casal. Soube que meu pai fez uma serenata para minha mãe com essa música.
Eu adorava aquele meu mundo do qual eu era rodeava. Por isso, doía tanto saber que fui tirada de meu país de forma tão inconsequente.
- Eles já devem estar para chegar. – ouvi Arin dizer. Ele, assim como eu, parecia extremamente ansioso.
De repente, ouvi milhares de batidas contra a porta.
Encarei Arin, sentindo meu coração disparar.
- Será que já são eles?! – disparei até a porta.
- ABRE LOGO ISSO AÊ! – ouvi a voz de Johnny.
- Ah... – dei de ombros, abrindo a porta, enquanto os encarava tediosa, apenas por brincadeira. – Ah, são vocês, é?
- Que cara é essa, Lucinda?! – Zacky deixava seus lábios se transbordarem em um bico. – Seus pais já chegaram? Tem comida?
- Meus pais ainda não chegaram, e vamos esperá-los para comer, ouviu bem? – abri um sorriso, dando-lhes espaço para que pudessem atravessar a porta.
- Se toca, seu tetudo do caralho, fica meses fazendo regime pra depois engordar tudo de novo? – Johnny revirava os olhos.
- Na vida... A gente perde, e a gente ganha! – Zacky fazia pose de filósofo, enquanto eu lhe disparava um riso.
- Ainda bem que eu trouxe meu PSP... Assim como me distrair enquanto os pais da Lucy não chegam... – dizia Matt, entrando no apartamento já com o aparelho ligado, enquanto colocava língua para o lado de fora da boca, mostrando-se concentrado.
Logo, era a vez dele, de Brian entrar no apartamento.
O ar de repente me pareceu estranho, como se meu estômago revirasse por alguns instantes, meu coração pulava sem controle, enquanto eu sentia meu rosto esquentar levemente.
- Licença. – dizia ele com um meio sorriso enquanto passava por mim. – E então... Tudo bem com você? Faz um tempinho que não nos vemos...
- É que vocês estão ensaiando muito e eu trabalhando, né? – coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha, enquanto abaixava a cabeça, evitando ao máximo de olhá-lo. – Quero só ver qual vai ser a reação da minha mãe quando ver todos vocês aqui... – ri.
- Espero que ela não se assuste com o excesso de gordura do Zacky. – Johnny alfinetava, enquanto se sentava no chão.
- Isso se ela não se assustar primeiro com essa sua cara de verme de goiaba! – Zacky debatia.
- VERME DE GOIABA?! E você? Verme de acerola! – Johnny o encarava.
- Sua bunda é tão peluda que se você tropeçar de cara no chão, um camelô te leva embora achando que você é tapete made in china! – dizia Zacky.
- Sua barriga é tão grande que se te pintarem de azul, te confundem com o Snorlax!
- AH, CALEM ESSA BOCA, ESTOU MORRENDO AQUI! – Matt os empurrava, enquanto ainda mantinha os olhos presos à pequena tela de seu aparelho portátil.
Olhei para o lado, vendo que Brian os encarava, dando uma risada tímida. Eu me sentia tão estranha perto dele, sentia até mesmo um nó na garganta, sentia como que as pequenas faíscas de calor exalavam naturalmente de sua pele, me atingissem.
Logo, percebi que Arin o encarava de modo até mesmo mortal. Eu não gostava daquele ar irrespirável que pairava por eles. Entendo o quanto Arin devia estar revoltado com as minhas atitudes, e eu não poderia culpá-lo, por mais que não lhe devesse nenhuma satisfação, afinal não éramos namorados, mas jamais poderia me esquecer de tudo que ele fez por mim, de tudo que ele sacrificou.
Tinha que cumprir com meu pensamento. Ficar próxima de Arin e simplesmente me esquecer de Brian.
- Arin, que cara é essa?! – aproximei-me dele propositalmente, enquanto o abraçava por trás das costas. – Até parece que está mais nervoso do que eu... – comecei a rir.
Brian nos encarou de relance, e ficou rígido como se tivesse prendido a respiração.
Também não gostava de vê-lo chateado. CÉUS! Eu estava tão confusa! Eu não tinha motivos para me importar com Brian... Eu não tinha débito algum com ele.
- CHEGUEI! – ouvi de repente um estrondo na porta.
Corri até o corredor, vendo minha mãe entrar no apartamento com uma mala verde musgo gigante, enquanto os cabelos louros estavam decorados com mechas bem pretas na parte de baixo, nem se quer parecia ter seus quarenta e cinco anos, enquanto meu pai estava o típico turista, carregando várias mochilas de uma vez só, uma máquina fotográfica presa no pescoço, uma bermuda bege e uma camisa florida de botões azuis extremamente brega.
- FILHA! – ele gritava, lançando as malas pelo chão, enquanto corria até mim, apanhando-me fortemente pelo braço, passando-o por trás de minhas costas, imobilizando-me. – PRONTO, AMOR, PRENDI ELA, PODEMOS NOS VINGAR!
- COMO É?! – perguntei desnorteada. Meus pais tinham sérios problemas.
- AH, SUA LOIRA OXIGENADA! — minha mãe se aproximava com um grande sorriso. – A PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ NÃO ME DER NOTÍCIAS...
- Desculpa, mãe... – murmurei sem saber se eu ria, ou se tentava me soltar do meu querido pai.
- ... EU ARRANCO SUA CABEÇA! – ela completava.
- Agora eu sei da onde veio a inspiração dela para ameaçar as pessoas... – ouvi Zacky murmurar.
Meus pais ainda nem se quer haviam notado a presença do Avenged Sevenfold ali, primeiro, abraçaram-me com força... Era bom tê-los ali comigo e saber que tudo não passou de um terrível pesadelo, só não sabia se ele realmente estava prestes a acabar.
Assim que eles finalmente acharam que foi o suficiente me espremer em um abraço fraternal, Arin se aproximou com um sorriso largo nos lábios.
- Oi Tia Jude! – ele disparava, aproximando-se dela, pronto para lhe dar um abraço.
- AI... MEU... DEUS! – minha mãe o ignorou completamente, assim que percebeu que além de Arin, haviam outras pessoas ali.
Arin ficou evidentemente sem graça, enquanto minha mãe ainda o ignorava, encarando o Avenged boquiaberta.
- MINHA FILHA É AMIGA DO AVENGED SEVENFOLD, CARALHOOOOOOOOOOO. – ela berrou.
Notas finais
Aguardo os reviews!!
Beeeijos ♥
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