JANTAR.


Lucy’s POV.


Aquilo tudo só podia ser piada ou algum tipo de pegadinha. Não que eu fosse achar completamente horrível ficar presa com meus ídolos, mas eu simplesmente não esperava ser vítima de abusos ou simplesmente declarada a menina sequestrada. Afinal, eu estava trancada, não é mesmo?

Pior de tudo... Longe! Longe de tudo e de todos. Eu nunca nem se quer sonharia em vir para os Estados Unidos assim de uma hora para a outra, abandonar toda a minha vida, minha faculdade, meu melhor amigo Arin.

Arin... Como eu sentia falta dele. Se ele estivesse aqui tudo seria mais fácil. Nós iriamos dar ótimas risadas, beber, cantar errado, enquanto ele tocava bateria completamente fora de sincronia. Nós éramos assim, barulhentos.

Peguei-me dando risada sozinha. Era bom lembrar-me Arin. Desde a minha infância nunca que fiquei tanto tempo longe dele. Éramos como perfeitos irmãos, apesar de que às vezes eu pensava na possibilidade de sermos outra coisa.

De repente, ouvi passos se aproximando.

Sentei-me na cama e em uma atitude infantil, apenas virei o rosto em direção à parede.

- Lucy? – era a voz de Syn.

- O que é? – respondi de má vontade.

- Se apronte... O jantar logo ficará pronto. – dizia ele com tranquilidade.

- Ué, você não vai trazer o meu jantar aqui? – virei-me bruscamente em direção ao seu rosto e me impressionei com o que eu estava vendo diante de meus olhos.

Ele estava elegante, utilizando uma camisa, calça e sapatos sociais. Todos pretos. Mas eu simplesmente não podia negar o quanto ele estava perfeito dentro daquela roupa. A manga da camisa de botões estava dobrada até os cotovelos, ressaltando ainda mais seus braços largos.

Sua postura era perfeita. Ironicamente, ele se parecia com um príncipe de conto de fadas.

- Ei... – logo sua face se transvestia em uma careta e ele me olhou de modo desconfiado. – Por que a porta estava destrancada?

- O QUE?! – perguntei numa falsa surpresa, fazendo-me completamente de desentendida. – A porta estava destrancada? Não acredito!

Synyster me encarou por alguns instantes, apertando os olhos como se fosse um detetive investigando um suspeito.

- Se eu soubesse que ela estava destrancada eu teria saído há muito tempo. – revirei os olhos, cruzando os braços.

- Nossa! – ele mostrou-se espantado, retirando a chave do bolso da calça. – Melhor eu me atentar melhor à esses detalhes... É que ultimamente você me tirou tanto do sério que provavelmente eu possa ter me esquecido de trancar a porta... Essa foi por pouco.

- Eu te tirei do sério... Essa foi boa. – dei de ombros.

- Mas é isso mesmo menina... Hoje eu tive que ir ao pronto socorro dar ponto na sua mordida!

- PROBLEMA SEU! – debati, irritada. Por mais que eu estivesse tentando manter a calma, eu ainda não tinha engolido essa história de que ele simplesmente me tirou do meu país e me trouxe para cá. Será que era apenas Jimmy que sabia disso?! Os outros aprovavam isso que ele estava fazendo?!

- COMO ASSIM PROBLEMA MEU?! – ele também alterava o tom de voz, porém logo fechou os olhos e respirou fundo. – Prometi a mim mesmo que não ia me irritar com você... Já que você parece ser uma menina que gosta de homens românticos... – ele piscava para mim.

Revirei os olhos, tentando ser mais forte do que eu mesma.

Talvez, muitas pessoas me achassem louca por estar recusando passar a noite com um dos guitarristas mais desejados do universo do rock.

Antes de isso tudo acontecer, eu realmente ficava me imaginando tendo algo com ele, mesmo que seja de brincadeira, mas era assim antes de eu me deparar com a realidade de que o meu tão amado ídolo era um maníaco com fetiches estranhos que queria me manter trancada.

Ouvi a porta se fechando e ele trancando-a, certificando-se ao menos três vezes de que a porta realmente estava trancada. Talvez eu o tivesse deixado preocupado. Mas eu não iria acusar Jimmy, sendo que ele foi o único nessa história toda que me deu algum tipo de resposta e parecia estar mais flexível em me ajudar.

Suspirei irritada, batendo os pés contra o chão.

Logo, a porta novamente se abriu e Synyster surgiu através dela.

- Pronta para o jantar? – perguntou ele com um meio sorriso nos lábios.

Engoli seco. Talvez eu realmente estivesse ficando louca em recusar aquele homem. Ele era lindo, embora assustador.

- Vamos. – disse um tanto seca, não queria que ele se animasse muito com a ideia de que provavelmente estava conseguindo fazer eu me render.

Levantei-me da cama, e então, com um cavalheirismo ridículo ele abriu ainda mais a porta, esticando o braço para o lado de fora do cômodo, inclinando levemente o tronco.

Arqueei a sobrancelha.

Sendo assim, ele fechou a porta e segurou em minhas mãos.

- Feche os olhos. – ele sussurrou em meus ouvidos.

Bufei alto, mas fiz o que ele me pediu.

Sendo assim, senti algo tocando em meu rosto. Exatamente nas minhas pálpebras.

- Só estou lhe colocando uma venda. – dizia ele, sem nem ao menos desconfiar que eu já sabia muito bem que estava em um quartinho que ficava depois da dispensa.

Com uma sutileza incomum, Synyster ia me guiando até onde eu acreditava ser a sala.

Aquele mesmo homem que estava me mantendo refém, conduzia-me de maneira cuidadosa e até mesmo carinhosa. Eu realmente não conseguia interpretar que tipo de pessoa ele era, além de louco, claro.

- Pode abrir os olhos. – Synyster sussurrou em meus ouvidos, desfazendo-se da venda.

Fiquei boquiaberta com o belo cenário que ele havia preparado.

Estávamos na sala do apartamento.

Havia uma janela toda de vidro que tomava conta da maior parte da parede. Ao lado dela, uma mesa grande e retangular preenchia o cômodo.

No centro da mesa, havia um castiçal grande repleto por velas brancas que estavam acesas, sendo a única fonte de luz do local.

Pétalas de rosas contornavam a mesma mesa, duas taças estavam dispostas uma do lado da outra, juntamente com dois pratos de porcelana muito bem trabalhados e talheres.

Próximo ao castiçal havia um balde metálico repleto de gelo e uma garrafa de champagne.

- O que significa isso? – perguntei confusa. Não esperava que ele fosse fazer algo assim para mim, nem mesmo nos meus mais profundos sonhos, ainda mais depois dele tentar me seduzir com Scream.

- Gostou? – ele abria um largo sorriso como se tivesse conseguido o seu propósito.

Não consegui processar uma resposta imediata. Sendo assim, Synyster segurou firme em minhas mãos, guiando-me até a mesa, enquanto puxava a cadeira.

- Está confortável? – ele sussurrava novamente em meus ouvidos, provocando-me arrepios.

- E-estou. – respondi gaguejando.

Atrevido, Synyster simplesmente passou a língua de leve no lóbulo da minha orelha. Assustada, rapidamente me esquivei.

Ouvi que ele disparou uma leve risada, apanhando o champagne do balde, abrindo-o como um estouro.

Aproximei os ombros do meu rosto, encolhendo-me.

Synyster apanhou a minha taça, enchendo-a de champagne.

- Já volto. – ele sussurrou novamente em meus ouvidos.

Observei-o se afastando, indo em direção à cozinha. Estava completamente incrédula daquela mistura de atitudes dele. Uma hora brusco, depois sedutor, outrora romântico. Ele tinha dupla personalidade? Deve ser algum tipo de esquisitice famosa.

Logo, estava ele novamente, com uma travessa grande de macarronada.

Confesso que aquele era o melhor cheiro de macarrão que eu já pude sentir na vida. Com todo respeito ao meu chefe de cozinha ainda predileto, Arin Ilejay.

Synyster colocou a travessa sobre a mesa, enquanto me encarava claramente, sem nem ao menos disfaçar.

Serviu-me com aquele macarrão que sinceramente havia me dado água na boca.

Talvez Jimmy tivesse razão. Syn não era tão ruim assim, apenas um escravo de seus próprios desejos. Podendo assim dizer.

Tudo aquilo que ele havia feito apenas para que eu gostasse dele, sinceramente, era bonito demais.

Por que não aproveitar se eu estava tendo a oportunidade de jantar com o meu guitarrista predileto?

Sendo assim, ele se sentou ao meu lado. Estava ainda mais sexy diante daquela meia luz promovida pelas velas.

Seus olhos castanhos me prendiam ao seu rosto ainda mais.

- Fico feliz que tenha gostado. – dizia ele com uma voz tranquila.

- Sim, tenho que admitir que você sabe ser romântico. – respondi sentindo minhas bochechas corarem levemente, e então abaixei a cabeça.

- Que bom. – ele tornava a sorrir daquela maneira enlouquecedora. – Acho que eu então consegui o meu propósito.

Irritada com aquela sua última frase desnecessária, simplesmente larguei os talheres sobre a mesa, encarando-o seriamente.

- Certo, eu sou uma idiota. – dizia por fim. – É óbvio que tudo isso que você está fazendo é apenas pra me levar para a cama!

- ACERTOU! – dizia ele descaradamente. – E então... Vamos? – ele passava seus braços por trás de meus ombros.

- VAI À MERDA, BRIAN ELWIN HANER JÚNIOR! – gritei, levantando-me bruscamente da cadeira, fazendo o vidro estremecer devido ao meu ato.

- Olha só, você sabe meu nome verdadeiro... – ele ria como se estivesse realmente achando graça. – Então realmente se interessa por mim.

- Sei o seu nome inteiro assim como eu sei o nome dos meninos também! – debati, afastando-me dele. – Olha, você até poderia ter conseguido algo hoje se não fosse tão idiota!

- Eu idiota? – ele arregalava os olhos como se tivesse ficado ofendido. – Você que está me recusando e eu que sou idiota?!

- BEM QUE EU DESCONFIEI QUE VOCÊ ERA UM METIDO! – debati novamente.

- Eu não sou metido, sou apenas realista. – ele dava de ombros.

- Você é um ridículo! Saiba que nas nossas fanfics você é sempre o galinha desprezível que acaba se fodendo no final! – disse irritada, quase que voando no pescoço dele. – Aquele babaca fútil e mesquinho que vai morrer sozinho!

- ISSO É O QUE VOCÊ PENSA MEU AMOR! – ele dizia ainda mais alto do que eu, como se eu finalmente tivesse despertado a ira dele. – Para de ser hipócrita Lucy... Você como todas as outras sempre sonharam com esse momento de ficar a sós comigo...

Ele sorria, levando-me completamente como um brinquedo do qual ele podia usar quanto quisesse.

Talvez, eu realmente estivesse louca de estar negando ficar com ele. Afinal, não era todo o dia que eu teria a oportunidade de ficar com meu ídolo, mas eu não gostava daquela maneira, eu queria que fosse de um jeito especial.

Bem que minha mãe dizia que nunca estávamos felizes com as coisas do jeito que elas eram.

E eu realmente não estava feliz com aquela situação. Trancada em um quartinho úmido, longe de casa, longe das minhas responsabilidades, da minha vida! Eu precisava ir embora e deixá-lo para trás. Eu seria apenas mais uma para sua coleção, e eu sabia que se ficasse com ele, guardaria isso pelo resto da minha vida, de maneira especial, enquanto para ele, eu seria apenas mais uma figurinha para o seu álbum.

- Idiota. – foi a única coisa que eu consegui murmurar entredentes.

Encarei-o mais uma vez e dei às costas.

Vi a porta da sala logo próxima à estante. Caminhei até ela quase que correndo, quando de repente senti um forte puxão pelo braço, fazendo-o virar com tudo para o sentido contrário, debatendo-me contra Synyster.

- Acha que eu vou deixar você escapar assim de mim tão fácil? – dizia ele seriamente, encarando-me com aqueles olhos.

Aqueles olhos simplesmente me roubavam todo o ar que eu tinha nos pulmões. Anestesiava-me de tudo que estava ao meu redor. Eu perdia a fala, o tato, tudo vagava e flutuava como uma massa confusa que conspirava pelo universo.

De repente, senti suas mãos rodeando minha cintura, aninhando-me contra seu corpo. Suas mãos quentes subiam pelos meus braços, segurando a maça do meu rosto.

Instantaneamente, ele aproximou seu rosto do meu, selando nossos lábios.

Eu tentava me afastar, mas estava frágil demais diante daquela situação tão inesperada. Eu estava beijando SYNYSTER GATES!

Fechei os olhos, enquanto sentia seus lábios dançando juntamente com os meus.

Aquilo era completamente insano.

- ME SOLTA! – disse de repente, despertando-me daquela corrente de desejo, empurrando-o para trás. – VOCÊ É UM BABACA!

- Você xinga como uma criancinha de dez anos. – ele revirava os olhos sem se importar com a minha reação. – Seu corpo já deixou bem claro que você me quer.

- Não é bem assim que funcionam as coisas, Brian. – dizia seriamente, encarando-o com uma raiva que de repente tomou conta de todos meus membros.

Odiava essa maneira de ele achar que sabia tudo sobre mim e principalmente de que poderia me ter a qualquer custo.

- Você não conquista um amor de alguém a obrigando ficar perto de você! – disse de modo firme.

- Eu não quero seu amor, eu quero seu corpo. – ele arqueava as sobrancelhas, ignorando completamente meus sentimentos.

Eu não sei ao certo dizer o que estava sentindo, mas conseguia imaginar claramente eu o arremessando pela janela que estava logo atrás dele.

- É, vocês artistas realmente pensam que a vida é fácil somente por causa da fama... O que você não sabe, meu querido, é que as coisas em geral, a gente conquista!

- CALA A BOCA! – ele debatia, apanhando-me novamente pelos braços. – Você não sabe quem eu sou de verdade, sua idiota.

- Mas eu sei que você é só um guitarrista fútil que simplesmente me decepcionou!

- AH! EU VOU TE MOSTRAR O FÚTIL!! – ele gritava, e com uma facilidade extrema, erguia-me do chão, colocando-me por cima de seus ombros, carregando-me como um saco velho de batatas para a cozinha. – Agora você vai aprender só uma coisa.

- ME SOLTA! – gritei irritada.

- FIQUE AÍ! – ele gritava, jogando-me contra a cama do quartinho. – Se você pensa que vai escapar de mim assim tão fácil, Lucy, está muito enganada! VOCÊ NUNCA MAIS VAI SAIR DAQUI! ENTENDEU? NUNCA MAIS!

Tentei me levantar e discutir novamente.

Não adiantava mais. Eu estava trancada de novo.

Notas finais
Pessoal, desculpem pela demora, mas eu tive umas semanas bem agitadas, fiz um showzinho aí com a minha banda num barzinho, que por sinal foi MUITO legal. Depois eu posto vídeo no youtoba pra vocês verem. HISAHSIAHISAHISA (:
Quanto ao capítulo, espero que tenham gostado e COMENTEM. *-* E se não for pedir muito, recomendem também, ok?
Muito obrigada à todos que estão acompanhando.
Beeijinhoos. ;**