Danger Line

9 Discussão.


DISCUSSÃO.

Brian’s POV.


- Você trouxe alguma outra vadia para cá, Brian? – Michelle dizia num tom autoritário.

Demorou para cair a ficha, mas acreditei poderia ter sido a Lucy.

- Para de ser louca, pode ser algum vizinho, não sei… — debati, enquanto ela se colocava dentro da lavanderia, girando a cabeça de um lado para o outro como se estivesse à procura de alguém em específico.

- Vizinho? Até onde eu sei, é um apartamento por andar. – ela revirava os olhos, aproximando-se da máquina de lavar, analisando logo atrás dela.

- Ora! – bufei alto, tornando a ficar irritado. – Existem vizinhos em cima e em baixo, sabia? – ironizei, alterando novamente meu tom de voz.

- Ah, Syn… Chega disso vai… — ela fazia um bico, tornando a girar seu rosto para mim, deixando sua voz manhosa, enquanto se aproximava, colocando seus braços por trás de meu pescoço. – Vamos levar isso numa boa, vai…

- Vamos nos unir ao pessoal… Eles estavam tão bêbados que nem nos ouviram gritar. – respondi, afastando-me novamente dela, indo até a sala. — Trouxe alguém para cá... há. — disparei uma risadinha com desdém. — Até parece mesmo...

Lucy’s POV.


Estava ofegante.

Sentei-me na cama do quarto, enquanto suspirava, pensando na discussão de Synyster e Michelle.

Eu particularmente não acreditava que eles teriam problemas sérios, como um casal normal. A gente simplesmente não enchergava que a vida dos famosos era assim como a nossa, ou talvez até mesmo mais complicada.

Não entendo por que eu simplesmente havia desistido de me vingar.

Não! Eu simplesmente não podia desistir agora!

Aquilo já estava indo longe demais! Arin simplesmente não havia acreditado em mim, mas sei que quando ele finalmente percebesse que eu já estava há dias sem aparecer, ele iria tomar uma atitude! Ele TINHA que fazer alguma coisa.

Eu não iria me arriscar a sair do apartamento, onde de fato eu tinha alguma coisa pra comer e onde dormir, para ficar perambulando por um lugar que eu nem se quer conhecia.

Talvez eu pudesse aproveitar que eles estavam bêbados demais e iriam dormir feito pedra, para ligar para o Arin novamente.

Um tempo se passou e eu simplesmente não consegui pregar os olhos.

Andava de um lado para o outro daquele quarto escuro e minúsculo que já estava me deixando desesperada.

Quando finalmente dei por mim, a casa tornou a ficar silenciosa. Já deveria estar no auge da madrugada e eu precisava tentar escapar novamente.

Assim o fiz. Na ponta dos pés dei alguns passos em direção à dispensa. Estava ainda mais escura do que de costume, e de lá, não consegui ouvir muitos ruídos. Sendo assim, prossegui o meu caminho.

Andei concentrada até a cozinha. Senti um frio subir pelo meu estômago como se adrenalina sugasse a precisão de meus músculos.

De cara, debati com uma cena que fez com que meu coração disparasse apitos agudos contra a minha caixa torácica.

Era ele, Synyster Gates, deitado no sofá, vestindo apenas uma cueca boxer preta, enquanto sua adorada namorada Michelle, deitava sobre seu peito com os seios á mostra.

Revirei os olhos. Confessei que senti ódio de toda aquela hiprocrisia que a vida dele se concretizava.

Porém, eu simplesmente não tinha mais motivos para ficar ali parada, vendo aquela ceninha ridícula!

Virei-me de costas, indo até a base do telefone.

Ao esticar o braço para apanhar o aparelho, pude ver as pontas dos meus dedos tremelharem como se estivesse entrando em curto.

Meu sequestrador estava bem ali, deitado no sofá e eu não poderia cogitar o quão profundo seu sono seria.

Suspirei, precisava de coragem.

Espiei por mais alguns instantes, e com lentidão, fui aproximando minhas mãos do telefone, mas sem tirar os olhos dele.

Estava tocando no aparelho, quando ouvi um suspiro alto.

Assustei-me, derrubando o aparelho no chão.

Com desespero, joguei-me contra o piso.

Vi que Synyster fez uma movimentação brusca ao ponto de tirar Michelle de seus braços. Ela simplesmente ficou largada pelo sofá, enquanto ele coçava os olhos e os abria, lentamente.

Senti meu coração batendo tão forte que acreditei que ele sairia pela minha boca. Se ele me visse ali, tudo estara perdido.

Coloquei as mãos em frente de meus lábios para que a minha respiração instável não me acusasse.

Ouvi um bocejo alto e tornei a erguer o pescoço para espiar.

Ele havia voltado a dormir.

Aliviada, respirei fundo, erguendo-me vagarosamente do chão.

Minhas mãos ainda tremiam e minhas pernas não me obedeciam devidamente.

Aproximei-me da estante, arrumando a base do telefone.

Tornei a caminhar nas pontas dos pés, afastando-me da sala com o telefone nas mãos.

Estava indo para a cozinha, quando senti algo, ou melhor, alguém tapando-me a boca.

- Onde você pensa que vai com esse telefone? – ouvi a voz evidente de Synyster em meus ouvidos.

Apertei os olhos, irritada, tentando me soltar de suas mãos. Era inacreditavel que ele fosse tão descarado ao ponto de usar seu corpo para impedir a minha fuga.

Ele disparou uma leve risada, ainda me mantendo como se fosse uma refém.

Sendo assim, ele apanhou o telefone de minhas mãos, jogando-o em cima do sofá onde Michelle dormia evidentemente alcoolizada.

- Você vem comigo, agora. – ele continuava sussurrando em meus ouvidos, conforme me obrigava a caminhar novamente em direção da lavanderia.

Sabia que o meu destino seria novamente ficar trancada naquele cubículo chamado de quarto.

Assim que nos aproximamos da porta, ele me jogou contra a cama.

Caí de costas contra o colchão, não podendo evitar vê-lo.

A cueca boxer ficava perfeita em suas coxas grossas. As tatuagens dos braços ficavam ainda mais tentadoras com ele daquela forma. Seus cabelos escuros estavam levemente bagunçados e seu leve resquício de sono que tomava sua face, fazia com que o o achasse ainda mais belo do que de costume.

- O que foi? Nunca viu antes um homem de cueca? – ele perguntava com um riso debochado em seus lábios. – Você vai ser muito boazinha e me contar como foi que voê saiu do quarto, mocinha.

- V-você deixou a porta aberta. – resmunguei, gaguejando, infelizmente. Não conseguia disfarçar o meu nervosismo. Não sabia ao certo se era pelo motivo de ele estar semi nu logo na minha frente, ou do medo dele finalmente descobrir a minha arma secreta de fuga.

- Não deixei! – ele dizia de modo sério, como se tivesse ficado aborrecido com a minha tentativa de passá-lo para trás. – Escuta aqui, Lucy, eu não sou idiota, e eu acho bom você ir abrindo esse bico! Foi o Jimmy, não foi?!

- Não! – debati de imediato. – Acha mesmo que o Jimmy iria te trair? – revirei os olhos. – Eu não tenho culpa se essa sua cabeça de vento esqueceu de trancar a porta!

Ele inclinou a cabeça para trás, encarando-me, perplexo, acredito que por não esperar que eu lhe desafiasse daquela forma.

- Escuta aqui, Lucy… — seu tom de voz ia diminuindo, enquanto ele se aproximava de mim e apontava o dedo indicador, ficando realmente ameaçador. – Eu fico muito mau humorado quando estou com sono, sabia? Então se eu fosse você ia dizendo logo como foi que conseguiu sair daqui!

Engoli seco. Eu simplesmente não sabia o que fazer.

- FALA! – ele alterava o tom de sua voz de repente, fazendo com que eu desse um leve pulo para trás, assustada, porém, mantive meu silêncio.

Ele ficou me olhando, esperando por alguma reação, quando de repente, ele se aproximou bruscamente, apanhando meus braços.

- ME SOLTA! – gritei irritada, debatendo-me e tentando lhe acertar chutes.

Ele porém não se importava. Fazia força enquanto mordia os lábios, apanhando minha mão e fazendo força para abrir meus dedos.

- SOLTA! – continuei gritando, desesperadamente. Nunca senti tanto medo de ser descoberta daquela forma. Aquele grampo de cabelo era a minha única tranquilidade diante daquela situação.

Era inútil tentar lutar contra ele. Meus dedos se soltaram, revelando o grampo de cabelo que estava escondido na palma da minha mão.

Rapidamente, ele o tirou de mim.

- DEVOLVE! – gritei, desesperada. – Você não pode fazer isso! Você não pode me manter trancada aqui!

- Você acha que é assim, é? Que pode tentar me passar a perna? Você podia muito bem ser legal comigo, mas quis fazer tudo da maneira mais difícil, então aguente as consequências!

- EU NÃO TENHO CULPA SE VOCÊ É UM FRUSTRADO NO SEU NAMORO! – ataquei.

Sua face de repente ficou rígida, e ele me encarava com uma seriedade da qual eu nunca havia visto antes.

- O que você ouviu? – ele urrava. — SABIA QUE ERA VOCÊ!

- Você é um nojento! – continuei atacando. – Quem diria, ein? Você é infeliz no seu namoro com a gêmea Dibenedetto.

- Cala a boca! Você não sabe nada sobre o meu namoro! – ele debatia ainda mais alto.

- Grita mesmo! Assim alguém pelo menos me escuta… Quem sabe a sua namoradinha?

- Escuta aqui! – ele me puxava pelo braço, deixando nossos rostos bem próximos. – Se você quer jogar, você acabou de arrumar o adversário perfeito! – ele dizia de modo ameaçador. – E eu não vou ter piedade por causa da sua beleza.

- Chega! – debati, quase com que lágrimas nos olhos. Acho que eu realmente o deixei bem nervoso, e o fato dele ter desacoberto sobre o grampo de cabelo, havia me deixando ainda mais assustada, com medo, sem conseguir desvendar uma única possibilidade de fuga se quer. – Por que você não me deixa ir embora? Eu não quero transar com você! Eu não quero NADA COM VOCÊ!

- Acha que eu vou acreditar? – ele dava uma risada debochada. – Acha que eu não percebo como o seu corpo reage quando eu fico assim, perto de você? — ele sussurrava, segurando-me pela cintinura e me olhando dentro dos olhos. – Acha que eu realmente não vou conseguir o que eu quero?

- Me deixa ir embora! – pedi quase que implorando.

Percebi, porém, que a minha voz havia saído de modo instável, seus lábios iam se aproximando do meu conforme eu escutava a sua respiração tranquila. Ele relaxava os músculos, aproximando-se ainda mais de meus lábios.

O pior de tudo, é que talvez ele realmente tivesse razão. Tinha vontade de gritar desesperadamente, mas eu sabia que ninguém iria aparecer ali para me ajudar, para me salvar. Nem mesmo Arin, que simplesmente não acreditou em mim, que simplesmente riu da minha situação real… Que simplesmente poderia se esquecer de mim…

Será que eu nunca mais o veria? Será que eu ficaria aqui para sempre?

Uma lágrima, de repente, ameaçou cair de meus olhos. Ele pareceu perceber, e então, soltou-se de mim.

- Vai dormir. – disse de modo rígido, enquanto afastava-se, levando junto meu grampo de cabelo. – Amanhã a gente conversa.

- Eu não tenho nada para conversar com você! – debati, com uma lágrima instrusa que escapou. — VOCÊ NÃO PODE ME MANTER TRANCADA ASSIM!! EU VOU GRITAR TANTO QUE UMA HORA ALGUÉM VAI TER QUE ME OUVIR!

Synyster, porém, nem se quer olhou para trás. Abriu a porta do quarto, saindo de lá.

Senti como se uma corrente de ódio atravessasse instantaneamente pelas minhas veias.

Imaginei-me eternamente trancafiada naquele quarto.

Disparei um grito agudo, disparando um murro contra a porta.

Porém não ouvi nada como retorno, eu estava novamente sozinha.

Arin’s POV.


- Você vai mesmo? – Karl perguntava, preocupado.

- Que escolha eu tenho? Eu me sinto um merda! Eu devia ter ouvido ela! – desabafei. – Eu fui tão burro que nem parei pra ver o número do qual ela me ligou… Olha só… — mostrei o celular para ele.

Karl rapidamente apanhou o aparelho, encarando a tela.

- MEU DEUS! Ela ligou de um outro código de área!

- Sim! E pior, eu fui procurar na internet e esse código é da Califórnia…

- Califórnia?! – Karl parecia perplexo.

- Sim, e no telefone ela me disse que o Synyster Gates tinha sequestrado ela.

- Guitarrista do Avenged?! — ele franzia o cenho, e de repente, disparou. — DESDE AQUELE DIA ELA ESTÁ SUMIDA E VOCÊ SÓ SE PREOCUPA AGORA?! – Karl disparava um grito, fazendo com que eu me sentisse ainda mais culpado.

- Você sabe que a Lucy adora ficar pregando peças em mim. – suspirei. – Então pensei que ela estivesse de brincadeira… Mas, até onde eu sei, o Avenged Sevenfold é da Califórnia… Eu preciso da Lucy de volta… — disse, sentindo minha voz trêmula.

- Já sabe o que fazer? – Karl perguntava, sério.

- Sim… Vou denunciar o desaparecimento para a polícia.

Notas finais
Pessoas lindas. *-*
Muito obrigada por todos os reviews que estão me mandando, fico muito feliz que todos estejam gostando e acompanhando.
Espero que gostem do capítulo novo, como sempre, e não deixem de comentar, e se não for pedir muito... RECOMENDEM. *-*
Beeeijos ♥